segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Festival Palco do Rock - O Carnaval de Salvador nunca esteve tão Rock and Roll



17a edição do Festival Palco do Rock reúne nomes da cena nacional na Bahia

Com a realização da ACCRBA, o patrocínio da BahiaGás, Governo do Estado da Bahia e apoio da Prefeitura Municipal de Salvador através da Empresa Salvador Turismo (SALTUR), a 17a edição do Festival Palco do Rock está garantida para a alegria de seus milhares de freqüentadores que circulam durante os quatro dias de rock and roll.


O festival segue sua linha tradicional e acontecerá entre 05 e 08 de março, durante a folia carnavalesca do Brasil. Será no mesmo lugar de sempre: o Coqueiral de Piatã. Rock and Roll à beira-mar em uma das mais belas praias de Salvador e começará às 17 horas na arena de shows.


Este ano o festival trará grupos veteranos como as Mercenárias e Velhas Virgens de São Paulo assim como novos nomes da cena independente, como a promissora banda carioca Riverdies que tem arrematado prêmios no Brasil e EUA.

O que: Festival Palco do Rock
Quando De 05 a 08 de Marco de 2011
Onde: Av. Otávio Mangabeira, S/N, Coqueiral da Praia de Piatã Salvador, Brazil



PROGRAMAÇÃO DO PALCO PRINCIPAL


05/03 - Sábado
Norfist (Lauro de Freitas/BA)
Templarius
Siege of Hate (CE)
Cama de Jornal (Vitória da Conquista / BA)
Álvaro Assmar
Malefactor
Pastel de Miolos (Lauro de Freitas / BA)
Acanon


06/03 - Domingo
Buster
Ignivomus
Ênio e a Maloca
Savant Inc. (SP)
Mingmen (SUIÇA)
Mercenárias (SP)
Vendo 147
Rattle


07/03 - Segunda
Chip Trio
Incrédula
NôNEIME (Valente / BA)
Ulo Selvagem
Baranga (SP)
Claustrofobia (SP)
Riverdies (RJ)
Human (Santa Bárbara / BA)


08/03 - Terça
Attemporais
Código Remoto
Fridha
Minus Blindness
Trampa (DF)
Velhas Virgens (SP)
Clube de Patifes (Feira de Santana / BA)
Act Of Revenge

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

galo gatos rede madrugada




madrugada ainda alta acordo com o alvoroço de gatos no quintal vizinho e o sono me dá adeus às 5 pego a rede e deito na varanda com fedra gritando em meus ouvidos que tinha um poema nascendo junto com a manhã de sexta




na varanda o varal vazio
o corpo rola na rede
em madrugada de frio

o galo canta no quintal ao lado
e o seu canto
atravessa as paredes da manhã
benvinda

os gatos trepam no muro
e gemem
como felinos no cio

fedra margarida
world of the woman
http://fedramargarida.blogspot.com/

Em contextos de lenta recuperação da economia mundial e elevação dos preços das commodities, o que fazer?




Todas as proposições que têm sido apresentadas e discutidas em nível mundial convergem para a ideia de que políticas econômicas contracíclicas e Estado intervencionista são importantes para mitigar as instabilidades inerentes de economias monetárias decorrentes, em grande parte, dos efeitos disruptivos das atividades especulativas dos agentes econômicas e da dinâmica dos mercados cambial-financeiros. Essa ideia, é o principal legado de Keynes. Diante deste contexto, não faz sentido a proposição de algumas autoridades econômicas em quererem, de forma unilateral, elevar a taxa básica de juros para controlar o atual processo inflacionário.
Fernando Ferrari Filho (*) no sitio CArta Maior

Como sabemos, o processo de globalização financeira, em que mercados financeiros são integrados a ponto de se criar um “único” mercado mundial de dinheiro e crédito, tem resultado em frequentes crises de demanda efetiva, ocasionadas fundamentalmente por “forças financeiras”. A atual crise financeira internacional, que emergiu em 2007-8 no mercado subprime dos Estados Unidos, é um exemplo da crise da globalização financeira, entendida como uma tendência à criação de um mercado financeiro global e de intensificação nos fluxos de capitais entre países.

Essa dinâmica da globalização financeira é percebida, também, nos mercados de commodities, uma vez que, nos últimos anos, a economia mundial tem convivido com um processo de financeirização desses mercados, cuja consequência, entre outras, é a especulação em torno dos preços das commodities.

O comportamento especulativo com os preços das commodities, especialmente agrícolas e energéticas – por exemplo, petróleo – acabou gerando pressões inflacionárias em nível internacional em 2007 e 2008, bem como, desde o segundo semestre de 2010, tem sido um dos responsáveis pelas pressões altistas da inflação mundial (1).

Se, por um lado, os desdobramentos da crise financeira internacional sobre o lado real das economias, em especial em 2009, em termos de recessão, desemprego e desaquecimento do volume de comércio, acabaram gerando um consenso entre economistas acadêmicos, analistas econômicos e policymakers em torno das ideias keynesianas, tanto para explicar a referida crise quando para remediá-la, por outro lado, em um contexto de “recrudescimento” da inflação, as Autoridades Econômicas (AE) internacionais (dentre as quais, as do Brasil) passaram a advogar a necessidade de adoção de políticas fiscal e monetária austeras para controlar a dinâmica inflacionária.

Diante do atual cenário mundial em que a crise financeira internacional está longe de ter um “final feliz” – não é demais ressaltar que a “bola da vez” continua sendo a crise fiscal-financeira dos PIIGS, acrônimo para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha – e os choque de oferta, protagonizados em grande parte pela elevação dos preços das commodities agrícolas, impactam positivamente na taxa de inflação, o que fazer?

Uma vez que todos tornaram-se “keynesianos”, algumas das proposições de política macroeconômica apresentadas por Keynes ao longo de seus escritos, reunidos nos 30 volumes dos Collected Writings of John Maynard Keynes, publicado pela Royal Economic Society, merecem atenção para resolver “os principais problemas da sociedade econômica em que nós vivemos que são o desemprego e a arbitrária e desigual distribuição da renda e da riqueza” (John Maynard Keynes. The General Theory, of Employment, Interest and Money, New York, HBJ Book, 1964, p.372).

Nesse sentido, em termos de política econômica para assegurar a recuperação da economia mundial e uma dinâmica de estabilidade macroeconômica – entendida como crescimento econômico sustentável, inflação sob controle e equilíbrios fiscal e externo –, são necessárias as seguintes medidas de cunho keynenisiano:

• Política fiscal ancorada tanto na administração de gastos públicos – algo completamente diverso de déficit público – quanto na política de tributação. No que diz respeito à administração dos gastos públicos, é necessário que se tenha dois orçamentos: corrente, para assegurar recursos à manutenção dos serviços básicos fornecidos pelo Estado à população, tais como saúde pública, educação e segurança pública, e de capital, para que o Estado realize investimentos públicos complementares aos investimentos privados, fundamentais para a expansão da demanda efetiva. A ideia de Keynes com os referidos orçamentos é a de que em períodos de prosperidade o gasto público deve ser reduzido, ao passo que em períodos recessivos ele deve ser elevado. Assim, a política fiscal torna-se contracíclica e assegura o equilíbrio fiscal intertemporal do governo. A política de tributação, por sua vez, deve concentrar-se essencialmente nos impostos sobre a renda, o capital e a herança, viabilizando, assim, uma melhora da distribuição da renda e da riqueza.

• Redução da política monetária para dinamizar os níveis de consumo e investimento e afetar a preferência pela liquidez dos agentes econômicos. Não é demais enfatizar que, devido à relação entre os diversos ativos e a própria moeda, a política monetária possui um papel importante na dinâmica econômica: o efeito dela sobre a demanda efetiva é indireto, impactando inicialmente sobre as condições de liquidez do mercado monetário para, em seguida, motivar diferentes decisões nos agentes.

Assim, caso o interesse do Estado seja promover a ampliação do volume de capital da sociedade, é necessária a redução da taxa de juros para estimular consumo e investimentos produtivos. Ademais, a manutenção da taxa de juros em patamares compatíveis com a eliminação da escassez de capital significa, ainda, a eutanásia do rentier, classe que não é remunerada pelos seus “riscos e o exercício da habilidade e do julgamento”, mas, sim, por “explorar o valor da escassez do capital” (Keynes, 1964: 375-376).

• Política cambial para assegurar a manutenção da taxa real efetiva de câmbio de equilíbrio (TRECE) e não gerar pressões inflacionárias. Indo nessa direção, a administração da taxa de câmbio, visando à manutenção da TRECE, parece ser o regime cambial ideal para que as AE atinjam os objetivos de estabilidade econômica, conforme definida anteriormente. Para tanto, a adoção de um regime cambial baseado em uma banda de monitoramento (ou em uma taxa de referência) tem como preocupação evitar desalinhamentos cambiais mais prolongados e, portanto, objetiva influenciar a trajetória intertemporal da taxa de câmbio. Ademais, a banda cambial tem a função de cristalizar as expectativas dos agentes econômicos que atuam no mercado de divisas para estabelecer uma taxa de câmbio de equilíbrio. Nesse sentido, levando em conta as intervenções e sinais dos bancos centrais ao redor de uma taxa de câmbio de referência, as forças de mercado tendem a estabilizar a taxa de câmbio ao redor da taxa de câmbio de referência.
Dessa maneira, sabendo que o mercado cambial se comporta como um mercado de ativos, em que as decisões de compra e venda de divisas são baseadas em convenções, a banda de monitoramento ou a taxa de câmbio de referência sinaliza informações ao mercado de divisas de qual taxa de câmbio as AE acreditam ser consistente com os fundamentos de longo prazo. Por sua vez, a adoção de regulamentação sobre os fluxos de capitais é essencial tanto para prover a política monetária de uma maior autonomia, visando objetivos domésticos sem a preocupação de afetar a taxa de câmbio, quanto para ajudar a manter a estabilidade na taxa de câmbio no curto prazo e reduzir as pressões derivadas de uma excessiva entrada de capitais. Mecanismos de controle de capitais podem ocorrer de três maneiras: “(i) controles diretos ou administrativos, ou seja, restrição quantitativa de fluxos de capitais conforme suas origens, maturidades e destinações; (ii) controles indiretos ou baseados em preços, que são estabelecidos pela cobrança de impostos sobre fluxos de capitais entre países e/ou pela imposição de depósitos compulsórios incidentes sobre os fluxos de capitais ingressantes; e (iii) regulações financeiras, isto é, imposição de limites sobre posições cambiais de residentes” (Ferrari Filho e Paula, 2006, p.190) (2).

