terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paulo Bernardo promete corte de impostos na conexão de internet






Ministro das Comunicações quer conversa com governos estaduais para zerar ICMS e espera reunir vários setores para fazer um PNBL mais "parrudo"

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Bernardo: intenção é buscar "um grande arranjo institucional" de todos os setores envolvidos (Foto: Mario Miranda/Agência Foto/Divulgação)

São Paulo – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou nesta quinta-feira (20), durante o Campus Party, que o governo vai promover corte de impostos no setor de internet para atingir os preços almejados no oferecimento de conexão de alta velocidade.

Bernardo pretende conversar com os estados para que seja feita a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A fala do ex-titular do Planejamento deixa claro que, por enquanto, trata-se de uma ideia que ainda precisa ser debatida com os governos estaduais, mas que sinaliza um caminho diferente para atingir os objetivos colocados para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

A expectativa é conseguir uma conexão de 512 kbps a um custo mensal de R$ 30. A desoneração é uma proposta que desagradava, em especial, ao presidente da Telebrás, Rogério Santanna, que pensa que as grandes empresas de telecomunicações já têm uma margem de lucro bastante elevada.

Bernardo, por sua vez, considera a carga tributária do setor muito alta. Ele espera reavaliar até o fim de março os pontos previstos no PNBL. “Estamos na expectativa de fazer grande arranjo institucional de todos os setores envolvidos em torno de uma adesão, de forma mais parruda, ao PNBL. Atrair mais parceiros para fazer oferta de banda larga a preço menor”, afirmou, acrescentando que já tem aceno positivo de governos estaduais para o corte de ICMS, podendo chegar a zerar a cobrança de imposto.

O ministro, por outro lado, lembra que segue em pé a ideia de que, se as empresas não fizerem, a Telebrás o fará. A estatal entrará na conexão oferecida ao consumidor nos locais em que o setor privado não realizar sua parte, mas, no geral, mantém sua postura de articuladora do PNBL, atuando como suporte ao setor privado. “Essa é a postura que temos reiterado. Queremos serviço de melhor qualidade, preço mais acessível, e a Telebrás vai ajudar a fazer isso.”

Ao mesmo tempo, Bernardo espera discutir com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior um corte de impostos sobre produtos industrializados relativos ao setor de comunicações. Uma das ideias é desonerar os chamados tablets, equipamentos eletrônicos portáteis que recentemente chegaram ao país em suas primeiras versões.

Ministro quer evitar pressa em marco regulatório das comunicações


Paulo Bernardo acredita que projeto que visa à democratização da comunicação não terá êxito se sociedade não participar da discussão e admite rever posição sobre propriedade cruzada

São Paulo – O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, acredita que é preciso evitar a pressa no debate sobre o novo marco regulatório da radiodifusão. Durante conversa com jornalistas no Campus Party, nesta quinta-feira (20), em São Paulo, ele afirmou que o projeto trata de questões “extremamente sensíveis” que não podem ser debatidas rapidamente, sob pena de acabarem engavetadas.

O ex-titular da Secretaria de Comunicação Social (Secom) Franklin Martins não conseguiu finalizar a tempo o anteprojeto a ser encaminhado ao Congresso. A proposta é regular os artigos da Constituição que tratam sobre a radiodifusão, um espaço público hoje concedido a empresas privadas. Grande foco de Martins em sua reta final no governo, o novo marco pode debater temas como a concentração do poder de comunicação nas mãos de poucos veículos, formas de financiamento da mídia e proteções aos conteúdos nacional e regional, pontos constitucionais que o Congresso, até hoje, não debateu, e sobre os quais as grandes empresas de radiodifusão não parecem dispostas a permitir avanços. O ex-ministro da Secom costumava se referir às corporações do setor como “fantasmas” que arrastavam as correntes pela sala na tentativa de impedir um debate sob o pretexto de que há tentativa do Planalto de censurar a imprensa.

Paulo Bernardo promete corte de impostos na conexão de internet Bernardo acredita que, depois que o projeto for finalizado, será preciso passar pelo crivo da presidente Dilma Rousseff e por uma consulta pública antes de ser encaminhado à discussão por deputados e senadores. “Se correr com a discussão, vai ser muito rápida, vai terminar em dois meses. Daqui a pouco, alguém divulga alguma coisa que não tem cabimento, vamos tomar pancada até não poder mais e acabou.”

