sábado, 5 de fevereiro de 2011

A ministra e a Microsoft

Do sociólogo Sergio Amadeu, ativista de software livre e inclusão digital, em entrevista postada por Luiz Carlos Azenha sob o enunciado

"Amadeu: Os nacionalistas que a Microsof ama":


O Ecad tem uma campanha contra o Creative Commons. E faz parte dessa campanha dizer que o Creative Commons é uma famigerada organização norte-americana, que visa destruir a cultura nacional. E é exatamente o oposto... Vem uma ministra e, sem consultar a presidenta da República, achou que estava fazendo um atinho, para uma comunidade pequena. Não, a consequência política dela é nefasta... O que ela quer, o que o Ecad quer é que a indústria da intermediação _aliás, boa parte dela dominada pelas majors norte-americanas_ continue a ditar as regras da cultura.

E da entrevista do músico Gilberto Gil, ex-ministro, a Jotabê Medeiros, hoje sob o título "Gil critica ação açodada do Ministério da Cultura":

Você tem acompanhado a polêmica da retirada das licenças Creative Commons do site do MinC?

Tenho acompanhado, é claro, com interesse. São consequências naturais de mudanças de grupos, de conceitos. Espero que essa polêmica seja pautada pelo diálogo. Agora mesmo eu estava lendo o artigo do Hermano Vianna em "O Globo", ele fala do açodamento, da pressa em se retirar esse logo do site do MinC.

O ato foi logo nos primeiros dias, o que parece uma ação simbólica.

Se é isso, que fique nisso e se esgote nisso. Se é para marcar uma mudança de guarda, que não fique só nisso. Porque essas iniciativas, como o Creative Commons, não continham essa ideia do particularismo. É algo que deveria se propagar por aí. Você veja que os conteúdos do governo inglês estão sob uma licença que foi criada para isso. O governo da Austrália usa as licenças Creative Commons.

O que o Hermano fala é para que o Estado abra os olhos para a necessidade de se
compreender. Não precisa usá-la, mas fazer dela um marco para a criação de outras. É preciso levar em conta o caráter institucional, formalizador, a dimensão jurídica para a autonomia do autor, para dimensionar essa licença, entender seus limites. Não pode examinar com uma visão apressada, que talvez seja o que esteja na base dessa iniciativa, de que essa licença e todas essas licenças similares enfraquecem o direito autoral.

A primeira vez que você falou em Creative Commons foi em 2003.

E as pessoas não estão ainda devidamente informadas. O lado que defende tem sido mais cuidadoso em esclarecer a licença, a variedade dessas licenças, do que o lado que ataca, que recusa. Esse lado não tem vindo para uma dimensão esclarecedora. Ouço vários deles dizendo que o CC é um instrumento das multinacionais americanas, coisas absurdas desse tipo.

A surpresa que você teve em 2003 deveria hoje se converter em um instrumento para a compreensão ampla dessa possibilidade.

O debate parece conter uma idíia conspiracionista, de que, por ser americana, a licença é nociva.

Porque a idéia veio de um acadêmico ativista americano? Não tem sentido. O lado contrário às licenças livres, nos Estados Unidos, os interesses ligados à questão coletiva de direitos autorais se opõem ao Creative Commons da mesma forma que os daqui.

Mais nos perfis de Sergio Amadeu, Marcelo Branco e Renato Rovai.



África, o continente de todos

por Emir Sader no Blog do Emir


Grande parte da humanidade olha para a África como quem ohla pela janela (de um hotel de 5 estrelas) e não como quem olha para o espelho. No entanto, toda a história mundial tem seu espelho na Africa. Todos os outros continentes - América, Ásia - foram espoliados para que a Europa pudesse trilhar as chamadas revoluções comercial e industrial, no processo de acumulação primitiva. Mas nenhum continente sofreu, além da dilapidação dos seus recursos naturais, da opressão das suas culturas e dos seus povos, a escravidão nas proporções de genocídio que ela assumiu na Africa.

Praticamente toda a população adulta da África foi submetida à degradante situação de serem levados como gado para trabalhar como escravos, como seres inferiores, para produzir riquezas para a elite branca europeia. O destino da África ficou comprometido pelo colonialismo, pela escravidão e pelas diversas formas de imperialismo. Foi também vítima privilegiada do racismo, da discriminação contra os negros, disseminada pela elite branca por todo o mundo.

