segunda-feira, 30 de novembro de 2009



Estou lançando meu primeiro álbum gravado ao vivo na choperia do Sesc Pompéia dia 10 de dezembro 21h acompanhado da banda, são músicas gravadas em estudio de meus álbuns anteriores que ganharam arranjos novos e o beat espontâneo de um show registrado ao vivo, apresentaremos canções inéditas e algumas já conhecidas do público. Aguardo voces um abraço de Edvaldo Santana

Hasta la vista !!!Acesse o site: http://www.edvaldosantana.com.br



Lady Gumes está na área se derrubar é penalti. em goyta city a memória está no lixo e tem um monstrengo na porta principal, e prezepada na placa oficial, enquanto isso aqui http://goytacity.blogspot.com respira-se um pouquinho de Mário Faustino, e amanhã a partir das 19h Marko Andrade comanda o poesia no poste na Praça Mauá.


VeraCidade

Porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?

um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora

Artur Gomes
SampleAndo

domingo, 29 de novembro de 2009

Mataram o FestCampos de Poesia Falada - Lady Gumes Jura Que Não Foi Ela

enigma tropical

a luz do sol mergulha a espinha central nas costas do equadro ela clara caminha em minha frente na calçada cabelos longos at[e o cóxix nu percebe-me a seu encalço vira o rosto não consigo ver teus olhos está de óculos escuros e não consigo tirar os meus daquela visão que é bela cintra ia dobrar na esquina próxima e resolvi seguir e continuar me deliciando com o movimento das duas pêras em minha frente sobressaltada pegou um ônibus deixando-me seguir em meus delírios e paixão por frutas que não são

Artur Gomes
http://braziliricas.blogspot.com/

silêncio gritos& sussurros

o seu corpo do poema
pede-me silêncio
ou algazarra?

farra
de bocas pernas coxas
línguas e dedos
nos recantos mais profundos
por onde dorme o teu desejo?

carícias delicadas
pela nuca
em torno da orelha
lábios deslizando
ao redor do teu umbigo?

o que o seu corpo do poema
quer viver comigo?

o seu corpo do poema
no deserto das delicícias
é escorpião ou percevejo?

é calmaria ou tempestade
no alto mar da liberdade
pede-me noite ou claridade
ou

implora-me desesperadamente
os mais selvagens beijos?

arturgomes
CrNAvalhaGumes
http://carnavalhagumes.blogspot.com
No twitter
http://twitter.com/fulinaima
No my space
http://www.myspace.com/317911079
cine.vídeo.poesia
http://youtube.com/fulinaima
juras secretas
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

VeraCidade 2

quando piso na paulista
o poema é só um corpo
que se chama carolina
e por mais que se defina
a esfinge sob a roupa
o delírio é só metáfora
e mesmo fosse concreto
sendo menos abstrato
esse corpo é uma seta
apontada em direção

flecha de fogo
ou neon
como placas luminosas
nos meus olhos de dragão

e a lâmina acesa de vênus
na camisa aberta de marte
a palavra vinda dos poros
brota do corpo em que piso
na casa das rosas em que passo
subindo a calçada levito
já estou na estação paraíso
e na geografia no corpo gravito
quando piso na paulista me sinto
o amante do silêncio e do grito

artur gomes
SampleAndo
http://artur-gomes.blogpsot.com


Mário Faustino, o amor e a hora do desastre

1

Publicado originalmente por Sérgio Alcides em 13/01/03.

Ninguém exigiu tanto da poesia no Brasil da segunda metade do século XX quanto Mário Faustino. Para ele, fiel aos ensinamentos de Orfeu, o poeta deveria ser um demiurgo, intermediário entre os homens e os deuses. Mais do que um organizador da linguagem, seria aquele que a torna orgânica, vivente, ao mesmo tempo em que transmuta o vivido em escrito: "Vida toda linguagem" – é a fórmula mágica que abre um de seus poemas mais conhecidos. Em plena onda desenvolvimentista dos anos 1950, quando o país ingressava na era da televisão e das auto-estradas, Faustino trazia de volta à vanguarda o mito do poeta visionário, capaz de fazer da poesia "o mais exato, o mais perene e o mais eficaz meio de comunicação".

É claro que o defensor de tão vigorosas proposições era então um jovem. Muito infelizmente, o destino impediu que ele realizasse sua grande aspiração. Confirmou-se em sua fulgurante trajetória de jornalista, poeta e crítico literário o velho adágio: os amados dos deuses morrem cedo. Tinha 32 anos quando, em 1962, o avião em que viajava para o México bateu no Cerro de la Cruz, nos Andes, a poucos quilômetros da primeira escala, em Lima.

Quarenta anos depois, sua obra inacabada retorna às livrarias – pela primeira vez remetendo ao título do seu único livro publicado em vida: "O homem e sua hora e outros poemas" (Companhia das Letras). Segundo a organizadora da edição, Maria Eugenia Boaventura, da Unicamp, trata-se do primeiro volume de uma série de cinco, que também recolherá os textos de crítica, teoria e tradução do autor. O projeto é grandioso: teremos finalmente uma vista de conjunto da obra completa de uma figura tão apaixonante. E é possível que isso estimule a publicação da correspondência do poeta, importantíssima, sobretudo a trocada com o filósofo Benedito Nunes, seu mais próximo interlocutor e amigo.

É difícil imaginar o efeito que o reencontro com Mário Faustino pode ter sobre as novas gerações, e principalmente sobre os "novíssimos". Na verdade, ele nunca perdeu o grande poder de atração e a autoridade que conquistou entre os poetas mais jovens, desde que se tornou conhecido em todo o país como organizador da página intitulada "Poesia-Experiência", no hoje lendário (e quase inacreditável) Suplemento Dominical do Jornal do Brasil. Encarnação do que os vanguardistas chamavam de "poeta-crítico", ele ainda estava para completar os 26 anos quando começou a editar semanalmente, entre 1956 e 1958, seu workshop em papel-jornal. Tinha chegado pouco antes ao Rio – tendo nascido no Piauí e se formado em Belém do Pará – e já era respeitado pela publicação, em 1955, de "O homem e sua hora".

Sob o lema (inspirado em Ezra Pound) "Repetir para aprender, criar para renovar", a página semanal de Faustino incluía várias seções dedicadas à divulgação, à crítica e à tradução de poesia de todos os tempos e de poetas contemporâneos. Só uma parte desse vasto esforço chegou a ser publicada em livro – nos volumes "Poesia-Experiência" (Perspectiva) e "Evolução da poesia brasileira" (Casa de Jorge Amado). Quanto às traduções de poemas, também apenas algumas apareceram na primorosa edição de 1985, "Poesia completa, poesia traduzida" (Max Limonad), organizada por Benedito Nunes.Enquanto esperamos o lançamento dos próximos volumes da série, "O homem e sua hora e outros poemas" já nos dá bastante material para reflexão. Por um lado, é inevitável uma especulação sobre o prejuízo deixado pelo desastre aéreo de 1962 para a poesia brasileira. Com ele, fechou-se para sempre o caminho estritamente pessoal aberto por Faustino; em tempos de crise e polêmica, era um caminho alternativo entre o concretismo e a reação anticoncreta – tola querela que até hoje polariza o debate poético no país. Por outro lado, nota-se agora um paradoxo em relação à poesia faustiniana: boa parte dela ressurge simultaneamente envelhecida e rejuvenescida. Muito tempo (de passado) e pouco tempo (de idade) deixaram aqui a sua marca.A solene grandiloqüência dos versos cadenciados e impecáveis de "O homem e sua hora" não disfarça, hoje, o sabor de coisa antiga, a ser admirada com reverencial distanciamento.