Na semana passada, o ministro concedeu entrevista à TV Brasil, na qual afirmou que um dos temas tratados pelo marco era o da propriedade cruzada, que é a definição de limites ao número de veículos que um mesmo grupo ou empresário pode ter em diferentes meios (TV, jornal, rádio, internet). “Depois que falei, recebi uma série de ligações e de emails falando que estava equivocado sobre a história de propriedade cruzada, que hoje a tendência é a convergência de mídias. Vamos ter que rever. E definir com precisão cada um desses conceitos antes de mandar para o Congresso”, afirmou Bernardo, acrescentando que o tema só conseguirá avançar se tiver apelo social



FHC: o trololó de um intelectual vazio

artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog: via Blog do Miro

Três ou quatro anos atrás, no Summit de Etanol, fui debatedor de uma mesa que tinha, entre outros, o megaempresário George Soros e Fernando Henrique Cardoso. Um dos temas era a questão do aumento das commodities.

Soros foi objetivo, alertando para o risco da "doença holandesa" - fenômeno em que as exportações de produtos primários crescem tanto, atraem tanto dólares que provocam uma apreciação da moeda local matando a manufatura.

FHC limitou-se a dizer que a alta desmentia a teses cepalina e, especialmente, Celso Furtado que sempre alertava para a perda nas relações de troca entre países emergentes e desenvolvidos. Era uma bobagem, porque fugia da questão central, que era a promoção do desenvolvimento. Detalhe: naquele mesmo dia saíra um artigo do Ilan Goldjan no Estadão sobre o mesmo tema.

FHC se inspirara no artigo para não falar nada.

Ele limitava-se a repetir o mesmo mantra que em 1980 ouvi de Rosenstein-Rodan, economista ortodoxo que se opunha às teorias industrializantes da Cepal. Ele dizia isso em relação ao aumento dos preços do petróleo. Trinta anos depois, o boom do petróleo não gerou nenhuma nação desenvolvida.

Com o artigo, Ilan tentava rebater os argumentos sobre a necessidade de superar o mercadismo e definir uma vocação clara de desenvolvimento para o país.

Meses atrás conversava com um colega jornalista que fora iludido pela suposta erudição de FHC, assim como eu fui pela do Serra. Descobrimos o truque de ambos. Cada vez que ele (analista político) ou eu (econômico) levantávamos alguma tese diferente, o senador FHC ou o deputado Serra ligava, endossava as idéias e se apresentava como se a idéia já fizesse parte de seu repertório intelectual.

A impressão era das melhores. Além de espicaçar a vaidade de nós, jornalistas, passavam a sensação de que eles eram os "caras", antenados com as novas idéias e novas tendências. Ledo engano! Eram apenas leitores de jornais repetindo idéias interessantes sem sequer assimilá-las, com a mesma profundidade de um comentário de rádio.

Esse vazio intelectual ficou claro em FHC presidente e, em especial, na entrevista que me
concedeu e que está no final do livro "Os Cabeças de Planilha". Incapacidade absoluta de enxergar o novo, identificar os fatores portadores de futuro, as grandes linhas que determinam a diferença entre desenvolvimento e estagnação. No Summit, quando me levantei para comentar as apresentações, aliás, ele tentou ironizar me desafiando a fazer a síntese dos "fatores portadores de futuro" - sinal de que havia lido o livro e a crítica pegara no fígado.

Com Serra, essa falta de idéias ficou claro na prefeitura e no governo do Estado, quando não tinha mais o álibi de supostamente ser uma voz dissidente no PSDB fernandista para não se pronunciar. Quando se tornou o protagonista maior do PSDB percebeu-se que não se manifestava por não ter idéias. A campanha eleitoral mostrou de forma dramática sua total incapacidade de assimilar conceitos básicos de modernização desenvolvidos ao longo dos anos 90 e 2000.

É evidente que falta estratégia ao país, que os sucessivos planos de política industrial não chegaram a definir uma mudança de rumo, que o câmbio é um desastre.

