terça-feira, 29 de junho de 2010

louvação


isadora uma gata dos pampas


singela oração aos blogueiros desocupados

1

no dia 6 de agosto
cachorro que soy louco
com gosto
vou louvar o meu
senhor

2

salve-me
santíssimo salva/dor
da dor
do horror desta cidade
que um dia foi
dos goytacazes
mortos por urubus
da terra alheia

3

santíssimo
salva/dor
salve-me da santa ceia
salve-me
das virgens de pedra
das santas que não são fedras
as “padroeiras” do Brasil

4

salve-me
santíssimo salva/dor
da feracidade horrorosa
sal-ve-me
do encravo e da rosa
dos carnavais
no mês de abril

5

pro diabo
não sou santo
nem visto o corpo com manto
soy
couro cru & carne viva
soy
carne viva & couro cru
não tenho a língua
que medra
soy carNAvalha
na piedra
my sagrado y profano
aprendiz de los hermanos
canibais lá do xingu

6

não tenho amor pelas santas
meu sangue corre nas plantas
em minhas mãos
esmeril
mas tenho amor pelas putas
a prostituta que pariu

7

santíssimo
salva/dor
salve-me da dor
do desgosto
de desfraudar mês
agosto
bandeiras tropicanalhas
salve-me
das catequeses
dos evangélicos pastores
de amores
de sacristia
salve-me da hipocrisia
planalto central
céu azul

salve-me
deste país
e deste estado de surto
se é pra xingar
não me furto
na flor da pele não tem panos

salve-me
destes tiranos
dos campos
da américa do sul

arturgomes

canibália city
http://goytacity.blogspot.com




experimentações/interlinguagens

1

hoje em ti
amanheci
ana/brasília
mesmo
não sendo
mulher
ou filha
bem-te-quis
meu
bem-te-vi
ao levitar
em tuas asas
mergulhei mares
que em teus olhos
conheci

2

Xangô
é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Oxum espada de aço

faz do meu colo
teus braços

Oxossi carne da mata
Yemanjá água do mar
Yansã é fogo vento tempestade

Oxum é água doce
Oxalá em ti me trouxe
te canto como se fosse
um novo deus em liberdade

3

sou teu leão de fogo
todo jogo
que me propor eu topo

beber teu copo
comer da tua comida

encarnar de frente
a janela de entrada
e se for preciso
:
a porta de saída

4

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como o beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da mata atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora d´alquimim fugaz brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele pelas tuas costas

os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata
em que despes de mim o ser humano
e no corpo rasgamos todo pano
e como um deus pagão pensamos sexo.

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com




o sem nome

não quero o silêncio
como arma
lira lero
de algum bolero
com letra
pra calar boca
água fria no fogo

quero o incêndio
a fogueira
sei o quanto me negas
o fruto proibido

mas oculto na noite
entro por porta dos fundos
e roubo
a maçã do pecado
enquanto dorme
e sonhas
com alices
no país das maravilhas


mergulho tuas ilhas
devasto teus porões
na sala
derrubo tua mobília
no quarto
devasso teus colchões

na cozinha
bebo do teu vinho
e como do teu pão
não tenho nome
sou o que te come
sem pedir perdão





a vingança do vampiro brasileiro

a rosa apodreceu
no jardim das oliveiras
o encravo
deu com a cara no muro
do palácio guanabara

a filha
tem duas caras
aos domingos reza pro santo
nas sextas
pro capataz
há muito tempo meu chapa
venderam a mãe pro diabo
pensando fosse capaz




isadora

onde teus pés
bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos
bailarina olham
um gato
passeia no teu colo
e na vidraça
o giz derrama poesia
escritas
com punhos de ontem
em tua cidade
de serras
onde teus braços
bailarina sustentam
tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas
de chuva
para que teus vinhedos
não cessem
e deles
brotem sempre
da flor o fruto sagrado
e os teus segredos
guardados
entre os teus lábios
de vinho

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/
Olá Artur!
Acho interessante a maneira como vocês contemplam os motivos e detalhes mais simples,e que muitas vezes passam despercebidos por nós, principalmente nas grandes cidades em que o acúmulo de imagens e informações se embaralham gerando aproveitamento zero da essência da contemplação que na verdade, exige a imaginação, esta que é o pulsar da arte e julgo particularmente essencial para se viver.
Muito legal ver que como os pequenos detalhes ainda conseguem trazer energia criativa para muitos peitos açoitados que habitam este mundo meio anjo e meio cão.
Parabéns! Como já tinha escrito, não há muito o que se comentar, adoro ler suas poesias e já falei para outros colegas aqui de Corumbá fazerem o mesmo, e, também admiro a simplicidade do olhar de vocês que gera estes vídeos.
Observo entre os alunos da escola que isto está cada vez mais raro entre esta nova geração de jovens que vem se formando.
Abraços e uma boa tarde.
Alcinéia

segunda-feira, 28 de junho de 2010

cine vídeo urbanidades























para heloísa curzio

entre as cores de frida
me kalo
heloísa na curva
do abstrato
muito mais que conreto
pincel em transe
tintura em convulsão
eu que não tenho dedos de aço
muito menos nervos
de chumbo
me deito sobre a relva
deixo percorrer a neblina
do nariz ao dedo grande
do pé
todo o corpo
fios de cobre
e os olhos na tela
grudados nos dela
nas belas
curvas da mulher