A África do Sul, o país economicamente mais desenvolvido do continente, até pouco tempo ainda sofria o apartheid. Mas as elites brancas do mundo consideram a África um caso de continente vítima de si mesma: do tribalismo, do atraso, dos conflitos étnicos, dos massacres, das epidemias, das catástrofes. Tentam fazer a África vítima da natureza e não vítima da história - da colonização, da escravidão, do imperialismo. Um caso perdido, para as potências imperiais. Um caso de opressão, exploração, discriminação.

Hoje a África tornou-se abastecedor de matérias primas para as potências da globalização, que continuam a extrair os recursos naturais por meio de grandes corporações ou diretamente de governos. As mesmas potências que, na Conferência de 1890 concluíram a repartição do continente entre eles, fatiando-o com regra e compasso, hoje disputam entre si os recursos que alimentam seus processos de industrialização e de consumismo exacerbado.

Os colonizadores e os imperialistas não consideram que sejam devedores da África, que devam contemplar como continente privilegiado no apoio dos outros, por tudo ao que submeteram os países e os povos africanos.

Podemos julgar a política externa de cada governo e a visão de cada povo do mundo pela atitude que têm com a África. Ao invés de continente marginal, deveria ocupar o lugar central nas relações internacionais contemporâneas. Toda politica externa que não privilegia a Africa, está errada.



Futebol não é ciência exata

Socrates no sítio http://www.cartacapital.com.br/


Acho o maior barato acompanhar as transmissões televisivas de futebol nestes tempos que eu chamo de “modernos”. Modernos porque essas transmissões nada têm de futebol propriamente dito, o que ouço na verdade são inumeráveis dados estatísticos que, acredito, a ninguém interessam. Ou muito devo me enganar já que esse tipo de postura é endêmica (quem sabe fruto de uma bactéria gram-negativa originada da inconsistência natural da falta de conhecimento sobre o assunto) na chamada crônica desportiva.

Que me desculpem as exceções, porém, outro dia, estava a assistir a uma belíssima partida de futebol entre as equipes do Palermo e da Internazionale de Milão, cujo primeiro tempo terminou com a vitória parcial do time mediterrâneo por 2 a 0. Depois de ouvir que um determinado jogador A tinha participado de uma centena mais três jogos com aquela camiseta rosácea, que o outro ainda possuía quatro anos e seis meses de contrato, que o zagueiro central B há 800 minutos não tomava um cartão amarelo (e o jogo correndo sem que qualquer dos comentaristas se preocupasse em passar ao telespectador o que poderia estar ocorrendo em campo), veio a máxima de que aquela defesa não tomava gols há exatos 502 minutos e, pasmem, 15 segundos.

É claro que não gravei esses valores com a precisão daqueles mestres, mas a incidência e a ênfase dadas ao fato eram de tal forma elevadas que pareciam que mais que o jogo de futebol em si valia a estatística presente na história recente daquela equipe. No meu tempo de estudante, a gente chamava isso de embolação, falta do que dizer ou só uma cola para quando nada tivesse a acrescentar. O pior é que eles às vezes até brincam com suas limitações ao gargalhar de si mesmos quando os dados oferecidos são tantos e sem lógica, apesar de os frisarem como se fossem preciosidades absolutamente incomparáveis.

No entanto, calhou de a Internazionale fazer um gol, depois mais um e finalmente o terceiro, que a levou à vitória. Caiu, literalmente, a estatística e nada mais se falou do assunto. O novo projeto mais uma vez nada tinha a ver com o evento a que haviam sido chamados a comentar. Passaram a desfilar dados sobre o número de faltas de uma ou outra equipe, a idade do treinador, a quilometragem entre uma cidade e outra, que nem representada estava naquele momento, e tudo o mais que não estivesse em campo. Uma canelada do craque do time nem coçava as cordas vocais dos professores, mas uma trombada entre cabeças já seria motivo de longas explanações sobre o que vocês menos imaginam. Com diria Paulo Henrique Amorim: “Um horror!”

