segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Líder dos seringueiros do Acre diz que Marina os abandonou

Machado/Terra Magazine

Filippo Cecilio Direto de São Paulo

Um dos pilares de sua trajetória política, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) reclama da ausência da candidata do PV à presidência da República Marina Silva. Na figura de sua presidente, Dercy Teles de Carvalho, os seringueiros dizem que Marina os abandonou. No começo do mês de setembro, a senadora esteve no Acre em compromissos de campanha, mas passou longe da terra de seu antigo companheiro Chico Mendes.

"Nossa relação com ela está a essa distância. Ela não nos visitou e nem fomos convidados para essa visita que ela fez ao Acre. Não tem outro adjetivo para isso que não seja abandono", diz Dercy. A presidente não sabe precisar há quanto tempo Marina não vai a Xapuri, mas diz que já faz "bastante tempo que eu não ouço falar. Depois que mudou de partido ela não andou por aqui. Apesar de Xapuri ser o município do Acre que promoveu ao PT, a ela e a todos que tiveram ascensão na política naquela época".

A ex-ministra do Meio Ambiente esteve ao lado do líder seringueiro Chico Mendes de 1976 até sua morte, em 1988. Se conheceram durante um curso de liderança rural, e, por influência do novo companheiro, Marina se filiou a partidos políticos e participou da fundação da CUT (Central única dos Trabalhadores) no Estado.

Mas a vivência de Marina no seringal vem de antes disso, quando ela trabalhava junto ao pai na extração de látex para ajudar na renda familiar.

Dercy milita no sindicato desde seus primeiros instantes, e diz que, se vivo hoje, Mendes não aprovaria a atitude de Marina. "A avaliação que eu faço é que, e ele estivesse aqui, certamente não estaria no PV, e se estivesse, estaria questionando a postura do partido". A presidente entende que as opções políticas da candidata vão contra os ideais defendidos pelo líder sindical durante sua vida, apesar da bandeira da preservação ambiental seguir hasteada no discurso de Marina e seu partido.

"Do meu ponto de vista, a candidatura dela, essa ligação com grandes empresários, vai contra os valores do sindicato. A relação de exploração contra a qual ela lutava segue a mesma, mas agora ela está do lado de lá. Nós temos 12 anos de governo da Frente Popular no Acre - da qual ela faz parte - e a vida dos trabalhadores rurais fica a cada dia mais difícil. Não temos alternativas de trabalho, falo com muita convicção que está se abrindo um precedente para que a classe trabalhadora rural do Acre seja extinta".

Dercy diz que se pudesse conversar com Marina pediria que ela interviesse, como senadora ou mesmo presidente, para que a classe que representa fosse mais valorizada. "Somos carentes de tudo. Outro dia uma criança morreu por virose dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes. É o extremo do absurdo, não existe um serviço de saúde para os trabalhadores rurais. Inclusive em Xapuri a situação está difícil".

A reportagem do Terra procurou a coordenação da campanha de Marina para que respondesse às críticas, mas ela preferiu não se manifestar.


via http://rioblogprog.blogspot.com/

Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo.



http://www.fazendomedia.comblogosfera/
Blogosfera a imprensa-alternativa-do-século XXI
Por Eduardo Sá,

Um com mais de 50 anos de experiência no jornalismo, o outro uma das referências no jornalismo virtual que vem emergindo no Brasil. Mauro Santayana passou por todos os veículos tradicionais da imprensa brasileira e alguns alternativos, e Luiz Carlos Azenha, atualmente na Record e com o blog Vi o mundo, foram os debatedores do evento “Blogosfera: a imprensa alternativa do século XXI?”, realizado na última terça-feira (21) no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

A atividade, que integra o ciclo de debates Arte e Vanguarda na internet, discutiu as possibilidades culturais através das novas ferramentas na internet.

Ambos otimistas com a pluralidade de informações que vêm circulando na internet, os jornalistas acreditam que estamos passando por uma revolução que ainda não é possível estimar suas proporções.

“ É um fenômeno que agrega. O jornalista deixou de ser o protagonista, enquanto os leitores se tornaram produtores. Isso escapa dos filtros convencionais da hierarquização. Hoje com o poder das tecnologias os consumidores produzem o conteúdo, e é natural aqueles que detém o domínio da opinião não estarem acostumados”, observou Azenha.

Ele exemplificou essa modificação com a sua própria experiência que, gastando em torno de R$ 15 mil, ao usar seu laptop, celular, câmera e a internet 3G deixa seu site em funcionamento, cujo público já passa de 50 mil visitas únicas por dia. “É muito pouco em relação ao Chateaubriand ou o Roberto Marinho com seu acordo na Time-Life, mas a revolução é por causa das tecnologias”, disse.

O veterano Mauro Santayana destacou que o papel reinou mais de 500 anos, e agora temos há 20 anos as comunicações eletrônicas sem saber no que vai dar, apenas com a certeza de que as coisas já não são como antes.

