sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Carta de representantes da sociedade civil à Presidente Dilma Roussef e à Ministra da Cultura Ana Buarque de Hollanda

Nós, pessoas e organizações da sociedade civil abaixo-assinadas, explicitamos nesta carta expectativas e pautas relativas à formulação de politicas públicas para a cultura, dando as boas-vindas à Ministra Ana de Hollanda, primeira mulher a ocupar o cargo.

Escrevemos no intuito de cooperar com sua gestão que se inicia, como viemos fazendo nos últimos oito anos de Ministério da Cultura, certos de que a presidente Dilma deseja que as políticas e diretrizes que fizeram oMinC ganhar relevância, projeção e amplo apoio da sociedade civil sejam continuadas e expandidas.

A esse respeito, a presidenta Dilma, bem como o ex-presidente Lula, participaram ativamente nos últimos anos do Fórum Internacional Software Livre em Porto Alegre, onde deixaram claro sua política a respeito da internet, da cultura digital e dos direitos autorais.

Nesse contexto, nos últimos anos, a sociedade civil teve a oportunidade de construir um importante trabalho junto ao governo, que parte de uma visão contemporânea para a formulação de políticas públicas para a cultura. Essa visão considera que nos últimos anos, por causa do avanço das tecnologias da informação e dos programa de inclusão digital, um contingente de milhões de novos criadores passou a fazer parte do tecido cultural brasileiro. São criadores que acessam a rede através das mais de 100 mil lan-houses de todo o país, através dos Pontos de Cultura ou outros programas de inclusão digital, cada um deles exercendo um papel determinante para a formação da cultura do país.

Os Pontos de Cultura, o Fórum da Cultura Digital, o Fórum de Mídia Livre, o desenvolvimento de softwares livres, a iniciativa de revisão da lei de direitos autorais, a recusa a propostas irracionais de criminalização da rede, a construção do Marco Civil da Internet e a rejeição ao ACTA, são exemplos reconhecidos dessa política inclusiva e voltada para o presente, fundamentada na garantia do direito de acesso à Rede e ao conhecimento, viabilizando um ambiente de produção cultural fértil e inovador.

Os pontos positivos dessa política têm sido percebidos tanto no Brasil quanto no exteriors pontos positivos dessa política têm sido percebidos tanto no Brasil quanto no exterior, onde o país tem exercido liderança na tentativa de alinhar países em torno da implementação dos pontos da Agenda do Desenvolvimento, visando balancear o sistema internacional de propriedade intelectual de acordo com os diferentes estágios de desenvolvimento dos países e com as novas formas de produção cultural que as tecnologias possibilitam.

O país também tem sido frequentemente citado no cenário internacional como referência positiva sobre o uso das tecnologias para a formulação colaborativa e democrática de políticas públicas nessas áreas.

Com sucesso, o país tem dado passos substanciais ao considerar que as tecnologias da informaçao e comunicação desenvolvidas nos últimos anos trazem novos paradigmas para a produção e difusão do conhecimento, com os quais as políticas públicas no âmbito da cultura devem necessariamente dialogar.

Vivemos um momento em que são muitas as tentativas de cerceamento à criatividade, à abertura e à neutralidade da internet. No Brasil, isso se manifesta na chamada “Lei Azeredo” (PL 84/99), assim conhecida por conta de seu principal apoiador, o ex-Senador Eduardo Azeredo. Tal proposta encontrou relevante resistência por parte da sociedade civil. Apenas uma petição alcançou mais de 160 mil assinaturas contrárias, o que fez com que sua aprovação fosse devidamente suspensa e um debate maior iniciado.

Entendemos que a legislação de direitos autorais atualmente em vigor no Brasil é inadequada para representar a pluralidade de interesses e práticas que giram em torno das economias intelectuais. A esse respeito, a lei brasileira adota padrões exacerbados de proteção, sendo significativamente mais restritiva do que o exigido pelos tratados internacionais ou mesmo que a legislação da maior parte dos países desenvolvidos (como EUA e Europa). Com isso, ela representa hoje significativos entraves para a educação, inovação, desenvolvimento e o acesso, justo ou remunerado, às obras intelectuais.

Há também a necessidade de regulação do ECAD – entidade que arrecada mais de R$400 milhões por ano, em nome de todos os músicos do país e cujas atividades não estão sujeitas a nenhum escrutínio público. Vale lembrar que o ECAD foi alvo de CPIs, bem como encontra-se sob investigação da Secretaria de Direito Econômico, por suspeita de conduta lesiva à concorrência. Acreditamos que garantir maior transparência e escrutínio ao seu funcionamento só trará benefícios para toda a cadeia da música no país, fortalecendo o ECAD enquanto instituição e dificultando sua captura por grupos particulares.

A esse respeito, o MinC realizou extensivo processo de consulta pública para a reforma da Lei de Direitos Autorais, que teve curso ao longo dos últimos anos, contando com seminários e debates realizados em todo o país. Esse processo, concluído ainda em 2010, culminou com a consulta pública para a reforma da Lei de Direitos Autorais, realizada oficialmente pela Casa Civil através da internet.

Os resultados, tanto dos debates como da consulta pública, são riquíssimos. A sociedade brasileira teve a inédita oportunidade de participar e opinar sobre esse tema, e foram muitas as contribuições fundamentadas, de grande peso. Tememos agora que todo esse processo seja ignorado. Ou ainda, que a participação ampla e aberta da sociedade seja substituída por “comissões de notáves” ou “juristas” responsáveis por dar sua visão parcial sobre o tema.

A sociedade brasileira e todos os que tiveram a oportunidade de se manifestar ao longo dos últimos anos não podem e nem devem ser substituídos, menosprezados ou ignorados. O processo de reforma da lei de direitos autorais deve seguir adiante com base nas opiniões amplamente recebidas. Esse é o dever republicano do Ministério da Cultura, independentemente da opinião pessoal daqueles que o dirigem.

Os últimos anos viram um avanço significativo na assimilação por parte do Ministério da Cultura da importância da cultura digital. Esse é um caminho sem volta. Cada vez mais o ambiente digital será determinante e influente, tanto do ponto de vista criativo quanto econômico, na formação da cultura. Dessa forma, é fundamental que o Ministério da Cultura esteja capacitado e atuante para lidar com questões como o software livre, os modelos de licenciamento abertos, a produção colaborativa do conhecimento, as novas economias derivadas da digitalização da música, dos livros e do audiovisual e assim por diante. Muito avanço foi feito nos últimos anos. E ainda há muito a ser feito.

Uma mudança de direção por parte do MinC implica perder todo o trabalho realizado, bem como perder uma oportunidade histórica do Brasil liderar, como vem liderando, essa discussão no plano global. Mostrando caminhos e alternativas racionais e inovadores, sem medo de inovar e sem se ater à influência dos modelos pregados pela indústria cultural dos Estados Unidos ou Europa.

Por tudo isso, confiamos que a Ministra da Cultura terá a sensibilidade de entender as transformações que a cultura sofreu nos últimos anos. E que velhas fórmulas não resolverão novos problemas.

Permanecemos à disposição para dar continuidade à nossa cooperação com o Ministério da Cultura, na certeza de que podemos compartilhar nossa visão e objetivos.


leia a lista aqui: http://culturadigital.br/cartaaberta/

31 dezembro adeus dois mil e dez




depois de alguns dias de refúgio internado neste quarto de motel, ouvindo raul seixas, sérgio sampaio, adriana calcanhoto, luiz melodia, itamar assunção e edvaldo santana, para desintoxicar a visão e os tímpanos sem me preocupar com juras e promessas, adeus dois mil e dez, amanhã um outro dia e uma mulher como nova estrela guia, revisito o que já disse no poema:


o amor é um lance de dados
a vida um jogo de risco
baralho de cartas marcadas
no olho do cão do corisco
a sorte um lance de dedos
meu trunfo uma dama de espadas
a luz do sol meu aedo
numa oração são Francisco
quando a jura secreta é lacrada
teus olhos no cais meu segredo

é dando que se recebe
perdoando que se é perdoado
salário mínimo é pecado
aos olhos de deus serAfim
na minha escola de samba
Mallarmé dançou samba-enredo
com a morena de angola e Benin

yemanjá nasceu de uma estrela
nas ondas do mar meu brinquedo
conchas de ouro e marfim
a vida um lance de dados
quando o amor não cabe entre os dedos
ultrapassa paredes cancelas
todo mato no quintal
pode ser pleno jardim
toda flor uma flor florisbela
stella em tua janela ainda sonha por mim

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com




brazilian motel

na janela miro o horizonte para o nada
não ouço tua voz o rádio não me escuta
na vitrine o poema não muda tua face
e a bailarina de louça não muda
neste quarto de motel
o telefone não toca
a tv não fala
cobras e lagartos embaixo os corredores
baratas sob meus lençóis
formigas arranham o meu rosto
nas paredes aranhas tecem a teia do amanhã
:
são 5 horas: madrugada
o barco bêbado continua na calçada
fora do teu cais
as aves de rapina ainda rondam nos telhados
os ratos já roeram as roupas do palácio
as flores do cerrado continuam a desaparecer
alice agora sonha no meu colo
e o país ainda demora amanhecer

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O debate dos blogueiros progressistas no Rio

por Miguel do Rosário

Os blogueiros progressistas do Rio de Janeiro continuam botando a mão na massa e trabalhando. No dia 18 de dezembro, um sábado quente e modorrento, a uma semana do Natal, conseguimos reunir mais de sessenta pessoas, inclusive de outros estados, inclusive os guerreiros da Rede Liberdade, para um debate sobre a função política da blogosfera à luz da nova correlação de forças criada pela eleição de Dilma Rousseff.

Organizamos tudo na marra, sem patrocínio. Eu, um reles blogueiro desempregado, botei uma boa grana do próprio bolso; e não só eu, vários outros companheiros o fizeram; como sempre a blogosfera demonstrou generosidade, idealismo e disposição para fazer acontecer. Valeu a pena. É o tipo de investimento que você faz com orgulho. Alugamos o auditório do Sindicato dos Bancários, que possuía um bom sistema de ar-condicionado e bebedouro com água mineral (fatores fundamentais nessa época do ano no Rio…), compramos garrafas térmicas para servir café, chocolate, amendoins, biscoitinhos doces e salgados.

Não tem preço ficar de frente, tocar e abraçar aqueles idealistas, de olhos bondosos e puros, que outros chamam de “sujos” e que agora alguns tentam destruir a golpes de pedantismo.

