sábado, 27 de fevereiro de 2010





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Cildo Meireles apresenta gravuras inéditas no Museu Chácara do Céu, no Rio de Janeiro.

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"As mulheres querem o poder", diz Giorgio Armani

JULIANA LOPES
Colaboração para o UOL, de Milão

Logo após a primeira de uma das duas apresentações da grife Emporio Armani, nesta sexta-feira (26), o lendário estilista italiano Giorgio Armani, com expressão de vigor e ânimo, contou como é a mulher a quem a marca se refere.

Giorgio Armani em entrevista no backstage do desfila da Emporio Armani, em Milão (26/02/2010)


"Uma mulher que não quer mais ser apenas bela. Uma mulher que se impõe com força e quase agressividade", disse o estilista ao UOL Estilo. Sua coleção para o Inverno 2010/11 apresentou ombros potentes e estruturados e valorização de traços geométricos (nos cortes de cabelo, nos acessórios, nas fendas diagonais). Segundo Armani, esta é uma busca de firmeza e definição no comportamento da mulher. "As mulheres querem recuperar o poder. Elas querem o poder".

Como as mulheres dos anos 80? Que começaram a vagarosamente tomar os postos de trabalho, inclusive os anteriormente dominados pelos homens?, perguntou o UOL ao estilista. Ele sorri, porque sabe que a referência oitentista é impossível de ser negada. Mas demonstra que é apenas uma nuance. "Sim... digamos que também remetemos àquela mulher", disse, despedindo-se e caminhando protegido por seus seguranças.

Intervenção federal no DF é cercada de polêmica

Maria Carolina Marcello
Em Brasília

A crise política que atinge o Distrito Federal, cujo comando passou pela mão de três governadores em 12 dias, abre caminho para uma intervenção federal no DF.
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O tema é cercado de discussões jurídicas que provocam um clima de indefinição. Encaminhado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o pedido de intervenção será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há, no entanto, data para que a STF analise o caso.

A demanda de Gurgel é extensiva aos poderes Executivo e Legislativo. A intervenção se justificaria, de acordo com a Constituição, para "por termo a grave comprometimento da ordem pública", "garantir o exercício de qualquer dos poderes nas Unidades da Federação" e "reorganizar as finanças da unidade da Federação", entre outros.

O relator do processo e presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, aguarda que a Câmara Legislativa envie informações para dar seguimento ao processo. A Casa tem até a próxima segunda-feira para encaminhar os dados.

Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, a situação de "desequilíbrio institucional" exige agilidade no julgamento do pedido de intervenção pelo STF.

"Há uma urgência em que se faça essa análise. É preciso tirar essa espada do pescoço de Brasília. Não há certeza sobre quem vai governar o DF", afirmou.

Enquanto a OAB nacional prega urgência, a OAB-DF defende que a crise no DF não é suficiente para preencher os requisitos necessários a uma intervenção. Tanto é que, na última quarta-feira, o presidente da Ordem no DF, Francisco Caputo, anunciou movimento "suprapartidário" contra a medida.

O cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), se posiciona a favor da medida.

Se o Supremo autorizar, será a primeira vez, desde 1956, que um Estado sofre intervenção federal. Na década de 1950, a medida foi motivada por um tiroteio na Assembléia Legislativa de Alagoas, onde tramitava um pedido de impeachment contra o então governador, Muniz Falcão, do Partido Social Progressista (PSP).

"A intervenção se justifica quando há total quebra do Estado de Direito, ou em termos de corrupção generalizada. Esse é o caso de Brasília. É muito provável uma intervenção no DF na primeira quinzena de março", avaliou.

Também o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Antônio Carlos Bigonha, acredita na necessidade do mecanismo.

"Nós consideramos que a intervenção é o único remédio capaz de sanar os males da corrupção na cidade. É muito forte, porém necessário para a doença que atacou o DF", afirmou Bigonha.
Intervenção não atrapalha Congresso

Durante sua vigência, o mecanismo impede a votação pelo Congresso de propostas de emendas à Constituição. Hoje, estão em discussão PECs como a que prevê reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, a que efetiva titulares de cartório não concursados e a que estabelece piso nacional para policiais e bombeiros militares.

