quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Nova ministra da Cultura faz sua “estreia política” no Rio




Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual

Ministra Ana de Hollanda visita o Complexo do Alemão (Foto: André Melo/Divulgação)


Rio de Janeiro – Após uma primeira semana envolvida com os preparativos para assumir o novo cargo e depois de ter participado de inúmeras reuniões e conversas em Brasília para a definição dos principais nomes de sua equipe, Ana de Hollanda vive nesta segunda-feira (10) no Rio de Janeiro seu batismo político como nova ministra da Cultura do Brasil.

Na parte da manhã, a ministra visitou um dos mais emblemáticos programas do MinC no governo Lula (os Pontos de Cultura) em um dos mais emblemáticos locais da cidade (o Complexo do Alemão). À noite, Ana tinha em sua agenda um encontro com a classe cinematográfica, momento em que certamente a suposta disputa política em torno do ministério seria mais uma vez um dos temas abordados.

“Decidi ter como minha primeira agenda pública essa visita ao Alemão para simbolizar a importância fundamental que a cultura tem no combate à violência. Eu sempre acompanhei de perto a batalha da cultura contra o tráfico no Rio de Janeiro”, disse a ministra. Acompanhada pelo vice-governador Luiz Fernando Pezão e pela secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, Ana de Hollanda conheceu os Pontos de Cultura “Raízes em Movimento” e “Oca do Curumim”, além de visitar a estação do teleférico da Fazendinha, ponto mais alto do complexo de favelas.

Debaixo de um sol escaldante, a ministra subiu o Complexo do Alemão, passando pelas comunidades da Alvorada e da Grota. Às 14h39, Ana deixou um recado no twitter do ministério: “A pacificação no Alemão é um trabalho simbólico, que se reflete em todo o país. É parceria entre Estado e sociedade”, escreveu, em meio ao povo da favela.

No encontro com o povo do cinema, à noite, o que se espera é um ato de apoio à nova ministra, apesar de parte do setor ter pedido a permanência do ex-ministro Juca Ferreira. Crítico da gestão de Juca, o produtor Luiz Carlos Barreto foi um dos primeiros a comemorar a indicação de Ana de Hollanda para o MinC: “É uma escolha acertada, que aponta para novos caminhos e para uma adequação maior das políticas culturais brasileiras para o século XXI. Ela tem condições de promover uma grande evolução nos conceitos de política cultural”, disse.

Embate político?
Pelas sinalizações de pessoas próximas à nova ministra, a adoção de uma política específica de apoio para a indústria cinematográfica – que tinha a simpatia, mas era vista sem tanto entusiasmo nos oito aos anos Gilberto Gil / Juca Ferreira – será mesmo uma das medidas adotadas pelo MinC no governo de Dilma Rousseff.

A impressão de embate entre dois grupos políticos se fortaleceu com o anúncio (um dos primeiros feitos pela ministra) da volta de Antônio Grassi à presidência da Funarte, em substituição a Sérgio Mamberti, que presidiu o órgão na gestão de Juca Ferreira após substituir o mesmo Grassi. A própria ministra, no entanto, fez questão de desmontar essa versão e, em um gesto que demonstra que também haverá continuidade em relação à gestão anterior, deslocou Mamberti para a Secretaria de Políticas Culturais do MinC.

Pressão virtual
No mundo virtual, também já começaram as pressões sobre a nova ministra. Na semana passada, foi divulgada uma “Carta de Boas-Vindas” à Ana de Hollanda, na qual centenas de organizações da sociedade civil falam de suas “expectativas e pautas relativas à formulação de políticas públicas para a cultura”. No documento, são tratados temas como os Pontos de Cultura, o Fórum de Mídia Livre e o Fórum da Cultura Digital, além da construção do Marco Civil da Internet, entre outros.

A carta é carregada de elogios à gestão anterior do MinC: “Nos últimos anos, a sociedade civil teve a oportunidade de construir um importante trabalho junto ao governo, que parte de uma visão contemporânea para a formulação de políticas públicas para a cultura. Essa visão considera que nos últimos anos, por causa dos avanços das tecnologias da informação e dos programas de inclusão digital, um contingente de milhões de novos criadores passou a fazer parte do tecido cultural brasileiro”, diz o texto.

A carta endereçada à nova ministra afirma ainda que “houve um avanço significativo por parte do Minc na assimilação da importância da cultura digital”, alerta que “esse é um caminho sem volta” e que “ainda há muito a ser feito”: “Uma mudança de direção por parte do Minc implica perder todo o trabalho realizado, bem como a oportunidade histórica de o Brasil liderar essa discussão no plano global”, diz o texto, que termina com seus signatários afirmando confiar que Ana de Hollanda “terá a sensibilidade de entender as transformações que a cultura sofreu nos últimos anos e que velhas fórmulas não resolverão novos problemas”.

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