quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os escravistas contra Lula

Em meio ao debate sobre a crise econômica internacional, Lula chegou a França. Seria bom que soubesse que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deveria pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria guardar recato. No Brasil, a casa grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terras e escravos. Assim, Lula, agora, silêncio, por favor. Os da casa grande estão enojados. 
Podem pronunciar “sians po”. É, mais ou menos, a fonética de “sciences politiques”. E dizer Sciences Po basta para referir o encaixe perfeito de duas estruturas: a Fundação nacional de Ciências Políticas da França e o Instituto de Estudos Políticos de Paris. Não é difícil pronunciar “sians po”. O difícil é entender, a esta altura do século XXI, como as ideias escravocratas seguem permeando os integrantes das elites sul-americanas. Na tarde desta terça, Richar Descoings, diretor da Sciences Po, entregará pela primeira vez o doutorado Honoris Causa a um latino-americano: o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Descoings falará e, é claro, Lula também.

Para explicar bem sua iniciativa, o diretor convocou uma reunião em seu escritório na rua Saint Guillaume, muito perto da igreja de Saint Germain des Pres. Meter-se na cozinha sempre é interessante. Se alguém passa por Paris para participar como expositor de duas atividades acadêmicas, uma sobre a situação política argentina e outra sobre as relações entre Argentina e Brasil, não está mal que se meta na cozinha de Sciences Po.

Pareceu o mesmo à historiadora Diana Quattrocchi Woisson, que dirige em Paris o Observatório sobre a Argentina Contemporânea, é diretora do Instituto das Américas e foi quem teve a ideia de organizar as duas atividades acadêmicas sobre a Argentina e o Brasil, das quais também participou o economista e historiador Mario Rapoport, um dos fundadores do Plano Fênix há dez anos.

Naturalmente, para escutar Descoings foram citados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático. Sciences Po tem uma cátedra de Mercosul, os estudantes brasileiros vão cada vez mais para a França, Lula não saiu da elite tradicional do Brasil, mas chegou ao máximo nível de responsabilidade e aplicou planos de alta eficiência social.

Um dos colegas perguntou se era correto premiar alguém que se jacta de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e o olhou assombrado. Talvez saiba que essa jactância de Lula não consta em atas, ainda que seja certo que não tem título universitário. Certo também é que, quando assumiu a presidência, em 1° de janeiro de 2003, levantou o diploma que os presidentes recebem no Brasil e disse: “É uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria o de presidente da República”. E chorou.

“Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção?” – foi a pergunta seguinte.

O professor sorriu e disse: “Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o balanço histórico esse assunto e outros muitos importantes, como a instalação de eletricidade em favelas em todo o Brasil e as políticas sociais”. E acrescentou, pegando o Le Monde: “Que país pode medir moralmente hoje outro país? Se não queremos falar destes dias, recordemos como um alto funcionário de outro país teve que renunciar por ter plagiado uma tese de doutorado de um estudante”. Falava de Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro de Defesa da Alemanha até que se soube do plágio.

Mais ainda: “Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente não damos lições de moral a outros países”.

Outro colega perguntou se estava bem premiar alguém que, certa vez, chamou Muamar Kadafi de “irmão”.

Com as devidas desculpas, que foram expressadas ao professor e aos colegas, a impaciência argentina levou a perguntar onde Kadafi havia comprado suas armas e que país refinava seu petróleo, além de comprá-lo. O professor deve ter agradecido que a pergunta não tenha mencionado com nome e sobrenome França e Itália.

Descoings aproveitou para destacar Lula como “o homem de ação que modificou o curso das coisas”, e disse que a concepção de Sciences Po não é o ser humano como “uns ou outros”, mas sim como “uns e outros”. Marcou muito o “e”, “y” em francês.

Diana Quattrocchi, como latino-americana que estudou e se doutorou em Paris após sair de uma prisão da ditadura argentina graças à pressão da Anistia Internacional, disse que estava orgulhosa que Sciences Pos desse o Honoris Causa a um presidente da região e perguntou pelos motivos geopolíticos.