Mas FHC sabe disso apenas de orelhada. Deve ter lido algum artigo de Bresser-Pereira antes da entrevista.


Morreu Samuel Ruiz, o bispo dos pobres

Morreu um dos principais atores nas negociações entre os zapatistas e o governo do México. Como bispo da diocese de Chiapas, Samuel Ruiz ganhou fama mundial em 1991 por ocasião do levante do Exército Zapatista de Libertação Nacional. Sua intervenção impediu um massacre que poderia levar a um genocídio. Samuel Ruiz foi participante e protagonista da Teologia da Libertação e da opção preferencial pelos pobres que impôs em sua diocese desde 1975, em uma época dominada por golpes de Estado e por ditaduras militares na América Latina.

Gerardo Albarrán de Alba – do sítio http://www.cartamaior.com.br/

“Eu vim para evangelizar os índios, mas terminei sendo evangelizado por eles”, disse certa vez Samuel Ruiz García, a quem as comunidades chamavam de “bispo dos pobres e dos povos originários”. Ele morreu segunda-feira (24) e muitos choram a ausência de quem dava voz aos sem voz.

Tatik Samuel – como era chamado nas comunidades indígenas – seria objeto de uma celebração hoje (25), preparada há meses em San Cristóbal de las Casas, para marcar os 51 anos de sua posse como bispo da diocese de Chiapas, da qual se aposentou em 1999, ao completar 75 anos. Em lugar da celebração, seus restos são velados desde a noite de ontem na catedral de San Cristóbal, onde será sepultado quarta-feira (26).

Imerso nos debates teológicos e canônicos do Concílio Vaticano II e dos subsequentes concílios de Medelin, Puebla e Santo Domingo, Samuel Ruiz foi participante e protagonista da Teologia da Libertação e da opção preferencial pelos pobres que impôs em sua diocese desde 1975, em uma época dominada por golpes de Estado e por ditaduras militares na América Latina. Mas foi a partir de sua adesão à corrente da antropologia cultural que chegou ao que seria o axioma de sua pastoral: “a dualidade opressão-liberdade e a proposta de um ser cultural próprio, culminando com a igreja autóctone” que provocou fortes reações dentro e fora da Igreja Católica, segundo o historiador mexicano Jean Meyer, que certa vez o comparou com os bispos Helder Câmara, do Brasil, e Arnulfo Romero, de El Salvador, “arraigados na tradição e flexíveis na ação”, que reagiram “de maneira complicada diante de situações complicadas”.

Mas não era marxista, como o rotulavam seus detratores. Nem de longe. Católico tradicional e ortodoxo, Samuel Ruiz chegou a Chiapas em 1959 como bispo da diocese de San Cristóbal, apenas 12 anos depois de ter sido ordenado sacerdote, ao término de seus estudos de Teologia na Universidade Gregoriana de Roma. A realidade o esbofeteou: algumas regiões de Chiapas viviam com estruturas sociais tão atrasadas que se assemelhavam ao período medieval, e sua alma ficou perturbada pelo tratamento dado aos índios escravos que eram comprados e vendidos como ovelhas.

Samuel Ruiz substituiu um Estado ausente e se converteu em defensor dos pobres e advogado dos índios, promoveu o respeito à mulher e às crianças, a tomada de consciência dos atores sociais e a “revolução das expectativas crescentes”. Em 1988, fundou o Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomeu de las Casas, um dos mais importantes e reconhecidos no México até hoje.

Figura central na Conferência Episcopal Latinoamericana e em Roma, ganhou fama mundial em 1991, durante o levante do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Sua intervenção impediu um massacre que poderia ter se tornado um genocídio, e ele se converteu em um ator fundamental nas negociações de paz entre o EZLN e o governo mexicano ao qual havia declarado guerra, ainda que Jean Meyer tenha documentado a condenação de Tatik Samuel à luta armada e seu distanciamento do mítico Subcomandante Marcos, que nunca tornou público.

Apesar disso, em maio de 1998, o então presidente Ernesto Zedillo acusou o bispo de encabeçar a “pastoral da divisão” e a “teologia da violência”, devido à decisão de Tatik de dedicar sua vida a formar comunidades eclesiais de base em cada uma das comunidades indígenas de Chiapas.