Além do pedido de intervenção federal no DF, há outros 128 processos da mesma natureza em tramitação no STF, mas ao contrário da situação do DF, a maioria deles se refere à execução de pagamentos de precatórios, medidas judiciais de obrigatoriedade de pagamento de dívida pelos Estados.

Outro ponto discutível no âmbito jurídico, segundo Cavalcante, da OAB nacional, é a composição da linha sucessória determinada pela Lei Orgânica do DF. Ao contrário da Constituição Federal, a legislação distrital inclui o vice-presidente na Câmara Legislativa na sequência.

A Constituição também prevê eleições indiretas em 30 dias se os cargos de governador e vice estiverem vagos. Mas, em teoria, o posto de governador não está vago, José Roberto Arruda está apenas licenciado.

A crise no DF começou em novembro com as denúncias de corrupção que atingiram Arruda (sem partido), preso na Polícia Federal desde 11 de fevereiro por obstrução da Justiça.

Em seu lugar assumiu o vice, Paulo Octávio, também envolvido no escândalo e que, por falta de apoio político, inclusive de seu partido, renunciou na terça-feira, deixando também o

Democratas. Assumiu o presidente da Câmara Legislativo, Wilson Lima (PR), aliado de Arruda.

Comissão do Legislativo aprovou nesta sexta-feira abertura de processo de impeachment contra Arruda, que deve percorrer agora várias etapas. Outros três pedidos que pesavam sobre Paulo Octávio foram arquivados depois da renúncia.

Octávio, Arruda e pelo menos oito deputados distritais estão envolvidos em investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de distribuição de propina a parlamentares e integrantes do governo do DF.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010




I Fórum Vale Poético
13 a 28 março no Vale do Paraíba
Maiores informações: valepoetico@gmail.com

jura secreta 104

cachorro doido por ser de agosto
e ter o gosto de morder o ventre/lua
quando nua te desejo praia

lanço a rede em teu olhar
te engravido arraia
e te mergulho mar

Artur Gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

SampleAndo
o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sob o céu aberto
estrelas de neon em vênus
refletindo pregos no meu peito em cruz
na paulista consolação da na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijo sujo como a estação da luz
nos vídeosfilmes de TV eu quero um clipe
nosteus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
ninja gueixa eu quero a rota teu país ou mapa
teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa

Lady Gumes African's Baby
meto meus dedos cínicos
no teu corpo em fossa
proclamando o que ainda possa
vir a ser surpresa
porque amor não tem essa
de cumer na mesa
é caçador e caça
mastigando na floresta
todo tesão que resta
desta pátria indefesa
ponho meus dedos cínicos
sobre tuas costas
vou lambendo bostas
destas botas NeoBurguesas
porque meu amor não tem essa
de vir a ser surpresa
é língua suja grossa visceral ilesa
pra lamber tudo que possa
vomitar na mesa
e me livrar da míngua
dessa língua portuguesa.

antLírica
eu não sou zen
muito menos zhô
nem tão pouco
zapa
nem ando na contra capa
do teu disquinhodigital
não alinho pela esquerda
nem à direita do fonema
vôo no centro/viagem
olho rasante/miragem
veia pulsante/poema

PÁTRIA(R)MADA
só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o seu destino
e só me queira encapetado
profanando àqueles hinos
malandro, moleque, safado
depravando os seus meninos
só me queira enfeitiçado
veloz, macio, felino
em pêlo nu depravado
em sua cama sol a pino
e só me queira desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino

Gomes&Gumes

todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes
se um corta com palavras
a outra com corte mesmo
se um é produto da fala
a outra do ódio a esmo
todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
e um amor cego nas asas
brilhante de vagalumes
se em um a linguagem é sacana
na outra o corte é estrume
todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
se em um peixe é palavra
na outra o brilho é cardume
é fio estrela na lavra
mal cheiro vício costume
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes
se em um a coisa é sagrada
ofício provindo das vísceras
na outra a fé é lacrada
hóstia servida nas missas
se em um é cebola cortada
aroma palavra carniça
na outra o ferro, é tempero
fé cega - fome amolada –
poema é só desespero

