terça-feira, 14 de setembro de 2010

Qual o custo (a ser cobrado) da desinformação


e partidarização da cobertura jornalística da imprensa conservadora?

O preço da parcialidade da imprensa conservadora: o descrédito


Terra - O senhor identifica um tratamento desigual entre os dois candidatos na imprensa?

Cardozo - Não vou nem comentar, tá certo? Eu acho que os eleitores estão vendo os órgãos de imprensa que tratam tudo com imparcialidade e aqueles que constroem manchetes, constroem matérias beneficiando claramente um candidato. Eu acho que a população está madura para perceber quem age com parcialidade, criando factoides, tentando induzir o leitor com manchetes para serem utilizadas no dia seguinte no programa eleitoral de um candidato... Seguramente estes pagarão com preço de seu descrédito perante a opinião pública. Confira a íntegra aqui.

Este trecho encerra uma entrevista do deputado e um dos coordenadores da campanha de Dilma Roussef, José Eduardo Cardozo. Cardozo sintetiza muito bem sua fala e acerta em cheio no recado: todos tem percebido o tratamento diferenciado que setores da imprensa dispensam aos candidatos. A primeira rodada de entrevistas da Globo com os presidenciáveis, na bancada do JN do casal Bonner e Fátima Bernardes, foi um dos exemplos mais cristalinos da partidarização dos gigantes da comunicação.

Mas os exemplos vão muito além da Globo. A Folha de São Paulo - FSP (apelidada por alguns como Força Serra Presidente), também contribuiu com este espetáculo grotesco de parcialidade e falta de compromisso com a missão máxima de órgão de comunicação: informar à sociedade. O debate na internet promovido pela FSP e o Portal UOL, teve entre os internautas escolhidos para fazer perguntas a candidata Dilma Roussef, assessores de parlamentares e pessoas do staff do PSDB...

Coincidência impressionante, em um portal que recebe milhares de visitas diariamente, escolher mais de uma pessoa ligada ao partido líder da oposição para formular perguntas a candidata do governo, é algo sem precedentes. Sem contar a canalice de publicar na capa de uma edição dominical de 2009, uma falsa ficha de Dilma Roussef, do período da ditadura militar, fato que a própria publicação teve que se explicar depois.

A Veja se especializou em criar capas apenas para atacar, embalagens sem conteúdo sustentável e confiável, que duram cerca de 24 horas até sofrer o desmentido. Sem citar O Globo e o Estadão... O que tá dito acima não é novidade alguma para olhares mais atentos e críticos acerca desses órgãos, não é de hoje que tratam o leitor/espectador com total falta de respeito, subestimam a capacidade das pessoas em poder perceber o que motiva, na maioria das vezes, certas chamadas.

Manchetes olímpicas, difundidas de 4 em 4 anos, com o real intuito de influenciar a opinião pública. Mas o que houve neste fim de semana foi a certeza absoluta da parcialidade devotada da imprensa conservadora. Duas denúncias foram feitas, as duas graves em suas premissas - Carta Capital acusou Verônica Serra de ter vazado dados bancários de milhões de brasileiros em 2001, Veja acusou o filho de Erenice Guerra, ministra chefe da Casa Civil, Israel Guerra, de tráfico de influência. Duas capas com denúncias gravíssimas, publicadas por duas grandes revistas semanais, que costumeiramente tem suas reportagens repercutidas e dissecadas nos jornais e TV's.

Mas estes jornais e TV's repercutiram APENAS a reportagem da revista Veja. Escolha orientada? Parcialidade? Partidarização? Tudo junto! E a perda irresponsável de credibilidade...O Cardozo está certo em sua afirmação. A Rede Brasil Atual publicou um artigo de João Peres, que aponta o jogo político mais do que explícito da imprensa conservadora brasileira, confira um dos trechos em que a própria ombusdman do Jornal FSP, aponta equívocos provocados pelo avanço do sinal da prática de um jornalismo ético cometidos pelo próprio jornal em que trabalha: "A vontade dos grandes jornais em mostrar episódios que possam enfraquecer a candidata Dilma Rousseff gera estranheza até mesmo dentro dessas redações. Na última semana, a Folha publicou que um erro da ex-ministra havia provocado prejuízo de R$ 1 bilhão. A notícia, sem base real, virou motivo de piada na internet, e um viral reproduzido pelo Twitter entrou para os principais tópicos mundiais da rede social." "...

Neste domingo, a ombudsman Suzana Singer chama atenção dos editores da Folha. “O jornal avançou o sinal.” Ela complementa: “Foi iniciativa de Dilma criar a tal tarifa social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso.” A ombudsman pede que o jornal deixe o próprio leitor chegar a suas conclusões, sem direcionamentos, e lembra que não tem havido a mesma crítica à gestão de Serra em São Paulo. “A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo – e não ter medo de crítica – sempre foram características preciosas deste jornal.”