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/




domingo, 20 de junho de 2010

mataram o festcampos de poesia falada



avelino jura que não foi ele

Blogueiros Desocupados apresentam:
Noite do Encravo e a Rosa
Paródias noturnas em canibália city
Breve no MPBar – mais informações:
e-mail fulinaima@gmail.com

Paulo Ciranda – Marçal Tupã




canibália city
não sei se febre água fogo fala
bala apontada
na boca do gatilho
o olhar explode dinamite
no embrião do caos
de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido
eu me deserto
me entorto
trago a língua endiabrada
dentro a boca
não me travo
a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota
a decisão pro ficha limpa
agora me pergunto:
o que é que o marido
vai fazer com ela?

Arturgomes
canibália city
http://goytacity.blogspot.com/
SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 12 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes

artur gomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

aboio


ainda tarde
mas é tempo

tempo futuro
é agora
tempo presente
já foi

por isso
inda toco meu boi
não boto conversa fora


Artur, essa é pra vc, meu velho !
Abraços, Rogerio

Gomes & Gumes
ROGERIO SANTOS(para Artur Gomes)

o gume da brisa avisa
que Artur, bardo rei
sua poesia metralha
entre o calçado e a calçada
entre o mar e a muralha
da musa de tanga a cangalha
bala fala de navalha
dos entrefolhos, bocas
& beco das garrafas
suculentos poemas em pets
cruza Crusoé sete mares
moura pepita de pirita
onde quem cala naufraga
Artur é enxada
minhoca danada
é espada cravada
na fenda da palavra
(e ai de quem pedra furada)

Rogerio Santos
Acabei de postar no meu blog
www.folhadecima.blogspot.com

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Marina critica alianças de PT e PSDB, fala em união com a sociedade e afaga vice

UOL Eleições

Minimizando a falta de alianças do PV, Marina Silva oficializou a sua candidatura à Presidência fazendo críticas ao pragmatismo político dos grandes partidos na formação de alianças e disse que a sua aliança “é de novo tipo”.

"Não temos política de aliança. Pensando apenas com o velho cálculo pragmático, mais palanques, mais recursos, mais votos, então façamos uma aliança que nós vamos debater o que interessa para nós e no dia 3 de outubro vocês votam no que decidimos, é melhor para nós. Nós decidimos fazer aliança com os jovens, idosos, com os índios, com os negros, e com todos os brasileiros e brasileiras que estão aqui”, disse. "Nós queremos fazer alianças com os núcleos vivos da sociedade".

Ao som de bossa nova e frevo, com o slogan "Juntos pelo Brasil que queremos. Seja mais 1, já somos milhões", a senadora e Guilherme Leal oficializaram a chapa dos verdes para a Presidência da República. Cerca de mil pessoas acompanharam a cerimônia, que começou com 1h15 de atraso.

O presidente do PV, José Luiz Penna, abriu oficialmente a cerimônia de oficialização da candidatura. “Figura simbólica para este momento em que precisávamos destroçar as forças conservadoras. (...) E nós encontramos a força simbólica da senadora Marina Silva. E mais ainda, conseguiu sensibilizar Guilherme Leal, que eu não tenho dúvida, além de um grande companheiro será o melhor vice-presidente dos partidos concorrentes”, disse.

Na sequência, Marina e Leal caminharam de mãos dadas até o palanque da convenção, ao som do jingle da campanha “Eu sou brasileiro, eu sou marineiro, eu sou marineiro", criado pelo publicitário Paulo de Tarso, o mesmo do “Lula lá”.

Depois de ouvir os discursos, Marina assumiu o palanque da convenção. Iniciou seu discurso com o já famoso “companheiros e companheiras”, e elogiou seu vice, Guilherme Leal, que teve alguns problemas ao ler o discurso preparado para a ocasião. "Quem faz política com P maiúsculo não treina como fala", disse Marina.

A senadora começou agradecendo a Deus, à família - "Quero agradecer minha família que dá forças para esse palitinho se manter em plena forma e esteja se colocando como mantenedora de utopias", afirmou ela arrancando risos do público - e aos colegas de partido.

A seguir, apresentou as suas referências. “Eu não quero fazer um discurso em que vocês não estejam incluídos. Eu estou aqui baseada em alguns referenciais. A lutar pelos que não sabem, não podem não tem, para que um dia saibam, possam, tenham. (...) Outro referencial é a juventude. Eles não se envolvem em projeto de poder pelo poder. O jovem se envolve onde está o cheiro da mudança”, disse.

