quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ato reúne centenas de artistas e intelectuais em apoio à Dilma








Centenas de artistas e intelectuais, além de parlamentares, jornalistas, ambientalistas e militantes, lotaram o tradicional Teatro Casa Grande, no bairro do Leblon, e levaram seu apoio à petista. Do lado de fora, cerca de mil pessoas tentavam entrar no teatro. Com um nível de emoção acima da média até aqui registrada nesta campanha, o ato lembrou antigas jornadas da esquerda carioca e teve direito a palavras de ordem, lágrimas e uma pequena manifestação de rua após o evento.
Maurício Thuswohl By Agência Carta Maior

Rio de Janeiro – O ato organizado por artistas e intelectuais em apoio à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, realizado na noite de segunda-feira (18) no Rio de Janeiro, foi um dos mais vibrantes momentos da campanha eleitoral até aqui. Centenas de artistas e intelectuais, além de parlamentares, jornalistas, ambientalistas e militantes, lotaram o tradicional Teatro Casa Grande, no bairro do Leblon, e levaram seu apoio à petista.

Do lado de fora, cerca de mil pessoas tentavam entrar no teatro. Com um nível de emoção acima da média até aqui registrada nesta campanha, o ato lembrou antigas jornadas da esquerda carioca e teve direito a palavras de ordem, lágrimas e uma pequena manifestação de rua após o evento.

O clima de emoção se justificava. Uma hora antes do início previsto para o ato, o Casa Grande já recebia nomes de peso da nossa cultura e política, como Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Alcione, Chico César, Wagner Tiso, Paulo Betti, Fernando Morais, Sérgio Mamberti, Osmar Prado, Hugo Carvana, Marilena Chauí, João Pedro Stédile, Leci Brandão, Ziraldo, José Celso Martinez Corrêa, Márcio Thomaz Bastos, Saturnino Braga e Jacques Wagner, entre muitos outros.

A confraternização política atingiu seu ápice quando adentraram o palco, pouco antes da chegada de Dilma, a cantora Beth Carvalho e o arquiteto Oscar Niemeyer, ambos em cadeiras de roda.

Sob os gritos de “Olê, Olá, Dilma, Dilma!”, os aplausos de pé à dupla foram longos e emocionados.

Principais organizadores do manifesto e do ato, o sociólogo e professor Emir Sader e o teólogo e escritor Leonardo Boff também foram muito festejados pelo público presente ao Casa Grande.

Nada comparado à recepção dedicada ao cantor, compositor e escritor Chico Buarque de Hollanda, único a entrar no palco depois de Dilma, que foi ovacionado pela platéia e, numa cena que já é tradicional, ficou rubro ao escutar gritos femininos de “lindo” e “gostoso”, alguns deles saídos das bocas de conhecidas atrizes globais.

Mestre de cerimônias, o ator Osmar Prado deu início ao ato: “Essa casa recebe, como em outros momentos da história, representantes da inteligência, da sensibilidade e da criatividade brasileiras para escrever mais um capítulo da construção da democracia plural, mestiça, multicultural e sustentável que sonhamos com todos os brasileiros e brasileiras para o Brasil do século XXI. Reafirmamos o compromisso com a continuidade e o aprofundamento das conquistas alcançadas pelo povo brasileiro ao longo dos oito anos do governo Lula, com liberdade, com democracia, com inclusão social, com respeito ao meio ambiente e com soberania nacional”, disse.

Em seguida, foram distribuídas a todos cópias do manifesto: “Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional”, diz um trecho do documento.


Panfletos obscenos

Após reafirmar o conteúdo do manifesto, Emir Sader recebeu vigorosos aplausos ao ressaltar que a alternativa à Dilma Rousseff “é o obscurantismo, a intolerância, a repressão, é o caminho do fascismo”. O sociólogo comemorou o sucesso do ato e disse que a idéia inicial era repetir o encontro de artistas e intelectuais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizados na casa de shows Canecão em 2002 e 2006: “Peço desculpas aos que não conseguiram entrar, pois não sabíamos que a receptividade iria ser tão grande. De qualquer maneira, o Maracanã está em reformas”, brincou, para delírio da platéia.

