sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lina Tâmega Peixoto



lança em Cataguases
novo livro de poemas


Poeta mineira residente em Brasília há longos anos, Lina Tãmega Peixoto lança no Museu Chácara Dona Catarina, em Cataguasess – no sábado dia 24 de abril, a partir de 20 horas – o seu mais novo livro de poemas, “Prefácio de vida”.

“Ser mineira de Cataguases”, diz Lina, “é o que não me faz ser habitante de qualquer rua do mundo, o que me faz ser humana e permanecer ilesa, e nunca ser traída no meu jeito de viver”. Professora, poeta e crítica de Literatura, Lina Tãmega Peixoto nasceu em Cataguases, onde lançou em 1948 – ao lado de seu grande amigo, o poeta cataguasense Francisco Marcelo Cabral – a Revista Meia Pataca, um dos mais importantes veículos literários criados na cidade após a eclosão do movimento da Revista Verde em 1927.

Residente em Brasília desde os tempos pioneiros da Capital, Lina exerceu o magistério na Fundação Educacional do Distrito Federal e na Universidade de Brasília. Sim, Lina Tâmega Peixoto reside em Brasília, mas na verdade a poeta mora em muitos lugares, onde o sonho da vida habita o imaginário poético.

De sua pesquisa em Lisboa, das raízes do lirismo peninsular, resultaram diversas vertentes de estudos literários. Os poemas de Lina, que brotam de uma alma de mulher, têm poder sugestivo e beleza intrínseca. Ligada às suas vivências e às raízes mineiras, sua poesia, requintada, original e complexa, está marcada por uma funda sensibilidade e revela heranças do Surrealismo e do lirismo medieval.

Drummond & Cecília

Para Carlos Drummond de Andrade, ela “alcança a maturidade poética, não há tremura ou indecisão de traço, tudo é firme, quando necessário, sutil e sempre lúcido e ardendo de uma chama interior”. Por sua vez, diz o escritor Francisco Inácio Peixoto, um dos “rapazes da Verde”, e tio de Lina: “Sempre gostei de sua poesia, onde encontro uma linguagem mágica, que me enternece. Desde seus vagidos iniciais, você nunca me desmereceu”.

“A mão escreve o que o tempo acolhe de memórias que se desdobram em densos e delicados traços de momentos”, escreve Lina no prefácio de seu Prefácio de vida – um mais que emocionado texto onde a poeta rende tributo à sua grande amiga Cecília Meirelles: “Espero que se agrupem para formar uma metáfora que represente a parte de minha vida alinhada à história de Cecília Meirelles”. Diz ainda Lina em seu prefácio, pleno de sensibilidade e fina escrita: “Há muito a ser feito e organizado, para que os livros (de Cecília Meirelles) se abram para estremecidas fontes de prazer, friúme e beleza”.

A seguir, um dos poemas (“de prazer, friúme e beleza”) de Prefácio de Vida, um poema de estranha premonição, quase um oráculo da tragédia recente acontecida no Morro do Bumba, em Niterói:

IRREFLEXOS

A frescura lilás das violetas
frente às águas da tarde.
É crepúsculo nas trepadeiras da varanda.
A noite que chega mansa
transfigura os cicios das gotas
em vespas sobre as flores.
O coração alegra-se com as dores do amor
cravadas em sua forma
recortada em duas dálias rubras.
Levanta-se o forro do mundo
e a terra do céu
cai sobre a vida
– bálsamo do que se quebrou nas alturas.

Livros de Lina
Algum dia (1953)
Entretempo (1983)
Dialeto do corpo (2005) – Prêmio Lúcia Aizim da União Brasileira de Escritores
Água polida (2007)
50 poemas escolhidos pelo autor (2008)

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