Marina elogiou o controle de inflação e o fato de o Brasil não ter sido abalado pela crise econômica, e também o presidente Lula. "Não preciso, porque sou candidata por outro partido, negar esse feito e a grande conquista do operário Luiz Inácio Lula da Silva, que quebrou o paradigma. Antes se dizia que era preciso crescer para distribuir o bolo. O Lula mostrou que foi distribuindo que continuamos e crescemos".

Sobre políticas sociais, afirmou que "não é fazer para os pobres, é com os pobres que nós temos que fazer", prometendo ampliar o Bolsa Família, e deixou claro que acredita no seu crescimento ao longo da campanha. "É por isso que nós não vamos aceitar o veredito do plebiscito. Não há veredito. Ele vai ser revogado pelo povo brasileiro", criticou Marina, em nova referência à polarização eleitoral entre Serra e Dilma.

"Nos vamos nos encontrar no segundo turno", disse, ao comparar as características dos últimos governantes brasileiros, um intelectual, o outro, operário. E encerrou questionando: "Que marcas o povo brasileiro quer que o próximo presidente ou a presidente do Brasil tenha?".

Robinho é obrigado a pedir desculpas
aos companheiros por entrevista à TV
EDUARDO ARRUDA
ENVIADO A JOHANNESBURGO
http://www.uol.com.br/

O atacante Robinho teve que pedir desculpas para todo o elenco da seleção brasileira e mais o técnico Dunga nesta quinta-feira por conta da entrevista que deu para a TV Globo na terça-feira.
O jogador, que hoje está no Santos, quebrou uma das principais regras estabelecidas por Dunga e a comissão técnica: não falar com ninguém da imprensa que não fosse durante as entrevistas coletivas ou mesmo após o jogo contra Tanzânia.

Apresentadora de TV promete ficar nua se o Chile for campeão
Kaká ganha rap gospel em sua homenagem; confira a letra
Rapper diz que Kaká pediu nome do filho e da mulher em música religiosa

Oficialmente, porém, a CBF afirma que os jogadores estão livres para fazer o que bem entender nos dias de folga, mas até chegar a vez de Robinho, todos os atletas estavam 'fugindo' de entrevistas dizendo que não podiam dar entrevistas. O ato de Robinho acabou criando um mal-estar na equipe, o que provocou o pedido de desculpas.

Empresa lança 'recall' de figurinhas

A blindagem é um dos principais pontos de Dunga desde que o time se classificou para a Copa do Mundo.


A pequena aurora da minha vida -
Humor e diversão são garantidos
pelo “Nós na Rua”.



INFORME:

“A pequena aurora da minha vida” Humor e diversão são garantidos pelo “Nós na Rua”.

Como já é tradição no município, São João da Barra está preparado para as comemorações de Santo Antônio, São João e São Pedro. Os santos são festejados no Circuito Junino, que tem início no dia 11 de junho.O VI Circuito Junino, promovido pela prefeitura de São João da Barra, vai animar a cidade com programação musical, religiosa e esportiva. Missas, procissões, concurso de quadrilha, corridas ciclísticas, cafés literários e shows são alguns dos eventos que vão animar a cidade no período.

Como também já é tradição as diversas participações do Grupo Teatral “Nós na Rua”. Este ano, mesclando a super programação, ocorrerá, pela primeira vez no município, o “Ação Global”. Uma iniciativa da Rede Globo de Televisão e o Sistema FIRJAN com parceria da Prefeitura de São João da Barra.

Encerrando um dia voltado à atividades sociais e recreativas, o “Nós na Rua”, ás 16h marca a volta de “A pequena aurora da minha vida” nas ruas da cidade. A peça adaptada do clássico de Naum Alves de Souza escreveu sua história na cultura sanjoanense ao se apresentar na reabertura do centenário Cine Teatro São João em São João da Barra / RJ em 22 de junho de 2006.

No sábado, dia 29 de maio, com o apoio da Prefeitura de São João da Barra, o Grupo Sanjoanense apresentou-se no II Festival de Esquetes de Humor do SESC-Campos com o esquete, uma compacta cena, que mostra de forma irreverente a história de duas gêmeas, de aproximadamente 06 ou 07 anos de idade, em seus primeiros dias de aula em uma escola tradicionalista da década de 70.

Dividida em três quadros, o esquete mostra as relações e conflitos entre alunos, pais e mestres de uma maneira leve e divertida. Ainda no mesmo dia,o grupo se apresenta dentro da programação do Circuito Junino, na Festa de Santo Antônio, as 20:30. 13 de junho:

