segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Manuel Bandeira o poeta do castelo



Documentário de Joaquim Pedro de Andrade. Elenco: Manuel Bandeira.
Versos de Manuel Bandeira, lidos pelo poeta, acompanham e transfiguram os gestos banais de sua rotina em seu pequeno apartamento no centro do Rio; a modéstia do seu lar, a solidão, o encontro provocado por um telefonema, o passeio matinal pelas ruas de seu bairro.

1º Festival Nacional de Cinema do IFF
Inscrições par as Mostras Competitivas até 1º de Março
Inscrições para Mostras Não Competitivas abertas permanentemente


maiores informações:
artur gomes
professor da oficina cine vídeo
Curador do 1º Festival Nacional de Cinema do IFF
fulinaíma produções

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diretor da FAO quer tratar a fome como um tema de guerra


Em entrevista à Carta Maior, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, fala sobre a prioridade da entidade para os próximos anos: a luta contra a fome no mundo. E Graziano quer transformar essa luta numa guerra: "O século XXI não pode conviver mais com a fome. Estou defendendo que a segurança alimentar seja tratada no mesmo nível dos temas tratados no Conselho de Segurança da ONU, ou seja, como um tema de guerra. Essa é uma guerra que vale a pena".




Porto Alegre - A Organização das Nações Unidas definiu 2015 como o ano para o cumprimento das Metas do Milênio. A primeira dessas metas é a erradicação da fome e da pobreza extrema. O objetivo é reduzir pela metade o número de famintos no mundo. O mundo está atrasado para o cumprimento dessa meta, sem falar da outra metade que nem estava incluída nela. 

Em entrevista concedida à Carta Maior, na capital gaúcha, o
diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, fala sobre a prioridade da entidade para os próximos anos: a luta contra a fome no mundo. E defende que essa luta seja tratada como um tema de guerra, no mesmo âmbito daqueles que são tratados no Conselho de Segurança da ONU. Graziano também fala sobre as mudanças que pretende implementar na FAO (descentralização e desburocratização) e defende que o Brasil deve assumir maior responsabilidade no cenário global.

Carta Maior: O senhor assumiu a presidência da FAO definindo como prioridade de seu mandato a luta contra a fome no mundo. O Fórum Social Temático 2012, que está sendo realizado em Porto Alegre, definiu como pauta os temas da justiça social e ambiental em meio à atual crise econômica internacional. Qual sua avaliação sobre essa agenda proposta pelo Fórum a partir da prioridade definida para a atuação da FAO no próximo período?

José Graziano: Estou vindo da Alemanha, da chamada Semana Verde, que reúne os ministros da Agricultura da Europa. Esse ano eles convidaram vários países africanos e caribenhos que se fizeram presentes. A mensagem que eu levei lá, em nome da FAO, que foi muito bem recebida e consta do comunicado final, é que a agricultura precisa ser vista não somente como parte do problema. Tem sido atribuído à agricultura uma responsabilidade que ela de fato tem: 30% da emissão de gases de efeito estufa hoje vem da agricultura e de atividades ligadas à cadeia agroindustrial. Essa é uma proporção elevada. Mas a agricultura não pode ser vista apenas como parte do problema. Ela é também parte da solução nestas duas áreas que você mencionou: na parte da justiça social e na parte ambiental. 

Na parte da justiça social porque não é possível ter um desenvolvimento sustentável com fome. Essas duas agendas não podem conviver juntas, são excludentes. Deixar gente para trás, com fome, no século XXI, significa que nós não vamos alcançar justiça social. A fome está muito ligada à guerra, aos conflitos. Vimos, recentemente, exemplos como o do Haiti e de países árabes, onde a fome é um elemento detonador de conflitos sociais muito poderosos. Hoje, dos 30 países que enfrentam crises e conflitos internos no mundo todos têm uma proporção altíssima de pessoas passando fome, começando pela Somália, no chifre da África.

