terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os blogs ‘limpos’ de Serra

Direto do Blog da Cidadania http://www.blogcidadania.com.br/

Recentemente, o candidato cadente José Serra disse que “blogs sujos”, supostamente financiados por dinheiro público repassado a mando do presidente Lula, são usados para atacá-lo. Este post mostra como são “limpos” os blogs do tucano.

O desastre eleitoral de Serra se explica facilmente vendo os blogs que a oposição tucano-pefelê financia. Um dos mais populares é ligado a militares de pijama que dominam a ultra-direita em Santa Catarina.

São blogs que exaltam o candidato tucano à Presidência e que vivem exibindo demonstrações de apreço de políticos do DEM e do PSDB de Santa Catarina. Um deles é um tal de Coturno Soturno, responsável por um dos ataques mais nojentos que já vi.

Na verdade, é um grande favor que os aliados de Serra fazem à candidatura de Dilma Rousseff ao atacá-la dessa forma.

Homens e mulheres que eventualmente não se enquadrem nos padrões contemporâneos de beleza certamente deverão refletir muito sobre as táticas da direita tucano-pefelê.

Mulheres também serão levadas à reflexão diante da constatação de que homens que não honram as calças que vestem e que as atacam dessa forma usando sua aparência, são aliados de Serra.

Esse é o debate político que a oposição propôs ao país, composto de ataques irracionais, baixos e, acima de tudo, de uma burrice desumana.

Nunca foi tão fácil para o brasileiro escolher um presidente da República – o que, aliás, as pesquisas vêm revelando. Só resta esperar que esse tipo de tática dos blogueiros “limpos” de Serra continue na mesma toada.


O poder da mídia: Você passa a ser quem eles querem que seja
Uma análise do poder midiático na Argentina

O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.


José Pablo Feinmann – Direto da Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/

A filosofia ocidental dos últimos 45 anos se equivocou gravemente. Para sair de Marx e entrar em Heidegger (como crítico excelente da modernidade, mas a partir de outro lado, que não o de Marx) se viu obrigada a eliminar o sujeito, tal como Heidegger o havia feito com inegável brilho no seu texto A época da imagem do mundo. Também Foucault deu o homem por morto. Barthes, o autor. Ao estilo. Deleuze, a partir de Nietzsche, a negatividade, ou seja: o conflito na história. E a academia norte-americana sistematizou tudo isso incorporando com fervor os heróis da French Theory. O fracasso é terrível e até patético. Enquanto os pós-modernos postulam a morte da totalidade, o Departamento de Estado postula a globalização. Enquanto propõem a morte do sujeito, o império monta brilhantemente o mais poderoso sujeito da filosofia e da história humana: o sujeito comunicacional. E esta – há anos que sustento esta tese que na Europa causa inesperado assombro quando a desenvolvo – é a revolução de nosso tempo.

O sujeito comunicacional é um sujeito centrado e não descentrado, logocêntrico, fonocêntrico, alheio a toda possível disseminação, informático, bélico, mascarador, submetedor de consciências, sujeitador de sujeitos, criador de realidades virtuais, criador de versões interessadas da realidade, da agenda que determina o que se fala nos países, capaz de derrubar governos, encobrir guerras, de criar a realidade, essa realidade que esse sujeito quer que seja, quer que todos acreditem que é, que se submetam a ela e que, submetendo-se, submetam-se a ele, porque aquilo em que o sujeito comunicacional acredita é a verdade, uma verdade na qual todos acabarão crendo e que não é a verdade, mas a verdade que o poder absoluto comunicacional quer que todos aceitem. Em suma, sua verdade.

Impor sua verdade como verdade para todos é o triunfo do sujeito comunicacional. Para isso, deve formar os grupos, os monopólios. Deve apoderar-se do mercado da informação para que só a sua voz seja escutada. Para que só os jornalistas que lhe são fiéis falem. Uma vez se consiga isso, o triunfo é seguro. A arma mais poderosa da supraposmodernidade do século XXI radica no domínio maior possível dos meios de informação. Que já não informam. Que transmitem à população os interesses das empresas que formam o monopólio. Interesses nos quais todas coincidem.

Assombrosamente, nenhum filósofo importante advertiu essa revolução. Foucault passou a vida inteira analisando o poder. Mas não o comunicacional. É claro! Se tinha negado o sujeito como iria analisar os esforços do poder para constituí-lo de acordo com seus interesses?

Ninguém viu – ademais, e isso para mim é imperdoável – o novo monstruoso sujeito que se havia consolidado. Superior ao sujeito absoluto de Hegel. Algo observado por Cornelius Castoriadis. Mas pouco. Relacionou as campanhas eleitorais com as empresas que as financiam. Mas – insisto – aqui o essencial é que o tema do sujeito voltou ao primeiro plano. Colonizemo-nos o sujeito, façamos-lhe crer no que nós cremos, e o poder será nosso. O poder começa pela conquista da subjetividade. Começa pela construção de algo a que darei o nome de sujeito-Outro.

Formulemos – como ponto de partida desta temática essencial – a pergunta obrigatória: o que é o sujeito-Outro? É o Outro do sujeito. Escrevo Outro com esse “O” maiúsculo enorme para marcar o caráter alheio que o Poder consegue instaurar entre o sujeito e o Outro de si. Heidegger transitou bem esta temática. O que eu chamo sujeito-Outro é esse sujeito que – segundo Heidegger – caiu “sob o senhorio dos outros” (Ser e Tempo, parágrafo 27).

Ele fez aí uma observação brilhante e precisa: o senhorio dos outros. Heidegger amplia o conceito: quem cai sob esse senhorio (o dos Outros) “não é ele mesmo, os outros lhe hão arrebatado o ser”. “O Poder, ao submeter a subjetividade, elimina meus projetos, meu futuro mais próprio, o que houvera querido fazer com minha vida. Minhas posibilidades (…) são as do Outro; são as do Poder, as que me vêm de fora. Já não sou quem decide, sou decidido” (JPF, La historia desbocada, Capital Intelectual, Buenos Aires, 2009, p. 128). Heidegger no entanto se remete à esfera ontológica: o que se perde é o ser.

Não creio que devamos pôr o acento nisso; o que se perde é a subjetividade, a consciência, a autonomia de pensar por nós mesmos, pois pensamos o que nos fazem pensar, dizemos o que nos fazem dizer e nos convertemos em patéticos, bobos, manipulados defensores de causas alheias.
CFK manejou a temática com precisão e com uma audácia que – eu, ao menos, e já tenho meus anos vivendo sempre neste país – não vi em presidente algum. Quando retoma a frase da capa do Clarín e a da contra-capa é onde revela o que é o Poder. O Clarín tem a manchete: “O Governo avança na Papel Prensa para controlar a palavra impressa”.

Por detrás desta frase está toda a campanha “desgastante” (para usar um conceito do revolucionário popular agrário Buzzi, fiel a suas bases até a morte, até a matar a FA, submetendo-a aos interesses da Sociedade Rural, controlada hoje pelo “Tanto” Biolcati, descendente da “chusma ultramarina” que Cané desdenhava e não por Martinez de Hoz ou pelo elegante senhor Miguens) da oposição.
Quer dizer, o governo é autoritário, doente pelo poder e sempre empenhado em silenciar a todos. CFK dá razão ao Clarín:

“O Clarín pensa que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Quero nisto coincidir com o Clarín. Claro, quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Por que? Porque a Papel Prensa Sociedad Anónima é a única empresa que produz pasta de celulose para fabricar papel jornal no país; ela fabrica o papel jornal, o distribui e o comercializa no que se conhece em termos econômicos e jurídicos como uma empresa monopólica integrada verticalmente. Por que? Porque vai da matéria prima até o insumo básico, mas não somente produz esse insumo básico como determina a quem vende, por quanto vende e a que preço vende. Por isso coincido com o Clarín em que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa na República Argentina”.

O Poder – em cada país – tem de formar monopólios para ter unidade de ação. Não se tem todo o poder se se tem só a Papel Prensa, que implica, é verdade, o controle da palavra impressa. Mas há que ter outros controles. Sobretudo – hoje, no século XXI, nesta supraposmodernidade manejada pela imagem – o poder da imagem. E o da voz do rádio, sempre penetrante, omnipresente ao longo do dia. Trata-se da metralhadora midiática. Não deve parar. Por que este governo se complica nesta luta com gigantes sagrados, intocáveis? Ou o faz ou perece a qualquer momento.

Desde a campanha do senhor Blumberg se advertiu que os meios de comunicação podiam armar uma manifestação popular em poucas horas. Toda a cambada de Buenos Aires saiu com sua guarda atrás do engenheiro e impulsionada por Haddad e a ideologia-tacho que – então – era uma criação da Rádio 10.