Por exemplo, no poema-título do livro: "(...) Aqui, / Sábia sombra de João, fumo sacro de Febo, / Venho a Delfos e Patmos consultar-vos, / Vós que sabeis que conjunções de agouros / E astros forma esta Hora". Pretendendo elevar-se acima do mundo e do tempo, os versos acabam soando como se datassem de outro tempo e de outro mundo. Já com os poemas mais experimentais da segunda fase, contemporâneos da militância na página "Poesia-Experiência" e tributários do diálogo com a vanguarda concretista, o carimbo da data não marca tanto o desejo de atemporalidade quanto o engajamento num projetado tempo futuro; por exemplo nos jogos verbais de versos como "e pelos pêlos do cão do chão" e "as uvas e as luvas / alvas da nuvem".Paradoxalmente, a mesma grandiloqüência, numa fase, e o mesmo engajamento, na outra, traem um certo entusiasmo juvenil, a excitação pela descoberta do próprio talento, com aquela ânsia de elevar a voz à altura de seus grandes ídolos de leitor de poesia, desde Homero a Mallarmé, de Píndaro a Eliot.

O excesso de alusões literárias e citações em latim e grego demonstra a admiração pela obra pantagruélica de Pound, mas não deixa de indicar a fantasia de participação direta nesse universo livresco, o que no fundo afasta o poeta de seus melhores temas – que são o amor (ou, sobretudo, a falta dele) e a morte (a literal, não a "literária" dos clássicos). De certo modo, o que Haroldo de Campos chamou de "impaciência órfica" de Mário Faustino, "contra o espírito do tempo", é exatamente o que envelheceu e rejuvenesceu na sua sempre comovente poesia.Mais paradoxal ainda é que esse orfismo afetado e imaturo, com a decorrente opção pelo tom sublime e às vezes preciosista, permitiu ao poeta alguns acertos que permanecem impressionantes – porque de fato não têm idade. Seja na expectativa de completude amorosa –

"Amor feito de insulto e pranto e riso, /
Amor que força as portas dos infernos, /
Amor que galga o cume ao paraíso" –

seja no pressentimento da finitude mortal –

"Eis a quinta estação, quando um mês tomba, /
O décimo-terceiro, o Mais-Que-Agosto".

É o Faustino ávido por amor que, no entanto, corteja a morte, como único meio de acesso real ao absoluto, numa espécie de erotismo cósmico:

"Não morri de mala sorte, /
Morri de amor pela Morte".

Também é tão solene quanto certeira a
"Balada (em memória de um poeta suicida)" que é o mais antológico poema de Faustino, desde que serviu de inspiração e epígrafe para uma das obras-primas de Glauber Rocha, "Terra em transe", de 1967.

"Não conseguiu firmar o nobre pacto /
Entre o cosmos sangrento e a alma pura. /
Porém, não se dobrou perante o fato /
Da vitória do caos sobre a vontade /
Augusta de ordenar a criatura /
Ao menos: luz ao sul da tempestade. /
Gladiador defunto, mas intato /
(Tanta violência, mas tanta ternura)".

Esta primeira estrofe resume o lirismo feito de exaltação e fracasso que marca o melhor da poesia faustiniana. O caos revém contra o afã de ordem e beleza próprio da forma poética. Mas a violenta frustração do "nobre pacto" é justamente a garantia final de cumprimento da missão da poesia enquanto meio de conhecimento do mundo, do cosmos e de si. O fracasso de Orfeu completa o mito. Como explica Benedito Nunes em seus ensaios sobre a obra do amigo, opera aí o princípio clássico do amor fati – uma aceitação do destino e da necessidade que representa, no dizer de Nietzsche, um grande "sim" à vida e suas contingências.

Mas essa afirmação perde o fôlego sempre que precisa competir, na poesia, com outra mística: a da forma acabada e da tradição literária. Isso talvez explique por que Faustino não chegou a publicar um segundo livro nos sete anos de vida – tão ativa! – que teve após o lançamento de "O homem e sua hora". O poeta-crítico que assinava combativos artigos no "Jornal do Brasil" parecia perfeitamente seguro sobre o melhor a fazer. Mas o poeta-mesmo era bem mais hesitante: seus "Esparsos e inéditos" reunidos em livro pela primeira vez em 1966 mostram alguns poemas realmente memoráveis, mas o conjunto aponta para várias direções diferentes, e não é fácil enxergar ali um projeto de livro próximo do acabamento.

Pelo menos não com a organicidade e o rígido planejamento reclamado pelo poeta-crítico, sob forte influência do proselitismo de Pound.A monumentalidade in progress dos "Cantos" do poeta americano, poliglóticos e eruditíssimos, impressionou Faustino. Junto com o núcleo concretista de São Paulo – os irmãos Campos e Décio Pignatari – o piauiense estava entre os primeiros leitores brasileiros que mostraram uma compreensão mais ampla da experiência poundiana. Ao mesmo tempo, também se deixara impactar pela publicação, em 1952, de outro projeto monumentalizante, a "Invenção de Orfeu", de Jorge de Lima, com seu profuso desfile de imagens entre o barroco e o Kitsch. Esses dois modelos de gigantismo fizeram sombra ao rapaz que, no entanto, escreveria em módicas 14 linhas alguns dos sonetos mais bonitos da lírica brasileira.

E ele se convenceu, então, da necessidade do largo fôlego versificador: "Toda a minha obra tende à criação de poemas longos", declarou, mais de uma vez. Hoje, cabem as perguntas: era mesmo uma tendência ou uma auto-exigência? tal inclinação partia da sua escrita ou das suas leituras? tratava-se, para ele, de uma questão realmente poética ou apenas "literária"?

Os inéditos divulgados por Benedito Nunes em 1966 mostram algumas tentativas, sempre inacabadas, de prolongar o canto das Musas. Junto com elas, ficamos conhecendo alguns dos planos redigidos pelo autor. Como nessa espécie de "pauta" anotada em 1959: "1º) Conferir à poesia uma vasta medida, uma dignidade que lhe permita competir com as outras formas de cultura contemporâneas, sobretudo a arquitetura e a ciência; 2º) Fazer com que a poesia possa satisfazer de algum modo as necessidades, digamos, metafísicas do homem contemporâneo". É o poeta-crítico da página dominical em ação sobre si mesmo: a poesia se tornava uma verdadeira tarefa de Hércules para ele.