A irresponsável forma de levar informação à opinião pública desses veículos de comunicação, como tem ocorrido ultimamente, confirma o quanto a imprensa conservadora brasileira é filiada a um segmento político (não partidário) e o quanto são capazes de jogar o jogo da pior maneira possível



Velha mídia ignora denúncia envolvendo filha de Serra
Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Ombudsman da Folha cobra que jornal tenha equilíbrio na cobertura e empresário citado por Veja desmente informações

São Paulo – Duas reportagens publicadas neste fim de semana tinham a tarefa de agitar o noticiário eleitoral. A primeira, sob o título Sinais trocados, foi publicada por Leandro Fortes em Carta Capital e narra o episódio em que a empresa de Verônica Serra, filha de José Serra, deixou, em 2001, os dados bancários de 60 milhões de brasileiros expostos a visitação pública durante 60 dias. A segunda, publicada pela revista Veja, conta que o filho da ministra-chefe da Casa Civil supostamente vende facilidades aos que querem fechar contratos com o Estado.

Uma delas, no entanto, foi ignorada pelos jornais de maior peso, os chamados “jornalões”. Não é difícil imaginar qual. A reportagem de Leandro Fortes sobre Verônica Serra não ganhou uma linha em O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. A matéria de Veja, por outro lado, foi o destaque de capa de dois deles, que dedicam boa parte de seu noticiário dominical à repercussão do tema.

O candidato do PSDB, que vem sendo convidado diariamente a opinar sobre a quebra de sigilo fiscal de sua filha, foi novamente ouvido. Não sobre o episódio da Decidir.com, empresa que tinha sua filha como sócia, mas sobre a Capital Assessoria e Consultoria, do filho de Erenice Guerra, sempre apresentada como “braço-direito” de Dilma Rousseff.

Diferenças
É um bom exercício para o começo desta semana imaginar por que os jornais nada noticiaram sobre a reportagem de Carta Capital. A revista sofre de falta de credibilidade? Certamente não. Além de contar com a assinatura de Mino Carta, um dos jornalistas de melhor reputação do país, a revista não tem, ao longo de sua existência, um histórico de desmentidos e de distorção de fatos.

Quanto a Veja, reputação ilibada não tem sido um sinônimo da semanal da Abril. Foram muitos os episódios em que especialistas e autoridades tiveram de vir a público afirmar que nada haviam dito à revista ou que tiveram suas falas distorcidas. Este caso não é diferente. Fábio Baracat, empresário que aparece na reportagem deste fim de semana afirmando ter sido obrigado a negociar o pagamento de propinas com Ismael Guerra, emitiu nota mostrando-se “surpreendido” pela reportagem.

“Primeiramente gostaria de esclarecer que não sou e não fui funcionário, representante da empresa Vianet, ou a representei em qualquer assunto comercial, como foi noticiado (…) Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra, como profissional que atuava na organização da documentação da empresa para participar de licitações, cuja remuneração previa percentual sobre eventual êxito, o qual repita-se, não era garantido (…) Acredito que tenha contribuído com o esclarecimento dos fatos, na certeza de que fui mais uma personagem de um joguete político-eleitoral irresponsável do qual não participo.”

Motivos
A vontade dos grandes jornais em mostrar episódios que possam enfraquecer a candidata Dilma Rousseff gera estranheza até mesmo dentro dessas redações. Na última semana, a Folha publicou que um erro da ex-ministra havia provocado prejuízo de R$ 1 bilhão. A notícia, sem base real, virou motivo de piada na internet, e um viral reproduzido pelo Twitter entrou para os principais tópicos mundiais da rede social.

Neste domingo, a ombudsman Suzana Singer chama atenção dos editores da Folha. “O jornal avançou o sinal.” Ela complementa: “Foi iniciativa de Dilma criar a tal tarifa social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso.” A ombudsman pede que o jornal deixe o próprio leitor chegar a suas conclusões, sem direcionamentos, e lembra que não tem havido a mesma crítica à gestão de Serra em São Paulo. “A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo – e não ter medo de crítica – sempre foram características preciosas deste jornal.”

Neste momento, como os institutos de pesquisa indicam que é muito pequena a possibilidade de Dilma perder a eleição, é preciso considerar outros interesses na divulgação de algumas notícias. O Painel da Folha dá uma pista ao falar do caso: “Até agora, ela era dada como nome certo num eventual governo Dilma.” O blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, levanta uma indagação: “Será que tem o dedo de outros candidatos ao cargo na capa da Veja? Ou será que o Civita quer indicar o primeiro-ministro de um eventual governo Dilma?”

Mora aí uma diferença fundamental das atuais eleições. Ainda não se sabe qual será o real impacto da internet sobre os números finais da votação de 3 de outubro, mas a rede se converteu em um espaço para tentar difundir propostas - a favor ou contra os candidatos - e notícias que são ignoradas pela mídia comercial.



Erenice Guerra dispara míssil contra o polvo da Veja

As capas da Veja se tornaram tão panfletárias que já não são levadas a sério nem pelos adolescentes.

Neste caso específico, para além de fazer a campanha de Serra nas bancas do Higienópolis, a revista parece que mira na intenção de Dilma Rousseff de manter Erenice Guerra na Casa Civil.
Será que tem o dedo de outros candidatos ao cargo na capa da Veja? Ou será que o Civita quer indicar o primeiro-ministro de um eventual governo Dilma?

Presumo que só saberemos mais detalhes quando Dilma assumir, se for eleita.

Luiz Carlos Azenha www.viomundo.com.br

Nota à Imprensa – Casa Civil

Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:

1) procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos – tanto eu quanto os meus familiares – as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;

2) sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar as medidas judiciais cabíveis para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;

3) como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, a disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;

4) lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.

Brasília, 11 de setembro de 2010.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República

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