sexta-feira, 5 de março de 2010

como é possível encarnar o impossível


diga-me grande deus/pessoa
como é possível encarnar o impossível?
a flauta toca as vértebras
vazando carnes e músculos
antes da chegada aos ossos
a água na pele são rajadas elétricas
como facões no escuro
luz da paixão d/entre o caos
estiçlhaços da alma sem dó

eu falo do que posso
mar estético mangue estático
e este desejo tântrico de não ser daqui
cacomanga era uma terra intacta
campos desértico de idéias
em seus milênios de solidão

cavalos pastam nas cocheiras
esporas na pele borboletas
eu tenho os nervos de nylon
cordões esticados na sala
a língua retesada pra fora
lâmpadas de gás me devoram
faíscas da dor no trvão
o poema vai nascendo outro
explode no ventre/palavras
em intestinos roucos
num temporal de letras
que não se completam
nesta cidade de morrer na praia.

Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

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