Menos de uma semana após esta, digamos, aula estapafúrdia de futebol, de novo me vi assistindo ao Palermo; agora contra a Juventus de Turim. Mas a conversa não mudou nem um pouquinho. Três ou quatro dias depois, o assunto continuava o mesmo, só que com uma pequena mudança estrutural: afirmava-se com ares de extraordinário feito que a defesa do Palermo, que tomara três gols em Milão (grifo meu), estava invicta em seu estádio desde, acreditem, 11 de dezembro de 2010, como se esta data determinasse uma eternidade versus os dias de hoje. Seria o mesmo que dizer que, desde o último natal (exatamente duas semanas depois do último gol sofrido), quase nenhum ser houvera recebido sequer um presentinho de Papai Noel. Que tragédia!

De qualquer forma, agradecemos todos ao estímulo que esses estudiosos nos dão para entendermos que futebol é, antes de tudo, uma ciência exata e que um pouco de aritmética, matemática e estatística não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário, sem elas nada entenderíamos desse esporte construído em tabelas periódicas e cavaletes de renomados arquitetos da arte, que, se muito não me engano, só não aparecem em público para receber suas láureas porque são extremamente altruístas, além de muito tímidos em suas essências. Uma pena!

Mas tem mais. Antes do término do jogo fico sabendo que determinado jogador fora muito elogiado pela cartolagem por seu espírito voluntarioso, que as especulações sobre as contratações eram coisa do passado, já que a “janela” de transferência europeia acabara, passando pela beleza ou não das cores da camisa do clube, pela inspiração oferecida por tal jogada de um atleta no tempo da tevê em preto e branco e de um presente que um deles ganhara de um jogador que era uma camisa com defeito e que valeria um absurdo. Por tudo isso eu acredito: recebi uma verdadeira aula; se de futebol, eu não sei.

Sócrates é comentarista esportivo, foi jogador de futebol do Corinthians, entre outros clubes, e da seleção brasileira.


Ativistas ligados à cultura atribuem a 'desconhecimento' decisões do MinC sobre direito autoral

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual


São Paulo - Ativistas ligados a produtores de mídia não comercial e a grupos de cultura digital articulam-se para tentar interferir nos rumos do Ministério da Cultura no que se refere a políticas de direitos autorais. Eles atribuem a "desconhecimento de causa" as medidas adotadas na gestão de Ana de Hollanda que desencadearam a polêmica desde o final de janeiro.

A discussão foi iniciada pela substituição da licença Creative Commons do site do ministério por um simples informe de autorização de reprodução. Para os críticos da medida, a mudança é simbólica e indica a possibilidade de alteração de rumos da política relacionada a direito autoral pela gestão de Ana de Hollanda. Declarações da ministra indicavam ainda disposição de voltar a discutir a lei que rege a questão.

"As ações da ministra foram simbólicas, sinalizam a posição de um governo que se inicia com uma inflexão sobre as conquistas feitas pelo MinC nos últimos anos", avalia Rodrigo Savazoni, do coletivo Cultura Digital. Militantes do setor ouvidos pela Rede Brasil Atual relatam que a abertura do diálogo sobre a situação da cultura digital no país foi conquistada no decorrer dos últimos oitos anos. O alcance foi inédito, segundo eles, na democratização da cultura.

"O que estamos debatendo é uma maneira de assegurar a continuidade da política que foi implantada, e não o seu esvaziamento", explica Ivana Bentes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ, um dos projetos participantes do Programa Cultura Viva, do governo federal.

Sobre a retirada da licença CC do site do MinC, Ivana afirma que a decisão foi preocupante porque a discussão já havia sido superada. "Obviamente não estamos falando de fato consumado, mas a ministra deu sinais de que, nos primeiros tempos de ministério, as coisas mudarão", lamenta.

Ivana refere-se a declarações de Ana de Hollanda que, em sua visão, demonstram "uma "falta de informação básica do que já foi consquitado até aqui". "Ela ignorou as consultas públicas, o marco civil da internet e tudo que já tinha se discutido sobre a reforma do direito autoral", pontua a pesquisadora. Ivana Bentes foi enfática: "Esperamos que o MinC nao se feche com uma gestão de gabinete".

Savazoni
levanta a hipótese de as decisões de Ana de Hollanda terem sido influenciadas por grupos empresariais ou políticos com os quais ela lidava e que a tivessem convencido de marcar posição. É nesse grupo que se incluiria o suposto convite do MinC ao advogado Hildebrando Pontes Neto, ligado ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) a assumir posto voltado a políticas de direitos autorais no ministério.

