terça-feira, 29 de março de 2011

joão vai cair sozinho?


por Fernando Leite no seu Blog

Estou sob ataque severo de uma indisposição física, própria das mudanças de estações. Mas, assumo, minha raiva cívica me impôs vir aqui.

Li na rede que o mandato do deputado João Peixoto está por um triz. Seus advogados, ao que parece, perderam o prazo para apresentarem defesa contra quem o acusa de “compra de votos” nas eleições de 2010.

Mas e aí? Só ele? E a famigerada “operação cinquentinha”?

Nessa investigação, especialmente, os envolvidos, ao deporem, confirmaram a compra de votos e revelaram minúcias das transações, como preço pago, local do comércio escuso, número de cheques e de cartão de crédito. A suma ousadia do crime.

Os agenciadores acabaram presos por algum tempo, mas até os buracos rosas da cidade sabem que as lanças da lei não chegaram aos financiadores, que desfilam sua impunidade diante de nossa impotência.

Tempos cruéis, insanos!


agrotóxicoa na pauta da câmara

Subcomissão específica sobre venenos agrícolas deve ser instalada quarta-feira

Vinicius Mansur
de Brasília (DF) Brasil de Fato

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a criação da subcomissão especial sobre o uso de agrotóxicos. De acordo com o deputado Padre João (PT-MG), autor do requerimento da subcomissão, os trabalhos devem começar nesta quarta-feira (30).

“Falta só entendimento com o presidente da comissão [Saraiva Felipe PMDB-MG]. Mas precisamos começar logo, devemos começar esta quarta. Os agrotóxicos estão vitimando os trabalhadores do campo, o meio ambiente e os consumidores. Até o leite materno já está sendo contaminado. Muito se preocupa com alimentação balanceada, mas pouco se fala dos agrotóxicos”.

Na semana passada, uma pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) revelou que o leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde – cidade da região central de Mato Grosso, em um dos principais municípios produtores de grãos deste estado - está contaminado por agrotóxicos.

A finalidade da subcomissão proposta pelo Deputado Padre João é avaliar as políticas implementadas para o setor, assim como propor medidas sobre a comercialização, utilização, controle e fiscalização dos agrotóxicos e seus componentes. Outra meta é o levantamento e análise de dados sobre a intoxicação, aposentadoria por invalidez, falecimento de trabalhadores rurais por uso dos agrotóxicos e suas consequências na saúde da população.

Na manhã do dia 7 de abril – Dia Mundial da Saúde, a Comissão de Seguridade Social e Família também realizará uma audiência pública sobre os agrotóxicos. Para este dia, mais de 20 organizações sociais preparam o lançamento de uma campanha nacional contra o uso dos agrotóxicos, em Brasília.

segunda-feira, 28 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

O Brasil e as usinas nucleares


Eletricidade nuclear e as tarifas

por Heitor Scalambrini Costa (hscosta@ufpe.br) no Vi O MUndo

Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco

Os impactos do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a eletricidade nuclear.

Os custos de uma usina nuclear crescem proporcionalmente com o nível de confiabilidade e segurança exigidos. Quanto menores forem os investimentos na confiabilidade e segurança do suprimento energético, maior será a exposição aos riscos das catástrofes naturais, das falhas humanas e das falhas mecânicas e elétricas que podem ocorrer na instalação. Após este acidente no Japão, especialistas confirmam a necessidade de novos esforços tecnológicos para aumentar a segurança das instalações.

No Brasil, verifica-se que as condições de financiamento de Angra 3 são controversas, já que a Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% – muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa projetada de R$ 138,14/MWh anunciada pelo governo federal para essa usina. A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção de Angra 3. Os subsídios governamentais ocultos no projeto dessa usina nuclear são perversos, porque serão disfarçados nas contas de luz. Se isso se verificar quem vai pagar a conta seremos nós os usuários, que já pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.

Ainda no caso de Angra 3, a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW desta usina subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW.

A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, foi negociada a uma tarifa de R$ 79/MWh, a hidrelétrica de Jirau, o preço foi de R$ 91/MWh (ambas no Rio Madeira), a hidrelétrica de Belo Monte (Rio Xingu), o preço foi de R$ 78,00/MWh, e o resultado do primeiro leilão de energia eólica no Brasil deixaram o MWh em torno de R$ 148. Bem mais reduzido que o apontado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), que usou um preço mais alto da energia eólica para justificar a suposta viabilidade econômica da opção nuclear.

O custo das usinas nucleares que se pretende construir até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões cada uma. Valor este que poderá ser acrescido de 20 a 40% até o final da obra, como tem se verificado comumente, no caso de grandes obras em realização/realizadas no Brasil. As tarifas previstas para a eletricidade nuclear gerada nestas novas instalações são incertas, de cálculos não transparentes, mas que certamente afetará de maneira crescente a tarifa da energia elétrica no país.

A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país e na nossa região, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.

sábado, 26 de março de 2011

Pontos de Cultura voltam a criticar "indiferença" do MinC


Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

São Paulo – A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura divulgou carta aberta com novas críticas ao Ministério da Cultura (MinC) e à titular da pasta, Ana de Hollanda. A carta descreve tentativas de diálogo relacionada às organizações contempladas pela frente do programa Cultura Viva, e critica o que considera "indiferença" em relação a movimentos sociais organizados. As reclamações são estendidas aos secretários executivo, Vitor Ortiz, e da Cidadania e da Diversidade Cultural, Marta Porto, que não compareceram a uma reunião com a comissão, a exemplo da ministra.

Ligada à Rede Nacional e ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura, a comissão representa pontos de cultura de 27 estados e 30 temáticos. Segundo o relato, houve reiteradas tentativas de se obter um encontro com Ana de Hollanda e outras autoridades da pasta a partir de 10 de janeiro. Quatro dias depois, uma audiência foi marcada para o dia 20 daquele mês mas, na véspera, o evento foi desmarcado. A reunião só ocorreria no dia 2 de fevereiro, com a presença de Ortiz e Marta Porto, mas a convocação ocorreu apenas na véspera.

Durante o encontro, a comissão teria obtido a confirmação de que o secretário executivo compareceria a uma reunião sediada em Pirenópolis (GO) no último fim de semana (de 18 a 20), mas dois funcionários do ministério compareceram. Em protesto, os representantes foram ouvidos, mas não foram apresentadas as demandas e questionamentos da comissão.

"Consideramos que o não atendimento ao convite pelas autoridades do MinC – pela segunda vez – é uma sinalização negativa sobre a importância que os novos gestores deste ministério atribuem à interlocução com os movimentos sociais, atualmente organizados, como nunca antes na história deste país", critica a carta. Os ativistas definiram ainda uma série de reuniões e atos para tentar uma aproximação com o ministério.

Em fevereiro, uma articulação de pontos de cultura de São Paulo levou 50 ativistas para Brasília (DF) para uma "ocupação pacífica" da sede do MinC. Eles criticavam a falta de diálogo e incertezas em relação à continuidade do programa Cultura Viva. Havia relatos de atrasos em pagamentos de prêmios, bolsas e convênios, além de outras pendências. Na ocasião, uma audiência foi realizada com Ana de Hollanda, que prometeu "portas abertas" aos pontos.

Os questionamentos à gestão da ministra relacionados a pontos de cultura somam-se a reclamações relacionadas ao debate de direitos autorais. A disposição de reabrir o debate sobre as mudanças no projeto de lei, motivo de consulta pública em 2010 e que tem um anteprojeto formulado pelo Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual (Gipi) encaminhado à Casa Civil é vista como um risco de retrocesso na questão. Alguns críticos acreditam que haja uma determinação de descontinuidade em relação aos oito anos anteriores, quando Gilberto Gil e Juca Ferreira comandaram a pasta.


Confira a carta divulgada:


Carta da CNPdC ao Ministério da Cultura
(O silêncio não inocente)

A primeira tentativa da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC) de retomada do diálogo com a nova equipe do Ministério da Cultura (MinC) se deu no dia 10 de janeiro de 2011 com o protocolização de oficio (MinC/SFAdm 1238/11) solicitando audiência com a nova Ministra Ana de Hollanda. O Pontão de Articulação da CNPdC (Pontão) passou a acompanhar diariamente os despachos do gabinete no aguardo por uma confirmação.

No dia 14/01, o Pontão foi procurado pelo MinC numa sondagem sobre a possibilidade de datas, que foi confirmada para o dia 20/01/2011. A Comissão estava se organizando para a referida reunião quando, em 19 de janeiro, o MinC telefona para o Pontão cancelando a reunião com a Comissão.

No dia 01/02 de 2011 o gabinete do MinC liga querendo uma reunião com o Pontão para o dia 02 de fevereiro, que foi confirmada. Estiveram presentes nesta reunião os secretários Victor Ortiz e Marta Porto entre outros integrantes do MinC, 3 representantes do Pontão e 3 representantes da CNPdC.

Durante este encontro, a CNPdC convida a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, o Secretário Executivo Vitor Ortiz e a Secretária Marta Porto para a reunião da CNPdC, marcada para acontecer no período de 18 a 20 de março, em Pirenópolis (GO). O secretário executivo compromete-se em comparecer. O convite oficial foi protocolado em 04 de março.

No dia 17 de março o Pontão de Articulação da CNPdC recebe a informação que a Ministra Ana de Hollanda, o Secretário Executivo Vitor Ortiz e a Secretária Marta Porto, seriam representados por servidores da SCC/MinC – Antônia Rangel e Cesar Piva - na reunião no dia 19 de março a tarde. Quando do informe, o Pontão solicita então que seja oficializado tal remanejamento para repassar a toda Comissão o que foi atendido na tarde do dia 18, conforme anexo.

Consideramos que o não atendimento ao convite pelas autoridades do MinC (pela segunda vez) é uma sinalização negativa sobre a importância que os novos gestores deste Ministério atribuem à interlocução com os movimentos sociais, atualmente organizados, como nunca antes na história deste país. Diante do relatado, a CNPdC decidiu adotar uma atitude protocolar, ouvindo com respeito e atenção a fala dos servidores, sem no entanto engendrar um debate, nem apresentar questionamentos ou comentários ao exposto. Optamos pelo silêncio protocolar diante da indiferença política (conforme deliberações constantes na ata da reunião da CNPdC, de 18 a 20 de março de 2011).