A segunda agenda à qual a agricultura está relacionada é a do desenvolvimento sustentável. A agricultura é hoje uma fonte de emprego muito importante. Os mais pobres têm empregos agrícolas. Nos países mais pobres, na África, por exemplo, mais de 50% em muitos deles têm atividade agrícola. No Haiti, por exemplo, nós temos mais da metade da população na agricultura. E os pequenos proprietários são os mais afetados pela fome. A FAO calcula que aproximadamente 75% das pessoas que passam fome moram em áreas rurais.

Então, o desenvolvimento do setor rural é fundamental para atingirmos um desenvolvimento sustentável. A convergência da agenda ambiental com a agenda da justiça social faz hoje da FAO uma entidade muito importante, que está se esforçando para estar presente nestes debates. Eu fiz um esforço para estar aqui hoje no Fórum Social e vou embora amanhã (terça, 24), viajando direto para Davos, na Suíça, para levar essa mensagem: que não há desenvolvimento econômico, não há desenvolvimento sustentável, se deixarmos para trás os países em desenvolvimento, se deixarmos para trás os mais pobres.

Carta Maior: Quais são as prioridades da agenda global da FAO para 2012 e os próximos anos?

José Graziano: Eu fui eleito em segundo turno, numa eleição muito difícil, aliás, com uma plataforma de cinco pontos. Hoje, estou tratando de convencer, principalmente aqueles que não votaram em mim, da oportunidade de abraçar essa plataforma. E tenho tido bastante sucesso nessa atividade. O primeiro ponto dessa plataforma é concentrar as ações da FAO no combate à fome. Temos o desafio para 2015 do cumprimento das Metas do Milênio e a primeira meta é a erradicação da fome e da pobreza extrema. Temos que correr muito para atingir a meta que é reduzir pela metade o número de famintos. Mas fica a outra metade. O que vamos dizer para ela? Quero envolver a FAO nisso. O século XXI não pode conviver mais com a fome. Estou defendendo que a segurança alimentar deveria ser tratada no mesmo nível dos temas tratados no Conselho de Segurança da ONU, ou seja, como um tema de guerra. Essa é uma guerra que vale a pena.

O segundo ponto é a defesa do meio ambiente. Nós temos que produzir mais, mas não podemos continuar agredindo o meio ambiente e desperdiçando recursos naturais como a gente vem fazendo. Estamos perdendo muito solo, muita floresta e muita água. Nós não aproveitamos sequer a água da chuva na maior parte dos países. O terceiro é ter um mecanismo global de coordenação mais eficiente. Hoje, temos sobre de alimentos de um lado e fome do outro. Temos que achar mecanismos de coordenação que permitam à FAO e a outras agências estar presentes junto com a sociedade civil e com o setor privado. Ninguém acaba com a fome sozinho. Daí a necessidade de uma coordenação global. Não dá para cada um seguir um caminho diferente. 

A quarta bandeira é descentralizar a FAO. A organização está muito concentrada em Roma. Cerca de 75% dos nossos recursos são gastos em Roma e mais de 80% do nosso pessoal técnico está em Roma, quando deveria estar mais perto dos países. Fica muito caro mandar uma missão da Europa para atender um pedido no Peru ou na América Central, por exemplo. Precisamos ter esse pessoal mais próximo dos problemas, sem perder a massa crítica que temos em Roma. Se conseguirmos desburocratizar a FAO vai sobrar gente para colocar em campo e fazer o trabalho que a FAO tem que fazer. 