Houve problemas com o som e com a internet. Um companheiro nosso que deveria trazer o som, não o fez, e tivemos que falar sem microfone, o que não foi problema por se tratar de um auditório com excelente acústica. Também não foi possível fazer a transmissão online via internet, igualmente por incompetência nossa, que nos esforçaremos para que não se repita em eventos futuros.

Fabiano Santos, um cientista político de primeira grandeza, do Iupesp-UERJ, abriu o debate com uma brilhante exposição sobre o momento político brasileiro. Relatou, em primeiro lugar, como mergulhou de cabeça na blogosfera, após sentir-se ofendido com matéria publicada num grande jornal do Rio, que atacava o instituto onde ele trabalhava, o Iuperj. Passou a ser um consumidor de blogs, começando pelo do Nassif.

Fabiano Santos elogiou o termo “progressista”, conceito que, segundo ele, contava com sua total simpatia, como aliás deixou claro ao aceitar prontamente o convite que lhe fiz de participar do evento e pela seriedade com que desempenhou sua tarefa. O cientista elogiou muito o trabalho desempenhado pelos blogueiros progressistas no sentido de ampliar o debate democrático no país.

Santos analisou a função da blogosfera política nas eleições e discorreu sobre as perspectivas eleitorais futuras. Uma das funções seria a reiteração ideológica, onde o indivíduo encontraria em alguns blogs uma visão parecida. Este fator, segundo ele, tem relevância política porque fornece argumentos e autoconfiança para um determinado núcleo duro, de pessoas interessadas no assunto, que são procuradas pela maioria, que apenas se interessa por política durante o momento eleitoral.

Outra função, que seria a ideal, seria a de persuadir, e eventualmente mudar o voto de uma pessoa.

Santos disse acreditar, no entanto, que a primeira função seria mais comum na blogosfera de esquerda atual.

Em seguida, ele fez considerações de ordem propriamente política-eleitoral-partidária. Lembrou a tese de seu pai, Wanderley Guilherme dos Santos, de que há uma possiblidade forte de união entre Aécio Neves e lideranças do PSB, e mesmo de outros partidos, sobretudo porque muitos estão se sentindo “órfãos” na divisão de poder entre PT e PMDB. Lembrou que da mesma forma que o PT se aliou ao PL, o PSB pode se aliar ao PSDB. A diferença (e aqui vai minha opinião, embora eu ache que o Fabiano concordaria com ela) é que, no caso da dupla PT X PL, a esquerda vinha na cabeça, enquanto a chapa PSDB X PSB teria um perfil hegemonicamente conservador.

Respondendo a uma pergunta minha, Santos apontou mais um desafio para a esquerda: lidar com o avanço das bandeiras conservadoras gerado pela ascensão social de um número grande de pessoas. A partir do momento em que se amplia o tamanho da classe média, outras demandas se impõem, entre elas, a discussão sobre a carga tributária.

Santos observou, todavia, que esses dilemas, hoje muito prementes entre a esquerda européia (onde a classe trabalhadora que votava na esquerda hoje vota na direita pelas mesmas razões), ainda demorarão a se tornar tão aguçados no Brasil. Observação minha: não que vão demorar tanto, ainda mais porque a mídia já identificou esses possíveis ponto-fracos da esquerda e vem trabalhando com afinco para satanizar a cobrança de impostos (o que não é difícil, visto que ninguém gosta de pagar imposto; de maneira que a pregação tem um quê de irresponsabilidade republicana, bem típica do tipo de direita que temos no Brasil). Outra observação é que isso é processo político normal e inevitável e se a esquerda não souber enfrentar essa luta com sabedoria, merecerá a derrota.

O cientista disse ainda que a imprensa grande é conservadora no mundo inteiro, com raras exceções. Eu lembrei das exceções: França e Itália, onde temos grande imprensa de esquerda, mas em todos os países americanos, mídia grande é ligada aos partidos conservadores.

Bemvindo Sequeira falou em seguida. Lembrou do tempo em que foi diretor do sindicato dos artistas, e sofria na mão de uma ultra-minoria ultra-esquerdista que sabotava sistematicamente as convenções, forçando as melhores cabeças a irem embora para casa, depois do que eles assumiam as votações e aprovavam bandeiras radicais, inconvenientes e contraproducentes.

O ator contou a história do grupo Rede Liberdade, que promove encontros virtuais, entrevistas, festas, e outros eventos.

Sequeira, como era de esperar, extraiu fortes risadas da plateia com sua irreverência livre e inteligente. Socialista maduro, responsável, positivamente astuto, o ator e comediante também fez uma bela defesa da liberdade de expressão nos debates políticos, ou seja, do não-patrulhamento, e a tolerância para com a opinião divergente.

A harmonia carinhosa entre ele, que defende a ação do governo estadual e federal no Complexo do Alemão, e o cartunista Latuff (a seu lado na mesa), que a critica ferinamente, era um exemplo maravilhoso e concreto. É possível discordar sem rancor.

Latuff dedicou grande parte de seu tempo a criticar a ação do Estado no Complexo do Alemão. Apesar d’eu discordar dele, compreendo e até apoio (por mais paradoxal que isso possa parecer) a manifestação de Latuff. De fato, a mídia produziu um consenso assustador nesse caso. O Globo deixou bem claro o que pode fazer quando “gosta” de uma determinada ação governamental: abraça-a com a mesma violência manipuladora e exagerada que usa para atacar ações que não gosta. Mesmo apoiando a ação, eu adverti por aqui a minha profunda discordância do tom salvacionista adotado pela Globo para descrever a ação.

O fato, porém, é que os principais movimentos sociais ligados às favelas apoiaram a invasão do Alemão pelo exército e polícia, mas todos tivemos muito medo de uma carnificina e por isso mesmo houve uma grande mobilização para que fosse tomado extremo cuidado para com os direitos humanos. A bem da verdade, a própria presença maciça dos canais de tv ajudou a evitar um banho de sangue. A mídia, conservadora ou não, é importante neste caso, porque permite à sociedade vigiar de perto o poder público.

Depois do evento, uma parte dos blogueiros progressistas confraternizaram no Bar do Gomes, na Lapa, que eu e meus amigos chamamos ainda pelo nome antigo: o Ceará. Rodrigo Brandão, Arles, , Latuff, o Betinho de BH, e vários outros. Havia um objetivo de confabular sobre o Encontro Regional, mas a bem da verdade, a gente usou o tempo para falar genericamente de política, relembrar anedotas, trocar impressões, ou simplesmente falar besteira.

O Emir Sader, que participaria do debate, mas não pode fazê-lo por estar em Foz do Iguaçu, num evento de lideranças da América Latina, mandou-nos uma cartinha:

Caros blogueiros, caros companheiros e amigos

Impossibilitado de participar desse importante debate, mando um abraço a todos. Terminamos um ano e uma década muito importantes para o Brasil e a América Latina. Começamos a construir alternativas ao neoliberalismo – ao reino do dinheiro, do tudo se vende, tudo se compra, e, que tudo tem preço – para começar a entender e a colocar em prática o principio democratico de que o essencial não tem preço. E o essencial são os direitos de todos.

No plano da comunicação, nossa ação guerrilheira surte efeitos e nos anima a seguir adiante. Mas não devemos ter ilusões; lutamos contra Exércitos regulares, com um poder de fogo muito superior ao nosso.

Estamos coseguindo demonstrar a superioridade politica, cultural e moral, do plurairismo, da diversidade, da multiplicação de vozes – princípios em que deve se assentar uma politica democrática de comunicação social.

Com debates como esse, vamos estabelecendo os elos desse nova politica.
Sou apenas mais um da nossa turma.

Um abraço.
Emir Sader

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

COMO LESAR O CIDADÃO, O PAÍS E SAIR IMPUNE

Laerte Braga


O exemplo maior é Daniel Dantas. É costume da mídia norte-americana escolher o chamado "inimigo público número um". Al Capone era chamado assim. Por aqui não haveria
dificuldade alguma em colocar a coroa, a faixa e entregar o cetro a Daniel Dantas.

Um dos responsáveis pela condução das privatizações no governo FHC (e um dos principais
beneficiários), conseguiu a proeza de colocar um dos seus funcionários no STF (Supremo Tribunal Federal) – o "ministro" Gilmar Mendes – e no inquérito policial conduzido pelo delegado Protógenes Queiroz em que era indiciado e foi preso e solto duas vezes (solto por Gilmar), o delegado acabou condenado.

Dantas contribuiu decisivamente para a campanha de José Serra (amigo e pai de uma de suas sócias) e pelo sim e pelo não doou um milhão e meio de reais para a campanha de Dilma Roussef.

Imagino que cada político/corrupto neste País tenha o retrato de Daniel Dantas entronizado no ambiente de trabalho como forma de inspiração e busca de proteção.

É o caso de Paulo Hartung, governador do extinto estado do Espírito Santo, hoje
conglomerado VALE/ARACRUZ/SAMARCO/CST e outras menos votadas, mas não menos
perigosas.

Hartung eleito e reeleito passou os oito anos de seu "governo" nadando na piscina do dinheiro público. Lesou e vai continuar lesando até 31 de dezembro um povo inteiro e sai impune, numa antiga unidade da Federação onde meio Tribunal de Justiça foi parar na cadeia por trapaças e tramóias dignas dos velhos gangsters.

Precatórios são como se fossem títulos de dívida pública junto a cidadãos de uma determinada categoria prejudicados num direito líquido e certo e assim denominado por decisão judicial que os reintegra em seus direitos.

Diferenças salariais, descumprimento de decisões judiciais, etc, etc.

A Constituição Federal trata do assunto e dá prioridade aos credores de precatórios, com ameaça inclusive de intervenção em governos que não cumpram tais decisões. Nenhum cumpre e fica por isso mesmo.

O Judiciário no Brasil funciona sem que se produzam efeitos de suas decisões, exceto se for um cidadão comum. Ou se as decisões forem para arrebentar o cidadão comum e beneficiar o "cidadão" Daniel Dantas, ou o cidadão Cacciola.

E se existem no meio do caminho juízes íntegros a desafiarem essa "ordem", acabam punidos, prejudicados em suas carreiras, ou estigmatizados com o epíteto de "honestos". Sem ironia. Pura realidade. Isso quando não acabam mortos como aconteceu com o juiz Alexandre de Castro Martins Filho, assassinado à luz do dia na Grande Vitória, por ter o desvio conhecido como honestidade.

