terça-feira, 2 de novembro de 2010

De onde vem essa mulher?



"De onde vem essa mulher que bate à nossa porta 500 anos depois?

Reconheço esse rosto estampado em pano e bandeiras e lhes digo:vem da madrugada que acendemos no coração da noite.

De onde vem essa mulher que bate às portas do país dos patriarcas em nome dos que estavam famintos e agora têm pão e trabalho?

Reconheço esse rosto e lhes digo: vem dos rios subterrâneos da esperança,que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher que apedrejam, mas não se detém, protegida pelas mãos aflitas dos pobres que invadiram os espaços de mando?

Reconheço esse rosto e lhes digo: vem do lado esquerdo do peito. Por minha boca de clamores e silêncios ecoe a voz da geração insubmissa para contar sob sol da praça aos que nasceram e aos que nascerão de onde vem essa mulher.

Que rosto tem, que sonhos traz? Não me falte agora a palavra que retive ou que iludiu a fúria dos carrascos durante o tempo sombrio que nos coube combater. Filha do espanto e da indignação, filha da liberdade e da coragem, recortado o rosto e o riso como centelha: metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata e rebenque, o sonho dissolve a treva espessa, recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho, afasta a força que sufoca e silencia séculos de alcova, estupro e tirania e lança luz sobre o rosto dessa mulher que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico, as mãos da multidão inumerável moldaram na doçura do barro e no metal oculto dos sonhos a vontade e a têmpera para disputar o país.

Dilma se aparta da luz que esculpiu seu rosto ante os olhos da multidão para disputar o país, para governar o país.”

Brasília, 31 de outubro de 2010.

Pedro Tierra
CORRER BEIRADA PELAS CHAPADAS DO BAIXO PARNAIBA MARANHENSE
As comunidades do Baixo Parnaiba tocam as teclas do Cerrado maranhense e arrancam a mesma nota: Não deixem que as firmas como a Suzano e as suas terceirizadas desmatem um palmo sequer porque elas só terminam quando restar apenas um bacurizeiro de uma floresta de milhares para contar uma história que, até bem pouco tempo, corria as beiradas das Chapadas pelas mãos, pés e bocas das comunidades extrativistas do Baixo Parnaiba maranhense.
Depois de tantos desmatamentos no Baixo Parnaiba, uma nota como essas carrega uma incógnita. Aos poucos, empresas e governos sepultam parte da história das comunidades extrativistas com a aquiescência de algumas destas mesmas comunidades. O que e como fazer para que essa nota se propague pelos espaços perenizados pela biodiversidade no Baixo Parnaiba maranhense? Muitos, meramente, contemplam a biodiversidade e glorificam as suas maravilhas perante o mundo industrializado e urbano.
Na primeira oportunidade, contudo, a glorificação da biodiversidade cede vez à sua destruição. Quem destrói busca a glória de um lutador ou, quem sabe, de um vencedor. Aquele que se fantasia de destruidor põe a História em marcha. O que fascina mais: a fantasia de destruição ou os efeitos que ela acarreta? A oficina de "Sistemas Agroflorestais" desencantou o projeto "Assessoria Étnico-Ambiental" no Pólo Coceira, município de Santa Quitéria, Baixo Parnaiba maranhense.
A técnica agrícola Rosilene Alves, membro da Associação de Proteção do Riacho Estrela e Meio Ambiente de Mata Roma, assessorou a oficina onde estavam presentes as associações de Coceira, Baixão da Coceira e Pau Serrado. Quem nessas comunidades corria as beiradas das Chapadas? A dona Francisca, presidente da associação do Baixão da Coceira, deslumbra-se dos gorjeares dos pássaros na sua infância e talvez por isso exerça sua liderança na resistência ao projeto da Suzano Papel e Celulose de ligar as suas áreas de plantio de eucalipto nos municípios de Santa Quitéria, Anapurus, Brejo e Urbano Santos.
Os moradores da sua comunidade a respeitam pelo seu trabalho em prol do meio ambiente como no caso em que ordenou a desobstrução de um córrego que a Suzano obstruíra com piçarra. Nesse povoado como em outros, alguns moradores reverenciam a Suzano por piçarrar as estradas e empregar seus filhos sem atinar para o fato de que manutenção do sistema viário é obrigação dos governos e que ao admitir moradores da comunidade em seus quadros logo depois ela demite.
Mayron Régis via 3 setor

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