terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os blogs ‘limpos’ de Serra

Direto do Blog da Cidadania http://www.blogcidadania.com.br/

Recentemente, o candidato cadente José Serra disse que “blogs sujos”, supostamente financiados por dinheiro público repassado a mando do presidente Lula, são usados para atacá-lo. Este post mostra como são “limpos” os blogs do tucano.

O desastre eleitoral de Serra se explica facilmente vendo os blogs que a oposição tucano-pefelê financia. Um dos mais populares é ligado a militares de pijama que dominam a ultra-direita em Santa Catarina.

São blogs que exaltam o candidato tucano à Presidência e que vivem exibindo demonstrações de apreço de políticos do DEM e do PSDB de Santa Catarina. Um deles é um tal de Coturno Soturno, responsável por um dos ataques mais nojentos que já vi.

Na verdade, é um grande favor que os aliados de Serra fazem à candidatura de Dilma Rousseff ao atacá-la dessa forma.

Homens e mulheres que eventualmente não se enquadrem nos padrões contemporâneos de beleza certamente deverão refletir muito sobre as táticas da direita tucano-pefelê.

Mulheres também serão levadas à reflexão diante da constatação de que homens que não honram as calças que vestem e que as atacam dessa forma usando sua aparência, são aliados de Serra.

Esse é o debate político que a oposição propôs ao país, composto de ataques irracionais, baixos e, acima de tudo, de uma burrice desumana.

Nunca foi tão fácil para o brasileiro escolher um presidente da República – o que, aliás, as pesquisas vêm revelando. Só resta esperar que esse tipo de tática dos blogueiros “limpos” de Serra continue na mesma toada.


O poder da mídia: Você passa a ser quem eles querem que seja
Uma análise do poder midiático na Argentina

O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.


José Pablo Feinmann – Direto da Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/

A filosofia ocidental dos últimos 45 anos se equivocou gravemente. Para sair de Marx e entrar em Heidegger (como crítico excelente da modernidade, mas a partir de outro lado, que não o de Marx) se viu obrigada a eliminar o sujeito, tal como Heidegger o havia feito com inegável brilho no seu texto A época da imagem do mundo. Também Foucault deu o homem por morto. Barthes, o autor. Ao estilo. Deleuze, a partir de Nietzsche, a negatividade, ou seja: o conflito na história. E a academia norte-americana sistematizou tudo isso incorporando com fervor os heróis da French Theory. O fracasso é terrível e até patético. Enquanto os pós-modernos postulam a morte da totalidade, o Departamento de Estado postula a globalização. Enquanto propõem a morte do sujeito, o império monta brilhantemente o mais poderoso sujeito da filosofia e da história humana: o sujeito comunicacional. E esta – há anos que sustento esta tese que na Europa causa inesperado assombro quando a desenvolvo – é a revolução de nosso tempo.

O sujeito comunicacional é um sujeito centrado e não descentrado, logocêntrico, fonocêntrico, alheio a toda possível disseminação, informático, bélico, mascarador, submetedor de consciências, sujeitador de sujeitos, criador de realidades virtuais, criador de versões interessadas da realidade, da agenda que determina o que se fala nos países, capaz de derrubar governos, encobrir guerras, de criar a realidade, essa realidade que esse sujeito quer que seja, quer que todos acreditem que é, que se submetam a ela e que, submetendo-se, submetam-se a ele, porque aquilo em que o sujeito comunicacional acredita é a verdade, uma verdade na qual todos acabarão crendo e que não é a verdade, mas a verdade que o poder absoluto comunicacional quer que todos aceitem. Em suma, sua verdade.

Impor sua verdade como verdade para todos é o triunfo do sujeito comunicacional. Para isso, deve formar os grupos, os monopólios. Deve apoderar-se do mercado da informação para que só a sua voz seja escutada. Para que só os jornalistas que lhe são fiéis falem. Uma vez se consiga isso, o triunfo é seguro. A arma mais poderosa da supraposmodernidade do século XXI radica no domínio maior possível dos meios de informação. Que já não informam. Que transmitem à população os interesses das empresas que formam o monopólio. Interesses nos quais todas coincidem.

Assombrosamente, nenhum filósofo importante advertiu essa revolução. Foucault passou a vida inteira analisando o poder. Mas não o comunicacional. É claro! Se tinha negado o sujeito como iria analisar os esforços do poder para constituí-lo de acordo com seus interesses?

