segunda-feira, 21 de março de 2011

A guerra que começou dentro do Planalto


Casa Branca nega mal-estar entre Dilma e Obama por ataque à Líbia

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS, na Folha.com via VioMundo

A Casa Branca afirmou neste domingo que não a presidente Dilma Rousseff não expressou mal-estar sobre as operações militares na Líbia durante seu encontro com o colega americano, Barack Obama.

Obama deu o seu aval à ofensiva militar durante um encontro privado com Dilma Rousseff, na manhã de sábado, no Palácio do Planalto. O Brasil foi um dos cinco países que se absteve do voto da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que permitiu o uso de “todas as medidas necessárias” para conter a violência na Líbia e impor uma zona de restrição aérea.

O Brasil alegou preferir uma solução negociada e pacífica e disse temer que os ataques à Líbia tenham o inesperado resultado de aumentar os confrontos em terra.

No entanto, no momento em que uma coalizão que inclui os Estados Unidos começou a atacar a infraestrutura do regime líbio, “não houve expressão de mal-estar por parte da senhora Rousseff”, segundo Daniel Restrepo, conselheiro de Obama para as Américas.

Restrepo disse ainda que Obama e Dilma chegaram a discutir a questão líbia.

“Nenhuma inquietação foi expressa por parte de ninguém em relação às diferenças que manifestaram durante a votação no Conselho de Segurança”, insistiu o conselheiro.

Segundo a Folha apurou, enquanto os dois presidentes conversavam, um assessor americano entrou na sala com um bilhete. Obama leu e disse que as “providências” teriam de ser tomadas.

Em seguida, explicou a Dilma que o assunto se referia à Líbia e que ele estava dando o apoio para que as forças aliadas abrissem fogo contra as tropas comandadas pelo ditador Muammar Gaddafi.

No Rio de Janeiro, onde chegou na noite de sábado, Obama participou de uma conferência telefônica por linha segura com seu conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon; a secretária de Estado, Hillary Clinton; o secretário de Defesa, Robert Gates, e o chefe do comando americano para a África, general Carter Ham, entre outros.

Na conversa, Obama recebeu uma atualização sobre o desenvolvimento das operações na Líbia por parte de Ham, que coordenou a primeira fase do ataque.

O presidente também abordou “as consultas militares e diplomáticas que ocorrem sobre a situação na Líbia” e agradeceu às forças americanas que participam da operação Aurora da Odisseia.

Obama anunciou no sábado o começo da operação aliada para atacar as defesas antiaéreas líbias e permitir o estabelecimento de uma zona de restrição aérea sobre o país norte-africano.

“Não é algo que os Estados Unidos ou nossos aliados tenhamos buscado”, mas o comportamento de Gaddafi, que continua seus ataques contra a cidade rebelde de Benghazi, não deixou outra opção, afirmou.



Do lado de fora do Theatro Municipal, protestos dão o tom

Apesar de pouca adesão, manifestações contra a presença de Barack Obama fazem barulho na Cinelândia

Por: Thalita Pires, especial para a Rede Brasil Atual

Manifestantes durante protesto diante do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, discursava para convidados. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Rio de Janeiro - Quando a Obama a folia estava sendo preparada, veio o balde d'água: o presidente dos Estados Unidos não faria mais um pronunciamento aberto à população no Centro do Rio. O movimento, que ganhou força no Facebook, ainda tentou manter a programação, mas a folia passou longe da Cinelândia nesse domingo (20). Em seu lugar, centenas de manifestantes mostravam seu descontentamento com a presença de Obama no Brasil.

Entidades como Fórum Internacional dos Sem-Teto, Morena, Coletivo Lênin, União da Juventude Rebelião, entre muitos outros, entoaram durante todo o discurso de Obama gritos de ordem em protesto ao ataque à Líbia, à atuação do Brasil no Haiti e ao bloqueio econômico a Cuba. As principais causas dos protesto, no entanto, eram a defesa do petróleo da camada do pré-sal e a libertação dos militantes do PSOL presos na sexta-feira (18) em um protesto na frente do Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro.

Treze pessoas foram presas depois de um coquetel Molotov ser jogado na direção do Consulado. Os acusados foram acusados de lesão corporal e formação de quadrilha, e não têm direito à fiança. “Eles já foram transferidos para presídios, embora ninguém tenha prova alguma que ligue essas pessoas ao coquetel molotov que foi arremessado”, diz Humberto Rodrigues, da Liga Comunista. “Parece que uma das presas é uma senhora que estava passando no local e nem estava protestando. Isso é totalmente autoritário”, afirma.

O suposto interesse dos Estados Unidos nas reservas de petróleo brasileiras também teve destaque. A maior parte das faixas carregadas pelos manifestantes questionava a atuação do governo brasileiro nos leilões do pré-sal. “Supõe-se que haja uma negociação entre Brasil e EUA para a exploração do pré-sal, mas o recurso é nosso e não pode ser vendido", afirma Samuel José Franco, dirigente do Movimento Nativista. André de Paula, do Fórum Internacional dos Sem-Teto, foi mais duro. "Obama veio roubar nosso petróleo, por isso estamos aqui protestando", disse.

Houve espaço também para a defesa de uma causa ligada aos policiais. Diversos manifestantes pediam a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que equipara a remuneração dos policiais militares em todo o país. "A situação dos policiais é muito grave. O salário inicial no Rio é de R$1.100 apenas. Estamos à beira de um apagão na segurança pública", defende Nilo Guerreiro, representante dos PMs no Rio. "Um país que vai ter Copa e Olimpíada não pode tratar seus policiais assim".

Apoio de longe

Nem só de protestos, no entanto, vive a Cinelândia. Rosa de Lima viajou mais de 50 horas entre Sobral, Ceará e o Rio de Janeiro para realizar o sonho de ver Obama. "Sou fã dele, ninguém é mais fã que eu", diz. "Torci muito para ele ganhar a eleição e agora que ver o Obama de perto", disse. A mineira Maria Carmem Silva, de 70 anos, que também viajou só para ver o discurso, celebrava a visita do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. "O país deles tem tanto problema com racismo que a vitória do Obama significa muito", acredita. Ela quer que o presidente americano ajude o Brasil a conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU. "A presidenta Dilma é um exemplo de pessoa que sofreu tortura e lutou pelos direitos humanos, por isso o Brasil tem que lutar por essa causa no mundo", diz.

Para Maria Leda Costa, moradora do Rio, Obama representa os ideais de humanidade em que ela acredita. "Brancos e negros têm que estar em união", afirmava ela, segurando um cartaz com a foto de Martin Luther King.

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