E, finalmente, o quinto ponto é aumentar a cooperação Sul-Sul. Isso não quer dizer que somos contra a cooperação Norte-Sul, mas está na hora de países como o Brasil assumirem uma maior responsabilidade em nível internacional. O Brasil, até pouco tempo, era um país que recebia ajuda internacional e vai continuar recebendo em algumas áreas. Mas, em outras áreas, o Brasil hoje pode oferecer ajuda. E se há uma área de excelência que o Brasil tem é a agricultura, o desenvolvimento agrícola e políticas de combate à fome. Para isso, o Brasil precisa criar uma infraestrutura, uma institucionalidade para poder cooperar mais. Hoje, se a gente for dar um saco de arroz para o Haiti tem que pedir autorização ao Senado. Leva seis meses. Quando a ajuda chega lá,as pessoas já morreram de fome. Precisamos de uma agência de cooperação internacional do porte do Brasil, com os recursos necessários para se fazer presente no cenário internacional

Carta Maior: Tanto a FAO quanto outros organismos do sistema ONU vêm tentando nos últimos anos convencer os governos, principalmente dos países mais ricos do mundo, a investir pesadamente nesta agenda da luta contra a fome e pela erradicação da miséria no mundo. Aparentemente, essa tentativa ainda enfrenta muita resistência e pouco retorno em termos de recursos. O que pode ser feito mais para modificar esse quadro?

José Graziano: Nós estamos tendo sucesso neste processo de convencimento. Hoje, por exemplo, se olharmos para a nossa América Latina, a maioria dos países tem programas de segurança alimentar. Quando eu cheguei na FAO, em 2006, nós tínhamos só dois países que tinham leis de segurança alimentar na América Latina. Hoje nós somos dez e há outros dez países prestes a implementar leis de segurança alimentar garantindo para todos os seus habitantes o direito à alimentação. E os avanços não se resumem à questão alimentar. Hoje nós temos redes de proteção social na América Latina. Temos programas de transferência de renda, por exemplo. A gente acha que é só o Brasil. Parece que é jabuticaba. Mas não é jabuticaba. O Bolsa Família existe, com pequenas modificações, em 20 países latino-americanos, alcançando 120 milhões de pessoas hoje.

Essa rede toda foi implantada depois da crise de 2007-2008. Antes disso, os países tinham programas-piloto muito pontuais e expandiram a cobertura dessas redes. O mundo está descobrindo isso hoje. Nós levamos, pela primeira vez, um programa de transferência de renda para a Somália. E deu certo. O resultado que temos na Somália, em seis meses de implementação de um programa Bolsa Família para pastores nômades, é uma coisa surpreendente. Então, o conjunto dessas políticas, que são de baixo custo e de fácil implementação, me permite dizer que a América latina hoje não só está exportando know-how em tecnologia social, como está dando um exemplo, do ponto de vista político, do compromisso dessa luta pelo desenvolvimento com igualdade social. A erradicação da fome é parte dessa agenda.

Carta Maior: No final de 2011, houve uma redução no preço dos alimentos. Esse problema, da alta dos preços dos alimentos, na sua avaliação, está superado no médio prazo ou se trata de um tema ainda sujeito a oscilações?

José Graziano: Infelizmente, nas duas últimas vezes que tivemos uma alta forte no preço dos alimentos, seguida por uma queda, como aconteceu no período 2009-2010 e agora no final de 2011, início de 2012, isso se deve muito mais a uma recessão mundial, a uma redução da atividade econômica. Isso é ruim, principalmente para os países em desenvolvimento. Países como a Índia, a China e o próprio Brasil precisam crescer para gerar emprego. Esses são países com uma população jovem, com milhões de pessoas entrando no mercado de trabalho todos os anos. A população mundial cresce 80 milhões por ano. Cerca de 40 milhões procuram entrar no mercado de trabalho anualmente. Esse aumento compulsório que temos todos os anos é a fonte de pressão permanente para a subida dos preços.

Agora, essa não é uma questão malthusiana. Nós não estamos ameaçados de passar fome porque faltam alimentos. Hoje, a capacidade produtiva que nós temos daria para alimentar não só os 7 bilhões de pessoas que temos no mundo, mas os 9 bilhões que deveremos ter em 2050. Obviamente, expandir a produção tem a vantagem de permitir baratear preços. Esse é o dilema que enfrentamos hoje. 