Em relação à financeirização dos mercados de commodities e, por conseguinte, a especulação dos agentes econômicos com os preços dessas, em A Treatise on Money, publicado em 1930, Keynes, ao propor no Capítulo 38 a reestruturação do sistema monetário internacional (SMI), sinalizava sua preocupação com a necessidade de se estabilizar os preços de 62 commodities como condição fundamental para evitar processos inflacionário e deflacionário na economia mundial, cujas repercussões seriam volatilidade das taxas de câmbio, políticas protecionistas e instabilidade do valor da moeda de reserva internacional (3).

As proposições acima explicitadas são relevantes para que a economia mundial retome seu curso de estabilidade macroeconômica sustentável? Em outras palavras, por mais que as circunstâncias atuais da economia mundial sejam muito diferentes daquelas observadas por Keynes nos anos 1930 e início da década de 1940, há espaço, hoje, para mudanças na ordem econômica mundial e para políticas econômicas intervencionistas nos moldes keynesianos? Em nosso ponto de vista, sim. Vejamos!

Desde abril de 2009, os países membros do G-20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Bank for International Settlements (BIS) têm apresentado algumas propostas para reestruturar o SMI, regular o sistema financeiro e dinamizar as relações de cooperação econômico-financeira internacional que, de certa forma, convergem para os princípios de reestruturação do sistema monetário internacional apresentados por Keynes em Bretton Woods . Nesse sentido, (i) foi aprovado a criação de uma linha de crédito emergencial de US$ 1,1 trilhão para o FMI e outras instituições multilaterais, visando o bailout de instituições financeiras, (ii) o Banco Popular da China propôs a substituição do dólar como moeda de conversibilidade universal, (iii) o BIS encaminhou algumas sugestões de novos mecanismos prudenciais para o sistema financeiro que vão na direção de Basileia III, (iv) o FMI propôs que o SMI expanda o volume de Direito Especial de Saque, incluindo, inclusive, moedas de países emergentes, dentre as quais o yuan e o real, bem como apresentou uma proposta de “regras para a entrada” de fluxos de capitais e (V) o G-20 discutiu a necessidade de se regular as commodities, principalmente a partir da regulamentação das transações de produtos derivativos financeiros de commodities.

Em suma, todas as proposições que têm sido apresentadas e discutidas em nível mundial convergem para a ideia de que políticas econômicas contracíclicas e Estado intervencionista são importantes para mitigar as instabilidades inerentes de economias monetárias decorrentes, em grande parte, dos efeitos disruptivos das atividades especulativas dos agentes econômicas e da dinâmica dos mercados cambial-financeiros. Essa ideia, é o principal legado de Keynes.

Diante deste contexto, não faz sentido a proposição de algumas AE em quererem, de forma unilateral, elevar a taxa básica de juros para controlar o atual processo inflacionário. Essa situação, por exemplo, tem sido observada no Brasil. Mais especificamente, recentemente as AE reiniciaram a trajetória de elevação da Selic, visando, com isso, fazer com que a taxa de inflação retorne para a sua meta, qual seja, 4,5%. Tal estratégia merece algumas considerações:

• A inflação brasileira, assim como a inflação, mundial, não é predominantemente de demanda, justificando, assim, a elevação da Selic. Se excesso de demanda fosse o componente principal de nosso atual processo inflacionário, elevação da taxa de juros e aperto do crédito seriam eficazes. Observando, contudo, a atual tendência de elevação dos principais índices de preços do País, IPCA, IGP-DI e IPC-FIPE, os preços de alimentação e de derivados de commodities minerais, bem como os preços administrados têm subido acima dos preços livres;

• Devido, por um lado, ao fato da liquidez internacional estar muito elevada em função das políticas adotadas nos países desenvolvidos para superar a crise financeira e, por outro lado, as taxas de juros internacionais encontrarem-se muito baixas – por exemplo, as taxas básicas de juros dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Inglaterra, do Japão e da Zona do Euro são, respectivamente, 0,25% ao ano, 0,5% ao ano, 0,1% ao ano e 1,0% ao ano –, logo o Brasil, com uma Selic de 11,25% ao ano é o principal destino para as operações de carry trade. Assim sendo, o influxo de capitais para a economia brasileira acaba contribuindo para a apreciação cambial, cujo reflexo direto é a deterioração das contas externas;

• Selic em elevação faz com que o custo de rolagem da dívida pública se eleve – cerca de 40,0% dos títulos públicos da referida dívida são indexados à Selic –, comprometendo, assim, qualquer esforço fiscal do Governo para equilibrar as contas públicas;

• Por fim, expectativas de elevação da taxa básica de juros têm impacto sobre a preferência pela liquidez dos agentes econômicos e, por conseguinte, suas ações especulativas e, ao mesmo tempo, posterga as decisões de consumo e investimento da economia.

Em suma, para que a estabilidade macroeconômica seja efetivamente assegurada, as AE brasileiras, passado os efeitos do pior momento da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, não devem se encantar com o “canto das sereias” dos arautos do Estado mínimo, das políticas de austeridade fiscal, de metas para a inflação, da livre mobilidade de capitais etc., mas, muito pelo contrário, devem implementar políticas econômicas de cunho keynesiano – política fiscal contracíclica ( mais especificamente, em tempos de recessão, política fiscal expansionista e redução do superávit fiscal, enquanto em tempos de prosperidade austeridade fiscal e, por conseguinte, elevação do superávit público), política monetária em conformidade com àquelas praticadas pelos bancos centrais internacionais e política cambial semelhante aos dos regimes de “administração” da taxa de câmbio, inclusive com adoção de mecanismos eficazes de controle de capitais.

(*) Professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do CNPq.

NOTAS

(1) Tendo como base 2005 =100, os preços médios das commodities agrícolas e minerais, em geral, atingiram os seguintes índices: por um lado, os índices das agrícolas chegaram a 180 em 2008/II e, após uma queda acentuada durante o auge da crise financeira internacional em 2009, fecharam 2010 ao redor de 155; por outro lado, os índices das minerais elevaram-se para 200 em 2007/II, caíram ao longo de 2009 e se encontravam em 170 no último trimestre de 2010. Observando especificamente o comportamento do preço médio do petróleo brent, a evolução foi a seguinte: em 2005 o preço médio era da ordem de US$ 45,0; em 2008/I ele elevou-se para US$ 110,0; a crise financeira internacional fez com que o preço médio caísse para US$ 60,0 em 2009; e em 2010/IV ele voltou a elevar-se, US$ 80,0. Valores calculados pelo autor tendo como referência as informações estatísticas do Fundo Monetário Internacional (Data and Statistics, 2011).

(2) Fernando Ferrari Filho e Luiz Fernando de Paula. Regime cambial, conversibilidade da conta de capital e performance econômica: a experiência recente de Brasil, Rússia, Índia e China. In: Sicsú, J. e Ferrari Filho, F. (2006). Câmbio e Controle de Capitais: avaliando a eficiência de modelos macroeconômicos. Rio de Janeiro: Campus, pp.184-221.

(3) Para mais detalhes, veja: John Maynard Keynes, A Treatise on Money, New York, AMS Press, 1976, p.391.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Debate com Luís Nassif, Rogério Santana e Manuela D'Ávila e outros


O jornalista Luis Nassif, a deputada federal Manuela D’Ávila e o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, participam neste sábado, 26 de fevereiro, do debate “Internet: Acesso Universal e Liberdade da Rede”. O evento será promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, na sede do Sindicato dos Bancários. Neste mesmo dia será lançada a campanha BANDA LARGA É UM DIREITO SEU! Uma ação pela Internet barata, de qualidade e para todos, organizada por dezenas de entidades da sociedade civil.

O objetivo do Seminário é discutir, em duas mesas, os principais desafios que o Brasil deve enfrentar para garantir uma internet rápida, barata e de qualidade para todos, com liberdade de expressão. A primeira mesa, “A Luta por uma Internet Livre e os Ataques Conservadores à Rede”, contará com os professores Sérgio Amadeu e Marcos Dantas, além de Nassif e Manuela.

Já a mesa da tarde, “O Plano Nacional de Banda Larga e a Luta pela Universalização da Internet no Brasil”, terá como debatedores Rogério Santanna — que detalhará os planos da Telebrás para a área —, Percival Henrique, da Associação Nacional pela Inclusão Digital e membro do Conselho Gestor da Internet no Brasil, e da jornalista Renata Mielli
(Barão de Itararé).

“A internet tem sido um fator importante para promover maior diversidade e pluralidade na comunicação”, afirma Renata. “Lutar para que o acesso à rede seja universalizado, acabando com a exclusão digital, e defender a liberdade de expressão são bandeiras estratégicas de todos que lutam por uma comunicação e uma sociedade mais democráticas.”

Segundo a secretária-geral do Centro Barão de Itararé, “é preciso que as pessoas tomem conhecimento dos ataques que a internet está sofrendo e se mobilizem contra tais iniciativas, no Brasil e no mundo. Ao lado disso, é preciso exigir do Estado políticas públicas de acesso a
internet — barata, de qualidade e para todos”.


O valor da inscrição para o debate é de R$ 20,00 e deve ser feita pelo e-mail: contato@baraodeitarare.org.br ou pelo telefone 11 3054-1829. Na ocasião, haverá o lançamento do gibi Eu Quero a Banda Larga, produzido pelo Barão de Itararé.

