quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nada supera o debate que mantenho com a sociedade, diz Manuela

Manuela a direita ao lado de Tasso Genro



Ela foi eleita a vereadora mais jovem da cidade de Porto Alegre. Dois anos depois foi eleita a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul. Tem um mandato respeitado no Congresso e foi eleita pelos internautas do site Congresso em Foco a deputada que melhor representa a população. Nossa entrevistada é Manuela d’Ávila, jornalista, ex-vice-Sul da UNE, membro da direção nacional da UJS da direção do PCdoB de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul e também do Comitê Central desde 2005.

Vermelho: Manuela, como você vê esta experiência de estar há quase seis anos atuando no parlamento, primeiro em Porto Alegre e depois em Brasília?

Manuela D’Ávila: Este período tem sido especial, pois mesclamos uma atuação intensa na defesa dos direitos dos trabalhadores, jovens e na defesa das conquistas do governo Lula ao mesmo tempo em que buscamos reforçar o diálogo democrático com todas as forças políticas. Posso também dizer que neste período de atuação parlamentar, aprendi muito. Digo isso com muita tranquilidade, pois a atuação junto aos quadros nacionais do nosso partido nos traz uma bagagem muito grande, bem como junto aos quadros políticos das mais diversas forças.

Mas nada supera o debate intenso que procuro manter com a sociedade. Quando era vereadora em Porto Alegre, nós travamos um debate muito interessante sobre a questão do preconceito, graças a um episódio em que um casal homossexual foi expulso de um estabelecimento comercial. Mesmo dentro dos marcos legais de responsabilidade da Câmara Municipal, pudemos construir uma legislação que, através da concessão de alvarás, combate o preconceito. Graças a este debate, estabelecimentos que estimulem, apóiem ou permitam o preconceito podem perder seus alvarás de funcionamento. Tivemos vitórias como a meia-entrada em Porto Alegre e a Lei dos Estágios em Brasília. Elas foram construídas com o diálogo, o respeito às demais forças políticas e também com a firmeza e o apoio que o debate com a sociedade nos traz.

Vermelho: Uma parte pouco conhecida do seu trabalho parlamentar é a atuação em fóruns internacionais, como é isso?

MDA: Este é um trabalho muito interessante e rico. Eu comecei a ter esta experiência quando era responsável pelas Relações Internacionais da UJS (União da Juventude Socialista). A troca de experiências com parlamentares de outros países é uma das atividades que muitas vezes ficam esquecidas ou secundarizadas na cobertura da imprensa sobre o trabalho parlamentar. Tive a oportunidade de participar de alguns destes encontros, como o realizado pela Organização Ibero-Americana de Juventude, onde pudemos aprofundar o debate sobre este tema entre o Brasil, os países latino-americanos, Portugal e Espanha. Esta vivência nos permite olhar os desafios de nossa juventude de forma ampla, vemos que muitos problemas que enfrentamos são debatidos em outros países, assim como também somos referência para nossos vizinhos em políticas públicas para a juventude.

Vermelho: Você também participou ativamente do debate sobre o uso da internet nas eleições e contra o AI-5 Digital. Como está este debate hoje?

MDA: Desde meu primeiro mandato, ainda na Câmara de Porto Alegre, percebi que a internet e as novas mídias eram cercadas de tabus, desconhecimento e até de certo preconceito. Lembro-me o dia em que eu estava despachando com o pessoal do gabinete pelo MSN, e um jornal me criticou por estar acessando a internet no plenário. Ou seja, naquele momento não havia a compreensão de que as novas mídias economizam tempo, dinheiro e são instrumentos importantes de prestação de contas e transparência. Hoje, passados alguns anos, isso mudou. Nós usamos todas as redes sociais para prestar contas de nosso mandato e também como canais de diálogo direto com a sociedade. Tenho a convicção de que a internet e as redes sociais podem ter um papel profundamente democratizador no debate político. Permitem que qualquer pessoa possa acessar as informações de seu município, sobre o orçamento Geral da União e os projetos em debate nas assembleias e no Congresso. Permitem também que você expresse sua opinião, sem pré-condições ou edições. É um espaço profundamente democrático.

Mesmo neste período de campanha, nós procuramos usar a internet como um fórum de debates. Nossa campanha tem seu site e participa das redes sociais, mas, além disso, nós fizemos no dia 7 de setembro um debate ao vivo com os internautas pelo mecanismo do twitcam. Foi excelente, uma experiência tão gratificante que vamos fazer outro debate no dia 21, a partir das 13h30.

Uma prova da capacidade de mobilização da internet e da sua amplitude é o próprio portal Vermelho, que alcança um universo muito maior de leitores do que as publicações impressas de esquerda no Brasil. E isso preocupa determinados setores, a prova disso é o projeto apelidado AI-5 Digital, encaminhado pelo senador tucano Eduardo Azeredo. Este é um debate que será muito importante na próxima legislatura e que poderá influenciar muito a nossa democracia.

Vermelho: Mudando um pouco o foco, nós acompanhamos um dia da sua campanha em Porto Alegre, e é impressionante o carinho e a atenção que você recebe. Como você vê isso?

MDA: Eu fico muito grata de receber o carinho nas ruas, é muito bom ver que nosso trabalho é reconhecido. Mas acho que este reconhecimento se faz não somente pelo meu trabalho. Este reconhecimento vem também pela atuação do nosso partido, dos nossos militantes e da nossa equipe.

Vermelho: Quais as bandeiras que você quer defender no Congresso em um novo mandato?

MDA: Estamos lutando muito para que possamos cumprir um novo mandato. Nosso país avançou muito nos dois governos Lula. Quando era diretora da UNE, lutávamos contra a privatização das universidades públicas e hoje assistimos a maior expansão do ensino superior público da história republicana. Ou seja, temos um novo Brasil. E este novo Brasil nos trouxe também novos desafios. Nosso país ocupa hoje uma posição estratégica no mundo, tanto política como economicamente.Eu e o meu partido, o PCdoB, temos claro que o Brasil deve avançar mais, mantendo as conquistas dos últimos oito anos. Precisamos manter o PAC, precisamos ampliar nossa infraestrutura, ampliar os empregos e o desenvolvimento.Neste primeiro mandato na Câmara, tivemos vitórias importantes como a nova Lei dos Estágios, mas ainda temos batalhas como a redução da jornada de trabalho para 40 horas, temos o Estatuto da Juventude, a luta pela liberdade na internet, pela ampliação de programas para a juventude como o Prouni e o Reuni, por políticas públicas que combatam o preconceito, por mais investimentos em esporte, esporte para a juventude, esporte de alto rendimento e também para a terceira idade. Ou seja, temos muitas lutas pela frente, e iremos enfrentá-las.


De Porto Alegre, Gustavo Alves Direto do Portal Vermelho http://www.vermelho.org.br/

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