Precisamos aumentar a produção para termos mais estoques e não ficarmos sujeitos a variações bruscas de preços. E precisamos aumentar a produção para termos preços mais baixos. O problema do preço alto é que os mais pobres não podem comprar. E a fome hoje no mundo, insisto, não se deve à falta de alimentos, mas ao fato de que as pessoas não têm dinheiro para comprar alimento. E não tem dinheiro porque não tem emprego, quando tem emprego, muitas vezes é de má qualidade, ou tem uma renda muito baixa como é o caso da agricultura. Resolver esse dilema de como aumentar a renda das famílias e, ao mesmo tempo, baratear o preço dos alimentos é o que estamos tentando fazer na FAO.

Carta Maior: O senhor mencionou como experiência positiva em distribuição renda o que vem sendo feito em diversos países da América Latina. Enquanto isso, nos Estados Unidos e na União Europeia a realidade é de crise, de desmantelamento de políticas de proteção social e de supressão de direitos. Em que medida isso pode prejudicar a luta contra a fome no mundo?

José Graziano: Os países desenvolvidos, de modo geral, estão enfrentando a crise que os países em desenvolvimento enfrentaram nos anos 90. Vinte anos depois, a crise bateu na porta dos países desenvolvidos, por conta de um único elemento que foi a receita seguida de desregular a economia, de abri-la totalmente. A falta de regulamentação da atividade econômica, principalmente da atividade financeira, produziu toda sorte de problemas, inclusive uma especulação exacerbada que atingiu todos os setores da atividade econômica. Não há hoje um único setor produtivo que esteja livre da especulação financeira que acaba atingindo até mesmo os alimentos como a gente tem visto.

Eu acho que a dificuldade vai ser encontrar um meio termo neste ponto. Não voltar a uma regulação estatista, como ocorreu em muitos países, mas não abrir caminho para uma total desregulação. Não é possível, por exemplo, equacionar o problema da fome se não tivermos instituições internacionais fortes e capazes de atuar rapidamente. Hoje, temos muita dificuldade de coordenar a atuação das diversas entidades envolvidas na luta contra a fome. Temos muitas instituições trabalhando com segurança alimentar, cada uma indo para um lado, cada país querendo fazer uma coisa diferente para salvar o mundo. Precisamos encontrar mecanismos de coordenação como, por exemplo, o Conselho de Segurança Alimentar Mundial, que hoje congrega a sociedade civil, governos e o setor privado. Precisamos reforçar esse tipo de entidade. Para tanto, elas precisam contar com algum poder de regulação junto aos Estados Nacionais.

É muito comum, em uma situação de crise - quando começa a se dizer, por exemplo, que vai faltar arroz -, iniciar um processo de especulação. Os produtores de arroz suspendem a exportação. Isso pode ajudar o seu país a enfrentar a crise, mas, do ponto de vista global, acaba prejudicando. É como quando você está no cinema e a pessoa da frente levanta. Se todo mundo levantar, ninguém enxergará direito. Então, precisamos encontrar algumas regras que permitam, por exemplo, uma redução da especulação na atividade econômica. Precisamos de mecanismos por meio dos quais o sistema financeiro possa ser controlado pelos seus próprios bancos centrais e não por alguma instância externa. A Europa está enfrentando esse dilema e caminha na direção de uma coordenação maior de seus bancos centrais. Acho que está seguindo um bom caminho. Países que, às vezes, tentam se afastar dessa esfera de coordenação são punidos ou até mesmo convidados a se retirarem da União Europeia. Acredito que este seja um caminho para uma ação mais coordenada dos países desenvolvidos.