PS. O endereço correto é Rua São Bento, 413 - Ed. Martinelli - Centro
- São Paulo/SP

Dúvidas fico à disposição.

Att,
Danielle Penha
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
11 3054-1829
11 3054-1848 fax
contato@baraodeitarare.org.br
Acessem: http://www.baraodeitarare.org.br/


O orçamento de Obama congelará os pobres

Na proposta de orçamento que entregou semana passado ao Congresso dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama propôs o congelamento de gastos do governo nos próximos cinco anos. Prestem atenção à palavra “congelar”. Isso é precisamente o que pode acontecer a muita gente se este orçamento for aprovado tal como proposto.

Enquanto o gasto com defesa aumenta, uma vez que o Pentágono realizará seu maior pedido de financiamento desde a Segunda Guerra, o orçamento propõe cortar a metade do programa denominado Programa de Assistência Energética para Lares de Baixa Renda.

Amy Goodman - Democracy Now - no sitio CartaMaior

Na semana passada, o presidente Barack Obama tornou público seu orçamento para 2012 e, orgulhoso, pronunciou as seguintes palavras: “Pedi que se congelasse o gasto interno anual nos próximos cinco anos. Este congelamento reduziria o déficit em mais de 400 bilhões durante a próxima década e levaria este tipo de gasto ao menor nível de nossa economia desde a presidência de Dwight Eisenhower”.

Prestem atenção à palavra “congelar”. Isso é precisamente o que pode acontecer a muita gente se este orçamento for aprovado tal como foi proposto. Enquanto o gasto com defesa aumenta, uma vez que o Pentágono realizará seu maior pedido de financiamento desde a Segunda Guerra Mundial, o orçamento propõe cortar a metade do programa denominado Programa de Assistência Energética para Lares de Baixa Renda (LIHEAP, em sua sigla em inglês).

O programa LIHEAP oferece fundos federais aos estados para que estes possam ajudar economicamente a lares de baixa renda e assim satisfazer suas necessidades energéticas, principalmente calefação. A maioria dos beneficiários deste programa são pessoas da terceira idade ou portadores de necessidades especiais. O programa tem atualmente um financiamento de 5 bilhões de dólares e Obama quer reduzi-lo para 2,57 bilhões – quase a metade. Este é um programa de vida ou morte porque literalmente pode evitar que as pessoas morram de frio e representa menos da décima parte do 1% do orçamento anual de 3,7 trilhões de dólares que foi apresentado.

Comparemos esta cifra com o orçamento militar apresentado. “Gasto de defesa” é uma denominação incorreta. Até 1947-48, o nome oficial do Pentágono era (corretamente) Departamento da Guerra. No orçamento divulgado no Dia de São Valentim, o Departamento de Defesa solicita 553 bilhões de dólares como orçamento base, mais um aumento de 22 bilhões relativo a um adicional orçamentário de 2010. A Casa Branca solicitou o que denomina “78 bilhões” em cortes, que o Secretário da Defesa, Robert Gates, está considerando. Mas como assinala o Institute for Policy Studies: “O Departamento de Defesa fala de cortar seu próprio orçamento – 78 bilhões em cinco anos – e a maioria dos meios de comunicação toma isso ao pé da letra, quando não deviam fazê-lo. O Pentágono segue com o costume de planificar aumentos ambiciosos, para logo baixá-los e chamar isso de corte”.

O orçamento de 553 bilhões de dólares do Pentágono sequer inclui os gastos de guerra. Para mérito de Obama, os mesmos estão de fato no orçamento. Lembrem quando o presidente George W. Bush se referiu várias vezes aos gastos como necessidades de “emergência” e pressionou o Congresso para que aprovasse fundos complementares por fora do processo orçamentário habitual. No entanto, o governo de Obama deu às guerras do Iraque, Afeganistão e Paquistão o apelido orwelliano de “operações de contingência no exterior”, solicitando para tanto 118 bilhões de dólares. Se somamos isso aos 55 bilhões para o Programa Nacional de Inteligência (um ponto do orçamento cuja quantidade nunca antes havia sido revelada, segundo o especialista do governo em assuntos secretos Steven Aftergood), o orçamento militar/e de inteligência anunciado publicamente estaria na ordem dos três quartos de trilhão de dólares.

O orçamento de 216 páginas apresentado por Obama não menciona uma única vez o Pentágono. No entanto, menciona o nome do presidente Eisenhower. Em duas oportunidades, atribui a Eisenhower a criação do sistema nacional de autoestradas entre os estados e, como já foi mencionado, faz alarde em torno da proposta de congelar o gasto. “Esse congelamento seria o maior esforço destinado a restringir o gasto dos últimos 30 anos, e para 2015 diminuiria os fundos para gastos não relacionados com a segurança como parte da economia, o nível mais baixo desde que Dwight Eisenhower foi presidente”.

Se Obama vai se referir a seu predecessor, deveria aprender com a advertência profética de Eisenhower, pronunciada em seu discurso de despedida de 1961: “Fomos obrigados a criar uma indústria armamentista permanente de enormes proporções. Três milhões e meio de homens e mulheres participam diretamente do estabelecimento da defesa. A influência total – econômica, política e inclusive espiritual – se sente em cada cidade, em cada capitólio estadual, em cada escritório do governo federal. Reconhecemos a necessidade fundamental deste desenvolvimento.
No entanto, devemos entender suas graves repercussões. Nos conselhos do governo devemos tratar de evitar que o complexo militar-industrial adquira influência injustificada, seja ela buscada ou não. Existe e seguirá existindo potencial para que haja um aumento desastroso do poder em mãos inadequadas”.

Outro discurso de Eisenhower que deveria orientar Obama foi pronunciado em abril de 1953, na Sociedade Estadunidense de Diretores de Jornais, apenas duas semanas depois dele assumir como presidente. Neste discurso, o general tornado presidente disse: “Cada arma que fabrica, cada barco de guerra que se lança na água, cada foguete que se dispara significa em última instância um roubo aqueles que padecem de fome e não tem alimento, aqueles que têm frio e não tem abrigo”.

Estamos vivendo um dos invernos mais frios da história nos EUA. Uma em cada oito pessoas nos EUA usa cupões de alimentação, o que representa a maior porcentagem da história. Muitos outros também carecem de assistência de saúde, apesar dos benefícios iniciais da lei da reforma do sistema de saúde aprovada no ano passado. Os estadunidenses têm frio, fome e estão desempregados. Ao aumentar o gasto militar, que já é superior a todos os orçamentos militares do mundo tomados em seu conjunto, simplesmente estamos levando esse sofrimento ao exterior. Devíamos ter claro quais são as nossas prioridades.

(*) Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.

Tradução: Katarina Peixoto

Riverdies no Grito de Rock em Salvador








Dia 7 de março 21:00h – 8 de março 00:00h
Palco do Rock –
Av. Otávio Mangabeira, S/N Coqueiral da Praia
Salvador – Brazil

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

QUE ENDURECERSE, PERO SIN PERDER … O BOM HUMOR





O movimento, ao que parece, é espontâneo e não tem tutela de nenhum partido político. Brotou da irreverência de uma gente que prefere enfrentar a mediocridade administrativa municipal, com o indefectível bom humor. Confira aí. Repliquei do blog http://estouprocurandooquefazer.blogspot.com/

Repassando...

"Meus amigos, todos nós que moramos em Campos sabemos das inúmeras insatisfações que quase todos os moradores possuem com o governo e com a administração pública desta cidade. Os motivos de ira e revolta são inúmeros e parecem não ter fim. Apesar disto, não fazemos absolutamente nada!

Nos calamos e o máximo que fazemos é manifestar a nossa ojeriza com amigos e familiares.

Sendo assim, gostaria de convidá-lo a se unir à manifestação do “buraco rosinha”. É isso mesmo que você ouviu! No dia 18 de março, à noite, iremos pintar o buraco da rua de nossa casa, ou algum buraco nas ruas da cidade (não é difícil encontrar...) da cor rosinha. Na cidade existem centenas (quando existe um período de chuva este número chega a milhares) de buracos e cratreras que acabam com os nossos carros.

Sendo assim, vamos chamar a atenção das autoridades, do povo, da mídia... vamos fazer alguma coisa!

Esta é apenas uma das várias manifestações que pretendemos fazer ao longo deste ano.
Por favor, divulgue esta mensagem em sua lista de e-mail e peça aos seus contatos que façam o mesmo.

Já imaginou, no sábado 19 de março, a cidade amanhecer cheia de buracos rosinhas?
Ajude-nos nesta campanha! Divulgue esta idéia

fonte: Blog do Fernando Leite



Livre pensar é só pensar

por Luiz Carlos Azenha no VioMundo

Tinha uma coluna no antigo Pasquim (jornal de humor e político dos tempos do regime militar) intitulada assim: Livre pensar é só pensar.

Penso que o governo Dilma, apoiado mais no PMDB que nos movimentos sociais, mais em Palocci que na bancada federal do PT, representará a repactuação das forças do Congresso que se assentam na conjugação “terras+meios de comunicação”.

Isso significa a adesão definitiva do país a uma divisão internacional do trabalho em que nosso papel é, acima de qualquer outra coisa, o de exportador de commodities.

É óbvio que isso não começou agora.

Todas as obras essenciais do governo Lula, nenhuma das quais enfrentou resistência da grande imprensa, estavam (e estão) de certa forma voltadas para isso: as hidrelétricas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte, a transposição do rio São Francisco e as ferrovias Norte-Sul e Transnordestina.

Essas obras, para além dos impactos positivos que eventualmente tiverem para as populações locais, se enquadram no aprofundamento do modelo de exportação de minérios e do agronegócio.
As hidrelétricas na Amazônia servirão acima de tudo às atividades eletrointensivas das mineradoras. A transposição do São Francisco à incorporação de regiões inteiras do Nordeste ao agronegócio. As ferrovias ao escoamento da produção rumo aos portos.