Para ser ter uma idéia, o Banco Itaú promove anualmente um regabofe com juízes num resort na Bahia para "troca de idéias". Tem de tudo e entre os mimos até eventuais acompanhantes se o magistrado assim o desejar. Uma boa parte deles vai lá discutir a inocência dos bancos diante dos clientes.

Professores do Espírito Santo são credores de um precatório. O número do processo é 2418/19, lote 100 950 010 e o SINDIUPES – Sindicato dos Professores – e o advogado do sindicato, quando do início da ação contra o governo estadual era representado pelo advogado Alexandre Zamprogno.

Por incrível que possa parecer os professores ganharam a ação na Justiça, razão pela qual se constitui a figura do Precatório. Prioridade no pagamento das responsabilidades do governo do estado (extinto estado).

Como se vê, até aí tudo bem. Mais ou menos como o cara que pula do centésimo andar e ao passar pelo qüinquagésimo diz que "até agora não aconteceu nada de ruim". À altura do terceiro andar, digamos, o carro do advogado Alexandre Zamprogno cai de uma ponte e os documentos do Precatório "somem".

Professores lambem com os olhos e olham com testa.

O dito advogado que nada sofreu no acidente vira Procurador do Município de Cariacica e fica o dito pelo não dito, tudo perdido no Canal de Vitória, na ponte que liga Camburi à Praia do Canto. Fato noticiado no ES/TV, noticiário da GLOBO, isso à época evidente.

Há quem diga que o Precatório já foi "pago", recebido por "procuradores", há quem diga que não, que não poderia ter sido pago o que sumiu, enfim, trampo em cima de trampo.

Os professores... Bem, continuam lambendo com os olhos e olhando com a testa.

O fato dos documentos terem se perdido num acidente (que nem incêndio para receber seguro) não significa que todo o processo não pudesse vir a ser restaurado. Mas, o governador é Paulo Hartung, uma espécie de Daniel Dantas regional, pode ter certeza, algo bem pior que Beira-mar e Elias Maluco, até porque não corre o risco de vir a ser preso, é "amigo dos homens da lei".

O atual presidente da OAB no estado, Homero Mafra, ao contrário do geral, trabalha o assunto com seriedade e tem buscado formas de assegurar que o direito dos professores, os credores do Precatório sejam assegurados e o pagamento efetuado. Encontra barreiras é lógico, afinal, não custa repetir, o governador e Paulo Hartung.

Em todo esse processo, que já dura anos, vários personagens protagonizaram histórias no mínimo intrigantes sobre a matéria, vamos usar essa expressão. A vitória de Homero Mafra nas eleições da OAB restou sendo um transtorno para os bandidos, à medida que pauta sua conduta pela dignidade no trato da coisa pública e da coisa pessoal.

Denúncias já foram feitas das mais variadas formas, mas o processo "sumiu". Os documentos "sumiram" e nenhum dos implicados na história desde o "sumiço" se deu mal. Pelo contrário.

Paulo Hartung termina seu segundo assalto, quer dizer mandato, no final deste mês e passa o governo a Renato Casagrande, eleito em outubro. Tudo indica que os documentos vão continuar "sumidos", os professores lesados em seus direitos e Paulo Hartung amparado pela impunidade que beneficia figuras desse jaez, gozando os benefícios dos documentos que, nesses oito anos, "sumiram.

Uma das novelas da GLOBO transcendeu no seu capítulo final à própria emissora e passou a simbolizar a impunidade no Brasil. O personagem interpretado por Reginaldo Faria, em seguida a capítulos e mais capítulos de ações hoje consagradas por Dantas, Hartung, etc, foge num helicóptero e dá uma banana para o Brasil ao som de Cazuza.

"Não me convidaram para essa festa pobre/que os homens armaram pra me convencer/ a pagar sem ver toda essa droga/ que já vem malhada antes de eu nascer/ não me ofereceram nenhum cigarro/fiquei na porta estacionando os carros/não me elegeram chefe de nada/o meu cartão de crédito é uma navalha/Brasil, mostra a sua cara/quero ver quem paga pra gente ficar assim/Brasil qual é o teu negócio/o nome do teu sócio/confie em mim/não me sortearam a garota do Fantástico/não me subornaram/será que é o meu fim?/ver tevê a cores na taba de um índio/programada para só dizer sim sim.../grande pátria desimportante/em nenhum instante eu vou te trair/não não vou te trair".

Hoje mudou um pouco. Avanços "tecnológicos" no componente impunidade. Não hánecessidade de fugir. A justiça garante através de figuras como Gilmar Mendes e que tais.

Basta fazer alianças a palavra chave.

Ou usar azeite especial. A GLOBO por exemplo adora. No caso do Espírito Santo, extinto estado, através da Rede Gazeta, subsidiária de Marinho/Capone&Hartung.

Ao final e à guisa de esclarecimento, o Tribunal de Justiça, acuado pelas denúncias que repercutiram nacionalmente, reconheceu como legítimos os documentos apresentados por reclamantes e autenticados, conferindo legitimidade ao Precatório.

O Conselho Nacional de Justiça também.

Mas e aí? Paulo Hartung é integrante de uma sub-quadrilha da grande quadrilha nacional que já não foge de helicóptero porque não precisa. Mas não deixa de dar a clássica banana para o cidadão lesado.


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Renato Teixeira faz show em praia de São João da Barra



Músico se apresenta no próximo domingo no Balneário de Atafona


Foto: Divulgação



O som de Renato Teixeira vai marcar a última apresentação do Festival da Primavera, no próximo domingo, dia 19, às 16h, no Novo Balneário, em Atafona (São João da Barra). O cantor e compositor, que tem raízes na música sertaneja, vai embalar o público em uma viagem por seus sucessos como a canção “Romaria” (grande sucesso gravado por Elis Regina e outros), e as músicas “Tocando em frente” (em parceria com Almir Sater, gravada também por Maria Bethânia), “Dadá Maria”, “Frete”, “Amanheceu”, entre outros.

Recentemente, Renato Teixeira compôs a música “Rapaz caipira”, como crítica à atual música sertaneja de consumo, fazendo renascer a expressão música caipira. É um defensor aberto da música de raiz, caipira, que ainda sobrevive apesar dos desvios da música sertaneja. O mais recente trabalho do artista é o CD e DVD “Renato Teixeira – No Auditório Ibirapuera", de 2007.

Muitos estranham o fato da música do compositor ter origens caipiras e ele ser caiçara, tendo nascido em Santos, litoral paulista. Essas referências fazem parte da infância de Renato em Ubatuba e a adolescência no interior do Estado, onde ele viveu por muitos anos. Sempre apaixonado pela música, assim como os familiares, não demorou muito para entrar de cabeça na atividade.

Renato Teixeira foi para São Paulo no final dos anos 60, por indicação de Luiz Consorte que levou fita com suas músicas para o tio, Renato Consorte, que a enviou Walter Silva, promotor de novos artistas e um homem muito conhecido nos meios de comunicação. As portas se abriram e, logo o cantor estava no Festival da Record de 67,com a música Dadá Maria que foi defendida pela Gal Costa (também em começo de carreira) e pelo Silvio César. No disco do festival, fez sua primeira gravação com Gal Costa.

Acompanhou de perto surgimento do Tropicalismo, fez jingles publicitários para sobreviver e criou o Grupo Água, com o companheiro Sérgio Mineiro, onde assimilou o espírito da cultura caipira e a projetou de uma forma contemporânea para todo o Brasil, até fazer a parceria com Almir Sater e com a dupla Pena Branca e Xavantinho.

Em 1990, apresentou o programa Tom Brasileiro na Rede Record, onde além de cantar, apresentava artistas que valorizavam a música nacional.

fonte: http://www.nf10.com.br/

"Orquestra de Senhoritas" em cartaz no Teatro de Bolso



Espetáculo pode ser visto (domingo) em Campos


Foto: Divulgação



Desde (sexta-feira, 10), está em cartaz no Teatro de Bolso o espetáculo teatral “Orquestra de Senhoritas”. Hoje (sábado, dia 18), a apresentação será às 21h. Amanhã (domingo, dia 19), às 20h. A comédia é encenada pelo Grupo “A Gente da Orquestra”, com direção de Fernando Rossi. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). A classificação indicativa é de 14 anos.

Na história, seis mulheres são as musicistas de uma orquestra que se apresenta em um Café Concerto, acompanhadas de um pianista. Com realidades duras de vida, essas mulheres vão mostrar seus desafios do dia a dia com muito humor e alegria. Os atores Pedro Fagundes, Axson Bonini, Sidney Navarro, Yve Carvalho, Adeilson Melila, Rique Ribeiro e Fabrício Simões vivem os divertidos personagens.

A temporada prossegue até o dia 19. “Orquestra de Senhoritas” está de volta depois de 28 anos de sua primeira temporada de sucesso, também no palco do Teatro de Bolso. Belos figurinos e objetos de cena ilustram o universo da comédia musical.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Na falta de um Bin Laden de verdade

Leandro Fortes


Jobim e os militares tentam enquadrar o MST como grupo terrorista

Ironia do destino, caberá à presidente eleita, Dilma Rousseff, pôr fim a uma guerra interna do governo federal: qual é a posição que o Brasil deve ter sobre o terrorismo? Ex-militante da esquerda armada durante a ditadura, a sucessora de Lula foi chamada de terrorista na campanha eleitoral. Mas, como decidiu manter Nelson Jobim no Ministério da Defesa, vai continuar a conviver com o intenso lobby dos militares, apoiados pela turma conservadora da agricultura, a favor de uma lei que defina como terroristas os líderes de movimentos sociais, inclusive estudantes e atingidos por barragens. E, sobretudo, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST. No governo Lula, a ideia nunca prosperou, o que não desanimou os defensores do projeto.

Um grupo de trabalho montado no governo passou os últimos dois anos debruçado sobre um tema geral – a elaboração de uma nova Lei de Segurança Nacional – para cuidar de outro, específico e mais urgente, a tipificação do crime de terrorismo no Brasil. Entre os integrantes do grupo, criado em 14 de julho de 2008, estavam representantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU), dos ministérios da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Planejamento, Ciência e Tecnologia, além dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Há cinco meses, e após dez reuniões de trabalho, foi produzido um relatório ambíguo e conflituoso. As discussões, conduzidas pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, desembocaram num texto dividido em quatro eixos: a defesa das instituições democráticas; as ameaças externas; as ameaças às áreas estratégicas econômicas e de infraestrutura; e o combate ao terrorismo.