Poema Dois

a tarde morre
quando estou
de frente ao cais
quando estou
de frente
ao cais
a tarde não morre
a noite
faz
artur gomes
In carNAvalha Gumes, Couro Cru & Carne Viva, BrazLírica Pereira: A Traição das Metáforas e 20 Poemas com Gsoto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Artur: faca de vários gumes

arturgomes: foto: jiddu saldanha

Por Adriano Moura , em 23-11-2009
http://www.fmanha.com.br/

ALGUMA POESIA

não. não bastaria a poesia deste bonde que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.

não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô.
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador

aparentando realismo hiper-moderno,
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos.

Artur Gomes
In Couro Cru & Carne Viva

Prêmio Internacional de Poesia – Quebec – Canadá 1987
Poeta, ator, produtor, compositor, agente cultural, inquieto “cachorro doido”. É impossível falar da poesia de Campos dos Goytacazes sem mencionar um de seus principais militantes. Artur é um tipo de poeta sem “papas”, mas com “farpas” na língua. Seu texto é cortante da vertente política à amorosa. Artur é musical, intertextual.

Seus poemas pertencem a uma classe específica: a dos que precisam também ser falados em voz alta. Não é um poeta apenas para estantes, mas para o palco, bares, ruas, etc. E assim faz o poeta, que freqüenta várias cidades do Brasil declamando seus textos, participando de mostras e festivais.

Em Campos, foram muitos os eventos e as performances produzidos por ele. Desde mostras visuais de poesia brasileira a happening em ônibus e bares.

O poema acima apresenta um eu-poético deslizando pelos prazeres e paisagens da urbana Rio de Janeiro dos anos 80. O verso conciso é também carregado de imagens sonoras seqüenciadas em rimas com aliterações e assonâncias como “porca” “Lorca” “Urca”. Esse recurso aparece com freqüência em outros textos do poeta. Será uma das razões de tantas parcerias de Artur Gomes com músicos como Paulo Ciranda e Luiz Ribeiro?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Edvaldo Santana Ao Vivo


Vale Poético – Março 2010 - aguardem mais informações
http://goytacity.blogspot.com/