A ideologia-tacho é uma invenção puramente argentina. Como o ônibus, o doce de leite e Maradona. Alguém toma um táxi em qualquer parte do mundo e o taxista não o agride com suas opiniões políticas. Deixa-o viajar tranquilo. Sigamos: o segundo, terrível sinal de alarme foi durante as jornadas “destituintes” e “desgastantes” do “campo”.

Sem o apoio imoderado dos “meios de comunicação” teria sido um problema menor. Mas a fúria midiática chegou aos seus pontos mais estridentes. A “oposição”, não essa essa galeria patética de ambiciosos, torpes e imprestáveis políticos que peleiam melhor entre si do que com seus adversários, são os meios de comunicação.

A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.

A análise de CFK foi excessivamente rica para uma só nota. Até aqui temos: Videla convocou La Nación, Clarín e La Razón e os entregou a Papel Prensa. Ao ser o Estado desaparecedor o sócio da sociedade que se formou, esses jornais não só apoiaram ou colaboraram com um regime abominável como foram seus sócios. Para quê? CFK o disse assim:

“Durante esses anos se escutava muito o tema da defesa de nosso estilo de vida. Nunca pude entender exatamente a que se referiam quando se falava de defender nosso estilo de vida. Eu não creio que a desaparição, a tortura, a censura, a falta de liberdade, a supressão da divisão dos poderes possam ter formado em algum momento parte do estilo de vida dos argentinos”.

Sim, no momento em que se constitui a Papel Prensa e Videla pede aos grandes jornais que – agora sim, a morte – defendam a luta em que estão empenhados, o estilo de vida argentino, para ser defendido, requeria os horrores da ESMA. Há um livro de Miguel Angel Cárcano: El estilo de vida argentino. Em suas páginas se traça uma imagem idílica, campestre, cotidiana e senhorial do general Roca. Esse é – para Cárcano– um herói de nosso estilo de vida. É o deles, o da oligarquia que fez este país a sangue quente e a sangue e a fogo sempre o defendeu sempre que se sentiu atacada.

Os herdeiros de Cárcano e Roca ainda o defendem. Se lhes deixa o poder de “formar a opinião pública” como sempre o fizeram, voltaremos ao país que desejam: o do neoliberalismo, o dos gloriosos noventa. Conservarão o poder. Farão o que CFK desenhou assim: “Se há um poder na República Argentina, é um poder que está por sobre quem exerce a Primeira Magistratura, neste caso a Presidenta; também está por sobre o Poder Legislativo e, seja como for, também por sobre o Poder Judiciário (…) é invisível aos olhos”. É o poder que tão impecavelmente um outrora misterioso personagem definiu: “Presidente? Este é um posto menor”.

(*) José Pablo Feinmann é professor de Filosofia, ensaísta, escritor e roteirista.
Tradução: Katarina Peixoto


O fim do JB nas bancas: relembrando a “batalha” de 1982

por Luiz Carlos Azenha Direto do http://www.viomundo.com.br/


O Jornal do Brasil chegou às bancas hoje pela última vez. Presumo que tenha sido resultado de uma combinação de incompetência administrativa e concorrência desleal com a decadência relativa dos meios impressos por causa da internet. O modelo brasileiro de mídia é altamente concentrador, já que é escorado em relações de poder altamente concentradas. Você vai entender melhor se olhar naquela esquina do Congresso onde se cruzam os donos de terras, de cargos eletivos/públicos e dos meios de comunicação, especialmente das concessões de rádio e TV.

No Rio de Janeiro, especificamente, Paulo Henrique Amorim já descreveu (aqui) em detalhes como as Organizações Globo usaram seu poder eletrônico para detonar a concorrência: O Globo de domingo era destaque na programação de sábado da TV Globo, por exemplo. O JB foi uma das vítimas disso.

Os jornalistas, com certeza, vão se lembrar das grandes batalhas travadas pelo JB. Contra o regime militar, por exemplo. Ou, talvez a mais simbólica de todas, em 1982, nas eleições estaduais do Rio de Janeiro, quando Leonel Brizola enfrentou Moreira Franco.

Foi o ano do escândalo da Proconsult, empresa encarregada pelo TRE de totalizar os votos. Ano de pesquisas eleitorais distorcidas. De manchetes em choque. Moreira Franco tinha o apoio das Organizações Globo. Brizola contou com os jornalistas da rádio Jornal do Brasil e do JB para evitar a fraude.

No livro “Mídia: Crise política e poder no Brasil”, de Venício A. de Lima, o episódio é descrito assim:

Leonel Brizola era, em 1964, o mais controvertido dos políticos contra quem se voltaram os militares. Exilado, voltou ao país com a anistia de 1979. Em 1982 candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro, um dos estados politicamente mais importantes do país.

A candidatura de Brizola não agradava ao regime militar e muito menos à RGTV, que tinha outras preferências, conforme revelou o ex-diretor da sua Divisão de Análise e Pesquisas, Homero Sanchez, em famosa entrevista publicada em maio de 1983. Sanchez, que à época da entrevista já não pertencia mais à RGTV, demitido que foi em consequência da sua ação como conselheiro informal de Brizola durante as eleições, revelou com detalhes o papel que a RGTV desempenhou na tentativa frustrada de se fraudar a eleição no Rio de Janeiro para impedir a vitória de Brizola.

Conforme a versão de Sanchez, Roberto Irineu Marinho, filho de Roberto Marinho e um dos quatro homens fortes das OG, havia assumido compromisso com o partido de sustentação do regime autoritário, cujo candidato era Wellington Moreira Franco. Segundo Sanchez, ao assumir tais compromissos, há indícios de que Roberto Irineu Marinho tenha se associado implicitamente ao esquema fraudulento montado para impedir a eleição de Brizola. Esse esquema consistia em iniciar as apurações pelo interior, onde era majoritário o partido do governo, criando a ilusão de uma iminente derrota do político anistiado. Era parte central desse esquema a empresa encarregada de processar a contagem dos votos — a Proconsult –, cujo principal programador era um oficial da reserva do Exército.

A Proconsult havia desenvolvido um programa capaz de subtrair votos de Brizola e adicionar votos para Moreira Franco. Ao divulgar apenas os resultados da apuração oficial, a RGTV, líder de audiência, seria vital para o sucesso da fraude, pois emprestaria credibilidade aos falsos resultados que iriam aos poucos sendo fabricados.

O que não estava nos planos dos organizadores do esquema fraudulento, todavia, era o desenvolvimento de um serviço próprio de apuração, a partir dos boletins emitidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este serviço foi organizado pelo jornal concorrente de O Globo, o Jornal do Brasil, justamente com suas duas prestigiadas emissoras de rádio AM e FM — representando interesses tanto comerciais como políticos em conflito com os das OG. Com isso, eram apresentados resultados parciais totalmente diversos dos veiculados pela RGTV.

Já alertado para a fraude, Leonel Brizola orientou seu partido a desenvolver trabalho paralelo de apuração, utilizando-se de um computador próprio. Essas providências contribuíram para a descoberta da trama, denunciada depois por vários outros órgãos de imprensa (Veja, 1982b).

Ao mesmo tempo, constatada a possibilidade de fraude nas eleições para governador de um dos estados politicamente mais importantes do país, criava-se um clima de perplexidade na opinião pública, pois o candidato Leonel Brizola havia sido votado maciçamente na capital, ao contrário do que a RGTV mostrava.

Embora a entrevista citada de Homero Sanchez seja muito rica em detalhes sobre o envolvimento da RGTV na tentativa de fraude, vale destacar o seguinte trecho:

“O Brizola perguntou o que eu achava. Eu disse: ‘Está parecendo fraude’. [Pergunta do Brizola]: ‘O que tu acha que devo fazer?’ [Resposta]: ‘Bota a boca no mundo. Essa é a atitude que eu tomaria se fosse você, como candidato. Bota a boca no mundo’. Brizola inclusive me perguntou se devia falar com a TV Globo. ‘Nesse momento’ — eu disse para ele — ‘não te convém falar com a TV Globo porque lá agora toda a questão da apuração está sob as ordens de Roberto Irineu e ele acredita que pode eleger o Moreira Franco de qualquer maneira. Eu não te aconselharia a fazer isso’. Então ele procurou a TV Bandeirantes nesta mesma quarta-feira à noite.”

