quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Serra na rua Toneleros


Paulo Ghiraldelli Jr.

Marx costumava dizer que a história só se repete como farsa. Eu diria que, no caso brasileiro, como caricatura.

Na sua segunda fase, não mais como ditador e, sim, já sob o figurino relativamente democrata e de esquerda, Vargas incorporou o populismo latino americano e, com dois partidos nas mãos, o PSD e o PTB, manobrava a política de massas, deixando os conservadores, a UDN, a ver navios.

A UDN havia nascido sob a idéia de um belo e generoso liberalismo, incorporando em seus quadros até mesmo trotskistas, mas, à medida que Vargas tendia à esquerda, a UDN não escapou de tender à direita. Contra ela, Vargas inchou o PSD de funcionários públicos e de proprietários de terras das oligarquias possíveis de conversa, e montou o PTB para controlar os trabalhadores urbanos, então agradecidos por sua legislação trabalhista.

Isolada, a UDN tinha sua força na retórica de Carlos Lacerda, que do jornalismo ligado ao comunismo havia passado a ser um brilhante retórico a favor do liberalismo – o liberalismo antes econômico que político.

O que Lacerda queria, de verdade, era apenas ver o nacional-desenvolvimentismo de Vargas parar – só isso. Petrobrás e tudo que era estatal e nacional, para ele, eram coisas que não saberíamos administrar, o bom seria entregar tudo para os estrangeiros, que fariam melhor que nós. Em um determinado momento de sua vida, isso já nem importava mais como plataforma política, era apenas uma questão de birra, de vaidade pessoal.

Para tal coisa, ele topava um pacto com qualquer demônio. Foi nessa ânsia que ele fez o bonde da UDN descarrilar, a deixar de ser um partido para ser um canal para sua própria idiossincrasia. Começou a forçar de toda maneira que alguém do lado de Vargas se enchesse o suficiente para atacá-lo. Lacerda era um visível suicida. Queria antes de tudo as manchetes. Gozada sexualmente quando podia aparecer vociferando contra Vargas.

Como todo populista latino americano da época, Vargas estava ligado a vários intelectuais que, vendo-o se aproximar da esquerda, se deixaram levar por esse seu novo vestuário. Mas, também, como não podia deixar de ser, como presidente que havia já ficado anos e anos no Catete, Vargas tinha lá seus “homens de confiança”. Entre esses havia o famoso Gregório, um negro forte, tido antes como “capanga” do presidente que como segurança. Ali estava o ponto fraco de Vargas – a proteção ignorante. Lacerda sabia bem disso.

Carlos Lacerda deve ter pedido ao seu demônio particular para tomar um tiro e, de fato, foi atendido em suas preces. Foi um tirinho de nada, no pé. Mas o suficiente para ele lançar a imprensa inteira contra Vargas, pois tudo parecia indicar que a ordem do ataque havia partido de dentro do Catete, da boca do próprio Gregório. Como Vargas viria a público fritar Gregório e, então, dizer “eu não sabia de nada”. Vargas não faria isso. Como não fez. Foi o momento de glória de Lacerda, mas que durou pouco, pois Vargas meteu um tiro no peito e então o feitiço virou contra o feiticeiro. A revolta popular contra Lacerda, nesse dia do suicídio do presidente, foi tão grande que ele teve de fugir do país, foi se esconder nos Estados Unidos.

Tudo isso é história. Agora vem a caricatura.

Serra foi até Campo Grande, no Rio, e escolheu fazer passeada a pé bem num lugar em que ele sabia que um sindicalista que havia sido candidato a deputado, perdedor e briguento, iria revidar a qualquer provocação. Gabeira é macaco velho e excelente conhecedor do Rio de Janeiro, e instruiu o PSDB direitinho – ali era o lugar. E eis que o sindicalista realmente revidou às provocações do PSDB, que queria fazer desfile em Campo Grande bem no covil costumeiro dos sindicalistas dali.

Dizem que Serra foi atingido por uma fita crepe na cabeça. A fita era tão terrível que ele foi para um hospital e passou por uma tomografia computadorizada. Ganhou como prescrição médica o repouso. Então, foi para a TV dizer da “violência petista” que, com uma fita crepe adrede preparada, tinha um plano para matá-lo.