“Todo o mundo se pergunta”, disse Descoings. “E temos que escutar a todos. O mundo não sabe sequer se a Europa existirá no ano que vem”.

Na Sciences Po, Descoings introduziu estímulos para o ingresso de estudantes que, supostamente, estão em desvantagem para serem aprovados no exame. O que se chama discriminação positiva ou ação afirmativa e se parece, por exemplo, com a obrigação argentina de que um terço das candidaturas legislativas devam ser ocupadas por mulheres.

Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa a Lula fazia parte da política de ação afirmativa da Sciences Po. Descoings observou-o com atenção antes de responder. “As elites não são só escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores são os outros, não os que são iguais a alguém. Se não, estaríamos frente a um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas segundo entendi não ganhou uma vaga, mas foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

Como Cristina Fernández de Kirchner e Dilma Rousseff na Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula vem insistindo que a reforma do FMI e do Banco Mundial está atrasada. Diz que esses organismos, tal como funcionam hoje, “não servem para nada”. O grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ofereceu ajuda para a Europa. A China sozinha tem o nível de reservas mais alto do mundo. Em um artigo publicado no El País, de Madri, os ex-primeiros ministros Felipe González e Gordon Brown pediram maior autonomia para o FMI. Querem que seja o auditor independente dos países do G-20, integrado pelos mais ricos e também, pela América do Sul, pela Argentina e pelo Brasil. Ou seja, querem o contrário do que pensam os BRICS.

Em meio a essa discussão, Lula chega a França. Seria bom que soubesse que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria guardar recato. No Brasil, a casa grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terras e escravos. Assim, Lula, agora, silêncio, por favor. Os da casa grande estão enojados.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 27 de setembro de 2011

conexões urbanas - último sábado no ciep clóvis tavares



O projeto conexões urbanas faz no próximo sábado sua última rodada no ciep Clóvis Tavares no Parque Esplanada/Leopoldina. A partir do sábado 8/10 conexões urbanas estará acontecendo em Ururaí. Conexões Urbanas é uma realização do Sesc Rio executado por sua unidade de Campos, tem coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins(Meméia) e tem  em sua equipe de professores Jhony Nunes(grafite), Tim Carvalho(dança), Luciano Paes(skate) e Jorginho(basquete de rua).

mala da fama

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PREPARATIVOS PARA NOVO FÓRUM DE EDUCAÇÃO

fonte: http://www.camposcentro.blog.br/



fundo
O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT) é um fórum temático do Fórum Mundial de Educação (FME), um movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação. A primeira edição do FMEPT foi realizada em 2009, em Brasília. Para a segunda edição, a cidade de Florianópolis – capital do estado de Santa Catarina – foi escolhida para sediar o evento, que acontecerá de 28 de maio a 1º de junho de 2012.
Durante cinco dias, o II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica contará com conferências, debates, oficinas, Mostra de Inovação Tecnológica, Mostra de Artes Visuais, Mostra de Pôsteres, Feira Gastronômica, Feira de Economia Solidária e Feira do Livro.
O tema desta edição será Democratização, Emancipação e Sustentabilidade.
Visite aqui o site do evento

dani rauen lançamento

conexões urbanas


Neste sábado mais uma rodada do projeto conexões urbanas no ciep Clóvis Tavares das 14 as 17h com oficinas de gravite, skate, basquete de rua e dança de rua, com Jhony Nunes, Luciano Paes, Jorginho e Tim Carvalho. O Conexões é um Projeto do Sesc Rio executado aqui através do Sesc Campos, com coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins (Meméia).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fulinaimagem Artur Gomes & May Pasquetti



Recital realizado na Escola Cecília Meireles – Bento Gonçalves – congresso Brasileiro de Poesia – outubro - 2009


Desde 1996 quando pela primeira vez, convidado por Ademir Antônio Bacca fui ao Congresso Brasileiro de Poesia, que Bento Gonçalves faz parte anualmente da minha agenda na primeira semana de outubro. A experiência vivida na cidade, falando poesia nas ruas, nas praças, nas Escolas no Hospital e no Centro de Recuperação Psiquiátrica, além do convívio com os mais de 100 poetas brasileiros que lá comparece,m a cada edição do evento é indescritível.