Esquete Teatral “A pequena aurora da minha vida”
LOCAL: Ação Global – Ciep 256 – 16h
LOCAL: Praça Santo Antônio – 20:30
INFORMAÇÕES: Ação Global São João da Barra – RJ
Ciep Gladys Teixeira – Rua Barão de Barcelos.
Início: 9h
Término: 17h
Entrada Franca Circuito Junino de São João da Barra - RJ
11 de junho a 04 de julho de 2010
Entrada Franca
OUTRAS INFORMAÇÕES E FOTOS
:www.nosnarua.blogspot.com
(22) 9904 – 7189 – Silvano Motta –
Diretor de Eventos
-- A.C.T."Nós na Rua"Ações que fazem a diferença!www.nosnarua.blogspot.com

quarta-feira, 9 de junho de 2010

canibália city 2



um poema ácido

os fantasmas
ainda sobrevoam
sobre telhados de vidro

laranjas continuam espalhados
aos quatro ventos

algo de podre fede
em goyta city
e nenhum perfume
é capaz de apagar
o odor da lama bruta

se na esquina
o bandido tem direito
de exercer a profissão

não quer dizer
que político
pode saquear a coisa pública
como se fosse privada

onde nem descarga
consegue descer
a merda
do ralo pro esgoto


e o mais escroto
disso tudo
é saber que não foi
esse tipo de poder
que o povo lhe concedeu

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

GRANDES NOMES DA LITERATURA





Direção – Jiddu Saldanha
http://www.bichodeporco.blogspot.com/
Entrada Gratuita!!!

- O Cão Sem Plumas, de João Cabral de Melo Neto
com Bárbara Morais

- Residência no Redemoindo, inspirado na Obra de Guimarães Rosa
com Karol Schittini
- Jornada de Paz Tempo de Guerra
com Bárbara Morais, Bruno Peixoto e Louise Marrie
Local:
Centro Cultural Laurinda Santos Lobo,
próximo ao Largo dos Guimarães em Santa Tereza
Data:
Dia dos Namorados (12/06/2010)
às 20h
Censura:
Sem Censura

Duração:
50 minutos

Quer mais informações e contato com tato?


O cão sem plumas
João Cabral de Melo Neto

I.


Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua é passada
por um cachorro;
uma fruta por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio de aquoso
pano sujo dos olhos de um cão.

Aquele rio era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama como de uma mucosa.

Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente da mulher
febril que habita as ostras.

Aquele rio jamais se abre aos peixes,
ao brilho, à inquietação de faca
que há nos peixes.

Jamais se abre em peixes.
Abre-se em flores pobres
e negras como negros.
Abre-se numa flora suja e
mais mendiga como são
os mendigos negros.

Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como o ventre de
uma cadela fecunda,
o rio cresce sem nunca explodir.

Tem, o rio, um parto fluente
e invertebrado como
o de uma cadela.

E jamais o vi ferver
(como ferve o pão
que fermenta).

Em silêncio, o rio carrega
sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.

Em silêncio se dá:
em capas de terra negra,
em botinas ou luvas
de terra negra para o pé
ou a mão que mergulha.

Como às vezes passa
com os cães,
parecia o rio estagnar-se.

Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas densas
e mornas de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação
de um louco.

Algo da estagnação do hospital,
da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.

Algo da estagnação dos palácios cariados,
comidos de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação das árvores
obesas pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas, mas de costas para o rio,
que "as grandes famílias espirituais"
da cidade chocam os ovos
gordos de sua prosa.

Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?

Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?
Aquele rio saltou alegre
em alguma parte?

Foi canção ou fonte
Em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul nos mapas?


II.

Paisagem do Capibaribe

Entre a paisagem o rio
fluía como uma espada
de líquido espesso.

Como um cão humilde
e espesso.

Entre a paisagem (fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama plantadas
em ilhas coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.

Como o rio aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais que um cão saqueado;
é mais que um cão assassinado.

Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.

É quando de um pássaro
suas raízes no ar.

É quando a alguma coisa
roem tão fundo até o que não tem).

O rio sabia daqueles homens
sem plumas.

Sabia de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.

Ele sabia também dos
grandes galpões da beira dos cais
(onde tudo é uma imensa
porta sem portas)
escancarados aos horizontes
que cheiram a gasolina.

E sabia da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos, onde pontes,
sobrados ossudos
(vão todos vestidos de brim)
secam até sua mais funda caliça.

Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.

Estes secam ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além de sua palha;
mais além da palha de seu chapéu;
mais além até da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.

Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente e sem dente).

Ali se perdem (como uma
agulha não se perde).

Ali se perdem (como um relógio
não se quebra).

Ali se perdem como um espelho
não se quebra.

Ali se perdem como
se perde a água derramada:
sem o dente seco com que de repente
num homem se rompe o fio de homem.

Na água do rio, lentamente,
se vão perdendo em lama;
numa lama que pouco
a pouco também não pode falar:
que pouco a pouco ganha
os gestos defuntos da lama;
o sangue de goma, o olho
paralítico da lama.

Na paisagem do rio
difícil é saber onde começa o rio;
onde a lama começa do rio;
onde a terra começa da lama;
onde o homem, onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.

Difícil é saber se aquele homem
já não está mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar na praça;
capaz de gritar se a moenda
lhe mastiga o braço;
capaz de ter a vida mastigada
e não apenas dissolvida
(naquela água macia que amolece
seus ossos como amoleceu as pedras).
III.

Fábula do Capibaribe

A cidade é fecundada por aquela
espada que se derrama,
por aquela úmida gengiva de espada.

No extremo do rio o mar se estendia,
como camisa ou lençol,
sobre seus esqueletos de areia lavada.