Quando a ex-ministra Marina Silva deixou o governo Lula, o fez diante do enfraquecimento do Ministério do Meio Ambiente diante das pressões da “turma da engenharia” e da bancada ruralista. De lá para cá, tivemos o virtual congelamento das reservas indígenas onde interessa (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), como parte do acordo que permitiu a aprovação da reserva Raposa Serra do Sol. O enfraquecimento da Funai. Agora, os servidores do Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário já farejaram que vem desmonte por aí (clique aqui para ler). Não duvido que o mesmo aconteça em relação à Anvisa e aos órgãos do governo encarregados de fiscalizar os transgênicos.

O Brasil é campeão mundial no uso “seguro” de agrotóxicos, mas isso só existe no papel, diz a professora Raquel Rigotto (clique aqui para ler). A plantação de transgênicos no Brasil aumentou 19% em apenas um ano, existe legislação para informar os consumidores sobre a presença de transgênicos nos supermercados, mas ela não é cumprida, informa o Estadão. São duas áreas em que navegamos às cegas, sem considerar as consequências danosas que os venenos e os transgênicos possam ter na saúde pública e no meio ambiente.

Isso é resultado de um consenso em que até os comunistas se renderam: Aldo Rebelo, do PCdoB, foi o relator do projeto de mudança do Código Florestal que é apenas mais um capítulo no avanço do pacto que, me parece, norteia nossa política agora mais do que nunca. A revisão do Código Florestal significa o avanço “para dentro” do agronegócio. Teremos, igualmente, o avanço “para fora”. Trata-se do projeto conjunto de Brasil e Estados Unidos para a produção de etanol em países da América do Sul, do Caribe e da África.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento é parte deste esforço, gerenciado nos Estados Unidos pelo irmão do ex-presidente George Bush, o ex-governador da Flórida Jeb Bush, e no Brasil pelo ex-ministro da Agricultura do governo Lula, Roberto Rodrigues (clique aqui para ler, em inglês). O esforço conjunto empacou no protecionismo do Congresso dos Estados Unidos, que renovou a aplicação de tarifas ao etanol importado do Brasil e no alarme causado pelo impacto que a prioridade ao etanol traria à produção de alimentos. Mas isso não implicou em redução da produção nos Estados Unidos: hoje 25% de todos os grãos produzidos lá já são usados em biocombustíveis, de acordo com o Earth Policy Institute. Quanto mais subir o preço do petróleo, maior será a viabilidade econômica de um mercado mundial de biocombustíveis — para o qual, aliás, marcham grandes investidores internacionais

Dar “segurança jurídica” às novas fronteiras do agronegócio — na Colômbia, em El Salvador e Gana — pode ajudar a selar o novo estágio das relações entre Brasil e Estados Unidos. Resta saber se isso será feito às custas de classificar o Movimento dos Sem Terra como “entidade terrorista”. A gente compra uns caças deles, eles nos colocam no Conselho de Segurança da ONU e estamos conversados. Só estou livre-pensando.


Centrais Sindicais


Para CUT, questão ficou esquecida pelo governo com o fim das negociações com as centrais

Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, apresenta para senadores da base aliada do governo o projeto de lei que reajusta o salário mínimo para R$ 545 e cria diretrizes para uma política de valorização (Foto: Antonio Cruz/ABr)

São Paulo – Com a aprovação do salário mínimo de R$ 545 na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (16), as centrais sindicais agora tentam incluir concessões maiores do governo entre as contrapartidas. Os principais pontos são o reajuste das aposentadorias e em uma correção maior na tabela do Imposto de Renda – 6,5% em vez dos 4,5% propostos pelo Executivo. O Senado aprovou urgência para votação do salário mínimo, para que ele não precise passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Para o secretário-geral da CUT, Quintino Severo, o debate precisa ser inserido novamente na discussão. "O reajuste da aposentadoria é outra questão a entrar na pauta que ainda não foi concluída com o fim das negociações entre governo e centrais. Vamos tentar conseguir uma proposta que também seja a longo prazo para recuperar o poder de compras das aposentadorias, se possível acima do salário mínimo", defendeu.

Severo afirma também que a intenção é propor reajuste maior para o Imposto de Renda e uma regra de correção permanente. "Nossa expectativa é de que possamos ter um acordo por pelo menos mais quatro anos que possa viabilizar uma correção automática da tabela do IR", defendeu.

Segundo Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), o debate sobre aposentadorias não foi incluído porque o governo barrou a questão. "Apesar de a gente reinvidicar que fosse aplicado o mesmo reajuste do mínimo também aos aposentados, não tivemos retorno disso e a questão não obteve sucesso em discussão", reclamou o sindicalista.

Articulações

Como ocorreu na véspera da votação do salário mínimo na Câmara, em que houve intensa movimentação política, o dia no Senado também foi repleto de articulações. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, estiveram em reunião com senadores nesta terça-feira (22).

Barbosa explicou o impacto de um aumento maior que R$ 545 para as contas públicas. “Cada real de aumento no mínimo equivale a R$ 300 milhões a mais para a União, custo excessivo na folha de pagamento da Previdência”, ressaltou. Segundo o ministro, um salário de R$ 560 como querem alguns parlamentares custaria R$ 3,5 bilhões a mais para os cofres da União.

A respeito da correção da tabela do Imposto de Renda, o ministro Luiz Sérgio reafirmou que a medida provisória será proposta pelo governo assim que o Senado seguir os passos da votação da Câmara e aprovar o valor do mínimo. "O que estamos fazendo é corrigir a tabela pela meta inflacionária. Como a meta é 4,5%, a correção é 4,5%", disse Luiz Sérgio em entrevista coletiva após a reunião.

Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a presidenta Dilma Rousseff também pediu rapidez na aprovação do projeto para que o valor passe a valer a partir de março.


Paim diz que troca aumento do mínimo por política de reajuste para aposentados

Por: Mariana Jungmann


O senador do PT-RS Paulo Paim (Foto: Ag. Senado/Arquivo)

Brasília – O senador Paulo Paim (PT-RS) deu sinais nesta segunda (21) de que aceita abrir mão da emenda que propõe a elevação do salário mínimo para R$ 560 este ano. A posição seria adotada caso o Executivo federal garantir uma política de valorização para aposentados que recebem mais do que o piso nacional, além de uma proposta para o fim do fator previdenciário.

Na semana passada, ainda antes de o projeto de lei ter chegado ao Senado, Paim havia anunciado que iria propor uma antecipação de R$ 15 do reajuste do próximo ano, para que o salário atingisse o valor pedido pelas centrais sindicais agora.

Agora, o senador disse que irá “conversar com a bancada e com os ministros” para negociar a troca da emenda pelo debate. “Todo trabalhador sabe que é muito mais importante para ele avançar numa política permanente para os aposentados do que uma antecipação de R$ 0,50 por dia no salário mínimo”, afirmou.

O governo vem tratando a correção da tabela do Imposto de Renda como moeda de troca para assegurar a aprovação do mínimo. Se o projeto de lei que prevê política de valorização até 2015 for aceita também pelo Senado, uma proposição para o IR seria encaminhada ao Congresso. Paim tenta estender a contrapartida.

Apesar do recuo, Paim negou que tenha sido “enquadrado” pelo PT. Na semana passada, o líder do partido, senador Humberto Costa (PT-PE), avisou que iria cobrar “reciprocidade” dos colegas de partido e que faria de tudo para derrubar as emendas que surgissem na base aliada antes de serem apresentadas. “Todos me conhecem, a mim ninguém enquadra. Se eu reconheço que essa política [de reajuste do salário mínimo] é boa, eu não quero alterar essa política”, disse o senador.

Oposição

Mas, com a oposição não foi tão fácil evitar emendas que propõem reajuste maior para o mínimo. O líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), protocolou hoje a proposta de R$ 600 que havia anunciado. Logo após a leitura do projeto em plenário, o líder apresentou sua proposta e justificou que há dinheiro no caixa do governo para bancar um salário maior.

“Há R$ 24 bilhões de receita pública não declarada no Orçamento e ainda a possibilidade de fazer um corte de R$ 11,5 bilhões, se nós voltarmos a praticar o patamar de despesas correntes de 2008. Então, tecnicamente, é possível bancar o mínimo de R$ 600”, alegou o líder tucano.

Dias também apresentou emenda para tentar derrubar o artigo do projeto que estipula que o reajuste anual do mínimo ocorrerá por decreto, conforme as regras que forem aprovadas pelo Congresso. Ele considera a matéria inconstitucional e disse que o Supremo Tribunal Federal será acionado se o texto for aprovado.

“É elementar que o senador defenda a sua instituição e proteja a Constituição de afrontas que se tornam cada vez mais rotineiras. É nosso dever ir às últimas consequências e levar ao STF uma ação direta de inconstitucionalidade”, alegou o senador.

O projeto que trata da política permanente de reajuste do salário mínimo e estipula o valor de R$ 545 para este ano será votado na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado nesta quarta-feira (23).

leia mais aqui


Teólogo: um ser quase impossível

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro


Leonardo Boff no Brasil de Fato


Muitos estranham o fato de que, sendo teólogo e filósofo de formação, me meta em assuntos alheios a estas disciplinas como a ecologia, a política, o aquecimento global e outros.

Eu sempre respondo: faço, sim, teologia pura, mas me ocupo também de outros temas exatamente porque sou teólogo. A tarefa do teólogo, já ensinava o maior deles, Tomás de Aquino, na primeira questão da Suma Teológica é: estudar Deus e sua revelação e, em seguida, todas as demais coisas "à luz de Deus” (sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e o fim de tudo.

