terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Recado para a Presidenta Dilma

Escrito por Mário Augusto Jakobskind

As atenções do mundo seguem voltadas para os acontecimentos do Egito, onde Hosny Mubarak nos seus estertores ainda tenta uma sobrevida, que já indica ser rigorosamente impossível. Mubarak terá o mesmo destino que Suharto, da Indonésia, que passou três décadas mandando em seu país graças ao apoio de sucessivos governos estadunidenses e depois de prestar inestimáveis serviços a Washington foi expelido para a lata de lixo da história.

Não será nenhuma surpresa se logo após o fim de Mubarak o Egito venha a ser governado pelo Nobel da Paz Mohamed El Baradei, que inclusive já deu sinais claros que seu provável mandato, provisório ou por eleição, não desestabilizará a região e manterá os acordos com o vizinho Israel. E isso apesar da intromissão indevida do Presidente israelense Shimon Peres tecendo loas ao sanguinário ditador do Egito, que até há poucos dias era ainda chamado de Presidente pela mídia de mercado.

O que intriga é o fato de os EUA estarem tentando impor uma transição sob o comando de Omar Suleiman, que tem tanta culpa no cartório como Hosny Mubarak, peça já descartada e que se tenta a chamada “”saída honrosa”. Questão de mais dias menos dias.

Mas em outras partes do mundo acontecem fatos que ou nem aparecem nas páginas ou ainda são apresentados de forma bastante escondida nos jornalões, como no caso da prisão de cinco cubanos nos Estados Unidos, país cuja opinião pública só tem acesso a essa informação através de matérias pagas que custam uma fábula nos grandes jornais.

Nesse sentido, se tiver vontade política, a Presidenta Dilma Rousseff poderá ter grande influência no caso dos cinco presos cubanos nos EUA, no encontro que terá em Brasília, em março, com o Presidente estadunidense Barak Obama.

Como ela tem se destacado na defesa incondicional dos direitos humanos, já tendo reafirmado que a política externa de seu governo será norteada por esses preceitos, Dilma Rousseff se fortalecerá ainda mais diante da opinião pública nacional e internacional caso se disponha a conversar com o Presidente Barak Obama e fazer um apelo pela soltura dos inocentes que na verdade evitaram mais ações terroristas contra Cuba.

A Presidenta Dilma Rousseff deve estar informada sobre o caso. Mas se por acaso não estiver, o que deve ser difícil, tanto o Ministro do Exterior, Antonio Patriota, como o assessor especial de política internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia provavelmente conhecem bem o caso e podem fornecer subsídios valiosos à Presidenta.

Para quem eventualmente ainda não sabe, desde 1998 encontram-se presos nos Estados Unidos cinco cubanos acusados absurdamente de “espiões” quando, na verdade, o que eles fizeram foi alertar as autoridades sobre planos da extrema direita do exílio cubano nos Estados Unidos relacionados com o terrorismo. A ação destes setores inclusive provocou vítimas fatais como a explosão de bombas em hotéis de Havana.

A mídia de mercado praticamente ignora o tema e também o fato de o julgamento que os condenou ter sido uma farsa, até porque notórias figuras da extrema direita do exílio cubano influíram na decisão do júri.

No julgamento a que foram submetidos e em que receberam penas que variam de prisão perpétua e 30 anos teve até militares estadunidenses que atestaram a inocência dos cinco cubanos que estão mofando na prisão e até impedidos de receberem visitas de familiares. Mas não adiantou nada, porque os acusados já estavam condenados de antemão e a justiça propriamente dita passou longe do Tribunal.

Na verdade, o que está acontecendo nos Estados Unidos é uma aberração. Enquanto os inocentes estão presos há mais de 12 anos, um tal de Posadas Carriles, um ex-agente da CIA comprovadamente responsável por mortes em ações terroristas está impune e vai ser julgado não por terrorismo, mas se mentiu ou não ao retornar de forma ilegal ao país que sempre o estimulou para realizar ações contra Cuba.