Cabe ressaltar que os representantes do MinC foram bem recebidos na reunião e fizeram uma exposição de 45 minutos sobre a atual situação do MinC. Ao final de suas falas, foram aplaudidos como forma de respeito e a mesa consultou à plenária se algum participante da reunião gostaria de perguntar algo ou fazer comentário sobre o exposto. Conforme decisão anterior, nenhum dos presentes se manifestou. Ouviu-se um silêncio em protesto pela não presença da ministra. A mesa então agradeceu novamente a presença dos funcionários, houveram aplausos e todos foram convidados para um café.

É importante frisar que os funcionários do MinC permaneceram no local do encontro, foram convidados para jantar com os representantes da CNPdC e se confraternizaram com muitos deles, tornando evidente a existência de laços de amizade com vários integrantes desta Comissão e não haver qualquer animosidade pessoal contra os mesmos. O silêncio foi uma decisão política, coletiva, decidida pela CNPdC por aclamação em resposta à pouca disposição real para o diálogo manifestado pela Ministra Ana de Hollanda e seus secretários neste delicado momento de transição no MinC que contabiliza corte orçamentário da ordem de 25% em toda a pasta enquanto o orçamento do Programa Cultura Viva sofre uma redução da ordem de 55%. A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura reivindica urgentemente o pagamento das dívidas de todos os editais e o lançamento de novos editais.

A CNPdC, como representante dos 27 estados brasileiros e de 30 representações temáticas que contemplam os mais diversos segmentos dos fazeres e saberes culturais do Brasil, quer aqui reafirmar a sua disposição para o diálogo com este Ministério e com o governo da presidenta Dilma Rousseff, na condição interlocutores de um contingente de cerca de 8.000.000 (oito milhões) de brasileiros, segundo dados do IPEA/2010, beneficiados por uma politica pública de cultura e que se tornou referência de democratização da cultura no Brasil e no mundo: o programa Cultura Viva!

Na oportunidade apresentamos nossa agenda política para o primeiro semestre de 2011.

AGENDA DA CNPDC

Dia 18 de abril. Ato Nacional nas capitais dos 27 estados. O Movimento realizará atos nas regionais do Minc e onde não houver regional o ato acontecerá em espaços tradicionais de manifestações artísticas e políticas.

Dia 25 de maio. Caravana dos Pontos de Cultura rumo à Brasilia e reunião da CNPdC - Continuidade com melhorias. ANISTIAR, AMPLIAR E DEMOCRATIZAR.

Dia 25 noite - Plenária com a todos os pontos presentes.

Dia 26 e 27 – Reunião da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura.

Na certeza de que é através do diálogo que construíremos a democracia que queremos,
despedimo-nos cordialmente,

Comissão Nacional dos Pontos de Cultura



justiça do trabalho condena Vale a pagar R$ 300 milhões



A empresa foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 100 milhões por danos morais coletivos e mais R$ 200 milhões por dumping social. A Justiça acatou ação civil pública do Ministério Público do Trabalho contra a Vale por considerar que a empresa de mineração estava lucrando indevidamente sobre a exploração indevida de seus empregados e prestadores de serviço na região da província mineral de Carajás.
Cândido Cunha - Blog Língua Ferina

Publicado originalmente no blog de Cândido Cunha.

CartaMaior

A Vara do Trabalho de Parauapebas, no Pará, condenou a Vale a pagar R$ 100 milhões por danos morais coletivos e mais R$ 200 milhões por dumping social.

O juiz Jônatas Andrade acatou ação civil pública do Ministério Público do Trabalho contra a Vale por considerar que a empresa de mineração estava lucrando indevidamente sobre a
exploração indevida de seus empregados e prestadores de serviço na região da província mineral de Carajás.

Em resumo: os trabalhadores diretamente contratados pela Vale ou por empresas que prestam serviço a ela gastam um mínimo de duas horas de deslocamento para ir e voltar às minas, valor este que não era remunerado ou descontado da jornada. A Justiça do Trabalho entendeu que a empresa deve considerar as horas in itinere e remunerá-las, respeitando o limite máximo da jornada diária de trabalho legal.

A situação de transporte para as minas de Carajás é diferente do que acontece em regiões urbanas. Não há transporte público regular disponível, a movimentação é restrita e o local de trabalho tem difícil acesso. Ou seja, o trabalhador é dependente da empresa para ir e chegar.

Diz o artigo 58 da Consolidação das Leis do Trabalho: “o tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte, não será computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difícil acesso ou não servido por transporte público, o empregador fornecer a condução”.

Este é o caso da situação descrita na sentença.

O que é confirmado pela Súmula nº 90 da Jurisprudência Uniforme do Tribunal Superior do Trabalho:

“O tempo despendido pelo empregado, em condução fornecida pelo empregador, até o local de trabalho de difícil acesso ou não servido por transporte público regular, e para o seu retorno é computável na jornada de trabalho”.

A condenação por danos morais e por dumping social ficou a cargo da Vale e não das terceirizadas.

De acordo com o juiz Jônatas Andrade, a empresa determinava suas prestadoras de serviço a não computarem as horas para não prejudicar a interpretação da legislação feita pela companhia.
“A construção do artifício de fraude foi comandada pela Vale, inclusive para o não pagamento dos direitos trabalhistas”, afirmou o Juiz Jônatas.

Com isso a Vale teria economizado um valor superior a R$ 200 milhões nos últimos cinco anos, praticando concorrência desleal em detrimento da qualidade de vida dos seus empregados.

Esse valor decorrente de dumping social deverá ser depositado no Fundo de Amparo ao Trabalhador como reparação à sociedade e ao mercado.

Os R$ 100 milhões relativos ao dano moral coletivo, segundo a sentença, terão que ser revertidos à própria comunidade afetada (que inclui todos os municípios da província mineral de Carajás e não apenas Parauapebas) através de projetos derivados de políticas públicas de defesae promoção dos direitos humanos do trabalhador.

A Vale está proibida de impedir que as empresas terceirizadas incluam as horas nas planilhas de custo e terá que remunerar e computar essas horas para todos os efeitos legais.

A decisão também foi remetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).



Machado Freitas: O poderoso lobby multinacional do Ecad

por Carlos Henrique Machado Freitas, em Cultura e Mercado

A posição do Caetano e outros tem como consequencia a defesa da lei Azeredo- AI5-Digital. A flexibilização com um novo equilíbrio do direito autoral foi política do governo Lula, construída com a sociedade civil . O produtor, editor, estúdio, técnicos etc…fazem parte da nova cadeia produtiva. Todos, além do autor, devem receber a partilha do trabalho. O que não pode é uma indústria intermediária que não existe mais no cenário da Internet continuar intermediando e faturando. ( Marcelo Branco)

Por trás do palavrório patriótico, a ministra Ana de Hollanda traz uma mensagem portadora de razões objetivas para prosseguir não só defendendo aferradamente o Ecad, como assentando o fruto do neoliberalismo cultural nas novas realidades e disciplinas do espaço cultural brasileiro.

Não é preciso tantas reflexões para perceber que Ana de Hollanda particularmente estimula um laboratório de geografia política que busca um mercado neoliberal de cultura. Logo no primeiro capítulo, Ana busca uma interpretação caótica para defender os criadores brasileiros, mesmo sabendo que a maioria das criações não é considerada pelo Ecad sequer como subproduto de suas políticas de distribuição.

Portanto, independente da autorização de cada autor, as multinacionais que controlam o Ecad o fazem nos espaços públicos e, agora, com Ana de Hollanda no comando do MinC, as práticas do Ecad ganham status de política de Estado.

Uma das características do neoliberalismo é criar uma esquizofrenia nos espaços geográficos e, assim, as multinacionais que comandam o Ecad atacam as atividades criativas e o pensamento livre para lucrar cada vez mais produzindo cada vez menos.

Ana de Hollanda e seus afins tentaram criar uma torre de babel sobre a questão dos direitos autorais e da soberania da nossa cultura para causar vertigens conceituais na sociedade dando a ela uma explicação confusa para ser confusamente percebida.

Ana só não imaginava colher um fruto tão amargo com críticas extraordinárias ao seu abuso de poder. Se Ana de Hollanda criou uma fábula dizendo defender o criador, o compositor brasileiro e a soberania do país, a cada dia suas filosofias são desmascaradas em quantidade e qualidade com artigos preciosos que permitem um entendimento limpo e transparente sobre o que está por trás desse jogo de poder.

Até então não se ouviu da ministra nada que se configure em projeto nacional. Sua contrapartida às políticas de Gil e Juca está focada, sobretudo na dissolução das ideologias que fortaleciam os movimentos populares protagonizados pela população, os quais o MinC, no governo Lula, irrigou com suas políticas como a principal semente da cultura brasileira. Ana parece querer sustentar a tirania da informação e do dinheiro. Por isso fala em benefício exclusivo dos poucos artistas que ganham com a massa de recursos extraída dos espaços públicos da sociedade brasileira que vai para as multinacionais.

A equação é simples, a indústria fonográfica multinacional quebrou. Sua forma de sustento hoje no Brasil se dá através do controle do Ecad que vem batendo recordes de arrecadação ano após ano, mostrando a perversidade desse mecanismo, ou seja, as multinacionais quanto menos produzem mais arrecadam. E o que é o neoliberalismo global senão esta forma de busca pela exploração dos povos pelos sistemas de super lucro.

A linguagem anti-imperialista surpreende, vindo de onde vem. Os defensores da tese são os sócios locais da indústria cultural internacional, sobretudo do setor fonográfico – empresas nada nacionais como a Warner, a Sony, a EMI e a Universal. Obviamente, a acusação é apenas um jogo retórico, mas como tem encontrado algum eco, não seria despropositado relembrar alguns fatos básicos.

No mercado de música brasileiro, os autores são brasileiros, mas as empresas são estrangeiras. O discurso pseudo-nacionalista só pode funcionar porque o Brasil tem uma situação ímpar: é o único país, fora os Estados Unidos, onde o consumo de música nacional é superior ao de música estrangeira. No entanto, essa música nacional é explorada por empresas majoritariamente estrangeiras: a Warner, a Sony, a EMI e a Universal. O que temos, portanto, é uma associação entre os grandes autores nacionais (os velhos nomes da MPB e os novos nomes do pop e do sertanejo) e as grandes empresas internacionais.

O Brasil é altamente deficitário em direito autoral. Se há ainda alguma dúvida que a exploração do direito autoral é interesse estrangeiro, basta olhar a balança comercial de direito autoral do país com os Estados Unidos. Todos os anos enviamos mais de 2 bilhões de dólares como pagamento de direito autoral (em todos os setores – não apenas música). Os americanos, por sua vez, nos pagam apenas 25 milhões”. (Pablo Ortellado).