Portanto, cabe à teologia ocupar-se também de outras coisas que não Deus, desde que se faça luz de Deus”. Falar de Deus e ainda das coisas é uma tarefa quase irrealizável. A primeira: como falar de Deus se Ele não cabe em nenhum dicionário? A segunda, como refletir sobre todas as demais coisas, se os saberes sobre elas são tantos que ninguém individualmente pode dominá-los? Logicamente, não se trata de falar de economia com um economista ou de política como um político. Mas falar de tais matérias na perspectiva de Deus, o que pressupõe conhecer previamente estas realidades de forma critica e não ingênua, respeitando sua autonomia e acolhendo seus resultados mais seguros. Somente depois deste árduo labor, pode o teólogo se perguntar como elas ficam quando confrontadas com Deus? Como se encaixam numa visão mais transcendente da vida e da história?

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro. É coisa seríssima, pois se trabalha com a categoria ”Deus” que não é um objeto tangível como todos os demais. Por isso, é destituída de qualquer sentido, a busca da partícula "Deus” nos confins da matéria e no interior do "Campo Higgs”. Isso suporia que Deus seria parte do mundo. Desse Deus eu sou ateu. Ele seria um pedaço do mundo e não Deus.

Faço minhas as palavras de um sutil teólogo franciscano, Duns Scotus (+1308) que escreveu: "Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. Quer dizer, Deus não é da ordem das coisas que podem ser encontradas e descritas. É a Precondição e o Suporte para que estas coisas existam. Sem Ele as coisas teriam ficado no nada ou voltariam ao nada. Esta é a natureza de Deus: não ser coisa, mas a Origem das coisas.

Aplico a Deus como Origem aquilo que os orientais aplicam à força que permite pensar: "a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. A Origem das coisas não pode ser coisa.

Como se depreende, é muito complicado fazer teologia. Henri Lacordaire (+1861), o grande orador francês, disse com razão: "O doutor católico é um homem quase impossível: pois tem de conhecer todo o depósito da fé e os atos do Papado e ainda o que São Paulo chama de os ‘elementos do mundo’, isto é tudo e tudo”.

Lembremos o que asseverou René Descartes (+1650) no Discurso do Método, base do saber moderno: "se eu quisesse fazer teologia, era preciso ser mais que um homem”. E Erasmo de Roterdam (+1536), o grande sábio dos tempos da Reforma, observava: "existe algo de sobrehumano na profissão do teólogo”. Não nos admira que Martin Heidegger tenha dito que uma filosofia que não se confrontou com as questões da teologia, não chegou plenamente ainda a si mesma. Refiro isso não como automagnificacão da teologia, mas como confissão de que sua tarefa é quase impraticável, coisa que sinto dia a dia.

Logicamente, há uma teologia que não merece este nome porque é preguiçosa e renuncia a pensar Deus. Apenas pensa o que os outros pensaram ou o que o que disseram os Papas.

Meu sentimento do mundo me diz que hoje a teologia enquanto teologia tem que proclamar aos gritos: temos que preservar a natureza e harmonizarmo-nos com o universo, porque eles são o grande livro que Deus nos entregou. Lá se encontra o que Ele nos quer dizer. Porque desaprendemos a ler este livro, nos deu outro, as Escrituras, cristãs e de outros povos, para que reaprendêssemos a ler o livro da natureza. Hoje ela está sendo devastada. E com isso destruímos nosso acesso à revelação de Deus.

Temos, pois, que falar da natureza e do mundo à luz de Deus e da razão. Sem a natureza e o mundo preservados, os livros sagrados perderiam seu significado que é reensinarmos a ler a natureza e o mundo. O discurso teológico tem, pois, o seu lugar junto com os demais discursos.


Leonardo e Clodovis Boff escreveram Como fazer teologia da libertação Vozes 2010.


Quando um juiz pede ajuda

Gostaria de chamar a atenção de todos, especialmente nos círculos juridicos da política nacional, especialmente no estado do Espírito Santo.

do blog http://redecastorphoto.blogspot.com/

Trata-se de uma situação extremamente delicada porque tem a ver com uma prática em toda a nação. Essa é a da omissão consciente e deliberada que acoberta crimes os mais variados, ora por conveniência, ora por fraqueza de caráter. Mas podemos dizer com absoluta certeza que se trata de crime da pior qualidade: o da conivência com o crime organizado. O crime organizado já tomou conta do Brasil da mesma maneira como já tomou conta do México. A diferença é que no México existe a tentativa de erradicar o narcotráfico em um programa declarado, enquanto que no Brasil a corrupção é a covardia declarada que invade serena; portanto, sem um programa semelhante.

No estado do Espírito Santo existe uma luta semi-declarada contra os interesses do crime organizado que todos sabem tomou conta da vida social e politica desde muito, mas particularmente durante a administração de Paulo Hartung. No entanto houve a tentativa de fazer uma mudança nessa situação com a eleição de Renato Casagrande, mas todos sabem, e temos lido em inúmeras fontes, que as forças do crime organizado estão de tal forma entrincheiradas que está sendo impossível essa mudança tão esperada pela população que está acuada e vivendo em um verdadeiro campo de batalha. Ali o silêncio impera. Todos estão ganhando o seu na moita. Até hoje não se fez justiça pelo assassinato do juiz Alexandre Martins.

Leiam o caso em:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/03/69623-


Os recursos para a saúde pública


Emir Sader no blog do Emir

Um governo que pretende reverter a brutalmente desigual distribuição de renda no Brasil, tem que ter na reforma tributária, socialmente progressiva, um instrumento insubstituível. A tributação é um meio fundamental para que a ação estatal se contraponha às tendências a concentração de renda do mercado.

Os recursos fundamentais do governo vêm da tributação que, no Brasil, tem um sistema extremamente injusto, que tributa mais aos que ganham menos e menos aos que ganham mais. Que privilegia os impostos indiretos em relação aos diretos.

A CPMF é um imposto direto, que cobra conforme o movimento de dinheiro, que não pode ser sonegado. Quando propôs a renovação da CPMF, na sua primeira versão, o governo não explicitava o destino dos recursos arrecadados, o que dificultou sua aprovação. Quando os campos de votação já estavam praticamente definidos, o governo apresentou a emenda segundo a qual a totalidade do arrecadado seria destinado para a saúde pública, mas já era tarde e a proposta foi derrotada.

Aquele que é talvez o tema mais agudo nas politicas sociais - extensão e a qualidade dos serviços de saúde publica – está desfinanciado, sem os recursos suficientes para garantir sua realização. É inevitável voltar ao tema, criar as condições favoráveis, mobilizando a massa da população – beneficiária direta de uma tributação esse tipo, que tem um profundo caráter redistributivo – para que o governo disponha dos recursos para dar o salto indispensável no atendimento da saúde da massa da população.



Tempo


imagem: VEganforlife


Preciso de tempo
[qualquer tempo]
para ter tempo
de sentir teu gosto,
teu suor,
teu sono em meu ombro.


...para sentir
tua pele comigo.


Preciso de tempo
para o tempo valer
a distância
que não para
de aumentar.


Ana Marques
no blog: http://falopios.blogspot.com

A batalha final da Justiça italiana contra Berlusconi



Silvio Berlusconi, chefe do governo, dono de cadeias televisivas e jornais, homem dos mais ricos da Itália e do mundo, chegou à batalha final (palavras suas) com a Justiça que há 20 anos tenta – até agora inutilmente – chamá-lo prestar a infinidade de contas pendentes – da corrupção à humilhante “instigação à prostituição de menores” de agora.

No dia 17 de março, serão celebrados os 150 anos da proclamação da unidade da Itália. Se, desta vez, “il Cavaliere” finalmente caísse, seria uma espécie de renascimento do país. Mas não será fácil, nem pela via política, nem pela judiciária. E, mesmo livrando-se de Berlusconi, será muito difícil, após 20 anos, livrar-se do berlusconismo.

Maurizio Matteuzzi - Il Manifesto no sítio CArtaMaior

Il Manifesto

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o confronto político na Itália nunca foi tão áspero e violento. Nem naqueles anos tórridos entre 1945 e 1948, quando a propaganda anticomunista agitava o fantasma dos “cossacos de Stalin acampados na Piazza San Pietro” de Roma e parecia que o que estava em jogo, na reorganização do mundo após a derrota do nazifascismo de Alemanha-Itália-Japão, era a futura posição internacional da Itália: entre os Estados Unidos da América e a Democracia Cristã de um lado e a União Soviética e o Partido Comunista Italiano de outro (mesmo que, na realidade, a decisão já tivesse sido tomada na conferência entre Stalin, Churchill e Roosevelt de fevereiro de 1945).

Silvio Berlusconi, chefe do governo, dono de cadeias televisivas e jornais, homem dos mais ricos da Itália e do mundo, chegou à batalha final (palavras suas) com a Justiça que há 20 anos tenta – até agora inutilmente – chamá-lo prestar a infinidade de contas pendentes – da corrupção à humilhante “instigação à prostituição de menores” de agora.

O “Cavaliere”, como o chamam na Itália (e antes dele já houve um ilustre predecessor assim definido, o “Cavalier Benito Mussolini”) – ou “il Caimano” [“o Caimão” (jacaré)], como o chamam agora, a partir do título de um filme profético de Nanni Moretti de 2006 – levou o confronto político a um nível que muitos definem golpista. Uma espécie de golpe sutil e rasteiro, que ele ameaça e pratica, valendo-se da maioria parlamentar conquistada nas últimas eleições políticas de 2008, mas que agora está em vias de esfacelamento e reduzida a uns poucos votos (o que o obriga a uma campanha extenuante e incessante de captação de deputados na Câmara e no Senado no varejo); e, sobretudo, valendo-se das pesquisas de opinião (cujo prazo de vencimento é quase quotidiano) que, assegura, confirmam o índice de aprovação em torno dos 50% que o torna “o chefe de governo mais popular do Ocidente”.