Acho que há dois elementos que atrapalham neste momento. Em primeiro lugar, a forte pressão da dívida de alguns países, como é o caso da Grécia e da Itália, que acenam para a saída do corte de benefícios sociais. Creio que isso atrapalha no longo prazo. Pode ser que tenha havido muito exagero. Mas já há revisões em curso. Todos os países europeus, por exemplo, estão aumentando a idade da aposentadoria, não por pressão, mas pelo fato de que as pessoas estão vivendo mais e querem trabalhar mais. Então, não faz sentido manter a aposentadoria na idade dos 60 anos, como era o caso de 30, 40 anos atrás, quando esses sistemas foram implementados. A segunda coisa que prejudica muito é as pessoas acharem que, neste momento de crise, é preciso gastar menos. Se todo mundo gastar menos, a economia não roda. Se as pessoas deixarem de comprar, as fábricas vão parar de produzir e o desemprego vai aumentar. 

Neste momento, os Estados precisam ser responsáveis e ter políticas anti-cíclicas na economia para garantir o gasto social que, aliás, nem deveria ser chamado de gasto, mas sim de investimento. Se você não gasta hoje no combate à fome, você gastará amanhã em saúde, em educação. Esse gasto social hoje não pode, de nenhuma forma, ser reduzido.

Carta Maior: No atual contexto de crise e considerando a mencionada necessidade de fortalecer as instituições internacionais, qual o papel que se pode esperar da Organização Mundial do Comércio nos temas dos preços dos alimentos e da segurança alimentar?

José Graziano: A FAO tem uma relação muito boa com a OMC na medida em que as duas instituições estabelecem uma série de padrões na área da seguridade alimentar. Esses padrões definem, por exemplo, o que se pode utilizar de antibióticos e de químicos para preservar os alimentos. Os padrões para assegurar a qualidade dos alimentos são baseados nos trabalhos da FAO, do Codex Alimentar, do qual o Brasil é um ativo participante. Isso tudo vai para a OMC e termina dando origem às regras aceitas internacionalmente. A FAO, neste sentido, funciona como uma espécie de comissão técnica de apoio às discussões da OMC.

Além disso, creio que a OMC tem um papel cada vez maior na regulação do comércio internacional e dos subsídios. Há um consenso crescente de que deveríamos aproveitar esse momento de preços altos para ir retirando gradativamente os subsídios. A retirada do subsídio ao milho para a produção de etanol nos Estados Unidos, por exemplo, foi um passo muito importante na minha opinião, que já começou a se refletir numa queda dos preços do milho. Isso é bom para todo mundo que se alimenta de produtos derivados do milho, não só para quem pretende exportar etanol para os Estados Unidos.

Carta Maior: A agenda da Reforma Agrária segue tendo muitos adversários, não só no Brasil como também em outros países. Na sua avaliação, qual é a atualidade dessa agenda no mundo?

José Graziano: A agenda do acesso à terra nunca foi tão atual. A FAO está terminando em março o que chamamos de diretrizes voluntárias de acesso à terra, à pesca e aos recursos naturais. Até o final de março deve ser construído um grande acordo em Roma para orientarmos os países a regular os investimentos em agricultura. A água é outro tema muito importante. Ela está sendo, cada vez mais, um bem escasso. Nós não percebemos isso, pois moramos em um país que tem uma quantidade fantástica de água doce, talvez a maior do mundo. Mas em outras regiões o conflito pela água é evidente. Nossos vizinhos dos Andes, por exemplo, já começam a sofrer privação de água potável para abastecimento humano.