Ao contrário da ideia de integridade nacional, esse caldo de cultura do novo MinC com o Ecad nos leva à quebra da cultura nacional. Quando a ministra da cultura defende o Ecad e subordina o MinC a seus interesses, ela tenta desfazer a queda de braço do Estado com as multinacionais que controlam esse órgão privado, condenado em CPI, que vem se especializando em extorquir o cidadão brasileiro em suas atividades comuns nos espaços públicos. É ai neste sistema perverso de exploração que o Ecad vem obtendo cada vez mais arrecadações milionárias.

A tendência que o MinC quer seguir, sob o atual comando, é ser arrastado à subordinação do processo da globalização cultural. É esta a pedagogia do novo MinC e sua secretaria da economia criativa, estimular sem limites uma das faces mais perversas da globalização financeira.

A hegemonia do Ecad é a própria hegemonia das multinacionais que cria um emaranhado de técnicas a partir do qual esse órgão passa a ter poder fiscalizador sobre cada compositor e cada cidadão brasileiro sem que ele próprio, o ECAD seja fiscalizado.

Ana de Hollanda insiste que, em nome de acordos internacionais, o Ecad, controlado por multinacionais, não pode se subordinar às leis brasileiras. E, com isso, uma ministra de Estado estimula, aí sim, a prática institucional da pirataria cultural, transformando em terra de Malboro o ambiente cultural brasileiro, aonde um sistema transnacional comandado no Brasil pelo Ecad põe toda uma sociedade de joelhos.

Carlos Henrique Machado Freitas é bandolinista, compositor e pesquisador



O escândalo das praças em Campos

no blog estou procurando o que fazer

"Há um escândalo, entre tantos outros, que precisa ser apurado, em Campos, urgentemente. E lamentavelmente não caberá a Câmara Municipal, no exercício de seu ofício institucional, dar satisfações à população sobre o que está ocorrendo. Isto porque a bancada do governo, descumprindo o seu dever, derrubou, no voto da maioria, o pedido de informações sobre a situação de obras milionárias paralisadas em várias praças, indefinidamente, nos quatro cantos do Município.

É mais um escândalo acobertado pelo rolo compressor da prefeita, no Legislativo.
Desde que foi afastada por decisão judicial, a prefeita deixou em execução mais de 20 praças. Embora com empreiteiras diferentes, todas adotaram de imediato a mesma estratégia de construção: cercaram os canteiros de obras com tapumes, sob alegação que é uma exigência técnica para garantir maior segurança aos transeuntes, mas que também mantém o serviço escondido do olho crítico da população. O fato é que estas obras, algumas com valores superiores a 800 mil reais, estão abandonadas e em muitas delas, os trabalhadores foram demitidos pelas empresas.

O que se comenta é que o motivo da paralisação é falta de pagamento por parte da prefeitura, mas a prefeita rebate este argumento e culpa o vereador Nahim, que ficou em seu lugar durante sua interdição judicial e ainda acusa empreiteiros de estarem promovendo “operação tartaruga”, tendo, inclusive, ameaçado substituí-los pelos segundo colocados no processo licitatório. Afinal, com quem está a verdade? A população tem o sagrado direito de saber, afinal o dinheiro é público.
Leia o texto na íntegra no Blog da vereadora Ilsan Viana aqui


PS do Blog: quando custa tapa os buracos dacidade de campos dos goytacazes? 3 empresas receberam milhões com essa finalidade, e os buracos continua a atormentar a população por todas as ruas e calçadas


O MINISTRO PADILHA E O PROVINCIANISMO OFICIAL

Fernando Leite no seu Blog

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpre, neste momento, uma agenda institucional, em Campos. Chegou por volta das 10h, no aeroporto Bartolomeu Lyzandro, onde foi recepcionado pelas autoridades do Município e pelo comando da Frente Democrática.

Ainda no aeroporto, o ministro recebeu o primeiro documento da visita: um raio X da Saúde do Município, produzido pela Frente e entregue pela vereadora Odisséia, com indicações de problemas crônicos, entre os quais, a resistência da prefeita em convocar os aprovados do PSF e a controvertida transferência do CAOPE do Ferreira Machado para o PU de Guarús.

Na solenidade palanqueira, em frente ao CRTCA de Guarús, o ministro pode ler faixas e cartazes de manifestantes em defesa da imediata convocação dos aprovados do PSF. O ato foi plenamente entendido por Padilha, mas irritou o líder totalitário do governículo municipal.

À despeito da versão stalinista dos blogs da rede rosa que busca desqualificar o papel de oposição da Frente Democrática, a visita foi marcada também pelo comportamento provinciano das autoridades, que, salvo exceções raras, preferiram atacar adversários, no palanque, diante do Ministro constrangido.

Neste momento, o ministro da Saúde participa de uma reunião no centro administrativo José Alves de Azevedo.

Volto ao assunto mais tarde, com detalhes.


Homicídio de jovens é "epidemia" no Brasil

Espírito Santo se mobiliza para tentar reverter esse cenário, já que o estado perde apenas para Alagoas em mortes de jovens no país. O Brasil é o 6º país em taxas de homicídios nesse segmento da população.

Por Camila Queiroz na Revista Fórum

No próximo dia 26, (hoje) jovens capixabas se reunirão para organizar as ações da Campanha Estadual contra a Violência e o Extermínio de Jovens. O encontro aconteceu às 10h30, na Mitra Arquidiocesana de Vitória, na Cidade Alta. No mesmo dia, a campanha realizou o Seminário de Formação "Políticas Públicas de Juventude e Segurança Pública: desafios e perspectivas”, das 13 às 18 horas, no Auditório do Colégio Agostiniano, Parque Moscoso.

Essas ações visam combater o alto índice de morte entre os jovens no estado, que, de acordo com o Mapa da Violência 2011 – Os jovens do Brasil, elaborado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, tem o segundo maior índice de homicídios entre os jovens no país, com 120 para cada grupo de 100 mil.

No levantamento feito pelo Mapa, o Espírito Santo perde apenas para Alagoas com: 125,3 homicídios em cada 100 mil habitantes. O Mapa caracteriza o número de homicídios de jovens como uma "epidemia”. O Brasil é o 6º país em taxas de homicídios nessa população. Em 1º lugar está El Salvador, com 105,6.

"Os 34,6 milhões de jovens que o IBGE estima que existiam no Brasil em 2008, representavam 18,3% do total da população. Mas os 18.321 homicídios que o DATASUS registra para esse ano duplicam exatamente essa proporção: 36,6%, indicando que a vitimização juvenil alcança proporções muito sérias”, alerta o estudo, que tem como objetivo subsidiar, com informações, políticas públicas de enfrentamento à violência.

É na faixa "jovem”, dos 15 aos 24 anos, que os homicídios atingem taxas mais cruéis: em torno de 63 homicídios por 100 mil jovens. Já entre a população não-jovem, houve uma leve queda nos índices de homicídios: de 21,2 em 100 mil habitantes, no ano de 1998, para 20,5 em 2008. "Isso evidencia, de forma clara, que os avanços da violência homicida no Brasil das últimas décadas tiveram como motor exclusivo e excludente a morte de jovens”, afirma o Mapa.

A situação piora bastante quando o jovem é negro. Enquanto o número de homicídios entre jovens brancos caiu no período de 2002 a 2008, passando de 6.592 para 4.582 (30% de redução), entre os jovens negros a taxa subiu de 11.308 para 12.749, um aumento de 13%.

Para cada branco assassinado em 2008, mais de 2 negros morreram nas mesmas circunstâncias. A "brecha” de mortalidade entre brancos e negros cresceu 43% no pequeno período estudado. "Pelo balanço histórico dos últimos anos, a tendência desses níveis pesados de vitimização é crescer ainda mais”, aponta a pesquisa.

Com relação ao sexo, acima de 90% das mortes são de pessoas do sexo masculino, um nível alarmante que, segundo o estudo, desequilibra a composição da população adulta. Anualmente, o Brasil perde 40 mil homens devido aos homicídios.

As mortes causadas por acidentes de transporte também apresentam maior taxa para os jovens: 26,5% para a população total e 32,4% para a população jovem. Entretanto, segundo o Mapa, este não pode ser considerado um índice de vitimização dos jovens.

O Mapa da Violência 2011 pode ser baixado, em versão integral, no sítio do Ministério da Justiça (http://portal.mj.gov.br/data/Pages/MJEBAC1DBEITEMIDDD6FC83AAA9443839282FD58A5474435PTBRIE.htm)

Publicado por Adital. Foto por http://www.flickr.com/photos/puntonoticias/.



Islândia, um país que pune os banqueiros responsáveis pela crise

A grande maioria da população ocidental sonha desde 2008 em dizer "não" aos bancos, mas ninguém se atreveu a fazê-lo. Ninguém, excepto os islandeses, que levaram a cabo uma revolução pacífica que conseguiu não só para derrubar um governo e elaborar uma nova Constituição, mas também enviar para a cadeia os responsáveis pela derrocada econômica do país. Crise financeira e econômica provocou uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Alejandra Abad - El Confidencial CartaMaior

Na semana passada, nove pessoas foram presas em Londres e em Reykjavik (capital da Islândia) pela sua responsabilidade no colapso financeiro da Islândia em 2008, uma profunda crise que levou a uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Foi a revolução sem armas da Islândia, país que hospeda a democracia mais antiga do mundo (desde 930), e cujos cidadãos conseguiram mudar com base em manifestações e panelas. E porque é que o resto dos países ocidentais nem sequer ouviram falar disto?

A pressão da cidadania islandesa conseguiu não só derrubar um governo, mas também a elaboração de uma nova Constituição (em andamento) e colocar na cadeia os banqueiros responsáveis pela crise no país. Como se costuma dizer, se você pedir educadamente as coisas é muito mais fácil obtê-las.

Este processo revolucionário silencioso tem as suas origens em 2008, quando o governo islandês decidiu nacionalizar os três maiores bancos - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir - cujos clientes eram principalmente britânicos, americanos e norte-americanos.

Depois da entrada do estado no capital a moeda oficial (coroa) caiu e a Bolsa suspendeu a sua atividade após uma queda de 76%. A Islândia foi à falência e para salvar a situação o Fundo Monetário Internacional (FMI) injectou 2.1 bilhões de dólares e os países nórdicos ajudaram com mais de 2.5 bilhões de euros.

