segunda-feira, 31 de maio de 2010

Festival Niteroiense de Esquetes 2010






Conforme prometido os prêmios do Festival Niterói de Esquetes 2010 foram aumentados
1º Lugar R$ 2.000,00
2º Lugar R$ 1.000,00
3º Lugar R$ 500,00
Troféus para as seguintes categorias: ator, atriz, diretor, texto original, caracterização, júri popular e especial do júri.
Inscrições até 28 de junho. Não deixe de se inscrever e concorrer aos prêmios, participar dos debates sobre as cenas apresentadas, além de receber uma análise minuciosa sobre seu trabalho no Festival Niterói de Esquetes 2010.
inscrições em: http://festivalniteroideesquetes.blogspot.com/
Aguardem novidades
Dúvidas
festivalniteroideesquetes@gmail.com


Estive mais uma vez este final de semana, compondo a Comissãso Julgadora do Festivcal da Canção de Cardoso Moreira, realizado pela vigésima segunda vez. A canção Semeia, do gaúcho radicado em Campos Cris Dalana, foi a grande vencedora. Cris Dalana, sagrou-se ainda mais uma vez, o melhor intérprete, mostrando que não só é um grande músico e compositor como também um senhor intérprete das suas canções, bem como de tantos outros autores de MPB como tem feito pelos bares da cidade.

cris dalana - semeia





trabalhos do corpo

este corpo se conquista com a arte e o engenho dos bárbaros
seu movimento risca o espaço
preenchendo-o com delicadas linhas de força
dilata o olhar na jornada incerta
este corpo dança
destrói leis da física
perfura o ar-livre
às vezes carne desgovernada
às vezes traço matemático
este corpo não mais se sente
fratura-se, rompe-se, perde-se
é deixado para trás
terra-de-ninguém
caído no rastro de outro corpo
palco incompartilhável
este corpo sua
multiplica-se atroz
depois de desposar, desafiar, seduzir
renasce – múltiplo & contraditório –
supernovo explodindo em luzes
sempre longe do universo
ao rés-do-chão
bem mais próximo
mais tóxico
agora não há mais espaço
nem ar-livre
nem dança
só corpo
e tudo nele navega – elétrico
tudo nele anela – novelo
espelho de fora
diferente de si e diferente
múltiplo & contraditório
fora de tudo
como um breve sonho da matéria
involuntariamente móvel
posto pertencer sempre ao azul-metálico
& atravessar desertos a seco

sandro ornellas
in Trabalhos do Corpo & Outros Poemas Físicos
Letra Capital – 2007
contato: ssornellas@gmail.com
http://simuladordevoo.blogspot.com/

trilhos urbanos



O SESC Rio seleciona para a Unidade Quitandinha (Petrópolis):

CONTRARREGRA

Indicação sumária das principais atividades

Participar da construção montagem e desmontagem dos cenários
Orientar e/ou executar a movimentação de cortinas de cena, varas, objetos cênicos, etc.
Auxiliar na inspeção, arrumação e manutenção do urdimento do teatro
Zelar pelo bom estado dos equipamentos e cenários garantindo a integridade do patrimônio do teatro

Requisitos:

Ensino Fundamental Completo
Experiência profissional na função

Noções básicas sobre equipamentos técnicos e operacionais de teatro


Imprescindível residir em Petrópolis ou região
Contratação em regime de CLT.


Os interessados deverão entregar o currículo até o dia 06/06/2010 no SESC Quitandinha, localizado na Rua Joaquim Rolla, 2, Quitandinha - Petrópolis ou através do e-mail: trabalheconosco@sescrio.org.br


O SESC Rio seleciona para a Unidade Teresópolis

EDUCADOR SOCIAL

Indicação sumária das principais atividades

Planejar, elaborar e executar projetos ligados aos conteúdos/temas trabalhados pela área socioeducativa (meio ambiente, voluntariado, intergeracionalidade, juventude, empresas, leitura e literatura) visando ampliar os espaços de vivência da cidadania;
Articular propostas com temas contemporâneos, trabalhando valores como a ética, a solidariedade, a estética, a cultura.
Identificar temáticas e propor atividades que renovem e atualizem os projetos dos Programas Socioeducativos;

Requisitos

Nível Superior Completo
Informática (Windows, Word, Internet)
Experiência profissional em elaboração e condução de projetos sociais tais como: meio ambiente, voluntariado, intergeracionalidade, juventude, empresas, leitura e literatura.

Imprescindível residir em Teresópolis ou região

Os interessados deverão se cadastrar no site http://www.sescrio.org.br/, link Trabalhe Conosco.
Período de Inscrição: 28/05/2010 a 06/06/2010


O SESC Rio seleciona para a Unidade Nova Friburgo

PRODUTOR CULTURAL

Indicação sumária das principais atividades

Planejar, desenvolver e coordenar a programação cultural nas áreas de música e artes cênicas;
Elaborar e acompanhar projetos estratégicos da área da cultura e projetos integrados com outros setores;
Dar suporte e acompanhar os eventos culturais (shows, espetáculos de teatro e dança, oficinas, entre outros).
Buscar parcerias para a realização de eventos afins;

Requisitos:

Ensino superior completo
Desejável formação em produção cultural
Experiência profissional em trabalhos na área artístico-cultural
Noções básicas sobre equipamentos técnicos e operacionais relacionados às atividades de cultura (artes cênicas e música).
Domínio de Informática (pacote Office)

Imprescindível residir em Nova Friburgo ou região

Os interessados deverão se cadastrar no site http://www.sescrio.org.br/, link Trabalhe Conosco.
Período de Inscrição: 28/05 a 06/06/2010.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

lavra/poema




todos os poetas
já cantaram suas musas:

mayara bethânia clarice
alice bárbara isadora

qual o nome
que ainda
não disse
na lavra
do poema
agora

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Do site do TRE-RJ: Garotinho inelegível e Rosinha cassada

TRE-RJ torna casal Garotinho inelegível e cassa mandato de Rosinha

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro cassou o mandato da prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosângela Rosinha Garotinho por abuso do poder econômico. Ela foi beneficiada pelas práticas panfletárias da rádio e do jornal O Diário, durante a campanha nas eleições 2008.

Como Rosinha Garotinho obteve mais de 50% dos votos, o Tribunal convocou novas eleições para o município. O uso indevido dos meios de comunicação social também levou a Corte a tornar inelegíveis por três anos a prefeita cassada e o pré-candidato ao governo do Rio, Anthony Garotinho, além de três comunicadores da rádio O Diário.

Os políticos ainda podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, com efeito suspensivo. O julgamento chegou a ficar empatado em três votos a três. Coube ao presidente do TRE-RJ, desembargador Nametala Jorge, o voto de desempate. “Os fatos foram inadmissíveis. O pleito eleitoral tem que ter uma lisura absoluta, trata-se de um direito da sociedade”, justificou o desembargador.

Os votos vencidos foram do relator do processo, juiz Célio Salim e dos juízes Leonardo Antonelli e Luiz de Mello Serra. Os desembargadores Sérgio Lúcio de Oliveira e Cruz e Raldênio Bonifácio acompanharam o voto divergente do revisor, juiz Luiz Márcio Pereira.

Houve ainda um impasse quanto ao início da contagem do prazo de inelegibilidade. O juiz Luiz Márcio Pereira defendeu a tese de que o prazo deveria contar a partir da decisão, no que foi acompanhado pelo desembargador Nametala Jorge. Mas os desembargadores Sérgio Lúcio de Oliveira e Cruz e Raldênio Bonifácio entenderam que deve prevalecer a Súmula 19 do TSE, com a contagem a partir das eleições em que os fatos ocorreram, ou seja, em 2008, o que. Para resolver o impasse, o juiz Luiz Márcio Pereira adotou o prazo da Súmula.

Site do TRE-RJ

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Glauber Rocha 29 anos depois






O cineasta Glauber Rocha poderá ser reconhecido como anistiado 29 anos após sua morte


Processo que concede anistia a
Glauber Rocha será julgado hoje na BA

Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Quase 29 anos após a sua morte, o cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981) deverá ser reconhecido como anistiado político pelo Ministério da Justiça nesta quarta-feira (26), em

Salvador (BA). O julgamento do processo iniciado por Paloma Rocha, filha do cineasta, em 17 de maio de 2006, será concluído pela Comissão de Anistia no teatro Vila Velha, no centro da capital baiana.
Leia mais sobre as indenizações a vítimas
da ditadura militar
• Comissão reconhece anistia para Luiz Carlos Prestes Filho
• Comissão anistia Paulo Freire e viúva receberá indenização
• Governo de MG vai pagar
R$ 1,4 mi a vítimas da ditadura
• Comissão de Anistia recebeu 64 mil pedidos de reparação
• Pode haver injustiças em indenizações no Araguaia, diz União
• Indenização a perseguidos da ditadura movimenta Araguaia
• Governo aprova indenizações para 44 camponeses perseguidos pela ditadura
De acordo com os autos, Glauber sofreu censura e perseguição “em sua produção criativa” durante a ditadura militar (1964-1985). Pela lei 10.559/2002, todas as pessoas que sofreram perseguição entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988 podem ser anistiadas. As motivações devem ser exclusivamente políticas e não há prescrição para o requerimento das reparações. Apesar da expectativa, ainda não foi definido se os familiares de Glauber terão direito à indenização.