Lá estaremos mais uma ao lado de Jiddu Saldanha, Tanussi Cardoso, Ronaldo Werneck, Rodrigo Mebs, Claudia Gonçalves, Laura Esteves, Jorge Ventura, Telma da Costa, Eduardo Tornagui, Dalmo Saraiva, Glauter Barros, May Pasquetti, ee tantos outros poetas brasileiros, chilenos e uruguaios.

Lá conheci minha parceira de palco May Pasquetti e com ela venho desenvolvendo desde 2006 as performances com as quais me apresento no Congresso. Este ano vamos focar poeticamente a loucura e suas múltiplas facetas no recital O Delírio é A Lira do Poeta se O Poeta Não Delira Sua Lira não Profeta, com poemas da minha lavra, além de Torquato Neto, Adélia Prado, Sérgio Sampaio, Eliakin Rufino e Affonso Romano de Sant´anna, o homenageado deste ano.

Afiando a carNAvalha
para Eliakin Rufino

cocada agora
só se for de coco
paçoca de amendoin

cigarro só se for de palha
cacique só se for da mata
linguagem só tupiniquim


bala só se for de prata
água só se aguardente
tônica só se for com gin

estado só se for de surto
eleição só se for sem furto
brilho só no camarim

golaço só se for de letra
ronaldo nem se  for gaúcho
malandro só se mandarim

política só se for decente
partido só sem presidente
governo eu que mando em mim

batismo só se for de pia
congresso só de poesia
reinaldo pode ser   jardim


ArturgGmes

programação completa aqui



curso de fotografia

terça-feira, 20 de setembro de 2011

paulo ciranda no velho armazem


Paulo Ciranda
Neste sábado, 24 de setembro – 21:00hs
Com participação do percussionista Marcos Niedo
Local: Velho Armazém
Praia de São Francisco, 6 – Niterói-RJ

poema de Artur Gomes musicado e cantado por Paulo Ciranda

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Delírio é a Lira do Poeta



Desde a primeira vez que pisram juntos o palco, em 2006 para homenagear Mário Quintana, que Artur Gomes e May Pasqueti vem afinando a química que os envolve num diálogo refinado que vai do delírio do lírico ao delicado do Erótico. Eles já foram atração na Fenavinho, em 2007, com Celebração do amor em Estado de Vinho e Uva, e no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves.

Em Bento Gonçalves voltaram a estar juntos em, 2009  e 2010, bem como no Parque das Ruínas em Santa Teresa – Rio de Janeiro no evento Pop Rock Poesia, onde foi filmado o vídeo abaixo. Este ano com um repertório que vai da poesia de Artur Gomes a Sérgio Sampaio, passando por Torquato Neto, Paulo Leminski, Adélia Prado e Affonso Romano de Sant´anna eles apresentam o espetáculo poético O Delírio é A Lira do Poeta se o Poeta Não Delira sua Lira não Profeta.

Delírio 1

de Dante a Chico Buarque 
todos os poetas 
já cantaram suas musas 

Beatriz são muitas 
Beatriz são quantas 
Beatriz são todas 
Beatriz são tantas 

algumas delas na certa 
também já foram cantadas 
por este poeta insano e torto 
pra lhes trazer o desconforto 
do amor quando bandido 

Beatriz são nomes 
mas este de quem vos falo 
não revelo o sobrenome 

está no filme sagrado 
na pele do acetato 
na memória do retrato 
Beatriz no último ato 
da Divina Comédia Humana 
quando deita em minha cama 
e come do fruto proibido 

Delírio 2

te procurei na Ipiranga 
não te encontrei na Tiradentes 
nas tuas tralhas tuas trilhas 
nos trilhos tortos do Braz 
fotografei os destroços 
na íris do satanás 

a cara triste da Mooca 
a vaca morta no trem 
beleza no caos: urbana 
beleza é isso também 

meu bem ainda mora distante 
deste bordel carnavalho 
a droga a erva o bagulho 
Tietê um tonto espantalho 

Delírio 3

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejo é tua boca
no lençol dos dias?

