segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

couro cru & carne viva

collagem fulinaímica: artur gomes



Terra de santa cruz
ao batizarem-te
deram-te o nome
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro
ouro prata
rios minas mata

deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme
salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rende-vouz de impérios atrás
meu coração
é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil
que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.
fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamento dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim condicionados
aos restos do sub-humano
só desfraldando
a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu
bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste
à minha porta
o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil
minha verde/amarela esperança
portugal já vendeu para frança

e o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul
o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta zorra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:
meu coração
marçal tupã
sangra tupi & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná
o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank
ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

Nenhum comentário:

Postar um comentário