A mesma ambição desmesurada aparece em "A reconstrução" – poema que, abandonado, não chegou a ficar tão longo quanto seu minucioso plano. Depois de invocar toda uma academia de ídolos – Virgílio, Dante, Camões e cia. – o planejador anota: "Identificar a procura da poesia com a procura do graal". Essa demanda, no fim, aparece também associada ao desejo amoroso: "Descrever minha busca do amor, todas as minhas tentativas. O caminho. Recordar a Divina Comédia. Recordar D. Quixote". Por um lado, a escrita de um simples poema se converte numa epopéia, sendo a poesia comparada a um vaso santo, tão raro quanto desaparecido. Por outro, espera-se encontrar o amor só depois de atravessar os círculos do inferno e combater os moinhos de vento.

Não deve ser um acaso que os poemas mais belos e acabados de Faustino, escapando ao plano, tratem exatamente do amor fracassado, da rejeição, do abandono e do anseio (real, sexual) de amar.

É o caso da "Ballatetta" ("Por não ter esperança de beijá-lo / Eu mesmo, ou de abraçá-lo, / Vai tu, poema, ao meu / Amado, vai ao seu / Quarto dizer-lhe quanto, quanto dói / Amar sem ser amado, / Amar calado"). E também dessa pequena jóia que é o "Soneto": "Necessito de um ser, um ser humano / Que me envolva de ser / Contra o não ser universal, arcano / Impossível de ler".

Em ambos os casos, são poemas que não deixam de remeter aos acervos eruditos do autor, em particular ao lirismo medieval italiano (a escola toscana, Guido Cavalcanti, o Dante da "Ballatetta dolente"). Mas, neles, a remota evocação de formas tradicionais vem acrescentar ao sofrimento amoroso o distanciamento por onde se instila a suave ironia que é sua marca moderna.

Essas peças que ele próprio talvez considerasse "menores" formam hoje a parte realizada da curta obra de Mário Faustino, e contrastam com a sua perseguida aspiração ao poema longo, à medida épica e ao tom grandioso. É por causa delas, com sua bem-trabalhada despretensão, que se pode dizer também dele que "a vida é curta, a arte é longa". Nos seus últimos anos, porém, o poeta parece ter antevisto uma possibilidade de conciliação entre o lirismo breve e as estruturas de largo fôlego, com a proposta de uma obra-em-progresso composta de fragmentos a serem encadeados por meio de uma técnica inspirada na montagem cinematográfica. "Se tenho lápis e papel à mão, vou escrevendo em bruto da maneira que em cinema se tomam takes que mais tarde serão montados" – escreveu ele em carta de 1960 a Benedito Nunes.

Foi o filósofo quem transmitiu a idéia para os leitores: "seria a forma total nascendo do intercurso de formas parciais, (...) num processo de recorrência, no qual cada parte ensejasse o todo e o todo preexistisse em cada parte". Restaram apenas 18 fragmentos, sem indicações seguras sobre sua montagem. Considerados isoladamente, eles finalmente superam a adolescência órfica do poeta: são poemas muito mais espontâneos do que tudo o que ele jamais escrevera antes, mais livres de figuras mitológicas e bíblicas, bem como do cânone em peso da poesia ocidental.

Mas nem por isso serão composições menos experimentais, deixando de lado a megalomania de Pound, mas incorporando o seu princípio de escrita ideogrâmica (também reivindicado na época pelos concretistas): "meninada apostando corrida com chuva / menino adiante / atrás a chuva oblíqua". Ocasionalmente, a nota erudita reaparece, mas (como em Manuel Bandeira) nunca como decoração exterior; por exemplo no dístico "Gaivota, vais e voltas, / gaivota, vais – e não voltas", que ecoa distantes cancioneiros. Pelo menos um desses fragmentos – "Juventude – / a jusante a maré entrega tudo" – pode ser considerado uma obra-prima, com todo o seu ar de coisa inacabada, aberta, em movimento, incapaz de monumentalismo.Por uma ironia do destino, o poeta que tanto sonhou com o poema longo deixou uma obra em fragmentos.

Apaixonado pela idéia de perfeição, mas fadado ao imperfeito, acabou se voltando para essa busca do perfeito na imperfeição que é a escrita fragmentária: segundo Schlegel, "um fragmento deve ser como uma pequena obra de arte, separado do mundo ao redor e em si mesmo perfeito e acabado como um ouriço". O desastre interrompeu o já pensado antes como obra de interrupção e retomada, impedindo o autor de experimentar a idéia da montagem. Faustino, que tanto almejou como poeta-crítico um poema absoluto e cabal, terminou aproximado à concepção bem menos retumbante de um poeta que ele parece não ter conhecido, pois estava fora das prescrições da vanguarda brasileira no momento. Escreveu Paul Celan, seu contemporâneo: "O poema absoluto – não, com certeza ele não existe. Mas em todo verdadeiro poema, mesmo no menos ambicioso, existe essa questão inelutável, essa demanda exorbitante". Mas, se até um fragmento participa em potencial do almejado poema absoluto, então estamos livres da obrigação de atingi-lo sozinhos. O caráter fragmentário da obra faustiniana dificulta bastante a tarefa de seus editores: não pode haver uma edição definitiva de uma obra inacabada. O volume agora lançado nos deixa ainda mais ansiosos por uma edição crítica, que indique e comente de maneira mais rigorosa suas fontes e as variantes. Maria Eugenia Boaventura presta um bom serviço ao acrescentar 13 poemas ao corpus do autor, mas infelizmente não escreve uma palavra sequer sobre sua origem e estado de acabamento. Também o problema da ordem dos textos mereceria uma reflexão mais detida – não sendo de todo satisfatório o critério de ordem decrescente da data para uma obra que, além de inacabada, se pretendeu "em progresso".Algumas falhas de revisão prejudicam o resultado final. Há muitas gralhas espalhadas pelo texto, como em "Prefácio" ("as traduções" em vez de "a traduções"), "O homem e sua hora" (uma vírgula na expressão "turris eburnea", "rumos ao" em vez de "rumo ao", "autora" em vez de "aurora") e "Rupestre africano" ("acorda" em vez de "a corda"). O texto mais comprometido é o da famosa "Balada", que teve a estrofação confundida e ganhou uma vírgula inexistente nas edições anteriores, sem o devido esclarecimento; o subtítulo incorporou erro da edição de 1985 ("uma poeta suicida" em vez de "um"). Por fim, pela terceira vez se perdeu a oportunidade de grafar corretamente o título de "Ballatetta".