O jornalista afirmou que espera uma política que permita entender e lidar com temas contemporâneos, como os relacionados às implicações das novas tecnologias sobre a legislação de direitos autorais. Por isso, na visão de Savazoni, seria indispensável que o governo seguisse avançando no diálogo e, principalmente, na democratização da cultura digital, reafirmando o compromisso da internet livre.



MinC nega convite a advogado ligado ao Ecad

Por: Anselmo Massad e Ricardo Negrão, da Rede Brasil Atual


São Paulo – O Ministério da Cultura (MinC) negou, na tarde desta sexta-feira (4), que Hildebrando Pontes Neto tenha sido convidado a ocupar qualquer cargo na pasta "até o momento". A indicação do advogado ligado ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) era tida como certa por críticos da ministra Ana de Hollanda, que acreditavam estar em curso uma investida conservadora em relação a direitos autorais dentro do governo.

Hildebrando chegou a ser recebido em Brasília, no gabinete da ministra, por Ana de Hollanda no dia 27 de janeiro. O próprio advogado confirmou o encontro na ocasião à Rede Brasil Atual, mas não informou o teor da reunião, por considerar que fazê-lo seria descortês com a ministra.

Desde 20 de janeiro, o ministério é alvo de críticas por ativistas ligados a produtores de mídia não comercial e a grupos de cultura digital. A retirada da licença Creative Commons (CC) da página da pasta na internet foi o alerta para o que os grupos consideraram como o início de uma mudança na condução do órgão.

A licença foi empregada inicialmente na gestão de Gilberto Gil e mantida na de Juca Ferreira. Gil chegou a lançar uma canção sob este tipo de licença em 2004.

A alteração foi justificada, em nota, alegando que a legislação brasileira permite a autorização de reprodução do conteúdo, sem a necessidade de se utilizar o licenciamento nos moldes do CC. A indicação de um advogado ligado ao Ecad, órgão responsável pela cobrança de direitos autorais, seria um passo a mais nesse sentido.

Durante oito anos, a gestão de Gil e de Juca Ferreira era vista por ativistas que defendem uma ampla revisão da legislação de direitos autorais como um intermediário, que permitia um diálogo com outros setores da sociedade. Uma mudança de postura do ministério significaria a perda de espaço para tratar o tema e garantias de que as normas, em vigor desde 1998, seriam mantidas ou poderiam tornar-se ainda mais conservadoras.

Segundo a Rede Brasil Atual apurou, a ministra foi surpreendida pela reação no Twitter em relação à mudança no licenciamento, bem como em relação à indicação que preferia para coordenar ações relacionadas ao tema.

No início da semana, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira (SP), sugeriu ao ministério que colocasse em consulta pública a minuta do texto sobre a questão preparado pela Casa Civil. "Creio que todos os atores devem participar do debate para se produzir um consenso. Não haverá retrocesso na minha opinião", disse em entrevista à Carta Maior.

Declarações do próprio Gilberto Gil, nesta sexta-feira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, assim como de outras referências no debate da Cultura no país – como o antropólogo Hermano Vianna – ajudaram a fazer com que Ana de Hollanda compreendesse que o tema é mais complexo e que o governo federal tem um papel de mediação importante.



A carta de Silvio Tendler aos magistrados
Carta Aberta aos Magistrados Brasileiros

Sílvio Tendler em http://www.viomundo.com.br/

Paira sobre Cesare Battisti o mistério que cerca sua história. Existem muitas lacunas sobre os fatos. Somos tratados como duzentos milhões de pobres coitados que temos que nos curvar diante da vontade da Itália soberana.

O caso Battisti, sua história de refugiado começa quando é acolhido na França de Mitterrand, torna-se escritor e vive em paz. A França vira à direita, a Itália pedindo a extradição e Battisti é expulso “à la française” para atender à pressão Italiana: não extradita, mas estimula “a fuga”. Dá o passaporte e os meios para a fuga. Tudo providenciado pelo serviço secreto francês que monitora a viagem. O Brasil acolhe um perseguido, como sempre fez ao longo dos tempos. A França inicia o jogo da batata quente.