As grandes pequenas vitórias das pessoas comuns

Enquanto os bancos e as autoridades locais e estrangeiras procuravam desesperadamente soluções econômicas, o povo islandês tomou as ruas, e com as suas persistentes manifestações diárias em frente ao parlamento em Reykjavik provocou a renúncia do primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde e do governo em bloco.

Os cidadãos exigiram, além disso, a convocação de eleições antecipadas, e conseguiram. Em abril, foi eleito por um governo de coligação formada pela Aliança Social Democrata e Movimento Esquerda Verde, chefiado por uma nova primeira-ministra, Johanna Sigurdardottir.

Ao longo de 2009, a economia islandesa continuou em situação precária (fechou o ano com uma queda de 7% do PIB), mas, apesar disso, o Parlamento propôs pagar a dívida de 3.5 bilhões euros à Grã-Bretanha e Holanda, um montante a ser pago mensalmente pe as famílias islandesa durante 15 anos com juros de 5,5%.

A mudança trouxe a ira de volta dos islandeses, que voltaram para as ruas exigindo que, pelo menos, a decisão fosse submetida a referendo. Outra nova pequena grande vitória dos protestos de rua: em março de 2010 a votação foi realizada e o resultado foi que uma esmagadora de 93% da população se recusou a pagar a dívida, pelo menos nessas condições.

Isso levou os credores a repensar o negócio, oferecendo juros de 3% e pagamento a 37 anos. Mesmo se fosse suficiente, o atual presidente, ao ver que o Parlamento aprovou o acordo por uma margem estreita, decidiu no mês passado não o aprovar e chamar de volta os islandeses para votar num referendo, para que sejam eles a ter a última palavra.

Os banqueiros estão fugindo atemorizados

Voltando à situação tensa de 2010, enquanto os islandeses se recusaram a pagar uma dívida contraída pelos os tubarões financeiros sem os questionar, o governo de coligação lançou uma investigação para resolver juridicamente as responsabilidades legais da fatal crise econômica e já havia detido vários banqueiros e executivos de cúpula intimamente ligados às operações de risco.

Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson. Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o país em massa.

Neste contexto de crise, elegeu-se uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição que reflita as lições aprendidas e para substituir a atual, inspirada na Constituição dinamarquesa.

Para fazer isso, em vez de chamar especialistas e políticos, a Islândia decidiu apelar directamente ao povo, soberano, ao fim e ao cabo, das leis. Mais de 500 islandeses apresentaram-se como candidatos a participar neste exercício de democracia direta de redigir uma Constituição, dos quais foram eleitos 25 cidadãos sem filiação partidária, que incluem advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais.

Entre outros desenvolvimentos, esta Constituição é chamada a proteger, como nenhuma outra, a liberdade de informação e expressão, com a chamada Iniciativa Islandesa Moderna para os Meios de Comunicação, um projeto de lei que visa tornar o país um porto seguro para o jornalismo de investigação e liberdade de informação, onde se protejam as fontes, jornalistas e os provedores de internet que alojem órgãos de informação

Serão as pessoas, por uma vez, para decidirão sobre o futuro do país, enquanto os banqueiros e os políticos assistem (alguns da prisão) à transformação de uma nação, mas do lado de fora.

Tradução para o português: Vermelhos.net

sexta-feira, 25 de março de 2011

A ausência de negros na visita de Obama

Ausência de negros chama a atenção na visita de Obama

da Afropress no VioMundo

S. Paulo – A quase total ausência de negros na agenda da visita do presidente americano Barack Obama, ao Brasil, no último fim de semana, continua repercutindo e causando estranheza. Até mesmo o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares e presidente da Afrobrás, José Vicente – de perfil considerado moderado e conciliador – não se conteve.

Segundo Vicente, a Obama não terá escapado “a ausência de um único oficial brasileiro negro para lhe prestar continência na sua chegada em Brasília e ao Rio”. Embora correspondam a apenas 13% da população americana, a presença negra é expressiva entre militares nos EUA, inclusive nos que servem à Casa Branca.

“Obama certamente observou que também não havia, ao menos meia dúzia de jornalistas negros para entrevistá-lo”, acrescentou, na abertura do ano letivo dos cursos da Faculdade Zumbi dos Palmares, na noite de segunda-feira (21/03) no Memorial da América Latina, lembrando que o Brasil tem a maior população negra do mundo fora da África, com 95 milhões de afro-brasileiros, o equivalente a 51,3% da população.

Não é fácil…

Na mesa da solenidade, que teve como mestre de cerimônias a apresentadora do SBT, Joyce Ribeiro, o governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-secretário de Justiça, Hédio Silva Jr., além de representantes de bancos como o City Bank, o Bradesco, e o HSBC, e empresas como o Carrefour e a Mercedes Benz do Brasil, que tem parcerias com a Palmares.

Ao declarar aberto o ano letivo, Vicente fez um histórico do Dia Interncional de Luta pela Eliminação da discriminação Racial, e lembrou o massacre de Sharpeville, na África do Sul, que motivou a ONU a criar a data em repúdio à violência racista do regime do apartheid.

O reitor da Unipalmares, que esteve no Theatro Municipal do Rio, para ouvir o presidente americano, lembrou que nos EUA, os negros receberam, após a abolição, acres de terra e uma mula, enquanto que no Brasil foram jogados na rua. “Não é fácil ser negro neste país, governador”, disse dirigindo-se a Alckmin e provocando a reação da platéia, que lotou a sala e o aplaudiu de pé.

Ausência

Além de Vicente, lideranças negras, que preferem manter seus nomes em sigilo, consideram que a visita de Obama ao Brasil – que o país, com maior população negra fora da África – acabou por evidenciar a força do mito da democracia racial, que para muitos havia se enfraquecido com o avanço da luta por igualdade no país.

Segundo essas lideranças, se não tivesse sido informado por sua assessoria sobre a realidade dos negros brasileiros, o presidente americano teria saído com a impressão do seu antecessor, George Bush.

Segundo a revista alemã, Der Spiegel”, Bush não sabia que havia negros no Brasil e, numa conversa com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, ocorrida em novembro de 2001, em Washington, teria perguntado ao colega brasileiro. “Vocês também possuem negros?”

Na ocasião, a então assessora para assuntos de segurança nacional de Bush, Condoleeza Rice e FHC teriam saído em seu socorro: “Senhor presidente, o Brasil provavelmente possui mais negros do que os EUA. Dizem que é o país com maior número de negros fora da África”, teria dito FHC.

Globais e celebridades

Mesmo no Theatro Municipal do Rio, onde foram reservados convites para 2 mil convidados, além de algumas celebridades como Gilberto Gil, Emanoel Araújo, e o ator global Lázaro Ramos e personalidades do mundo acadêmico, contava-se nos dedos, o número de negros que estiveram presentes nas atividades da agenda do presidente americano.

Essas mesmas lideranças também manifestam estranheza pela total ausência da ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, que em nenhum momento foi notada na agenda de Obama. A questão racial acabou sendo lembrada apenas no evento do Itamaraty, quando a presidente Dilma Rousseff propôs um brinde ao “sonho de Martin Luther King”.

A ministra da Igualdade Racial tampouco apareceu em uma foto sequer ao lado do presidente norte-americano, em contraposição às cenas de tietagem explícita do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e do governador Sérgio Cabral, ambos visivelmente deslumbrados com o visitante.

Paes constrangeu o presidente americano a tirar uma foto com um filho de seis anos, quando Obama desembarcava do Air Force One e se dirigia ao hall da Base Aérea do Galeão, no sábado.
Na despedida, na segunda-feira, também no Galeão, a mulher de Cabral pediu ao presidente americano para posar para fotos, quando Obama – junto com a mulher Michelle, as duas filhas, a sogra – já se dirigia à escada do avião para embarcar rumo ao Chile.



Sucessão na FAO: credenciais

O geógrafo Josué de Castro ensinou-nos que “a fome e a guerra são criações genuinamente humanas”; não o fruto amargo da fatalidade ou da escassez. Podem e devem ser equacionadas pela mobilização de vontades e de recursos. Essa é a convicção brasileira ao postular a direção da FAO e temos a convicção que as credenciais acadêmica, administrativa e política de José Graziano da Silva dentro - desenhando e implementando o Fome Zero – e fora do Brasil – dirigindo Escritório Regional da FAO para America Latina e Caribe durante os últimos cinco anos – fazem dele o melhor nome para liderar a organização nos próximo anos.


Walter Belik (*) no sitio CartaMaior

Em 2011, os 191 países membros da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mais importante órgão multilateral voltado para a segurança alimentar, elegerão seu próximo diretor-geral. Com o apoio dos países sul-americanos e de língua portuguesa, o Brasil lançou José Graziano da Silva ao cargo, refletindo o compromisso do país com o desenvolvimento e a inclusão social e a participação do candidato nessa história.

A receita que deu certo no Brasil combina o socorro à exclusão social com a construção de linhas de passagem para superar a lógica que a reproduz. Dois exemplos dessa via de mão dupla. O Bolsa Família fixou um piso mínimo para a sobrevivência de um conjunto de domicílios que já chega a 12,7 milhões. Ao mesmo tempo, a partir de 2003, sem prejuízo ao agronegócio, o Brasil aumentou em seis vezes o volume de crédito à agricultura familiar; multiplicou por dez o investimento em assistência técnica ao setor; tornou obrigatória a aquisição de pelo menos 30% da merenda escolar junto à pequena agricultura local – o que adicionou uma receita anual de R$ 1 bilhão aos produtores familiares.

Se isoladamente essas ações promovem mudanças positivas na vida de milhões de pessoas, implantadas em conjunto materializam uma dinâmica capaz de desenhar um processo de desenvolvimento que reconcilia o imperativo social e o produtivo.

O Brasil aprendeu essa lição, em parte graças ao apoio da FAO que contribuiu na implantação do Fome Zero. E pretende agora retribuir e compartilhar essa experiência inovadora, bem como a de outros países em desenvolvimento que, com propostas semelhantes, também conseguiram avançar em direção a um desenvolvimento inclusivo.

Alguns líderes de países pequenos ou com escassos recursos naturais podem achar que é impossível replicar o êxito brasileiro. Certamente, as medidas que deram certo no Brasil precisam ser adaptadas a situações específicas, no entanto duas lições básicas persistem independentemente da escala: a certeza que assegurar que todos se alimentem adequadamente não é assistencialismo, mas um investimento em capital humano que gera importantes benefícios; muitas técnicas usadas para uma produção agrícola mais sustentável também diminuem o custo da produção.