Delírio 4

não sou iluminista nem pretender 
eu quero o cravo e a rosa 
cumer o verso e a prosa 
devorar a lírica a métrica 
a carne da musa 
seja branca negra amarela 
vermelha verde ou cafuza 

eu sou do mato 
curupira carrapato 
sou da febre sou dos ossos 
sou da Lira do Delírio 
São Virgílio é o meu sócio 

Pernambuco Amaralina 
vida breve ou sempre vida/severina 
sendo mulher ou só menina 
que sendo santa prostituta 
ou cafetina devorar é minha sina 
e profanar é o meu negócio 

Delírio 5

- essa estrada que vai dar
no mar dos teus mistérios
ou
essa estrada que vai dar
no mar dos teus silêncios
ou
apenas o caminho para o mar
na coluna vertebral
dos teus suplícios
ou
o poema puro ofício
de te oferecer amor, meu vício
e te querer estrada. sim

Federico Budelaire – viagens insanas

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Qualquer lá no Teatro Renascença


primeiro disco solo da cantora Dani Rauen

Acontece dia 1o de outubro, no Teatro Renascença, o lançamento do primeiro disco solo da cantora Dani Rauen, Qualquer lá.

Dani Rauen começou sua carreira em 1999 como vocalista da Suco Electrico. E foi à frente da Suco Electrico que fez escola no palco, pegou a estrada, chegando a tocar no circuito Banco do Nordeste e a abrir o show do mutante Arnaldo Baptista em Porto Alegre, além de participar de programas e festivais como “Covernation” da MTV, Festival Morrostock, Festival Grito Rock e de lançar sete discos entre demos, EPs e oficiais.

Após dez anos de Suco, Dani Rauen desengavetou um antigo projeto: Fazer um disco de interpretações. Um disco onde pudesse rir e cantar a dor de cotovelo. Desplugou as guitarras e deu outra perspectiva para músicas que fizeram parte de sua vida.

Composto de interpretações e releituras, o disco nasceu da vontade de experimentar outras vertentes além do rock e de se reinventar como intérprete.

A busca do repertório foi em cima de músicas com potencial de transformação. Bandas de rock, antigos parceiros, material da própria Suco serviram como base para a criação deste novo universo.


Nelson Coelho de Castro faz uma participação especial na sua própria música, Quando eu feri.
Qualquer lá – uma das duas faixas autorais –, nascida durante as gravações, tem letra de Dani Rauen e música de Toneco da Costa. A música acabou dando nome ao disco por conter a sua essência; a música fala de tomar caminhos diferentes, desconhecidos e seguir para qualquer lá.

Serviço
O que: Dani Rauen lança seu primeiro disco, Qualquer Lá
Quando: Dia 1o de outubro, sábado, às 21 horas
Onde: Teatro Renascença – Av. Érico Veríssimo, 307
Quanto: R$20 no local
Ingressos antecipados: R$15 na Palavraria – Vasco da Gama, 165

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

jazz free som balaio



ouvidos negros Miles
trumpete nos tímpanos
era uma criança forte
como uma bola de gude
era uma criança mole
como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez
ouvidos brack rumo premeditando o breque
Sampa midinigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando despertas do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao ter-te arte nobre minha musa Odara
ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente 
galáxias relances luzes sumos pratos
delícias de iguarias que algum deus consente
aos gênios dos infernos que ardem arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte


Artur Gomes
poeta.ator.vídeo.maker
Fulinaíma Produções
 (22)9815-1266

terça-feira, 13 de setembro de 2011

vinicius iapanema de moraes - sesc campos

XIX CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA HOMENAGEIA O POETA AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA


           
Como já é tradição em todo o início de outubro, mais uma vez a cidade gaúcha de Bento Gonçalves, a Capital Brasileira da Uva e do Vinho, abrirá suas portas para a caravana de poetas que irão participar – entre os dias 03 e 08 daquele mês – da décima-nona edição do Congresso Brasileiro de Poesia, um dos maiores encontros de poetas das três Américas.