O papel conciliador de Samuel Ruiz também fez com que participasse de uma comissão de negociação entre outra guerrilha mexicana, o Exército Popular Revolucionário (EPR) e o governo federal. Também participava dessa comissão o escritor Carlos Montemayor, falecido no ano passado.

Samuel Ruiz vivia há vários anos em Querétaro, 200 quilômetros ao norte da capital do país, e realizava apenas visitas esporádicas à diocese da qual foi nomeado bispo emérito. A distância que manteve obedecia a sua intenção de não interferir no trabalho de seu sucessor, mas seus 40 anos de trabalho nesse estado mexicano deixou uma marca que o novo bispo Felipe Arizmendi não pode alterar, particularmente o que o próprio Tatik chamava “a autonomia participativa” de clero e laicos, sob o risco de provocar “uma verdadeira sangria”, como advertiu o historiador Jean Meyer.

Como bispo da diocese de Chiapas, Samuel Ruiz desenvolveu uma intensa ação através do Comitê de Solidariedade com os Povos da América Latina, viajando a diversos países, com grupos, movimentos sociais cristãos e não cristãos. Uma de suas intervenções mais conhecidas foi em favor dos milhares de guatemaltecos que fugiram para o México no final dos anos 80 e início dos 90 para não serem massacrados pelo exército daquele país e seus esquadrões da morte, conhecidos como kaibiles.

Seu ativismo vinha de longe. Em agosto de 1976, apenas alguns dias após o assassinato do bispo de Rioja, monsenhor Enrique Angelelli, pela ditadura militar argentina, participa do Encontro de Bispos Latinoamericanos, realizado em Riobamba, Equador, e é preso pela ditadura militar desse país junto com outros 20 bispos, sacerdotes, teólogos e assessores, entre eles Adolfo Pérez Esquivel. Vinte e cinco anos depois desse episódio, o Nobel da Paz argentino apresentou a candidatura do bispo mexicano ao mesmo prêmio.

Em 16 de setembro de 2001, por ocasião de um aniversário da independência do México, Pérez Esquivel fez um discurso laudatório sobre Samuel Ruiz no Centro de Direitos Humanos de Nuremberg, que lhe outorgou naquele ano o Prêmio Internacional de Direitos Humanos, um dos tantos que o bispo emérito de Chiapas recebeu. Pérez Esquivel disse então que Samuel Ruiz era uma das “vozes proféticas que anunciam e denunciam a situação de violência e injustiças que vive a maioria dos povos latino-americanos. São as vozes dos despossuídos, dos sem voz que vão recuperando seu protagonismo histórico, o sentido da vida, da dignidade e esperança, na base do qual é possível construir um mundo mais justo e humano para todos”.

Tradução: Katarina Peixoto



FRENTE VAI VISTORIAR CASAS POPULARES

Depois da visita de inspeção às obras de paisagismo de um trecho urbano da Beira Valão, com formalização de um pedido de informações à secretaria municipal de Obras, que deverá ser respondido nos próximos dias, a Frente Democrática, reunida na noite desta segunda, 24, deliberou uma vistoria, acompanhada de representantes de órgãos técnicos, às casas populares do Eldorado e do entorno da Lagoa Maria do Pillar, na próxima terça feira, dia 1º de fevereiro.

A agenda de inspeção foi aprovada em função da prefeita ter anunciado à entrega de parte das residências mesmo com a divulgação de um laudo do grupo especializado do Ministério Público que condena às construções, em matéria publicada pela revista Somos Assim.

O objetivo da Frente é colher todas as informações possíveis e confrontá-las com os pareceres emitidos por órgãos técnicos. Durante a reunião ordinária desta segunda, um empresário do ramo da construção civil também abordou o preço unitário das casas. Segundo ele, uma unidade, nas dimensões das que serão entregues pela prefeita, custam, no mercado, em média 17 mil reais, sem considerar os investimentos em infraestrutura.