Nascido em Vitória da Conquista (505 km de Salvador), Glauber Rocha é considerado um dos principais representantes do Cinema Novo. Trabalhou como jornalista e editor de um suplemento literário em Salvador e começou a se dedicar ao cinema no final da década de 50, quando fez “Pátio”. Nos anos 60, intensificou sua produção cinematográfica com “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Terra em Transe” e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, entre outros.

Outros anistiados célebres
Além do cineasta, o Ministério da Justiça já concedeu a anistia a outras personalidades. Em 2008, os escritores Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, receberam uma pensão vitalícia de R$ 4.375,88 e uma indenização de R$ 1.027.383,29 e R$ 1.000.253,24, respectivamente.
Em abril deste ano, o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa foi contemplado com uma pensão vitalícia de R$ 5.000 e mais R$ 569.083,33 retroativos.
Segundo o ministério, cerca de 55 mil solicitações de anistia já foram julgadas pela comissão. Do total, 14 mil casos receberam algum tipo de reparação econômica e 18,5 mil pedidos foram negados. Em outros 22,5 mil processos, o Estado pediu desculpas aos atingidos.

Há ainda 11 mil processos aguardando definição em primeira instância e mais 3.500 com solicitação de recurso.

Com as indenizações, o governo já desembolsou R$ 2,4 bilhões. Para o cálculo das indenizações são levadas em consideração duas situações: um para quem não tinha vínculo laboral na época –cujo valor pode ser de até 30 salários mínimos por ano de perseguição, até um limite total de R$ 100 mil–, e outro para quem tinha trabalho, ou seja, é levado em consideração a possível progressão na carreira –essa categoria não tem limite de indenização.


Biografia


Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia.
Foi criado na religião da mãe, que era protestante, membro da
Igreja Presbiteriana por ação de missionários americanos da Missão Brasil Central.
Alfabetizado pela mãe, estudou no Colégio do Padre Palmeira - instituição transplantada pelo padre Luís Soares Palmeira de Caetité (então o principal núcleo cultural do interior do Estado).
Em
1947 mudou-se com a família para Salvador, onde seguiu os estudos no Colégio 2 de Julho, dirigido pela Missão Presbiteriana, ainda hoje uma das principais escolas da cidade.
Ali, escrevendo e atuando numa peça, seu talento e vocação foram revelados para as
artes performativas. Participou em programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, e até do movimento estudantil, curiosamente ligado ao Integralismo[carece de fontes?].
Começou a realizar filmagens (seu filme Pátio, de 1959, ao mesmo tempo em que ingressou na Faculdade de Direito da Bahia (hoje da Universidade Federal da Bahia, entre 1959 a 1961), que logo abandonou para iniciar uma breve carreira jornalística, em que o foco era sempre sua paixão pelo cinema. Da faculdade foi o seu namoro e casamento com uma colega, Helena Ignez.
Sempre controvertido, escreveu e pensou cinema. Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Era visto pela ditadura militar que se instalou no país, em 1964, como um elemento subversivo.
No livro 1968 - O ano que não terminou, Zuenir Ventura registra como foi a primeira vez que Glauber fez uso da maconha, bem como o fato de, segundo Glauber, esta droga ter seu consumo introduzido na juventude como parte dos trabalhos da CIA (Agência Americana de Inteligência) no Brasil.
Em 1971, com a radicalização do regime, Glauber partiu para o exílio, de onde nunca retornou totalmente. Em 1977, viveu seu maior trauma: a morte da irmã, a atriz Anecy Rocha, que, aos 34 anos, caiu em um fosso de elevador. Antes, outra irmã dele morreu, aos 11 anos, de leucemia.
Glauber faleceu vítima de septicemia, ou como foi declarado no atestado de óbito, de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia que o atacava há mais de um mês, na Clínica Bambina, no
Rio de Janeiro, depois de ter sido transferido de um hospital de Lisboa, capital de Portugal, onde permaneceu 18 dias internado. Residia há meses em Sintra, cidade de veraneio portuguesa, e se preparava para fazer um filme, quando começou a passar mal.
O cineasta
Antes de estrear na realização de uma longa metragem (Barravento, 1962), Glauber Rocha realizou vários curtas-metragens, ao mesmo tempo que se dedicava ao cineclubismo e fundava uma produtora cinematográfica.
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) são três filmes paradigmáticos, nos quais uma crítica social feroz se alia a uma forma de filmar que pretendia cortar radicalmente com o estilo importado dos Estados Unidos da América. Essa pretensão era compartilhada pelos outros cineastas do Cinema Novo, corrente artística nacional liderada principalmente por Rocha e grandemente influenciada pelo movimento francês Nouvelle Vague.
Glauber Rocha foi um cineasta controvertido e incompreendido no seu tempo, além de ter sido patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Ele tinha uma visão apocalíptica de um mundo em constante decadência e toda a sua obra denotava esse seu temor. Para o poeta Ferreira Gullar, "Glauber se consumiu em seu próprio fogo".
Com Barravento ele foi premiado no Festival Internacional de Cinema da Tchecoslováquia em 1963. Um ano depois, com 'Deus e o diabo na terra do sol, ele conquistou o Grande Prêmio no Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco.
Foi com Terra em Transe que tornou-se reconhecido, conquistando o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel na Espanha e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro. Outro filme premiado de Glauber foi O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel na Espanha.
Inventar-te-ia antes que os outros te transformem num mal-entendido.
Glauber Rocha

terça-feira, 25 de maio de 2010

riverdies
































RIVERDIES é uma banda de rock alternativo, mas influenciada por todo tipo de boa música. Uma mistura de harmonias jazzísticas, ritmos em compassos diversos e melodias marcantes. Mas a intensidade sempre presente e os solos de guitarra fazem desse quinteto, essencialmente, uma banda de rock. As letras já são criadas naturalmente em inglês, refletindo a sonoridade com a qual os músicos sentem-se mais à vontade.

No início de 2000, Guilherme Farizeli - trompetista e já experiente baixista de jazz e música popular procurava por músicos para formar uma banda, a fim de trabalhar anos e anos de material produzido pelo músico. Porém, o baixista buscava pessoas que tivessem algum diferencial, o que naquela época não era algo já definido, era apenas um desejo quase inconsciente. Nessa busca, conheceu Leonardo Graterol - exímio guitarrista que havia tocado em bandas de thrash metal, estudado violão clássico e flamenco e que partilhava de muitas influências com o baixista. Empolgados com essa paixão em comum, principalmente pelas bandas de Seattle dos anos 90, os dois se juntaram a outros amigos e começaram a tocar covers dessas bandas pelos bares e pubs da cidade, ainda sem divulgar o próprio material.

Meses depois, um amigo em comum apresentou Guilherme ao guitarrista Filipe Buchaul Gomes que tocava covers de rock clássico e progressivo dos anos 70, mas também compartilhava muitas influências com os demais. Assim que Filipe (Fil Buc) mostrou suas muitas composições e habilidades, formou rapidamente com o baixista uma ótima química no trabalho de produção e arranjo do que viriam a ser as primeiras demos desses músicos juntos.
Um desses shows chamou a atenção do vocalista Alex Melch, que já tinha aquele repertório de covers na ponta da língua, e mais importante ainda, também era um compositor à procura de uma banda melhor para trabalhar suas músicas. Pronto. O projeto inicial, que era formar uma banda autoral começava a se consolidar, então eles resolveram que era hora de levar aquilo mais a sério e acabaram chamando o talentoso Alex para ajudá-los nessa empreitada. Estava formado então o quarteto que está junto até hoje.
Nos anos seguintes, a banda passou a dedicar-se de forma integral a compor material próprio e ao mesmo tempo divulgar seu trabalho fazendo muitos shows pela cidade, até que no final de 2003, entraram em estúdio para registrar o que seria o primeiro álbum da banda, apenas apelidado de "Green Album". Todas as composições do início estavam ali em sua forma mais intensa, mas todo o estresse gerado pela falta de investimento, acarretou no arquivamento do projeto. Aquele material tão incrível não estava ficando com a qualidade que a banda imaginava desde sempre, então arquivá-lo foi a decisão mais justa para os músicos naquele momento.
A decisão mais acertada parecia então, continuar investindo por conta própria. O "do it yourself" estava cada vez mais presente e fazia cada vez mais sentido para os músicos. Dessa acertada decisão, saíram os três primeiros demos do segundo disco, gravados e produzidos no home studio da banda. As versões de “These Words”, “Mileage” e “Still Remains” foram colocadas à disposição dos fãs na internet, tendo uma repercussão notável; as três ficaram entre as cinqüenta mais votadas do site durante alguns meses, tendo “Still Remains” atingido a marca de décima sétima música mais escutada. (Dados do próprio Soundclick.com, que contém centenas de milhares de artistas).
Dois grandes bateristas - Victor vön Draxeler e André Araújo; já estiveram ao lado dos quatro ao longo dos anos, mas atualmente Gustavo Lobato, velho conhecido do Leo, com o qual já tocou anteriormente, fecha a formação.