Tendo como tema “A Poesia Vivida”, em homenagem ao poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, aproximadamente cem poetas dos mais diversos estados brasileiros e de alguns países latino-americanos já confirmaram presença, e irão protagonizar uma programação diversificada, composta por muitos recitais, performances, rodas de poesia, espetáculo teatral, palestras nas escolas e debates sobre as diversas formas do fazer poético.

A abertura do evento acontece no Salão Nobre da Prefeitura Municipal às 17 horas do dia 03 de outubro, com recital do poeta homenageado e performance do grupo carioca “Simplesmente Poesia”, que contará um pouco da vida de Affonso Romano de Sant’Anna.

À noite, no anfiteatro Ivo Da Rold, na Fundação Casa das Artes, o escritor Rodney Caetano (Curitiba) apresentará a palestra “A descida de Sant’Anna aos infernos da modernidade”, tendo como mediador o poeta carioca Eduardo Tornaghi. A seguir, será a vez do homenageado, que abordará o tema do Congresso, “A Poesia Vivida”, tendo como mediadores os mineiros Ronaldo Werneck e Márcio Borges. O Grupo carioca “Poesia Simplesmente” encerrará os trabalhos da primeira noite, apresentando o espetáculo “Affonso Romano, retrato de um poeta”.

A partir da manhã de terça-feira, dia 04, até a sexta-feira à noite, os poetas desenvolverão intensa atividade nas escolas do município e no espaço cultural da Fundação Casa das Artes, além de apresentarem recitais em entidades como o Lar do Ancião, Centro de Atendimento Psico-Social, Biblioteca Pública Castro Alves, Presídio Municipal e Hospital Tachini.

Entre os vários poetas que se apresentarão em recitais, destacam-se: Tanussi Cardoso, Brenda Mars, Mano Mello, Jiddu Saldanha, Eduardo Tornaghi, Renato Gusmão, Rui do Carmo, Edmilson Martins, Dalmo Saraiva, Glauter Barros, Telma da Costa, Cláudia Gonçalves, May Pasquetti, Rodrigo Mebs, Ricardo Reis, Flávio Pitinici, Silvio Ribeiro de Casto, Laura Esteves, Jorge Ventura, Angela Carrocino, Eugênia Loretti, Artur Gomes e o Grupo Tatamirô.

Na noite do dia 07, o escritor e letrista Márcio Borges, parceiro de Milton Nascimento, falará sobre a trajetória e a importância do Clube da Esquina na historia da música popular brasileira, tendo como debatedores Affonso Romano de Sant’Anna e Ronaldo Werneck. Já o poeta Colmar Duarte, o criador da Califórnia da Canção Nativa, falará sobre a poesia gaúcha, tendo como debatedor Omair Trindade.

No decorrer da semana, estão previstas sessões de autógrafos dos seguintes escritores: Affonso Romano de Sant’Anna (“Ler o Mundo” e “Sísifo desce a montanha”) e Marina Colasanti (“Passageira em Trânsito”), na Livraria Paparazzi; Airton Ortiz (“Havana”) e Ronaldo Werneck (“Há Controvérsias 2”), na Livraria do Maneco; Márcio Borges (“Os Sonhos Não Envelhecem” e “O Canto do Pássaro-preto” – Poemas e Letras de Paul McCartney”) na Livraria Aquarela. Também serão lançados os volumes 13 e 14 da “Antologia Poesia do Brasil” e o volume 8 de “Poeta, Mostra a tua Cara”, publicações oficiais do evento.

Prioridade para as escolas
            Trinta e duas escolas do município participarão do evento deste ano, recebendo os poetas em suas dependências, e doze delas deslocarão alunos para participar de atividades que acontecerão nas dependências do Auditório da Escola General Bento Gonçalves da Silva e na Fundação Casa das Artes.