(Como o rio era um cachorro,
o mar podia ser uma bandeira
azul e branca desdobrada
no extremo do curso —
ou do mastro — do rio.

Uma bandeira que tivesse dentes:
que o mar está sempre com seus dentes
e seu sabão roendo suas praias.

Uma bandeira que tivesse dentes:
como um poeta puro polindo
esqueletos, como um roedor puro,
um polícia puro elaborando esqueletos,
o mar, com afã, está sempre outra vez
lavando seu puro esqueleto de areia.

O mar e seu incenso, o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago que come e se come,
o mar e sua carne vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado à custa
de sempre dizer a mesma coisa,
o mar e seu tão puro professor de geometria).

O rio teme aquele mar
como um cachorro teme
uma porta entretanto aberta,
como um mendigo, a igreja
aparentemente aberta.

Primeiro, o mar devolve o rio.
Fecha o mar ao rio seus brancos lençóis.

O mar se fecha a tudo
o que no rio são flores de terra,
imagem de cão ou mendigo.

Depois, o mar invade o rio.
Quer o mar destruir no rio
suas flores de terra inchada,
tudo o que nessa terra
pode crescer e explodir,
como uma ilha, uma fruta.

Mas antes de ir ao mar o rio
se detém em mangues
de água parada.

Junta-se o rio a outros rios
numa laguna, em pântanos onde,
fria, a vida ferve.

Junta-se o rio a outros rios.
Juntos, todos os rios preparam
sua luta de água parada,
sua luta de fruta parada.

(Como o rio era um cachorro,
como o mar era uma bandeira,
aqueles mangues são uma
enorme fruta:
A mesma máquina paciente
e útil de uma fruta;
a mesma força invencível
e anônima de uma fruta —
trabalhando ainda seu açúcar
depois de cortada —.

Como gota a gota até o açúcar,
gota a gota até as coroas de terra;
como gota a gota até uma nova planta,
gota a gota até as ilhas súbitas
aflorando alegres).

IV.

Discurso do Capibaribe

Aquele rio está na memória
como um cão vivo dentro de uma sala.

Como um cão vivo dentro de um bolso.
Como um cão vivo debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa, da pele.

Um cão, porque vive, é agudo.
O que vive não entorpece.

O que vive fere.
O homem, porque vive,
choca com o que vive.

Viver é ir entre o que vive.
O que vive incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo que
sonhou cortar-se roupas de nuvens.

O que vive choca, tem dentes,
arestas, é espesso.

O que vive é espesso como um cão,
um homem, como aquele rio.

Como todo o real é espesso.
Aquele rio é espesso e real.

Como uma maçã é espessa.
Como um cachorro é mais
espesso do que uma maçã.

Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.

Como é mais espesso
um homem do que o sangue
de um cachorro.

Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.

Espesso como uma maçã
é espessa.
Como uma maçã é muito
mais espessa se um homem
a come do que se um homem a vê.

Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.

Aquele rio é espesso
como o real mais espesso.

Espesso por sua paisagem espessa,
onde a fome estende
seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.

E espesso por sua fábula espessa;
pelo fluir de suas geléias de terra;
ao parir suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espessa
a vida que se desdobra em mais vida,
como uma fruta é mais espessa
que sua flor; como a árvore
é mais espessa que sua semente;
como a flor é mais espessa
que sua árvore, etc. etc.

Espesso, porque é mais espessa
a vida que se luta cada dia,
o dia que se adquire cada dia
(como uma ave que vai
cada segundo conquistando seu vôo).

João Cabral de Melo Neto
"O Cão sem Plumas"In Poesias Completas

(1940-1965) José Olympio, 3a. ed., 1979

Soldados israelenses matam quatro em ataque a barco palestino

Soldados israelenses abriram fogo na madrugada desta segunda-feira (7) contra um barco palestino na costa de Gaza. Quatro pessoas morreram e outras duas estariam desaparecidas, de acordo com médicos palestinos ouvidos pelo "New York Times". As Forças Armadas de Israel disseram que o barco levava militantes armados, em roupas de mergulho, que se preparavam para atacar o país.

O UOL Notícias informou anteriormente que o total de mortos havia chegado a cinco, com base na rádio oficial de Israel, mas agências de notícias confirmaram posteriormente quatro mortos.

Tensão em Israel
Entenda como funciona o bloqueio à faixa de Gaza
Veja cronologia do conflito entre palestinos e israelenses em Gaza
Itamaraty ordena localização de brasileira em barco atacado em Gaza e investigação independente

Na ONU, Israel acusa frota de não ter objetivos humanitários
Comunidade internacional condena ataque
Segundo testemunhas, o barco no qual estava o grupo palestino foi atacado por lanchas motorizadas e helicópteros israelenses no litoral palestino, à altura do campo de refugiados de Nuseirat, ao sul da cidade de Gaza. Já fontes do grupo radical islâmico Hamas e de hospitais da região disseram que um avião israelense jogou um míssil contra militantes num terreno perto de Gaza, ferindo gravemente um homem.

