sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

RESGUARDAR JANEIRO PELO ANO INTEIRO



Jomard Muniz de Britto, jmb

Já ouviram falar em MEI?

Talvez seja mais do que uma sigla bonita
ou mesmo estranha. Permanência da dúvida.

Se no meio dos caminhos continuam pedras
drummundanas, calçadas esburacadas, vozes
e gestuais interrompidos, famintos de tudo,
o Movimento de Escritores Independentes
(MEI) - dos anos 80 do passado século - 
deseja resistir dentro das carências
do poetar, escrever, encarar escritas por tudo.

Para enfrentar ilusões acadêmicas e falências
do Pós-Tudo contemporâneo.

Para esquecer as mais sublimes epifanias de
Clarice Lispector e seus consagrados.

Para gozar a sabedoria dos andarilhos
na linguagem de Manoel de Barros, nosso
pré-socrático transcendendo longevidades.

Por que o crítico-pensador Antonio Cândido
não conseguiu resenhá-lo? Até quando?

Por tudo e sem todos, o MEI jogou dardos
da memória para não tornar-se esquecido
de si mesmo e de nós outros.

Gerou sobretudo movimentAÇÕES em
relâmpagos, aquém e além dos bares,
becos famintos, folias suicidáveis.

Os que não aguentaram, morreram sem tédio.

Os sobreviventes ainda experimentam
a morte sem tábuas de salvação.

Quase tudo resguardado em exercícios de
CORPOETICIDADE sem limites.

Poetas-personagens afins, gritando
contra ridículas politicagens.
MIRÓ da Muribeca em São Paulo ou
no Cais de Santa Rita do Ré-cife
continua permanecendo preferencial.

Malungo e Chicó pelas imagens de Mateus Sá 
desafiando obsessões consumistas e neuroses
espumantes. Outro MEI, desafinando midias.

Para tentar esquecer os replicantes do
sebastianismo no Teatro de Santa Isabel.

SALVE-SE QUEM SOUBER DO NADA.

Recife, jan/2013.


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