quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Petrópolis, Teresópolis e Friburgo apostam na prevenção de tragédias






A chegada do período das chuvas de verão deixa os moradores da Serra em alerta. As cidades da região têm um histórico de prejuízos e tragédias provocadas por deslizamentos de terra e inundações nesta época. E, enquanto grandes obras preventivas não ficam prontas, as prefeituras apostam na participação dos moradores, que receberam, em Friburgo e Teresópolis, pluviômetros de garrafa PET para monitorarem o risco.

Em Petrópolis, radiomadores vão alertar para o perigo e se comunicar para ajudar no socorro em caso de tragédias. Em Friburgo, os moradores não se esquecem das chuvas de 2007. Naquele ano, a cidade registrou 11 mortes, prejuízos de cerca de R$ 80 milhões e quase três mil desalojados e desabrigados. Em Petrópolis, a situação não é diferente. A cidade tem uma história marcada por tragédias nesse período, que resultaram em centenas de mortes. Atualmente, 490 famílias recebem o benefício do aluguel social depois de perderem suas casas em temporais.

No fim de novembro, Friburgo passou por uma provação: num domingo, caiu o equivalente a quase 15 dias de precipitação prevista para o mês. A Defesa Civil registrou 130 ocorrências, mas nenhum ferido. O coronel Roberto Robadey admite que houve falhas:

— Temos previsões a cada três horas. Na noite de sábado, a previsão era de 5mm. Mas não fomos avisados da previsão seguinte, com o alerta vindo do Rio.

Com apenas um pluviômetro digital, a cidade conta com a participação dos moradores. O Plano Verão 2010-2011, elaborado pela prefeitura, organiza funções de órgãos públicos, empresas prestadoras de serviço, associações de moradores e sociedade civil em caso de tempestades. Centenas de pluviômetros foram espalhados pela cidade. O medidor é improvisado: a tabela adesiva é colada a uma garrafa PET, que deve ser deixada ao ar livre. O morador precisa ficar atento. Caso a água da chuva chegue a 80mm em 24 horas ou 37mm em uma hora, ele deve procurar abrigo.

— A prefeitura não tem verba para realizar obras milionárias. Então, organizamos a prevenção das tragédias.

Em Petrópolis, a prefeitura aposta na criação da Rede de Operação de Emergência de Radioamadores (Roer), que reúne 40 operadores voluntários da cidade. Num caso de emergência, eles podem se comunicar de diferentes pontos.

— O maior problema que tivemos nas tragédias passadas foi a falta de comunicação, já que as redes de telefonia pararam de funcionar. Além dos voluntários, a Defesa Civil da cidade foi equipada com 160 rádios — afirma Luís Eduardo Peixoto, presidente do Comitê de Ações Emergenciais, criado há dois anos.

De acordo com ele, de lá para cá, alguns números positivos foram conseguidos:

— Coibimos 186 invasões, demolimos 160 casas em situação de risco e dragamos todos os rios.

fonte: http://www.globo.com/




Desabrigados de Teresópolis (RJ) lotam ginásio da cidade; "situação está caótica", diz Cruz Vermelha

Daniel Milazzo
Enviado do UOL Notícias

O ginásio Pedro Jahara, conhecido como "Pedrão", no centro de Teresópolis, transformou-se em abrigo para as famílias prejudicadas pela forte chuva que assolou a região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Na noite desta quarta-feira (12), a quadra do ginásio tinha se tornado a casa de 267 pessoas, enquanto nas arquibancadas dezenas de voluntários tentavam organizar os donativos que não paravam de chegar. Cada desabrigado recebeu colchonetes, cobertor e comida e pareciam relativamente bem instalados.

Tragédias no RJ em 2010

Angra dos Reis(1º jan)Em Angra dos Reis, dois deslizamentos causaram 53 mortes no primeiro dia de 2010, no morro da Carioca, em Angra, e na Praia do Bananal, na Ilha Grande

Niterói(5 e 6 de abril)Temporais no Estado deixaram 257 mortos. Em Niterói, a região mais atingida, 168 pessoas morreram

Bumba(7 de abril)Na madrugada do dia 7 de abril, um deslizamento no morro do Bumba matou 45 pessoas

"Tsunami, Haiti, pode chamar do que quiser. A situação está caótica. O que houve foi completamente fora dos parâmetros já vistos aqui na região serrana", disse Herculano Abrahão, coordenador da Cruz Vermelha em Teresópolis.