Sérgio Alcides é poeta e ensaísta, autor de "Nada a ver com a Lua" (Sette Letras, 1996) e "O ar das cidades" (Nankin, 2000).

sábado, 28 de novembro de 2009


Cena do filme "Lula, o Filho do Brasil", do diretor Fábio Barreto, que narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Recebi por e-mail da minha amiga Margareto Bravo, texto do César Benjamim, o Cezinha, o texto pulicado pela Folha de São Paulo, onde ele descreve a sua trajetória pelos presídios brasileiro nos anos de chumbo da Ditadura Militar, e faz uma grave denúncia, sobre o comportamento de Lula, durante os seus 30 dias de prisão. Não tenho culhões para publicar o texto aqui, quem tem, também tem medo, pois é grave, e é bem possível que resultará em processo, mas registro quem é o autor da façanha.
Sinceramente, não sei o que pensar sobre isso. Sinto-me atordoada, não sei se é ficção, pesadelo, loucura...Tudo que eu queria, era acordar amanhã, e descobrir que tudo não passou de minha imaginação. O Brasil não merece tanta: que nome dar a isso? eu nem sei...
Meg

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

http://procuromeublog.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

FestCampos de Poesia Falada - Verdades e Equívocos



Primeiro, é bom lembrar que instituição alguma cria projeto. Projetos são criados e executados por pessoas que em determinados momentos ocupam função para tal, dentro de uma instituição pública ou privada. E no caso de uma Institução Cultural, age de acordo com a política cultural que os Dirigente das determinada instituição pretende implantar ou seguir executando o que foi pensado por gestões anteriores.

Alguns comentários que li, na imprensa e nos blogs locais, citam outros Festivais de Poesia acontecidos anteriormente como se fossem o FestCampos de Poesia Falada, é também como forma de desfazer este equívoco que segue o relato, ao mesmo tempo me assusto, e entendo os porquês, que nessa polêmica toda que se trava com relação ao FestCampos de Poesia Falada, pela forma com que ele foi lançado para ser realizado este ano, a toque de caixa, depois de sabermos que ele estava morto e enterrado, segundo o presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima, Avelino Ferreira, por ordem do Secretário de Cultura, Orávio de Campos, e até entendemos a resolução tomada no inicio de suas gestões, por saber do esvaziamento e descaracterização que o mesmo começou a ter a partir de 2005.

Por quê deixei a sua coordenação em 2005?

A partir da mudança do governo Municipal e mudança na direção da FCJOL, o FestCampos de Poesia Falada, passou a não ter mais a infra estrutura e condições orçamentárias para realizar as Oficinas de Poesia Falada, que faziam parte do Projeto Original, não ter o reajuste na premiação, como vinha acontecendo até 2004, e nem os recursos para pagamento do trabalho de coordenação do mesmo, bem como para o pagamento das perfomances com música, poesia e teatro, que aconteciam durante os 3 dias em que era executado, nos intervalos de julgamento. Quem viu sabe do que estou falando, e Orávio e Avelino, também sabem, porque o primeiro várias vezes fez parte da Comissão Julgadora, e o segundo era o Fotógrafo da Fundação, no período em que Fernando Leite foi o seu Presidente de 2000 a 2003, período emq eu o FestCampos de Poesia Falada, ganhou a projeção Nacional.

Por conhecer esta cidade como poucos, não estranho os comentários totalmente equivocados e as desinformações sobre a sua criação e a forma como o FestCampos de Poesia Falada era executado. Isso é claro que se dá devido a falta de memória e o analfabetismo cultural da Aldeia dos Goytacazes, o que é uma constante ao longo da sua existência. Na minha opinião como o seu criador (em 1999), e coordenador até 2004, o FestCampos de Poesia Falada, foi morto e enterrado desde 2005, quando começou a ser totalmente esvaziado e não seguir a risca o projeto para o qual foi concebido. E portanto se a atual gestão da FCJOL quisesse mesmo ressuscitá-lo, deveria pelo menos ter conhecimento da sua proposta original.

O FestCampos de Poesia Falada originalmente, era realizado em 3 fases: 2 semi-finais e uma final. Eram selecionadas 60 poesias, e em cada semi-final apresentadas 30 poesias, e na grande final eram apresentadas as 30 finalistas.
Por se tratar de um concurso destinado a poetas de todo o território nacional, e também por ter a sua fase de realização apresentada ao vivo, nem sempre poetas de cidades mais distantes poderiam comparecer, e para isso eram realizadas Oficinas de Poesia Falada para selecionarmos intérpretes para as poesias selecionadas cujos autores não pudessem estar presentes.

Por isso o FestCampos de Poesia Falada era um incentivo a criação e interpretação poética. A partir de 2005 quando deixei a coordenação do mesmo, o Festival deixou de seguir essas normas da sua concepção.
Vale lembrar que em 1999 quando o FestCampos de Poesia Falada foi criado, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, era presidida por Lenilson Chaves, e o prefeito era Arnaldo Vianna, e não Garotinho, como chegou a ser publicado em um dos comentários que li. E é bom também frisar, que, anteriormente o evento de Poesia Falada, que a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, realizou de 1989 a 1992 chamava-se Encontro Nacional de Poesia em Voz Alta, criado pelo Professor João Vicente Alvarenga, no primeiro Governo Garotinho, quando a FCJOL era presidida por Cristina Lima. Fui também seu coordenador em 1989 e 1990. Posteriormente passou a ser coordenado pelo jornalista e poeta Prata Tavares, que entre 1977 até meados dos anos 80 realizou pelo Departamento Municipal de Cultura um outro Festival de Poesia.

Não só a experiência de participar como poeta e como coordenador desses Festivais anteriores, mas também o trabalho com a Mostra Visual de Poesia Brasileira, que criei em 1983, e executei até 1993, quando comecei a mapear a criação poética brasileira contemporânea, e dessa forma ir travando contato com poetas de todos os cantos do pais, foi o que me deu condições de pensar o FestCampos de Poesia Falada, da forma que pensei, quando em 1999 fui convidado pelo professor Luciano D´Angelo para integrar a equipe de Lenilson que iria assumir a presidência da FJCOL.

Em 1999 e 2000 o FestCampos de Poesia Falada, foi realizado no Auditório do Cefet. E em sua primeira edição o vencedor foi o poeta e jornalista Fernando Leite. Em sua segunda edição em 2000 o grande vencedor foi o poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto, com o poema Camões/Lampião, que posteriormente foi publicado na Antologia dos 100 Melhores Poemas do Século, organizada pelo jornalista José Nêumane Pinto. Um outro poeta ilustre premiado na primeira edição do FestCampos de Poesia Falada foi Gilberto Mendonça Teles.
A partir de 2001 o Festival passou a ser realizado no Palácio da Cultura, e nesse ano foi vencido pelo jornalista e poeta Martinho Santafé, com o poema Manual Para Assassinar Frangos, um longo e belíssimo relato sobre as enchentes do rio Paraíba.
Nesta fase o FestCampos de Poesia Falada já era considerado um dos maiores eventos de Poesia Falada do país, pois nunca deixara de receber mais de 500 inscrições, com a participação de grandes vozes da poesia brasileira contemporânea, o que serviu para ir alicerçando ainda mais as suas edições.
Em 2002 realizado junto a programação da Bienal do Livro o FestCampos de Poesia Falada, foi vencido pela filósofa e poeta Viviane Mosé, com o poema Receita Para Lavar Palavra Suja. A filósofa Viviane Mosé que até então não era um nome ainda muito conhecido na poesia, veio se popularizar posteriormente quando passou a dirigir o quadro Ser Ou Não Ser? No Fantástico.
Em 2003 foi a edição mais concorrida do FestCampos de Poesia Falada, não só em termos de inscrições como em termos da presença da quase totalidade os poetas classificados, de vários Estados do Brasil. O Vencedor deste ano foi Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi), com o poema Canção Amiga, que possibilitou ainda o prêmio de Melhor Intérprete a Felipe Manhães. Vale lembrar ainda a presença de Eliakin Rufino (autor), e Gean Queiroz, (intérprete) dois grandes poetas de Roraima, que foram também premiados com o poema Cavalo Selvagem.