Um porta-voz militar de Israel confirmou que o míssil tinha como alvo um grupo de militantes que estaria tentando lançar um foguete contra Israel.

Cerca de duas horas depois, foram resgatados os corpos de quatro pessoas usando traje de mergulho. Os mortos tinham 34, 25, 21 e 20 anos, segundo uma fonte hospitalar.

Um porta-voz do exército israelense confirmou que uma patrulha da marinha avistou uma embarcação com um grupo a bordo a caminho de realizar um ataque terrorista, sem dar maiores detalhes. O porta-voz informou ainda que mais de dez foguetes foram lançados contra Israel nas últimas três semanas.

Um chefe das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, um grupo armado vinculado ao Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, afirmou que os quatro mortos eram ativistas do grupo, mas afirmou que se tratava de um treinamento e não de uma operação.

Os ataques de hoje ocorrem exatamente uma semana depois de as Forças Armadas do país atacarem uma frota humanitária no litoral de Gaza, que resultou em nove passageiros mortos. No sábado, Israel impediu outra embarcação de chegar ao encrave palestino, desta vez sem violência.

A imprensa israelense disse que a ação desta segunda-feira foi realizada pela mesma unidade naval que abordou a frota na segunda-feira passada. O Exército israelense não quis entrar nesses detalhes.

O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Oren, disse ontem que o país rejeita a proposta de um inquérito internacional sobre a operação da semana passada.

Raio-x de Israel:

Nome oficial: Estado de Israel
Governo: Democracia Parlamentar
Capital: Jerusalém
Divisão administrativa: 6 distritos
População: 7.233,701
Idiomas: Hebreu (oficial), árabe (usado oficialmente pela minoria muçulmana) e inglês
Grupos étnicos: Judeus 76.4%, muçulmanos 16%, árabes cristãos 1.7%, outros cristãos 0.4%, druzes 1.6%, sem especificação 3.9%
Fonte: CIA World Factbook
A proposta de uma investigação envolvendo outros países foi discutida em um telefonema na manhã de ontem entre o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamyn Netanyahu.

Também ontem foram deportados de Israel sete dos 11 ativistas que chegaram ao país no sábado para tentar embarcar um carregamento de ajuda humanitária à Faixa de Gaza – cuja região é mantida sob embargo pelos israelenses. Em 2007, o governo de Israel estabeleceu o bloqueio ao território palestino depois de o grupo Hamas ter assumido a região.

Irã enviará barcos

O governo do Irã anunciou que enviará três barcos, dois deles antes do final da semana, e um avião de ajuda humanitária a Gaza.

"Estamos alugando dois barcos, um que transportará 70 trabalhadores humanitários, enfermeiros e médicos, e outro com medicamentos e alimentos para a população de Gaza", declarou o diretor internacional da Crescente Vermelha, Abdolrauf Adibzadeh, à TV estatal iraniana.

A Crescente Vermelha iraniana também vai enviar um avião carregado com 30 toneladas de ajuda humanitária a Gaza por meio do Egito.

* Com agências internacionais

fonte: www.uol.com.br

terça-feira, 1 de junho de 2010

Niterói faz pouco caso e está dispensando duas Salas de Cinema.

Artigo publicado hoje, domingo, 30/05, na Revista do Jornal O Fluminense, na coluna Espaço Aberto ( http://jornal.ofluminense.com.br/coluna/espaco-aberto ), sob o título "Arroz, Feijão e Cinema".

Queremos reverter esse quadro e contamos com a sua ajuda. Envie sua opinião, seu protesto, sua solidariedede a nossa iniciativa para os endereços redacao@ofluminense.com.br; prefeitura@niteroi.rj.gov.br; contato@culturaniteroi.com.br; e também para o supermercado. Ainda há tempo. Viva o Cinema Brasileiro!


Adailton Medeiros

O Brasil possui 5.565 municípios e, arredondando, somente em 440 (8%) existem salas de exibição. São, aproximadamente, 2.160 salas para 190 milhões de brasileiros e, em termos de pontos de cinema, a coisa é pior, são apenas 815.

A título de comparação, no país existem mais de 60 mil pontos de farmácias. Costumo dizer que se tivéssemos mais cinemas, provavelmente, teríamos menos farmácias. Cinema é sinônimo de qualidade de vida, pelo menos deveria ser tratado assim.

O porquê desse relato: os 4 anos de Ponto Cine. Um projeto vitorioso que pode ser uma alternativa a esse cenário, que, ainda por cima, insiste em manter os filmes brasileiros como estrangeiros no nosso país.

O Ponto Cine é a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil. É a maior exibidora de filmes brasileiros em todo o território nacional, em números de títulos, de sessões e de permanência em cartaz.

Foi premiada pela Agência Nacional de Cinema em 2007, 2008 e 2009, com o Prêmio Adicional de Renda. Ano passado recebeu também o PAR instituído pela Secretaria de Estado da Cultura e o “Faz Diferença”, do Jornal O Globo, pelos serviços prestados de formação e democratização do acesso ao cinema brasileiro, em 2008. Hoje, proporcionalmente, tem a maior taxa de ocupação dos cinemas.