Jéssica Matos, 19, moradora do bairro Três Córregos, na zona rural do município, passou a noite no "Pedrão" com sua mãe e sua irmã. "Aqui está muito melhor que em casa, lá não tem mais condição. Não durmo desde às 4h", disse a moradora. Ela contou que perdeu muitos entes e amigos queridos, que viu muitas casas sendo levadas pela força da água, mas que agora é tempo de arranjar forças para dar a volta por cima.

A 0h desta quinta-feira, após os desabrigados terem recebido uma sopa de carne e legumes, as luzes do ginásio foram apagadas. Já na penumbra, Cristiane Almeida, 29, disse estar satisfeita com o tratamento dado no abrigo improvisado. "Estão nos atendendo bem, nos alimentando bem e tem médico", afirmou a moradora do bairro Ficher, que chegou no ginásio à noite junto com o marido e seus quatro filhos.

De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Rudimar Caberlon, há mais de 700 pessoas alojadas na cidade, num total de seis abrigos municipais. O secretário acredita que esse número vai subir.

No "Pedrão", o maior abrigo, muitos funcionários da Defesa Civil, secretarias municipais, Cruz Vermelha e dezenas de voluntários se organizam para oferecer condições mínimas aos desabrigados. Embora a população já tenha contribuído com uma grande quantidade de donativos, há itens que estão fazendo falta: roupas de criança, produtos de higiene infantil, lanterna, velas e fósforo. Muitas regiões da cidade estão isoladas e voluntários estão tentando levar donativos para essas áreas.

O casal Julio Monteiro, 34, Josiane Machado, 30, é morador do bairro Três Córregos, mas teve que deixar a região, pois a casa onde moram está comprometida e a área totalmente devastada. "O resgate está fazendo o máximo possível, mas é pouco, não cobre tudo. Minha casa está arruinada", relatou Josiane. Eles têm dois parentes que não foram localizados e que não sabem se ainda estão vivos.

Segundo uma fonte da Cruz Vermelha local, na noite desta quarta-feira havia pelo menos 120 corpos no IML (Instituto Mpedico Legal) do município.



Governo do Rio calcula que 5.000 moradores da região serrana não poderão voltar para suas casas

do UOL Notícias

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, afirmou na manhã desta quinta-feira (13) que pelo menos 5.000 famílias dos municípios da região serrana do Rio de Janeiro terão de ser reassentadas por morarem em áreas de extremo risco. Essas famílias, disse ele, deverão receber o aluguel-social.

Neves visitou duas das cidades gravemente afetadas pelas chuvas e reuniu-se com os prefeitos Jorge Mário (Teresópolis) e Paulo Mustrange (Petrópolis). Durante o encontro ficou estabelecida a remoção imediata e o reassentamento dos moradores das áreas de risco e a criação de um gabinete para concentrar a ação das secretarias de assistência social dos municípios.

Segundo o secretário, que conversou com os ministros do Desenvolvimento Social, Teresa Campelo, e da Integração Nacional, Fernando Bezerra, os recursos para o pagamento do benefício serão solicitados ao governo federal ainda hoje.

Segundo o governo do Estado, três caminhões com 12 toneladas de mantimentos (colchonetes, casacos, material de higiene pessoal e de limpeza e alimentos não perecíveis) foram enviados na quarta-feira pela Secretaria Estadual de Assistência Social para os municípios de Teresópolis e Petrópolis. Hoje, mais material será levado para os desabrigados.

A Secretaria está recebendo doações na rua Voluntários da Pátria, 120, em Botafogo (RJ).

Dilma visita região

A presidente da República Dilma Rousseff, que vai sobrevoar as áreas atingidas nesta quinta-feira (13), assinou uma medida provisória que destina R$ 780 milhões para os ministérios enviarem auxílio às regiões afetadas.

O Ministério da Saúde anunciou que enviará mais de sete toneladas de medicamentos e insumos para o auxílio às pessoas atingidas pelas enchentes no Estado.

Hospitais de campanha serão instalados nas cidades de Nova Friburgo e Teresópolis, segundo informações do governo estadual. A Petrobras enviará ainda helicópteros que serão utilizados em operações de busca nas áreas rurais e de difícil acesso em Nova Friburgo.

O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, percorreu nesta quarta, de helicóptero, os três municípios. Ele afirma nunca ter visto uma tragédia igual. “Nunca vi nada igual, nem mesmo nos deslizamentos de Angra dos Reis, no final de 2009. Este é o momento de ver o que pode ser feito para resolver a situação dessas pessoas, buscando, principalmente, desobstruir as estradas e garantir o acesso de serviços e apoio para se devolver à normalidade à população”, afirmou.

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