Nos três primeiros tópicos, salvo poucas questões conceituais, não houve divergências relevantes. No quesito terrorismo, contudo, o coordenador do grupo de trabalho, Felipe de Paula, titular da secretaria, foi obrigado a capitular diante do lobby fardado: cravou, no texto final, a opção preferencial pelo combate ao financiamento ao terrorismo, tese defendida pelo setor civil do grupo, mas viu-se obrigado a relatar a divergência a respeito da necessidade de se tipificar o crime de terrorismo, como queriam os militares comandados por Jobim.

As contradições estabelecidas em torno do tema têm um vício de origem. O grupo de trabalho foi criado no ambiente da chamada Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) do Conselho de Governo, órgão de assessoramento do presidente da República. O presidente do Creden é o general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do GSI e personagem central desse cabo de guerra travado, desde o início do governo Lula, entre os aliados aos movimentos sociais e os setores afinados aos comandantes militares. De 2006 para cá, Félix e sua tropa investiram duas vezes na tentativa de tipificar o terrorismo. Perderam a primeira batalha em 2007, mas conseguiram abrir uma brecha na segunda, em 2010 – e é aí que a posição de Dilma Rousseff será decisiva.

A presidente está na origem do movimento interno, levada a cabo no Palácio do Planalto, que frustrou a primeira tentativa de enquadrar os movimentos sociais como agentes do terrorismo. Em novembro de 2007, após dez meses de estudo, o então ministro Tarso Genro conseguiu matar um anteprojeto que pretendia igualar, em status e infâmia, o líder do MST João Pedro Stedile a Osama bin Laden.

Um ano antes, a ideia de se tipificar o terrorismo havia ganhado corpo no âmbito da chamada Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), elaborada em reuniões rea-lizadas, todos os anos, para definir a política brasileira de enfrentamento a esse tipo de crime. Embora o objetivo da Encla nada tenha a ver com terrorismo, o assunto foi colocado na agenda por pressão do GSI. Para tal, formou-se um primeiro grupo de trabalho do qual faziam parte a AGU, a Casa Civil, o Ministério da Defesa, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Associação Nacional de Juízes Federais.

À frente das discussões, e à revelia do Ministério da Justiça, o general Félix apressou-se em produzir uma pérola normativa de tal forma genérica que, no fim das contas, poderia transformar em terrorista tanto um genocida como estudantes que invadam reitorias para reivindicar melhora na comida do reda universidade. Era assim o artigo 1º do texto bolado pelo GSI: “Os crimes previstos neste título serão punidos quando cometidos com a finalidade de infundir estado de pânico ou insegurança na sociedade, para intimidar o Estado, organização internacional ou pessoa jurídica, nacional ou estrangeira, ou coagi-los à ação ou omissão”. Nesses termos, até os humoristas do CQCou do Pânicopoderiam ser presos e autuados como terroristas.

Antes de Genro, Márcio Thomaz Bastos teve o cuidado de engavetar o delírio antiterrorista do GSI sob o argumento de que o texto tinha apenas um objetivo: incriminar os movimentos sociais. Para recolocar o assunto nos trilhos da legalidade, Bastos tirou a discussão da esfera do general Félix e nomeou o então secretário de assuntos legislativos da pasta, Pedro Abramovay, atual secretário nacional de Justiça, para conduzir os trabalhos. Em seguida, decidiu encaminhar ao Congresso uma proposta de emenda ao projeto de lei sobre lavagem de dinheiro com a intenção de somente enquadrar o financiamento a atos de terror no País. O projeto foi aprovado no Senado e espera para ser votado na Câmara.

Descobriu-se, agora, que o governo desagradou não apenas aos militares e os ruralistas, mas os Estados Unidos. De acordo com documentos revelados pelo site WikiLeaks, relatos enviados a Washington pelo então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, em 2008, demonstram a frustração em relação ao rumo do projeto. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, os EUA tentam impor ao mundo legislações duras de combate ao terrorismo. Em um dos telegramas, Sobel insinua ter sido Dilma Rousseff, na Casa Civil, a responsável pela articulação que resultou na derrota das teses de Jobim e Félix.

Perdida a primeira batalha, o GSI e o Ministério da Defesa organizaram-se rapidamente para colocar o tema do terrorismo, outra vez, na agenda do governo, mas com o cuidado de não deixar o Ministério da Justiça assumir novamente o protagonismo da discussão. Daí a ideia de, sete meses depois de o anteprojeto elaborado ter sido enviado ao Congresso, em julho de 2008, o general Félix acionar o Creden para elaborar uma nova Lei de Segurança Nacional. Com boa desculpa. A LSN atual, de 1937, turbinada pela ditadura em 1967 e revisada em 1983, é um entulho autoritário em desuso há ao menos duas décadas.

Em outubro de 2008, Félix montou o grupo de trabalho para estudar a nova legislação, agora chamada de Lei para a Defesa da Soberania e do Estado Democrático de Direito. Certo de que teria nas mãos a condução do processo, formou um time no qual, além do GSI e da Defesa, entraram os comandos militares, cada qual com seis representantes – quatro deles oficiais-generais: dois brigadeiros, um almirante e um general. Montar um texto para tipificar o crime de terrorismo seria, portanto, barbada. Não foi. Em outubro de 2009, por pressão de Tarso Genro, a discussão foi enviada novamente pelo presidente Lula ao Ministério da Justiça.

“Nossa preocupação, antes de tudo, é com a questão dos direitos individuais e dos princípios do Estado Democrático”, resume Felipe de Paula, atual secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. À frente da coordenação dos trabalhos, ele conseguiu conter a sanha contra os movimentos sociais. Mas o GSI impôs no texto a existência da divergência sobre a tipificação do terrorismo.

Dilma Rousseff não pretende mexer nesse vespeiro até assumir a Presidência. Até lá, Felipe de Paula estará à frente de um subgrupo de trabalho, montado em agosto deste ano, com o objetivo de redigir o anteprojeto da nova LSN, com base no relatório produzido pelo Creden. Como dificilmente o general Félix permanecerá no GSI – que, inclusive, poderá voltar a ser apenas um Gabinete Militar –, é pouco provável que Jobim, sozinho, consiga transformar os sem-terra em terroristas com o aval da presidente. Isso não significa que ele não tentará.


Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com/



Jobim nega possibilidade de punição para torturadores da Guerrilha do Araguaia



Por Débora Zampier, da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje (15) que a decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) de condenar o Brasil pelo desaparecimento de 62 pessoas na Guerrilha do Araguaia é meramente política e que não produz efeitos jurídicos no Brasil. Jobim disse também que não há possibilidade de punição para os militares que praticaram tortura no país.

Para Jobim, que já foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a validade da Lei da Anistia não deve voltar a ser discutida na Corte. “O assunto não pode voltar ao Supremo, pois a Corte está sujeita a suas próprias decisões. As decisões de constitucionalidade têm efeito contra todos, inclusive eles [os ministros]”, disse Jobim.

Mais cedo, o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que o STF poderia voltar a discutir a Lei de Anistia, julgada constitucional por 7 votos a 2 em abril deste ano. “Se você tem uma lei que anistiou, ela não pode ser revista hoje. É uma lei que se esgota em sua própria vigência”, afirmou Jobim, durante palestra na Secretaria de Assuntos Estratégicos.

O ministro disse que seu lema é “memória tudo, retroação zero”, e que não se constrói política no presente olhando para o passado. “Quando isso acontece, há um consumo brutal de energia no primeiro ano de governo, só retaliando o governo anterior”.

Segundo Jobim, o Estado já está cumprindo decisão da CIDH com o Grupo de Trabalho do Tocantins, que atua há dois anos e é formado por diversos especialistas que trabalham na localização dos corpos dos desaparecidos na guerrilha.

O ministro lembrou que a anistia foi negociada na transição entre o governo militar e o civil, assegurando uma ampla vigência para os dois lados.

“O processo de transição no Brasil é pacífico, com histórico de superação de regimes, não de conflito. Isso nem sempre acontece nos países da América espanhola, muitas vezes pautados por situações de degola e pelo lema lucha hasta la muerte [luta até a morte]”, disse Jobim, fazendo referência a um discurso do revolucionário Ernesto Guevara na Organização das Nações Unidas (ONU), em 1964, em defesa da Revolução Cubana.



O Legado de Lula


Desenvolvimento e programas sociais dão nova cara à pobreza

Transferência de renda, combinada ao desenvolvimento econômico, contribuíram para mudar o cenário


A cara da pobreza no Brasil mudou nos últimos oito anos. É possível perceber isso tanto pelos números radiografados pelos indicadores oficiais quanto por histórias que traduzem melhorias na condição de vida da população. Dados oficiais demonstram uma acelerada taxa de crescimento dos ganhos das camadas mais pobres, de forma a permitir que a extrema pobreza brasileira diminua em ritmo três vezes superior ao que previam Metas do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas), segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O governo reconhece que o crescimento econômico em geral ajudou a guiar a melhoria da renda dos brasileiros – embora insista que o desenvolvimento em si é reflexo de uma política econômica acertada. De qualquer forma, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva credita boa parte dos avanços a seus programas de transferência de renda.

Evolução do Bolsa Família, vedete do governo na área social

Só no Bolsa Família, principal vedete do governo na área social, são 12,7 milhões de beneficiários, cada um recebendo no mínimo R$ 68 – o benefício pode agregar ainda outros ganhos, dependendo do número de filhos matriculados na escola pública. O número de pessoas atendidas pelo Bolsa Família equivale é quase igual ao de famílias com renda de até R$ 140 per capita no País – pouco menos de 13 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE.

Por esses dados, também é possível perceber que entre 2001 e 2009, a taxa de crescimento da renda dos 10% mais pobres variou de 7,5% a 8% ao ano, seis vezes mais do que a variação dos ganhos dos 10% mais ricos no mesmo período.

Pobreza

Crescimento dos ganhos dos mais pobres no País fez com que a pobreza diminuísse entre 2003 e 2009

Para o economista Ricardo Paes de Barros, do Ipea, não dá para atribuir todas as mudanças apenas aos programas de transferência de renda – outros elementos, como a queda do número de nascimentos, uma melhora na taxa de ocupação e na renda com o trabalho, também devem ser levados em conta. Contudo, especialmente no caso da extrema pobreza, o impacto dos programas sociais tem sido contundente, na avaliação do especialista.