À época, o episódio mereceu a devida repercussão na mídia. Editorial da Folha de S. Paulo, por exemplo, afirmava:

“O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil [...]. Houve uma tentativa grave e inédita, posta a efeito pela maior cadeia de TV do país, no sentido de turvar o resultado das apurações e enfraquecer politicamente o candidato da oposição pedetista ao governo fluminense” (Folha de S. Paulo, 1982).

Quatro anos depois, o jornalista Luiz Carlos Cabral, que era um jovem editor de notícias da TV Globo no Rio de Janeiro quando ocorrreram as eleições de 1982, veio a público e relatou o que sabia acerca do esquema fraudulente. Ele disse:

“O papel da Globo no escândalo Proconsult foi preparar a opinião pública para o que ia acontecer — o roubo dos votos de Brizola para beneficiar a Moreira Franco. Não posso dizer de quem vieram as ordens [para distorcer os resultados], embora todos nós soubéssemos por intuição… As notícias da fraude estavam pipocando por toda a parte. Começamos a cobrí-las. Esta era a nossa [dos jornalistas] oportunidade. Mas nada foi ao ar. Ordens superiores proibiram qualquer notícia sobre a fraude”. (Cabral, 1986).

A vitória de Brizola foi finalmente reconhecida e ele tornou-se governador do estado do Rio de Janeiro em março de 1983, mas seus problemas com as OG estavam longe de acabar. Durante seus quatro anos de governo, teve que enfrentar a forte oposição de Roberto Marinho. Brizola não foi capaz de assegurar a eleição de seu sucessor em 1986. Moreira Franco foi de novo o candidato da RGTV, agora apoiado pelo partido que havia conquistado o controle do governo federal em março de 1985. Ele ganhou as eleições, concorrendo contra, entre outros, Darcy Ribeiro, o candidato de Brizola, que atribuiu o fracasso da candidatura à permanente campanha da RGTV contra o seu governo.

Em entrevista concedida ao The New York Times, Roberto Marinho admitiu:

“Em um determinado momento, me convenci de que o sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro em uma cidade de mendigos e vendedores ambulantes. Passei a considerar o sr. Brizola daninho e perigoso e lutei contra ele. Realmente usei todas as possibilidades para derrotá-lo na eleição”. (Riding, 1987).



Dilma na Globo: PSDB é que tem trajetória de vazamentos e grampos

A candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, afirmou que o PSDB, partido de José Serra — seu principal adversário na corrida presidencial —, "tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva". A declaração foi veiculada no começo da madrugada desta terça-feira, em entrevista de 20 minutos ao Jornal da Globo.

Dilma deu três exemplos de ações tucanas à margem da lei: “vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição; os grampos que existiram no BNDES; e também os grampos feitos junto ao próprio gabinete do secretário da Presidência da República".

Com suas denúncias, Dilma respondeu não só à Globo — mas também Serra, que, desde a semana passada, tem dado declarações responsabilizando a candidata e o PT pelo vazamento de dados fiscais de quatro membros do PSDB.

"Não vejo nenhuma justificativa para as acusações a não ser interesse eleitoral", disparou Dilma.

A candidata — que, segundo pesquisas recentes, venceria a eleição no primeiro turno — voltou a negar que já esteja discutindo cargos em um eventual governo, caso seja eleita. “Em princípio, não discuto nenhum nome para o meu governo. É uma questão de princípio. Por quê? Porque eu tenho sido acusada de estar querendo ganhar a eleição antes da hora e de que eu quero sentar na cadeira antes."

Dilma também se declarou contrária a um ajuste fiscal. "Defender ajuste fiscal como foi praticado no Brasil é um crime. Hoje, nós estamos na fase do investimento, do planejamento, do controle e da fiscalização do gasto público. Não estamos na fase do ajuste fiscal", afirmou.

Segundo a presidenciável da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, “o Brasil não precisa passar por isso de novo. Sabe por quê? Primeiro, a inflação está sob controle, nós estamos com US$ 260 bilhões de reserva e a relação dívida líquida/PIB está caindo inquestionavelmente. Está em 41%".

Direto do www.portalvermelho.org.br

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Povo quer desenvolvimento e direita oferece ‘dossiês’



direto do Blog da Cidadania http://www.blogcidadania.com.br/
Posted by eduguim on 26/08/10 • Categorized as Opinião do blog

No mesmo dia em que sai mais uma pesquisa mostrando que a derrota de José Serra para Dilma Rousseff será, no mínimo, humilhante, a mídia tucana e seu candidato insistem na mesma fórmula que infestou o noticiário e o discurso da direita nos últimos anos, de tentar transformar o capo reacionário de São Paulo e sua quadrilha de dementes midiáticos de ultra-direita em “vítimas” de um “Estado policial” que não existe nem em suas mentes doentes.
O povo, no entanto, eufórico com os avanços inéditos e imensos que o país logrou sob o governo daquele que diziam que traria de volta a inflação e outras tragédias, caso fosse eleito, só pensa em manter o rumo, promessas de melhora de vida que não são nem Lula, nem Dilma que fazem, mas os fatos, o dia a dia.
E como é surrada estratégia da direita de usar seus jornais, televisões, rádios e portais de internet para caracterizarem como despótico um governo que respeitou as divergências comuns à democracia até um ponto em que deixaram de ser divergências para se transformarem em sabotagem e calúnias estarrecedoras, como nos casos da ficha falsa de Dilma e do “menino do MEP”.
A história tucano-midiática de que o governo Lula mandou a Receita Federal investigar ilegalmente aliados de José Serra com vistas a atingi-lo é tão ridícula quanto as das outras vezes em que estratégias semelhantes foram usadas às portas de uma eleição.
A pergunta básica do direito criminal vem em latim: “Cui Prodest”, ou seja, a quem interessa. Ora, bolas, a quem interessam os dados fiscais dos tucanos vinculados a Serra? A Lula e Dilma?
O povo, obviamente, pergunta-se por que os petistas usariam uma estratégia dessas tendo uma força eleitoral como a que as pesquisas revelam. Não existe um pingo de lógica nessa história.
Aliás, mesmo que tivesse, acredito que a sociedade não lhe daria a menor bola simplesmente porque o que está nas preocupações do brasileiro é impedir que voltem ao poder aqueles que o mantiveram na penúria por tanto tempo, antes de Lula.
Não sei se essa história da quebra de sigilo fiscal de tucanos a mando do governo Lula é a “bala de prata” que a direita estava preparando para evitar a eleição de Dilma no primeiro turno. Se for, combina plenamente com os programas eleitorais sofríveis do PSDB na tevê e no rádio e com a estratégia burra de seus meios de comunicação, que, ao tentarem erodir a popularidade de
Lula e caluniar Dilma, obtiveram o efeito contrário.
E o pior é que a direita midiática parece não ter juízo e competência para, depois da derrota fragorosa que deverá sofrer inclusive nos Estados, reinventar seu jornalismo corporativo e a sua forma de fazer oposição. Deveremos, portanto, ter mais quatro anos durante os quais o Brasil crescerá e se desenvolverá apesar da mídia e da oposição.

tecidos sobre a terra

vestígios do homem no planeta



a chama da vela acesa
teu corpo me arde
em chamas

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/


antes
que alguém morra
escrevo
prevendo a morte
arriscando a vida
antes
que seja tarde
e
que a língua da minha boca
não cubra mais
tua ferida

amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios
como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada
por estranhos olhos
e
deter impulsos
por fidelidade

ó terra
incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro
a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal
de amante

artur gomes
in Suor & Cio – 1985
http://artur-gomes.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Franklin Martins: Serra falta com a verdade

O Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, divulgou nota oficial repudiando as acusações feitas ontem por José Serra, candidato do PSDB à presidência da República. Como se sabe, Serra acusou o governo de “censurar” a imprensa e de financiar “blogs sujos”. O tucano não apontou nenhum exemplo de censura que teria ocorrido nem identificou quais seriam os “blogs sujos”.

Segue a resposta de Franklin Martins:

O candidato do PSDB a presidente da República, José Serra, acusou hoje (19) o governo federal de cercear, constranger e censurar a imprensa. Trata-se de uma acusação grave e descabida, sem qualquer apoio nos fatos. A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer. Publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de pressão ou represália.

Para nós, a liberdade de imprensa é sagrada. O Estado Democrático só existe, consolida-se e se fortalece com uma imprensa livre. E, ao garantir a liberdade de imprensa no país, o governo federal sabe que está em perfeita sintonia com toda a sociedade. Ela é uma conquista do povo brasileiro.

Compreendemos que as paixões da campanha eleitoral podem, em determinadas circunstâncias, toldar julgamentos serenos, mesmo naqueles que dizem ter nervos de aço. Mas seria prudente que certos excessos fossem evitados. Ao dizer que o governo federal censura e persegue a imprensa, o candidato Serra não apenas falta com a verdade. Contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis e os valores democráticos, pouco consolidados.