A FAO está trabalhando na agenda do acesso à terra, mas também na do desenvolvimento territorial. Hoje há um consenso em torno da ideia de que o mundo não pode mais ficar baseado em modelos agroexportadores. Neste modelo, você concentra a produção de um determinado produto naquele país que tem uma vantagem comparativa maior. Hoje, cada vez mais, se aceita um novo paradigma, segundo o qual as vantagens comparativas não são consideradas como naturais, mas sim como dinâmicas. Elas podem ser construídas e dependem, por exemplo, do fato de o país ter infraestrutura, estrada, qualidade de mão de obra, acesso à tecnologia. O Brasil, por exemplo, não era capaz de produzir soja. Importava da Argentina. Aí a Embrapa foi lá no Cerrado, resolveu o problema da acidez no solo e criou uma vantagem comparativa naquela região. Hoje somos um grande produtos mundial de soja e ultrapassamos a Argentina porque passamos a ter o domínio dessa tecnologia tropical.

O território é, cada vez mais, o lugar onde as pessoas se reconhecem. Quanto mais a globalização avança, o lugar, o território, passa a ser a referência maior política, cultural e administrativamente. É onde as pessoas vivem efetivamente. Cada vez mais, circuitos produtivos locais são a saída para evitar grandes transportes de safra que aumentam os custos dos alimentos. A alimentação produzida localmente, além de ser muito mais saudável, porque pode ser baseada em produtos frescos, é muito mais barata. O que encarece a alimentação é basicamente o custo de transporte e de armazenagem. O Brasil tem estimulado a criação de circuitos locais de produção. A compra de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar é um exemplo. Essa é uma invenção brasileira que já passou para o outro lado do Atlântico. Com a ajuda do Brasil, a FAO está implantando esse programa na África, com grande sucesso.


Fotos: Tuane Eggers 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Festival Nacional de Cinema do IFF homenageia Walter Carvalho



Filmes que Walter Carvalho atuou como fotógrafo

Febre do rato (2011), de Claudio Assis. Prêmio de melhor fotografia no Festival de Paulínia 2011.
 Sonhos Roubados (2009), de Sandra Werneck
23 anos em sete segundos: o fim do jejum do Corinthians (2009), de Di Moretti
A Erva do rato (2008), de Julio Bressane
Chega de saudade (2007), de Laiz Bodanzky
Cleópatra (2007), de Julio Bressane. Prêmio de melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília.
O céu de Suely (2006), de Karim Aïnouz
O baixio das bestas (2006), de Cláudio Assis
Eu me lembro (2005), de Edgar Navarro
Crime delicado (2005), de Beto Brant. Prêmio de melhor fotografia no 10º Festival de Miami.
Veneno da madrugada (2005), Ruy Guerra. Prêmio de melhor fotografia no Festival de Brasília.
A máquina (2005), de João Falcão
Entreatos (2004), de João Moreira Salles
Cazuza – O tempo não pára (2004), de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Carandiru (2003), de Hector Babenco
Filme de amor (2003), de Júlio Bressane
Madame Satã (2002), de Karim Aïnouz
Amarelo manga (2002), de Cláudio Assis
Lavoura arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho. Prêmio de melhor fotografia nos festivais de Cartagena e Havana. Prêmio da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) e o Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro.
Amores possíveis (2001), de Sandra Werneck
Abril despedaçado (2001), de Walter Salles
O primeiro dia (2000), de Walter Salles
Villa-Lobos, uma vida de paixão (1999), de Zelito Viana
Notícias de uma guerra particular (1999), de João Moreira Salles e Kátia Lund
Central do Brasil (1998), de Walter Salles
Pequeno dicionário amoroso (1997), de Sandra Werneck
Cinema de lágrimas (1995), de Nelson Pereira dos Santos
Terra estrangeira (1995), de Walter Salles
Socorro Nobre (1995), de Walter Salles
Krajcberg, o poeta dos vestígios (1987), de Walter Salles
Jorge Amado no cinema (1979), de Glauber Rocha

Filmes que Walter Carvalho atuou como Diretor
Raul – O início, o fim e o meio (2011)
Budapeste (2009)
Moacir arte bruta (2005)
Cazuza – O tempo não pára (2004)
 Lunário perpétuo (2003)
Janela da alma (2002). Codirigido com João Jardim.