Entre os principais projetos que tradicionalmente compõem a programação oficial do evento, destacam-se: “Poesia na vidraça” (que começa a ser executado no dia 27 de setembro, e consiste na utilização das vitrines das lojas do centro da cidade para exposição de poemas de autores brasileiros); “Poesia numa hora dessas?” (quando poetas apresentam recitais em repartições públicas e privadas); “Uma idéia tece a outra” (realizado na Biblioteca Municipal e que consiste no “empréstimo” de um poeta a uma turma de alunos), além das tradicionais rodas de poesia na Via del Vino.

Promovido pela Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, através da Secretaria Municipal de Cultura, o Congresso é realizado pelo Proyecto Cultural Sur/Brasil, com apoio da Câmara Municipal de Vereadores e Sindilojas.
Agradecemos a divulgação.

Ademir Antonio Bacca
Coordenador Geral do Evento

Maiores informações:
Fone: 54-8123-0034

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

boca do inferno



injúria secreta


suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus


arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com

obs.: do livro inédito Juras Secretas, este poema será lançado na Antologia Poetas do Brasil – volume 13 na semana de 3 a 8 de outubro d 2011 na programação do XIX Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves-RS

TV Câmara promove concurso de produção de documentários

A TV Câmara quer mostrar o olhar da sociedade sobre a vida política do País.
Por meio do 1º Concurso de Produção de Documentários, a TV vai selecionar três projetos inéditos de documentários brasileiros. Cada um receberá R$ 110 mil da Câmara para a produção. As inscrições vão até o dia 26 de setembro.

Na primeira fase, serão selecionados nove projetos, três em cada área temática: representatividade eleitoral; mobilização social; e ética. Os nove diretores escolhidos virão a Brasília defender sua proposta de documentário perante a Comissão Especial de Licitação, respondendo a questões relacionadas à técnica, criação artística, produção, cronograma e finanças.

Segundo o diretor da TV Câmara, Frederico Campos, a ideia é trazer para a programação da TV uma visão de fora sobre os assuntos mais correntes no Congresso. "Os diretores terão liberdade para dar o enfoque mais adequado para o tema, e a Câmara irá custear os três projetos mais originais."

Inscrições pelos Correios

As inscrições podem ser feitas somente pelos Correios, e estão abertas a pessoas jurídicas brasileiras. Os documentários deverão ter entre 40 e 55 minutos e serão destinados à veiculação na TV Câmara por período indeterminado. Veja mais detalhes no edital publicado no site da Câmara.

Para o coordenador de documentários da TV Câmara, Dulcídio Siqueira Neto, o concurso é uma forma de aumentar a diversidade na produção audiovisual nacional, gerando, assim, emprego e conhecimento.

"Se você tem uma única empresa que produz tudo que coloca no ar, você tem uma coisa centralizada", explica. "Se você tem diversas empresas fazendo, você aumenta a quantidade de pessoas trabalhando, aumenta a diversidade".

O edital completo está disponível, em PDF, no endereço
http://www.camara.gov.br/Internet/Diretoria/Demap/Licitacoes/SECPL/Conc1_11.pdf

sábado, 10 de setembro de 2011

A construção e escalada de um estado policial



Escrito por  Pedro Alves Rede Democrática
Comando Verde
Se alguém acredita que os problemas nas comunidades e as contradições com as forças militares de ocupação, também chamadas de 'Comando Verde (CV)',  vêm de hoje ou de ontem, está muito equivocado. Acreditar que a solução de graves e históricos conflitos sociais nas comunidades podem ser feitas na ponta de um fuzil, usando spray de pimenta ou balas de borracha, tem que ser muito ingênuo ou estar decididamente do lado da opressão.

A seguir procuramos apresentar alguns videos das situações reais vividadas pelos moradores, sem o alarde da midia dos PIGs, que a todo momento falam de área retomada, escamoteando e disfarçando com isto os conflitos sociais existentes, a opressão, o vandalismo e a violência praticada pelas forças militares de ocupação do Comando Verde.