“Todos nós sabemos que comunicação é vida, política, poder, podemos começar com a bíblia. Na história da comunicação no mundo, sobretudo da escrita, cada mudança de suporte correspondeu a uma mudança considerável no homem. Antes com pedras, a argila, depois o papiro, portável e passível de distribuição de idéias que provocaram revoluções na história: civilização grega, egípcia, o renascimento, revolução francesa, etc. Agora a internet, que é importante pela democratização da informação e da opinião. Só os ricos podiam fazer jornal, hoje existem portais em pequenos municípios com projetos sustentados por anúncios locais”, contextualizou Santayana.

Azenha sustenta que com a redemocratização, uma grande frente de jornais alternativos, como O Pasquim e o Movimento, perdeu seu espaço para os grandes meios. No entanto, na sua visão, isso convergiu com a ascensão de pessoas que não se viam representadas na mídia tradicional, fato que culminou na proliferação de sites na internet, recém inaugurada no Brasil.

Esse descompasso apresentado pelo jornalista é atribuído à implantação do modelo neoliberal, que tirou da mídia seu papel de fórum da opinião da população passando a falar para um grupo específico em nome de interesses políticos e econômicos.

“A blogosfera passou a representar a voz de muita gente que não se via representada na mídia brasileira. Nosso caminho é lutar por mais vozes, transformando atores sociais e beneficiando a mídia com a participação de pessoas que não faziam parte dos debates. O sentido da blogosfera hoje é mais ou menos o da imprensa alternativa, mas as ferramentas são diferentes. Requer uma mudança na relação do jornalista, que precisa aprender a conviver com isso, se tornando mediador dos debates”, analisou.

“Acabou-se o monopólio da informação e da opinião, estamos voltando à democracia direta grega. Mas com um bilhão de pessoas nessa ágora, talvez até com o surgimento de um novo idioma a longo prazo. Vamos ter uma anarquia total ou vamos ter um despotismo novo? O capitalismo vai tentar controlar isso, vai tentar tirar o máximo proveito econômico, mas desta vez não será possível”, destacou Santayana, que hoje escreve no Jornal do Brasil na internet.

Ele lembrou que recentemente foi anunciado o encerramento da versão impressa do Jornal do Brasil, um dos veículos mais tradicionais do país. Santayana recordou que o JB teve a primeira grande sede de um jornal no Rio, e foi o primeiro na internet.

“Sinto nostalgia no JB, o papel é a materialidade do texto, apesar disso estou trabalhando com a internet. Querendo ou não temos uma revolução, os custos de impressão e distribuição reduziram para 1/5, poderemos privilegiar o conteúdo. A ideia é de que seja pago, o [Nelson] Tanure está calculando que em dezembro haverá 100 mil assinaturas”, afirmou o colunista do jornal.


A universalização da banda larga é o caminho para a viabilização comercial da blogosfera, que fará parte da economia moderna, apontou Azenha. Ele acredita na explosão do fotojornalismo e na atuação dos cartunistas, devido ao caráter visual da internet. O blogueiro encerrou afirmando que as opiniões de qualidade e informações originais vão se destacando nesse vasto campo de informação, e antevê uma grande capilarização com os blogs locais graças às suas informações mais contextualizadas.

“Já estão florescendo blogs muito bons, mas demoram a aparecer no nosso radar. Acredito no descontrole, em filtros individualizados, a colaboração é a sua essência, garantindo a diversidade sobre a verticalidade”, concluiu.

Com um tom de prudência, Santayana apresentou uma reflexão sobre o controle na internet. “É difícil punir quem usa a internet para o mal, e às vezes até elogiar quem usa para o bem por causa do anonimato; precisamos avançar nisso. Está ocorrendo a multiplicação de uma liberdade essencial na internet, se existem calúnias, injúrias, difamações, devem ser combatidas no código penal e não com uma lei de imprensa. É preferível o excesso à rolha, é um prejuízo marginal que pagamos”, ponderou.

Santayana foi instigado pelo público, que lotou o auditório, a descrever o ofício do jornalista. “O jornalista tem o dever de fiscalizar, mas nunca acreditei na imparcialidade: tem que ter independência. Os jornais não têm mais sua opinião clara, e falta pluralidade. Os jornalistas tinham mais opções e os leitores também. Hoje há patricinhas e mauricinhos nos jornais sem nenhuma relação com a vida real, contato com o povo. Éramos solidários com o povo, hoje são com os banqueiros e seus pensamentos. Os jornalistas estão de acordo com os patrões dos seus jornais, talvez a internet vai resolver parte disso”, sentenciou

Ele também foi questionado sobre a possibilidade de um golpe militar no Brasil, segundo está sendo propagado pela mídia brasileira. “Não acredito na liberdade de expressão ameaçada, não temos mais as forças armadas tão politizadas como antigamente. Nossa democracia tem apenas 20 anos, e o próprio governo não é homogêneo internamente. Uma vez que a Dilma seja presidente, ela não terá condição de exercer a ditadura no país. Não há partidos políticos no Brasil, há cooperativas de interesses. E tem o poder moderador do PMDB. Muita coisa que está sendo publicada é fruto do fogo amigo, não há condição para o totalitarismo nesse momento, nem tapetão e conspiração nos próximos 8 anos”, concluiu.

Postado por Sergio Telles no #RioBlogProg http://rioblogprog.blogspot.com/
Friedrich Nietzsche

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