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professor da oficina cine vídeo
Curador do 1º Festival Nacional de Cinema do IFF
fulinaíma produções
            (22)9815-1266      

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

1º Festival Nacional de Cinema do IFF (Instituto Federal Fluminense de Ciência e Tecnologia)

Pérolas do Cinema Nacional


Mostra Fulinaimagem Curta IFF
De 14 a 16 de março - 2012
Campus Campos – Centro
Rua DR. Siqueira, 273 – Campos dos Goytacazes-RJ

Algumas preciosidades de Glauber Rocha, Terra em Transe, Deus e o Diabo na Terra do Sil e o Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, além de Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, Bicho de 7 Cabeças de Laís Bodanski, e de um magnífico documentário de Joaquim Pedro de Andrade sobre Manuel Bandeira, com música e voz Tom Jobim interpretando Trem de Ferro.

A primeira parte de Deus e o Diabo na Terra do Sol  já está aqui: oficina cine vídeo http://pelegrafia.blogspot.com

Inscrições para as Mostras Competitivas do o 1º Festival Nacional de Cinema do IFF até 1º de Março
Inscrições para as Mostras não competitivas, abertas permanentemente na Oficina Cine Vídeo


1° Festival Nacional de Cinema do IFF
(Instituto Federal Fluminense de Educação, Ciência e Tecnologia)

um múltiplo olhar sobre tudo o que é arte. vídeo.arte, vídeo.teatro, vídeo.vida, vídeo.cultura, vídeo.clipe, vídeo.poesia, uma viagem por estradas sem fronteiras inter-vias festival de cinema do IFF imagens para o além-mar da menina dos olhos de quem olha e aprende a v(l)er.

no link abaixo Regulamento e Ficha de Inscrição

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

pérolas da música popular brasileira



Construção

 

Chico Buarque


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

Cotidiano

 

Chico Buarque


Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
.

Tatuagem

 

Chico Buarque


Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também pra me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

1º Festival Nacional de Cinema do IFF



1º Festival Nacional de Cinema do IFF
(Instituto Federal Fluminense de Educação, Ciência e Tecnologia)

um múltiplo olhar sobre tudo o que é arte. vídeo.arte, vídeo.teatro, vídeo.vida, vídeo.cultura, vídeo.clipe, vídeo.poesia, uma viagem por estradas sem fronteiras inter-vias festival de cinema do IFF imagens para o além-mar da menina dos olhos de quem olha e aprende a v(l)er.


O 1º Festival de Cinema do IFF em sua Primeira Edição será realizado no Campus Campos – Centro através de Mostras de Curtas, Média e Longa Metragem no período de 16 a 20 de Abril  de 2012, e tem como objetivo fomentar e difundir a produção áudio visual dentro  dos Campus do IFF entre os seus alunos, funcionários e professores, bem como selecionar, exibir a criatividade através da produção  áudio visual brasileira, e acima de tudo descobrir novos talentos.

Mostra Cinema Nacional

Exibição de clássicos da produção cinematográfica  Nacional, selecionados pelos alunos da Oficina Cine Vídeo do IFF e por uma comissão de seleção, nomeada pelo diretor Geral do Campus Campos Centro, Jefferson Manhães Azevedo.

Mostra Curta IFF (Fulinaimagem)

Esta Mostra está aberta a filmes produzidos com qualquer tipo de câmeras e com qualquer tempo de duração, e não tem caráter competitivo.

Mostra Itinerante com a produção vídeo gráfica da Oficina Cine Vídeo no pátio do Campus Centro no período de 14, a 16 de março de 2012, com o objetivo de divulgar as outras atividades do Festival que acontecerão no Auditório Reginaldo Rangel, bem como divulgar as Oficinas que acontecerão a partir de abril de 2012.

