segunda-feira, 17 de maio de 2010











Ind/gesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
quero um computador
nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/



A Face do Fogo
Beatriz Bajo escreveu um livro de fotografias. A danada fricciona uma pedra na outra até que uma labareda dê sua graça. Não é metáfora, é realismo químico. Palavras se roçam, imagens explodem, ao leitor é só preciso fruir por suas linhas dançantes. As propriedades do fogo são colocadas em lâminas, página a página. Ora o texto rebola seu contorno azul, frio. Ora o texto é o centro da chama, fixo e irradiador.
Há muitas despedidas, algumas como resultado de um rompimento, outras como um distanciamento calculado do objeto. Ação e reação, sempre numa agonia, numa vigilância para que o vento não escureça o quarto, apagando a vela.
A face do fogo é um livro para muitos, e é certo que ele se espalhará, começando por você.
Andréa Del Fuego (orelha)
A PAIXÃO SEGUNDO BEATRIZ BAJO
Uma das características mais visíveis da poética de Beatriz Bajo é que ela transcende a busca de uma voz feminina e até abdica disso em nome de algo maior e mais honesto. Em nome do partido da palavra como exploração de um vasto espectro de sensações, que respiram dentro da dimensão do corpo, e não apenas do corpo feminino, mas do corpo como um símbolo como podemos notar nesse fragmento do poema Uma árvore pousa em meus olhos: “Uma árvore pousa em meus olhos, no tempo em que uma princesa dobra a esquina e é sempre essa atrevida folha que cai entre a brisa e o breu quando o vento descortina a pele.” ou nesse outro fragmento de outro poema: “cada beijo é como comer borboletas/para que as matizes de dentro se libertem, se debatam/ no assanhar das asas/entre predicados que traquinam no diafragma...”
Aqui estamos no terreno onde o vapor da linguagem é decantado em um lirismo imagético que não se opõe ao mapeamento de sensações que estão no limite do “dizer”. É como se o “método” levado ao sutil paroxismo de Pessoa/ Álvaro de Campos com a interioridade do corpo brutalmente revirada para a exterioridade do mundo, para um “fora sem limites”, se encontrasse com a explosão do diamante da potencialidade do sentir clariceano.
O poema de B.B. está em confronto com os limites do “dizer”, limites mediados por uma delicadíssima tensão entre a imagem e a palavra, um lugar-limite da expressão onde o ato de beijar se funde com a imagem do voo de borboletas, neste campo onde a exterioridade do corpo, em uma inversão do “método” de Pessoa/Álvaro de Campos, é limitada pela interioridade do mundo, em uma apropriação da perigosa ourivesaria clariceana, como uma chave que equilibra tensões incanceláveis entre o ser e o não-ser, ou seja, a natureza.
E isso é em essência o maior raio de força da poética de B.B. O tensionamento através de uma imagética sempre surpreendente, entre aquilo que Bataille chamava de “erotismo” e a lapidação até a quase dissolução de um eu lírico, que para além das vozes do corpo e do não-ser da natureza no mundo, não teme desaparecer dentro do ato de dizer algo maior do que sua própria paixão, que no sentido metafísico do termo é algo que não teme desaparecer naquilo que ama.
Marcelo Ariel (prefácio)
Conto de Clarice Lispector, "O Ovo
e a Galinha" ganha versão teatral
Direção: Vanessa Bruno. Duração: 50 minutos. Classificação etária: 14 anos.
Leia mais no roteiro
As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações
Tido pelos críticos como um tratado poético sobre o olhar, o conto "O Ovo e a Galinha", de Clarice Lispector, ganha uma versão teatral dirigida por Vanessa Bruno, que estreia na terça-feira (18), no Sesc Consolação (centro de São Paulo).
A peça homônima manteve o texto integral e, segundo Vanessa, "não é uma adaptação". "Nós criamos uma protagonista que não consegue dormir", explica a diretora do espetáculo.
"Toda a verborragia do texto passa pela cabeça dessa personagem (interpretada por Angélica di Paula), que divide seus questionamentos com o público." A peça fica em cartaz até 8 de junho.
Informe-se sobre o evento
Uma caneta pelo amor de deus


Poema de Artur Gomes musicado e cantado por Luizz Ribeiro
Com participações de Sérgio Máximo(violão), Henrique(guitarra) e
Clara Brito (vocais)

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