Direto do Blog de Emir Sader


O sentido histórico de uma candidatura (e de um programa)

O primeiro programa de Dilma na TV cala tão mais fundo quanto mais percebemos os elos de ligação da jornada que ele apresenta e a oportunidade histórica que essa eleição oferece de religar fios dessa trama que, em função de algumas doloridas derrotas, acabaram ficando soltos pelo caminho.
Marco Aurélio Weissheimer

O primeiro programa de TV da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República calou fundo. E a emoção que despertou não foi resultado de um truque de marketing. A excelência técnica, neste caso, foi submissa ao sentido histórico da candidatura. Entregou-se por inteiro, de joelhos – a qualidade de imagem, de edição, de som, de roteiro –, para narrar um pedaço da história recente do Brasil e para apresentar uma importante personagem dessa história. A imagem de abertura é simples e poderosa: uma estrada, um veículo e somos convidados a seguir em frente com as nossas crenças, paixões e compromissos. Essa jornada, no programa, não é uma invenção aleatória, mas sim um trajeto muito bem situado historicamente. Tem passado, presente e futuro. E estabelece nexos entre eles.

Há vários detalhes que devem ser destacados. Nos programas vitoriosos de Lula, em 2002 e 2006, a ditadura militar não foi tema no debate eleitoral. Agora, aparece já no primeiro programa de Dilma. Por duas razões. Os adversários de Dilma querem usar contra ela seu passado na luta armada contra a ditadura militar, apresentando-a como uma “terrorista”. O expediente, explicitado didaticamente na capa da revista Época, já depõe contra o candidato José Serra que, supostamente, também foi perseguido pela ditadura militar. Se não foi supostamente, ou seja, se foi de fato, não deveria jamais autorizar esse tipo de argumento autoritário e aliado do fascismo que governou o país por aproximadamente duas décadas. Mas o tiro da Época saiu pela culatra e ajudou a consolidar, na figura pública de Dilma, uma dimensão histórica que não era desejada por seus adversários (não deveria ser ao menos). A capa da revista vai, entre outras coisas, inundar o país com milhares de camisetas como a fotografia de uma mulher que entregou-se de corpo e alma na luta em defesa da democracia. Então, ela não é apenas uma “gerentona linha dura”, sombra de Lula, sem história nem passado. A candidata não só tem passado, como o resgate desse passado parece incomodar o candidato Serra, ele também, supostamente, um resistente da ditadura.

Isso não é pouca coisa. Como tantos outros brasileiros e brasileiras valorosos, Dilma participou da resistência armada contra um regime criminoso que pisoteou a Constituição brasileira e depôs um presidente legitimamente eleito. E a palavra legitimidade adquire um sentido muito especial neste caso. A transição da ditadura para a democracia, como se sabe, ocorreu com muitos panos quentes e mediações. Muita coisa foi varrida para debaixo do tapete por exigência dos militares e seus aliados civis conservadores. E agora, uma filha da geração dos que lutaram contra a ditadura apresenta-se como candidata a disputar o posto mais alto da República. Mais ainda, como candidata a dar prosseguimento ao governo do presidente com a maior aprovação da história do país. Um presidente saído das fileiras do povo pobre, sindicalista, que também participou da luta contra o regime militar e ajudou a acelerar a transição para a democracia.

Dilma representa, portanto, a linha de continuidade de uma luta interrompida pelo golpe de 1964, retomada no processo de redemocratização e que hoje materializa-se em um governo com aproximadamente 75% de aprovação popular. Ela representa também a possibilidade de outras retomadas para fazer avançar a democracia brasileira. Em outras palavras, é uma candidatura com sentido histórico bem definido, um sentido que remonta a um período anterior inclusive ao golpe militar de 1964. Quando Dilma diz que olha o mundo com um olhar mineiro e que pensa o mundo com um pensamento gaúcho, não está fazendo um gracejo regionalista, mas sim retomando uma referência histórica que remonta à primeira metade do século XX e que, ainda hoje, causa calafrios nas elites econômicas e políticas de São Paulo. Essas são algumas das razões pelas quais o programa de Dilma calou fundo. Ele fala da história do Brasil, de algumas das lutas mais caras (na dupla acepção da palavra, querida e custosa) do povo brasileiro, de vitórias e derrotas. Isso transparece em suas palavras e em seu olhar. Há verdade aí, não invenção de propaganda eleitoral. Ela viveu aquilo tudo e tem hoje a oportunidade de conduzir o Brasil nesta jornada, na estrada que nos leva todos para o futuro.

Passado, presente e futuro não são categorias isoladas e aleatórias. Um não existe sem outro. São diferentes posições que assumimos nesta estrada que aparece no programa. É um programa que cala tão mais fundo quanto mais percebemos os elos de ligação nesta jornada e a oportunidade histórica que essa eleição oferece de religar alguns fios dessa trama que, em função de algumas doloridas derrotas, acabaram ficando soltos pelo caminho.

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lula: adversário que usa minha imagem quer enganar




"Eu sou o Lula desde que nasci"

O Conversa Afiada republica post do Portal Vermelho:
Lula: adversário que usa minha imagem quer enganar a sociedade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (23) o uso de sua imagem pela campanha do tucano José Serra à Presidência, o que classificou de “enganação”. Na última quinta-feira (19), o presidenciável do PSDB usou imagens em que aparece ao lado de Lula durante seu programa eleitoral na TV, o que motivou uma representação do PT na Justiça contra o candidato.
“Todo mundo sabe que eu tenho lado, que eu tenho uma candidata, que eu tenho um partido, e todo mundo sabe quem eu quero que seja eleita presidente. É sempre muito ruim pessoas que, em momento de eleição, achem que seja possível enganar a sociedade com imagens de pessoas que você tem participação política contrária”.
Apesar da crítica, Lula afirmou que o uso de sua imagem por adversários faz “parte do processo político brasileiro”. O presidente disse ainda que não entrará na Justiça para impedir que adversários utilizem sua imagem. “Não vou entrar na Justiça. Quem tem que fazer isso é o partido”.
“Acho que, antes de ser candidato e antes de ser presidente, a gente tem relações políticas. Então, a pessoa pode até não falar bem, mas não há por que falar mal.[...] [Quando acabar a eleição] A gente vai se encontrar pelas esquinas de São Paulo e vai conversar como gente civilizada”.
Lula também comemorou o crescimento de sua candidata à sucessão presidencial. Dilma Rousseff lidera as últimas pesquisas de intenção de voto, mas o presidente evitou comentar uma possível vitória no primeiro turno. “Se vai ganhar no primeiro ou no segundo turno não importa. O que importa é que ela vai ganhar”.
Lula disse ainda que pretente trabalhar duro até o último dia de seu governo. “Vocês vão se surpreender. No dia 31 de dezembro, eu vou estar inaugurando obra no Brasil. Quem acha que eu vou ficar parado, em festa… Eu tenho compromisso com o país, meu lema é trabalho.”
Dilma: eles acham que o povo é ingênuo
A candidata Dilma Rousseff também comentou o assunto neste domingo (22). Dilma classificou a atitude da campanha tucana de “estranha” e disse que fazer isso é supor que o povo é “ingênuo”.
“É estranho. É supor uma ingenuidade do povo brasileiro que é absurda. Por trás de quem usa a imagem do presidente Lula porque ele está com a popularidade alta, tem uma visão elitista do povo. Uma visão que acha que o povo acredita que quem foi contra o Lula durante os oito anos do mandato, quem, durante a campanha de 2002, quando o Lula foi eleito, incentivou a teoria do medo e (agora) usa o Lula…”.
O comentário foi feito diante de questionamento de jornalistas a respeito do arquivamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de representações da coligação de Dilma reclamando do uso da imagem de Lula no horário eleitoral de Serra. Para o Tribunal, apenas o próprio presidente poderia reclamar do uso de sua imagem. O PT afirmou que pretende recorrer da decisão.
“Não vou nem discutir a ação. Eu não acredito que o nosso povo seja incapaz de ter uma visão crítica. Pelo contrário, acho que ele entende direitinho o que acontece”, concluiu Dilma.
Ações na Jusiça dos dois lados
Neste fim de semana, mais duas representações foram apresentadas à Corte. A coligação “Para o Brasil seguir mudando”, que apoia Dilma, pediu desconto de 10 minutos nas inserções de rádio de Serra. Um dos questionamentos é a utilização do nome do presidente Lula em um spot de rádio de 15 segundos que teria sido veiculado 20 vezes. O argumento é que a exposição seria irregular, feita para confundir o eleitor.
A coligação reclama também que a inserção teria a intenção de ridicularizar a imagem da petista ao chamá-la de “Dona Dilma” e afirmar que ela “pegou o bonde andando, tá de carona e quer sentar na janela”. O relator do pedido é o ministro Henrique Neves.
A coligação ‘O Brasil pode Mais’, que apoia a candidatura do tucano José Serra ao Palácio do Planalto, também resolveu questionar no TSE o uso de imagens de Lula na campanha eleitoral do PT.
Nos últimos dias, foram protocoladas mais de 20 representações, referentes à propaganda eleitoral da coligação adversária em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina.
A alegação é que, ao mostrar Lula pedindo votos para a presidenciável Dilma Rousseff no tempo destinado a outros candidatos, estaria sendo cometida uma invasão da propaganda eleitoral. Isso violaria o previsto no artigo 53-A da Lei das Eleições. Ele veda a inclusão “no horário destinado aos candidatos às eleições proporcionais propaganda das candidaturas a eleições majoritárias”.
As representações pedem redução equivalente ao tempo em que foi veiculada a suposta invasão.
Estratégia com prazo de validade
Impactados com os resultados das últimas pesquisas, todas desfavoráveis ao candidato tucano, aliados de Serra reclamam da ineficácia da estratégia de usar a imagem de Lula na campanha da oposição. Apesar das reclamações dos aliados, está mantida a linha de comunicação da campanha.
A estratégia tem, no entanto, prazo de validade: a Semana da Pátria. A menos que haja grave turbulência até lá, a campanha trabalha com um prazo de até 15 dias para avaliação da eficácia do programa. Haverá correção de rota se a candidatura não apresentar, até o feriado de Sete de Setembro, fôlego para chegada ao segundo turno.
Serra avaliza o trabalho do coordenador de comunicação, Luiz Gonzalez. Mas já dá sinais de desconforto, consultando aliados sobre a qualidade dos programas. “Precisamos de pelo menos 10 dias para que haja uma maturação”, afirma o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), escalado para pedir um voto de confiança aos aliados.
Inconformados, tucanos alertam para o risco da exaltação da imagem de Lula acabar turbinando ainda mais a candidatura de Dilma.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um dos mais insatisfeitos.
Enquanto isso, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, não quer mais a presença de Lula na campanha de Serra. Diz que não deu resultado.
Clique aqui para ler a matéria na Folha (*): “PSDB vai focar em 4 Estados para garantir sobrevivência”.
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Os Retratos