Vocal Alex Melch
Guitarra Leo Graterol
Guitarra Filipe Buchaul Gomes (Fil Buc)
Baixo Gui Farizeli
Bateria Guto Lobato

segunda-feira, 24 de maio de 2010

wek end


























Depois de uma noite de sexta super agitada, estrada fulinaíma blues poesia lá por Macaé atlântico afora , o sábado nos reservou a alegria de poder ser testemunha da festa sonora no Espaço da Bola, com os Avyadores do Brazyl, Luizz Ribeiro, Sérgio Máximo, Sérvulo Sotto e Júnior, além da participação especialíssima de Clara Brito. Além ainda da linda galera presente auxiliando sol a iluminar a mágica tarde de 22 de maio.

Domingo é para se ouvir música que faça bem aos ouvidos e ao coração, que não firam os tímpanos, dessas que não tocam mais na mediocridade dessa idade mídia. Gal Costa, Carlos Careqa, Marco André, Zeca Baleiro, Capital Inicial, Marko Andrade, Celso Blues Boy e Simone Almeida, preencheram minha manhã de pérolas antes do futebol.

Hoje recebo direto de Salvador, presentes memoráveis do meu amigo Lima Trindade, o seu magistral Todo Sol mais o Espírito Santo, um livro de contos de tirar o fôlego, e Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos do brasiliense também radicado em Salvador, Sandro Ornellas, agora é devorá-los e depois re-inventar metáforas.

canibália city 1
poema anti metafórico

maria da penha
olha o namorado
:
pega mata e come
:
e não consegue
matar a própria fome

sábado, 22 de maio de 2010

bela mais que bela qual será o nome dela?




coloco em tuas mãos
quatro rosas de vento
skol vodka ice
e um desejo abstrato
nesse poema concreto

deixo em tuas mãos
a flor e o objeto
além meus olhos sedentos
nestes teus dedos de louça

bela mais que bela
ninguém sabe o nome dela

1

bebo em teus olhos serenos
o líquido que ele olha

minha língua molha
onde a tua bebe
música
que chove lá fora

2

este piercing
em teu nariz

me dói
não ser meus dedos

poemas em tua boca
pronomes em tua fala

por entre cores e nomes
um disco de Cássia Eller
tocando na tua sala

3

dama da noite
bela
onde será teu endereço?

cão vadio que sou
vou latir em tua porta
proteger tua morada

catar estrelas cadentes
brincar de são Jorge na lua
onde mordo o dragão da maldade
e te beijo vestida de nua


brazilíricas

um tapa no branco
tragado no preto
como instante opus
ópio de pessoa
como fiapo de manga
entrelaçado nos dentes


não quero que você pense que eu não penso
quando abro o chuveiro agulha perfurando o rosto como água

um grande abraço ao Luizz e ao Filipe pela presença luxuosa ontem comigo no palco da III Feira RSE Bacia de Campos em Macaé, (Salve Martinho Santafé e sua Visão Social), um grande abraço também ao Ginaldo Sousa, Renato Teixeira, Chico de Aguiar, Gianino Sossai. Fulinaíma mais uma vez despejando poesia e blues às margens do atlântico. E hoje tem Avyadores no Espaço da Bola, ensaio aberto a partir das 15:30h vamos lá.

I Wonder, Background, Morning Dies, Build A New Life, Fate, Cliff, não sabe o que é? São as 6 faixas/porradas do EP down yard, da banda Riverdies: Fil Buc, Alex Melch, Leo Graterol, Gui Farizelli e Victor, não estão pra brincadeira, é rock na veia.

RAVEL


Todo telefone é terrível -
negro guerrilheiro, à escuta na sala
disfarçado ao lado do sofá à espera,
no gancho sempre na véspera
com o grampo da granada já nos dentes.
A única saída é ocupá-lo
para que não estoure
(não posso te agarrar aqui
nem pelos fios dos cabelos
pare antes que toque
e o infinito acabe).
Todo terrível é telefone - negro
à escuta guerrilheiro à espera
ao lado do sofá disfarçado
na sala na véspera da granada
com o grampo nos dentes
fora do gancho
ocupando a única saída
para que não estoure
(não posso nem pelos cabelos
antes que acabe e toque
o infinito, te agarrar, nos fios,
pare daí).

armando freitas filho



ESTAR ESTANDO

A impressão de estar, o lento
espanto que se repete. Aqui e onde, eis como
povôo ao mesmo tempo dois espaços
ou, mais que isso, passo a noite inteira
vivendo as sensações de um fragmento
que me é próprio, ou é-me o corpo todo,
e de repente vai sem deixar marca
entre o que foi e o há de ser. Deslizo
nessa fronteira vã que não separa
nada e ninguém, passado nem presente, simples
e uniforme
faixa de areia da qual jorram palavras,
visões, retratos, intenções. É sempre agora
e nunca, sempre sono e manhã, sempre uma coisa
que num jogo dual se nulifica
para sobrar de nós sempre esse caldo
de frustração e medo - ou de esperança.


PAISAGEM VOANDO PARA O ORGASMO

Trens sonolentos resfolegam
na gare do escuro rostos antigos se alumbram
e nos sorriem discreta-
mente a razão se estilhaça os sentidos
se destapam os cheiros se condensam os sabores
se associam ao cuspe a vida nos penetra o vento
nos penteia e espalha
por coloridas areias os dias nos dividem
os horários nos limitam a memória escasseia o mar
devolve ondas vazias
em que já fomos levados
nas noites frias de outrora o outro espia o outro espera o outro
nos sedimenta em nosso desvario
e ensina um corpo à solidão
o outro ampara a nossa queda beija
nossos pudores e a boca
sempre entupida de espanto o canto explode
o gato canta a cama range o ar se fende o riso
nos comunica o gosto diferente
desse gesto largado o riso alarga eleva desarruma as gavetas
de nossa servidão coitidiana.


MISSAL SEM CERIMÔNIA

Certo ar de falência, certa estrela
na testa, certa sorte bifronte, certos
objetos entesourados
no fundo de uma mala, certa mágoa
ambígua, o som de certos ambientes, a
impressão incerta de estar numa
travessia sem freios, a defesa
de certos itens na lembrança
caolha, certos
calafrios sem causa, o grau
de inocência e tristeza em certas horas
sombrias, a importância de certos
detalhes, a pergunta não-feita e sua certa
resposta incerta, o brilho
anterior a certos sinais dados
pela palavra espanto.

Leonardo Froes


Extraído de FRÓES, Leonardo.
ESQUECI DE AVISAR QUE ESTOU VIVO.
Rio de Janeiro: Artenova;
Brasília: INL, 1973. 46 p.

METACOMEDIA

a boca da rua aberta comia amor e pipoca
depois ia cuspir um cavalo na cabeça da fila
fálica do sono dos ônibus com olhos-engates
gozadamente se cumprimentando sorrindo
na crina da velocidade sem meta, e motos
raspavam na brecha roxa da nicotina contida
em cada beijo de sorvete-soquéte uma vitrine
de meias tardes fantas meias tintas vontades
adocicadas de passar escorrer iluminar
de pipoca gratuita o mar das caras
fechadas de madames-fachadas que também
ali seriam derretidas virando
uma esquina e papéis, cavalo e motos, rótulos
puxados para Jogo esquecer qualquer lugar
na platéia da boca: aplausos falas urros
sarros corridos entre os carros e a lua
vigésima de neoplástico imposta aos pés doídos
de todos os que estavam vagindo
vagando
vertendo, do mistério do céu, seu pó mais fino
que não tinha função e no entanto moldava
essa nossa comédia que é o pão dos divinos.


EU E OS CABIDES DO DESTINO

tudo cedo parado: e eu novamente confuso
usando a roupa de um fantasma tremido suando
de andar por dentro de uma árvore aberta
muito imprecisa e sem qualquer novidade
que fosse idêntica às dentadas do sono
ou aos cabides do destino abalados
pelo sinal de alguém entrando tremido
gemer no meu desejo dançado assim que eu
próprio pensando amargurado o mastigue
sentidamente absoluto e marcado usando
o tição da roupa etérea de um tardo
fantasma juvenil que me devora também
suando de andar no caule ambíguo dos meus
braços longos e rasos
rasos e longos
na tentativa de virar uma árvore onde
antes havia simplesmente essa dúvida
de dar ou receber os meus frutos
que são pessoas fugitivas do acaso.