Ninguém viu – ademais, e isso para mim é imperdoável – o novo monstruoso sujeito que se havia consolidado. Superior ao sujeito absoluto de Hegel. Algo observado por Cornelius Castoriadis. Mas pouco. Relacionou as campanhas eleitorais com as empresas que as financiam. Mas – insisto – aqui o essencial é que o tema do sujeito voltou ao primeiro plano. Colonizemo-nos o sujeito, façamos-lhe crer no que nós cremos, e o poder será nosso. O poder começa pela conquista da subjetividade. Começa pela construção de algo a que darei o nome de sujeito-Outro.

Formulemos – como ponto de partida desta temática essencial – a pergunta obrigatória: o que é o sujeito-Outro? É o Outro do sujeito. Escrevo Outro com esse “O” maiúsculo enorme para marcar o caráter alheio que o Poder consegue instaurar entre o sujeito e o Outro de si. Heidegger transitou bem esta temática. O que eu chamo sujeito-Outro é esse sujeito que – segundo Heidegger – caiu “sob o senhorio dos outros” (Ser e Tempo, parágrafo 27).

Ele fez aí uma observação brilhante e precisa: o senhorio dos outros. Heidegger amplia o conceito: quem cai sob esse senhorio (o dos Outros) “não é ele mesmo, os outros lhe hão arrebatado o ser”. “O Poder, ao submeter a subjetividade, elimina meus projetos, meu futuro mais próprio, o que houvera querido fazer com minha vida. Minhas posibilidades (…) são as do Outro; são as do Poder, as que me vêm de fora. Já não sou quem decide, sou decidido” (JPF, La historia desbocada, Capital Intelectual, Buenos Aires, 2009, p. 128). Heidegger no entanto se remete à esfera ontológica: o que se perde é o ser.

Não creio que devamos pôr o acento nisso; o que se perde é a subjetividade, a consciência, a autonomia de pensar por nós mesmos, pois pensamos o que nos fazem pensar, dizemos o que nos fazem dizer e nos convertemos em patéticos, bobos, manipulados defensores de causas alheias.
CFK manejou a temática com precisão e com uma audácia que – eu, ao menos, e já tenho meus anos vivendo sempre neste país – não vi em presidente algum. Quando retoma a frase da capa do Clarín e a da contra-capa é onde revela o que é o Poder. O Clarín tem a manchete: “O Governo avança na Papel Prensa para controlar a palavra impressa”.

Por detrás desta frase está toda a campanha “desgastante” (para usar um conceito do revolucionário popular agrário Buzzi, fiel a suas bases até a morte, até a matar a FA, submetendo-a aos interesses da Sociedade Rural, controlada hoje pelo “Tanto” Biolcati, descendente da “chusma ultramarina” que Cané desdenhava e não por Martinez de Hoz ou pelo elegante senhor Miguens) da oposição.
Quer dizer, o governo é autoritário, doente pelo poder e sempre empenhado em silenciar a todos. CFK dá razão ao Clarín:

“O Clarín pensa que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Quero nisto coincidir com o Clarín. Claro, quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Por que? Porque a Papel Prensa Sociedad Anónima é a única empresa que produz pasta de celulose para fabricar papel jornal no país; ela fabrica o papel jornal, o distribui e o comercializa no que se conhece em termos econômicos e jurídicos como uma empresa monopólica integrada verticalmente. Por que? Porque vai da matéria prima até o insumo básico, mas não somente produz esse insumo básico como determina a quem vende, por quanto vende e a que preço vende. Por isso coincido com o Clarín em que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa na República Argentina”.

O Poder – em cada país – tem de formar monopólios para ter unidade de ação. Não se tem todo o poder se se tem só a Papel Prensa, que implica, é verdade, o controle da palavra impressa. Mas há que ter outros controles. Sobretudo – hoje, no século XXI, nesta supraposmodernidade manejada pela imagem – o poder da imagem. E o da voz do rádio, sempre penetrante, omnipresente ao longo do dia. Trata-se da metralhadora midiática. Não deve parar. Por que este governo se complica nesta luta com gigantes sagrados, intocáveis? Ou o faz ou perece a qualquer momento.