Pontal Atafona



EDVALDO SANTANA AO VIVO O cantor, compositor e violonista paulistano Edvaldo Santana, com sua voz e seu suingue inconfundíveis, está na estrada com seu primeiro álbum gravado ao vivo, EDVALDO SANTANA AO VIVO, lançado em dezembro de 2009. A Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo recebe o músico e sua banda em 21 de fevereiro.
Baseado nas músicas de seus discos anteriores registrados em estúdio, o CD contém, por exemplo, “Lobo Solitário” (do álbum “Lobo Solitário”, 1993), “Cara Carol” (de “Tá Assustado?”, 1995), “Samba de Trem” (de “Edvaldo Santana”, 1999), “O Jogador” (de “Amor de Periferia”, 2004) e “Quem é que não Quer Ser Feliz” (de “Reserva de Alegria”, 2006).
Uma produção independente, EDVALDO SANTANA AO VIVO passeia pelos vários gêneros que sua obra comporta – blues, choro, rock, salsa, samba, sempre dosados de um modo autoral, particular – e apresenta uma síntese do trabalho que ele desenvolve há anos. As músicas ganharam novos arranjos e adquiriram a alegria e a espontaneidade que só uma gravação ao vivo é capaz de oferecer. “Sentia necessidade de gravar esse álbum por ainda não ter um registro ao vivo”, diz Santana.
A discografia do artista remonta a 1976, com a banda Matéria Prima – o primeiro trabalho solo é “Lobo Solitário”, de 1993. As captações sonoras foram realizadas em 19, 20 e 21 de junho de 2009 no Teatro Fecap, em São Paulo. Santana não esconde que uma certa tensão o acompanhou durante os três dias de gravação. “Não podíamos errar. E é claro que se não ficasse com um áudio legal não lançaríamos o disco. Os anjos da arte foram bastante generosos.” Além disso, os músicos – o guitarrista Luiz Waack, o percussionista Ricardo Garcia e o baixista Reinaldo Chulapa – lidaram com uma plateia diferente daquela a que estão acostumados. “Tivemos de cativar o público. E a energia que rolou foi muito forte. Tocamos muito bem, apesar de poucos ensaios. Acredito que esse formato semiacústico trouxe uma sonoridade original para o trabalho que desenvolvo”, afirma. O violão de Santana surge mais contundente que nas gravações em estúdio. São canções que representam a trajetória e a diversidade estética do artista, avesso a rótulos e acostumado a percorrer tanto o universo da poesia concreta como o da literatura de cordel. “Sou (do bairro) de São Miguel (Paulista), mas também ouço os caras de Liverpool, de Woodstock, da Bahia.”
EDVALDO SANTANA AO VIVO conta com a participação especial da sambista Dona Inah em “Luana de Maio” e traz duas músicas inéditas. Cantada à capela, “Santa Clara (Sacadura Cabral)” é um agradecimento a santa Clara pelo sol no dia em que foi gravado o clipe de “Batelage” (Edvaldo Santana) na comunidade de Sacadura Cabral, em Santo André. A faixa-bônus “O Goleiro”, homenagem a Barbosa, Mão de Onça e Gilson, foi gravada recentemente em estúdio e tem como convidado o sanfoneiro Antonio Bombarda. “Sertão e soul, presença e personalidade, voz marcante de cantar contracultivado, Edvaldo Santana enfrenta trovas e trovadores de todos os tamanhos, dos antigos provençais às galáxias urbanas suburbanas. Já tem toda uma história para contar e cantar. Viva no disco ao vivo”, assinala o poeta Augusto de Campos.
Com os mesmos músicos que tocam no disco, Santana executa no Centro Cultural São Paulo repertório mais amplo que o do CD. Ele promete “Batelage”, “Caximbo”, “Dor Elegante”, “Variante” e “Zensider”, entre outras canções.
SERVIÇO – SHOW Dia 21/02/2010 18 horas Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)
Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo, SP Fone (11) 3397-4000 R$ 12
(A bilheteria abre duas horas antes do show.)
produção- 29595885- 75897705
imprensa-Mauro Fernando- 96908385- 35012588

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

pontal foto.grafia

foto: artur gomes



Um rio

Era uma vez…
Um rio

Que de tão vazio,
já não era rio
e nem riachão,
tão pouco riacho.

Não era regato,
nem era arroio,
muito menos corgo.

Era uma vez…
um rio
que, de tanta cheia,
já não era rio
e nem ribeirão.

Era mais que Negro,
era mais que Pomba,
era mais que Pedra,
era mais que Pardo,
era mais que Preto,
bem maior ainda
que um rio grande.

Era uma vez…
um rio
que de tão antigo
era temporário,
era obsequente,
era um rio tapado
e antecedente.

Que não tinha foz,
que não tinha leito,
que não tinha margem
e nem afluente,
tão pouco nascente.

Mas que era um rio.

Não era das Velhas,
não era das Almas,
não era das Mortes.

Era um Paraíba,
era um Paraná,
era um rio parado.

Rio de enchentes,
rio de vazantes,
rio de repentes:

Um rio calado:

Sem Pirá-bandeira,
Sem Piracajara,
Sem Piracanjuba.

Em suas águas
não havia Pira
não havia íba,
não havia jica,
não havia juba.

Nem Pirá-andira,
nem Piraiapeva,
nem Pirarucu.

Era um rio assim:
Sem pirá nenhum.

Mas que era um rio.

Era uma vez….
Um rio.

Que, de tão inerte,
Já não era rio.

Não desaguou no mar,
não desaguou num lago,
nem em outro rio.

É um rio antigo,
que de tão contido
não é natureza.

Um dia foi rio,
há muito é represa.