Neste video, a esquerda, podemos ver militares atirando gás de pimenta, sem nenhum motivo, na cara de moradores:


Complexo do Alemão - Isso é o jeito certo de trabalhar ?
Enviado por  em 04/09/2011: http://www.youtube.com/watch?v=-OzcOlJ8bBo&feature=related

Neste outro video, a direita, por causa de som alto na TV, o Exército considera desacato a autoridade - forma ainda simplificada, embrionária, aparentemente ingenua para auto de resistencia usado por policiais para assassinar civis - e prende moradores.

Exército atira em moradores do Complexo do Alemão por causa de som alto na TV (Ricardo Gama) em 05/09/2011 :http://youtu.be/wBqeO7hmE1I
A população não obedece ao toque de recolher nas comunidades e com toda a razão. Não se trata dos militares  'saberem lidar' - é uma tropa de ocupação como as forças nazistas eram ou os traficantes são. Pouco se diferem. Todos estabelecem e impõem seus códigos, independentes da comunidade, dos valores sociais do local, visando basicamente sempre o bem estar do poder que representam - ou do chamado Estado de Direito - com Gilmar Mendes/Dantas a frente ou o chamado Estado Paralelo.

Na apresentação a esquerda, os militares atacam moradores ferindo inúmeras pessoas com balas de borracha atiradas a queima roupa. Confira as imagens.

Moradores são atacados por militares no Complexo por causa de volume de tv.wmv (Voz da Comunidade)  em 05/09/2011:
http://www.youtube.com/watch?v=o4BsQ_7qJbQ&feature=player_embedded

Decididamente as imagens mostradas acima não conduzirão o pais a avanços sociais e econômicos. O risco que enfrentamos é sim de uma escalada no Estado policial-militar. E não se trata de uma questão de 'saber lidar com a população' pois isto, no fundo, quer dizer: mantenha tudo em paz como está, sem mudar nada.

O pais precisa de investimentos e de uma indústria forte para gerar empregos e garantir a ocupação e remuneração da população. Não bastam programas sociais, cinemas super modernos e baratos, com entrada a R$ 4.00, como na Nova Brasilia, se é decretado o toque de recolher pelo Comando Verde. Como desfrutar do cinema agora? Foi combinado alguma coisa com os comandantes militares?

Os investimentos em emprego e ocupação, que deveriam ter a máxima prioridade, são desviados para garantir o  'superavit primário' para com isto poder remunerar as aplicações financeiras e os recursos para pagamento da dívida pública. As altas taxas de juros, que são um custo para a nação, e terminam influenciando na inflação, só aumentam a divida pública e dificultam os investimentos em infraestrutura, na economia e na indústria, que é a maior geradora de empregos.

Depois de dezenas de anos de descaso com as populações marginalizadas, Sérgio Cabral já mostrou a que veio. Sua solução, como a de Eduardo Paes, é a da escalada policial, em um 'Choque de ordem', que só faz lembrar os choques dos DOI-CODI e da OBAN da ditadura. 

Choque de ordem que emite ordens medíocres, sendo capaz de se rebaixar ao ponto de impedir que quem vende côco na praia não pode abrir o côco, usando um facão, para poder melhor servir ao cliente. Nem se pode tampouco vender queijo coalho sob o argumento de que 'emporcalha'  a praia - e não os esgotos sem tratamento da prefeitura.

É claro que dentro deste quadro de escalada de um Estado  policial, temos que perguntar:
Qual o cuidado que a Dilma, e o movimento social,  devem ter com as forças militares e policiais?

Estas forças são, em essência, os representantes do Estado. E é justamente por serem os representantes do Estado que se sujeitam a ocupar os espaços sociais das comunidades para garantir o Poder reinante e o nivel de opressão estabelecido.

As forças militares servem ao Soberano - que seja Ditador, Imperador, Príncipe, Rei, Presidente ou Presidenta -  a que devem obediência, ao Estado e as classes dominantes. E as forças militares servirão ao soberano, a Dilma, enquanto ela for útil e servir aos interesses do Estado e da classe que o domina e mantem o controle deste Estado.

Neste contexto, qual é o jogo politico a exercer para garantir um mínimo de democracia, só pode se encontrar e ter sobrevida na ampla mobilização dos movimentos sociais. Fora disto é fazer o jogo do Poder atual  sem lutar por mudanças.