A POESIA E A MATANÇA DOS MOSQUITOS

Cada poema original que escrevo à máquina contém pelo menos 2 ou 3
cadáveres de mosquitos esfregados no rolo.
Isso porque escrevo muito de madrugada com a luz acesa .
Antes de amanhecer eu apago para espiar a mutação de cores.
Meu editor um dia vai receber a coleção completa.
Parece que Pablo Neruda colecionava por sua vez caramujos.
Uma senhora que me visitou outro dia achou que tenho alma de artista.
Como as pessoas são boas observadoras agora.
Os meus cachorros latem muito de noite quando estou escrevendo.
Eu acho isso muito chato porque fico tenso.
Às vezes eu penso que vai sair do mato um macacão enorme.


Extraídos de FROES, Leonardo.
ASSIM MISSA. Rio de Janeiro:
Xanadu, 1986. 78 p.

De ARGUMENTOS INVISÍVEIS
Rio de Janeiro: Rocco, 1995
.ISBN 85-325-0576-7

“Todo grande poeta — e Leonardo Fróes, sem favor algum, é um deles — se renova na repetição, no aprofundamento de seus temas e problemas, na cristalização de sua linguagem e de seu estilo.”

Ivan Junqueira, da Academia Brasileira de Letras


DIA DE DILÚVIO


Quando chove assim tão seguidamente na serra
e começa a pingar água na casa e a goteira
cresce e a pia entope e alaga o chão,
quando não cessa esse barulho insistente
de água penetrando em tudo e rolando,
sinto uma desproteção total violenta
e eu mesmo sendo dissolvido também
nessa casa alagada, não me acho
enquanto solidez: vou flutuando
como onda inconstante na correnteza.


UM PASTEL CHEIO DE DEDOS

Antes de chegar a Jardel, parei para comer um pastel
do qual, quando mordi, saíram pernas bonitas
de garotas fritas, mais um caroço de azeitona que comi também
sem pensar que loucura
um pastel erótico sentimental com cerveja que espremia
não só as pernas como também braços e cabelos no balcão do bar
eu não sabia se pedia um pano um balaio
comecei a ficar encabulado de tantas de uma só mordida
não sabia se botava no bolso ou se distribuía na rua
deus do céu que situação penosa
corpos em quantidade escorrendo do recheio de queijo
pela comissura dos lábios,
e eu, em terra estranha, tendo de parecer que era apenas
um idiota se babando com pastel fresco.

Leonardo Froes



RICARDO LIMA

formigas
dominam a tarde
de sol
arco-íris
e sabonete

dia simples
coisa de feijão
pé descalço

algumas árvores
para pássaros
e o destempero
das horas
martela sombras
no telhado

*
lavar prato
com prudência
caiar paredes
com tempero
respirar
no fim do dia

não ter sede
mas ágata palha
e pássaros
pra enfeitar espantalho

calar e cantar sempre
novos desertos
e azul claro


Ricardo Lima nasceu em Jardinópolis (SP), em 17 de novembro de 1966. Publicou Primeiro segundo (Arte Pau-Brasil, SP, 1994), Chave de ferrugem (Nankin, SP, 1999) e Cinza ensolarada (Azougue, RJ, 2003). Os poemas acima integram o livro Impuro silêncio, editora Azougue, 2006. É jornalista e vive em Campinas (SP).

Invenções de Orfeu

Canto III
Poemas relativos

I

Caída a noite
o mar se esvai,
aquele monte
desaba e cai
silentemente.

Bronzes diluídos
já não são vozes,
seres na estrada
nem são fantas
mas,
aves nos ramos
inexistentes;
tranças noturnas
mais que impalpáveis,
gatos nem gatos,
nem os pés no ar,
nem os silêncios.

O sono está.
E um homem dorme.

II

Queres ler o que
tão só se entrelê
e o resto em ti está?
Flor no ar sem umbela
nem tua lapela;
flor que sem nós há.

Subitamente olhas:
nem lês nem desfolhas;
folha, flor, tiveste-as.

E nem as tocaste:
folha e flor. Tu - haste,
elas reais, mas réstias.

III

qualquer voz alou-se
muito desejada.
Branco fosse o espaço
e ela ardente cor.

Quis o espaço a voz
a voz veio e ampliou-o.
Mas se não houvesse
propriamente voz...
Vamos nós supô-los:
dois sem seus sentidos.

Desejemos mesmo
dois incompreensíveis.
Bom nos ecoarmos
na voz recebida.

E o espaço esvaziado
povoá-lo de vez.

Amá-los tão sem
amada presença,
só com o coração
sem correspondência,
só com a vocação
do verso feliz.

IV

Numas noites chegamos à janela,
e as mandíbulas do ar tanto nos roem,
que os leitos rotos logo deliqüescem
com os nossos corpos complacentemente.

Certos dias olhamos o sol claro;
e a boca hiante das cores nos devora
carnes e sangues, poeiras de costelas,
que ficamos inúteis, sem matéria.

Essas bocas nos sugam noite e dia,
vigiando dia e noite nossas vidas
um minuto no espaço, menos que ai
de chumbo soluçado nos silêncios,
ou cal de fome longa, revelada,
na noite igual ao dia, de tão gêmeos.

V

Agora o sem senso
sorriso nos ares,
minha alma perdida,
os vales lá embaixo
de minhas lonjuras
de não existido,
parado nos antes,
nem sei de pecados,
nem sei de mim mesmo,
eu mesmo não sou
nem nada me vê;
ausentes palavras
não soam no vácuo
dos antes das coisas,
das coisas sem nexo,
nem fluidos.

Só o Verbo
chorando por mim.

VI

Agora, escutai-me
que eu falo de mim;
ouvi que sou eu,
sou eu, eu em mim;
tocai esses cravosj
á feitos pra mim,
suores de sangue,
pressuados sem poros
verônica herdada.
sem face do ser.

Embora; escutai-me,
que eu falo com a voz
inata que diz
que a voz não é essa
que fala por mim,
talvez minha fala
saída de ti.

VII

Alegria achareis neste poema
como poema ilícito, como um
corpo casual ou vão, como a memória
dura e acídula, como um homem se
conhece respirando, ou como quando
se entristece sem causa ou se doente,
ou se lavando sempre ou comparando-se
às dimensões das coisas relativas;
ou como sente os ombros de seu ser,
transmitidos e opacos, e os avós
responsabilizando-se presentes.

São alegrias rápidas.
Lugares,reencontrados países, becos, passos
sob as chuvas que não vos molharão.

VIII

Se falta alguém nesses versos
pele vento interminável,
pelas arenas de estátuas,
sucedam-lhe os cegos olhos
sacudidos pelos medos,
mãos de chuvas lhe inteiricem
o corpo com algas remissas
e com matérias tranqüilas
tão soturna como os poços,
exasperados invernos,
ombros de escova comida,
as asas secas caídas,
ante seus netos calados;
e incorporem-se a esse alvitre
esse sabor de cortiça,
essas esponjas morridas,
essas marés estanhadas,
essas escunas de espáduas
estritamente fechadas
como casas de abandono,
restringem-se os conciliábulos,
certos sigilos de pez,
certas coisas enlutadas,
refúgios, dramas ocultos,
pois as rosas são de trapos
e os fios menos que teias,
menos que finos agora,
e as camisas sem os pêlos
enterrados nas ilhargas,
vestem enganos e punhos
e crimes em vez de adegas,
mas tudo em vão, mesmo as plumas,
mesmo os ausentes e as vozes
aderidas a fragmentos
aí moram degredadas,
listrando as grades, de faces
que não conhecem espelhos

IX

Numa hora perdida cantos doeram.Os desejos
E flores despenteadas, flores largas e a barbárie
e inconfidentes quase abominadas dos corpos.
por oculta paixão, se intumesceram.

E a relatividadedo espírito
Lírios eram pilares de cristal sob o cerco
subindo para as aves; então dardos da matéria.
desceram sobre os mais amados colos
cantando amor com seus sentimentos.

Canção melhor. Mais consentimentos puros olhos.
Eusei de cor os rebanhos, e olho o mundo.
Tudo contém pequenas doces máscaras.
Mas da selva selvagem desce o pranto
dos que mastigam suas próprias fomes,
sem saliva de pão, e o gosto ausente.

Ninguém consegue assim amar os lírios.
E esse amor é amaríssimo e adstringente
com a memória das dores engolidas.

X

Vós não viveis sozinhos
os outros vos invadem
felizes convivências
agregações incômodas
enfim ambientalismos,
e tudo subsistências
e mais comunidades;
e tantas ventanias
acotovelamentos,
desgastes de antemão,
acréscimos depois,
depois substituições,
a massa vos tragando,
as coisas vos bisando;
os hábitos, os vícios,
as moças embutidas
mudando vossas cartas;
sereis administrados
no sono e nos pecados,
vós mapas e diagramas
com várias delinqüências,
e insanidades várias,
dosando o vosso espaço,
pesando o vosso pão
de tempos racionados;
e não tereis vivido
e não tereis amado,
porém sereis morrido.

XI

Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
Clodoveu ou Clodovigo?
Éreis vós por acaso eles?
Éreis vós aqueles nomes,
estes, e os demais já mortos,
os mortos tão renovados
nós mesmos sempre chamados
Lútero, Lotário, otário,
sim otário tão singelo,
tão puro de todo o mal,
relativo, universal.

Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
Dizei-me se acaso vós
éreis eles ou voz sou
de algum avô tão otário,
tão eu mesmo como voz,
como poema de outros vários.

XII

O simples arde uma só corda
em curta raia,mão de menino,
punhado escasso,
ar perfumado,
sem o alvoroçodos vendavais;
anjo acolhidoem róseo céu
abrigo instante,
pranto lavado,
chorar em tide arrependido,
subir teus vales,
amar teu pólen,
nunca escapar-mede tuas pétalas
cair com elas.

XIII

Uma janela aberta
e um simples rosto hirto,
e que provavelmente
nela se debruçou;
e nesse gesto puro
do rosto na janela
estava todo o poema
que ninguém escutou;
só a janela aberta
e o espaço dentro dela
que o tempo atravessou.

XIV

O contro era um dia,
um dia futuro,
e dentro do dia
incluído o conforme,
e dentro o que foi
porque fora isso
se tal não se dera,
se o mundo parasse
e o espaço se excluísse;
se a pedra não fosse
o símbolo que era
pois tudo era um dia,
um dia sem dia,
porém com o poeta
que um dia seria.

XV

De manhã estrelas verdes
na inocência do ar coleado,
intranqüilas e veementes.
Ao zênite e areia em sede,
asas das hastes pendidas,
as nuvens-castelas altas
como painas amealhadas.

De tarde a visão das velas,
nuvens baixas sobre as verdes
rosas das hastes fictícias;
os desejos dissolvidosre
pousam abertamente;
e esse deserto de vozes
e estes cabelos perenes
de seus nervos para os dramas.

Mas se as palmas fossem isso,
as fontes seriam pratas,
e as pratas seriam o
puro sonho de quem vive.

Todavia o sonho é como
as palmas dessas palmeiras.
Eis as palmas.

XVI

Os dois ponteiros
rodam e rodam,
mostrando o horário
irregular.

Horas inteiras
despedaçadas,
horas mais horas
desmesuradas.

Com seu compasso,
lá vem a morte
pra teu transporte,
e com os dois braços:
esta é tua hora,
levo-te agora.

XVII

Um te exalou
nessa incidência:
céu, terra, mar;
impermanência.

Outro te andoute indo e te vindo
pra te juntares,
te convergindo
Quem te volou,
esse te deu
o sono no ar.

Esse te entoou
e te nasceu
sem te acordar.

XVIII

No dia seguinte:
chamamos de terra,
o poema te leva
te dana, te agita,
te vinca de cruzes,
te envolve de nuvens.

Quem sabe aonde vai
parar no outro dia?

XIX

Roteiros vencidos
compassam a festa:
a noiva está fria
no véu lamentado.

Três potros desfraldam-se
três faces transcorrem
no coche morrido,
em vão galopado.

O nome do noivo?
O nome da noiva?
O nome do diabo?
Três nomes corridos,
três sombras penadas
no drama calado.

XX

Aqui e ali
me encontrareis,
entre um poema
ou em seu curso,
além e aquém,
oculto e claro,
vivo ou demente,
ou mesmo morto,
ou renascido
como meu sósia,
intermitente,
ferida tórpida.

pulso de febre,
nesse cavalo,
naquela tinta,
naquele poema
quase alicerce,
quase esse infante,
esse anjo surdo.

Ia esquecendo:
eu e meu sósia
somos momentos
entrelaçados.

Ei-lo veemente
volta a seu palco,
sobe a uma origem,
desce de novo,
envolto ou nu,
esse homem gêmeo,
jamais verdugo,
mas palma incerta,
sendo meu pai,
meu filho e neto
e aquele longe
porém limiar,
malgrado e clâmide
aberta e alípede,
foi argonauta,
podia se-lose esse jacinto
não fosse canto,
canto de galo
crepuscular,
profusamente
cedo se oculta
por essas laudas
sem perceber
seu fácil ímpeto
ante a palavra
visualizada;
mas de repente
desaparece.

Agora eu surjo
naquela esquina,
naquele pórtico
falam de mim;
ouço transido
esses vocábulos
desconhecidos,
emerjo em rios
que vão passar,
mergulho em rumos
acontecidos,
sucedo em mim,
depois vou indo
fundo e arrastado
na correnteza
que é de repentes.

Morto incorrupto
guardo meus naipes
mais pressentidos,
intercadentes,
desordenados,
não há atavios,
não há disfarces,
dissolução
dos prantos largos
manando laivos,l
anhando aspectos;
desacredito-me
perante os leves,
nem sabedor
de alas longevas,
se o porvindouro
é puro exórdio
precocemente
desencantado;
se os seus presságios
remanescidos,
salvo-condutos
manifestados;
correm desvios
vulgares trilhos,
que todavia
prossigo em mim,
minha progênie,
uns dementados,
outros co-réus,
reconciliando-me
com os mutilados
e este glossário
que é de meu sósia;
abastecido
alego dores,
crescentes cargas;
me patenteio,
fico exaltado
sem parecer;
depois me espreito
na curva adiante,
simbolizado,
metade em mim
inda nascendo,
a outra metade
superlotada;
então me sano
excluindo as nucas
executáveis;
não evidentes
nem aberrante
me envolvo de alma,
doce alimária
com alguns anexos
aparelhados
para colher
belas paisagens
e outros petrechos do sósia amado;
quero sofrer-me,
quero imitar-me,
fico enpunhado
meu corpo no ar,
dependurado,
meio aderido
a alguns palhaços
insimulados,
portanto, instáveis,
muito insossos,
muitos até
beatificados;
ventos corteses
bem-parecidos
vêm agitar
nosso espantalho,
enquanto as aves
canoramente
se desaninham
de nossos braços,
ossos atados
a chão deitados,
chãos contestados
por figadais,
mas afinal
chãos estrelados
de algumas plantas
ambicionadas
por umas moças
que andando sós
se despetalam
e virar brisas,
fagueiras asas,
pelas janelas
passam nos vidros,
vão aos relógios
param os cucos,
e a vila fica
inteiriçada.
dormindo dentro
desse poema
recomeçado
por novo sósia.

XXI

As portas finais,
os cantos iguais,
os pontos cardeais,
sempre obsidionais.

Os tempos anuais,
as faces glaciais,
as culpas filiais
sempre obsidionais.

Os dois iniciais,
as dores tais quais,
os juízos finais
sempre obsidionais.

XXII

Era uma vinda,
dadas as luzes,
dadas as faces
que ali se achavam,
nenhuma espúria,
nenhuma enferma,
dadas as cores,
dadas as falas
que ali se achavam;
dadas as provas
dessas presenças
deu-se o milagre
em aços doces,
em gumes brandos
em chamas graves;
formou-se um gênio
pentangular
que começava
com a estrela Vésper,
riscando a noite
sem se acabar;
formou-se um lírio
na suave treva,
gerou-se um grito
de tantas vozes,
criou-se um fogo
correspondente,
jorrou-se um pranto
desabitado.

Era uma tarde:
ninguém sabia
o que no mundo
ia acabar.

Sei que houve portas
escancaradas,
sei que houve apelos
antiencarnados.

E houve um dilúvio,
mas era um fogo
desabrochado.

XVIII

Quando menos se pensa
a sextina é suspensa.

E o júbilo mais forte
tal qual a taça fruída,
antes que para a morte
vá o réu da curta vida.

Ninguém pediu a vida
ao nume que em nós pensa.

Ai carne dada à morte!
morte jamais suspensa
a taça sempre fruída
última, única e forte.

Orfeu e o estro mais forte
dentro da curta vida
a taça toda fruída,
fronte que já não pensa
canção erma, suspensa,
Orfeu diante da morte.

Vida, paixão e morte,
- taças ao fraco e ao forte,taças -
vida suspensa.
Passa-se a frágil vida,
e a taça que se pensa
eis rápida fruída.

Abandonada, fruída,
esvaziada na morte,
Orfeu já não mais pensa,
Calado o canto forte
em cantochão da vida,
cortada ária, suspensa.

Lira de Orfeu. Suspensa!
Suspensa! Ária fruída,
sextina artes da vida
ser rimada na morte.

Eis tua rima forte:
rima que mais se pensa.

XXIV

A sextina começa
de novo uma ária espessa,
(sextina da procura!)
Eurídice nas trevas,
Ó Eurídice obscura.

Eva entre as outras Evas.
Repousai aves, Evas,
que a busca recomeçar
cada vez mais obscura
da visão mais espessa
repousada nas trevas

Ah! difícil procura!
Incessante procura
entre noturnas Evas,
entre divinas trevas,
Eurídice começa
a trajetória espessa,
a trajetória obscura.

Desceu à pátria obscura
em que não se procura
alguém na sombra espessa
e onde sombras são Evas,
e onde ninguém começa,
mas tudo acaba em trevas.

Infernos, Evas, trevas,
lua submersa e obscura.
Aí a ária começa,
e não finda a procura
entre as celeste Evas
a Eva da terra espessa.

Eurídice, Eva espessa,
musa de doces trevas,
mais que todas as Evas
-musa obscura, Eva obscura;
sextina que procura
acabar, e começa.

XXV

A musa
A barba tão preta que era azul,
morta que as amantes tão ruivas que eram nulas
vem de Amara onze e mais uma, numa só
outros morta, em alma, sem cadáver, sem
livros tumba, e que amara - morta, morta, morta.

XXVI

Sombra encantada, declinara
num vago dia, incerto dia.
Eis uma deusa, pelos gestos,
por sua dança, sua órbita.

Era preciso compreendê-la,
mas quando nós a avizinhávamos,
a deusa arisca recuava.

Se nós recuávamos, voltava
ao nosso encontro, sem tocar-nos.
Então corríamos, devassos,
quase enlaçando-a: ela fugia.

Era uma deusa pelos modos
com que mentia e se ausentava.

Mas outro dia, vago dia,
abrutamente a aprisionamos.
O que tu és, deusa, ignoramos,
mas desejamos, qualquer coisa
fazer de ti, terror ou júbilo
ou nossa vênus favorável
ou nossa esfera de vocábulos.

Ela chorava, não queria;
e o pranto logo dissolvia.
Então descemos, ventre abaixo
e renascemos de seu sexo,
- trânsito virgem de palavras.

Era uma deusa, pela fúria
com que nós todos a ultrajamos.
Era uma deusa e não sabíamos
se cada qual mesmo a violou.

Era uma deusa, pela dúvida
que em cada um de nós, deixou.

XXVII

Contemplar o jardim além do odor
e a mulher silenciosa entre semblantes,
e refazê-los todos, todos antes
que o tempo condenado os atraiçoe.
Porque eu quero, em memória refazê-los: À procura da
flor longínqua, mulher, não pertencida,
face perdidasubstância inexistente, móvel vida,
intercessão de nadas e cabelos.
E meus olhos ausentes me espiando
entre as coisas caducas e fugazes
a minha intercessão em outras faces.
Orfeu, para conhecer teu espetáculo,
em que queres senhor, que eu me transforme,
ou me forme de novo, em que outro oráculo?

jorge de lima


em qualquer esquina as 4 da madrugada tem um poeta bêbado de uísque traição e metáforas com seus olhos de vidro olhando a folha seca na calçada quando ela salta do ar feito brisa e voa entre os arc0s da lapa



sexta-feira, 21 de maio de 2010

virada cultural paulista




Virada Paulista ocorre este fim de semana em 30 cidades; shows de Cat Power e Mudhoney são destaque

Cat Power é uma das atrações internacionais da 4ª edição da Virada Cultural Paulista



Com atrações musicais como destaque, a 4ª edição da Virada Cultural Paulista ocorre esse fim de semana em 30 cidades do Estado, incluindo regiões do interior, Baixada Santista e do ABC. O evento começa no fim da tarde de sábado (22) e termina no fim da tarde de domingo (23).
Entre as atrações internacionais que participam desta Virada estão a cantora norte-americana Cat Power, o músico franco-espanhol Manu Chao, a banda grunge norte-americana Mudhoney e o compositor e músico francês Yann Tiersen (veja na tabela abaixo as cidades onde eles se apresentam).
Atrações nacionais como Antonio Nóbrega, Bebel Gilberto, Cachorro Grande, CPM 22, Elba Ramalho, Funk como Le Gusta, Mundo Livre S/A, Nina Becker, Pitty, Sandra de Sá, Titãs e Tom Zé também estão na programação do evento.

Entre os espetáculos de teatro destaca-se a peça "O Homem Inesperado", com Nicette Bruno e Paulo Goulart, que será apresentada em Indaiatuba e Jundiaí. Já a São Paulo Cia. de Dança é atração na cidade de Jundiaí.
A Virada Paulista também dá espaço a arte urbana, com intervenção de grafiteiros como Binho Ribeiro, Boleta e Zezão em algumas cidades, e ao cinema -- uma novidade este ano é a realização de uma mostra com os 53 melhores filmes do Festival do Minuto, que será apresentada em Ribeirão Preto, Santos, Caraguatatuba, Jundiaí, Marília, São José do Rio Preto, São Carlos, Presidente Prudente e Araraquara.

Orçamento recorde

No total, a Virada conta com 1077 atrações, todas gratuitas, e tem orçamento recorde para o evento: R$ 6,5 milhões. Em 2009, quando a Virada teve cerca de metade das atrações desta edição, o investimento foi de R$ 5,5 milhões.
Para efeito comparativo, a Virada Cultural na cidade de São Paulo, ocorrida no último fim de semana, teve orçamento de R$ 8 milhões.
Veja no site oficial do evento a programação completa e, abaixo, veja os destaques por cidade.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO DA VIRADA CULTURAL PAULISTA DE 2010
ARAÇATUBA
Intervenção do grafiteiro Zezão (22/5 às 19h) e Sandra de Sá (23/5 à 0h)
Palco externo (Praça Getúlio Vargas)
ARARAQUARA
Lenine (23/5 à 0h) e Manu Chao (23/5 às 17h)
Praça Pedro de Toledo
ASSIS
Toquinho (23/5 à 0h) e CPM 22 (23/5 às 17h)
Estação Parada das Artes
BAURU
Ultraje a Rigor (23/5 à 0h) e Diogo Nogueira (23/5 às 17h)
Parque Vitória Régia
BERTIOGA
Izzy Gordon (23/5 à 0h)
Praça de eventos
CARAGUATATUBA
Sepultura (23/5 à 0h) e batalha de b.boys (23/5 às 15h)
Praça de eventos e Praça do Travessão
CUBATÃO
Otto (23/5 às 17h)
Kartódromo Municipal
FRANCA
Tiê (22/5 às 19h30) e Leci Brandão (23/5 às 17h)
Ginásio de Esportes Pedrocão
GUARUJÁ
Show Cérebro Eletrônico (23/5 à 0h)
Praça 14 Bis
INDAIATUBA
Peça "O Homem Inesperado" (22/5 às 20h30), Pitty (23/5 à 0h) e Bebel Gilberto (23/5 às 17h)
CIAEI (peça teatral) e Parque Ecológico (Pitty e Bebel Gilberto)
ITANHAÉM
Tetê Espíndola (23/5 às 17h)
Praça Narciso de Andrade (Centro Histórico)
JUNDIAÍ
São Paulo Cia de Dança (22/5 às 18h), Cat Power (22/5 às 22h30) e Zeca Baleiro (23/5 à 0h)
Teatro Polytheama (São Paulo Cia. de Dança e Cat Power) e Parque da Uva (Zeca Baleiro)
MARÍLIA
Quintento em Branco e Preto (22/5 às 19h30) e Paralamas do Sucesso (23/5 às 17h)
Parque externo (av. Sampaio Vidal, esquina com a r. São Carlos)
MOGI DAS CRUZES
Funk como Le Gusta (22/5 às 19h30) e Mudhoney (23/5 à 0h)
Palco externo (av. Cívica)
MOGI-GUAÇU
Arnaldo Antunes (23/5 à 0h)
Palco externo (av. dos Trabalhadores, em frente ao Museu Municipal)
MONGAGUÁ
Show Grooveria (23/5 às 17h)
Praça de Eventos Dudu Samba
PERÚIBE
Farufyno (23/5 à 0h)
Espaço Cultural Chico Latim
PIRACICABA
Paralamas do Sucesso (23/5 à 0h), Osesp (23/5 às 17h), Yann Tiersen (22/5 às 22h30) e Toquinho (23/5 à 0h)
Palco externo - Engenho Central (Paralamas e Toquinho) e Teatro Municipal (Yann Tiersen e Osesp)
PRAIA GRANDE
Bruna Caram (23/5 à 0h)
Complexo Cultural Palácio das Artes
PRESIDENTE PRUDENTE
Lobão (22/5 às 19h30) e Dona Ivone Lara (23/5 às 17h)
Parque do Povo
RIBEIRÃO PRETO
Paula Lima (22/5 às 19h) e Titãs (23/5 às 17h)
Palco externo (av. Orestes Lopes de Camargo, s/n - Jd. Jóquei Clube)
SANTA BÁRBARA D'OESTE
Elba Ramalho (23/5 à 0h) e Ultraje a Rigor (23/5 às 17h)
Palco externo (Centro Social Urbano)
SANTOS
Otto (22/5 às 19h30) e Manu Chao (23/5 à 0h)
Palco externo (Praça Mauá)
SÃO BERNARDO DO CAMPO
Raimundos (23/5 à 0h)
Paço Municipal
SÃO CARLOS
Negra Li (23/5 à 0h) e Lobão (23/5 às 17h)
Praça Coronel Salles e av. São Carlos, s/n (em frente ao palco externo)
SÃO JOÃO DA BOA VISTA
Yann Tiersen (23/5 às 16h30) e Elba Ramalho (23/5 às 17h)
Teatro Municipal e estação ferroviária
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
Diogo Nogueira (23/5 à 0h) e Mudhoney (23/5 às 17h)
Anfiteatro Nelson Castro
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Mundo Livre S/A (22/5 às 23h), Jorge Aragão (23/5 à 0h) e Cat Power (23/5 às 17h)
Sesc S. José dos Campos (Mundo Livre) e Parque da Cidade (Jorge Aragão e Cat Power)
SÃO VICENTE
Tetê Espíndola (23/5 à 0h)
Praça Tom Jobim
SOROCABA
Baile do Simonal (22/5 às 20h) e Titãs (23/5 à 0h)
Parque dos Espanhóis e palco externo (av. Dom Aguirre, 5500)
Para ver a programação completa e mais informações sobre os endereços, acesse o site oficial da Virada.

Crítica a acervo de cobras do Butantã choca cientistas

São Paulo - Pesquisadores, comunidades científicas e o próprio diretor do Instituto Butantã, Otávio Mercadante, classificaram ontem como "equivocadas", "lamentáveis" e "tristes" as declarações do ex-presidente da Fundação Butantã Isaías Raw. Na quarta-feira, após o incêndio que destruiu a coleção de cobras e aracnídeos da instituição, única no mundo, Raw questionou a importância do acervo e sua produção científica e a competência dos responsáveis por ele, além de ter defendido prioridade da produção de vacinas.

O diretor do Instituto Butantã, Otávio Mercadante, disse que o órgão "entende como equivocada a avaliação de que a área de pesquisa tenha importância inferior à de produção". "O professor Isaías Raw é um cientista respeitado internacionalmente, mas sua ponderação sobre as coleções zoológicas está equivocada. Prova disso é que países desenvolvidos têm investido cada vez mais recursos na manutenção e ampliação dessas coleções", afirmou.
Já a Sociedade Brasileira de Zoologia disse que "é lamentável encontrar um tamanho desprezo sobre o conhecimento biológico" do País. "É como se, durante o velório de um ente querido, a família fosse obrigada a aturar um lunático invadindo o salão, estourando uma garrafa de champanhe e celebrando a ausência definitiva do morto", compara um texto divulgado por um grupo de pós-graduandos do departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).
Em resposta a reclamações de que sua gestão não valorizou os acervos, o pesquisador, de 82 anos, disse na quarta que cabe aos pesquisadores do instituto buscar apoio em agências de fomento à ciência. "Se não conseguir, é porque não tem competência". E questionou as coleções. "Não é para juntar cobra para brincar no laboratório."
Em nova manifestação feita ontem, por carta, Raw afirmou que já havia recomendado que a coleção não fosse conservada em álcool, pelo risco de incêndio. Também afirmou que o sequenciamento do DNA dos animais da coleção é mais importante que guardá-los. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Parlamentares que criticam
alteração no Ficha Limpa querem
se promover, diz Heráclito

O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), rebateu as críticas à alteração ao texto do projeto Ficha Limpa, aprovado esta semana pela Casa. Segundo ele, os comentários de que a emenda de redação teria diminuído a abrangência do projeto vieram de deputados que “no fundo não queriam a aprovação do projeto em tempo recorde e por unanimidade”.
No trecho sobre a concessão do registro, a expressão “os que tenham sido condenados” foi substituída por “os que forem condenados”. Para alguns parlamentares, a alteração vai permitir que diversos políticos – que se encaixariam até então na lei – se candidatem nas próximas eleições.
“Lamento que alguns deputados, com o intuito de promoção pessoal, tenham tentado diminuir o que aqui foi votado. Dentre esses estavam os que, no fundo, não queriam a aprovação em tempo recorde e por unanimidade, como ela se processou no Senado. A verdade é que se há alguma falha na redação final, a Justiça vai dirimir todas as dúvidas”, disse.
Relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, Demóstenes Torres (DEM-GO) explicou que a matéria não exclui políticos com condenações por órgãos colegiados. Segundo ele, o Artigo 3º do projeto trata dos casos em que o político condenado pela Justiça responde a processos em fase de recurso antes da sanção da nova lei.


Ator francês Louis Garrel estreia
como diretor e diz que sonha
trabalhar com Almodóvar


O ator francês Louis Garrel prestigia pré-estreia de filme no Festival de Cannes, em 18 de maio de 2010


Era pra ser uma sessão vazia de curtas-metragens numa mostra paralela do Festival de Cannes, mas a sala lotou. O motivo: o diretor de um dos filmes era o belo Louis Garrel, a maior estrela do cinema francês atual, de filmes como “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, e o francês “Canções de Amor”.
Tímido e desajeitado, o contrário da figura sedutora dos filmes, Garrel subiu ao palco da Quinzena dos Realizadores para apresentar o média-metragem “Petit Tailleur” (o pequeno alfaiate), um charmoso e nostálgico filme em preto-e-branco de 45 minutos que faz uma bela homenagem à Nouvelle Vague. O filme mostra um alfaiate que se apaixona por uma bela atriz de teatro e pensa em largar tudo por ela, abandonando assim o velho alfaiate que lhe ensinou todo o ofício. Seu protagonista (Arthur Igual) é a cara de François Truffaut. A atriz do filme é vivida por Léa Seydoux, de “A Bela Junie”.
“É a história de um feliz desencontro, como são todos os amores. Filmei em preto-e-branco para criar um clima de conto de fadas. E porque Truffaut dizia que as pessoas estão cansadas de ver cores na TV de casa, esperam outra coisa do cinema”, disse em entrevista depois do filme.

Filho do cineasta Philippe Garrel, de “Amantes Constantes” e “A Fronteira da Alvorada”, ele ainda tem dúvidas se quer se tornar um diretor em tempo integral. “Ainda tenho medo de dirigir filmes. Não gosto da idéia de escrever um roteiro sozinho, é um processo de grupo, ainda preciso encontrar as pessoas certas”, confessa. Que tipo de filme gostaria de fazer? “Um melodrama, uma história de amor profundo e morte. Já me ofereci várias vezes para trabalhar com Almodóvar, mas ele só trabalha com atores espanhóis, seu estilo é esse”.
Enquanto Almodóvar não quer saber de Garrel, ele fará o mais ousado papel de sua carreira: um rapaz que quer trocar de sexo a qualquer preço, convencido de que nasceu no corpo errado, e tenta convencer sua namorada a fazer o mesmo, no filme “Lawrence Anyways”. O diretor é seu amigo canadense Xavier Dolan, de 21 anos, diretor de “Eu Matei Minha Mãe” e “Os Amores Imaginários”, exibido este ano em Cannes, no qual Garrel faz uma participação especial como o muso que despedaça os corações à sua volta.





quinta-feira, 20 de maio de 2010



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Digam a 10 amigos para dizerem a 10 amigos hoje, O Site do câncer de mama está com problemas pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhes permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.

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PASSEM A 10 AMIGOS PARA PASSAREM A 10 AMIGOS:

brazilíricas

me espanta o espanto do gullar
com o poema que não vem

não estou nem aqui
não quero star
me vejo nos arcos
grafitando luas
em tuas mãos de chuva

como um domingo no parque

o rei da brincadeira é josé o rei da confusão é joão, um trabalhava na feira ê josé e outro na construção ê joão:
a primeira vez que ouvi(vi) gil na TV era 68, estava eu trancafiado entre as enormes paredes dos dragões da independência em brasília das quadrilhas, e não sabia nada de mim.

cda me disse que o poema vem das tripas
do intestino grosso e faustino da vida toda linguagem

todos os dias quando acordo cedo
não tenho mais o tempo que passou:

renato russo ainda vivo como dantes

domingo no parque

todas manhãs quando acendo a tela me vem o filme suas mãos passeando pelas minhas costas tipo uísque riverdies noise craft pop rock poesia tarde inteira no parque da ruínas muito depois já madrugada na porta de entrada do edifício escuto o grito ela me chama fomos à cerveja no boteco ao lado na subida da Alice até a última porta se fechar minutos depois sentados na pracinha em frente ela devora um hambúrguer com seus lindos dentes eu devorava os dentes dela

canibália city

não sei se febre água fogo fala
bala na boca do gatilho
o olhar explode dinamite
no embrião do caos

de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua endiabrada
dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota a decisão
pro ficha limpa

agora me pergunto:

o que é que o marido
vai fazer com ela?