Em 2004, último ano que coordenei o FestCampos de Poesia Falada, ele foi vencido pelo poeta paulista Luciano Carvalho, com o poema Bebe Toró. Em todas as edições do Festival, foi sempre maciça o número de inscrições de poetas de Campos e da região, e se nas fases de apresentação a presença desses poetas não se dava dessa forma, era exatamente devido a grande concorrência que ele atraia e a gualidade dos concorrentes. Mas vale ressaltar, que bons poetas como Antônio Roberto Góis Cavalcanti, Aluysio Abreu Barbosa, Adriano Moura, e gratas revelações como Manuela Cordeiro e Fernanda Hughenin, tiveram várias vezes suas poesias não só
classificadas para a Fase Final, bem como muitas vezes também premiadas, não justificando a tentativa muitas vezes depois que saí da sua coordenação, de torná-lo apenas regionalista para prestigiar os poetas de Campos.
Veja bem, se nas 6 edições que coordenei, 3 poetas de outras cidades foram os vencedores, Sérgio de Castro Pinto(João Pessoa), Viviane Mosé(Vitória), Luciano Carvalho(São Paulo), e 3 poetas de Campos também venceram, Fernando Leite, Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi) e Martinho Santafé, sem falar naqueles que foram premiados com outras colocações.

Vale lembrar também alguns nomes que passaram pelas Comissões Julgadoras das 6 Edições que coordenei, entre 1999 e 2004, como Arlete Sendra, Orávio de Campos Soares, Cristiane Grando, Leonardo Lobos(poeta chileno), Pedro Lira, Sady Bianchi(professor de Teatro na Faculdade Hélio Alonso), Deneval Siqueira, Amélia Alves, Ednalda Almeida e tantos outros nome com as mesmas condições de julgamento desses acima citados.

Artur Gomes
http://multiartecultura.blogspot.com

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Goyta City



quando teço
a palavra no tecido
sendo negro
o teu vestido
verde/amarelo
ou furta cor
invento
outra realidade
muito além de prostituta
minha cidade
minha puta
nunca foste o meu amor
com tua cara de safada
corrupta descarada
tão fudida e mal amada
ó vampira assombradada
desse filme de terror

Artur Gomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com

No twitter
http://twitter.com/fulinaima

No my space
http://www.myspace.com/317911079

cine.vídeo.poesia
http://youtube.com/fulinaima

juras secretas
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Encontro de Teatro 2009



O SESC São Caetano e a Prefeitura Municipal de Mauá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Lazer realizarão de 03 a 06 de dezembro, o Encontro de Teatro 2009.
Artistas da cidade e do Estado participarão do evento.

O Encontro é um início de ações preparatórias para o 1º Festival Nacional de Teatro de Mauá, que está previsto para ocorrer entre os meses de Abril e Maio de 2010.
As apresentações acontecerão no Teatro Municipal, no Museu Barão de Mauá, no auditório da Escola Municipal Cora Coralina, na Biblioteca Cecília Meireles (Sala Heleny Guariba), na Praça 22 de Novembro e, ainda, em um “ônibus circulante” considerado um espaço não convencional.
A programação incluirá espetáculos de rua, para crianças e para o público em geral.
Segundo o Secretário de cultura, Esportes e Lazer José Estevam Gazinhato:
“É muito importante para Mauá, retomar a mística do Teatro que sempre foi uma das forças culturais da cidade”.
Atividades Formativas também farão parte do encontro, com a participação de diretores, teóricos, atores de renome e artistas da cidade, com a intermediação do Prof. Dr. Alexandre Matte e o Prof. MS. em Artes Cênicas e Coordenador de Cultura de Mauá – Caio Evangelista.
Denise Stocklos abrirá o Encontro de Teatro 2009, no dia 3 de dezembro, às 20h, no Teatro Municipal de Mauá.
Encontro de Teatro 2009
De 03 a 06 de dezembro de 2009
Realização: SESC São Caetano e Prefeitura Municipal de Mauá
Local: Mauá – SP
Gratuito à população

Programação
A programação diversificada conta com apresentações de companhias de referência no estado de São Paulo, grupos da cidade e atividades formativas.
O projeto é uma parceria entre o SESC São Caetano e a Prefeitura Municipal de Mauá, por meio da Diretoria de Cultura.

Denise Stoklos – Calendário da Pedra
Estreado em 2002, originou-se de um poema de Gertrude Stein chamado Book of Anniversary e mostra - por meio de um aparente diário anual - pensamentos, emoções, ações próprias relativas mais ao interior do personagem que ao tempo cronológico. Aparecem através do desenrolar do tempo questões não qualificadas como mais ou menos importantes. É uma homenagem ao ser, livre em sua gratuidade, mas com legitimidade. Contesta o sistema social em que vivemos, onde os valores dependem sempre de sua utilidade prática ou de rendimentos concretos.
Criação e interpretação: Denise Stoklos.
Duração: 75 minutos.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Grátis.
03/12. Quinta, às 20h30. Teatro Municipal de Mauá.

Barracão Teatro – A Julieta e o Romeu
Com interpretações completamente inovadoras, o casal revela a maravilha e a catástrofe de sua relação. Em uma delicada e explosiva relação de amor, ódio, admiração e dependência, estes dois palhaços nos mostram que são inseparáveis.
Duração: 50 minutos.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Grátis.
04/12. Sexta, às 21h. Teatro Municipal de Mauá.

Cia Odelê – A casa dos gestos – Um Ratinho e a Lua
O protagonista desta obra é um pequeno ratinho chamado Gualdo, que morre de vontade de conhecer pessoalmente a sua eterna namorada, a Lua. Além de apaixonado, este ratinho é obstinado e arrojado, qualidades estas que o impulsionaram a buscar diversas maneiras de cruzar o espaço para chegar até a sua amada.
Duração: 45 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
04/12. Sexta, às 10h e às 14h. Espaço Cultural Cora Coralina, Mauá.

Cia. São Jorge de Variedades – O Santo Guerreiro e o Heroi Desajustado
Espetáculo carnavalesco que narra a história do incrível encontro entre Dom Quixote de La Mancha e São Jorge Guerreiro. Uma reflexão sobre o sentido do herói nos dias de hoje na grande metrópole.
Duração: 90 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis
04/12. Sexta, às 12h. Praça 22 de novembro, Mauá.

CPT – Prêt-à-Porter Coletânea 2
Direção: Antunes Filho. É uma proposta de dramaturgia, onde cenas do cotidiano são deslocadas no tempo e levam os espectadores a reflexão.
Duração: 90 minutos.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Grátis.
04/12. Sexta, às 17h. Sala Heleny Guariba, Mauá.