Ainda que outras pesquisas digam que o índice despencou, nos últimos meses, dos 50 para 30%, é preciso reconhecer que se trata de um dado relevante e inquietante que confirma uma base sólida do “berlusconismo”. E não torna em nada seguro, no desencanto generalizado do país em relação à política e no vazio da proposta apresentada pelo principal partido de oposição – o Partido Democrático (PD), herdeiro cada vez mais pálido do velho PCI [Partido Comunista Italiano] e acrescido de alguns ex-DC [Democracia Cristã], uma formação litigiosa, sempre dividida sobre tudo e guiada por um líder (o ex-ministro Pierluigi Bersani) que não consegue impor a sua liderança –, que nas próximas eleições políticas, com toda probabilidade antecipadas para este ano ao invés do prazo natural de 2013, uma coalizão de centro-esquerda (cada vez mais de centro que de esquerda) com o PD na cabeça possa pôr a palavra fim a Berlusconi e ao “berlusconismo”.

“Il Cavaliere” ou “il Caimano”, inscrito na loja maçônica P-2 do “venerável” Licio Gelli (portador de um projeto subversivo e protofascista na Itália e também na América Latina) começou a sua carreira de empreendedor, cheia de cantos escuros, nos anos 80 graças aos favores de Bettino Craxi, ex-líder do Partido Socialista Italiano e ex-primeiro ministro que acabou mal (morto em 2000 na Tunísia, em Hammamet, onde estava refugiado depois de ser condenado pela Justiça, em última instância, por corrupção e malversação). Se fez conhecer como proprietário do grande Milan, o time de futebol que naqueles anos jogava divinamente e vencia tudo, e depois com as suas televisões, nas quais se fazia largo uso das tetas e das bundas de “garotas” provocantes.

Uma marca de fábrica que hoje, quem sabe, será marca do próprio fim e que o acompanhou por toda a sua carreira política – depois que se decidiu, em 1994, à frente do seu novo partido “Força Itália”, a “ir a campo como se vai a uma guerra”. Contra os “juízes politizados” (as “togas vermelhas”) que começavam a interpelá-lo; contra os comunistas que, ainda que em extinção, ele via por todo lado, prestes a meter as mãos nas suas riquezas e propriedades; contra “le tasse” (quando se tornou primeiro ministro, caso provavelmente único na história, incitou os cidadãos a sonegar os impostos – um esporte, diga-se de passagem, já há muito praticado na Itália) e, naturalmente, para afirmar os “valores liberais” e “a liberdade” tout court.

Berlusconi foi chefe de governo por quatro vezes: de 1994 a 1995, de 2001 a 2005, de 2005 a 2006 e de 2008 até hoje. E até quando? “O Caimão” é um animal duro de matar e capaz de tudo. Porque, na verdade, ele “foi a campo” para salvar a própria cabeça. A sua carreira política como chefe de governo guiou-se sempre por um único objetivo de fundo: salvar-se. Salvar-se, graças a um exército de advogados e a um rio de dinheiro, dos juízes que, no decorrer dos anos, acumulavam provas sobre provas dos seus malfeitos. Por isto que como “premier”, além das tantas “reformas liberais” prometidas, promoveu e impôs quase exclusivamente uma infinidade de leis “ad personam”. A sua.

Leis que conseguiram ou tentaram limitar os poderes dos juízes, submeter o Ministério Público ao controle do governo, eliminar o instrumento das interceptações telefônicas (aquelas pelas quais agora ele se vê encurralado) determinadas pela magistratura (e que se mostraram essenciais, por exemplo, na luta contra a Máfia, à qual se descobriu que eram muito ligados alguns dos homens mais próximos a ele...). Leis que lhe devolviam a imunidade e o colocavam a salvo da “perseguição judiciária”das “togas vermelhas”. Até hoje, sempre se deu bem. Processos prescritos por decurso de prazo, algumas absolvições, uma sequela sem fim de recursos, reenvios, exceções, falácias apresentados pelos seus advogados.

Desta vez parece mais difícil. É simbólico que o tropeço tenha relação com as mulheres, cruz e delícia da sua vida desde quando dava uma de “entertainer” e cantor em navios de cruzeiro.

Quando os seus shows eróticos já eram de domínio público, mas ainda não oficiais, a carta da sua esposa (agora ex) a um jornal, no fim de 2007, e uma outra em 2009, precipitaram os acontecimentos. “Meu marido me deve desculpas”, escreveu Veronica Lario, “é uma pessoa doente”. Doente de sexo. Não apenas belas garotas que depois recompensava com dinheiro e presentes, mas também com cargos no parlamento ou mesmo no governo (a ex-show girl Mara Carfagna, estrela de calendários sexy, ministra da igualdade de oportunidades; Maristela Gelmini, ministra da instrução...), mas também, dava a entender a senhora, garotinhas menores de 18 anos.

Desde então, depois da separação (cara em termos econômicos, mas o dinheiro para ele não é problema), o velho sexômano –com quase 75 anos de mau comportamento – não conheceu mais limites de decência ou discrição, ostentando, ao invés disto, em qualquer ocasião, uma “virilidade” em contraste cada vez mais gritante com uma decadência física irrefreável, tornada ainda mais patética pelos contínuos recursos à cirurgia plástica (implante de cabelos, lifting do rosto...) e temperada por gafes aparentemente impensáveis para uma pessoa que é chefe de governo de um país ocidental e europeu de primeiro escalão. Como quando diz: melhor ir atrás de mulheres do que “ser gay”. Exibição, ostentação de riqueza, de poder, de mulheres que evidentemente pensa que agradam – infelizmente com certa razão – àquela parte da Itália que se reconhece nele e o inveja. Ele fala às tripas do país.

O segundo golpe veio em 2009, quando Patrizia D’Addario, uma garota de programa (ou “escort”, como agora se chamam na Itália as prostitutas de luxo), contou das festinhas e orgias às quais ela e outras garotas eram convidadas – mediante pagamento – inclusive na residência romana de Berlusconi, no Palácio Grazioli, a dois passos da sede do governo e do parlamento. Garotas carregadas em aviões oficiais para participar de encontros em uma das “vilas” de Berlusconi na Sardenha, garotas recrutadas para as festas na sua “vila” di Arcore, às portas de Milão. “Il Cavaliere” agora era também “il Sultano”, a cujo harém os seus tantos vizires levavam carne fresca, frequentemente arregimentada entre as “girls” dos shows de TV de “Sua Emitência”.

Os problemas começaram quando se deixou escapar que esta carne fresca tinha, frequentemente, menos de 18 anos. Primeiro, em 2009, uma garotinha muito despachada de Napoli, Noemi Letizia, que chamava Berlusconi de “papi”; depois, em 2010, a provocante marroquina (agora) de 17 anos Ruby, nome de guerra “Ruby Rubacuori[“Ruby Roubacorações”], em meio a uma caterva multinacional de “escorts” ou “starlets” (inclusive uma menor ítalo-brasileira) jovens, belas, dispostas a tudo para “estourar”.

Com Ruby, Berlusconi não recuou – no seu delírio senil de onipotência – nem mesmo diante de um possível caso internacional. Quando a garota foi detida em maio de 2010 em Milão por um pequeno furto, telefonou pessoalmente ao dirigentes da polícia milanesa para fazer com que a liberassem porque, disse, “era a sobrinha de Mubarak”, presidente do Egito, e exigiu que fosse libertada e confiada a uma das suas garotas de confiança, a sua ex-“higienista dentária”, protagonista e organizadora de festinhas à luz vermelha e depois recompensada com a eleição para deputada regional da Lombardia (a região de Milão).

Dali começaram os seus problemas que, nestes meses, têm incendiado o clima político italiano e levado o país à beira de uma crise institucional sem precedentes. Os juízes de Milão o acusaram e querem processá-lo rapidamente – o anúncio foi feito em 15 de fevereiro e o processo é anunciado para abril – por “concussão” (o delito que comete um agente público ao exigir favores ou serviços valendo-se do seu status) e, ainda mais inflamante, por “indução à prostituição” de menores.

Ele já disse que o processo é um “atentado à democracia”, à “autonomia do parlamento” e uma “violação da soberania popular” que o elegeu, chegou a falar de um “golpe moral” e, salvo alguma reflexão, disse se recusará a apresentar-se diante dos “juízes politizados de esquerda”, detonando um conflito perigosíssimo entre os poderes do Estado. O governo, sacudido pela crise econômica que em 2008 golpeou pesadamente também a Itália (onde todos os índices estão no vermelho e o desemprego dos jovens é de quase 30%), está empenhado apenas em salvar o primeiro ministro.

O parlamento está paralisado porque o Partido da Liberdade (PDL) do “premier” perde os pedaços e, mesmo que em 14 de dezembro tenha conseguido sobreviver – com uma custosa “campagna acquisti” [campagna de aquisições] como quando era presidente do Milan – a uma moção de desconfiança depois da clamorosa ruptura com Ginafranco Fini, líder do partido pós-fascista Aliança Nacional (AN) e presidente da Câmara baixa, na prática já não tem mais maioria e depende cada vez mais do abraço mortal da Liga Norte – partido racista e xenófobo – de Umberto Bossi.

O presidente da República, o ex-comunista (mas da ala social-democrata) Giorgio Napolitano, adverte que poderia dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas. O que ninguém – nem da direita de Berlusconi, nem da direita de Fini (que recentemente fundou um novo partido que gostaria de resgatar para si a posição de uma direita civilizada, à européia), nem do centro-esquerda do PD – demonstra apreciar neste momento. Nem falemos daquela que era chamada de “a esquerda radical”, que as eleições de 2008 expulsaram do parlamento pela primeira vez desde o fim da guerra, ainda que Nichi Vendola – governador da Região da Puglia, que já lançou a sua candidatura a “premier” em vista das próximas eleições gerais – represente, a seu modo, uma novidade e busque apresentar-se como uma alternativa credível em relação à velha política politiqueira (com efeito, constitui uma certa anomalia, na sua veste de “comunista, católico e gay”).

Este vazio constitui um caldo de cultura favorável à anti-política (“são todos iguais”) e à direita, a Berlusconi (amigo de Bush e de Putin, de Mubarak e de Kadafi) com as suas pulsões subversivas e golpistas.