Battisti é preso como tantos outros italianos perseguidos que se refugiam aqui. Os outros foram libertados. Battisti vira questão de honra e termina refém de um conflito de poderes que termina numa salda surrealista: O STF vota pela expulsão, mas devolve ao Presidente da República o poder decisório.

O Presidente da República em seu último dia de governo toma a atitude que parecia justa e a mais adequada dentro das tradições brasileiras, a de conceder refúgio aos perseguidos por razões políticas. Prerrogativa constitucional e reconhecida pelo STF, que mesmo acreditando que Battisti deveria ser extraditado devolveu o poder de decisão ao Presidente da República. O jogo da batata quente continua.

O presidente do STF puxa de novo o poder decisório para o tribunal atendendo à pressão italiana. O suspense está no ar. O Presidente Italiano manda uma carta a Presidente Dilma Rousseff pedindo a extradição. A Presidente responde que a decisão está nas mãos do STF. A Presidente Dilma devolve a batata quente ao Supremo.

A Itália, berço do direito, hoje não tem sede de justiça, mas desejo de vingança e vem transformando Cesare Battisti na fera a abater.

A Itália que quer se vingar de sua própria história (sim, o caso Battisti é um caso de vingança histórica) não é a Itália de Dante mas a Itália que durante o pós guerra afogou-se em escândalos e conluios entre a máfia e o fascismo que destruiu partidos e dirigentes políticos em escândalos de corrupção e que levou milhares de jovens italianos ao desespero político, encontrando como única porta de saída a resistência armada. E o Brasil vem sendo fustigado, intimidado e ameaçado como se fosse uma republiqueta centenária desafiando a milenar cultura italiana.

Para os que pretendem entender aqueles tempos tumultuados da história política da Itália, recomendo assistir a “Cadáveres Ilustres” (1976), do mestre Francesco Rossi baseado em obra homônima do escritor Leonardo Sciascia. O filme aborda a crise da democracia Italiana e trata do assassinato do secretário geral do Partido Comunista Italiano. A mais pura ficção. A crise do estado italiano está ali no romance e no filme denunciando a conspiração entre políticos, magistrados e militares contra o Estado democrático.

Pouco tempo depois, a história, a de verdade, registrava a tragédia do sequestro e assassinato do democrata cristão Aldo Moro.

Este assassinato quase pôs a pique a democracia italiana. A direção da democracia cristã e a do Partido Comunista recusam-se em negociar com os ensandecidos das Brigadas Vermelhas, alegando a “defesa do Estado Democrático”, como se a vida de um homem valesse menos do que um princípio. Além da vida de Moro, o episódio custou muito caro à democracia italiana.

A podridão do ambiente político italiano terminou culminou com a dissolução da própria Democracia Cristã e do Partido Comunista.

A crise italiana daquele período pós-guerra e marcada por feridas ainda não cicatrizadas que desembarcam no governo Berlusconi o que exige uma reflexão maior e pede uma revisão histórica urgente. Não é esse nosso papel aqui. Estamos à beira do julgamento que decidirá o futuro de um homem, o que já é muito.

Nós, os brasileiros, continuamos absolutamente desinformados sobre a história desse homem que terá seu destino determinado por um gesto nosso. E olha que ele já está preso por aqui desde 2007, tempo mais do que suficiente para mandar uma missão para investigar na Itália a verdadeira história de um julgamento cheio de lacunas e cantos escuros. Só quem desconhece a história italiana dos anos 70/80 é que compra sem reticências a versão do governo italiano.

A mídia comprou a versão italiana e publica acriticamente tudo que chega de lá. A última bazófia tornada pública foi a de que a Comunidade Européia aprovou com 86% dos votos uma moção recomendando ao Brasil que extraditasse Battisti. A realidade foi bem diferente: À sessão compareceram apenas 11% dos parlamentares, a imensa maioria, de italianos. E repercute como se houvesse uma grande unanimidade em torno da extradição de Battisti.

Cesare Battisti
foi acusado de cometer dois crimes a 400 kms de distância um do outro, com poucas horas de diferença, no mesmo dia. Ninguém foi questionar a veracidade da informação. Inexplicável mesmo é que ninguém se interesse em saber a versão de Pietro Mutti, o “capo” das Brigadas Vermelhas e principal acusador de Battisti. Onde está? O que faz hoje em dia? Os outros delatores são encontráveis, como Cavallina e o segundo principal delator se chama Sante Fatone e agora mora na Calábria. Talvez esse também possa ser encontrado.