Trupe Sinha Zózima – Cordel do Amor sem Fim
Com a ideia de levar a arte para qualquer lugar a Trupe Sinhá Zózima criou o espetáculo Cordel do amor sem fim, que é realizado dentro de um ônibus urbano. O texto narra a história de três personagens sertanejos às margens do Rio São Francisco. Os passageiros - expectadores irão acompanhar os conflitos sobre as diferentes formas de amar e a submissão ao tempo, numa época em que o destino é influenciado pelas forças da natureza.
Duração: 60 minutos.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Grátis.
04/12, 05/12. Sexta e Sábado, às 18h e 19h30. Saída do Teatro Municipal de Mauá.

Cia Polichinelo – Frankenstein
Um homem muito curioso resolveu construir um monstro e dar-lhe vida, assim a criatura passou a assustar todos do vilarejo. Mas o que esse monstro de parafusos soltos queria mesmo era ser aceito, ter amigos e família.
Duração: 50 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
05/12. Sábado, às 10h e 14h. Espaço Cultural Cora Coralina, Mauá.

Lume – La Scarpetta
O palhaço Teotônio, uma espécie de artista “pau prá toda a obra”, apresenta o seu Spettacolo Artistico com números de magia, equilibrismo, contorcionismo, música e acrobacia com ovos, provocando e surpreendendo o público.
Duração: 90 minutos.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Grátis.
05/12. Sábado, às 21h. Teatro Municipal de Mauá.

PiaFraus – Gigantes de Ar
Espetáculo que aborda cenas inspiradas nas populares apresentações de circo-teatro e nos animais de circo e seus amestradores, em que se reúnem palhaços, trapezistas e bonecos infláveis gigantes, em uma atmosfera de humor e poesia.
Duração: 50 minutos
Livre para todos os públicos
Grátis.
05/12. Sabádo, às 12h. Praça 22 de Novembro, Mauá.

Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes – As Três Graças
Com texto de Luis Alberto de Abreu e direção de Ednaldo Freire, o espetáculo foi construído a partir de depoimentos de mulheres e lança um olhar sobre o universo feminino.
Duração: 115 minutos.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Grátis.
06/12. Domingo, às 19h. Teatro Municipal de Mauá.

Espetáculos e Cias. da Região ABCDM.

A Cantora Careca – Nac SESI
A história se passa no interior da Inglaterra e mostra o cotidiano de dois casais, as Smith e os Martim, e da empregada Mary. Entre conversas banais e com pouco sentido até palavras desarticuladas que se limitam a sons e um crescente clima de violência, a peça se desenvolve.
Duração: 70 minutos.
Não recomendado para menores de 10 anos.
Grátis.
04/12. Sexta, às 15h. Museu Barão de Mauá, Mauá.

Dom Casmurro – Cia Literatrupe
Adaptação e Direção: Zhé Gomes. Narrado em primeira pessoa, essa obra de Machado de Assis desperta no leitor diversas dúvidas e a Cia. traz essa intrigante obra ao palco com fidelidade!
Duração: 50 minutos.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Grátis.
04/12. Sexta, às 19h. Espaço Cultural Cora Coralina, Mauá.

Estilhaços – Cia Deanthales
Direção de Anderson Cosme. Baseado em texto sobre o existencialismo de Sartre. Narra a chegada de três pessoas em um inferno atípico, deixando de lado a idéia de que “o inferno são os outros”, pois somos frutos de nossas próprias escolhas.
Duração: 70 minutos.
Não recomendado para menores de 16 anos.
Grátis.
05/12. Sábado, às 15h. Museu Barão de Mauá, Mauá

Re-Talhados – Grupo Artemis de Teatro
O espetáculo passeia por várias estórias conhecidas da literatura infanto-juvenil, gerando entretenimento e reflexão sobre a possibilidade de construir novas histórias a cada momento.
Duração: 50 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
05/12. Sábado, às 17h. Sala Heleny Guariba, Mauá.

Ah! Se o Anacleto Soubesse – Grupo Capa
Direção de Paulo Cardoso. É uma comédia do circo-teatro de repertório. Anacleto, um velho excêntrico, chefe de família, torna-se capacho de uma esposa dominadora.
Duração: 65 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
05/12. Sábado, às 19h. Espaço Cultural Teatro do Cora Coralina, Mauá.

Brincando com o Lobo Mau – Cia Teatral Téuga
Direção de Gilberto Lima. Inspirado no conto dos Irmãos Grimm, com uma proposta moderna, o espetáculo mostra um Lobo bem diferente, buscando reflexão sobre temas como ética, diversidade e socialização, mostrando às crianças que com amor tudo se transforma. Com Cia Teatral TÉUGA.
Duração: 60 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
06/12. Domingo, às 10h. Espaço Cultural Cora Coralina, Mauá.

Segredo da Lua – Cia Quartum Crescente
Contos de fadas contemporâneo. Direção Ronaldo Moraes. Conta à história de uma Rainha que ao perder seu marido o Rei sem ter lhe dado um filho transformam o sol com a ajuda das bruxas em um diamante em que todo o reino é obrigado a viver na escuridão onde só o brilho da lua reinará. Duração: 60 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
06/12. Domingo, às 14h. Espaço Cultural Cora Coralina, Mauá.

O Boca do Inferno – Cia Obscenos de Teatro
Uma Trupe Mambembe acerca-se de uma cidade do interior, onde pretende apresentar-se com a peça O Boca do Inferno, aliás, é o nome da trupe que a ensaia e a seguir preparam-se para descansar quando aparece um fugitivo, identificando-se como vereador e desafeto do Prefeito da cidade é acolhido pelos artistas que aceitam a incumbência de denunciar veladamente, na peça, os desmandos do Prefeito.
Duração: 50minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
06/12. Domingo, às 15h. Museu Barão de Mauá, Mauá.

Tristão e Isolda – Raio X Cultural e Cia Obscenos de Teatro
A peça conta a estória do amor impossível entre Tristão e Isolda, a bela dos Cabelos de Ouro.
Duração: 60 minutos.
Livre para todos os públicos.
Grátis.
06/12. Domingo, às 17h. Sala Heleny Guariba, Mauá.

Informações:
Jardel Teixeira
(11) 9382-2271
(11) 3909-7822
jardel.teixeira@uol.com.br
e
Bruna Serra
(11) 4512-7527
(11) 7494-6794
imprensa@maua.sp.gov.brEncontro de Teatro 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

Miss Afro Brasileira

Além dos emocionantes shows de Luiz Melodia e Elza Soares, ontem na Praça da Sé, em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares, levando a praça mais de 10 mil pessoas, o dia foi comemorado também em Itu, com a Missa Afro Brasileira, espetáculo dirigido pelo grande Edvaldo Santana.
amanhã também em Itu, Edvaldo volta ao palco com o musical da Diáspora Africana, a partir das 15:00h na II Feira de Cultura Negra de Itu, em comemoração aos seus 400 anos.