Neste 17 de março, serão celebrados os 150 anos da proclamação da unidade da Itália, em 17 de março de 1861. Se, desta vez, “il Cavaliere”, “il Caimano”, “il Sultano” finalmente caísse, seria em certa medida uma espécie de refundação ou renascimento do país. Mas não será fácil, nem pela via política, nem pela via judiciária. E, mesmo livrando-se de Berlusconi, será muito difícil, depois de 20 anos, livrar-se do berlusconismo.

Tradução: Rodrigo Torres Guedes

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

fulinaimagem

may pasquetti - foto: artur gomes



1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com






Alcinéia Marcucci escreveu:

"Vídeo de linguagem com muitas facetas Artur! Palavras quentes saem desmanchando-se por entre os dentes, ouvidos e outros orifícios a dentro!!!"

Leandro Fortes: Presidente Dilma na cova dos leões

enquanto isso a luz do sol - artur gomes


Por Leandro Fortes, no Brasília Eu Vi


Na íntegra do discurso de Dilma Rousseff proferido na cerimônia de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, disponibilizado na internet pela página do Portal UOL, lê-se, não sem certo espanto: “Estou aqui representando a Presidência da República. Estou aqui como presidente da República”. Das duas uma: ou Dilma abriu mão, em um discurso oficial, de sua batalha pessoal para ser chamada de “presidenta”, ou, mais grave, a transcrição de seu discurso foi alterada para se enquadrar aos ditames do anfitrião, que a chama ostensivamente de “presidente”, muito mais por birra do que por purismo gramatical.

Caso tenha, de fato, por conta própria, aberto mão do título de “presidenta” que, até então, lhe parecia tão caro, este terá sido, contudo, o menor dos pecados de Dilma Rousseff no regabofe de 90 anos da Folha.

Explica-se: é a mesma Folha que estampou uma ficha falsa da atual presidenta em sua primeira página, dando início a uma campanha oficial que pretendia estigmatizá-la, às vésperas da campanha eleitoral de 2010, como terrorista, assaltante de banco e assassina. A ela e a seus companheiros de luta, alguns mortos no combate à ditadura.

Ditadura, aliás, chamada de “ditabranda”, pela mesma Folha.

Esta mesma Folha que, ainda na campanha de 2010, escalou um colunista para, imbuído de sutileza cavalar, chamá-la, e à atual senadora Marta Suplicy, de vadia e vagabunda.

Essa mesma Folha, ora homenageada com a presença de Dilma Rousseff.

Digo o menor dos pecados porque o maior, o mais grave, o inaceitável, não foi o de submeter a Presidência da República a um duvidoso rito de diplomacia de uma malfadada estratégia de realpolitik. O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. Em noite de gala da rua Barão de Limeira, a presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra.

Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples.

A liberdade de expressão que garantiu o surgimento de uma blogosfera crítica e atuante durante a guerra eleitoral de 2010 nada tem a ver com aquela outra, defendida pela Associação Nacional dos Jornais, comandada por uma executiva da Folha de S.Paulo. São posições, na verdade, antagônicas. A Dilma, é bom lembrar, a Folha jamais pediu desculpas (nem a seus próprios leitores, diga-se de passagem) por ter ostentado uma ficha falsa fabricada por sites de extrema-direita e vendida, nas bancas, como produto oficial do DOPS. Jamais.

Ao comparecer ao aniversário da Folha, a quem, imagina-se, deve ter processado por conta da ficha falsa, Dilma se fez acompanhar de um séquito no qual se incluiu o ministro da Justiça. Fez, assim, uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. Estão a preparar-lhe uma outra surra, desta feita, e sempre por ironia, com o chicote da liberdade de imprensa, de expressão, cada vez mais a tomar do patriotismo o status de último refúgio dos canalhas.

Dilma foi torturada em um cárcere da ditadura, esta mesma, dita branda, que usufruiu de veículos da Folha para transporte e remoção de prisioneiros políticos – acusação feita pela jornalista Beatriz Kushnir no livro “Cães de guarda” (Editora Boitempo), nunca refutada pelos donos do jornal.

A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles.


Ana de Holanda promete 'portas abertas' a Pontos de Cultura, após reunião

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual



São Paulo - Em reunião com membros da Comissão Paulista dos Pontos de Cultura, nesta terça-feira (22), em Brasília, a ministra da Cultura, Ana de Holanda, prometeu manter portas abertas para o movimento. A reunião não constava da agenda oficial divulgada pela pasta mas durou uma hora, durante a qual os ativistas pediram celeridade para normalização de repasses de verbas de convênios, bolsas e prêmios do programa Cultura Viva. Eles também pedem que esse processo ocorre de modo transparente.

Dispostos a uma "ocupação pacífica" da sede do ministério, os 50 integrantes da Frente Paulista dos Pontos de Cultura chegou à capital federal na manhã desta terça. A reivindicação é de uma postura clara sobre a continuidade do programa e a respeito de como será feito o pagamento dos recursos atrasados. Até então, apenas uma reunião – convocada com menos 24 horas de antecedência – havia sido realizada entre representantes de Pontos de Cultura e Ana de Hollanda.

"As portas estão abertas, seja oq for preciso, nós estaremos sim!", disse Ana de Hollanda, segundo o coletivo Nós Digitais. O grupo acompanhou a reunião no Twitter. Ela pediu um pacto do diálogo, crédito e confiança, alegando que, a exemplo das demandas dos pontos de cultura, "toda a agenda está atrasada". O encontro foi transmitido ao vivo pela Twitcam.

Para Marcos Pardim, membro da comissão Paulista dos Pontos de Cultura, a reunião foi uma vitória porque representa uma ação de pessoas envolvidas no programa Cultura Viva sem a participação do MinC. Um ônibus partiu de Itu (SP) até Brasília. Ele acredita que o fato de Ana de Hollanda ter recebido os ativistas é uma demonstração de força do movimento.

"Para nós, esse começo de administração da nova equipe do MinC está muito ruidosa", admite Pardim. "O que queremos saber é o que é ruído, versão e o que é verdade", insiste. "O fato de a ministra ter nos recebido foi muito bom. Mas, quando recebermos o que o MinC nos deve, será ótimo", ironiza Pardim.

Cultura Viva

Embora Ana de Hollanda tenha se comprometido a manter as políticas do programa Cultura Viva, cujo principal expoente são os Pontos de Cultura, várias das iniciativas selecionadas manifestam preocupação sobre o futuro. Daniel Marostegan, do Pontão Teia Casa de Criação, de São Carlos (SP) avalia que há "insegurança" por conta da falta de diálogo.

Segundo Pardim, os atrasos nos repasses de verbas ocorrem desde o fim do ano passado, em relação a grupos por todo o país. Segundo pesquisa realizada pela Frente Paulista no Portal da Lei de Diretrizes Orçamentárias, dos R$ 205,3 milhões autorizados para serem gastos pelo orograma Cultura Viva (Programa 1141 do MinC), apenas R$ 14,4 milhões e R$ 70,99 milhões empenhados.

Desde o início da gestão de Ana de Hollanda, medidas administrativas e declarações têm sido motivo de apreensão por ativistas ligados a movimentos de cultura e cultura digital. Em janeiro, houve grande polêmica envolvendo direitos autorais e a adoção de licenças livres, em função da retirada da licença Creative Commons do site do ministério.

Avanço dos estados do Nordeste é crucial para o Brasil



O projeto de erradicação da pobreza, prioridade do governo federal, será efetivamente bem sucedido apenas se o Nordeste brasileiro for visto como estratégico e se as políticas públicas de investimento em infraestrutura, distribuição de renda, geração de emprego e inclusão social forem priorizadas para a região. A afirmação foi dada pela presidenta Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (21/2), na abertura do XII Fórum dos Governadores do Nordeste, em Aracaju (SE), onde ela anunciou o projeto que define como “O novo Nordeste”.

“Avançar nas transformações, tanto garantido um crescimento acima do Produto Interno Bruto, aqui no Nordeste, quanto na distribuição de renda e no combate às desigualdades, é crucial para fazer o Brasil avançar, tanto no seu desenvolvimento quanto no que, para mim, é o projeto prioritário: a erradicação da miséria (…). Nós só conseguiremos diminuir a desigualdade regional se aqui [no Nordeste] nós sempre fizermos um pouco mais do que é feito no resto do Brasil, e é esse o grande desafio que nós temos”,
afirmou.

Segundo a presidenta, tal projeto já começou a acontecer graças a parceria estabelecida com os governadores e prefeitos da região, “independente do partido ou convicção política”, e ganha força com os grandes investimentos para o crescimento regional sustentável, que não sofrerão cortes com a contenção orçamentária da União de R$ 50 bilhões, anunciada no início deste mês. Como exemplo, a presidenta citou o PAC 2; o Minha Casa, Minha Vida; o projeto Copa do Mundo e o Mobilidade Urbana, entre outros, que até 2014 somarão R$ 120,4 bilhões em investimentos na região.

“Os nossos cortes orçamentários dos R$ 50 bilhões preservaram o investimento. Temos perfeita consciência de que para que não haja no Brasil pressões inflacionárias – e nós não deixaremos que aconteça – é importante que a oferta de bens e serviços, sobretudo a taxa de investimento, cresça acima da demanda de bens e serviços. Daí porque nós mantivemos integralmente os investimentos”.

Para Dilma Rousseff, o crescimento contínuo do Nordeste também é indissociável da melhoria da qualidade de vida da população e do poder real de compra dos trabalhadores, assegurado pela proposta de correção do salário mínimo apresentada pelo governo federal, já aprovada pela Câmara dos Deputados e que irá para votação no Senado Federal na próxima quarta-feira (23/2). Segundo ela, tal política de valorização do salário mínimo é importante “porque garante o crescimento do salário mínimo de forma sistemática, sendo este horizonte o PIB de dois anos atrás e a inflação do ano corrente”.