Essa é a convicção que move o Brasil e dezenas de outros governos. Na América Latina e Caribe, 10 países já consagraram em lei o compromisso com a segurança alimentar. Compromisso esse que necessita ser concretizado dada a urgência colocada pelo quadro internacional de alta dos preços agrícolas. Na África, 18 nações começam a desfrutar dos conhecimentos de ponta em agricultura tropical acumulados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), adaptando-as às condições locais.

A crise internacional e uma das formas nas quais se manifesta que é a alta dos preços internacionais tem um impacto direto na situação social de todos os países, colocando os mais pobres em situação dramática. A FAO tem um importante papel a cumprir, ajudando a alcançar um consenso sobre como tornar o sistema de comércio internacional de alimentos mais justo, além de fomentar políticas que possam garantir o direito à alimentação para todos.

O grande obstáculo é a fragilidade do arcabouço institucional que deve coordenar essa caminhada. O geógrafo brasileiro Josué de Castro ensinou-nos que “a fome e a guerra são criações genuinamente humanas”; não o fruto amargo da fatalidade ou da escassez, mas da história. Podem e devem ser equacionadas pela mobilização de vontades e de recursos. Essa é a convicção brasileira ao postular a direção geral da FAO e temos a convicção que as credenciais acadêmica, administrativa e política de Graziano da Silva dentro - desenhando e implementando o Fome Zero – e fora do Brasil – dirigindo Escritório Regional da FAO para America Latina e Caribe durante os últimos cinco anos – fazem dele o melhor nome para liderar a organização nos próximo anos.

(*) Professor do Instituto de Economia e Coordenador do NEPA – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da Unicamp.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Marina Silva e a devastação verde


Por Altamiro Borges no Blog do Miro

Considerada um “fenômeno eleitoral” em 2010, quando obteve quase 20 milhões de votos e ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, Marina da Silva agora vive os seus dias de agonia. No final de 2009, ela e o seu grupo político abandonaram o PT e ingressaram no PV – um partido gelatinoso, que fala em “renovação política”, mas que em vários estados participa de governos da velharia demotucana. A união, porém, parece estar por um fio. A devastação verde é visível.

Em entrevista concedida hoje ao Estadão, Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio de Janeiro e aliado de Marina, confirma que o clima interno é de “quase ódio” em relação à ex-senadora e que pode culminar com a criação de um novo partido. Para ele, que é veterano no PV, a legenda é controlada com mão de ferro pelo atual presidente, José Luiz Penna, no cargo há 12 anos. “O poder é exercido por um grupo quase secreto em torno do presidente. A executiva ficou quase cinco meses sem se reunir”.

“Quase ódio em relação a gente”

Segundo informa, seu grupo político não conseguiu romper o “fog burocrático” e está isolado. Há vetos a novos ingressos e nem a filha de Marina Silva teria conseguido se filiar à legenda. “As decisões são tomadas de forma totalmente solitária por presidentes estaduais que fazem parte executiva nacional. Há certa clientela que se cria como base de sustentação do atual presidente... Há um clima de intimidação, gente que tem medo de se posicionar porque acha que pode sofrer represálias. Vejo um clima que eu nunca imaginei no PV, quase de ódio em relação a gente. Uma coisa muito radicalizada”.

Diante desse quadro adverso, Sirkis não descarta a possibilidade da divisão do PV e da criação de um novo partido, liderado pela ex-senadora. Marina Silva, por enquanto, evita tratar do assunto. Aposta no seu cacife eleitoral e no “diálogo”. Mas parece que o cerco está se fechando. A disputa fratricida no PV começou logo após a eleição, mas sem os holofotes da mídia – ainda encantada com o papel desempenhado por Marina Silva. Na reunião da executiva nacional, na semana passada, a coisa degringolou de vez.

“A era dos fenômenos acabou”

Com base num acordo prévio, o grupo da ex-senadora reivindicou a renovação da direção partidária. Mas a executiva partidária rejeitou o apelo e ainda adiou a convenção nacional, de meados deste ano para 2012. O deputado Zequinha Sarney (MA) foi o autor da proposta de prorrogação por mais um ano do mandato da atual direção, aprovada por 29 votos a 16. Essa decisão, caso não seja alterada, fecha os espaços para os verdes que recém-ingressaram no PV e também para alguns velhos filiados.

Diante desta “rasteira”, o grupo tenta juntar os cacos para definir o seu futuro. Mas a situação é difícil. Na reunião da executiva, Marina Silva ainda teve que ouvir de um dos aliados de Penna a comparação com o ex-jogador Ronaldo: “A era dos fenômenos acabou”. Segundo Celso Marcondes, da CartaCapital, “as malas de Marina e Sirkis começaram a ser arrumadas. Junto com eles devem partir Guilherme Leal, Fernando Gabeira, Ricardo Young, Sérgio Xavier, João Paulo Capobianco, Luciano Zica, entre outros”.

“Conluio com Kassab”

Em seu blog, Alfredo Sirkis fala do “pesadelo verde” e dá detalhes deprimentes sobre a disputa interna. Ele garante que “Marina ficou perplexa, ainda que não propriamente surpresa. A animosidade da burocracia no partido contra ela era algo que ela vinha reparando há tempos... Digamos que, na melhor das hipóteses, criaram por ela uma relação amor-ódio. Amor pelo que de prestígio indireto pode lhes aportar. Ódio quando sua visão de transição democrática é vista como ameaça a seus poderzinhos”.

Sirkis denuncia que “a disposição de Penna e Sarney de romper com o setor mais histórico e ideológico dos verdes e de afastar Marina – a não ser que sirvamos simplesmente de “chantili”, como ela define –, mediante sucessivas rasteiras e levar o partido para o governo em conluio com o novo partido de Kassab com o qual eles têm tido muitas reuniões. O sentido mais estratégico de tudo isso é anular os verdes como terceira força, desconstruir 20 milhões de votos e debandar 20% do eleitorado”.




Entrevista exclusiva com Renato Gusmão - poeta Paraense.

por Jiddu Saldanha no blog curtabrisa

Convidamos o poeta, compositor e produtor cultural Renato Gusmão para ceder uma de suas composições para o Cineclipe oficial do filme "BRISA" e ele prontamente aceitou, o que nos deu grande alegria.

Acompanhe a entrevista abaixo e conheça um dos grandes agitadores da vida cultural de Belém do Pará.

"eu sou do tempo eu sou o próprio tempo
eu sou de um tempo que já passou
e que sempre passará
sou de um tempo simples
complexo sem nexo e fugaz
mesmo assim ainda queres andar comigo?
um narciso só
solto na terra
espelho da própria ousadia


(Renato Gusmão)"


Cinema Possível – Como anda o panorama da poesia em Belém do Pará?

Renato Gusmão – Vejo o panorama da poesia aqui em Belém com diversas cenas – Há a cena acadêmica, em que esses escritores quase não se reúnem para divulgar suas produções, agem de formas isoladas, não saem para uma ação mais abrangente ou coletiva, visto que, assim, teriam mais facilidade pelos nomes que ostentam, por outro lado a mídia, também se interessa mais por “notório saber” e isso exclui os artistas autodidatas.

Porém, temos a cena alternativa, aquela que leva estímulos à leitura em bairros, comunidades, regiões ribeirinhas, escolas públicas em geral, onde se engajam os elementos que formam grupos e idealizam movimentos, exemplo disso o Instituto Cultural Extremo Norte que promove e mantém a mais de seis anos, saraus lítero musicais todas as quartas-feiras, initerruptamente e isso é bacana.

CP – O que te motivou a escrever? Quais as grandes causas que rondam pelo universo da tua poesia?

RG – Bem, seria uma longa resposta, mas, vou sintetizar: Começou com o um professor do período de colégio, o mestre Manoel de Paula, que me estimulou o bastante para que eu me inclinasse de vez para a escrita. Portanto, aprendi que os grandes escritores brasileiros e mundiais facilitariam e muito nessa incursão, daí, esse arvorar intenso pela vontade de compor.
Ainda há os importantes contatos com excelentes escritores da minha região e por esse Brasil afora. Minhas participações em congressos e outros encontros são fundamentais para essa base. Acredito no sonho e no ideal de que ainda levando a leitura para todos onde possamos alcançar, daremos nossa grande parcela de contribuição para formação de leitores.

CP – Você tem parcerias com músicos paraenses, como é isso? Você escreve o poema que é musicado depois ou existe um processo de criação especialmente voltado para a composição musical.

RG – Tenho sim e são tantos, não só de paraenses mas parceiros de várias outras regiões desse país, afinal, o que compomos carrega o título e merecidamente de MPB. Comecei minha carreira escrevendo letras para serem musicadas e dei muita sorte, pois, meus parceiros todos são de excelentes qualidades musicais. Quanto à forma de escrever, não há certa prioridade no que se refere a ordem da composição, o que vier primeiro é o que rola e de boa música. Diga-se.


TEU OLHAR


Teu olhar cigano
Negro mundano
Maduro
Clareia os amores
Castos
Inseguros

Teu olhar acalma
Atravessa muros
Chão mais duro
Trilha d’alma
Alumia os desejos
Em teu olhar eu vejo
Mares e peraus
Imagino o Tejo
E naus de outras águas
Dentro dos meus rios

Teu olhar noite de lua
Divide os mares
O céu e a terras
Todos os lugares

Fruto no galho
Inveja para outros olhos

Teu olhar
Enxerga o mundo
De ponta cabeça
Pela treliça do sol

Reparte a vida
No jogo do sim e do não
Atravessa muros
Chão mais duro
Nas trilhas
Do meu coração

(Renato Gusmão)

CP - No cenário cultural nacional, como você vê a relação do Pará com o Brasil como um todo? O que você acha que poderia melhorar?

RG – Vejo que temos aqui muitos talentos, na literatura, cinema, música, teatro, dança, arte plástica, etc... E muitos ganhando espaços em nível nacional, há uma série de bons criadores no Pará. Existe também, uma grande troca de experiências entre esses artistas, a fim de melhorar o cenário cultural brasileiro. Agora, sofremos de um enorme preconceito por sermos do norte, que é uma bobagem de pseudos intelectuais espalhados por aí. Então, está dito, o que precisa melhorar é essa postura desses que espalham essa ante cultura brasileira da exclusão. Que frescura é essa de achar que aqui andamos em meio as onças e jacarés.

