sábado, 23 de outubro de 2010

AECIO VERSUS SERRA – CONCUSSÃO MORAL

Laerte Braga

A disputa entre Aécio e José FGC Serra começou quando Collor de Mello
convidou Fernando Henrique Cardoso para seu Ministério. O governo do
alagoano afundava e os patrocinadores da lambança do menino de ouro da GLOBO
resolveram buscar FHC e tentar salvar os dedos, entregando os anéis.

A idéia era fazer de FHC um super ministro, na prática, o presidente. Collor
seria figura decorativa. Nasce aí a candidatura de Fernando Henrique, mas
também a disputa entre mineiros e paulistas pelo comando do PSDB.

O primeiro veto a ida de FHC para o Ministério de Collor veio de Mário
Covas. Nunca foi perdoado por isso. O segundo do PSDB mineiro, já sob forte
influência de Aécio Neves.

A segunda trombada entre FHC/Serra e Aécio aconteceu quando o mineiro, em
fevereiro de 2001, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. FHC havia
fechado com Inocêncio Oliveira do ex-PFL (DEM) e Aécio atropelou o acordo.
Como é característica de Fernando Henrique, quando percebeu que a ponte
tinha desabado, deixou o trem despencar sem se meter no assunto.

O que deu na cabeça de Itamar Franco para convidar FHC a ocupar o Ministério
das Relações Exteriores em seu governo (ele pensa que foi presidente da
República) foi posto no acordo celebrado entre os partidos políticos
brasileiros diante da impossibilidade de salvar Collor, tudo com aval de
Roberto Marinho. O condutor do processo foi José Sarney. Chegou a levar o
ex-presidente e agora senador (na cacunda de Aécio) a um encontro com
Roberto Marinho em sua casa no Cosme Velho.

Foi ali que Itamar recebeu o endosso necessário ao enterro de Collor.

FHC veio de fora. A idéia de colocar FHC no centro do palco, num primeiro
momento num Ministério, vem desde os tempos que Tancredo Neves foi eleito
presidente da República, em 1984.

O diabo é que Tancredo não gostava de FHC e várias vezes deixou isso claro e
o fez publicamente.

Os investidores estrangeiros (vamos ficar com essa expressão), donos da
chamada Nova Ordem Econômica tinham e têm com o peça fundamental do processo
de ocupação e controle do Brasil exatamente Fernando Henrique Cardoso.

O problema é que o ex-presidente era o que normalmente se chama de ruim de
voto.

O primeiro mandato de senador foi para completar o de Franco Montoro quando
esse foi eleito governador de São Paulo. E o segundo, ainda no PMDB em 1986
na esteira do Plano Cruzado.

O próprio FHC, pouco antes de ser designado ministro da Fazenda em
substituição a Eliseu Resende, isso no “governo” Itamar, chegou a confessar
a jornalistas que seria candidato a deputado federal, não tinha pretensões
de se manter no Senado, falta de votos.

Vai daí que ministro das Relações Exteriores e ministro da Fazenda
(encontrou a porta aberta, enrolou Itamar e pronto), todo o esquema que
havia sido montado para Collor de Mello correu para FHC eleito presidente em
cima de outro plano, dessa vez o Real.

A reeleição era parte do projeto e foi um golpe branco conseguido às custas
da compra de deputados e senadores (fato comprovado em inquérito que o então
Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, guardou numa gaveta
qualquer).

Em 1988, FHC jogou toda a sua força na convenção do PMDB para impedir a
candidatura de Itamar Franco. Sabia que naquele momento o ex-presidente
tornaria sua candidatura de tal forma inviável, logo a reeleição. O mesmo
esquema que hoje José FHC Serra usa, foi usado. Boatos, truculência, compra
de votos (sapos que Itamar está engolindo sem problema algum pelo visto).

A eleição de Aécio para o governo de Minas em 2002 e a derrota de José FHC
Serra para a presidência, despertou no grupo paulista que controla o PSDB a
certeza que o mineiro jogava o jogo para ser o candidato tucano à presidente
da República em 2010.

Aécio foi um dos principais responsáveis pela derrota de José FHC Serra para
Geraldo Alckimin dentro do tucanato em 2006.

Estava, de fato, montando sua candidatura presidencial.

A partir de um determinado momento em 2009 o então governador de Minas
começou o movimento final para em 2010 vir a ser o candidato tucano. Chegou
a participar de uma reunião em New York com os tais “investidores
estrangeiros”, onde deu plenas garantias que os “negócios” seriam reabertos.

José FHC Serra percebeu isso, percebeu também que a pré-candidatura de Aécio
começava a ganhar corpo no partido além de São Paulo e Minas, a idéia de
prévias incomodava Serra e surgiu aí um dossiê contra o mineiro.