Porém, mais que isso, o Ponto Cine mexeu com a autoestima dos moradores de Guadalupe, subúrbio do Rio. O bairro saltou das páginas policiais para os Cadernos de Cultura dos mais importantes Jornais, revistas e TVs. O Ponto Cine provocou uma revitalização urbana no seu entorno e virou moda no comércio local, não é difícil ver um Ponto X-Lanche, Ponto Pet, Ponto Saúde e outros.

Como modelo de negócio, o Ponto Cine conjuga o comercial e o social. O primeiro cria condições para bancar o segundo. O segundo, o social, é condição primordial para a sustentação futura do primeiro, o comercial; pois trata, especialmente, da formação de platéia. Resumindo: assim como a padaria não vende somente pão, este, em muitos casos, é o mínimo; o Ponto Cine não vende só ingressos e, sim, bilhetes, pipoca e idéias (projetos), principalmente aquelas que influenciam na qualidade de vida.

Em Niterói existem apenas 3.275 poltronas de cinema para quase meio milhão de habitantes. Mais precisamente um assento para cada grupo de 146 niteroienses, o equivalente a 4,5 turmas de escolas para cada lugar. Comparada com o restante do Brasil pode até se considerar uma cidade privilegiada. Porém, sofre do mesmo oligopólio promovido pelas distribuidoras americanas: em Niterói o filme brasileiro também é tratado como estrangeiro, não tem espaço em suas telas.

O que fazer para mudar isso? - Um Ponto Cine. Aliás, não é falta de vontade e empenho, inclusive iniciamos uma empreitada na antiga Estação dos Bondes, hoje Espaço Cultural Antônio Callado. Lá existem duas salas semi-prontas, só esperando acabamento. Espaço para cinema, livraria, biblioteca e café, mas a negociação entre o Supermercado Guanabara e o Ponto Cine foi interrompida. Havia um terceiro nessa relação, uma espécie de vilão, que pôs tudo por água abaixo.

Mas para nós esse filme não acabou, está só arrastado esperando uma virada. As salas estão lá, intocáveis. O coração endurecido dos proprietários do espaço não amolece. Contra nós disparam aluguéis estratosféricos. Está na hora de entrar um novo personagem nessa história: a Prefeitura, a Ancine, o BNDES ou a população.

Não há cenas dos próximos capítulos. Enquanto o Brasil clama por salas de cinema, Niterói está dispensando duas.

Silvano Motta (22)9904-7189
http://www.silvanomotta.blogspot.com/
http://www.nosnarua.blogspot.com/


Escrituras Editora
e
Casa das Rosas convidam para a

QUINTA POÉTICA

com as poetas convidadas
Eunice Arruda, Graça Fontelles, Helena Borges e Karin Massaro, com participação especial de Sandra Miyazawa e Tiganá.
Agradecimentos especiais ao poeta Celso de Alencar (curador) e Joyce Cavalccante, presidente da REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras.

Quinta-feira, 27 de maio de 2010
a partir das 19h

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos
Av. Paulista, 37 - São Paulo/SP
Próximo ao metrô Brigadeiro.
Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74
Informações: (11) 5904-4499
è Próxima QUINTA POÉTICA: 24 de junho de 2010, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS.
Saiba mais sobre o evento e os convidados:

Quinta poética

Mensalmente, a Casa das Rosas abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas consagrados e novos talentos, que têm a oportunidade de apresentar seu trabalho. Intervenções artísticas das mais diferentes expressões, como dança, música, artes plásticas, cultura popular, envolvem a leitura dos poemas. Grandes nomes da poesia, como Álvaro Alves de Faria, Beth Brait Alvim, Carlos Felipe Moisés, Celso de Alencar, Contador Borges, Eunice Arruda, Floriano Martins, Hamilton Faria, Helena Armond, José Geraldo Neres, Raimundo Gadelha, Raquel Naveira, Renata Pallottini, Renato Gonda, entre outros, já estiveram presentes nesses encontros, que são promovidos pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas.

Os poetas:

Celso de Alencar (curador) é poeta e declamador paraense, radicado em São Paulo desde 1972. O poeta e crítico Cláudio Willer, afirma que se trata do mais enfático poeta contemporâneo. O compositor e poeta Jorge Mautner o considera um poeta da 4ª dimensão, escandalizador e libertador de almas. É reconhecido entre os grandes talentos da geração de 1970, se apresentou na Inglaterra, França e Portugal. Tem vários livros publicados, entre eles: Tentações (1979), Os Reis de Abaeté (1985), O Pastor (1994, infanto-juvenil), O Primeiro Inferno e Outros Poemas (1994 e 2001), A Outra Metade do Coração (CD- antologia poética) e Testamentos (2003). Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior, além de publicações em revistas e periódicos. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos de poesia. Ex-diretor da União Brasileira dos Escritores - UBE (gestão 1990/92 e 1992/94).