Em sua cela na Papuda, penitenciária de Brasília, Cesare Battisti aguarda a decisão sobre seu destino que tanto poderá ser a liberdade, as ruas, o convívio com a família, amigos, a reintegração na sociedade ou a prisão até a eternidade, a liberdade ou a prisão perpétua (pena que não existe no Brasil). A realidade é bem mais dura do que a ficção, até porque Battisti não é um personagem de papel, mas de carne e osso, nervos e sentimentos.

Vejo Battisti em sua cela e viajo em tantos outros injustiçados da história: Giordano Bruno, Antonio José da Silva, o judeu, Tiradentes, o capitão Dreyfus, Sacco e Vanzetti, Ethel e Julius Rosenberg, Elise Ewert, Olga Benário.

Insisto: não estamos discutindo justiça, mas vingança.

Silvio Tendler



Editais abertos para projetos culturais


fonte: http://urgente.blogpspot.com

Inscrições abertas para diversos editais da Superintendência Cultura e Sociedade

A Superintendência de Cultura e Sociedade, da Secretaria de Estado e Cultura do Rio de Janeiro (SEC), lançou quatro editais, com o objetivo de fomentar e valorizar a cultura fluminense. Podem participar pessoas físicas e pessoas jurídicas sem fins lucrativos, atuantes na área cultural. As inscrições para todas as chamadas públicas são gratuitas e devem ser realizadas no sítio da SEC (www.sec.rj.gov.br).

CONHEÇAM AS CHAMADAS PÚBLICAS:

Projetos na Área de Produção de Eventos – O edital visa selecionar projetos de eventos culturais que devem ser realizados até maio de 2011. A seleção pretende promover um maior acesso do público fluminense à produção cultural, fomentar a troca cultural entre agentes da sociedade civil e celebrar a diversidade cultural, além de ampliar o mercado de trabalho para artistas, técnicos, produtores e levar programação de qualidade aos municípios. Inscrições até 18 de fevereiro.

Premiação de Mestres e Grupos de Culturas Populares – Esta seleção visa reconhecer e premiar a atuação de mestres e grupos/comunidades responsáveis por iniciativas que envolvam as diferentes expressões das culturas populares do estado do Rio de Janeiro. Inscrições até 25 de fevereiro

Registro de Tradição Oral – Este edital tem o objetivo de apoiar projetos que registram em mídias digitais a tradição oral de mestres e grupos das culturas populares, fortalecer as expressões das culturas populares fluminenses e, ainda, o de salvaguardar o patrimônio imaterial do nosso estado, garantindo sua perpetuação e o acesso das futuras gerações a essas tradições. Inscrições até 25 de fevereiro.

Microprojetos Culturais – A chamada pública tem como finalidade fomentar e incentivar artistas, grupos artísticos independentes e pequenos produtores culturais. Os interessados deverão ter entre 18 a 29 anos e morar no Estado do Rio de Janeiro. Inscrições até 25 de fevereiro

IMPORTANTE:

Os interessados em participar em alguma destas seleções podem pedir auxílio ao Escritório de Apoio à Produção Cultural EAPCult, que oferece consultorias individuais gratuitas a artistas, produtores e gestores culturais – públicos e privados – e demais profissionais de cultura nos setores de Elaboração e Enquadramento de Projetos Culturais e Produção Cultural, Marketing Cultural e Mobilização de Recursos.

O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, na própria SEC, localizada na Rua da Ajuda, número 5, 13º andar. Para consultorias presenciais é necessário agendar horário por telefone ou e-mail.

AGENDE SUA CONSULTORIA E TIRE SUAS DÚVIDAS

NÚCLEO ELABORAÇÃO DE PROJETOS
eapcult.editais@gmail.com
(21) 2333.4107


NÚCLEO PRODUÇÃO CULTURAL, MARKETING CULTURAL E MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS
eapcult.producao@gmail.com
(21) 2333.4108

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DO RIO DE JANEIRO
http://www.cultura.rj.gov.br/
http://www.sec.rj.gov.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário