segunda-feira, 17 de maio de 2010

Liah Convida











CNT/Sensus indica empate técnico entre Serra e Dilma; petista aparece na frente

Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira mostra empate técnico entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), com uma leve vantagem da petista sobre o tucano.
A petista recebeu 35,7% das intenções de voto, enquanto o tucano ficou com 33,2%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Marina Silva (PV) aparece em terceiro lugar, com 7,3% dos votos, enquanto pré-candidatos como José Maria Eymael (PSDC) e Américo de Souza (PSL) ficaram, respectivamente, com 1,1% e 1%. Outros pré-candidatos mencionados na pesquisa não registraram 1% dos votos.

CNT/Sensus indica empate técnico entre Serra e Dilma; Marina aparece em 3º lugar
Em uma segunda lista, apenas com os três presidenciáveis mais bem classificados nas pesquisas, Serra recebeu 37,8% das intenções de votos, enquanto Dilma obteve 37%.
Marina Silva recebeu 8% dos votos válidos. Os indecisos, brancos e nulos somam 17,3% nessa segunda lista. Em janeiro, edição anterior da CNT/Sensus, Serra tinha 40,7% dos votos, Dilma 28,5% e Marina 9,5%.
Espontânea
Pela primeira vez, Dilma aparece na frente de Serra na pesquisa espontânea --na qual não é apresentada a lista de candidatos aos eleitores.
A petista recebeu 19,8% das intenções de votos na espontânea, contra 14,4% do tucano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, aparece em terceiro lugar na espontânea, com 9,7%. Marina Silva fica em quarto lugar, com 2,7% dos votos, enquanto o deputado Ciro Gomes (PSB) aparece em quinto lugar com 0,3% das intenções de voto --embora já tenha descartado a sua candidatura à Presidência.
Segundo turno
Num eventual segundo turno entre Serra e Dilma, a petista venceria com 41,8%, contra 40,5% para o tucano. Os brancos, nulos e indecisos somariam 17,8%.
Já num segundo turno entre Dilma e Marina, a petista teria 51,7%, contra 21,3% para a senadora do PV. Os brancos, nulos e indecisos somariam 27,2%.
Se a disputa ficasse entre Serra e Marina, o tucano teria 50,3%, contra 24,3% para a parlamentar. Os brancos, nulos e indecisos somariam 25,5%.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 10 e 14 de maio, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 11.548/2010.

Apesar de acordo, potências
mantêm campanha por sanções ao Irã

Mesmo após o acordo firmado entre Irã, Brasil e Turquia, o Reino Unido, a França e a União Europeia anunciaram que as suspeitas em relação aos objetivos do programa nuclear do país permanecem, e que a pressão para sanções contra o país devem ser mantidas.


Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), tanto a França quanto o Reino Unido demonstraram ceticismo com relação aos termos do acordo, e indicaram que continuam a defender a aplicação das sanções.
O posicionamento ocidental contraria o argumento do chanceler brasileiro Celso Amorim, para quem o acordo firmado já deveria ser o bastante para encerrar as conversas sobre sanções.
"Em nossa opinião, deve ser suficiente. Por que deve ser suficiente? Porque nós ouvimos todos, nós conversamos muito com os franceses, conversamos, aliás, o presidente acaba de falar até com o presidente Sarkozy", disse Amorim.
A Rússia e a China, que também detêm assentos fixos no Conselho, tradicionalmente vêm hesitando em aprovar uma nova rodada de sanções ao Irã, e devem manter uma posição mais favorável à Teerã.

Em comunicado, o presidente russo Dmitri Medvedev -- que recebeu Lula em Moscou antes da viagem do presidente brasileiro à Teerã -- disse que o acordo, apesar de bem-vindo, pode fracassar em satisfazer a comunidade internacional.
Medvedev indicou que o fato de o Irã permanecer enriquecendo urânio pode causar preocupação no Ocidente.
Já a Casa Branca, apesar de ainda não ter emitido reação oficial, deve se manifestar contrária aos termos do acordo. Em análise, o jornal americano "The New York Times" avalia que os EUA devem rejeitar o acordo, mantendo sua posição firme com relação à nova rodada de sanções à Teerã.
De acordo com o "Times" a administração Obama não deve manifestar aceitação ao acordo como um meio de evitar as sanções ao país já que o governo de Mahmoud Ahmadinejad deixou claro que não interromperá o enriquecimento de urânio a 20%.
O jornal cita um diplomata ocidental, em anonimato, dizendo que a quantidade de urânio que o Irã se dispôs a enviar ao exterior representa pouco mais da metade de seu estoque total do material.
O "Times" diz ainda que o acordo pode atrapalhar os planos dos EUA de garantir apoio internacional às sanções que busca implementar contra o programa nuclear iraniano. A China e a Rússia, que vêm relutando em aplicar as novas sanções, poderiam se basear no acordo para declarar as conversas sobre punições encerradas.
Para o jornal americano, o presidente dos EUA, Barack Obama, tem agora em suas mãos uma decisão importante. Se ele ignorar o acordo, pode emitir sinais de que está rejeitando termos muito parecidos aos que se dispôs a aceitar há oito meses, quando o Irã rejeitou a proposta na última hora.
Por outro lado, se aceitar, muitos dos assuntos urgentes que deveriam ser discutidos com o Irã nos próximos meses --a maioria relacionados às suspeitas de produção da bomba atômica-- terão que ser colocados de lado por pelo menos um ano ou mais.
Para os oficiais americanos, diz o "Times", este seria um dos objetivos do Irã com o acordo.
França
Mais cedo, o chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que os países fazem "progressos bastante importantes" na campanha por uma quarta rodada de sanções contra o Irã no Conselho.
"Progressos na resolução nas Nações Unidas bastante importantes foram alcançados nos últimos dois dias", disse Kouchner, sem revelar detalhes.
Apesar de elogiar a mediação turco-brasileira com o Irã, Kourchner indicou que somente a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) pode se posicionar sobre os termos do acordo.

"Não somos nós que devemos responder. É a AIEA", declarou Kouchner à agência de notícias France Presse.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta segunda-feira com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, sobre os termos do acordo que prevê a troca do urânio pouco enriquecido do Irã por combustível nuclear. A troca seria feita na Turquia, após enriquecimento do urânio a 20% na França ou na Rússia.
O conteúdo da conversa não foi divulgado. A França, contudo, é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e defende, assim como os Estados Unidos e Reino Unido, a aprovação de uma quarta rodada de sanções contra o programa nuclear do Irã.
Reino Unido
Seguindo o posicionamento francês, a chancelaria britânica reagiu ao acordo dizendo que os termos assinados não eliminam as "sérias preocupações" com o programa nuclear iraniano.
"O Irã tem a obrigação de garantir à comunidade internacional suas intenções pacíficas", disse o alto funcionário da chancelaria britânica, Alistair Burt, acrescentando que, até que o faça, a

República Islâmica estará sujeita às punições.
"É por isso que nós estamos trabalhando com nossos parceiros por uma resolução de sanções no Conselho de Segurança da ONU. Até que o Irã tome atitudes concretas para provar que seu programa é pacífico, este trabalho continua", disse.
"As ações do Irã continuam sendo um sério motivo de preocupação", disse Burt, que citou a resistência de Teerã em cooperar plenamente com a AIEA e a decisão de enriquecer urânio a 20% --medida que o Irã já anunciou que vai manter, mesmo após o acordo. "Não existe nenhum aparente uso civil para este material e enfatiza o desprezo do Irã para os esforços de iniciar negociações sérias", completou.
União Europeia
O bloco europeu com sede em Bruxelas elogiou os esforços turco-brasileiros, mas informou que as suspeitas sobre a finalidade do programa nuclear iraniano não foram eliminadas.
Em comunicado, a chefe de diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que a troca de urânio pouco enriquecido por combustível "não resolve o problema fundamental" da falta de confiança no caráter pacífico do programa nuclear do Irã.
"Parece que o Irã está disposto a aceitar uma variável da proposta que a AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] realizou em outubro; se for assim, o cumprimentamos, mas não resolve o problema fundamental, que são as sérias suspeitas da comunidade internacional sobre as intenções pacíficas do programa nuclear iraniano", declarou.
Ashton lembrou que a oferta de troca realizada pela AIEA foi um "gesto de boa vontade" em direção às autoridades de Teerã, que estas tinham rejeitado até agora.

Machucado, Luís Fabiano volta ao


Luís Fabiano não se recuperou completamente da lesão muscular na coxa esquerda e será baixa definitiva do Sevilla na final da Copa do Rei, na próxima quarta-feira, diante do Atlético de Madri. O centroavante está a caminho do Brasil para ser examinado pelos médicos da seleção, preocupados com a situação do artilheiro do time de Dunga.
Depois de se recuperar de uma torção no tornozelo causada na partida contra o Atlético de Madri pelo Campeonato Espanhol, Luís Fabiano ficou de fora do jogo contra o Almeria, no último sábado, ao sentir a coxa esquerda durante o aquecimento para a partida.
“Os testes realizados entre ontem [domingo] e o meio dia de hoje [segunda] confirmaram que a lesão na perna esquerda não evoluiu favoravelmente, apesar do esforço do jogador e do corpo médico do Sevilla”, informou nesta segunda o time de Luís Fabiano.
O Sevilla enviou as informações sobre a lesão do atacante para os médicos da seleção brasileira, que pediram para examinar o jogador o mais rápido possível. “Dado que é baixa para a final, o Sevilla FC colocou o jogador à disposição da Confederação Brasileira, como exige a normativa, e o jogador viaja nesta mesma noite ao seu país”, diz a nota do clube espanhol.

Luís Fabiano vem sofrendo com lesões desde o fim do ano passado, especialmente no tornozelo esquerdo. As dores o acompanharam por toda a temporada e prejudicaram seu desempenho. O lateral Adriano, outro brasileiro do elenco do Sevilla, evoluiu melhor de sua lesão e não está descartado da partida diante do Atlético de Madri. Porém, sua participação no Camp Nou, estádio do Barcelona, dependerá da evolução nas próximas horas.

algumas vezes a chuva
esplende azul e cristal
aterra o sono que sinto
na paisagem coral
fartura para as pupilas
nos quatro cantos de mim
e a negação do meu corpo
estendo pelo jardim
nas plantações: alho e menta
mais que o futuro amarelo
o fulvo assento na relva
o verde espreito de belo
pela presença de ser
meu corpo de negação
vou passeando as idades
nas aves da solidão
abriu-me a fome o segredo
de transpirar a espera:
não quero idéia de fruto
nem sonho de primavera.

Geraldo Reis, poeta de Ouro Preto.


Animal em Flor

Um dos deveres dos amantes da literatura – particularmente dos que estão interessados em escrever - é ler autores contemporâneos. Se o clássico é vital, o contemporâneo não deixa de ser essencial: assim como não se escreve com profundidade ignorando a tradição, tampouco se escreve com interesse para o leitor de hoje sem que o mesmo reconheça, ali, o seu mundo particular, o seu oráculo, a sua revanche de vida. A quem possa interessar, “Roseiral – O Mundo Encarnado pela Seiva das Rosas Escarlates” (Escrituras Editora, 2010) é uma excelente pedida de leitura, uma aurora particular e abrasadora.
Poesia densa, visceral, viril, erudita e de íntima vivência rural. Seguramente, um dos poetas-chave da moderna poesia nordestina, a voz singular de José Inácio Vieira de Melo oferece neste seu quinto livro um panorama bastante completo de sua essência telúrica, num diálogo entre o moderno e a tradição. À procura do tempo perdido, sua oralidade lírica experimenta, explora vertigens. São versos aflitos e agressivos (e, principalmente, o subtexto deles) que cavam fundo os conflitos humanos, sangrando as entranhas, entre o amor e a dor, vencendo a difícil batalha-confissão da tirania patriarcal.
O poeta-lâmina, guerreiro de luz, animal em flor, corre riscos, renova-se, enfrenta os seus demônios e labirintos, abre o coração, coeso e despudorado, violento e erótico, resultando na sua criação mais autoral e imprimindo o tônus poético de filho de um sertão único, de dentro – um “sertão do mundo”, como traduzia o mestre Guimarães Rosa. Como bônus, assombradas ilustrações de Daniel Biléu e comentários vitais de Myriam Fraga e Eliana Mara Chiossi que revelam sensivelmente o cântico distinto do autor.
Antonio Nahud Júnior é escritor, poeta e jornalista. Publicou os livros O aprendiz do amor (1993), Retratos em preto e branco – contos góticos de Madri (1996), Ficar aqui sem ser ouvido por ninguém / Caprichos (1998), Se um viajante numa Espanha de Lorca (2005), Suave é o coração enamorado (2006) e Livros de Imagens (2008) Edita o blog Cinzas e Diamantes (http://www.cinzasdiamantes.blogspot.com/), onde foi publicada esta resenha.


Antôno Nahud Júnior


UM PEIXE SEM LAGO

Um homem sozinho
é um lago sem peixes
Uma tristeza quase alegre
procurando um campo de papoulas
para alimentar suas dores
Muito pequeno para o que sente
mastiga os insetos mais venenosos
como se acendesse uma vela aos pés de deus
Uma cabeça lançada ao desvario
que extrai de si mesma longos membros
para sobreviver no breu das margens
É o mais feliz dos animais
vive onde o álcool purifica as feridas
onde o amor é uma febre
que se cura com drogas e delírios
Um homem sozinho
não precisa falsificar suas dores
elas já nascem com ele
como capim onde há terra
como merda onde há gente
Ele sabe que é tarde
quando cachorros lambem seus pés
quando os cabelos tornam-se espessos
besuntados pelo óleo do absurdo
Sabe quando deve morrer
retirar-se de onde nunca esteve
e nunca desejou pensar
e mesmo assim
manteve os olhos florescidos de sinceridade
Seu coração deseja o deserto
sua felicidade não é a felicidade de todos
é a simples felicidade impossível
de um único um
Um homem sozinho
é um peixe sem lagos

Marcos Losnak
O Palco de Um homem Só
Na Virada, temos de encarar o bafo dos nossos bêbados chatos, nossa falta de educação, de modéstia, nosso egoísmo, a falta de cavalheirismo, o oportunismo.
A Virada escancara nossa feiura paulistana, a carência crônica, a fragilidade existencial. O ser humano cronicamente inviável mostra sua cara na Virada, mijando no poste, quebrando garrafas de vodca e espalhando cacos de vidro, jogando caixas de CDs velhos na calçada, empurrando grosseiramente os fãs que tentaram guardar lugar na primeira fila para ganhar no grito o lugar.
Na Virada, somos obrigados a concordar que o casal de idosos dançando juntinho é bacana, é emocionante, mesmo que a música seja Entre Tapas e Beijos, que a gente não gosta.
Na Virada, a gente se emociona com artistas que não têm mais plateia ganhando uma de “presente”, ao menos durante uma hora.
Na Virada, eu vi um mendigo furtando o algodão doce de um velho vendedor que não teve energia para persegui-lo.
Na Virada, os exibicionistas afetivos fazem carícias íntimas e se beijam com um olho aberto, olhando para ver se alguém está vendo, pois não é possível ser lascivo sem testemunhas. A Virada revela nosso pior lado burguês, quando a gente dá graças a Deus por ter dinheiro suficiente para descansar no restaurante, enquanto o povaréu se espreme na Avenida São João; quando a gente dá graças a Deus pelo crachá que dá acesso à área reservada, sem precisar ser espremido nas grades.
Este ano eu vi um lado interessante na Virada.Não, não mudei de ideia em relação à relevância artística, continuo achando que a Virada não é o melhor lugar para quem procura pelo novo, pela invenção. Claro, foi bacana rever o Arrigo no Largo do Arouche, os escudeiros de Frank Zappa na Avenida São João. Mas tem muita farofa e pouco peru nesse banquete.
Mas, nesse espelho fosco que é a Virada, consegui finalmente ver pelo menos um lado interessante: é nela que somos obrigados a uma forçosa convivência com o “vizinho” de São Paulo que evitamos cumprimentar o ano todo no elevador ou na saída da garagem. O vizinho motorista pelo qual desenvolvemos ódio mortal no trânsito por conta de uma fechada, ele está ali do lado na Virada, com o filho vestindo a camiseta do Corinthians.
Toda São Paulo está maciçamente representada nessa monstra, do bêbado ao crackeiro, do batedor de carteiras ao policial relapso, da adolescente sonhadora ao travesti bonito. É a noite em que não adianta usar álcool gel para não se contaminar. A cidade renegada está te pedindo uma ponta de cigarro.
Jotabê Medeiros

POLÍTICA CULTURAL
A FUNARTE lançou um edital poderoso para várias áreas artísticas. Entre os gêneros incluídos, você encontrará Bolsa de Criação Literária – Edital para apoio a 60 trabalhos de produção de textos literários, nos gêneros lírico ou narrativo, com bolsas de R$ 30 mil. Inscrições até 27 de maio; Bolsa de Circulação Literária – Edital para apoio a 50 projetos de atividades de promoção e difusão da literatura, em municípios do Programa Territórios da Cidadania, com bolsas de R$ 40 mil. Inscrições até 27 de maio; Bolsa de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet – 60 pesquisadores receberão R$ 30 mil para desenvolver textos críticos sobre arte em mídia digital, ou produzir conteúdo digital para a web. No total, são 56 milhões investidos. Confira o edotal no site http://www.funarte.gov.br/
FLIPORTO 2010 SERÁ EM OLINDA
Novidades a vista. A VI Fliporto agora chama-se Festa Literária Internacional de Pernambuco. Não será mais em Porto de Galinhas, mas em Olinda. O evento deverá ocorrer de 12 à 15 de novembro. Entre as presenças confirmadas, estão os autores Arnaldo Niskier, Moacyr Scliar, Alberto Manguel, entre outros. Confirma mais informações no site: http://www.fliporto.net/
CENSURA EM JOÃO PESSOA
Buscando amparo religioso nos seus frágeis argumentos, a vereadora Elisa Virgínia (PPS) quer submeter obras públicas à aprovação da Câmara de Vereadores de João Pessoa. Desinformada e preconceituosa, a vereadora classifica como demoníacas até mesmo obras abstratas. Fica aqui o nosso repúdio por tamanha falta de respeito aos artistas e ao povo da capital da Paraíba. Uma das obras que vem sendo atacada pela vereadora é monumento à Pedra do Reino, uma homenagem do artista plástico Miguel dos Santos a Ariano Suassuna. Tenho amigos e amigas evangélicas que em nada comungam com o pensamento medieval da vereadora. Não se pode confundir religiosidade com hipocrisia. A arte submissa a preceitos morais, não é arte.
DAS INFLUÊNCIAS
Aqui e ali, em alguma entrevista, o escritor sempre é indagado quanto às suas influências. Certamente que este não é o motivo para a maior das angústias. Geralmente, a resposta se refere aos referenciais estéticos do escritor. Ou seja: respostas nada a ver com a pergunta. Na verdade, fica difícil explicar as influências. Na verdade, acho que somos influenciados por tudo e não apenas pelas nossas boas (ou péssimas) leituras. Segundo Umberto Eco, somos influenciados até pelo que se perde no buraco negro da memória.
A ANGÚSTIA DAS INFLUÊNCIAS
Não é raro a política literária prevalecendo no debate estético. Creio que o salto de qualidade neste início de século se deu exatamente pela ruptura com os modismos ditados, geralmente, por facções bastante sectárias, donas de uma literatura não raras vezes de qualidade bastante discutível. Os endeusamentos grupais revelam apenas a necessidade de afirmação de determinados setores ou personalidades, mas em nada revelam a importância de escritores que, na verdade, não serão julgados pela eterna ânsia de perenidade. Portanto, melhor relaxar e, se possível, gozar muito. A vida é agora. Somente a literatura é para sempre. E, pense bem, você pode sofrer influências da revista Caras, folhada na sala de espera do dentista.
DO ESTILO
Nunca me preocupei em ter um estilo, em seguir este ou aquele caminho na literatura. Mergulhei no abismo sem ânsias de encontrar coisa alguma. Posso dizer, definitivamente, que foi exatamente assim que aconteceu. Realmente, não encontrei absolutamente nada e isso é o que me comove. Ainda hoje estranho quando valorizam minha poesia mais do que eu realmente acredito. Mas, creio que a relação com o estilo possa ser exatamente esse desacordo. Desde os primórdios, a conclusão é que não há conclusão. Ou seja: ainda bem que tudo ainda está por ser descoberto no campo do pensamento literário, apesar das descobertas geniais de todos os pensadores em toda a história do mundo. Apesar, também, dos gigantescos equívocos. Também por causa deles.
Lau Siqueira

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