Esta semana, o Ministério Público será oficiado para acompanhar a visita.

do blog do fernando leite http://blogfernandoleite.blogspot.com/



Pauliceia arretada

Arlete Gomes no sítio CartaCapital

Aos 457 anos, São Paulo assiste ao retorno para o Nordeste de parte daqueles que ajudaram a erguer a cidade

Paulo Roberto Fernandes veio para São Paulo aos 19 anos, nasceu em Solênea, na Paraíba. Com cerca de 25 mil habitantes o município parece ter parado no tempo. “Lá o comércio fecha ao meio-dia para o almoço, inclusive bancos, e só reabre as 14hs, depois da sesta”, conta Fernandes sobre a rotina da cidade.

Com um trabalho garantido de montador e entregador de uma loja de móveis da capital paulista, permaneceu no emprego cerca de 3 meses. “Percebi que minha profissão não era aquela”, diz ele sobre os anseios que o impulsionaram a vir para a grande metrópole.

Filho de um pedreiro, com quem aprendeu metade da bagagem profissional que tem hoje, resolveu investir aqui na profissão que trouxe de lá. Em sua segunda obra já trabalhava como encarregado, até que em 1992 abriu a sua própria empresa e tornou-se empreiteiro. Construiu casas nos bairros de Alphaville, Pacaembu, Morumbi e Granja Viana. Emprega hoje dez pessoas todas de origem nordestina. “Tem baiano, paraibano..”, afirma ele.

Além de construir e reformar Fernandes também subempreita trabalho. “Eu repasso uma parte para empreiteiras menores. Uma equipe constrói, outra faz a parte hidráulica, outra a elétrica”, explica ele.

O empreiteiro de 42 anos que visitou a cidade natal em dezembro, 10 anos depois de sua última viagem para lá, percebeu uma mudança social. “As pessoas não tem mais tanta vontade de vir pra São Paulo. Tenho amigos que saíram daqui para morar lá e não querem mais voltar”, afirma o ex-pedreiro que já pensa em construir e vender casas em Solânea.

Fernandes que morava na periferia de Taboão da Serra mudou-se para a região central do município. Com condições financeiras de morar mais próximo no centro de São Paulo preferiu o Taboão para manter-se mais perto da área verde e de suas origens. Para o futuro anseia abrir uma loja de material de construção para poder trabalhar com sua própria mercadoria e ainda fornecer material para a região.

“São Paulo é uma cidade que eu aprendi muito, perdi um pouco e ganhei também. Perdi por falta de experiência administrativa. Hoje o mercado de construção civil está aquecido, mas ninguém sabe como estará daqui a uns anos. Com o tempo aprendi que nesta profissão é necessário ter planejamento”, conclui o empreiteiro sobre a instabilidade do mercado imobiliário.

Para ele está cada vez mais difícil encontrar uma pessoa qualificada para trabalhar em seu seguimento em São Paulo. “A maioria da mão-de-obra é nordestina, além dos que voltaram para lá, os que estão aqui dispensam trabalho por falta de
profissionais”, declara Fernandes ao acrescentar que um bom eletricista chega a ganhar até 3 mil reais por mês.

Com uma história de vida próxima, mas com detalhes que apresentam um diferencial Raimundo Alves de Alcântara também nordestino, porém cearense alçou uma trajetória ainda mais promissora.

“Se hoje a viagem demora de dois a três dias, naquele tempo durava de quatro a cinco”, lembra Alcântara, sobre sua viagem de ônibus do município de Farias Brito na região do Caririaçu, próximo a Juazeiro do Norte no Ceará até a capital paulista. Os 2.614 quilômetros de distância que separam as duas cidades foram feitos quando garoto de 7 anos de idade saiu de sua terra natal juntamente com a mãe e os seis irmãos ao encontro do pai.

O genitor veio três anos antes. Trabalhou com pedreiro até ser promovido a encarregado de obra. Com uma condição de vida um pouco melhor alugou um casa de dois cômodos na Vila Joaniza, distrito de Cidade Ademar, e trouxe a família.

Em uma manhã o patriarca incumbiu um de seus irmãos da tarefa de buscar uma tia que chegaria na rodoviária, naquele tempo, final da década de 70, os passageiros vindos no Nordeste desembarcavam em uma rodoviária na região do Glicério, centro da cidade. O adolescente de 13 anos chegou ao local pela manhã, oito horas antes da chegada da parente. Por conta de uma atitude prestativa – carregar as malas de uma senhora até um táxi – ganhou gorjeta, a partir daí passou a se oferecer aos demais passageiros da estação para realizar o serviço.