Mostra Cinema Possível
Projeto desenvolvido em Cabo Frio, pelo ator, mímico e cineasta Jiddu Saldanha



Mostras Competitivas

1 - Curtas-metragens produzidos em câmeras Mini DV com duração  5 a 15 minutos(incluindo créditos). Realizados entre junho de 2010 a março de 2012.

2 - Curtas-metragens produzidos  com câmeras fotográficas digitais com duração de 1 a  12 minutos (incluindo créditos). Realizados e finalizados entre junho de 2010 a março de 2012.
3 -  Curtas-metragenes produzidos com câmeras de celular com duração de 1 a 5 minutos(incluindo créditos). Realizados entre junho de 2010 a março de 2012.

Premiação

Prêmio: Categoria filme produzidos com câmera celular Estudante.
Prêmio: Categoria filme produzido com câmera celular não Estudante
Prêmio: Categoria filme produzido por Câmera Fotográfica Digital Estudante
Prêmio: Categoria filme produzido por Câmera Fotográfica Digital não Estudante
Prêmio: Categoria Mini DV Estudante
Prêmio: Categoria Mini DV não Estudante

Menção Honrosa: para um filme que se destaque entre todas as categorias mas que não seja escolhido como vencedor em uma delas.



Regulamento

  1. Os filmes devem ser enviados ao Festival de Cinema do IFF  no formato AVI MPEG ou DVD até o dia 1º de Março de 2012 (carimbo de postagem), para quem não for aluno do Campus Centro. Para os alunos do IFF Campus Centro, os filmes podem ser entregues diretamente na sala da Oficina Cine Vídeo.  A divulgação da lista com os filmes selecionados será realizada no dia 31 de Março  de 2012.

  1. Para quem não reside em Campos, os filmes devem ser enviados via Correios para Oficina Cine Vídeo – IFF Campus Campos Centro – Rua Dr. Siqueira, 273 – Parque Dom Bosco – Campos dos Goytacazes – RJ – Cep.  28030.130 Acompanhado da Ficha de Inscrição.

  1. Todos os filmes selecionados podem ter trechos copiados para fins publicitários (divulgação em TV, site e/ou outros meios de comunicação)

  1. Cada cineasta  pode inscrever 3 filmes em qualquer uma das Mostras, desde que use uma ficha de inscrição para cada filme.

  1. Depois da seleção, a aceitação ou rejeição do filme a lista será divulgada  nos blogs http://portalfulinaima.blogspot.com http://www.camposcentro.blog.br e no site www.iff.edu.br

  1. A concordância com este regulamento permitirá ao IFF reproduzir a Mostra em outros Campus da instituição num futuro próximo.

  1. As cópias dos  filmes inscritos, selecionados ou não,  não serão  devolvidos.

  1. As inscrições são gratuitas.

  1. Os filmes inscritos passam a fazer parte do acervo da Oficina Cine Vídeo do IFF e poderão servir futuramente para material de pesquisa sendo utilizados unicamente para fins culturais e educativos.

  1. A  seleção dos filmes, será feita pelo curador do Festival (Artur Gomes) e por uma Comissão de Seleção, nomeada pelo diretor do Campus Campos Centro, Jefferson Manhães de Azevedo.



Campos dos Goytaczes, 10 janeiro de 2012




Artur Gomes
Fulinaíma Produções
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Curador do Festival de Cinema do IFF  e Professor da Oficina Cine Vídeo




Ficha de Inscrição

Nome:­­­­­­­­­­­__________________________________________________

Título do Filme:____________________________________________

Mostras Competitivas:
Categoria:  (   ) Câmera de Celular     (   ) Câmera Fotográfica Digital
 (    ) Mini DV     (    ) outro tipo de Câmera.

Endereço:________________________________________________

Cidade: ___________________________Estado: ______________­­­__

Fone:______________________

e-mail______________________

Página na internet.:_________________________________________

Estudante:?_______(      )             (            )
                                         Sim                 Não


Se estudante -  Qual Instituição: ________________________________