sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Greves de bancários, professores e no Judiciário desafiam governo

Correios voltam a dar expediente, mas bancários, professores de institutos federais e servidores do Judiciário fazem paralisações por reajuste salarial que preocupam governo. Em Brasília, ministério do Planejamento suspende reunião com sindicatos da educação e diz que não negocia com grevistas. Em São Paulo, bancos chamam funcionários para primeira reunião desde 23 de setembro.
BRASÍLIA – Os funcionários dos Correios começaram a voltar ao trabalho nesta quinta-feira (13), mas pelo menos três greves vão continuar desafiando o governo, que se impôs um arrocho fiscal neste ano, por causa da inflação e da crise econômica global. A onda de greves envolve bancários, parados há 17 dias, professores de institutos federais, longe das salas de aula há mais de dois meses, e servidores do Judiciário e do Ministério Público, que prometem intensificar as paralisações.

Nesta quinta-feira (13), professores e técnicos dos institutos federais de ensino fizeram um protesto em frente ao Ministério do Planejamento, reivindicando participar de uma reunião que a pasta faria com entidades representativas de trabalhadores na educação. Os manifestantes bloquearam o acesso ao ministério e levaram o secretário de Relações do Trabalho da pasta, Duvanier Paiva, a suspender toda a reunião, sob o argumento de que não negocia com grevistas. 

Membro do Comando Nacional de Greve, David Moreno Montenegro, professor do Instituto Federal do Ceará, reclamou da atitude. “Já consideramos intransigência o governo não negociar conosco, porque isso demonstra que ele não reconhece a greve como instrumento legítimo de luta. Mas hoje, a pauta era outra. Não havia razão para que não fossemos recebidos. A situação é absurda”, afirmou.

De acordo com ele, professores e técnicos estão longe dos campi das escolas técnicas federais desde 1º de agosto. Dos 400 institutos do país, 228 chegaram a aderir à paralisação nacional no auge do movimento, no início de outubro. Hoje, 145 permanecem parados. Se a greve não terminar em prazo recorde, comprometerão o ano letivo dos alunos e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Avaliamos que este cenário de possibilidade de perda do semestre e a inviabilização do Enem podem nos favorecer”, disse.

A categoria pede 14,67% de recomposição salarial, reestruturação das carreiras, democratização abertura de concurso público, jornada de 30 horas semanais para técnicos e destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, entre o total de onze itens da pauta de reivindicação.

Já servidores do Judiciário e do Ministério Público começam a retomar, aos poucos, paralisações pela aprovação de projeto de lei que prevê revisão do plano de cargos e salários e reajuste salarial. O projeto está na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados há mais de um ano. 

Segundo a Federação Nacional dos Servidores do Judiciário e do Ministério Público (Fenajufe), já estão parados servidores de seis estados (Bahia, Mato Grosso, São Paulo, Amazonas, Maranhão e Paraíba). “A Paraíba aderiu hoje e já realiza uma greve de forte adesão. Todos os tribunais estão fechados para atendimento ao público”, disse o coordenador-geral da Fenajufe, Ramiro Lopes. 

O reajuste do Judiciário gerou uma espécie de queda de braço da presidenta Dilma Rousseff com o Poder. O projeto de orçamento 2012 que o governo mandou o Congresso em agosto não reserva recursos para aumento no Judiciário. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, reclamou, e Dilma mandou ao Congresso um complemento ao projeto tratando do reajuste. Para a Fenajufe, o complemento é “dúbio”. 

O relator-geral do orçamento, Arlindo Chinaglia (PT-SP), diz que não há espaço para a correção. O relator da parte arrecadatória do orçamento, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), apresentou na terça-feira (11) parecer parcial em que aponta uma receita R$ 25 bilhões superior à prevista pelo governo. 

Enquanto os professores protestavam em Brasília, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) rompia o silêncio praticado desde 23 de setembro e chamava os bancários para negociar. A greve, considerada a maior da categoria nos últimos 20 anos, foi deflagrada dia 27 de setembro, depois que os sindicatos, em assembléias, rejeitaram a proposta de reajuste de 8%, o que significaria apenas 0,56% de aumento real nos contracheques. 

Os bancários reivindicam reajuste de 12,8% (aumento real de 5% mais a inflação do período), valorização do piso, maior participação nos lucros e resultados, mais contratações, extinção da rotatividade, fim das metas abusivas e combate ao assédio moral.

Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Contraf-CUT mostra que o salário inicial pago pelos bancos brasileiros em agosto de 2010 era equivalente a US$ 735, mais baixo que o dos uruguaios (US$ 1.039) e quase a metade do valor recebido pelos argentinos (US$ 1.432).

Até o fechamento desta reportagem, a reunião não tinha terminado.

Mais cedo, em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, manifestara preocupação do governo com o rumo da greve dos bancários, muitos deles trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. 

Carvalho também disse, segundo a Agência, ter lamentado que os funcionários dos Correios não tenham aceitado a proposta oferecida pela empresa na negociação que, segundo ele, era superior à arbitrada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Ao julgar dissídio coletivo na última terça (11), o TST impôs reajuste reajuste de 6,87%, retroativo a agosto, e cortou seis dias parados.

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