sábado, 10 de setembro de 2011

A construção e escalada de um estado policial



Escrito por  Pedro Alves Rede Democrática
Comando Verde
Se alguém acredita que os problemas nas comunidades e as contradições com as forças militares de ocupação, também chamadas de 'Comando Verde (CV)',  vêm de hoje ou de ontem, está muito equivocado. Acreditar que a solução de graves e históricos conflitos sociais nas comunidades podem ser feitas na ponta de um fuzil, usando spray de pimenta ou balas de borracha, tem que ser muito ingênuo ou estar decididamente do lado da opressão.

A seguir procuramos apresentar alguns videos das situações reais vividadas pelos moradores, sem o alarde da midia dos PIGs, que a todo momento falam de área retomada, escamoteando e disfarçando com isto os conflitos sociais existentes, a opressão, o vandalismo e a violência praticada pelas forças militares de ocupação do Comando Verde.


Neste video, a esquerda, podemos ver militares atirando gás de pimenta, sem nenhum motivo, na cara de moradores:


Complexo do Alemão - Isso é o jeito certo de trabalhar ?
Enviado por  em 04/09/2011: http://www.youtube.com/watch?v=-OzcOlJ8bBo&feature=related

Neste outro video, a direita, por causa de som alto na TV, o Exército considera desacato a autoridade - forma ainda simplificada, embrionária, aparentemente ingenua para auto de resistencia usado por policiais para assassinar civis - e prende moradores.

Exército atira em moradores do Complexo do Alemão por causa de som alto na TV (Ricardo Gama) em 05/09/2011 :http://youtu.be/wBqeO7hmE1I
A população não obedece ao toque de recolher nas comunidades e com toda a razão. Não se trata dos militares  'saberem lidar' - é uma tropa de ocupação como as forças nazistas eram ou os traficantes são. Pouco se diferem. Todos estabelecem e impõem seus códigos, independentes da comunidade, dos valores sociais do local, visando basicamente sempre o bem estar do poder que representam - ou do chamado Estado de Direito - com Gilmar Mendes/Dantas a frente ou o chamado Estado Paralelo.

Na apresentação a esquerda, os militares atacam moradores ferindo inúmeras pessoas com balas de borracha atiradas a queima roupa. Confira as imagens.

Moradores são atacados por militares no Complexo por causa de volume de tv.wmv (Voz da Comunidade)  em 05/09/2011:
http://www.youtube.com/watch?v=o4BsQ_7qJbQ&feature=player_embedded

Decididamente as imagens mostradas acima não conduzirão o pais a avanços sociais e econômicos. O risco que enfrentamos é sim de uma escalada no Estado policial-militar. E não se trata de uma questão de 'saber lidar com a população' pois isto, no fundo, quer dizer: mantenha tudo em paz como está, sem mudar nada.

O pais precisa de investimentos e de uma indústria forte para gerar empregos e garantir a ocupação e remuneração da população. Não bastam programas sociais, cinemas super modernos e baratos, com entrada a R$ 4.00, como na Nova Brasilia, se é decretado o toque de recolher pelo Comando Verde. Como desfrutar do cinema agora? Foi combinado alguma coisa com os comandantes militares?

Os investimentos em emprego e ocupação, que deveriam ter a máxima prioridade, são desviados para garantir o  'superavit primário' para com isto poder remunerar as aplicações financeiras e os recursos para pagamento da dívida pública. As altas taxas de juros, que são um custo para a nação, e terminam influenciando na inflação, só aumentam a divida pública e dificultam os investimentos em infraestrutura, na economia e na indústria, que é a maior geradora de empregos.

Depois de dezenas de anos de descaso com as populações marginalizadas, Sérgio Cabral já mostrou a que veio. Sua solução, como a de Eduardo Paes, é a da escalada policial, em um 'Choque de ordem', que só faz lembrar os choques dos DOI-CODI e da OBAN da ditadura. 

Choque de ordem que emite ordens medíocres, sendo capaz de se rebaixar ao ponto de impedir que quem vende côco na praia não pode abrir o côco, usando um facão, para poder melhor servir ao cliente. Nem se pode tampouco vender queijo coalho sob o argumento de que 'emporcalha'  a praia - e não os esgotos sem tratamento da prefeitura.

É claro que dentro deste quadro de escalada de um Estado  policial, temos que perguntar:
Qual o cuidado que a Dilma, e o movimento social,  devem ter com as forças militares e policiais?

Estas forças são, em essência, os representantes do Estado. E é justamente por serem os representantes do Estado que se sujeitam a ocupar os espaços sociais das comunidades para garantir o Poder reinante e o nivel de opressão estabelecido.

As forças militares servem ao Soberano - que seja Ditador, Imperador, Príncipe, Rei, Presidente ou Presidenta -  a que devem obediência, ao Estado e as classes dominantes. E as forças militares servirão ao soberano, a Dilma, enquanto ela for útil e servir aos interesses do Estado e da classe que o domina e mantem o controle deste Estado.

Neste contexto, qual é o jogo politico a exercer para garantir um mínimo de democracia, só pode se encontrar e ter sobrevida na ampla mobilização dos movimentos sociais. Fora disto é fazer o jogo do Poder atual  sem lutar por mudanças.

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