Os antigos retratos de parede
Não conseguem ficar longo tempo abstratos.

Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
Porque eles nunca se desumanizam de todo

Jamais te voltes pra trás de repente.
Não, não olhes agora!

O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
Sem fim e sem sentido...

Dessas que a gente inventava
enganar a solidão dos caminhos sem lua.

Mário Quintana

sábado, 21 de agosto de 2010

Dilma abre 17 pontos sobre Serra e venceria no 1º turno, aponta Datafolha

Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.

Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.

A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais.
Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.

Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro.

Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%.
Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha.

A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).

Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado.

MULHERES E SUL
Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.

Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%.

A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.

Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%.

Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, 27%.

No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano.
Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.

Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%.



Nem Merval e Datafolha salvam do naufrágio Serra e suas crises de identidade política O maior dos percalços, na verdade um monstruoso mico da campanha de Serra, foi querer apresentar-se como candidato do governo, melhor, do presidente Lula.
Quem viu os programas eleitorais na TV de quinta-feira deve ter imaginado o que houve de tão espetacular para que o PT deixasse de ser governo e Serra passasse a ser a candidatura patrocinada pela popularidade deste governo.
Mas o que houve mesmo foi mais uma crise de identidade, oportuna seria o termo mais preciso. Ser oposição na campanha deste ano está sendo doloroso para quem agora quer passar a imagem do que nunca foi...
Interessante é ler artigo de Merval Pereira, de O GLobo de quinta-feira, antes das peças de TV que o consórcio dem-tucano produziu. Em seu artigo, intitulado "Enfim, a oposição", uma espécie de comemoração pelo enfrentamento político direto, o conhecido articulista discorre sobre o acerto de Serra em se apresentar, de fato, como uma opção diferente de tudo o que representa o atual governo e sua candidatura, apresentando as armas para o confronto, como os ataques que fez no debate Folha/UOL, contra Lula, o PT e Dilma.
Mas Merval foi muito mais longe do que apenas comemorar a retirada da máscara de pós-Lula de Serra, insinuou virada na disputa eleitoral por conta dos exames de rotina de Dilma Roussef esta semana. Para sustentar sua fantasia, afirmou que Obama só teria vencido a eleição porque John McCain, candidato republicano, certo dia teria aparecido em público com um curativo no rosto, que logo teria sido associado a um melanoma que teve no passado, daí a "o maior argumento" para a derrota de um continuador de um dos governos mais impopulares da história americana ter sido derrotado. Inacreditável?
Trecho: "...No meio da campanha (John McCain), apareceu certa manhã com um curativo no rosto, e foi o que bastou para especulações sobre a volta do melanoma. Ele teve que não só explicar que retirara uma pinta do rosto como mostrar o laudo médico que garantia que não havia ali qualquer tumor maligno."
Merval, tal qual um militante das causas oposicionistas, rotula, deselegantemente, Dilma como uma pessoa dura e de trato insuportável, acusando a candidata de dissimulada: "...Não se pode nem dizer da candidata Dilma que ela bate como homem, mas quer ser tratada como mulher nos debates políticos, já que sua verdadeira personalidade está maquiada pelo marketing político que a transformou de executiva fria e quase rude, que já fez muito homem chorar, em uma doce senhora."
Merval, em um de seus piores momentos na coluna que escreve para O Globo saboreia o discurso contundente de Serra com uma frase bem típica de seu arsenal de argumentos contra o atual governo,porém pouco crível: "...À medida que ele (Serra) perde o receio da confrontação entre os governos de Lula e o de Fernando Henrique Cardoso, fica cada vez mais claro que há um processo em marcha, e que a gênese desse processo de desenvolvimento não é o governo Lula, como quer a propaganda oficial".
O terreno é fértil, mas o difícil é convencer o povo de que sua tese seja parte do processo político em curso. mas não custa nada tentar, foi o papel confiado ao Merval, que vem desempenhando firmemente, apesar de todos os percalços que seu candidato se envolve.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carta dos Blogueiros Progressistas

Esta é a redação inicial do documento final do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Se tiver sugestões, envie e-mail para contato@baraodeitarare.org.br

“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa, na medida em que a imprensa compreensiva do rádio e da televisão se define como serviço público sob regime de concessão ou permissão, ao passo que a internet se define como instância de comunicação inteiramente privada”
Ministro Ayres Britto, do STF

Em 21 e 22 de agosto de 2010, homens e mulheres de várias partes do país se reunirão em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros, com a finalidade de materializarem uma entidade, inicialmente abstrata, dita Blogosfera, a qual vem ganhando importância no transcurso desta década devido à influência progressiva que passou a exercer na comunicação e nos grandes debates públicos.

A Blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.

Em busca de soluções para as dificuldades que persistem para que a Blogosfera Progressista siga crescendo e ganhando influencia em uma comunicação de massas dominada por um oligopólio poderoso, influente e, muitas vezes, antidemocrático, os blogueiros progressistas se unem para formularem aspirações e propostas de políticas públicas e pelo estabelecimento de um marco legal regulatório que contemple as transformações pelas quais a comunicação está passando no Brasil e no mundo.

Com base nesse espírito que permeou o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, os participantes deliberaram em favor dos seguintes pontos:

I – Apoiamos o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), de iniciativa do governo federal, como forma de inclusão digital de expressiva parcela do povo brasileiro extemporaneamente alijada de um meio de comunicação de massas como a internet no limiar da segunda década do século XXI, o que é inaceitável e incompatível com os direitos fundamentais do homem à comunicação em um momento histórico em que os avanços tecnológicos nessa área já são acessíveis a qualquer cidadão de qualquer classe social nos países em estágio civilizatório mais avançado.

Apesar do apoio ao PNBL, os Blogueiros Progressistas declaram que, mesmo entendendo a iniciativa governamental como positiva, julgam que precisa de aprimoramento, pois da forma como está ainda oferece pouco para que a internet possa ser explorada em todas as suas potencialidades. A velocidade de processamento a ser oferecida à sociedade sem cobrança dos custos exorbitantes da iniciativa privada, por exemplo, precisa ser ampliada ou não realizará aquilo a que se propõe.

