terça-feira, 30 de novembro de 2010

CartaCapital, Idelber Avelar e Azenha: cai de vez a máscara de Hillary, do 'State Department', de Obama, do Império

Um vazamento monstruoso - 250.000 comunicações do Departamento de Estado e serviços de inteligência dos EUA - revelou na noite de ontem, madrugada desta terça no Brasil, que o Império sediado em Washington sabia e apoiou o Golpe de Estado que em 2009 tirou Manuel Zelaya, último presidente constitucional de Honduras, do poder. Revelou ainda que os EUA tentaram impor a Lula e Dilma, já pensando na transição de poder, uma lei "antiterrorismo" radical, destinada explicitamente a atacar o MST.

"É impossível fazer uma lei antiterrorismo que não inclua o MST", disse André Luis Woloszyn, consultor procurado pelos estadunidenses interessados em adequar a legislação brasileira a seus interesses. Esperamos que depois desta madrugada histórica o mundo não seja mais o mesmo. E que, caso a acolhida que o presidente Rafael Correa ofereceu a Julian Assenge no Equador não se concretize, o Brasil o receba de braços abertos. (R.B)

Por Cynara Menezes, da "CartaCapital"

As carpideiras do regime militar

Há uma revelação, entre as tantas que estão vindo à tona com a divulgação dos telegramas confidenciais das embaixadas dos Estados Unidos no mundo pelo site WikiLeaks, que me deixou particularmente satisfeita. Trata-se da admissão oficial pela diplomacia americana de que o que viveu Honduras em junho do ano passado foi um golpe de Estado. G-O-L-P-E, em português claro, como escrevemos em CartaCapital. Em inglês usa-se a palavra francesa: coup.

Ninguém utilizou o eufemismo: deposição constitucional: a não ser os pseudodemocratas locupletados em setores da mídia no Brasil.

É a mesma gente que, quando o governo Lula fala da intenção de regular a mídia, vem com o papo furado de que está se querendo cercear a liberdade de expressão. É o mesmo pessoal que ataca cotidianamente um líder democraticamente eleito e reeleito com palavras vis, mas que, ao menor sinal de revide verbal, protesta com denúncias ao suposto: autoritarismo: do presidente. Jornalistas, vejam só, capazes de ir lamber as botas dos militares em seus clubes sob a escusa de que a democracia se encontra - ameaçada - em nosso país.

Pois estes baluartes da liberdade de imprensa e de expressão no Brasil foram capazes de apoiar um regime conquistado pela força a pouca distância de nós, na América Central. Quando Honduras sofreu o golpe, estes falsos democratas saíram em campo para saudar o auto-empossado novo presidente Roberto Micheletti, que mandou expulsar o eleito Manuel Zelaya do país, de pijamas. Dizem-se democratas, mas espinafraram Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, por se recusarem a reconhecer um governo golpista.

Quem é e quem não é democrata nessa história toda?

Não se engane, leitor. Disfarçados de defensores da democracia, estes , formadores de opinião, são na verdade carpideiras do regime militar. Choram às escondidas de saudades dos generais. Quando se colocam nas trincheiras da liberdade de expressão, contra o governo, na verdade estão a tentar salvaguardar o monopólio midiático de seus patrões, não por acaso beneficiados pela ditadura.

Dizem-se paladinos da imprensa livre, desde que seja aquela cevada pelas graças do regime militar. Não à toa, elogiam quem morreu do lado dos generais e difamam quem foi torturado e desapareceu lutando contra a ditadura.


Rodrigo Brandão - jornalista
http://brasileducom.blogspot.com

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