quinta-feira, 24 de março de 2011

Marina Silva e a devastação verde


Por Altamiro Borges no Blog do Miro

Considerada um “fenômeno eleitoral” em 2010, quando obteve quase 20 milhões de votos e ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, Marina da Silva agora vive os seus dias de agonia. No final de 2009, ela e o seu grupo político abandonaram o PT e ingressaram no PV – um partido gelatinoso, que fala em “renovação política”, mas que em vários estados participa de governos da velharia demotucana. A união, porém, parece estar por um fio. A devastação verde é visível.

Em entrevista concedida hoje ao Estadão, Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio de Janeiro e aliado de Marina, confirma que o clima interno é de “quase ódio” em relação à ex-senadora e que pode culminar com a criação de um novo partido. Para ele, que é veterano no PV, a legenda é controlada com mão de ferro pelo atual presidente, José Luiz Penna, no cargo há 12 anos. “O poder é exercido por um grupo quase secreto em torno do presidente. A executiva ficou quase cinco meses sem se reunir”.

“Quase ódio em relação a gente”

Segundo informa, seu grupo político não conseguiu romper o “fog burocrático” e está isolado. Há vetos a novos ingressos e nem a filha de Marina Silva teria conseguido se filiar à legenda. “As decisões são tomadas de forma totalmente solitária por presidentes estaduais que fazem parte executiva nacional. Há certa clientela que se cria como base de sustentação do atual presidente... Há um clima de intimidação, gente que tem medo de se posicionar porque acha que pode sofrer represálias. Vejo um clima que eu nunca imaginei no PV, quase de ódio em relação a gente. Uma coisa muito radicalizada”.

Diante desse quadro adverso, Sirkis não descarta a possibilidade da divisão do PV e da criação de um novo partido, liderado pela ex-senadora. Marina Silva, por enquanto, evita tratar do assunto. Aposta no seu cacife eleitoral e no “diálogo”. Mas parece que o cerco está se fechando. A disputa fratricida no PV começou logo após a eleição, mas sem os holofotes da mídia – ainda encantada com o papel desempenhado por Marina Silva. Na reunião da executiva nacional, na semana passada, a coisa degringolou de vez.

“A era dos fenômenos acabou”

Com base num acordo prévio, o grupo da ex-senadora reivindicou a renovação da direção partidária. Mas a executiva partidária rejeitou o apelo e ainda adiou a convenção nacional, de meados deste ano para 2012. O deputado Zequinha Sarney (MA) foi o autor da proposta de prorrogação por mais um ano do mandato da atual direção, aprovada por 29 votos a 16. Essa decisão, caso não seja alterada, fecha os espaços para os verdes que recém-ingressaram no PV e também para alguns velhos filiados.

Diante desta “rasteira”, o grupo tenta juntar os cacos para definir o seu futuro. Mas a situação é difícil. Na reunião da executiva, Marina Silva ainda teve que ouvir de um dos aliados de Penna a comparação com o ex-jogador Ronaldo: “A era dos fenômenos acabou”. Segundo Celso Marcondes, da CartaCapital, “as malas de Marina e Sirkis começaram a ser arrumadas. Junto com eles devem partir Guilherme Leal, Fernando Gabeira, Ricardo Young, Sérgio Xavier, João Paulo Capobianco, Luciano Zica, entre outros”.

“Conluio com Kassab”

Em seu blog, Alfredo Sirkis fala do “pesadelo verde” e dá detalhes deprimentes sobre a disputa interna. Ele garante que “Marina ficou perplexa, ainda que não propriamente surpresa. A animosidade da burocracia no partido contra ela era algo que ela vinha reparando há tempos... Digamos que, na melhor das hipóteses, criaram por ela uma relação amor-ódio. Amor pelo que de prestígio indireto pode lhes aportar. Ódio quando sua visão de transição democrática é vista como ameaça a seus poderzinhos”.

Sirkis denuncia que “a disposição de Penna e Sarney de romper com o setor mais histórico e ideológico dos verdes e de afastar Marina – a não ser que sirvamos simplesmente de “chantili”, como ela define –, mediante sucessivas rasteiras e levar o partido para o governo em conluio com o novo partido de Kassab com o qual eles têm tido muitas reuniões. O sentido mais estratégico de tudo isso é anular os verdes como terceira força, desconstruir 20 milhões de votos e debandar 20% do eleitorado”.