“Esses programas são como um seguro, que está ali para garantir a subsistência em situações extremas. Evidentemente que, à medida que o País enriquecer, desde que garantindo a redução da desigualdade, as bolsas vão ficando menos importantes, mas não devem deixar de existir como garantia”, afirma Paes de Barros.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada anualmente pelo IBGE, mostrou que a crise econômica iniciada em setembro de 2008 teve impacto, mas não foi suficiente para reverter a trajetória favorável da maioria dos indicadores sócioeconômicos brasileiros nos últimos anos.

Entre 2008 e 2009, o rendimento médio real do trabalho cresceu 2,2%, chegando a R$ 1.106 por mês. A renda média mensal real por domicílio cresceu 1,5%, alcançando R$ 2.085.
O Índice de Gini, que mede o grau de desigualdade de zero (igualdade plena) a um (desigualdade total), melhorou tanto pela renda do trabalho quanto do pela renda domiciliar. O desemprego aumentou, mas o emprego formal, de melhor qualidade, também. E a ocupação subiu, mesmo sem acompanhar o crescimento populacional.

Miséria

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que é possível eliminar a miséria até 2016 – ao todo são 18 milhões de brasileiros nessa condição. A presidente eleita, Dilma Rousseff, acredita que é possível finalizar a tarefa já em 2014. “Mantido o padrão de distribuição de renda e crescimento econômico do governo Lula, a previsão do Ipea é factível”, afirmou durante a campanha. “Mas acho que devemos ser mais ousados.”

Outros benefícios que compõem o pacote social do governo Lula

O eixo da mudança na face da pobreza e da miséria brasileira se acentuou durante o governo Lula, mas não começou com ele. No período 1985-2010, o gasto social subiu de 13% do PIB para 23%, patamar semelhante ao de países ricos. Os primeiros passos dos programas de transferência de renda no Brasil foram dados no penúltimo ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, com a implantação do Bolsa Escola, que pagava às famílias R$ 15 por cada criança matriculada na escola pública, ao limite de R$ 45 mensais.

O Bolsa Escola chegou a ter 8,6 milhões de beneficiados. Dentro da Rede de Proteção Social do governo FHC, também foram instituídos o Bolsa Alimentação, o Auxílio Gás, o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Brasil Jovem, cada um ligado a um ministério diferente. O Bolsa Família unificou as transferências no Ministério do Desenvolvimento Social, que de tempos em tempos reavalia o benefício, a partir de recadastramentos e do acompanhamento da frequência escolar.

Ao Bolsa Família se somam ainda outros programas de transferência de renda, entre eles o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que beneficia 3,3 milhões de idosos e pessoas com deficiência.

Desenvolvimento e programas sociais dão nova cara à pobreza

O governo reconhece que o crescimento econômico em geral ajudou a guiar a melhoria da renda dos brasileiros – embora insista que o desenvolvimento em si é reflexo de uma política econômica acertada. De qualquer forma, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva credita boa parte dos avanços a seus programas de transferência de renda.

Fonte: Portal IG

Tudo registrado







O Presidente Lula afirmou ontem, durante cerimônia no Palácio do Planalto, que os seis volumes lançados com as realizações de seu governo servirão para que a presidente eleita, Dilma Rousseff, "tenha noção de tudo o que ajudou a construir e a certeza do quanto ainda precisa fazer pelo país". A solenidade contou com todos os ministros e praticamente todos os ex-ministros que fizeram parte dos oito anos da gestão de Lula.

Lula agradeceu a presença de todos, dizendo que eles participaram dos "bons momentos e dos momentos difíceis de um governo que encerra a gestão com a aprovação de mais de 80% da população". Lembrou que, somados àqueles que consideram o governo regular, a avaliação positiva de seu mandato sobe para mais de 90%. "Nestes oito anos de governo, nós resgatamos a auto-estima do povo brasileiro".

Lula afirmou que, em sua visita a Salgueiro (PE), na terça-feira, um peão de obra procurou-o para recordá-lo do discurso de posse quando prometeu que, em seu governo, todo brasileiro comeria pelo menos três vezes por dia. "Presidente, estou que nem pinto de granja, comendo toda hora", disse o peão, segundo o presidente Lula.

Os seis volumes apresentados ontem foram registrados em cartório. Lula disse que esse gesto é um sinal de respeito à população "para mostrar que nós fizemos muito mais do que os outros fizeram". E, para não perder o costume, reclamou dos jornalistas, dizendo que o material serve para a imprensa ver "a quantidade de coisas boas que o governo fez que não foram noticiadas". O presidente disse que todo governante espera que se escrevam manchetes favoráveis, mas elas nunca são escritas. "Mas isso não é defeito apenas do Brasil não. É da França, dos Estados Unidos, da Inglaterra, da China....não, não, na China é diferente", completou.

O Presidente enumerou todos os êxitos de seu governo, como a redução do nível de informalidade, o controle da inflação, a construção das universidades e escolas técnicas e o aumento de ofertas de vagas nas universidades, especialmente no Nordeste. "Alguns acham que o Nordeste só tem condições de formar pedreiros. Nós queremos que o Nordeste passe a formar engenheiros", disse ele, acrescentando que o caminho seguido pelo país é irreversível. "Se depender de Dona Dilma e Dom Guido, o Brasil será a 5ª economia do mundo em 2016".

Lula falou também sobre o governo Dilma na formação do futuro ministério. "Disseram que ela escolheu o Guido Mantega para o Ministério da Fazenda porque eu pedi. Os ministros do meu governo se reuniam muito mais com ela do que comigo. Quando eles chegavam ao meu gabinete, já tinham conversado com Dilma umas quatro ou cinco vezes", afirmou o presidente.

O Presidente se emocionou em pelo menos dois momentos na cerimônia. O primeiro foi quando o governador da Bahia, Jaques Wagner - escolhido para falar em nome dos ministros - lembrou a primeira viagem que o presidente fez com os ministros para o Piauí, na primeira semana do governo, em 2003. "Quando estávamos voando de volta, o senhor nos disse: quando estiverem no ar condicionado de seus gabinetes, lembrem-se que foi esse povo que nos elegeu e nos trouxe até aqui". O segundo momento foi quando Maria do Socorro Nascimento, representantes dos trabalhadores, disse que passou a ter um negócio regularizado após os incentivos dados pelo governo Lula para as micro e pequena empresas.


Já o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, emocionou Dilma, ao dizer que era um orgulho para a geração dele a chegada de uma mulher à Presidência. "Assim como o presidente Lula, que sabe dizer não quando precisa, você, Dilma, também soube dizer não e não vergastou sua coluna, nos momentos em que era mais fácil dizer sim ou dobrar a coluna para o regime", disse Franklin.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Blogueiros progressistas do RJ debatem papel da blogosfera na conjuntura política atual

Quem tem medo do Wikileaks?

Direto do síto www.cartamaior.com.br

“Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos”, escreve o sociólogo Manuel Castells em artigo para o jornal espanhol La Vanguardia.

Manuel Castells - La Vanguardia

Texto em português publicado originalmente no IHU-Online - Publicado no La Vanguardia em 30/10/2010

Tinha que acontecer. Há tempo os governos estão preocupados com sua perda de controle da informação no mundo da internet. Já estavam incomodados com a liberdade de imprensa. Mas haviam aprendido a conviver com os meios de comunicação tradicionais. Ao contrário, o ciberespaço, povoado de fontes autônomas de informação, é uma ameaça decisiva a essa capacidade de silenciar sobre a qual a dominação sempre se fundou. Se não sabemos o que está acontecendo, mesmo que teimamos, os governantes têm as mãos livres para roubar e anistiar-se mutuamente, como na França ou na Itália, ou para massacrar milhares de civis e dar livre curso à tortura, como fizeram os Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão.

Os ataques contra o Wikileaks não questionam sua veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação com o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e cidadãos. Por isso o alarma das elites políticas e midiáticas diante da publicação de centenas de milhares de documentos originais incriminatórios para os poderes fáticos nos Estados Unidos e em muitos outros países por parte do Wikileaks. Trata-se de um meio de comunicação pela internet, criado em 2007, publicado pela fundação sem fins lucrativos registrada legalmente na Alemanha, mas que opera a partir da Suécia. Conta com cinco empregados permanentes, cerca de 800 colaboradores ocasionais e centenas de voluntários distribuídos por todo o mundo: jornalistas, informáticos, engenheiros e advogados, muitos advogados para preparar sua defesa contra o que sabiam que lhes aconteceria.

Seu orçamento anual é de cerca de 300 milhões de euros, fruto de doações, cada vez mais confidenciais, mesmo que algumas sejam de fontes como a Associated Press. Foi iniciado por parte de dissidentes chineses com apoios em empresas de internet de Taiwan, mas pouco a pouco recebeu o impulso de ativistas de internet e defensores da comunicação livre unidos em uma mesma causa global: obter e divulgar a informação mais secreta que governos, corporações e, às vezes, meios de comunicação ocultam dos cidadãos.

Recebem a maior parte da informação pela internet, mediante o uso de mensagens encriptadas com uma avançadíssima tecnologia de encriptação cujo uso é facilitado àqueles que querem enviar a informação seguindo seus conselhos, ou seja, desde cibercafés ou pontos quentes de Wi-Fi, o mais longe possível de seus lugares habituais. Aconselham não escrever a nenhum endereço que tenha a palavra wiki, mas utilizar outras que disponibilizam regularmente (tal como http://destiny.mooo.com). Apesar do assédio que receberam desde a sua origem, foram denunciando corrupção, abusos, tortura e matanças em todo o mundo, desde o presidente do Quênia até a lavagem de dinheiro na Suíça ou as atrocidades nas guerras dos Estados Unidos.

Receberam numerosos prêmios internacionais de reconhecimento pelo seu trabalho, incluindo os do The Economist e da Anistia Internacional. É precisamente esse crescente prestígio de profissionalismo que preocupa nas alturas. Porque a linha de defesa contra as webs autônomas na internet é negar-lhes credibilidade. Mas os 70.000 documentos publicados em julho sobre a guerra do Afeganistão ou os 400.000 sobre o Iraque divulgados agora, são documentos originais, a maioria procedentes de soldados norte-americanos ou de relatórios militares confidenciais. Em alguns casos, filtrados por soldados e agentes de segurança norte-americanos, três dos quais estão presos. O Wikileaks tem um sistema de verificação que inclui o envio de repórteres seus ao Iraque, onde entrevistam sobreviventes e consultam arquivos.

Essa é a tática midiática mais antiga: para que se esqueçam da mensagem: atacar o mensageiro. De fato, os ataques contra o Wikileaks não questionam sua veracidade, mas criticam o fato de sua divulgação, sob o pretexto de que colocam em perigo a segurança das tropas e de cidadãos. A resposta do Wikileaks: os nomes e outros sinais de identificação são apagados e são divulgados documentos sobre fatos passados, de modo que é improvável que possam colocar em perigo operações atuais. Mesmo assim, Hillary Clinton condenou a publicação sem comentar a ocultação de milhares de mortos civis e as práticas de tortura revelados pelos documentos. Nick Clegg, o vice-primeiro-ministro britânico, ao menos censurou o método, mas pediu uma investigação sobre os fatos.

Mas o mais extraordinário é que alguns meios de comunicação estão colaborando com o ataque que os serviços de inteligência lançaram contra Julian Assange, diretor do Wikileaks. Um comentário editorial da Fox News chega inclusive a cogitar o seu assassinato. E mesmo sem ir tão longe, John Burns, no The New York Times, procura mesclar tudo num nevoeiro sobre o personagem de Assange. É irônico que isso seja feito por este jornalista, bom colega de Judy Miller, a repórter do The Times que informou, consciente de que era mentira, a descoberta de armas de destruição em massa (veja-se o filme A zona verde).

É o Partido Pirata da Suécia que está protegendo o Wikileaks, disponibilizando-lhe o seu servidor central fechado em um refúgio subterrâneo à prova de qualquer interferência. Essa é a tática midiática mais antiga: para que se esqueçam da mensagem, atacar o mensageiro. Nixon fez isso em 1971 com Daniel Ellsberg, que publicou os famosos papéis do Pentágono que expuseram os crimes no Vietnã e mudaram a opinião pública sobre a guerra. Por isso Ellsberg aparece em entrevistas coletivas ao lado de Assange.

Personagem de novela, o australiano Assange passou boa parte de seus 39 anos mudando de lugar desde criança e, usando seus dotes matemáticos, fazendo ativismo hacker para causas políticas e de denúncia. Agora está mais do que nunca na semiclandestinidade, movendo-se de um país para outro, vivendo em aeroportos e evitando países onde se procuram pretextos para prendê-lo. Por isso, foi aberto na Suécia, onde se encontra mais livre, um processo contra ele por violação, que logo foi negado pela juíza (releiam o começo do romance de Stieg Larsson e verão uma estranha coincidência). É o Partido Pirata da Suécia (10% dos votos nas eleições europeias) que está protegendo o Wikileaks, deixando seu servido central trancado em um refúgio subterrâneo à prova de qualquer interferência.

O drama apenas começou. Uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos. Continuará.

Tradução: Cepat (Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Livro mais caro do mundo

Uma cópia rara do que já está sendo considerado o livro mais caro do mundo foi posta a leilão em Londres. "Aves da América", do ambientalista John James Audubon, é um dos principais livros de história natural do século 19. O exemplar que vai a leilão na Sotheby's, em Londres, está sendo avaliado entre quatro e seis milhões de libras esterlinas - entre R$ 11 milhões e R$ 16 milhões.

Apenas duzentos foram produzidos pelo autor. Dos que ainda existem, só 11 estão nas mãos de particulares. O diretor de livros e manuscritos da casa de leilões, David Goldthorpe, disse à BBC que a obra "combina raridade, beleza e importância científica". Audubon fez questão de que os desenhos das aves fossem em tamanho real, ele afirmou. Segundo Leslie Overstreet, curadora de livros raros de história natural do instituto Smithsonian, de Washington, a obra caiu no gosto popular assim que veio a público, mas foi duramente criticado pela comunidade científica da época. É que muitas ilustrações foram feitas por artistas a partir de aves mortas, e nem sempre condizem com o tipo de movimento típico das aves, ela contou.

Uma das mais criticadas mostra uma serpente atacando, de forma dramática, um ninho de pássaros. Para a curadora, o desenho é uma obra de arte no papel, mas vai contra "todas as regras" do ponto de vista científico. Fonte: UOL



Para CUT, ajuste fiscal é 'agenda dos derrotados'
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

São Paulo – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, qualifica como "agenda dos derrotados" a proposta de ajuste fiscal defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vita, da Rádio Brasil Atual, Artur defende que o país precisa de mais presença do Estado na economia.

A manutenção de Mantega no cargo é vista com bons olhos pelo sindicalista, por ser uma pessoa com quem a central manteve diálogo nos últimos anos, com participação inclusive na discussão sobre o marco regulatório do pré-sal. Porém, Artur se mostra surpreso com o teor das primeiras declarações do ministro.

"Cheira a uma incoerência as declarações do novo ministro, ou do velho ministro no novo governo", ironiza. "A agenda fiscalista, da diminuição do papel do Estado, da redução de gastos correntes é a agenda dos derrotados, de quem perdeu a eleição é quer impor sua pauta", lamenta. A alusão direta é ao candidato do PSDB, José Serra, que defendeu a necessidade de corte de gastos por conta do que chamou de "inchaço" da máquina pública.

Em sua análise, o mesmo tipo de movimentação de setores da oposição ao governo Lula ocorreu em 2002 e 2006, depois das eleições. Ele acredita que o crescimento das despesas correntes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) teve pouca variação – de 4,8% em 2002 para 4,81% em 2009 –, tornando a redução de gastos desnecessária.

"O que cresceu foi a rubrica transferência de renda, que é o reajuste do salário mínimo, Bolsa Família, seguridade social, aposentados", alega Artur. "São programas e políticas públicas sociais e isso não pode ser considerado como gasto. Senão vamos entrar numa seara no Brasil de que, com pobre, é gasto, enquanto empréstimo a juros subsidiados para o setor empresarial da construção civil ou de outro setor não é gasto, mas investimento. Política social também é investimento."

Embora defenda a ação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Artur lembra que é necessário que os bancos privados tenham mais participação no financiamento de longo prazo.

Nesta semana, Mantega defendeu a necessidade de redução de despesas, incluindo investimentos do segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Na quinta-feira (9), o Executivo encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de cortes de R$ 8 bilhões no Orçamento Geral da União de 2011, que ainda tramita no Legislativo. A alegação do governo é de que a medida é necessária para permitir a redução de juros, que traria consequências positivas em relação ao câmbio valorizado.

Salário mínimo

Além do corte de gastos, Artur atacou duramente a falta de definição sobre a demanda das centrais sindicais de um reajuste maior do que o previsto para o o salário mínimo em 2011, bem como para os aposentados e para a tabela do Imposto de Renda. Ele revela que havia a promessa de que o Ministério da Fazenda atenderia os sindicalistas nesta semana, mas a negociação não foi agendada e segue sem data para ocorrer.

As centrais defendem um salário mínimo de R$ 580, ante R$ 540 defendidos pelo governo. A posição do Executivo é de que a fórmula acordada em 2006 deve ser mantida, garantindo reposição da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Aplicado (IPCA) mais a média de crescimento da economia dos dois anos anteriores. Como em 2009 houve retração por conta da crise econômica internacional, não haveria aumento real. Os sindicalistas defendem a manutenção da política com a adoção de uma exceção para 2011.

A preocupação da CUT, segundo explica Artur, é que o reajuste concedido em janeiro terá impacto também nos anos seguintes. Se o mínimo for para R$ 580 agora, será de R$ 660 em 2012; se ficasse em R$ 560, seria de R$ 630 no ano seguinte, segundo cálculos do presidente da central.




Serra, O Globo e Vera Fischer: não se interessam pelos pobres


por Claudio Ribeiro in http://palavras-diversas.blogspot.com/



"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta"

Esta frase rodou a blogosfera hoje, estampou algumas, discretas, chamadas de alguns portais da internet e foi veiculada no Jornal Folha de São Paulo.

O fosso abissal do pensamento retrógrado e entreguista que se afundaram Serra, O Globo e Vera Fischer...

Seu autor? Serra.

Contexto em que foi falada? Período pré-eleitoral, dezembro de 2009, em que ainda aparecia liderando a disputa e prometia a uma alta executiva de uma petrolífera americana, assim que assumisse o governo, mudar o modelo de exploração do pré-sal, favorecer a entrada das multinacionais do petróleo e garantir os interesses norte-americanos nas regras de exploração das maiores jazidas de petróleo descobertas em todo mundo nas últimas décadas.(...)

(...) Jornalão não escreve para pobre, tucano não governa para pobre...

Vera Fischer também não escreve para pobre...O que isso tem em comum? Apenas o pensamento arraigado de uma pequeníssima parcela egoísta da sociedade, que despreza os mais pobres e os desqualifica como cidadãos.

A tratativa de Serra com a executiva americana, mesmo negada por ele, segundo a Folha de São Paulo, o malabarismo prepotente de um dos maiores jornais impressos do país e a conhecida atriz se encontram e se igualam no desprezo aos interesses do povo, nas costas viradas para sua realidade e anseios, na ignorância de sua capacidade de gerir seu caminho e contribuir decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.

Para Vera Fischer, a vida dos mais ricos é mais interessante. Como ela mesmo afirmou na Folha de São Paulo: "Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto". Para ela, a vida dos ricos é mais interessante. "Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior."

Quando se poderia imaginar que o fundo do poço tinha chegado, eis que um fosso mais profundo se abre e engole, de uma só vez, os entreguistas, os "malabaristas da verdade" e os egoístas sociais, pseudo-elitistas...


Leia a íntegra, cole este endereço em seu navegador: http://palavras-diversas.blogspot.com/2010/12/serra-o-globo-e-vera-fischer-nao-se.html




Via Campesina rechaça proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal


Da Página do MST

Diante da pressão da bancada ruralista para aprovar neste ano o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que flexibiliza o Código Florestal, os movimentos que compõem a Via Campesina Brasil reafirmam a sua posição pela manutenção da legislação vigente e contra o relatório em discussão.

"A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro. Rechaçamos a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por desmatamentos", afirma nota com a posição oficial da Via Campesina.
Abaixo, a nota da Via Campesina Brasil.

A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro.

Rechaçamos a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por desmatamentos.

O Código Florestal é uma legislação inovadora, que está pautada pela utilização sustentável da floresta. Ao contrário do que dizem os ruralistas e seus aliados, o Código Florestal não cria áreas improdutivas, intocadas.

Ele apenas define que, acima dos interesses privados e do lucro, está o interesse de toda a sociedade brasileira para que a floresta seja usada de forma sustentável.

A Via Campesina defende um amplo pacote de políticas públicas e programas que possibilitem a utilização sustentável das áreas de preservação permanente e de reserva legal.