A platéia do ato pró-Dilma também reagiu com entusiasmo à participação da filósofa Marilena Chauí, que levou com ela alguns exemplares do panfleto “católico” que traz inúmeras acusações à candidata do PT: “Isso é obsceno. Ele é religiosamente obsceno e politicamente obsceno. Religiosamente obsceno porque é uma violência contra o ecumenismo religioso, a liberdade de crença e a liberdade de religião. É uma violência inenarrável e inadmissível. É também uma obscenidade política porque recusa aquilo que caracteriza o que é o núcleo da democracia republicana moderna, que é o caráter laico do Estado”, disse Marilena, que resumiu a importância da vitória de Dilma: “Nossa batalha é pela consolidação da democracia no Brasil”, disse.

Aplaudidíssima em sua primeira aparição pública após uma internação por problemas de saúde, a cantora Beth Carvalho leu uma carta que fez para Dilma: “Estou me recuperando de uma cirurgia, mas fiz questão de vir aqui hoje pessoalmente para dizer a todo o Brasil e principalmente à essa guerreira chamada Dilma Rousseff o meu apoio. Ela já provou, principalmente nos últimos oito anos de governo, que tem sido a melhor administradora que esse Brasil poderia ter, que sabe governar e que por isso ajudou a conquistar a maior popularidade que um governo já teve na história do nosso país. É por isso que o Brasil vai te eleger”, disse Beth, que levou o Casa Grande novamente ao delírio ao puxar “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu”, em versão do samba consagrado na voz de Zeca Pagodinho.


Chico e Boff (vídeo com pronunciamento dos dois está no rodapé da página)

Estrela entre as estrelas, chamado de “anjo Gabriel” por Leonardo Boff, Chico Buarque também deu o seu recado: “Vim aqui reiterar meu apoio entusiasmado à Dilma, uma mulher de fibra que passou por tudo, que não tem medo de nada e que, sobretudo, vai herdar o senso de justiça social que é a marca do governo Lula. Governo que não corteja os poderosos de sempre e que não tem em sua índole desprezar os sem-terra, os professores, os garis. Temos hoje um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todo mundo. Não fala fino com Washington nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso mesmo, o Brasil é ouvido e respeitado no mundo inteiro como nunca antes na história desse país”, disse o autor de “Apesar de Você”.

Último a falar antes do discurso de Dilma, Boff, que apoiara Marina Silva no primeiro turno, manifestou apoio taxativo à candidata do PT: “Se a esperança com Lula venceu o medo, agora com Dilma a verdade vai vencer a mentira. Acho que essa eleição é mais do que o confronto entre dois candidatos. É o confronto entre duas propostas para o Brasil. O destino brasileiro depende da vitória de Dilma porque se a oposição ganhar nós vamos ter imensos retrocessos”, disse.

Boff disse ainda que “a primeira coisa que temos de garantir é a revolução extraordinária que Lula fez no sentido definido por Caio Prado Júnior, ou seja, aquelas transformações que atendem às necessidades fundamentais de um povo e definem um rumo novo para um país. Essas necessidades fundamentais foram em grande parte realizadas no governo Lula”.


Constelação

Além dos artistas já citados, estiveram presentes ao ato de apoio à Dilma no Teatro Casa Grande figuras públicas como Margareth Menezes, Elba Ramalho, Rosemary, Antônio Grassi, Naná Vasconcelos, Jorge Salomão, Antônio Pitanga, Yamandú Costa, Renato Borghetti, Luiz Carlos Barreto, Otto, Hildegard Angel, Teresa Cristina, Perfeito Fortuna, Pedro Tierra, Marcelo Serrado e Cristina Pereira, entre outros.

Vários artistas que não puderam comparecer mandaram mensagens de apoio à petista, como os aplaudidos Gilberto Gil, Zeca Pagodinho e Mano Brown.

Também assinam o manifesto de apoio à Dilma os artistas: Aderbal Freire-Filho, Alessandra Negrini, Aldir Blanc, Carlinhos Vergueiro, Chico Diaz, Débora Colker, Diogo Nogueira, Dira Paes, Domingos de Oliveira, Ednardo, Isaac Karabishevsky, Francis Hime, João Bosco, José Padilha, Jorge Furtado, Lucélia Santos, Martinho da Vila, Miúcha, Neguinho da Beija-Flor e Renato Teixeira, entre outros.

O texto do manifesto, assim como a totalidade das assinaturas, pode ser visto na internet (http://www.dilmanarede.com.br/).