Entrevista exclusiva com Renato Gusmão - poeta Paraense.

por Jiddu Saldanha no blog curtabrisa

Convidamos o poeta, compositor e produtor cultural Renato Gusmão para ceder uma de suas composições para o Cineclipe oficial do filme "BRISA" e ele prontamente aceitou, o que nos deu grande alegria.

Acompanhe a entrevista abaixo e conheça um dos grandes agitadores da vida cultural de Belém do Pará.

"eu sou do tempo eu sou o próprio tempo
eu sou de um tempo que já passou
e que sempre passará
sou de um tempo simples
complexo sem nexo e fugaz
mesmo assim ainda queres andar comigo?
um narciso só
solto na terra
espelho da própria ousadia


(Renato Gusmão)"


Cinema Possível – Como anda o panorama da poesia em Belém do Pará?

Renato Gusmão – Vejo o panorama da poesia aqui em Belém com diversas cenas – Há a cena acadêmica, em que esses escritores quase não se reúnem para divulgar suas produções, agem de formas isoladas, não saem para uma ação mais abrangente ou coletiva, visto que, assim, teriam mais facilidade pelos nomes que ostentam, por outro lado a mídia, também se interessa mais por “notório saber” e isso exclui os artistas autodidatas.

Porém, temos a cena alternativa, aquela que leva estímulos à leitura em bairros, comunidades, regiões ribeirinhas, escolas públicas em geral, onde se engajam os elementos que formam grupos e idealizam movimentos, exemplo disso o Instituto Cultural Extremo Norte que promove e mantém a mais de seis anos, saraus lítero musicais todas as quartas-feiras, initerruptamente e isso é bacana.

CP – O que te motivou a escrever? Quais as grandes causas que rondam pelo universo da tua poesia?

RG – Bem, seria uma longa resposta, mas, vou sintetizar: Começou com o um professor do período de colégio, o mestre Manoel de Paula, que me estimulou o bastante para que eu me inclinasse de vez para a escrita. Portanto, aprendi que os grandes escritores brasileiros e mundiais facilitariam e muito nessa incursão, daí, esse arvorar intenso pela vontade de compor.
Ainda há os importantes contatos com excelentes escritores da minha região e por esse Brasil afora. Minhas participações em congressos e outros encontros são fundamentais para essa base. Acredito no sonho e no ideal de que ainda levando a leitura para todos onde possamos alcançar, daremos nossa grande parcela de contribuição para formação de leitores.

CP – Você tem parcerias com músicos paraenses, como é isso? Você escreve o poema que é musicado depois ou existe um processo de criação especialmente voltado para a composição musical.

RG – Tenho sim e são tantos, não só de paraenses mas parceiros de várias outras regiões desse país, afinal, o que compomos carrega o título e merecidamente de MPB. Comecei minha carreira escrevendo letras para serem musicadas e dei muita sorte, pois, meus parceiros todos são de excelentes qualidades musicais. Quanto à forma de escrever, não há certa prioridade no que se refere a ordem da composição, o que vier primeiro é o que rola e de boa música. Diga-se.


TEU OLHAR


Teu olhar cigano
Negro mundano
Maduro
Clareia os amores
Castos
Inseguros

Teu olhar acalma
Atravessa muros
Chão mais duro
Trilha d’alma
Alumia os desejos
Em teu olhar eu vejo
Mares e peraus
Imagino o Tejo
E naus de outras águas
Dentro dos meus rios

Teu olhar noite de lua
Divide os mares
O céu e a terras
Todos os lugares

Fruto no galho
Inveja para outros olhos

Teu olhar
Enxerga o mundo
De ponta cabeça
Pela treliça do sol

Reparte a vida
No jogo do sim e do não
Atravessa muros
Chão mais duro
Nas trilhas
Do meu coração

(Renato Gusmão)

CP - No cenário cultural nacional, como você vê a relação do Pará com o Brasil como um todo? O que você acha que poderia melhorar?

RG – Vejo que temos aqui muitos talentos, na literatura, cinema, música, teatro, dança, arte plástica, etc... E muitos ganhando espaços em nível nacional, há uma série de bons criadores no Pará. Existe também, uma grande troca de experiências entre esses artistas, a fim de melhorar o cenário cultural brasileiro. Agora, sofremos de um enorme preconceito por sermos do norte, que é uma bobagem de pseudos intelectuais espalhados por aí. Então, está dito, o que precisa melhorar é essa postura desses que espalham essa ante cultura brasileira da exclusão. Que frescura é essa de achar que aqui andamos em meio as onças e jacarés.