Visitamos, sim, o habitat de cada elemento da Amazônia, pois temos uma riqueza infinda que deve ser explorada artisticamente na amostragem de todos as vertentes, em cada pintura, em cada dança, em cada música, em cada poema... O Pará e a Amazônia no todo se descobrem toda hora, e abrem as portas para o mundo vir penetrar nesse universo místico de lendas e realidades e de nossos povos.

CP – A pergunta que não quer calar. A Amazônia? Como pulsa o coração de um poeta diante da realidade que se apresenta atualmente?

RG – Jiddu, sobre nossa região posso te dizer que o que mata não é a mata e sim a insensibilidade política brasileira e em potencial dos políticos amazônidas. Eles matam, queimam, vendem e locupletam-se. Quanto ao sentimento desse poeta, digo que, emociona
demasiadamente o fato desse caboclo aqui ter ganhado o presente divino de ser amazônida, e de saber que tem dentro desse mundo de águas e verdes matas, tantos outros artistas com esse mesmo pensar e que vivemos na tentativa de salvar tudo isso, através de nossas obras, são homens bons que nomear a todos não haverá espaço, mas posso enfatizar com orgulho alguns deles: Walter Freitas, Nilson Chaves, Joãozinho Gomes, Alcyr Guimarães, Eliana Barriga, Rita Melém, Roseli Sousa, Walcyr Monteiro, Antônio Juraci, Rui do Carmo, João de Jesus, Eliakin Rufino, Herbert Emanuel, Zé Miguel, Jorge Eiró, Klinger Carvalho, Acácio Sobral, Edir Proença, Jocasto, Jorane Castro, Salomão Laredo, Jaime Amaral...


NOTURNO


poeta vagando
noite dentro da escuridão
alma de luz no peito
sonhos de imensidão

(Renato Gusmão)


CP – Fale um pouco da sua experiência com o Congresso Brasileiro de Poesia.

RG – Mano, te digo com fervor, essas minhas participações no congresso Brasileiro de Poesia na cidade de Bento Gonçalves – RS, são responsáveis pela abrangência de meu trabalho, pois lá, conheci artistas maravilhosos e ganhei uma grande experiência no que se refere subir ao palco. Levo para Bento, recitais que divido com May Pasquetti, Cláudia Gonçalves, Alex Barros, e vejo junto a Rodrigo Mebs, Marisa Vieira, Artur Gomes, Tchello de Barros, Dalmo Saraiva, Andrea Motta, Maria Clara Sigóbia, o pessoal do Poesia Simplesmente, Ricardo Reis, Isolda Marinho, Jiddu Saldanha, que é o meu mestre no hai cai (risos) em todos, um grande e verdadeiro sentimento fraterno, zelo grandioso com a poesia, com a leitura, uma vigília incessante para com a arte poética desse país. Com certeza um dos passos largos da minha carreira foi ir para o sul participar disso tudo. São tantos os projetos nesse Congresso que só tenho que desejar vida longa ao seu idealizador Antônio Ademir Bacca e que assim, todos os anos, voltemos a Bento.

CP – Quem é Renato Gusmão por Renato Gusmão?

RG – É isso aí, Jiddu, eu sou eu com a minha arte. Minha arte é amar o bem feito e o que demais perfeito há nessa vida que somos nós os humano, então, decreto a mim, incondicionalmente: Amar acima de tudo! Tento passar para as pessoas o que de verdadeiro há em mim. Sou amante da vida... Quero a vida por inteiro dentro da minha arte. Incomoda-me muito a ante cultura, o lixo, o engodo cultural enfiado goela abaixo de cada brasileiro. A máquina mercadológica imperial que engana as crianças, os jovens e o velhos com essa mídia voraz desfazendo tudo o que já foi feito em prol da inteligência de nosso povo em algumas décadas atrás.

Vibro para que os meus amigos que se comprometem em levar beleza e sonhos para o mundo sejam radicais no que está proposto em suas condutas, isto é, não abrir mão de seus ideais.
Então, Viva a arte de boa qualidade!

Para navegar no blog de Renato Gusmão clique aqui

Os buracos milionários em Campos dos Goytacazes

Do Blog do Herval Junior

Alertado pela leitora Josete , um novo vídeo postado no YouTube demonstra a insatisfação do povo campista não só pelos buracos , buraquinhos ou buracões que insistem em ilustrar nossas vias , mas pelo alto custo da manutenção dos mesmos . Sim, pela manutenção , já que esses buracos não são fechados ou voltam a aparecer depois das obras .

Do YouTube



Meu Pai do Céu! Onde é que estamos? Os blogs de Campos dos Goytacazes (RJ) repercutem hoje (22/3/2011) uma informação que é de deixar todos com a boca escancarada esperando a morte chegar. Os buracos em Campos, que são tapados em um etapa e logo depois voltam a ressurgir como crateras - valem ouro. Isso mesmo. Campos não é só a terra do petróleo, meus senhores e minhas senhoras. Os buracos por lá também valem ouro.

No ano passado a prefeita Rosinha Garotinho, ex-governadora do Estado do Rio e esposa do deputado federal Anthony Garotinho (PR), pagou R$ 40.672.650,39 (quarenta milhões, 672 mil, 650 reais e 39 centavos) pela chamada Operação Tapa Buracos. E a cidade continua toda esburacada, a ponto de a população ir às ruas sacanear a situação, pintando os buracos de rosinha.

As três firmas sortudas para realizar a Operação Tapa Buracos foram a Imbeg (13 milhões 516 mil 647 reais e 32 centavos), a Construtora Avenida (13 milhões 511 mil 590 reais e 8 centavos) e a Construsan (13 milhões 644 mil 412 reais e 99 centavos).

Está à toa na vida? Não espere a banda passar. Muna-se de uma pá e um saco de cimento e vá tapar buracos em Campos dos Goytacazes. Sua vida financeira vai melhorar rapidinho, rapidinho.



General argentino é condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade

Ex-chefe do Terceiro Corpo do exército argentino, Luciano Benjamín Menéndez foi condenado à pena de prisão perpétua pela prática de crimes contra a humanidade durante a última ditadura militar na Argentina. O tribunal considerou-o responsável por “homicídios duplamente agravados e violação de domicílio”. Esta é a sexta condenação à prisão perpétua que Menéndez recebe. Desta vez, ele foi julgado pelo assassinato de María Alejandra Niklison e outros quatro militantes montoneros. Ele deverá cumprir sua pena em prisão comum.

Marco Aurélio Weissheimer no sitio CartaMaior

O Tribunal Oral Federal da província de Tucumán condenou hoje o ex-chefe do Terceiro Corpo do exército argentino Luciano Benjamín Menéndez à pena de prisão perpétua pela prática de crimes contra a humanidade durante a última ditadura militar. O tribunal considerou-o responsável por “homicídios duplamente agravados e violação de domicílio”. Esta é a sexta condenação à prisão perpétua que Menéndez recebe. Ele deverá cumprir sua pena em prisão comum.

Desta vez, ele foi julgado pelo assassinato de María Alejandra Niklison e outros quatro militantes montoneros. A mesma pena foi aplicada ao ex-policial Roberto Heriberto Albornoz. Niklison foi assassinada no dia 20 de maio de 1976 na capital de Tucumán. Ela e seus quatro companheiros foram fuzilados pelos acusados.

A advogada de acusação, filha da militante montonera assassinada, pediu a condenação à prisão perpétua e o envio de Menéndez para uma cela comum. Além disso, pediu a suspensão da aposentadoria e da pensão do militar acusado de assassinatos e torturas. O representante do Ministério Público Fiscal, Leopoldo Peralta Palma, solicitou para Menéndez, além da prisão perpétua, a perda definitiva de sua patente militar, a baixa das Forças Armadas e que ele seja declarado “infame traidor da Pátria”.

A primeira pena perpétua aplicada a Menéndez foi em 24 de julho de 2008; a segunda, em 28 de agosto de 2008; a terceira em dezembro de 2009 e as posteriores em julho e dezembro de 2010. Em 1988, ele foi acusado de ter cometido 47 assassinatos, 76 casos de torturas e de ter se apropriado de quatro menores.

Os crimes em julgamento nesta quarta-feira sofreram um processo de reconstituição. Segundo se reconstruiu em juízo, forças conjuntas do Exército e da Polícia Provincial lançaram explosivos e tomaram de assalto a casa onde estavam os cinco militantes montoneros, que foram pegos de surpresa. Os militares e os policiais simularam então um enfrentamento e fuzilaram todos os moradores da casa. Um dos ocupantes conseguiu sair da casa, mas foi assassinado pelos agressores perto de uma igreja localizada próximo à residência. Os corpos das vítimas foram levados à Chefatura da Polícia de Tucuman. Dali, quatro deles foram enterrados em fossas comuns em um cemitério da cidade.

(*) Com informações de agências argentinas
Fotos: Na foto, Luciano Menéndez é o terceiro da esquerda para a direita.

terça-feira, 22 de março de 2011

AS EDITORAS NÃO QUEREM PUBLICAR AUTORES INDEPENDENTES



“O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica.”

Por Elenilson Nascimento no blog Literatura Clandestina

Uma matéria assinada pelo jornalista Durval Feitosa, sobre a importância do livro e a difícil relação das editoras com “novos autores”, publicada no “Caderno 2”, do jornal “Estado de Minas”, neste último sábado, 19/03, que também usou na ilustração a capa do meu livro de crônicas “Olhos Vermelhos” (2006), descreveu a via crusis de vários autores brasileiros “sem mídia”, no qual fui elegantemente citado. A reportagem citou também a discussão referente à “aventura cultural da mestiçagem na literatura”, que confirma o discurso do secretário Auto Filho e o descaso do Ministério da Cultura.

Na matéria, aproveitei para colocar em público, mais uma vez, o preconceito existente contra os autores independentes: “Boa parte da imprensa e das editoras não estão empenhados em, de alguma forma, por exemplo, fazer uma ‘bienal de livros com autores desconhecidos’ para mostrar que no Brasil existe muito mais do que a lista de autores que as revistas semanais mostram. Não se trata evidentemente disso. Nós não podemos, em circunstância alguma, ser penalizados pelo fato de sermos autores ainda desconhecidos do grande público, cada vez mais conduzidos a consumir literatura da moda. Somos também excelências com os nossos textos, mas infelizmente, totalmente rechaçados em detrimento de autores da moda, assuntos comum de todos e vampiros e lobos bonzinhos”.