O recado, o aviso, veio pelas mãos do jornalista Juca Kfhoury, amigo de José
FHC Serra, numa nota em sua coluna. Kfhoury falou de um tapa que Aécio teria
dado em uma namorada num evento num hotel no Rio de Janeiro, mostrando
visível descontrole e comentava a importância do brasileiro refletir sobre a
escolha de políticos assim, lembrando Collor de Mello, numa nada sutil
definição de Aécio Neves. Estava insinuado que o ex-governador de Minas é
usuário de drogas.

Aécio tirou o time de campo, viajou para a Europa, voltou ainda enfurecido
com o episódio, o dossiê feito por José FHC Serra, recusou o convite para
ser o vice-presidente na chapa tucana e foi enfático ao deixar claro que
“Meu primeiro compromisso é com Minas e os mineiros”.

Mas, deixou por aqui o dossiê contra José FHC Serra, suas ligações com
Daniel Dantas, a fortuna de sua filha, tudo montadinho por um jornalista do
ESTADO DE MINAS, num esquema bem tucano.

A campanha de Aécio para o Senado ignorou José FHC Serra e a mais de um
prefeito mineiro, bem mais, o ex-governador e candidato ao Senado, liberou
para apoiar e votar em Dilma, o tal DILMASIA.

Como Aécio não é Tancredo e nisso FHC tem razão, o mineiro engoliu no
segundo turno todo esse processo que acabou fazendo de José FHC Serra o
candidato presidencial, arrastou Itamar Franco (outro perito em parecer ser
sem ser) no típico fazer o que, que é mais ou menos relaxar ao estupro,
perder a vergonha (ambos, ele e Itamar) para tentar eleger José FHC Serra.

A bem da verdade Aécio foi emparedado por FHC e José FHC Serra com a
promessa que, se eleito, o tucano paulista não disputará a reeleição em
2014. FHC fez esse mesmo acordo com Itamar Franco. Seria o presidente eleito
em 1994 e em 1998 apoiaria a volta de Itamar.

Como tucano, nenhum, tem caráter ou palavra (José FHC Serra rasgou o
compromisso assinado de cumprir o mandato de prefeito de São Paulo até o
último dia), o PSDB é mais ou menos como um cesto cheio de cobras, cada qual
mais venenosa e Aécio assiste à sua derrocada (caso aconteça o improvável, a
eleição de José FHC Serra) e terminará seus dias ou no Senado, ou de novo no
governo de Minas.

Com um detalhe nessa história toda. Se as eleições para o Senado em Minas se
repetissem, hoje, Aécio seria novamente confirmado, mas com votação bem
menor. E Itamar iria para o brejo.

Besteira ou não, mineiros não gostam de cair de quatro diante de paulistas,
ainda mais quando em todo o processo político que assistimos, o jogo foi de
briga de foice no escuro e na hora agá os dois mineiros, Aécio e Itamar
sentaram em cima sem problema algum, sem escrúpulos, sem resistência, pelo
contrário no caso de Itamar o ex-presidente chegou saltitante ao encontro de
José FHC Serra, tal e qual quando ia para Niterói no rumo de Aracaju.

São esses caras que querem governar o Brasil.

São esses caras que conseguem que o padrão global de qualidade vá para o
lixo no desespero da GLOBO em eleger José FHC Serra em nome dos negócios. A
fraude, a trucagem no filme sobre a fita adesiva que era só uma bola de
papel.

São veteranos, GLOBO, nesse negócio de mentira, farsa, aliás, desde que
começaram a existir.

Já Aécio e Itamar são dois sem vergonhas Não têm nada a ver com Minas e os
mineiros, com a História do estado.

Deformações genéticas de mineiridade.

Um tipo de bactéria ainda sem definição. Talvez sou, mas quem não é.

E dois problemas que não têm muito a ver com o que escrevi acima. É preciso
repensar a Justiça Eleitoral tendo em vista a parcialidade do TSE nesse
pleito. “Corte” em sua maioria formada por cabos eleitorais de José FHC
Serra.

Abrir os olhos que FHC assumiu o compromisso de privatizar a Previdência
caso aconteça o improvável, a eleição de José FHC Serra. O dinheiro daqui
vai tampar o rombo de empresas de previdência privada nos EUA.

Pena que, pilantra, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior não tenha dito de
público o que falou em seu depoimento à Polícia Federal. O dossiê foi
encomendado por Aécio. Já levou o dele, claro.

O negócio na cabeça do José FHC Serra não é concussão cerebral. É concussão
moral. **

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