Eunice Arruda é poeta, com treze livros publicados, entre eles: É tempo de noite, Mudança de lua, Há estações. Presença constante em antologias no Brasil e no exterior. Paralelo à criação de poemas, coordena oficinas regulares de poesia. Fez parte da diretoria da União Brasileira de Escritores (UBE). Recebeu inúmeros prêmios, entre os quais: Pablo Neruda (Argentina), Mérito Cultural (Rio de Janeiro) e Mulheres do Mercado (São Paulo).

Graça Fontelles é natural de Fortaleza-Ceará. Casada, mãe três filhos: Cristiane (Odontóloga), Manassés (Humanista) e Daniel (Psicólogo). Avó de Tamara Hadassah, Gabriel, Benjamin, Ana Liz e Pedro Arthur. Poetisa, odontóloga, formada pela Universidade Federal do Ceará (1977), Mestre em Farmacologia pela mesma Universidade (2003). Especialista em Clínica Odontológica pela Eastman Dental Center, University of Rochester, NY. Especialista em Periodontia pelo CRO desde 1987. Pesquisadora da Universidade de Charlottesville (1991-1992). Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2006), e Doutora em Letras pela mesma Universidade (2009). Membro da União Brasileira de Escritores (UBE).

Helena Borges nasceu em São Paulo. Foi acadêmica de Letras e trabalha com turismo desde 1995. Começou a escrever aos 15 anos, já publicando de forma independente em 1988. Retornou à escrita na Bienal de São Paulo, em 2008, com a antologia ‘Delicatta III’ (Ed. Scortecci). Participou da XVIII Antologia Del Secchi e da coletânea ‘Reflexões para bem viver’ e da Antologia ‘Universo Paulistano’ (Andross Editora), livro em homenagem aos 455 anos de São Paulo. Também participou das coletâneas ‘As cartas que nunca mandei’ e ‘Latinidade poética’, projeto 48 horas do escritor Marcelo Puglia. Ainda nesse semestre, lançará seu livro ‘Um passo a mais’, reflexões em poemas e já está escrevendo o livro ‘Amor não correspondido’.

Karin Massaro
nasceu em São Paulo. Escreve poesias desde os 7 anos e aos 16 anos já publicava seu primeiro livro, ‘Plano e convexo’ (Editora ECE). A obra, prefaciada por Paulo Zingg, presidente da Associação Paulista de Imprensa, recebeu elogios do Ministro da Justiça, Dr. Euclides Pereira de Mendonça, da Ministra da Educação Dra. Esther de Figueiredo Ferraz, da Câmara Municipal de São Paulo e do Secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul Dr. João Salvador de Souza Jardim. Publico também ‘Amor e hepatite viral’ (Editora Legnar, 2001), com poesias premiadas e publicadas no Vol. IV de antologia Painel Brasileiro de Novos Talentos, da Câmara Brasileira de Jovens Talentos do RJ, em 2000. Em 2007, publica seu 3º livro, ‘Sangue quente’, cujo prefácio está sob a chancela do diretor, escritor e ator Paulo Betti.Tem participações em diversas antologias, inclusive nas publicadas pela SOBRAMES - SP (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores-SP). É membro da REBRA e do Movimento Poético Nacional. Médica responsável pela Hematologia do Hospital Santa Catarina , membro da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, membro da American Association of Blood Banks, membro e ex-presidente da SOBRAMES - SP (Sociedade Brasileira dos Médicos Escritores), da qual foi a primeira mulher a assumir o cargo.

Sandra Miyazawa - artista circense e performer, apresenta número aéreo em lira, mesclando poesia e dança, trazendo leveza e plasticidade à cena. Especialista em aparelhos aéreos, foi premiada pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo [ProAC] pela criação de número solo de lira, inspirado nos poemas de Hilda Hilst. A artista vem intensificando sua pesquisa e atuação solo, e participação em espetáculos musicais, buscando sempre integrar dança, poesia e música às artes circenses. Dos diversos espetáculos que participou, destacam-se ‘Une-Dune P, de Poesia’, dirigido por Tim Rescala, Universo Umbigo, com direção de André Abujamra (Karnak) e Marcelo Castro (Circo Fractais) e Urbes, de Hugo Possolo, além de shows musicais de Kléber Albuquerque, Quarteto Pererê e Fred Martins.
http://www.myspace.com/sandramiyazawa
http://www.youtube.com/watch?gl=US&v=wmAPHBMYO0g

Tiganá é um dos raros brasileiros a compor em línguas africanas. Traz sonoridade inspirada na polifonia e com fonte na anterioridade. Cantor e jovem poeta, gravou recentemente o CD autoral Maçalê, com direção musical de Luiz Brasil e participações de renomados artistas da MPB. Pesquisador incansável das suas raízes afro-brasileiras – e um dos compositores favoritos da cantora Virgínia Rodrigues, Tiganá revela, através da criação e do seu cantar tão específico, um olhar moderno e ancestral sobre o mundo.
http://www.myspace.com/avozdetigana
http://tigana.com.br/

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