Visitamos, sim, o habitat de cada elemento da Amazônia, pois temos uma riqueza infinda que deve ser explorada artisticamente na amostragem de todos as vertentes, em cada pintura, em cada dança, em cada música, em cada poema... O Pará e a Amazônia no todo se descobrem toda hora, e abrem as portas para o mundo vir penetrar nesse universo místico de lendas e realidades e de nossos povos.

CP – A pergunta que não quer calar. A Amazônia? Como pulsa o coração de um poeta diante da realidade que se apresenta atualmente?

RG – Jiddu, sobre nossa região posso te dizer que o que mata não é a mata e sim a insensibilidade política brasileira e em potencial dos políticos amazônidas. Eles matam, queimam, vendem e locupletam-se. Quanto ao sentimento desse poeta, digo que, emociona
demasiadamente o fato desse caboclo aqui ter ganhado o presente divino de ser amazônida, e de saber que tem dentro desse mundo de águas e verdes matas, tantos outros artistas com esse mesmo pensar e que vivemos na tentativa de salvar tudo isso, através de nossas obras, são homens bons que nomear a todos não haverá espaço, mas posso enfatizar com orgulho alguns deles: Walter Freitas, Nilson Chaves, Joãozinho Gomes, Alcyr Guimarães, Eliana Barriga, Rita Melém, Roseli Sousa, Walcyr Monteiro, Antônio Juraci, Rui do Carmo, João de Jesus, Eliakin Rufino, Herbert Emanuel, Zé Miguel, Jorge Eiró, Klinger Carvalho, Acácio Sobral, Edir Proença, Jocasto, Jorane Castro, Salomão Laredo, Jaime Amaral...


NOTURNO


poeta vagando
noite dentro da escuridão
alma de luz no peito
sonhos de imensidão

(Renato Gusmão)


CP – Fale um pouco da sua experiência com o Congresso Brasileiro de Poesia.

RG – Mano, te digo com fervor, essas minhas participações no congresso Brasileiro de Poesia na cidade de Bento Gonçalves – RS, são responsáveis pela abrangência de meu trabalho, pois lá, conheci artistas maravilhosos e ganhei uma grande experiência no que se refere subir ao palco. Levo para Bento, recitais que divido com May Pasquetti, Cláudia Gonçalves, Alex Barros, e vejo junto a Rodrigo Mebs, Marisa Vieira, Artur Gomes, Tchello de Barros, Dalmo Saraiva, Andrea Motta, Maria Clara Sigóbia, o pessoal do Poesia Simplesmente, Ricardo Reis, Isolda Marinho, Jiddu Saldanha, que é o meu mestre no hai cai (risos) em todos, um grande e verdadeiro sentimento fraterno, zelo grandioso com a poesia, com a leitura, uma vigília incessante para com a arte poética desse país. Com certeza um dos passos largos da minha carreira foi ir para o sul participar disso tudo. São tantos os projetos nesse Congresso que só tenho que desejar vida longa ao seu idealizador Antônio Ademir Bacca e que assim, todos os anos, voltemos a Bento.

CP – Quem é Renato Gusmão por Renato Gusmão?

RG – É isso aí, Jiddu, eu sou eu com a minha arte. Minha arte é amar o bem feito e o que demais perfeito há nessa vida que somos nós os humano, então, decreto a mim, incondicionalmente: Amar acima de tudo! Tento passar para as pessoas o que de verdadeiro há em mim. Sou amante da vida... Quero a vida por inteiro dentro da minha arte. Incomoda-me muito a ante cultura, o lixo, o engodo cultural enfiado goela abaixo de cada brasileiro. A máquina mercadológica imperial que engana as crianças, os jovens e o velhos com essa mídia voraz desfazendo tudo o que já foi feito em prol da inteligência de nosso povo em algumas décadas atrás.

Vibro para que os meus amigos que se comprometem em levar beleza e sonhos para o mundo sejam radicais no que está proposto em suas condutas, isto é, não abrir mão de seus ideais.
Então, Viva a arte de boa qualidade!

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