Desde a campanha do senhor Blumberg se advertiu que os meios de comunicação podiam armar uma manifestação popular em poucas horas. Toda a cambada de Buenos Aires saiu com sua guarda atrás do engenheiro e impulsionada por Haddad e a ideologia-tacho que – então – era uma criação da Rádio 10.

A ideologia-tacho é uma invenção puramente argentina. Como o ônibus, o doce de leite e Maradona. Alguém toma um táxi em qualquer parte do mundo e o taxista não o agride com suas opiniões políticas. Deixa-o viajar tranquilo. Sigamos: o segundo, terrível sinal de alarme foi durante as jornadas “destituintes” e “desgastantes” do “campo”.

Sem o apoio imoderado dos “meios de comunicação” teria sido um problema menor. Mas a fúria midiática chegou aos seus pontos mais estridentes. A “oposição”, não essa essa galeria patética de ambiciosos, torpes e imprestáveis políticos que peleiam melhor entre si do que com seus adversários, são os meios de comunicação.

A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.

A análise de CFK foi excessivamente rica para uma só nota. Até aqui temos: Videla convocou La Nación, Clarín e La Razón e os entregou a Papel Prensa. Ao ser o Estado desaparecedor o sócio da sociedade que se formou, esses jornais não só apoiaram ou colaboraram com um regime abominável como foram seus sócios. Para quê? CFK o disse assim:

“Durante esses anos se escutava muito o tema da defesa de nosso estilo de vida. Nunca pude entender exatamente a que se referiam quando se falava de defender nosso estilo de vida. Eu não creio que a desaparição, a tortura, a censura, a falta de liberdade, a supressão da divisão dos poderes possam ter formado em algum momento parte do estilo de vida dos argentinos”.

Sim, no momento em que se constitui a Papel Prensa e Videla pede aos grandes jornais que – agora sim, a morte – defendam a luta em que estão empenhados, o estilo de vida argentino, para ser defendido, requeria os horrores da ESMA. Há um livro de Miguel Angel Cárcano: El estilo de vida argentino. Em suas páginas se traça uma imagem idílica, campestre, cotidiana e senhorial do general Roca. Esse é – para Cárcano– um herói de nosso estilo de vida. É o deles, o da oligarquia que fez este país a sangue quente e a sangue e a fogo sempre o defendeu sempre que se sentiu atacada.

Os herdeiros de Cárcano e Roca ainda o defendem. Se lhes deixa o poder de “formar a opinião pública” como sempre o fizeram, voltaremos ao país que desejam: o do neoliberalismo, o dos gloriosos noventa. Conservarão o poder. Farão o que CFK desenhou assim: “Se há um poder na República Argentina, é um poder que está por sobre quem exerce a Primeira Magistratura, neste caso a Presidenta; também está por sobre o Poder Legislativo e, seja como for, também por sobre o Poder Judiciário (…) é invisível aos olhos”. É o poder que tão impecavelmente um outrora misterioso personagem definiu: “Presidente? Este é um posto menor”.

(*) José Pablo Feinmann é professor de Filosofia, ensaísta, escritor e roteirista.
Tradução: Katarina Peixoto


O fim do JB nas bancas: relembrando a “batalha” de 1982

por Luiz Carlos Azenha Direto do http://www.viomundo.com.br/


O Jornal do Brasil chegou às bancas hoje pela última vez. Presumo que tenha sido resultado de uma combinação de incompetência administrativa e concorrência desleal com a decadência relativa dos meios impressos por causa da internet. O modelo brasileiro de mídia é altamente concentrador, já que é escorado em relações de poder altamente concentradas. Você vai entender melhor se olhar naquela esquina do Congresso onde se cruzam os donos de terras, de cargos eletivos/públicos e dos meios de comunicação, especialmente das concessões de rádio e TV.

No Rio de Janeiro, especificamente, Paulo Henrique Amorim já descreveu (aqui) em detalhes como as Organizações Globo usaram seu poder eletrônico para detonar a concorrência: O Globo de domingo era destaque na programação de sábado da TV Globo, por exemplo. O JB foi uma das vítimas disso.

Os jornalistas, com certeza, vão se lembrar das grandes batalhas travadas pelo JB. Contra o regime militar, por exemplo. Ou, talvez a mais simbólica de todas, em 1982, nas eleições estaduais do Rio de Janeiro, quando Leonel Brizola enfrentou Moreira Franco.