Desde 2009, apresentamos como propostas assistência técnica capacitada para o manejo florestal comunitário; crédito e fomento para desenvolvimento produtivo diversificado; recuperação das áreas degradadas com sistemas agroflorestais; planos de manejo madeireiro e não-madeireiro simplificados; canais de comercialização institucional que viabilizem a produção oriunda das florestas.

Para quem produz alimento, que são os agricultores camponeses, quilombolas e indígenas, o Código Florestal não é um problema, mas sim a ausência do Estado em sua correta implementação.

Para o latifúndio do agronegócio, que se utiliza da monocultura, de quantidades gigantescas de agrotóxicos e de trabalho escravo, o Código Florestal é um empecilho, que deve ser destruído assim como as florestas da Amazônia, da Caatinga e do Cerrado.

É fundamental lembrarmos que a proposta apresentada pelo deputado Aldo Rebelo é apoiada somente pelos ruralistas.

Além da oposição de partidos como PT, PV e PSol, o relatório do deputado foi rechaçado por todos os grandes movimentos sociais do campo brasileiro, pelas principais entidades de pesquisa acadêmica do país e por inúmeras organizações e intelectuais.

Em mais um esforço para a destruição do Código Florestal, deputado Aldo está pressionando os líderes dos partidos a dar caráter de urgência ao seu relatório, colocando-o para votação imediata.

É evidente a manobra do deputado e da bancada ruralista, que visa apenas evitar o debate aprofundado da sociedade. Querem no apagar das luzes de seus mandatos imprimir um golpe fatal contra o meio ambiente e toda a sociedade brasileira, em uma atitude totalmente antidemocrática.

Conclamamos toda a sociedade e, em especial, às organizações aliadas da luta da Via Campesina, a enviarem correios eletrônicos para todos os deputados federais, exigindo que haja mais tempo para o debate desse tema tão importante e tão polêmico.

A mobilização social é fundamental, pois com o encerramento do ano essa votação pode acontecer a qualquer momento, a partir desta terça-feira, dia 14 de dezembro.

Digamos não ao pedido de urgência para o relatório do deputado Aldo Rebelo!

Via Campesina Brasil
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal - ABEEF
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Pastoral da Juventude Rural - PJR

www.mst.org.br
_______________________________________________
Imprensamigos mailing list
Imprensamigos@listasbrasil.org
http://www.listasbrasil.org/mailman/listinfo/imprensamigos





--

"A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."
prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quartas Culturais - Cantinho do Poeta

Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
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Para arrasar neste verão e Avançcos em cirurgia do joelho
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Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Quartas Culturais – Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 –
Campos dos Goytaczes-RJ
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas




Como Nossos Pais
Composição: Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nanananã! Naninananã!
Nanananã! Naninananã!
Hum!...


VeraCidade


Porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com

sábado, 11 de dezembro de 2010

Rio Paraíba deixa municípios do Estado em sinal de alerta




post extraído do blog http://cabruncodochuvisco.blogspot.com/

A chuva desta semana já elevou o nível da água em alguns municípios no Sul e no Norte. O monitoramento é constante, através de réguas e outros recursos

Os setores da Defesa Civil de São João da Barra, Campos, Volta Redonda e outros municípios estão monitorando, continuamente, o nível do Rio Paraíba do Sul com a Estação Meteorológica Digital, conjunto de instrumentos que recolhem e enviam dados através de telemetria, utilizando a tecnologia GPRS de transmissão de dados via Internet. A medida, nesta época, é por causa de chuva que, todos os anos, ocorre, principalmente, nos meses de janeiro a março. Afinal, o que São João da Barra quer é a prevenção de grandes enchentes e alagamentos que, anualmente, assolam as cidades margeadas pelo Rio Paraíba do Sul no período de verão.

E foi justamente isso que aconteceu no Sul do estado logo no início do ano, quando o Rio Paraíba transbordou dois metros e meio acima do normal, e as ruas de seis bairros de Barra do Piraí ficaram inundadas, deixando os moradores ilhados. Outros municípios que sofreram as consequências foram Barra Mansa, Volta Redonda e Paraíba do Sul. Quando o rio entra no risco de alerta é porque atingiu nove metros, mas nas duas últimas semanas o nível da água oscilou entre 7,62 metros e 7,79 metros, devido à chuva que caiu na Zona da Mata Mineira e no Vale do Paraíba, no Norte de São Paulo.

RÉGUAS

Em Campos, no Norte Fluminense, réguas colocadas ao longo do curso dos rios verificam, periodicamente, o nível da água. Além da medição, segundo o secretário municipal de Defesa Civil de Campos, Marco Soares, é mantido contato constante com municípios fluminenses e mineiros, por onde também passa o Paraíba, a fim de acompanhar a elevação ou redução do volume de águas. Informações sobre os afluentes e a vazão das represas do Funil, localizada próxima a Resende, e dos Pombos, em Carmo, também são conferidas regularmente.


Em Volta Redonda, o temporal que caiu esta semana despejou cerca de 92,2 milímetros, elevando os níveis do Rio Paraíba do Sul a 2,63 metros acima do normal, razão por que o monitoramento é intensificado. Em Barra Mansa, na mesma chuva, a situação foi mais complicada no Rio Paraíba do Sul, que chegou ao nível de 4,44 metros de profundidade — a cota de alerta é de 4,54 metros — causando alagamentos nos pontos mais baixos em alguns bairros.

SOBREVIVÊNCIA

Em maio, deste ano, a preservação do Rio Paraíba do Sul foi terma de reunião entre o Comitê Ambiental Sul e a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos. No encontro, a secretária garantiu que a preservação do rio está na lista de prioridades do governo do Estado do Rio de Janeiro e disse que a meta é conscientizar o cidadão fluminense sobre a importância da sobrevivência do rio. O Paraíba é o principal do estado. Nasce em Taubaté e desemboca no Oceano Atlântico. Banha não só as cidades das regiões do Vale do Paraíba Fluminense e Paulista, mas também o Norte e Noroeste Fluminense e grande parte da Zona da Mata Mineira.

Fonte: O Dia

Porque hoje é sábado

agora não se fala nada
agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e tudo é transparente em cada forma

você não precisa me dizer
o número do mundo desse mundo
nem precisa me mostrar a outra face
face ao fim de tudo

só precisa me dizer
o nome da república dos fundos
o sim do fim
e o tem do tempo vindo

Dia D

desde que eu saí de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
interrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo do mais um dia
menos dia dia D

torquato neto


Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
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Porrada llírica



Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FULINAÍMA - SAX, BLUES E POESIA






Ficha Técnica
Gravado entre Junho de 1999 a Janeiro de 2002 nos estúdios :
Sonarte e Star Music (Campos-RJ) e Magic Studio (São Paulo-SP)

Arranjos :
Luizz Ribeiro, Dalton Freire, Naiman e Reubes Pess

Produzido por Artur Gomes & Fulinaíma


Artistas :
Artrur Gomes, Naiman, Luizz Ribeiro, Reubes Pess, Dalton Freire,
Betinho Assad, Marcelo Teteco, Sérvulo Sotto, Ângelo Nani,
João Felipe, Beto Mei e Faíco Araujo.

FULINAÍMA
SAX, BLUES E POESIA
(2002)

Músicas :

01 - Nostra-Damus - (Luizz Ribeiro)
02 - Tecidos Sobre A Pele - (Artur Gomes, Luizz Ribeiro, Dalton Freire)
03 - Noite Escura-Terra de Santa Cruz - (Artur Gomes, Reubes Pess, Betinho Assad)
04 - Goitacá Boy - (Naiman, Luizz Ribeiro, Reubes Pess)
05 - Marca Registrada - (Luizz Ribeiro)
06 - Estridentes-Alucinações Interpoéticas-Baby É Cadelinha - (Artur Gomes, Naiman, Dalton Freire)
07 - Boca do Inferno - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes, Ângelo Nani)
08 - Baby É Cadelinha - (Naiman, Dalton Freire)
09 - La Vie En Blue-Black Billy-Carne Proibida-Pessoa - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes, Sérvulo Sotto, Beto Mei)
10 - Esfinge I - (Reubes Pess, Luizz Ribeiro)
11 - A Cor da Pele - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes)
12 - Esfinge II - (Artur Gomes, Luizz Ribeiro)
13 - Pela Janela - (Luizz Ribeiro, Sérvulo Sotto, Beto Mei)
14 - Eu e Você - (Reubes Pess, João Felipe, Faíco Araujo)
15 - Black Billy-Jazzfree Som Balaio - (Artur Gomes)

Baixe Aqui :
http://www.4shared.com/file/AOEo6xk4/Fulinama-SaxBluesPoesia.html

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mostra Cine Vídeo Teatro Poesia

Dia 8 dezembro – 15:00 às 18:00hs
Oficina Cine Vídeo Teatro
Com Artur Gomes e Yvi Carvalho

Dia 8 dezembro – 21:00hs
Curadoria: Artur Gomes

Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
Leia mais aqui http://artur-gomes.blogspot.com


Na próxima quarta no Cantinho do Poeta, começo a Mostrar minhas travessuras com áudio visual pelas bandas do leste, sul, norte oeste. São registros de viagens, flagrantes de momentos, poesia e teatro de improviso. Essa caminhada teve início em 2007, quando a convite de Jiddu Saldanha, fui para Cabo Frio ser sabatinado no evento saberes e sabores nômades, realizado em seu Ateliê D´Aroeira.

Na época eu tinha um simples câmera digital fotográfica, com um espaço mínimo de memória, assim mesmo nos aventuramos pelas praias, canais becos vielas, filmando um tempo máximo de 11 minutos, (que era o que a câmera suportava) e voltávamos a casa para baixar os arquivos no computador, e liberar a câmera para mais 11 minutos de peripécias.

E assim surgiu a nossa primeira parceria áudio visual: TROPICALIRISMO



Conheci o Jiddu Saldanha, durante a ECO 92, ele chegando ao Rio de Curitiba, sua cidade natal e hospedado na casa do nosso casal de amigos Samaral e Lúcia Nobre. Desde daí, começou a nossa parceria, primeiro a través do Urbana, fanzine poético editado por Samaral, espaço para toda produção da poesia carioca contemporânea.

De 1996 prá cá, quando começamos a nos encontrarmos anualmente no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves, começarmos a confabular outras peripécias, as primeiras foram as mil e umas edições da Poesia na Quarta Capa, depois seus shows de mímica abrindo algumas edições do FestCampos de Poesia Falada.