2 – Defendemos a regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e, entre outras coisas, proíbem a concentração abusiva dos meios de comunicação de massa e que dispõem sobre os sistemas público, estatal e privado.

Por omissão dos Poderes Executivo e Legislativo na regulamentação da matéria e sob sugestão do eminente professor Fabio Konder Comparato, os Blogueiros Progressistas decidem mover na Justiça brasileira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) com vistas à regulamentação das leis que determinam profundas alterações na realidade da comunicação no Brasil supra descrita e que vêm sendo solenemente ignoradas.

3 – Combatemos iniciativas que tramitam no Poder Legislativo tais como o Projeto de Lei de autoria do senador mineiro Eduardo Azeredo, iniciativa que se notabilizou pela alcunha de “AI-5 digital” e que pretende impor restrições policialescas à liberdade de expressão na rede mundial de computadores, bem como as especulações sobre o que se convencionou chamar de “pedágio na rede”, ou seja, a possibilidade de os grandes grupos de mídia poderem veicular seus conteúdos na internet com vantagens tecnológicas como capacidade e velocidade de processamento em detrimento do que for produzido pelos cidadãos comuns e pelas pequenas empresas de comunicação.

4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.

5 – Cobramos dos Poderes Executivo e Legislativo que examinem com seriedade deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como a da criação do imprescindível Conselho Nacional de Comunicação. 6 – Deliberamos pela instituição de um Encontro Anual dos Blogueiros progressistas, que deve ocorrer, sempre que possível, em diferentes capitais para que um número maior de unidades da Federação tenha contato com esse evento e, em algum momento, com o universo da blogosfera.

7 – Lutaremos para instituir núcleos de Apoio Jurídico aos Blogueiros Progressistas, no âmbito das tentativas de censura que vêm sofrendo sobretudo por parte da classe política e de grandes meios de comunicação de massas.

São Paulo, 22 de agosto de 2010
Altamiro Borges
Conceição Lemes
Conceição Oliveira
Diego Casaes
Eduardo Guimarães
Luis Nassif
Luiz Carlos Azenha
Paulo Henrique Amorim
Renato Rovai
Rodrigo Vianna



entriDentes

olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada

pensei as sagaraNAgens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca

e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem

agora o tempo sorri
me mostra os dentes da boca
e a tua cara de louca
é a minha cara também

jura NÃO secreta


quero dizer que ainda arde
tua manhã em minha tarde
a tua noite no meu dia

tudo em nós que já foi feito
com prazer inda faria

quero dizer que ainda é cedo
ainda tenho um samba-enredo
tudo em nós é carnaval
é só vestir a fantasia

quero ser teu mestre/sala
e você porta/bandeira
quando chegar na quarta feira
a gente inventa outra fulia

unplugged

quero bota no seu Orkut
um negócio sem vergonha
um poema descarada

ta chegando fevereiro
e meu rio de janeiro
fica lindo e mascarado

quero botar no seu e-mail
um negócio por inteiro

que eu não sou zeca baleiro
pra ficar cantando a mama
que ainda tem medo do papa

meu negócio é só com a mina
que me trampa quando trapa
meu negócio é só a mina
que me canta ouvindo o rappa

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/


"Não sou pra todos.
Gosto muito do meu mundinho.
Ele é cheio de surpresas,
palavras soltas e cores misturadas.
Às vezes tem um céu azul, outras tempestade.
Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos.
Mas não cabe muita gente.
Todas as pessoasque estão dentro
dele não estão por acaso.
São necessárias.

Caio F. Abreu


Já disse de nós

Já disse de nós.
Já disse de mim.
Já disse do mundo.
Já disse agora,
eu que já disse nunca.
Todo mundo sabe,
eu já disse muito.
Tenho a impressão
que já disse tudo.
E tudo foi tão de repente.

Paulo Leminski


Enquanto as crianças correm atrás das pipas feridas
E a minha tela espera as cores da emoção crepuscular
Eu estou pensando em ti e na sabedoria das águas
Entregando a minha essência em nuances de mistérios
Quis saber a razão do antúrio e a rosa, tão vermelho um tão espinho a outra
Retratei uma porta aberta que se abria em sonhos
E num livro velho esqueci o significado do fim
Ainda assim penso em ti
Quando foi que os latidos calaram na intensidade da noite?
Aonde foram as perguntas suicidas dos vinte anos?
Quem exilou e carrega para si a melancolia da tarde e chora?
Agora é tarde amor, nada disso é tão importante
Pois estou pensando em ti.

Flavio Pettinichi

Antes que a moral dos homens eu tenho brisas no meu sombreiro
Antes que os humanos medos mergulho no sonho dos peixes
Antes que o julgamento dos cegos sou a visceral palavra que sangra
Porque tudo o que foi desespero morreu sem vestígios na noite do desejo.
Gritei teu nome na arquibancada dos suicidas
Escolhi uma flor na roseira de um hospício abandonado
Soltei cavalos brancos na escuridão de uma rua esquecida
Porque não há loucura que desconheça a verdade dos amantes sem tempo
Pertencem a ti e a mim os poemas declamados nos portos e nas férias
É nossa a tela com as cores colhidas das roupas esfarrapadas dos famintos
Nosso pão e o nosso vinho estão servidos na estação de trens sem destino certo
Porque toda vida merece um canto de amor etéreo

Flavio Pettinichi


PUS-ME A CANTAR...

Pus-me a cantar minha pena
Com uma palavra tão doce
De maneira tão serena
Que até Deus pensou
Que fosse felicidade e não pena!

Cecília Meireles

Tchello d´Barros - Entevista


entrevista concedia a Lima Trindade - ara a Revista corpo 21

Tchello d'Barros - Brunópolis (SC), 1967 é escritor, artista visual e viajante. Residiu em 12 cidades, percorreu 20 países em constantes pesquisas na área cultural e desde 2010 está radicado em Belém/PA, onde produz obras em desenho, pintura, infogravura, fotografia, instalação e poesia visual. Publica textos regularmente em jornais, revistas, sites e eventualmente ministra palestras, oficinas literárias e cursos de desenho.

Na Literatura, publicou 5 livros de poesia e vários cordéis. Também publicou contos, crônicas e artigos em mais de 30 coletâneas e antologias. Foi sócio-fundador e presidente da Sociedade Escritores de Blumenau, tendo criado e realizado diversos projetos literários. Foi ainda idealizador e um dos coordenadores do Fórum Brasileiro de Literatura.
Nas Artes Visuais, participou de mais de 60 exposições, entre individuais e coletivas. É curador independente, tendo realizado várias mostras individuais e coletivas. Como designer, desenvolveu criações gráficas para agências de publicidade, desenhos para a indústria têxtil e ilustrações para o meio editorial.