No dia 20 de novembro, na igreja de São Benedito que fica na Rua Santa Cruz, 600, no centro da cidade de Itu, São Paulo, acontece a celebração da Missa Afro Brasileira,dentro das comemorações da Semana da Consciência Negra.

Organizada pela União Negra Ituana (UNEI), a Missa Afro Brasileira, foi trazida para a comunidade pela pastoral do negro em 1993, através do (CELMU) Centro Ecumênico de Formação e atualização litúrgico-musical,é baseada em textos e melodias criados pelo Padre Reginaldo Veloso e adaptada pela comunidade negra ituana, que inseriu no repertório outras canções populares,criadas por compositores oriundos da cultura Negra brasileira como Dona Ivone Lara, Sombrinha,entre outros.

Composta por elementos da cultura africana, brasileira, indígena e européia, esse culto tem por objetivo mostrar o sincretismo religioso existente nas manifestações sacras do nosso povo procurando informar e difundir a história do negro no Brasil e principalmente resgatar sua importante contribuição na elaboração e criação artística e estética na produção cultural do planeta. Caldeirão de poesia e idéias esse trabalho é pontuado por canções com diversas variações melódicas e rítmicas (samba, afoxé, baião, toada).

Suas letras trazem a influencia dos dialetos, (Nagô e Tupi-Guarani), se fundindo com a linguagem religiosa do cristianismo, seus cânticos são acompanhados por atabaques, berimbaus, violões e agogôs, as vozes dos componentes da comunidade negra nos remetem aos sentiment os mais profundos de dignidade, amor e amizade.

O cenário que compõem o culto é constituído pela natureza das plantas e flores e com muita ginga, suingue e vestimentas coloridas, durante toda a celebração o balé afro de moças, rapazes e crianças iluminam de paz e alegria cada canto da igreja. Apesar de serem arrancados de suas terras, para serem escravizados, este é o legado que a África generosamente distribuiu pelos lugares onde seu povo aportou.

Ficha técnica-
Djalma dos Santos-voz e atabaque
Fátima do Carmo, Giselda de Almeida, Camila Elaine, Vanilda de Almeida - Coral Feminino
Paulo Jamaica - Berimbau
Benedito Sampaio
Edvaldo Santana-voz, violão e direção musical
Balé Afro da Unei
Padre Renilton Fontes-celebrante





sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Riverdies - Show de Lançamento CD


Show de lançamento do CD promocional da banda Riverdies,
onde atua o meu filho Fil Buc - leia aqui:
http://goytacity.blogspot.com

Dia 3 Dezembro – 20:00h
Rio Rock & Blues Clube
Rua Riachuelo, 20 – Lapa – Rio de Janeiro - Brasil

Jura Secreta 89

a face oculta da maçã
duas partes que se abrem pêssego
campo de girassóis teus pêlos
alvoroçados sob o sol de Amsterdã
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã

Artur Gomes

http://youtube.com/fulinaima
juras secretas – leia mais aqui
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com





------------------------------------------------------------------------------

Escute 3 músicas do EP no nosso myspace:
www.myspace.com/riverdies

Ou com áudio de melhor qualidade no nosso site oficial:
www.riverdies.com

Prévias das 6 músicas em um dos portais que estão vendendo nossos mp3 mundo afora:
http://www.amazon.com/Down-Yard/dp/B002O6OQDU/ref=sr_shvl_album_1?ie=UTF8&qid=1253155884&sr=301-1

Nossa página com a empresa californiana A&R Select, contendo notícias e reviews internacionais sobre o disco:
http://arselect.ning.com/profile/riverdies

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Jura Secreta 91












entre a pele e o tecido
tudo aquilo que o sentido busca
e a linguagem crava
palavra no espelho nua
tua alma em minhas mãos levita
o gozo no teu corpo grita
e o poema brinca em tua boca
quando o sexo extravasa a calma
amor é o que rasga a roupa

Jura Secreta 90

o que é que pula
embaixo do algodão da tua blusa
quando pensa no que pulso?

apenas o tecido sobre a cor da tua pele
ou alguma coisa a mais que me revele
o íntimo instante na carne onde pulsa?

Jura Secreta 89


a face oculta da maçã
duas partes que se abrem pêssego
campo de girassóis teus pêlos
alvoroçados sob o sol de Amsterdã
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã

Artur Gomes

http://youtube.com/fulinaima
juras secretas - leia mais aqui

http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009




a flor que alice traz na boca
não tem hóstia nem batom
é flor de lírios do cerrado
de um tom quase encarnado
meio carmim meio marron

cor dos olhos de alguém
que nunca vi numa janela
só ali pele e tecido
dentre a roupa sob pêlos
de um furor em carne viva
onde o sangue corre solto
e a pele ouro ao sol
risco de luz ao meio dia
cheirando sexo todos poros
e um estranha solidão
o teu nome
quase sempre em minha boca
como um beijo nunca findo
e o teu ser me permitindo
que entre pétalas e pedras
sangrasse o hímen da paixão


artur gomes

A vocação da semente é ser árvore!

Após inaugurada com bastante alegria, a Biblioteca Professora Maria de Jesus, que fica no povoado Vila Sao Luís, ou Pintada, (que francamente eu prefiro chamar assim, por ser mais poético, doce e me levar a outros mundos) passou a ser ponto de encontro dos estudantes de outros dez povoados da redondeza.E para comemorar o sucesso fizemos nosso 1º Sarau, dia 01/11, organizado pela professora Silvana e que contou com mais de 50 pessoas que se deliciaram com as apresentações das crianças.A Biblioteca faz parte do Projeto Bibliotecas Casa do Saber, capitaneado pela Rede Gasol-DF (http://www.bibliotecascasadosaber.com/), que nos possibilitou a concretização de um sonho gestado com esperanças e trabalho, muito trabalho!Semear sonhos, automaticamente nos faz carregar mais responsabilidades, nós da Casa das Artes semeamos e regamos com versos floridos de esperanças os nossos sonhos, talvez por isso as responsablidades nos pareçam sementes aladas, destas que o vento conduz...

VISITEM O BLOG http://artesdacasa.blogspot.com/ e conheçam um pouco de nossa gente!

Lília Diniz
Poemas e Impressões

sábado, 7 de novembro de 2009

AVYADORES DO BRAZYL NO GORDO




Sábado 7, "ROCK DA TARDE"

A partir das 18h, no BAR DO GORDO
(em frente à UENF).

A banda é composta por:
Luizz Ribeiro (guitarra e voz),
Sérvulo Sotto (baixo)
e Hugo Zulad (bateria).

No repertório, Beatles, Stones, muito blues, reggae
e coisas dos Avyadores.

Babilak Bah no FAN



A prefeitura de Belo Horizonte por meio da Fundação Municipal de Cultura apresenta:5° Fan - Festival Internacional de Arte Negra de Belo Horizonte. De 3 a 8 de novembro na orla da lagoa da pampulha. No ano da França no Brasil os congos daqui recebem os congos de lá. Música, dança, teatro, cinema, literatura, gastronomia, artes plásticas e artesanato. Artistas do Brasil, da África e do Caribe numa celebração da cultura da paz.
Entrada gratuita.
Mais
informações:
Venha conferir o Show de Babilak Bah.