Na manhã seguinte estava lá novamente ele e Alcântara, agora com 11 anos. Motivados pela descoberta da fonte de renda e pelo fluxo migratório intenso que atraia nordestinos para São Paulo, os garotos davam preferência aos ônibus leito que transportavam pessoas com um poder aquisitivo melhor. Com o tempo aliaram-se aos taxistas que não faziam parte do grupo autorizado a transportar os passageiros do terminal, assim passaram a ganhar gorjeta dupla, do passageiro e do taxista. Os adolescentes ajudavam das despesas domésticas e acostumaram-se a ter o próprio dinheiro.

A fonte de renda secou quando os jovens começaram a sofrer repreensões por parte do Juizado de Menores. Na terceira abordagem foram levados a uma salinha por onde ficaram durante horas. Com o medo de uma nova investida e com um fundo de caixa em mãos deixaram a rodoviária para virarem vendedores ambulantes. “Naquela época não existia muito marreteiro. Vendíamos guarda-chuva, meia, cartão de natal, lousa mágica, sabão, bolsas indianas”, diz.

Mesmo com a vida de vendedor, os estudos sempre estiveram em primeiro plano. Ao terminar o colégio graduou-se em História e em Direito. Dois de seus irmãos são engenheiros civis e um deles seu sócio. Parou de vender bugigangas, montou um supermercado pequeno e uma fábrica de blocos. Conciliava seus afazeres com o trabalho com o pai que tornou-se empreiteiro. Mesmo sem nunca ter vontade de cursar engenharia resolveu dedicar-se exclusivamente ao trabalho com o pai.

Alcântara , hoje com 39 anos, tem uma construtora que realiza obras para o Estado e faz construções institucionais, é diretor de uma cooperativa habitacional que constrói casas populares na região de Guarulhos e mantém uma empresa de extração de pedras em São Tomé das Letras, Minas Gerias. Emprega cerca de 200 pessoas sendo 150 destas de origem nordestina. “É a melhor mão de obra para o meu seguimento”, afirma ele.

O empresário, morador no bairro Brooklin, zona sul da capital, acredita que a exclusão hoje em dia é muito maior do que no fim da década de 80. “Fala-se muito em inclusão social e em inclusão digital, mas hoje o nordestino que vem na condição que eu vim é muito mais excluído. Havia um preconceito por causa do sotaque, por saber que a pessoa veio de uma região mais pobre, consequentemente o pobre sempre tem a pele mais maltratada, o dente mais amarelo.”

Para ele, além de apresentável, a pessoa deve entender de computação. “Você precisa saber lidar com o computador e falar a linguagem do paulistano se não ficará muito mais difícil se inserir”.

Para o Alcântara o nordestino não vê mais São Paulo como sinônimo de prosperidade. “O Nordeste era uma escassez total e São Paulo se desenvolvia. Hoje a região está em expansão, tem trabalho lá.” A afirmação do empresário se confirma em números. A região Nordeste apresentou um crescimento 2% acima da média nacional de acordo com dados divulgados pelo Banco Central, já o fluxo migratório da região Nordeste para o Sudeste apresentou uma diminuição. Passou de 1,5% para 0,85% segundo pesquisa realizada pela empresa de consultoria econômica LCA.

O cearense de nascença e paulistano de coração se identifica com a cidade. “Gosto de viajar para o Nordeste, mas eu amo São Paulo, essa cidade é minha casa. Minha vida é aqui”, declara o empresário que não pretende retornar de forma definitiva para o Ceará. Seu pai, cansado da correria da metrópole paulistana e percebendo um novo desafio na região onde nasceu, voltou para a terra natal a cerca de oito anos. A empresa familiar constrói hoje, em Juazeiro do Norte, casas para o programa do governo Minha Casa, Minha Vida.


Encontro de duas mulheres que batalharam muito


O futebol entrou na agenda da presidenta Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (24/1), no Palácio do Planalto. A presidenta abriu espaço para um bate-papo com Marta, eleita pela quinta vez consecutiva a melhor jogadora de futebol do mundo. Após a audiência, a jogadora contou que a conversa serviu para que as duas pudessem trocar algumas informações sobre o futebol feminino no Brasil.

