quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

CULTURA NÃO É A PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO



O que acontece com o mercado editorial brasileiro é algo que há muito tempo vem sendo denunciado pelo Ademir Assunção: existe um lobby das grandes editoras que exerce influência não apenas nos cadernos de "cultura" (?) da imprensa diária, mas também nos órgãos governamentais responsáveis pela compra de livros didáticos, bolsas e concursos literários, escolha de autores para participação em feiras internacionais e as políticas públicas para o livro, a leitura e a literatura. Um lobby poderosíssimo. Infelizmente, os poetas e escritores brasileiros não têm o mesmo nível de organização que os editores para a defesa de seus interesses.

É claro que a literatura e a poesia de qualidade encontram outros espaços de veiculação -- nos blogues, sites, revistas e instituições culturais como a Casa das Rosas e o Centro Cultural São Paulo. Porém, não podemos esquecer que a literatura "oficial", de mercado, é sustentada, em boa parte, por DINHEIRO PÚBLICO -- como os concursos da Petrobras e da Fundação Biblioteca Nacional. Logo, trata-se da PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO, em benefício das grandes empresas editoriais, que visam o lucro, não a cultura.

Sim: há coisas positivas acontecendo, como o projeto do vereador Jamil Murad, do Partido Comunista do Brasil, de fomento à leitura e à criação literária; como ele não foi reeleito, o projeto foi engavetado, infelizmente. A Cida Pedrosa, que foi candidata a vereadora em Recife, também tem propostas interessantes de políticas públicas, que valem a pena ser discutidas. Porém, estas são iniciativas locais, seria interessante haver um projeto nacional de incentivo à leitura e à criação literária, desenhado a quatro mãos pelo poder público e os escritores, independente das grandes editoras.

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