Lima Trindade – Você é um artista multifacetado. Fale um pouco da sua formação. Sempre pensou em ser artista?
Tchello d’Barros – Vez em quando me é apontada essa característica da multifacetação, uma certa versatilidade pelo fato de os trabalhos serem apresentados em diversas linguagens nas artes visuais (desenho, pintura, gravura, fotografia, vídeo, instalação). E na literatura existe ainda uma produção tanto em Prosa (contos, crônicas, artigos) quanto em Poesia (versos livres, sonetos, haicais, poesia visual, cordéis). Apesar de rotulado eventualmente pelo vocábulo genérico de ‘multimídia’, vejo tudo apenas como Literatura e Artes Visuais, só que diluídas em algumas modalidades, e para cada uma delas houve um estudo teórico e um preparo técnico.
Talvez as asas sejam um pouco diferentes mas o voo é o mesmo. Estudar é preciso, seja academicamente ou como autodidata. Até estive numa faculdade de Letras e por lá fiz uns cursos em artes visuais e história da arte também, mas o que de fato apreendi foi e continua sendo das inúmeras leituras, pesquisas e experimentações. E continuo estudando. Bem, não é que tenha pensado em me tornar artista, digamos assim, apenas que quando me dei conta, as pessoas estavam publicando meus escritos por aí e expondo meus desenhos e fotografias. Acho até que comecei tarde, já com 25 anos, quando morava em Blumenau (SC) em 1.993 d. C.
LT – E quais foram suas maiores influências? A televisão e o cinema estavam entre elas?
Td’B – As referências foram e são incontáveis. Da televisão quase nada, inclusive já fui apresentador de programas de televisão e hoje esse formato midiático parece quase que um instrumento alienador, pra não dizer imbecilizador, dada a baixa qualidade de seus conteúdos em geral. Do cinema, na condição de cinéfilo assíduo, é inevitável que algumas influências não se instalem na cachola, mas pelo que lembro a única referência que usei conscientemente foram as combinações cromáticas do filme Tron, cujo visual me impactou muito na adolescência e revi muitas vezes. Para além disso há todo um caudal de elementos referenciais, tais como o período áureo da escultura grega; as simetrias ocultas nas obras dos mestres do Renascimento; as HQs da infância, lembro agora da anatomia perfeita dos desenhos de Burne Hogarth; as impactantes gravuras de Gustave Doré, M. C. Escher e de Mucha; as obras dos precursores do Impressionismo; os Haigas nipônicos com seu rigor nas letras e imagens; a revolução da Pop Art; as invencionices de Duchamp; e, claro as coisas do meu tempo, onde citarei na arte contemporânea os brasileiros Eduardo Kac, um artista intermídias, as instalações mate-cromáticas de José Patrício e a pintura onírica do surrealista catarinense Telomar Florêncio, entre tantos outros.
LT – Acredita que o fato de ter crescido durante a Ditadura Militar interferiu na sua sensibilidade e maneira de ver o mundo?
Td’B – O filósofo e educador Taine dizia que o homem é um produto do meio, mas afirmava também que cada um pode construir seu destino. Então, não vejo muitas referências no que faço em relação ao período da Ditadura, onde eu era apenas uma criança. Talvez valha mencionar que a educação que minha geração recebeu em escola pública, com enérgica disciplina, me parece superior aos padrões de muita escola particular de hoje em dia. E isso me foi um diferencial principalmente no que tange a produção em literatura, pois quando se aprendeu a escrever bem gramaticalmente, isso pode ampliar as possibilidades de uma escrita que se quer literária. Mas outra questão seria, quem sabe, o tom político que a arte respirava nesse período, as pessoas discutiam mais as questões sociais, ainda existia ideologia partidária, e muita coisa era traduzida na literatura, cinema, letra de música, pintura e mesmo no jornalismo cultural. Por outro lado, com nossa exposição diária à hiperinformação, que é a característica de nossos dias, nessa era digital, nessa idade-mídia em que vivemos, nos possibilita ampliar nossa visão de mundo o tempo todo. Hoje acho obsoleto tudo o que eu pensava ser absoluto.
LT – E a paixão pelo cordel, quando aconteceu?
Td’B – Alguns fatores me levaram ao cordel. O primeiro foi ter nascido e crescido no Sul do Brasil, onde temos a figura do trovador, versão sulina dos repentistas. Inclusive meu pai vez em quando duelava nos tradicionais desafios. Então eu já gostava da poesia de cunho popular, preferencialmente verbalizada, contada, cantada. Já conhecia os esquemas de ritmos, rimas e métricas, e até escrevia alguma coisa. Depois, estudando as formas-fixas na poesia, conheci os cânones do cordel, sua história e a obra dos principais expoentes. Lá por 2.004 d. C. fui morar na bela e ensolarada Maceió, de praias paradisíacas, onde conheci cordelistas do naipe de um Jorge Calheiros e a conhecida poeta Mariquinha, entre outros, sem falar nos encontros de cantadores e repentistas promovidos pelo Procópio. Desse contato maior com a literatura de cordel, iniciei uma coleção que fui montando em minhas passagens por todos os estados do Nordeste, chegando hoje à uns 500 exemplares. No meio disso tudo principiei a escrever alguns cordéis também, sendo um deles O Papagaio, que transpõe a narrativa do poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, para uma praia do Nordeste (imaginei a Praia da Sereia, de Maceió).

LT – Pensa que as poesias de origem popular, culta e visual divergem em valor e complexidade?
Td’B – No chamado senso comum, temos que a poesia aqui chamada de culta, seja ela clássica, erudita, seria uma literatura mais elevada, dentro do que uns chamam de alta literatura, outros mencionam ainda a “grande poesia”. Por outro lado, apesar dos muitos estudos acadêmicos sobre a riqueza da poesia de corte popular, muitos ainda associam tais modalidades à uma chamada “literatura menor”, ou ainda “arte menor”. No paralelo de tudo temos ainda de forma meio que marginal a Poesia Visual, que se abriga debaixo de um amplo guarda-chuva que se tem chamado de Poesia Experimental e cada vez tem recebido mais atenção de linguistas e semiólogos.
Então, creio que as questões de valor e complexidade podem ser relativas, pois enquanto, por exemplo, cresce cada vez mais os admiradores de um Patativa do Assaré, por outro lado vemos alguns doutos da erudição praticando uma poesia hermética que consegue apenas botar os leitores pra correr, mais ou menos como vemos hoje em dia em algumas exposições que se pretendem de arte contemporânea.
Pessoalmente penso que a questão da qualidade literária é um buraco mais embaixo. Alguns teóricos da literatura afirmam que a base de um poema é o ritmo, a cadência, enquanto uns mencionam as métricas e há quem defenda mesmo a rima. Para James Joyce, a linguagem era o mais significativo. Para Jorge Luis Borges, na poesia o mais importante seria a capacidade do poeta de criar metáforas. Auden acreditava na escolha do tema. Nosso José Paulo Paes dizia que “poesia é brincar com as palavras”. Então penso que a questão é ainda muito aberta e vai sempre depender sempre do arcabouço literário de cada leitor.
LT – Você acompanha a produção literária contemporânea? Curte blogues, twitters e outros baratos?
Td’B – Acompanho a produção literária do meu tempo desde antes do surgimento da Internet. Isso apenas se intensificou com essas novas mídias, o que não quer dizer que a produção atual tenha melhorado muito. O bom de tudo é que visitando uma plêiade de sites, blogues, e-grupos e redes sociais ficou mais fácil de descobrir novos bons poetas. Poetas surgem aos borbotões diariamente (ou pensam que são), mas bons poetas é algo mais raro. Mas foi a web que me possibilitou conhecer a poesia lapidada de um Cairo Assis Trindade, a palavraria voraz de um Artur Gomes ou os haicais inusitados de uma Chris Herrmann, poeta brasileira radicada na Alemanha. Interessa-me ainda a pluralidade de meios para veiculação do poema, seja mediante vídeos, scraps, e-mails, e-books, audio-books, animações, torpedos, impressões digitais, CDs e DVDs ou mesmo produções híbridas com outras linguagens. Recentemente publiquei uma versão de meu livro Letramorfose, que é composto de poemínimos direto no Twitter, são tuitadas poéticas, digamos. Quanto aos ‘outros baratos’, bem, seja lá o que forem, aposto neles, pois os livros mesmo, estão cada vez mais caros!

LT – O tempo que passou fora do país lhe deu uma melhor perspectiva do seu próprio lugar ou você se sente um nômade? Isso afetou seu trabalho?
Td’B – Do ponto de vista sociológico, ao que parece o brasileiro contemporâneo ainda não se livrou totalmente da síndrome de vira-lata, conforme apregoava o impagável Nelson Rodrigues. Em geral, qualquer compatriota que passe um tempo no Exterior, após a fase da novidade e das comparações, acaba reconhecendo o Brasil como um dos melhores países para se viver. É por isso que somos conhecidos como ufanistas. O Brasil é ruim?
Pois muito pior sem ele. Isso quer dizer também que nos salta aos olhos os valores culturais que temos e nem nos damos conta com a devida importância. Gosto muito do exemplo de um artista como o alagoano Delson Uchôa, figura cosmopolita mas que soube olhar para a cultura popular de seu tempo e lugar. E a partir disso desenvolveu uma obra extemporânea, aliás, representando o Brasil com sucesso na recente Bienal de Veneza.
Em meu caso, as viagens são parte de um projeto de vida, sigo na meta de conhecer um país a cada ano, mergulhando em sua cultura, visitando seus museus, galerias e bibliotecas. Creio que ampliar nosso repertório de vivências amplia nosso vocabulário de linguagens, sejam literárias ou visuais. Sobrevoar os misteriosos desenhos dos Nazca no Perú, descobrir a Cúmbia nas praias caribenhas ou estar diante de uma obra produzida por Michelângelo, são experiências que talvez não afetem diretamente o trabalho, mas é possível que nos melhorem em algo, pois somos a somatória de nossas experiências, mais o dia de hoje.
LT – Enquanto artista visual, o que lhe seduz numa fotografia?
Td’B – Talvez caiba mencionar que minha produção em fotografia, difere um pouco de algum fotógrafo convencional, isso porque essa arte da “escrita da luz” é para mim um exercício de linguagem que realizo com os recursos da pintura, principalmente. Enquanto alguns fotógrafos se preocupam com enquadramentos e ângulos, valho-me dos recursos como a composição, o claro-escuro, a perspectiva, as paletas de cores, etc. Apesar dos cursos e livros sobre fotografia, minha referência principal é a intuição. Se tenho hoje uma certa produção em fotografia de rua, é porque estudei essa modalidade, e soube da produção de um Henry Cartier-Bresson. Alfred Stieglitz, Man Ray e Pierre Verger são também ícones da fotografia que me alumbra.
Atualmente pouco me comovem as inovações tecnológicas. Interessa-me a fotografia que possa contar algo de forma simples mas original.
LT – A manipulação da imagem por computador não destitui o status e a singularidade artística da fotografia?
Td’B – A fotografia atual passou a ser um dos protagonistas da era digital. É cada vez mais inevitável a manipulação digital, os tais tratamentos de imagem e a fotografia maquiada, “melhorada”. No campo da arte, há mesmo quem comente que a fotografia começa depois do clic, pois ela deve ser enquadrada, alinhada pela linha do horizonte, diagramada na regra-dos-terços, muitas vezes, sofrer variação em alguma cor ou ser convertida para o P&B, entre outras etapas para a foto ficar pronta para a impressão ou publicação, seja gráfica ou virtual. Sou adepto de uma fotografia mais realista, sem maiores pirotecnias digitais, pois sei que antes da parafernália tecnológica está o olho de um fotógrafo e sua abordagem poética sobre algum tema e é isso que todos queremos perceber numa boa fotografia.