Lula e Dilma, para que a história possa continuar, vão ter de dar tirinhos com arma que esguicha água e caírem no chão no Palácio do Planalto, agonizantes. Aí Serra vai fugir para o Chile, como de praxe? Não, vai fugir para seu sítio em Ibiúna. Mas não vai poder ficar, pois o Tietê que lá passa está contaminado, graças a um projeto do governo dele, Serra, que empurrou a poluição da avenida Marginal, em São Paulo, para jogá-la mais adiante, em Pirapora.

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Tentando se vitimizar?

Veja o vídeo em http://oleododiabo.com.br que Serra, após receber o durex na cabeça, passa levemente a mão sobre o local e depois, no momento em que ele entra na van, a câmera focaliza a imensa careca brilhante, sem nenhuma marca de luxação, nada. Mesmo assim, os tucanos decidem levá-lo a um hospital e cancelar a agenda do resto do dia, seguramente planejando montar o factóide político que lhes interessa, ou seja, pintar a militância petista como agressiva e violenta.

O próprio Serra, logo depois do episódio, comparou os petistas a tropas nazistas, ilustrando bem o quanto o seu discurso sobre "união" e "não tratar adversários como inimigos" é verdadeiro...

Rodrigo Vianna, em seu blog, alerta para o uso de estratégias militares de inteligência e contra-inteligência pela campanha tucana, envolvendo ações em cinco ondas. A última seria justamente a vitimização. Com isso, Serra ganha mídia e pinta seus adversários como pessoas do mal. A militância deve tomar muito cuidado com piadas hostis, de conotação violenta, para com o tucano. Não é saudável que a eleição, que já é tensa e agressiva, degenere ainda mais. Há gente que vota em Serra e acredita nas mentiras dele; é preciso, portanto, respeitar a crença dessas pessoas.

O importante é manter o equilíbrio. Teremos dias extremamente difíceis, angustiantes, para quem está pondo sentimento e paixão no processo político...

Recebi ainda, num dos grupos de discussão do qual participo, o seguinte email, que esclarece alguns pontos da confusão (os links foram acrescentados por mim e levam a matérias publicadas na grande imprensa sobre o fato): by Miguel do Rosário

Prezados (as)Acabei de conversar com companheiros petistas que se envolveram no incidente e soube o seguinte:

1 - Serra marcou uma caminhada no calçadão de Campo Grande com forte aparato de segurança

2 - O sindicato dos mata-mosquitos, demitidos na época em que Serra era ministro da Saúde de FHC, se localiza nas imediações.

3 - O processo de demissão dos mata-mosquitos foi traumático, a ponto de trabalhadores perderem tudo, e foi registrado cinco suícdios entre os mata-mosquitos demitidos.

4 - Portanto, a categoria tem ódio mortal de Serra e se organizaram para manifestar contra a presença dele no calçadão de Campo Grande.

5 - Os petistas da região, que organizam panfletagens no calçadão, sabendo do quadro, foram para lá evitar confrontos.

6 - Mas os seguranças de Serra, liderados por Júnior, filho da vereadora e deputada estadual eleita Lucinha (PSDB), rasgaram os cartazes dos mata-mosquitos, aí o tumulto começou. Vale lembrar que a comitiva de Serra estava distante do local do conflito, mas Serra foi visto entrando numa Van sem qualquer ferimento

7 - O miltante petista, Carlos Calixto, lotado no gabinte da dep. Inês Pandeló, foi agredido teve o supercílio rasgado,, e ainda sangrando foi para a Delegacia Plolicial registrar a ocorrência.

8 - Segundo o militante petista Sebastião Moraes, a confusão só não foi maior, porque a tropa de mata-mosquitos que vinha se incorporar à manifestação, chegou atrasada, mas saiu em perseguição à comitiva de Serra. É bom que eles não tenham alcançado a comitiva, caso isso ocorra novos conflitos a vista, para a exploração políica de Serra.

9 - O pessoal mata-mosquitos que estava na manifestção não tem vínculo com o PT. Eles têm dois sentimentos básicos, paixão por Lula que os reincorporou e ódio por Serra/FHC que os demitiu.

Abs,
Flávio Loureiro
#RioBlogProg - Política
Movimento dos Internautas Progressistas do Estado do Rio de Janeiro
Grupo de discussão sobre Política

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