E qual a importância da Presidenta Dilma Rousseff pedir a Barak Obama para que tenha um gesto de grandeza e com uma canetada liberte os inocentes? É que em termos jurídicos estão quase esgotadas todas as tentativas de advogados para a libertação ou até mesmo novo julgamento que não seja em Miami sob a influência direta da extrema direita do exílio cubano. Se tiver vontade política Obama pode ordenar o indulto.

Na verdade, mesmo partindo da hipótese de que eles tenham sido mesmo espiões, o que nunca foram, é o caso também de perguntar: porque os Presidentes Bill Clinton, o hediondo George Bush filho e agora Obama, não extraditaram os “espiões” para o país de origem, como é praxe nestes casos? Quem tiver dúvidas deve consultar os anais da historia recente.

É isso ai, Presidenta Dilma, pedir a canetada do Obama vai realmente reforçar a sua imagem como defensora intransigente dos direitos humanos e além do mais estará dando visibilidade, nacional e internacional, ao caso dos cinco cubanos. A senhora, como ex-presa política em sua juventude quando combatia o arbítrio, sabe mais do que ninguém como é duro enfrentar uma cadeia, ainda por cima de forma totalmente injusta, como foi o caso da senhora nos anos 70 e agora o dos cinco cubanos.

Pode estar certa, Presidenta Dilma Rousseff, se fizer o que deve ser feito, da mesma forma que condenou o veredito de morte (depois revogado) da iraniana Sakiné, estará contribuindo sobremaneira para o fortalecimento dos direitos humanos no mundo. Estará também se projetando internacionalmente.

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A nova midia

Abrindo os jornais diários e as "grandes" revistas noticiosas, só encontramos artigos tendenciosos ou mesmo mentirosos protegidos pelo direito de não citar as fontes ou por um tempo do verbo que colocado antes da mentira isenta o redator da responsabilidade por estar veiculando falsidades.

Não se escreve "fulano disse", escreve-se fulano teria dito. São tantos os recursos para manipular o noticiário que até as pessoas mais esclarecidas muitas vezes repetem como verdade o que essa imprensa veicula.

A auto censura permanece, não mais por imposição do Estado como era feito nos tempos de ditadura. Agora, o que ameaça a maioria dos profissionais da comunicação é o reduzido mercado de trabalho já que diminuiu em muito o número de empregadores nessa área. Qualquer desobediência pode significar uma boa temporada de desemprego.

É tal a asfixia que está gerando uma inquietação do tipo a que levou, depois do golpe militar de 64, os profissionais de imprensa a reproduzir denúncias e informações em papel mimeografado, veículos que acabaram por animar alguns jornais tradicionais a ousar um pouco, pelo menos na área noticiosa e cultural.

A festa acabou com a edição do Ato institucional No 5 e uma nova lei de segurança nacional e a lei de imprensa criminalizando a liberdade de expressão e os "grandes jornais" sobreviventes por sua submissão e apoio aos ditadores praticaram uma auto censura muitas vezes mais rígidas que a própria censura prévia e a asfixia se tornando muito mais insuportável.

A exemplo de O PASQUIM, começam a surgir semanários mais ousados, jornais de bairro, outros de algumas corporações profissionais, de diretórios estudantis, enfim, essas iniciativas não cresceram muito, mas se multiplicaram de tal forma que era difícil a cidade de porte médio que não tivesse pelo menos um tímido semanário. Os nanicos como se apelidaram, se tornaram uma grande imprensa alternativa, abrindo um furinho naquela represa e contribuindo em muito o surgimento de movimentos sociais politizados na luta mais geral por liberdades democráticas.

Voltando a inquietação que a atual asfixia do monolitismo que o monopólio das comunicações vem provocando, parece estar surgindo, não mais papéis mimeografados, tampouco um sem número de semanários, mas uma enxurrada de blogs, sites, páginas, jornais, comunidades nas redes sociais, cada um na sua especificidade intuitivamente, usando a internet prá ver se é possível abrir um furinho nessa quase intransponível barreira surgida do poder unipolar que domina o planeta hoje.

Resta saber como essasinúmeras iniciativas "rebeldes" vão se politizar. Será uma questão nacional que nos unificará? Ou uma reação internacional já que a inquietação que nos move parece estar vibrando em quase todo o mundo.

Afinal, WikiLeaks somos nós!

fonte: http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=135&Itemid=111

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