Foi o ano do escândalo da Proconsult, empresa encarregada pelo TRE de totalizar os votos. Ano de pesquisas eleitorais distorcidas. De manchetes em choque. Moreira Franco tinha o apoio das Organizações Globo. Brizola contou com os jornalistas da rádio Jornal do Brasil e do JB para evitar a fraude.

No livro “Mídia: Crise política e poder no Brasil”, de Venício A. de Lima, o episódio é descrito assim:

Leonel Brizola era, em 1964, o mais controvertido dos políticos contra quem se voltaram os militares. Exilado, voltou ao país com a anistia de 1979. Em 1982 candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro, um dos estados politicamente mais importantes do país.

A candidatura de Brizola não agradava ao regime militar e muito menos à RGTV, que tinha outras preferências, conforme revelou o ex-diretor da sua Divisão de Análise e Pesquisas, Homero Sanchez, em famosa entrevista publicada em maio de 1983. Sanchez, que à época da entrevista já não pertencia mais à RGTV, demitido que foi em consequência da sua ação como conselheiro informal de Brizola durante as eleições, revelou com detalhes o papel que a RGTV desempenhou na tentativa frustrada de se fraudar a eleição no Rio de Janeiro para impedir a vitória de Brizola.

Conforme a versão de Sanchez, Roberto Irineu Marinho, filho de Roberto Marinho e um dos quatro homens fortes das OG, havia assumido compromisso com o partido de sustentação do regime autoritário, cujo candidato era Wellington Moreira Franco. Segundo Sanchez, ao assumir tais compromissos, há indícios de que Roberto Irineu Marinho tenha se associado implicitamente ao esquema fraudulento montado para impedir a eleição de Brizola. Esse esquema consistia em iniciar as apurações pelo interior, onde era majoritário o partido do governo, criando a ilusão de uma iminente derrota do político anistiado. Era parte central desse esquema a empresa encarregada de processar a contagem dos votos — a Proconsult –, cujo principal programador era um oficial da reserva do Exército.

A Proconsult havia desenvolvido um programa capaz de subtrair votos de Brizola e adicionar votos para Moreira Franco. Ao divulgar apenas os resultados da apuração oficial, a RGTV, líder de audiência, seria vital para o sucesso da fraude, pois emprestaria credibilidade aos falsos resultados que iriam aos poucos sendo fabricados.

O que não estava nos planos dos organizadores do esquema fraudulento, todavia, era o desenvolvimento de um serviço próprio de apuração, a partir dos boletins emitidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este serviço foi organizado pelo jornal concorrente de O Globo, o Jornal do Brasil, justamente com suas duas prestigiadas emissoras de rádio AM e FM — representando interesses tanto comerciais como políticos em conflito com os das OG. Com isso, eram apresentados resultados parciais totalmente diversos dos veiculados pela RGTV.

Já alertado para a fraude, Leonel Brizola orientou seu partido a desenvolver trabalho paralelo de apuração, utilizando-se de um computador próprio. Essas providências contribuíram para a descoberta da trama, denunciada depois por vários outros órgãos de imprensa (Veja, 1982b).

Ao mesmo tempo, constatada a possibilidade de fraude nas eleições para governador de um dos estados politicamente mais importantes do país, criava-se um clima de perplexidade na opinião pública, pois o candidato Leonel Brizola havia sido votado maciçamente na capital, ao contrário do que a RGTV mostrava.

Embora a entrevista citada de Homero Sanchez seja muito rica em detalhes sobre o envolvimento da RGTV na tentativa de fraude, vale destacar o seguinte trecho:

“O Brizola perguntou o que eu achava. Eu disse: ‘Está parecendo fraude’. [Pergunta do Brizola]: ‘O que tu acha que devo fazer?’ [Resposta]: ‘Bota a boca no mundo. Essa é a atitude que eu tomaria se fosse você, como candidato. Bota a boca no mundo’. Brizola inclusive me perguntou se devia falar com a TV Globo. ‘Nesse momento’ — eu disse para ele — ‘não te convém falar com a TV Globo porque lá agora toda a questão da apuração está sob as ordens de Roberto Irineu e ele acredita que pode eleger o Moreira Franco de qualquer maneira. Eu não te aconselharia a fazer isso’. Então ele procurou a TV Bandeirantes nesta mesma quarta-feira à noite.”