O Brasil não pode retroceder

Vamos todos participar amanhã (21 de outubro) da grande caminhada pelo emprego, em defesa do patrimônio público, pelos direitos e pela soberania nacional.Concentração às 16 horas na Candelária

Companheiro (a)

Os últimos oito anos foram de grandes avanços em todos os campos para nosso país e sua população. A decisão para manter todas as conquistas e avançar ainda mais está em nossas mãos. Reflita sobre tudo que está em jogo no segundo turno, converse com parentes, amigos, vizinhos e mostre-lhes o risco de um retrocesso caso o neoliberalismo volte a ditar os rumos do Brasil.

No primeiro turno, o processo eleitoral foi marcado pela escassa discussão de um projeto nacional democrático, popular e sustentável. Assistimos a um tiroteio de acusações, centrado na nossa candidata Dilma. Algumas poucas acusações com fundamento, mas a grande maioria totalmente infundada e caluniosa, com apoio escancarado de órgãos da grande mídia e com objetivo nítido de desconstruir a imagem da candidata do PT.

A discussão que precisaria ser feita sobre temas relevantes como saúde, educação e meio ambiente foi substituída por uma mera polêmica interminável sobre questões que têm certa relevância, tais como o aborto e a união civil de pessoas do mesmo sexo, mas que não constituem os grandes temas nacionais. Mesmo assim, os eleitores da Dilma a escolheram porque têm convicção de que ela representa a continuidade e o aprofundamento dos compromissos sociais e das transformações ocorridas nos governos do presidente Lula. Neste segundo turno, diante de nós, há dois caminhos claros que traduzem projetos distintos.

De um lado, o da nossa candidata Dilma, que representa o aprimoramento de conquistas sociais como a educação, no qual tivemos avanços importantes, tais como a expansão da universidade pública, a ampliação dos recursos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, a contratação de mais professores e a melhoria salarial dos docentes. Além, é claro, da expansão das escolas técnicas.

Desde que foram instituídas, há mais de 100 anos, eram apenas de 140. Nos dois mandatos do presidente Lula, foram investidos recursos na construção de mais 250 escolas técnicas federais. Ainda nesse tema, é importante lembrar que o fundo de financiamento do ensino fundamental foi transformado no FUNDEB ? Fundo de Financiamento do Ensino Básico, incorporando elementos estruturantes desde a pré-escola até o segundo grau.

Neste momento de reflexão para o segundo turno é importante também levar em conta a importância de um projeto para a questão ambiental. Nos governos Lula, as metas alcançadas de redução do desmatamento da Amazônia foram significativamente superiores ao passado. Avançamos em todas as políticas de preservação dos biomas brasileiros e tivemos um grande sucesso na Conferência Mundial Sobre o Clima porque o Brasil foi um dos poucos países a apresentar metas auto-definidas de redução das emissões de gases poluentes que mereceram reconhecimento internacional.

As transformações na infraestrutura para o desenvolvimento econômico e urbano, propiciadas pelo PAC, expandiram o sistema ferroviário, melhoraram as condições das rodovias e dos portos de maneira significativa, aprimoraram o sistema de geração e transmissão de energia elétrica e permitiram a volta dos investimentos nas nossas cidades, sobretudo em saneamento básico, urbanização de favelas e construção de moradias através do programa Minha Casa Minha Vida.

Todas essas conquistas e seu aprofundamento, aliadas à recuperação do setor público e com a economia em pleno desenvolvimento em um ambiente de distribuição de renda, é o cenário que temos em vista com nossa candidata Dilma. Em situação oposta, com a candidatura do PSDB, temos o risco de um retrocesso com um governo elitista no estilo FHC, que acredita que o apenas o livre mercado pode resolver todos os nossos problemas.

O Brasil hoje é uma nação reconhecida por ser uma democracia, por reduzir as desigualdades sociais e por ter uma economia arrumada, em desenvolvimento e bastante protegida em relação a possíveis crises internacionais. É nisso tudo que precisamos pensar neste segundo turno, pois há muita coisa em jogo. Se você concorda com os argumentos aqui apresentados, não se deixe levar por manchetes de jornal e colabore divulgando os muitos motivos que temos para votar em Dilma.

A decisão de evitar um retrocesso e avançar ainda mais está em nossas mãos.
Dilma presidente!

Jorge Bittar
Deputado Federal PT/RJ

Nenhum comentário:

Postar um comentário