Como um dos eixos estratégicos a presidenta defendeu o aumento do empreendedorismo e dos investimentos privados no Nordeste brasileiro. Nesse sentido, o governo enviará, ainda neste semestre, Projeto de Lei ao Congresso Nacional prorrogando até 2018 os incentivos fiscais do IRPJ aos investimentos produtivos naquela região. “Nosso objetivo é criar um ambiente de previsibilidade para investimentos em implementação ou em fase de negociação e reforçar compromisso de longo prazo com o estímulo ao investimento privado”, disse. A renúncia fiscal por meio deste instrumento corresponde, anualmente, aos recursos totais tomados pelos estados do Nordeste no Programa Emergencial de Financiamento (PEF) do BNDES.

“Não há uma solução para o Brasil sem uma solução para o Nordeste. Isso porque nós acreditamos que a grande alavanca para o nosso país nos últimos anos, que mudou completamente a forma pela qual o mundo nos enxerga, mas também a forma pela qual nós nos enxergamos, foi de fato perceber que esse país só seria grande, só seria um país desenvolvido, se fosse um país em que homens e mulheres tivessem acesso aos bens de uma economia desenvolvida, de uma economia sofisticada e de uma economia que tinha que aplicar todos os seus esforços em incluir milhões e milhões de brasileiros”, concluiu.

Fonte: Blog do Planalto.


O telhado de vidro, a UENF e o observatório caolho!

Douglas Barreto da Matta no Blog PlanicieLamacenta

Recentemente, travei um debate com um comentarista, lá no blog do Roberto Moraes, que reclamava da minha intransigência a respeito do chamado Movimento de Controle Social, patrocinado pelo Professor Hamilton e alguns de seus discípulos mais próximos
.
Tratávamos da instalação desse movimento na cidade de SJB, possivelmente em virtude dos vultosos recursos e dos impactos sócio-ambientais que se avizinham, caso os investimentos prometidos não sejam mais um conto do vigário.

Disse ao comentarista, e depois em um texto nesse blog, que não acreditava nas boas intenções de um movimento que reivindica uma agenda moralizadora, mas se emparceira com o que há de pior na sociedade civil, e mais, disse ainda que todo controle é seletivo, ou enxerga o que quer.

Logo, para que ir a SJB para promover a mobilização da sociedade sanjoanenses, enquanto na comunidade da UENF, território natal do movimento, há tanto a ser feito?

Bom, as últimas notícias a respeito da UENF, e as contratações de obras e serviços, mostram que o controle social é bom, mas na casa do vizinho. Veja que o Maginífico Reitor da nossa Universidade se encontra às voltas com várias notícias de várias irregularidades, isso sem mencionar a questão que para nós é mais importante: A prioridade dos gastos.

Vejam que a ONG montada pelo ilustre professor Dr Hamilton, doutor em História, tem como um dos seus diretores, justamente, o Maginífico Reitor da UENF.

Bom, mas as surpresas não páram por aí.

Uma olhada na GPCAM, Gerência da Prefeitura do Campus, vai revelar em sua estrutura de fiscalização das obras e serviços contratados, um engenheiro que prestou serviços a gestão do telhadro de vidro, do ex-prefeito alexandre mocaiber, no setor de licitações de obras. Hoje, é responsável pela fiscalização dos contratos de obras e serviços da UENF. Basta ver aqui:

http://www.uenf.br/Uenf/Pages/Reitoria/Dga/Gpcam/?&modelo=1&cod_pag=6194&tabela=&np=GPENG&nc=Funcion%E1rios&buscaEdicao=&grupo=GPCAM&p=

Como sabemos, alexandre mocaiber é muito ligado ao seu primo, secretário estadual de ciência e tecnologia, alexandre cardoso, que cuida da UENF, que por sua vez, é ligado politicamente ao reitor. O círculo se fecha, e o controle social nada vê, e apenas se cala. Quem cala...

Por estranha coincidência, empresas que prestaram serviços a essa gestão temerária estão entre as contratadas da UENF, algumas citadas no escândalo da Campos-Luz, por exemplo.

Bom, mas como se trata de uma Universidade, e de cabeças iluminadas, cheias de boas intenções, que sempre tiveram acesso ao conhecimento, e os mais elevados princípios morais que decorrem desse conhecimento, vamos lhes conceder o benefício da dúvida.

Vai ver é só coincidência, ou ranzinice minha.

Que venha o debate na eleição da reitoria. Quem sabe tudo isso não passe de mal-entendido? Tomara!

Os suspensórios do Otavinho




Eduardo Guimarães no BlogdaCidadania




A primeira coisa em que pensei ao saber que a presidenta Dilma iria à comemoração dos 90 anos da Folha de São Paulo foi na comemoração dos 80 anos do jornal, para a qual convidou este que até então era apenas um leitor que, segundo o ombudsman da época, Bernardo Ajzemberg, chegou a ser o que teve mais cartas publicadas naquele veículo.

Era o penúltimo ano do governo Fernando Henrique Cardoso. Este blogueiro ainda acreditava em que era possível manter um diálogo civilizado com a imprensa conservadora, de maneira que interagia com colunistas daquele jornal como Eliane Cantanhêde e Clóvis Rossi – primeiro, por e-mail, e depois, pessoalmente, em eventos para os quais passei a ser convidado.

Esse lambe daqui, lambe dali durou até 2005, quando estourou o escândalo do mensalão e o jornal não aceitou bem as minhas críticas ao que me pareceu uma legítima tentativa de derrubar o governo Lula. Dali em diante, fui me tornando persona non grata, deixei de receber convites e de ter as minhas cartas publicadas.

Dois anos e meio depois, convoquei os leitores deste blog para o primeiro de quatro atos públicos de protesto que promoveria diante daquele jornal, com destaque para o da ditabranda, em 2009.

Aquele primeiro ato público, explique-se, derivou de afirmação do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski de que a Corte que integrava aceitara o inquérito do mensalão porque a imprensa lhe teria colocado a “faca no pescoço”, o que me pareceu uma ameaça ao Estado de Direito, pois a Justiça processar pessoas com base em pressão da imprensa era – e continua sendo – assustador.

A segunda coisa em que pensei foi em tudo que fez a Folha de São Paulo ontem e hoje – no apoio que deu à ditadura militar, na ficha policial falsa da mulher que ali estava para prestigiar seu carrasco e na matéria em que permitiu que um sem-vergonha qualquer acusasse Lula de ter tentado estuprar um adolescente.

Senti engulhos.

Contrariado e um tanto quanto chocado, desliguei o computador, abri uma garrafa de vinho e fui para diante da tevê ver um filme. Em dado momento, não resisti e sintonizei a NBR (canal de TV da Presidência da República). Eis que entra Gilberto Kassab em minha sala, obviamente bajulando a Folha em discurso. Em seguida, vem Geraldo Alckmin também para bajular.

Dilma foi a última a discursar. Mesmo pela tevê era possível quase tocar o constrangimento que pairava na Sala São Paulo, anfiteatro pomposo do centro velho de São Paulo em que também ocorreu a comemoração de dez anos antes. Àquela altura, Dilma, seus ministros e aliados já pareciam perceber o choque que foi a presença dela no coração da imprensa golpista.

Ao assistir ao discurso da presidenta – e não sei se por conta do que aquela situação encerrava de patético –, ela já foi explicando que sua presença ali se tratava de um gesto simbólico de respeito à liberdade de imprensa e de convivência democrática.

Muito diplomaticamente, Dilma aludiu ao momento “especial” em que disse estar a imprensa escrita diante do que a internet está gerando em termos de relações dela com seus leitores – uma fala cheia de simbolismo, sobretudo no que se refere à blogosfera. E disse ainda ter “certeza” de que os jornalistas daquele veiculo saberiam “conviver” com as críticas de seus leitores…

Doce ilusão.

Todavia, em vez de rendição, passei a entender o gesto de Dilma como uma homenagem à democracia, à liberdade de imprensa e de opinião. Uma retórica cheia de menções à mesma ditadura que a Folha pediu e sustentou até quase o seu fim, quando abandonou o barco dos ditadores e passou a trabalhar pelas diretas já.

Ainda assim, não consegui engolir que um governo supostamente popular, nascido da luta do ex-presidente Lula, que sempre lembra que em seus oito anos jamais precisou almoçar com dono de jornal, tenha ido em peso prestigiar um jornal com um histórico como o da Folha só para provar que não quer censurar ninguém.

Até porque, não sei a quem a presidenta quis provar isso – se ao país ou aos barões da imprensa.

Até o momento em que vou concluindo este texto, a cena tétrica em que não paro de pensar é a seguinte: a presidenta papeando com o Otavinho no convescote até que, em dado momento, elogia os seus suspensórios. Não paro de pensar naqueles suspensórios ridículos a poucos centímetros daquela em quem depositei tanta confiança.

PS: refiro-me a suspensórios conceituais.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Alucinações Interpo(É)ticas

may pasquetti - foto: jiddu saldanha



o que é que mora em tua boca Bia?
um deus um anjo ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e um a estrela como guia?

o que é que arde em tua boca Bia?
azeite sal pimenta e alho
résteas de cebola
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que é que pulsa em tua boca Bia?
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rios de águas sujas
onde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca Bia?

artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com/



para mim Beatriz nunca foi musa de Dante mesmo sabendo que todos os poetas já cantaram suas musas escrevi um dia que Beatriz são todas tantas quantas muitas são nomes e este de quem voz falo não revelo o sobrenome está no livro sagrado na pele do acetato na memíra do retrato Beatriz no último ato da Divina comédia Humana quando deitr aem minha cama e come do fruto proibido. mas isso já faz um tempo vai lá pelos idos de 2005 e eu entre o teatro e a vida dava vida a o drama mesmo que na cama fosse muito mais que isso. agora quero dizer que may não é beatriz nunca foi nem será mas musa também e ainda puta atriz vem dividindo comigo muitos momentos de palco desde que pela primeira vez pisamos juntos em bento gonçalves esse espaço sagrado para despir nosso profano em carnavalha e poesia.