Contudo, segundo um dos “empresários” do ramo, que nem vale à pena citar o nome aqui, de uma das maiores editoras do país, não existe boicote nenhum “contra os autores independentes em relação aos grandes nomes de mercado”: “Quando calhou desses nomes atenderem a isso (o projeto da Bienal), eles foram convidados. Por exemplo, se pensarmos na representação de Angola, vamos ter um nome bem conhecido - que é o Agualusa, que é dono de uma editora (a Língua Geral). Ele não está aqui por ser um nome conhecido, mas pelo que desempenha dentro deste processo conceitual”, disse o mercenário, digo, empresário das letras.

Mas poder-se-ia pensar, ainda, em outra dificuldade: o que tais autores independentes, como seus livros de tiragem pequena, podem oferecer ao grande público? Boa parte deles é ainda inédita no Brasil e carece de distribuição, mas eu mesmo, apesar de já ter alguns livros editados, não consigo expor meu trabalho numa grande livraria. E se formos continuar mantendo este raciocínio, muitos autores independentes bons, como Elenilson Nascimento, Albarus Andreos, Giovani Iemini, Ana Lúcia Merege, Flávio O. Ferreira, M. M. Soriano, Artur Gomes, Jéssica Balbino, Alexandre de Castro Gomes, Daniel Matos, Andréa C Migliacci, Marcelo Nocelli, Eliane Silvestre e muitos outros, jamais seriam publicados em lugar algum.

Estamos conscientes do risco, mas procuramos minimizá-lo publicando em blogs, em pequenas tiragens e divulgando por conta própria pela internet e em feiras de literatura.

As editoras, antes de somente divulgar o mais do mesmo, deveriam revelar as diversas culturas dentro dos vários Brasis, reconhecendo os seus hábitos, costumes e a sua própria cultura e comprometer-se com a democratização e mobilização do acesso universal ao livro, à leitura e à produção literária. Mas, não é isso o que acontece. Cadê vez mais somos bombardeados com livros de autores da escola BBB e cia. E numa entrevista recente a um jornal cearense, um curador de uma dessas bienais da vida declarou ter escolhido os autores - brasileiros e estrangeiros - para o encontro no ano passado, levando em conta a "qualidade da obra" e a "diversidade estética e geracional". Mas quais foram os escolhidos? Resposta: Fiuk, Bruna Surfistinha, Ana Maria Braga e etc. E a estranheza que se possa ter em relação à maior parte dos nomes não é demérito da parte deles e sim reflexo de nosso descompasso cultural.

O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica. Porque não investir em novos autores? Porque é muito difícil fazer com que o leitor abra a cabeça para outras letras e esse é o tipo de argumento equivalente ao cachorro que corre atrás do próprio rabo e não sai do lugar. Portanto, desacomodem-se, descruzem os braço, gritem e erguei-vos todos os bons autores!

Até o bruxo-mago-autor-imortal Paulo Coelho mandou um sinal de fumaça nos dando uma força. Mas porque as editoras não querem publicar autores (ainda) fora da mídia?

imagens: reprodução

segunda-feira, 21 de março de 2011

A guerra que começou dentro do Planalto


Casa Branca nega mal-estar entre Dilma e Obama por ataque à Líbia

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS, na Folha.com via VioMundo

A Casa Branca afirmou neste domingo que não a presidente Dilma Rousseff não expressou mal-estar sobre as operações militares na Líbia durante seu encontro com o colega americano, Barack Obama.

Obama deu o seu aval à ofensiva militar durante um encontro privado com Dilma Rousseff, na manhã de sábado, no Palácio do Planalto. O Brasil foi um dos cinco países que se absteve do voto da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que permitiu o uso de “todas as medidas necessárias” para conter a violência na Líbia e impor uma zona de restrição aérea.

O Brasil alegou preferir uma solução negociada e pacífica e disse temer que os ataques à Líbia tenham o inesperado resultado de aumentar os confrontos em terra.

No entanto, no momento em que uma coalizão que inclui os Estados Unidos começou a atacar a infraestrutura do regime líbio, “não houve expressão de mal-estar por parte da senhora Rousseff”, segundo Daniel Restrepo, conselheiro de Obama para as Américas.

Restrepo disse ainda que Obama e Dilma chegaram a discutir a questão líbia.

“Nenhuma inquietação foi expressa por parte de ninguém em relação às diferenças que manifestaram durante a votação no Conselho de Segurança”, insistiu o conselheiro.

Segundo a Folha apurou, enquanto os dois presidentes conversavam, um assessor americano entrou na sala com um bilhete. Obama leu e disse que as “providências” teriam de ser tomadas.

Em seguida, explicou a Dilma que o assunto se referia à Líbia e que ele estava dando o apoio para que as forças aliadas abrissem fogo contra as tropas comandadas pelo ditador Muammar Gaddafi.

No Rio de Janeiro, onde chegou na noite de sábado, Obama participou de uma conferência telefônica por linha segura com seu conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon; a secretária de Estado, Hillary Clinton; o secretário de Defesa, Robert Gates, e o chefe do comando americano para a África, general Carter Ham, entre outros.

Na conversa, Obama recebeu uma atualização sobre o desenvolvimento das operações na Líbia por parte de Ham, que coordenou a primeira fase do ataque.

O presidente também abordou “as consultas militares e diplomáticas que ocorrem sobre a situação na Líbia” e agradeceu às forças americanas que participam da operação Aurora da Odisseia.

Obama anunciou no sábado o começo da operação aliada para atacar as defesas antiaéreas líbias e permitir o estabelecimento de uma zona de restrição aérea sobre o país norte-africano.

“Não é algo que os Estados Unidos ou nossos aliados tenhamos buscado”, mas o comportamento de Gaddafi, que continua seus ataques contra a cidade rebelde de Benghazi, não deixou outra opção, afirmou.



Do lado de fora do Theatro Municipal, protestos dão o tom

Apesar de pouca adesão, manifestações contra a presença de Barack Obama fazem barulho na Cinelândia

Por: Thalita Pires, especial para a Rede Brasil Atual

Manifestantes durante protesto diante do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no momento em que o presidente dos EUA, Barack Obama, discursava para convidados. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Rio de Janeiro - Quando a Obama a folia estava sendo preparada, veio o balde d'água: o presidente dos Estados Unidos não faria mais um pronunciamento aberto à população no Centro do Rio. O movimento, que ganhou força no Facebook, ainda tentou manter a programação, mas a folia passou longe da Cinelândia nesse domingo (20). Em seu lugar, centenas de manifestantes mostravam seu descontentamento com a presença de Obama no Brasil.

Entidades como Fórum Internacional dos Sem-Teto, Morena, Coletivo Lênin, União da Juventude Rebelião, entre muitos outros, entoaram durante todo o discurso de Obama gritos de ordem em protesto ao ataque à Líbia, à atuação do Brasil no Haiti e ao bloqueio econômico a Cuba. As principais causas dos protesto, no entanto, eram a defesa do petróleo da camada do pré-sal e a libertação dos militantes do PSOL presos na sexta-feira (18) em um protesto na frente do Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro.

Treze pessoas foram presas depois de um coquetel Molotov ser jogado na direção do Consulado. Os acusados foram acusados de lesão corporal e formação de quadrilha, e não têm direito à fiança. “Eles já foram transferidos para presídios, embora ninguém tenha prova alguma que ligue essas pessoas ao coquetel molotov que foi arremessado”, diz Humberto Rodrigues, da Liga Comunista. “Parece que uma das presas é uma senhora que estava passando no local e nem estava protestando. Isso é totalmente autoritário”, afirma.

O suposto interesse dos Estados Unidos nas reservas de petróleo brasileiras também teve destaque. A maior parte das faixas carregadas pelos manifestantes questionava a atuação do governo brasileiro nos leilões do pré-sal. “Supõe-se que haja uma negociação entre Brasil e EUA para a exploração do pré-sal, mas o recurso é nosso e não pode ser vendido", afirma Samuel José Franco, dirigente do Movimento Nativista. André de Paula, do Fórum Internacional dos Sem-Teto, foi mais duro. "Obama veio roubar nosso petróleo, por isso estamos aqui protestando", disse.

Houve espaço também para a defesa de uma causa ligada aos policiais. Diversos manifestantes pediam a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que equipara a remuneração dos policiais militares em todo o país. "A situação dos policiais é muito grave. O salário inicial no Rio é de R$1.100 apenas. Estamos à beira de um apagão na segurança pública", defende Nilo Guerreiro, representante dos PMs no Rio. "Um país que vai ter Copa e Olimpíada não pode tratar seus policiais assim".

Apoio de longe

Nem só de protestos, no entanto, vive a Cinelândia. Rosa de Lima viajou mais de 50 horas entre Sobral, Ceará e o Rio de Janeiro para realizar o sonho de ver Obama. "Sou fã dele, ninguém é mais fã que eu", diz. "Torci muito para ele ganhar a eleição e agora que ver o Obama de perto", disse. A mineira Maria Carmem Silva, de 70 anos, que também viajou só para ver o discurso, celebrava a visita do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. "O país deles tem tanto problema com racismo que a vitória do Obama significa muito", acredita. Ela quer que o presidente americano ajude o Brasil a conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU. "A presidenta Dilma é um exemplo de pessoa que sofreu tortura e lutou pelos direitos humanos, por isso o Brasil tem que lutar por essa causa no mundo", diz.

Para Maria Leda Costa, moradora do Rio, Obama representa os ideais de humanidade em que ela acredita. "Brancos e negros têm que estar em união", afirmava ela, segurando um cartaz com a foto de Martin Luther King.

sábado, 19 de março de 2011

DEFLAGRADA CAMPANHA DO BURACO ROSA










Acabo de receber a informação de Jane Nunes que já apareceram os primeiros buracos pintados de rosa. As coordenadas são rua do Gás, próximo da esquina com a Saldanha Marinho.

Ô povo apressado, sô!



O BURACO É DA PREFEITURA, O BOM HUMOR É NOSSO

A campanha do buraco rosa que brotou, espontâneamente, da comunidade e não tem qualquer tutela partidária, ao que parece, despertou a fúria da Corte chinfrim. É um grupo político desprovido de senso crítico e, o que é pior, de bom humor. Ao invés de aproveitar a crítica pacífica e irreverente da sociedade e respondê-la com civilidade, prefere a ofensa gratuita.

Depois de postar fotos, relativamente, tímidas de buracos pintados no centro da cidade, minha correspondência registrou alguns e-mails “extra-oficiais” raivosos, ameaçadores, ridículos. Até o ato da leitura tem que ser à distância, o texto ferve. A tinta é bile.