“Para mim foi uma honra ser recebida pela presidenta Dilma. Foi um encontro muito bacana de duas mulheres que batalharam muito e conseguiram se sobressair. Estou feliz”, disse Marta numa concorrida entrevista coletiva no hall do Planalto.

Na conversa, Marta convidou a presidenta Dilma para ir a Alemanha, entre os dias 26 de junho e 17 de julho, assistir a participação da seleção feminina de futebol na Copa do Mundo de Futebol Feminino. A jogadora explicou que, mesmo não tendo confirmado “100%” a presença na competição, há expectativa de que a presidenta Dilma esteja presente num dos jogos. Segundo a atleta, tal fato seria importante para o grupo.

Marta disse também que durante a audiência a presidenta perguntou sobre a trajetória da jogadora, de origem humilde do município de Dois Riachos, interior de Alagoas, até ser consagrada por cinco vezes a melhor jogadora de futebol de mundo.

"Ela [presidenta Dilma] perguntou sobre minha história de vida. Tentei resumir ao máximo. Não falei muito. Fiquei muito nervosa.”

Atualmente defendendo o Santos, Marta prepara-se para se transferir para o exterior. Segundo informou, em fevereiro deve jogar por um time europeu, embora não disfarce o interesse em retornar ao futebol brasileiro no segundo semestre deste ano. Marta acredita que o surgimento de novas jogadoras tem sido importante para o reconhecimento desta modalidade esportiva e incentivou que outros clubes brasileiros invistam no futebol feminino.

Na audiência, a presidenta recebeu uma camisa autografada por Marta: “Para a nossa presidente Dilma, com carinho. Marta”, escreveu a jogadora. O presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, que também acompanhou a jogadora junto com o ministro do Esporte, Orlando Silva, entregou outra camisa do clube com os autógrafos de Robinho, Neymar, Ganso e André – quatro jogadores que disputaram partidas de futebol pela seleção brasileira.

Fonte: Blog do Planalto.


Petrobras desmoraliza a Folha. E mantém encomendas no Brasil


A Petrobras podia era parar de comprar a Folha

Saiu no blog da Petrobras:

Conteúdo nacional: carta à Folha

A Petrobras desmente com veemência matéria publicada com chamada de capa no jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira (24/1), sob o título “Petrobras quer reduzir compras no país”. A Petrobras não cogita nem pleiteou ao governo a redução de sua meta de índice conteúdo nacional. A empresa reafirma, da mesma forma que informou à Folha antes da publicação da matéria, que não há atraso no cumprimento das metas, nem qualquer movimentação contrária à sua ampliação.

A Folha de S.Paulo ignorou informações fornecidas pela Petrobras em 21/1, sobre a intensificação de medidas de incentivo, cobrindo áreas estratégicas para as empresas, como tecnologia, finanças e gestão. É mentirosa a informação sobre reuniões entre a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia para discussão destas questões nas últimas semanas.

Com um crescimento de 400% nas contratações no País, a política da Petrobras de participação máxima do mercado nacional na aquisição de bens e serviços no Brasil elevou o conteúdo nacional mínimo de 57%, em 2003, para 77,34%, em 2010. A confiança da Petrobras no mercado supridor nacional e a capacidade de resposta desse mercado permitiram que a parcela nacional das contratações da Companhia registrasse um crescimento constante e acima da meta ao longo dos últimos anos. A política de estímulo à indústria nacional praticada pela Petrobras tem o objetivo de utilizar seu poder de compra para ampliar a competitividade dos fornecedores nacionais.

A empresa tem realizado sistemáticas reuniões com empresários de pequeno, médio e grande porte, com o objetivo de estimular a indústria nacional a desenvolver sua capacidade de fornecimento de produtos, que vão desde parafuso até sondas marítimas.

Em relação à cessão onerosa, dentro do cronograma que vai até 2014, a empresa precisará contratar sondas e outros equipamentos no exterior para cumprir o prazo estabelecido por lei. Isso não significa, de forma alguma, deixar de cumprir as metas estabelecidas. Usar essa informação no contexto da reportagem é, no mínimo, má-fé.

fonte: ConversaAfiada

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