Além das parcerias com o Jiddu, mostro 3 curtas realizados em parceria com outro grande amigo, Márcio Vaccari, meu brother do Núcleo de Produção Áudio Visual Casa Cenográfica de Taubaté.

Os Filmes dessa primeira Mostra:

Uma Viagem do Pontal ao Cantinho do Poeta
Duração: 15:40 minutos

Com Quantas Metáforas se Faz Uma Miragem
Duração: 23:00 minutos

Oficina Experimental 1 e 2
Duração: 18:00 minutos

Alguma Poesia
Duração: 5 minutos

Vozes Urbanas na Noite de Taubaté
Duração: 12:00 minutos



Dia 8 dezembro – 21:00hs
Curadoria: Artur Gomes

Quartas Culturais - Cantinho do Poeta

Ensaiando pontal no cantinho do poeta


Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

cardio.grafia da pele

que esta palavra bendita
não seja dor
quando mal dita

como espinha quando aflora
ou espora
enquanto irrita

minha cardio.grafia
em suma
não é pena nem pluma
apenas palavra que resuma
o silêncio como agora
ou sonora quando grita

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com

sábado, 4 de dezembro de 2010

DEBATE ABERTO

A conjuntura internacional e a direita

A lógica da política não é mero penduricalho da economia. Se a economia
estadunidense desce a ladeira, a extrema direita norte-americana constrói o
paradigma de um ideário e de um comportamento tipo exportação na política.

Luiz Marques in www.cartamaior.om.br

Os Estados Unidos perderam a “liderança intelectual e moral” que
conquistaram ao tornar o american way of life baseado no consumo individual
um ideal para todas as sociedades modernas. Os social-ambientalistas
mostraram ser impossível a generalização de um modo de vida baseado em um
desenvolvimento não-sustentável, na ilusão de que os recursos da natureza
sejam infinitos. Os EUA, contudo, não perderam a “liderança econômica e
militar” no mundo. Aliás, cada vez menos “econômica”
à medida que o centro
da economia mundial desloca-se para a Ásia e cada vez mais “militar” como
observou-se no Iraque com o objetivo de controlarem a torneira do petróleo
no Oriente Médio (G. Arrighi, J. Silver, “Caos e governabilidade no moderno
sistema mundial”,
Contraponto ed., RJ, 2001). A vitória de Barack Obama para
a Casa Branca sinalizou uma resposta à essa visível perda de prestígio do
Tio Sam.

O fato é que, modernamente, a crise de hegemonia do poder unipolar tem sido
substituída pela criação dos mercados regionais que hoje cumprem a tarefa de
organização do conjunto da economia capitalista. Nenhuma expressão, neste
sentido, tergiversa e encobre tanto o fenômeno em curso pelo uso midiático
como a chamada “globalização”, por funcionar à maneira de uma cortina de
fumaça e impedir que se veja a importância estratégica da formação da União
Européia e do Mercosul. Sem tais articulações seria o caos.

A lógica da política não é mero penduricalho da economia, porém. Se a
economia estadunidense desce a ladeira, a extrema direita norte-americana
constrói o paradigma de um ideário e de um comportamento tipo exportação na
política. Recém realizadas, as eleições legislativas revelaram a potência
dos valores esgrimados pela vertente extremista do Partido Republicano, o
movimento Tea Party, que deu uma surra no Partido Democrata conferindo
maioria aos conservadores nos governos estaduais, na Câmara e um quase
empate no Senado onde os democratas tinham uma supremacia avassaladora, de
60 a 20 representantes.

“É de se notar que as guerras nas quais os EUA continuam a se atolar e
desperdiçar fortunas não foram mencionadas na campanha: tornaram-se
consensuais”,
escreveu o articulista da Carta Capital (10/11/2010). O
belicismo, refúgio da dominação exercida manu militari por Washington, anda
agora junto com um programa que propõe um corte nos gastos públicos (não
naqueles que sustentam a militarização), desregulamentações generalizadas
(para fomentar a dinâmica de acumulação privada), inviabilização da reforma
da saúde (pelo contingenciamento dos recursos financeiros) e a asfixia do
ensino público (para fazer da educação uma mercadoria). Enfeixa o conjunto
de dispositivos, que têm como âncora a questão fiscal, o empenho pela
redução demagógica de impostos (para os ricos, bem entendido).

Ao tentar a concertação com a agenda dos republicanos, Obama acentuou seu
isolamento em relação à população jovem, às minorias e aos pobres que não se
sentiram motivados para sair de casa, aumentando o índice de abstenção num
sistema em que o voto é facultativo e, os eleitores, necessitam ser
motivados para participar do processo eletivo. O resultado foi a fragorosa
derrota dos democratas nas urnas, que liberou o Federal Reserve (Fed, banco
central) para inflar a base monetária e acirrar a disputa cambial nas
relações internacionais com a desvalorização do dólar.

Tal “política econômica”, simbolizada no corte de gastos em detrimento de
investimentos estatais para retomar o crescimento e combater o desemprego,
remete ao receituário que muitos analistas julgavam na lata de lixo da
história. Inútil lembrar a catástrofe, a maior desde a quebra da Bolsa de
Valores de Nova York em 1929, cujas cicatrizes doloridas seguem abertas
suscitando sofrimento e miséria. As nuvens no horizonte reiteram a tendência
à estagnação econômica dos EUA e duras batalhas entre as nações em torno do
câmbio.

A vitória de Dilma no pleito presidencial ocorreu nessa conjuntura
contraditória, que aporta angústia ao Norte em contraposição à esperança
despertada ao Sul pela ascensão da (centro-) esquerda na América Latina.
Considerando que o Tea Party manifesta-se contra todos os órgãos de
cooperação, a ONU, o G-20 e ainda a OMC e o FMI, sem mencionar seu repúdio à
ajuda para países em dificuldade e aos acordos ambientais para proteger a
camada de ozônio, dá para depreender os efeitos cataclísmicos do direitismo
que vem do frio.

A utopia conservadora aponta para a dissolução do “contratualismo” que está na base do projeto acalentado pela modernidade, na direção de um “pós-contratualismo” que desfaria contratos de proteção aos indivíduos, grupos, classes e até continentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. O ponto de chegada redundaria em um “fascismo societal”
(Boaventura de Sousa Santos, “Reinventar la democracia, reinventar el
Estado”,
Clacso, Buenos Aires, 2006).

Para além da defesa de uma economia de mercado, como os neoliberais, os
novos conservadores almejam uma SOCIEDADE DE MERCADO, em maiúsculas, em que
a propriedade reine acima de qualquer ponderação social ou humanitária e em
que a mercantilização seja a medida de todas as coisas. Na literatura da
Ciência Política, essa linha de pensamento atende pelo nome de
“anarco-capitalismo”, a corrente antiestatal do liberalismo que concebe o
Estado como uma besta-fera nociva às ações, por definição, virtuosas da
livre iniciativa. A mais leve intervenção sobre a racionalidade mercantil é
tida como indevida pelos que acusam o primeiro presidente negro dos EUA de
“socialista”, “anticolonialista” e “anti-empresarial” empurrando o ganhador
do Nobel da Paz para um caminho que ele não parece capaz de evitar: a guerra
com o Irã. Sem ousadia para enfrentar as forças da reação e expor o núcleo
elitista das críticas que o vitimam, Obama age como o personagem de uma
tragédia grega, impotente frente ao inexorável destino.

O padrão político da direita representada pelo Tea Party foi sintetizado na
palavra-de-ordem “Obama tem de fracassar”, através de uma plataforma que
transformou temas de foro íntimo, a exemplo do aborto, da fé religiosa, do
homossexualismo e da perseguição aos imigrantes em eixos para a demarcação
de campos ideológicos. O obscurantismo e o medievalismo de sua tática de
persuasão do eleitorado expressou antes e depois uma total aversão aos
assuntos públicos e à cidadania, ao mesmo tempo que afastou-os o quanto
possível do indigesto debate sobre o papel do Estado em um contexto marcado
pela desigualdade social, no qual urgem políticas de promoção da igualdade
de oportunidades e de empregos.

No Brasil, essa atitude preconceituosa e xenófoba foi reatualizada na
campanha tucana, em especial no segundo turno das eleições presidenciais e
no discurso de José Serra depois de encerrada a apuração. O “até logo”, “não
foi dessa vez”,
no arrogante pronunciamento do prócer derrotado pela vontade
soberana do povo, soou como uma paródia do brado revanchista dos
republicanos.

Traduzindo: “Dilma tem de fracassar”. A senha foi compreendida
pela grande mídia demotucana imediatamente. Dia seguinte, teve então início
o terceiro turno sob a falsa denúncia em manchetes garrafais de que a
candidata eleita pretendia reinstituir o imposto sobre as movimentações
financeiras, a CPMF, numa prova de estelionato eleitoral do PT. Pouco
importou esclarecer que há um projeto de lei há meses tramitando no
Congresso Nacional e de que a sugestão viera dos governadores estaduais
eleitos.

Reiniciava o jogo sujo. As falhas técnicas no ENEM, que atingiram
menos de 1% dos estudantes, serviram de ensejo para reiterar as pechas de
“má gestão” e mesmo “corrupção” no governo Lula. Pouco importou a nota
explicativa da gráfica que confeccionou as provas para o exame que
democratizou o acesso às universidades federais. O importante é a geração
contínua de escândalos políticos pré-fabricados.

No Rio Grande do Sul, a mensagem agourenta foi trazida pelos deputados
Germano Bonow (DEM) e Osmar Terra (PMDB) que apressaram-se em organizar um
“jantar de confraternização” entre os partidos do reacionarismo no pleito
vencido pelo petista Tarso Genro, já no primeiro turno. “Tarso tem de
fracassar com a Dilma, por isso não podemos nos dispersar”,
eis a tônica que
animou os presentes na reunião e articulou-os “porque a luta continua pela
liberdade (leia-se, do mercado) e pela democracia (leia-se, do capital)”.


A
intenção da turma do contra será a de acordar os demônios adormecidos no
Brasil e no RS profundos, atiçar os ressentimentos das classes médias contra
as políticas distributivas de renda e criar empecilhos a uma reforma
tributária que se paute pela progressividade e pela justiça social.
Parafraseando La Pasionaria frente aos avanços dos fascistas na Espanha dos
anos 30, devemos repetir alto e bom som: no pasarán!

Luiz Marques é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS).

Carmem Saporetti

Arquiteta - Especialista em Gestão Ambiental Urbana

São Pedro da Serra - Nova Friburgo - RJ

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]