É a vassalagem, ávida para mostrar serviço, que partiu para o ataque. Pois, que venha. Os que merecerem resposta, terão. Os que preferem golpear, escondidos em seus anonimatos, serão, olimpicamente, ignorados.

Ah, só mais uma coisa: não adianta espernear, os buracos, todos, são vossos!

do Blog do Fernando Leite



Filho do Noblat também usou a Lei Rouanet

matéria de José Augusto, publicada no blog "Os amigos do presidente Lula": via Blog do Miro

A cantora Maria Bethânia teve um projeto cultural aprovado pela Lei Rouanet, no Ministério da Cultura, que a autoriza a captar R$ 1,3 milhão em deduções do imposto de renda das empresas para produzir 365 vídeos declamando poesias, e veicular na internet em um blog.

A Lei Rouanet precisa mudar e sua aplicação também em alguns casos. A política cultural de fomento, como regra, deveria privilegiar muitos projetos culturais baratos, ou que empregue muita gente, em vez de concentrar altos valores em poucos artistas consagrados como Maria Bethânia. Não cabe esse tipo de mecenato com características de concentração de renda para gente consagrada, outros com pistolão em empresas privadas, outros com projetos comerciais, disputando dinheiro dos impostos do povo sofrido.

Mas o assunto não envolve só Maria Bethânia.

Todos nós temos o direito de questionar esse valor para esse projeto da Bethânia, menos o blogueiro de "O Globo", Ricardo José Delgado (Noblat), que anda zoando do caso, tendo um enorme telhado de vidro na família.

O filho do blogueiro, André Scatrut Noblat, é vocalista da banda de rock Trampa, de Brasília, e também arrancou R$ 954 mil dos cofres públicos, através desta mesma Lei Rouanet, para "realizar concertos da banda de rock com uma orquestra sinfônica...".

O "talento do prodígio" comoveu a Vale S.A., que achou mais importante aplicar quase R$ 1 milhão no patrocínio à banda de rock, do que recolher este dinheiro aos cofres públicos na forma de impostos que iriam para saúde, educação, segurança pública, erradicação da pobreza, etc.

Foram R$ 154 mil, na primeira tacada, e R$ 800 mil na segunda tacada.

Além da Vale, o Grupo Brasal (da família do ex-deputado do Demos Osorio Adriano) contribuiu com R$ 10 mil de impostos que deixaram de ser recolhidos para virar patrocínio.


PS do Blog: mas assim com o caso ECAD, para a ministra Ana da Hollanda a lei Rouanet está corretíssima, e não precisa de nenhuma correção desde que continue a privilegiar a mamata para projetos desta natureza.


Celso Amorim afirma que EUA querem resolver tudo com "atitude de caubói"

Ex-ministro afirma ser "muito velho" para se sentir frustrado com negativa dos Estados Unidos em torno do programa nuclear iraniano e lembra que Mubarak era modelo para Casa Branca

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Para o ex-ministro das Relações Exteriores, mundo atual exige que se dialogue também com adversários e inimigos e não com o tipo de atitude empregada pelos EUA (Foto:Antonio Cruz/Agência Brasil)

São Paulo – O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, revela que acreditava que os Estados Unidos aceitariam o acordo costurado por Brasil e Turquia em relação ao programa nuclear do Irã. Ele confessa, no entanto, não ter sentido frustração quando a negociação foi rejeitada por Washington.

“Estou muito velho para poder ter um momento em que digo que não esperava de jeito nenhum”, afirmou o ex-chanceler durante conversa com a reportagem da Rede Brasil Atual, na quinta-feira (17), dois dias antes da chegada de Barack Obama ao país. “Os pontos essenciais que o presidente Obama tinha posto em carta para nós estavam atendidos. Dava para sentar à mesa. Uma vez sentando à mesa começavam a resolver (os problemas).”

Em maio do ano passado, Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram convencer o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a aceitar as exigências apresentadas pelos Estados Unidos em relação ao programa nuclear. Uma carta enviada antes da reunião por Obama ao Brasil não deixa dúvidas de que os negociadores atenderam aos pontos fundamentais demandados pela Casa Branca, entre os quais figurava o enriquecimento de urânio promovido em território iraniano.

Quando o acordo com Ahmadinejad foi anunciado, Obama e a chefe do Departamento de Estado, Hillary Clinton, rejeitaram o resultado e trabalharam pela imposição de novas sanções contra os iranianos. A suspeita lançada no ar pelas nações mais ricas do mundo era se a nação asiática queria processar o minério para produzir energia ou para fabricar armas nucleares.

Um dia depois do sucesso brasileiro na conversa, uma proposta foi enviada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para atingir bancos e empresas da nação asiática. Dias depois, a ONU aprovou as medidas, o que levou Lula a afirmar que a decisão era uma “birra” de um pai que precisa distribuir palmadas a qualquer custo.

“A realidade do mundo não é uma realidade só. Você não se dá só com as pessoas que são iguais a você, tem que conviver e tem que tentar resolver. A gente precisa conversar com nossos adversários, conversar com nossos inimigos”, ressalta Amorim.

O ex-ministro considera comprovada a ideia de que a falta de diálogo nas relações internacionais só dá resultados ruins. "Os Estados Unidos têm historicamente como inimigo na região o Irã. Aí faz uma guerra no Iraque, que era um país mais distante do Irã. Hoje, o país com maior influência no Iraque não são os Estados Unidos, é o Irã. Porque os Estados Unidos acham que resolvem tudo numa atitude de caubói.”

Amorim acredita que o acordo costurado pelo Brasil não teria sido um favor para o Irã, mas para as nações ocidentais. “Para a liderança iraniana, ficar mais isolado legitima mais uma atitude radical”, afirmou. “Falando com o Irã não fizemos ameaças, mas advertimos, e advertimos não para o que iríamos fazer, mas para o que iria acontecer. E isso ajudou a aceitarem um acordo que não estavam aceitando.”

O ex-chanceler acredita que as mudanças na ordem mundial levam à formação de um quadro no qual a voz dos países emergentes não poderá ser ignorada. Ele pondera que o fato de Brasil, África do Sul e Índia não falarem “de cima para baixo” é um fator que facilita as negociações e defende que o Itamaraty tenha um papel importante na solução da crise nos países árabes.

"Hoje em dia, todos falam que (o líder egípcio Hosni) Mubarak era um ditador, mas para Israel e para Washington era um líder árabe moderado, era o modelo. Não vou discutir se era ou não era. O povo egípcio disse o que pensava sobre ele, e é isso o que interessa”, alfineta.


Dilma, Obama e o imperialismo: Brasil e o pêndulo entre China e Estados Unidos

por Rodrigo Vianna no seu Blog

Acompanho de perto a visita de Obama, como repórter da TV Record: estou em Brasília desde sexta, e nesse sábado à noite sigo para o Rio. Na capital federal, conversei ontem com o ministro Mantega e com especialistas em relações internacionais. E colhi algumas informações que gostaria de dividir com vocês.

Sei que muita gente, na esquerda, incomoda-se com a presença de Obama – o comandante em chefe de um país que, agora, ameaça invadir a Líbia. Mas acho que precisamos separar um pouco as coisas.

Estou entre aqueles que considerava descabido abrir a Cinelândia para um discurso de chefe de estado estrangeiro. A praça é um dos símbolos da democracia. E a democracia é brasileira. Nós respeitamos Obama, mas não votamos em Obama. Ele não é “nosso” líder. Imaginem se o Brasil abrisse a praça da Sé para um discurso de Hugo Chavez? Seria uma escândalo na “Veja”, na “Folha”, um exemplo de submissão ao bolivarianismo. Mas com Obama estava todo mundo contente na velha mídia: dizem que o Luciano Huck ia ser o mestre de cerimônias. Tenham dó. Dilma não deveria ter permitido isso. Ainda bem que o discurso acabou cancelado, por decisão dos americanos – temerosos com a segurança.

Também me parecem descabidas algumas providências de segurança – desrespeitosas até. Como o caso da banca de jornal que os caras do FBI queriam tirar da Cinelândia. Ou a revista a que empresários brasileiros foram submetidos em Brasilia- detalhe, revista feita por agentes americanos, em território brasileiro!

Isso posto, queria falar da economia.

O Brasil hoje exporta mais pra China (30 bilhões em 2010) do que para os EUA (19 bilhões em 2010). Além disso, nossa balança comercial é deficitária com os EUA ( – 8 bilhões de dólares) e superavitária com a China (+ 5 bilhões de dólares). Conclusão: devíamos deixar os “imperalistas americanos” pra lá e nos aproximar cada vez mais dos chineses, certo?

Não!

O Brasil vende basicamente produtos primários para a Chiha (ferro, alimentos etc). E compra deles produtos industrializados. Essa parceria ajudou a economia brasileira a escapar da crise – enquanto EUA e Europa se afundavam na recessão – em 2008. Mas, a longo prazo, contar só com a China é uma cilada perigosa.

A tal “reaproximação” Brasil/EUA na gestão Dilma – vendida por parte da mídia como um “enterro” da suposta política terceiromundista de Lula - nada mais é do que pragmatismo econômico.

Para a China não conseguimos vender bens industrializados. Nossa indústria não consegue concorrer com os preços chineses. Mas podemos vender bens industrias para os EUA. Precisamos dessa parceria, para não ver nossa indústria engolida pela chinesa.

EUA e Brasil podem ser – em alguns momentos – parceiros diante do avanço chinês. Por que não?

O Brasil deve utilizar com habilidade a rivalidade (econômica) entre EUA e China. Aliás, essa é a tradição da diplomacia brasileira. Mesmo nos governos militares, Geisel fez acordos com Alemanha. Sem dizer que Vargas ameaçou aderir ao Eixo para arrancar concessões dos EUA na industrialização dos anos 40/50.

Lula pôs o Brasil em novo patamar. Não precisamos temer proximidade com os EUA. Viramos gente grande.

Até porque proximidade comercial não significa adesismo político – como mostrou o voto brasileiro na questão da Líbia (o Brasil se absteve, não seguiu a posição dos EUA, não chancelou o ataque à Líbia – e isso às vésperas da chegada de Obama ao Brasil).

No passado recente, nossa diplomacia (e nossa elite) tirou os sapatos para os EUA. Seria um erro tirar os sapatos para os chineses. Devemos utilizar as contradições entre as grandes potências, a nosso favor. No início do governo Lula, a hora era de aproximação com China. Agora, a hora talvez seja para um movimento pendular rumo aos EUA. Pode ser um movimento fundamental, para preservar nossa indústria da concorrência predatória dos chineses.


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