Antônio Roberto (Kapi)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

'Pontal' com reforço de Artur Gomes na reta final


Marcos Curvello
http://fmanha.com.br/

Após a estréia e a lua cheia, o espetáculo “Pontal” chega à sua terceira e última semana, que encerra sua primeira temporada de exibição. Porém, antes de refazer o caminho da lua e sair de cena, deixando o show por conta da natureza que inspirou o texto e serve de palco à sua encenação, a peça poderá ser vista e revista, já que será reapresentada hoje, amanhã e sábado, no bar do Bambu (Neivaldo), em Atafona, sempre às 21h, com entrada franca. E, para aqueles que retornam ao palco improvisado no estabelecimento que um dia serviu de garagem a lanchas, uma surpresa: o jovem estreante gaúcho Mairus Stanislawski cede lugar ao veterano ator Artur Gomes.
De volta a Campos após se apresentar, no Parque de Ruínas de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, no ultimo dia 31, com o projeto “Pop, rock, poesia & outros baratos afins”, Gomes recebeu o convite de Kapi, o diretor de “Pontal”, para se juntar ao espetáculo, cuja apresentação o primeiro ainda não havia conferido, graças à temporada fora, apesar de com ele haver colaborado como autor.

— O convite foi natural. Quando surgiu a necessidade de Mairus se retirar, Kapi pensou logo em mim. Além da amizade de longa data que ele, Aluysio e eu nutrimos, há na peça um texto meu. Não coincidentemente, o poema se chama “Pontal”. Uma homenagem a Ana Augusta Rodrigues, pesquisadora do folclore campista que morou muito tempo em Ata-fona, o poema foi escrito na década de 70 e publicado pelo grupo Universo na coletânea de poesias de autores campistas chamada “Ato 5” — conta Gomes.
Procurado assim que retornou de viagem, Gomes não perdeu tempo e começou uma jornada intensiva para estar preparado para a apresentação da noite de hoje.
- Quando cheguei do Rio de Janeiro, Kapi me procurou. Estamos ensaiando desde terça-feira. Apesar de não ter visto as apresentações anteriores, a poesia de Aluysio não me é desconhecida. Já interpretei poemas dele em diversos Festivais, então conheço a sua lingaugem, suas referências e o seu talento. Virei a madrugada de terça para quarta-feira memorizando o texto. Ontem, trbalhamos as partes individuais, e, hoje, das 18 as 21h, de poertas fechadas, quando trabalharemos as passagens coletivas - revela.
Kapi - que chegou a considerar substituir Mairus ele próprio, mas recuou ao perceber as implicações à função de diretor - está confiante e garante que os ensaios tem sido proveitosos.
- Por se tratar de Artur Gomes, um ator de primeira grandeza, o processo está sendo tranquilo. Vai ser interessante ver um dos autores em cena. Logicamente, o espetáculo vai sofrer algumas modificações, porém acredito que crescerá na mesma medida. Artur é experiente. Sua trajetória data da década de 70. Tem muita estrada. Só isso já é garantia de que dará conta do recado. Além disso, traz toda uma experiência e uma vivência de do Pontal de Atafona em sua plenitude, bem como a sua visão poética do seu estágio atual, daí resolvemos incluir no espetáculo o seu poema - Pontal Foto.Grafia. O seu outro poema é datado da década de 70, este é da década de 90, quando o Pontal já estava em processo de devastação.
Pontal - cuja dramartugia é compsota a partir de 16 poemas de Aluysio abreu Barbosa, dois do teatrólogo Antônio Roberto Kapi, que assina a Direção e Cenografia do Espetáculo, dois do multiartista Artur Gomes e um de Adriana Medeiros, gira em torno de uma conversa entre pescadores, personagens tão comuns ao dia-a-dia atafonense.
Vividos ainda, pelos atores Yve Carvalho e Sidiney Navarro, esses homens do mar transformam
as emoções dos autores em uma contação de causos muito familiares aos veranistas e moradores do balneário.
Quem quiser conferir os poemas que deram origem ao espetáculo pode acessar o blogCantos, na Folha Online: www.fmanha.com.br/cantos, ou o blog http://mostravisualdepoesiabrasileira.blogspot.com Lá se encontra na íntegra 20 trabalhos que compõem a dramartugia da peça.