O POETA PEDE AO SEU
AMOR QUE LHE ESCREVA

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

MAIAKOVSKI



urbanicidade

asfalto
uma palavra quente
mesmo quando chove
ex-fria piche nos ossos

janelas
:
de concreto/carne
neste corpo/casa
que não mais me habita


arturgomes
http://artur-gomes.blogpspot.com/

beijo o céu da tua boca agora já é outro instante depois de fechar e abrir esta janela para o nada ou para tudo que já veio ou inda virá na vera cruz destes escombros que não mais cidade ainda mordo com os dentes que me resta carnes e frutas bagaços de um sentido solto quando a toalha sobre a mesa não cabe nas metáforas


meto meus dedos cínicos no teu corpo em fossa proclamando o que ainda possa vir a ser surpresa porque amor não tem essa de cumer na mesa é caçador e caça mastigando na floresta todo tesão que resta desta pátria/indefesa. ponho meus dedos cínicos sobre tuas costas vou lambendo bostas destas botas neoBurguesas porque meu amor não tem essa de vir a ser surpresa é língua suja/grossa/visceral/ilesa pra lamber tudo o que possa vomitar na mesa e me livrar da míngua desta língua portuguesa

quarta-feira, 19 de maio de 2010

incêndio no butantan

"Perdemos mais com o incêndio do Butantan do que se tivéssemos queimado dezenas de bibliotecas", diz pesquisador


O prejuízo científico resultante do incêndio que atingiu o laboratório de répteis do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, deixou os pesquisadores estarrecidos, segundo relatos ouvidos pelo UOL Notícias. O fogo do último sábado (15) destruiu boa parte do acervo composto por cerca de 85 mil exemplares de serpentes, além de algo em torno de 500 mil artrópodes, como aranhas e escorpiões. Os animais eram conservados em vidros com formol.

“A perda é irreparável. Aquele material não tinha preço e não existe outro igual. Perdemos mais com o incêndio do Butantan do que se tivéssemos queimado dezenas de bibliotecas, pois as bibliotecas são compostas quase sempre por livros publicados em série, já muitas serpentes que compunham o acervo do Butantan eram únicas e já não existem mais”, lamenta Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, herpetólogo do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o pesquisador, faziam parte da coleção exemplares de serpentes que viviam na região de Mata Atlântica do Estado do Espírito Santo, e que hoje não existem mais. “Não apenas esta, mas outras milhares de populações já extintas estavam representadas naquela coleção. Essas serpentes eram guardadas e serviam até hoje a cientistas do mundo inteiro”, complementa
Butantan não tinha alarmes contra incêndio

Polícia abre inquérito para investigar fogo
Butantan produzirá 100 mil doses da vacina da gripe suína

Na opinião de Trefaut, não há chances de reconstruir o acervo. “É impossível repor aqueles exemplares. Claro que sempre é possível recomeçar a colecionar bichos recentes, mas nunca o acervo voltará a ter aquela dimensão. Não existe a menor chance de se recuperar aquilo”.
Para Luiz Antonio Teixeira, historiador da Casa de Oswaldo Cruz, a coleção era fruto do trabalho da população brasileira e da dedicação de cientistas de diversas épocas.

“O acervo tinha grande importância histórica, porque os primeiros exemplares foram colhidos pelo próprio Vital Brasil, fundador do Butantan. Há cerca de 100 anos, ele criou o costume de trocar serpentes trazidas pela própria população por ampolas de soro. No início, muitos exemplares foram conseguidos dessa forma. Assim foi construída a base da coleção”, conta.

Para o diretor do museu de Zoologia da USP, Hussam Zaher, o incêndio foi um “terrível golpe moral”. “Não temos palavras. Mais que tudo, isso representa uma tragédia moral. Demos uma demonstração de irresponsabilidade e incompetência. Nossa imagem ficou arranhada no meio científico mundial. Mostramos que não temos condições de manter um acervo daquela importância. Perdemos credibilidade”, enfatizou.

Zaher revelou que centenas de espécies recém-adquiridas, que podem ter sido destruídas pelo fogo, não chegaram a ser catalogadas. Além disso, ele afirma que exemplares que não existem em nenhum outro lugar do mundo faziam parte da coleção do Butantan. “O acervo guardava exemplares de serpentes encontradas em lugares que já foram destruídos, onde agora funcionam shoppings e estacionamentos. Essa coleção contava a história do crescimento populacional do Estado de São Paulo e do Brasil”.

Comunidade científica internacional questiona condições de segurança em museus brasileiros
O incêndio que atingiu o laboratório de répteis do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, na manhã do último sábado (15), repercutiu entre a comunidade científica internacional e arranhou a imagem do Brasil. Curadores de exposições e diretores de museus de todo o mundo já começaram a enviar mensagens de apoio, mas também cheias de questionamentos, sobre como estariam sendo conservadas as coleções científicas no Brasil.
Leia a reportagem completa

José P. Pombal Jr., curador das coleções de anfíbios do Museu Nacional do Rio de Janeiro, também acredita que a perda científica do Butantan é incalculável. “Pela representatividade e antiguidade do acervo, o incêndio foi pior que a destruição dos museus durante a 2ª Guerra Mundial”, compara.

Ele relembra que através da coleção de serpentes foi possível fazer um estudo não só das espécies, como também da evolução de seus habitats. “Através do tipo de animal que chegava ao instituto era possível perceber as alterações ambientais sofridas ao longo do tempo. Hoje tudo isso foi apagado”.

“No sábado, a sensação era de que eu tivesse ido ao velório de um amigo muito querido”, finaliza Pombal Jr.

Livros preservados
O Instituto Butantan confirmou, na tarde de ontem, que os livros de registro de todos os animais da coleção de serpentes foram preservados. Os originais estavam armazenados em outro prédio e, portanto, não sofreram qualquer dano.

Segundo o Butantan, os livros contêm registros de todas as espécies que estavam armazenadas no prédio, incluindo nome científico e popular, data e local de coleta, nome do coletor, além de outras informações sobre as características de cada um deles. Apenas três dos 45 livros estavam dentro do prédio que pegou fogo.

Na opinião de Pombal Jr., os livros são muito importantes, mas sem os animais eles perdem um pouco de suas funções. “É como se fosse a capa do livro sem o conteúdo. É verdade que com eles teremos todo o histórico das espécies que faziam parte da coleção, mas não será mais possível contar com a fonte original, que era a base para todos os estudos”.

“O livro sem o exemplar tem muito pouco valor. Para a pesquisa o livro não tem validade. Ele é mantenedor das informações, mas essas informações precisam ser validadas através de exames com o exemplar. Hoje isso já não é possível”, acrescenta Zaher.

Desvio de verbas
Em setembro do ano passado, um escândalo de corrupção emergiu envolvendo funcionários de segundo escalão do Instituto Butantan. Investigações apontaram o desvio de mais de R$ 30 milhões da Fundação Butantan
Leia mais sobre o escândalo

Pesquisas comprometidas Segundo o próprio Butantan, pesquisas referentes à biodiversidade podem ficar prejudicadas pelo incêndio. De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, somente após a conclusão do laudo técnico da perícia é que serão divulgados levantamentos sobre a perda da coleção e as consequências nas pesquisas.

“Sem dúvida, dezenas de trabalhos científicos, entre eles teses de mestrado e doutorado, que dependiam da coleção, ficarão comprometidos com a perda desses exemplares”, revela Trefaut.
Segundo o diretor do museu de Zoologia da USP, muitos mestrandos e doutorandos ficaram órfãos. Estes pesquisadores tiveram suas teses ceifadas. Vamos ter de repensar”.

Veja mais sobre o Instituto Butantan
Cobras e espécies do Instituto Butantan
Veja cobras e bichos do Museu Biológico

A produção de vacinas e antídotos, entretanto, não deverá ser prejudicada uma vez que as pesquisas são feitas a partir de animas vivos. Segundo a assessoria de imprensa, não havia nenhum animal vivo no prédio que foi atingido pelo fogo. Entre as espécies que foram destruídas, algumas estavam mantidas em formol há aproximadamente 100 anos.

DescasoTodos os especialistas ligados ao meio científico ouvidos pelo UOL Notícias concordam que, independentemente das causas do incêndio, a tragédia pode ser atribuída a um descaso das autoridades com a ciência. “É muito simples. Hoje, apenas com extintores, se houver um princípio de incêndio e o fogo não for controlado rapidamente, o museu de Zoologia também vai ser destruído”, alerta Zaher.

O diretor do museu, que abriga atualmente 10 milhões de exemplares preservados de diversas espécies, afirma que há muito tempo luta por melhores condições. “Nós não acordamos ontem para a necessidade de melhorar nosso sistema como um todo, mas o processo anda a passos de tartaruga. O processo de licitação no Brasil é incompatível com as demandas atuais da nossa realidade. Precisamos da compreensão do poder público e de vontade política para mudar isso. Caso contrário, nosso futuro será as trevas”, apontou.

O especialista em serpentes Trefaut espera que a midiatização do incêndio no Butantan sirva para conscientizar as autoridades. “Faço votos de que essa tragédia sirva, pelo menos, para que nossos museus científicos sejam mais priorizados. É uma irresponsabilidade mantê-los nestas condições. Espero que esse episódio lamentável para a biologia e para a ciência brasileira sirva para abrir os olhos do poder público”.