À época, o episódio mereceu a devida repercussão na mídia. Editorial da Folha de S. Paulo, por exemplo, afirmava:

“O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil [...]. Houve uma tentativa grave e inédita, posta a efeito pela maior cadeia de TV do país, no sentido de turvar o resultado das apurações e enfraquecer politicamente o candidato da oposição pedetista ao governo fluminense” (Folha de S. Paulo, 1982).

Quatro anos depois, o jornalista Luiz Carlos Cabral, que era um jovem editor de notícias da TV Globo no Rio de Janeiro quando ocorrreram as eleições de 1982, veio a público e relatou o que sabia acerca do esquema fraudulente. Ele disse:

“O papel da Globo no escândalo Proconsult foi preparar a opinião pública para o que ia acontecer — o roubo dos votos de Brizola para beneficiar a Moreira Franco. Não posso dizer de quem vieram as ordens [para distorcer os resultados], embora todos nós soubéssemos por intuição… As notícias da fraude estavam pipocando por toda a parte. Começamos a cobrí-las. Esta era a nossa [dos jornalistas] oportunidade. Mas nada foi ao ar. Ordens superiores proibiram qualquer notícia sobre a fraude”. (Cabral, 1986).

A vitória de Brizola foi finalmente reconhecida e ele tornou-se governador do estado do Rio de Janeiro em março de 1983, mas seus problemas com as OG estavam longe de acabar. Durante seus quatro anos de governo, teve que enfrentar a forte oposição de Roberto Marinho. Brizola não foi capaz de assegurar a eleição de seu sucessor em 1986. Moreira Franco foi de novo o candidato da RGTV, agora apoiado pelo partido que havia conquistado o controle do governo federal em março de 1985. Ele ganhou as eleições, concorrendo contra, entre outros, Darcy Ribeiro, o candidato de Brizola, que atribuiu o fracasso da candidatura à permanente campanha da RGTV contra o seu governo.

Em entrevista concedida ao The New York Times, Roberto Marinho admitiu:

“Em um determinado momento, me convenci de que o sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro em uma cidade de mendigos e vendedores ambulantes. Passei a considerar o sr. Brizola daninho e perigoso e lutei contra ele. Realmente usei todas as possibilidades para derrotá-lo na eleição”. (Riding, 1987).



Dilma na Globo: PSDB é que tem trajetória de vazamentos e grampos

A candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, afirmou que o PSDB, partido de José Serra — seu principal adversário na corrida presidencial —, "tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva". A declaração foi veiculada no começo da madrugada desta terça-feira, em entrevista de 20 minutos ao Jornal da Globo.

Dilma deu três exemplos de ações tucanas à margem da lei: “vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES; e também os grampos feitos junto ao próprio gabinete do secretário da Presidência da República".

Com suas denúncias, Dilma respondeu não só à Globo — mas também Serra, que, desde a semana passada, tem dado declarações responsabilizando a candidata e o PT pelo vazamento de dados fiscais de quatro membros do PSDB.

"Não vejo nenhuma justificativa para as acusações a não ser interesse eleitoral", disparou Dilma.

A candidata — que, segundo pesquisas recentes, venceria a eleição no primeiro turno — voltou a negar que já esteja discutindo cargos em um eventual governo, caso seja eleita. “Em princípio, não discuto nenhum nome para o meu governo. É uma questão de princípio. Por quê? Porque eu tenho sido acusada de estar querendo ganhar a eleição antes da hora e de que eu quero sentar na cadeira antes."

Dilma também se declarou contrária a um ajuste fiscal. "Defender ajuste fiscal como foi praticado no Brasil é um crime. Hoje, nós estamos na fase do investimento, do planejamento, do controle e da fiscalização do gasto público. Não estamos na fase do ajuste fiscal", afirmou.

Segundo a presidenciável da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, “o Brasil não precisa passar por isso de novo. Sabe por quê? Primeiro, a inflação está sob controle, nós estamos com US$ 260 bilhões de reserva e a relação dívida líquida/PIB está caindo inquestionavelmente. Está em 41%".

Direto do www.portalvermelho.org.br

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