LT – Fale um pouco do seu projeto “Convergências”.
Td’B – No paralelo de tudo sigo com uma produção de imagens na modalidade da Poesia Visual, numa média de duas ou três criações por ano. São desenhos vetorizados em P&B que apresentam temas como sexualidade, espiritualidade, comportamento, afetividade, política, crítica social, entre outros. Além de veicular na web, essas criações participam de publicações e exposições, numa mostra itinerante que é o projeto “Convergências”, que por enquanto já foi apresentado em João Pessoa/PA, Maceió/AL, Blumenau/SC, Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES e Belém/PA.
Outras cidades têm manifestado interesse em realizar a mostra, a idéia é mesmo que passe por todos os Estados desse imenso Brasil. E as imagens são sempre descartadas ao final, pois envio-as para o organizador local, por e-mail, FTP ou correio físico mesmo, e têm sido impressas em diferentes suportes, como lona vinil, PVC, acrílico, papel fotográfico, plotagem e adesivação na parede, por enquanto. Mas para além de exibir os trabalhos autorais, há também uma oficina que tem o intuito de divulgar essa modalidade que fica na fronteira entre a poesia e as artes visuais, além de estimular o surgimento de novos adeptos e criadores.
LT – O que vem pela frente: um livro, uma exposição ou ambos?
Td’B – Livros, exposições e viagens. É o que tenho produzido, é que quero continuar fazendo pelo resto de meus dias aqui nesse planetinha azul. Talvez não seja adequado mencionar exatamente o que se vai apresentar para breve, para não dissipar as energias, então, limito-me a contar que no momento estou fotografando algumas localidades amazônicas, e desenvolvo alguma produção literária baseada em suas lendas e culturas dos povos da floresta. Em que lugar do Brasil ou do mundo esses resultados serão apresentados?
Bem, quem vim ver, verá... Não será demais dizer que, como a gente já está há algum tempo na estrada, há então já um trabalho paralelo de administrar o que já foi produzido, tipo adaptar as imagens ou textos para novos formatos, cuidar de direitos autorias, traduções, contratos, divulgação, adaptações, etc. Para além disso, é questão de seguir em frente e descortinar sempre novos horizontes, tantos os físicos quanto os metafóricos. Evoé!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Riverdies

21 de agosto – Garage – Praça da Bandeira - Rio


Fulinaimagem



Fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos


onde teus pés bailarina dançam cato os vestígios do tempo onde teus olhos bailarina olham um gato passeia no teu colo e na vidraça o giz derrama poesia escritas com punhos de ontem em tua cidade de serras onde teus braços bailarina sustentam tuas mãos que colhem uvas coloco águas de chuva para que teus vinhedos não cessem estejam sempre em meus caminhos e deles brotem da flor o fruto sagrado e os teus segredos guardados entre os teus lábios de vinho

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll

pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Revista Época e mais uma tentativa de salvar a disputa quase perdida para Serra

Pode até parecer que não, mas há uma interrelação intrínseca entre a divulgação dos resultados das pesquisas eleitorais e o lançamento de matérias na imprensa.

A pesquisa Datafolha, ícone da resistência midiática a popularidade da candidatura governista, apresentando pela primeirva vez Dilma Roussef a frente de José Serra, resultou em uma imediata campanha política da Globo, via revista Época, confeccionando uma capa com o firme propósito de aterrorizar o eleitor ainda indeciso ou mesmo aqueles que ainda podem mudar seu voto.

A estratégia da Época e seus consortes parece ser a de lançar dúvidas e temores em um momento crucial da campanha: o início da propaganda no rádio e na TV. Servindo, claro, de material para ser explorado nas imagens da oposição na TV e em material impresso, fartamente distribuído pelas ruas.

Engana-se quem pensa que a revista acrescenta algo novo, qualquer informação relevante ou algum grande achado histórico, agora revelado. Nada disso é identificado, mas apenas informações requentadas, já amplamente divulgadas. Pior, a personagem da capa não foi sequer ouvida pela revista. Fatos que ela diz não ter mais o que acrescentar.

A capa tem objetivos claramente eleitorais e se configura em prova cabal da má fé de Época e Globo, que, não conseguindo alterar o cenário que se apresenta, tentam de todos os modos nivelar, por baixo, a disputa presidencial. Sórdido exemplo de que, insucesso de Bonner em tirar a vantagem de Dilma no JN, quem sabe uma revista pendurada em milhares de bancas de jornal de centenas de cidades a semana inteira, vinculada a propaganda eleitoral que se inicia na terça-feira, possa sutir algum efeito?

O passado dos convertidos aos interesses conservadores não os "condena"

Exemplo maior de tamanha parcialidade e jogada política é o fato de que Serra, militante da AP (ação Popular) e alguns de seus aliados, como o Gabeira (neo-tucano-verde) também terem participado de organizações políticas contrárias a ditadura militar, fatos elogiávies a biografia de ambos. Mas, porque Época ou Veja não confeccionam capas com chamadas idênticas para investigar seus passados de luta contra a ditadura?

Porque se converteram, a algum tempo, aos ideais políticos mais conservadores e atrasados desse país, são destras figuras expoentes, logo poupados de se desgastarem relembrando atos que participaram e acreditavam e que "o povo não precisa tomar conhecimento ou questionar a respeito".

Alguns exageram e vão além, constituindo provas de lealdade e conversão radical aos novos aliados, caso de Gabeira: que renega à sua própria pessoa e se transfigura no Ex-Gabeira, como bem ilustrado

domingo, 15 de agosto de 2010

Entrevista com Mino Carta





Leia no blog http://goytacity.blogspot.com/

Como regular o seu relógio intestinal?
Veja as dicas da Drª Veruska Machado



O futuro chegando agora: 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

Após as tentativas frustradas de Ali Kamel e seus coadjuvantes da bancada do JN, Fátima Bernardes e William Bonner, de estigmatizar um dos lados da campanha e terem protagonizado bizarras maneiras de entrevistar, desde o estilo "interrogatório" até o tom mais suave e delicado, cumpre-nos o dever solene de divulgar e entrar na corrente daquilo que se apresenta como o novo, a real possibilidade de democratização ao acesso à informação, dos mais variados temas, repletas de sentidos regionais, políticos, culturais e econômicos diversos!
A blogosfera!

Aqui mesmo no blog é possível encontrar, no canal "Confira agora na Blogosfera", em tempo real, aquilo que está sendo discutido em vários blogs diferentes, como o "tijolaço", "Conversa Afiada", "ViOMundo", "Blog da Cidadania" entre outros, destaques destes novos tempos.

Nós do Blog Palavras Diversas somos parte da blogosfera, um ente novo, em crescimento, aprendendo a fazer, fazendo, no meio do turbilhão que se apresenta e se transforma em uma velocidade impressionante.

Dias 21 e 22 de agosto, em São Paulo, acontecerá o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que deve reunir cerca de 300 pessoas, pioneiros, que estão plantando a semente do futuro próximo, do direito do cidadão a ter acesso pleno a informação na rede e o desenvolvimento de políticas públicas, através de instrumentos legislativos que precisam ser aperfeiçoadas para universalizar um canal de múltiplas opções.
O recado tá dado, mais informações, clique aqui.

Confira outros assuntos em nosso Blog http://palavras-diversas.blogspot.com/