Produção: Ana Novaes
Contato: 31 9201 1670

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Darcy Ribeiro






“Fracassei em tudo o que fiz. Quis uma escola para os índios, e fracassei. Quis um país mais justo, e fracassei. Quis fundar uma universidade de qualidade e fracassei. Mas meus fracassos são minhas vitórias. Não estaria de estar no lugar dos vencedores.

”Darcy Ribeiro (1922-1997)
Internalizando fundamente o denso e tocante inventário do mestre Darcy, fico pensando o que significam “sucesso” e “fracasso”.
É claro que eu e muitos amigos da minha geração (ou de anteriores ou posteriores) não
gostariam de estar do lado desses vencedores.
Não monumentalizando minha geração (segmentos da parte mais consciente dela, a que tinha 20 anos em 1964 – 20 anos como data simbólica, rito de passagem), creio que, apesar de seus equívocos, foi das mais generosas da História do Brasil. Não falo por mim. Falo pelos outros.
Sucesso? No modelo capitalista e mercantil, sucesso é ganhar muito dinheiro, mesmo às custas do sofrimento alheio, ter cartão de crédito polpudo e, muitas vezes, ser asperamente individualista, cruel e puxar o tapete alheio para subir.
Isso é “vitória”.
Vitória? Não há derrota humana maior que essa.
Quem conhece a gênese da UnB, fundada por Darcy e outros grandes brasileiros, perceberá que não houve projeto de universidade mais generoso, altamente capacitado, ecumênico, autêntico e profundamente enraizado nos sonhos maiores do povo brasileiro.
Não conheço projeto de universidade tão integral (“universal” mesmo) em nossa América Latina. Lógico: o “chega-pra-lá” dado na gente pelos gorilas de 64 devastou o sonho.
Voltando do exílio, depois de anos de anos de conquistas internas, mas de muito sofrimento, Darcy diria que “sua filha (a UnB) havia caído na vida”.
Se ela caiu na vida, não caiu sozinha.
A degradação da universidade brasileira foi ampla, total e irrestrita.
Nem falo das faculdades caça-níqueis, estimuladas pela privatização tucana, e com ensino hediondo.
Participei como jurado num concurso de literatura aqui em Brasília, em uma universidade desse tipo.
Meu Deus! É claro, não esperava nenhum Machado de Assis. Mas os erros de
português eram tão crassos que, por exemplo, minha filha Clarice – quando estava no 4ª ano do curso primário (creio que chamam agora de fundamental) nunca cometeu..
Conheci alguns alunos que faziam mestrados em várias dessas universidades.
Sem exagero, o nosso curso clássico (segundo grau) com os jesuítas, era infinitamente mais profundo e melhor.
Pelo que me falam, as públicas também estão sendo sucateadas rapidamente.
Mas para a visão dos “pedagogos” do PT e do PDSB o que vale é a quantidade.
Ninguém repete de ano. Não tem mais 2° época. Agora é tudo promoção automática. Muitos alunos chegam analfabetos no 4ª ano. Não sabem ler.
Reprovar? Nem pensar. “Vai ferir a auto-estima dos alunos”. Esse psicologismo de butique, de segunda categoria, é das maiores pragas da pedagogia moderna.
A “tigrada” não tem limites, é arruaceira, mal-educada, e os professores acabam levando sopapos, alem de ganhar uma miséria (e precisam gastar com remédios de tarja preta).
Claro, estou falando de escolas públicas de segundo grau.
O que acaba com a auto-estima de um povo é a falta de conhecimento e a ignorância.
Além da falta de fibra.
Sinceramente, em muitos segmentos da nova geração percebo intensamente essa falta de fibra, de espírito guerreiro, essa carência de solidariedade, essa obsessão por engenhocas eletrônicas, sem nenhum controle do instinto (já está em Freud: a violência inata do ser humana só pode ser coibida pela “Lei”).
Infelizmente, as pessoas têm lido muito pouco.
“Autoridade” não é fascismo. Fascismo é desumanização, é exploração.
Estabelecer limites é buscar uma convivência digna e honrosa entres os seres humanos.
“Coitadinhos. Sofrerão traumas.”
Fui testemunha. Eu estava com um amigo. Havia uma moça belíssima, aproximadamente 20 anos, de quase dois metros, morena jambo, filha da mulher deste grande amigo, aqui em Brasília, num sábado à noite. Ela estava usando drogas. Chorando, abraçou-nos e disse: “Queria ter tido um pai e uma mãe que tivessem me dado limites. Só fiz o que quis.”
Sua mãe não queria saber de nada. Era uma hippie retardatária.
É claro: educar e cuidar exige dedicação, esforço.
Mas tem gente que prefere ficar fazendo filosofia de subúrbio em mesa de bar.
Estudam pouco, não são inteiros no que fazem.
Assim, tem gente que, depois de decretar greve na universidade vai tomar banho na Joaquina…
Greve é algo muito sério e que exige ética.
A violência banalizada em todos os lugares, nas escolas, o império do tráfico, a falência da comunicação entre pais e filhos, o sonho de ser modelo ou atriz de TV, vai gerando uma sociedade de sonâmbulos morais. Mas é assunto para abordagem maior.
Ah, querido Darcy. Se todos os brasileiros “fracassassem” como o tu, o Brasil seria melhor.
Conversei com ele sobre isso num bar aqui da 109 Sul (já fechado).
Tomamos água tônica dietética, enquanto o sol se punha no Planalto Central (Brasília tem o pôr-do-sol mais bonito que conheço), e a noite chegou, e não paramos a conversa.


AINDA A TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO:

Em Buritizeiros, Minas Gerais, um grupo de manifestantes que questionava as obras da transposição do Rio São Francisco, teve seus panfletos e faixas aprendidos pelos muitos capangas de Lula e comitiva. Foram fichados, revistados.
Lula estava irritadíssimo.
Seu olhar estava furioso, suava muito.
No fundo, creio, seu sonho era que os seguranças baixassem o cacete nos manifestantes. A turma do palanque, que já foi de “esquerda”, como a plastificada Dilma, só olhava (com raiva) para os manifestantes.
O fantasma do camarada Stalin devia pairar sob o São Francisco…
Lula ficou irritadíssimo ( ele não gosta de ser contrariado) com os gritos dos manifestantes: “Lula, que traição, o povo não quer transposição!”.
Cancelaram a visita à Pirapora (belíssima cidade mineira banhada pelo Francisco), onde situei o momento mais dramático do meu romance “Olhos Azuis –Ao Sul do Efêmero”), do outro lado do rio.
Os tecnocratas do presidente alegaram “excesso de compromissos”.
Mentira! Explico.
Lá está a única estação de tratamento de esgoto “concluída” na calha do rio, mas o prefeito é do DEM, e duas outras obras do PAC estão empacadas.
Segundo Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra, a estação, que custou R$4,5 milhões, cometeu o crime ambiental de drenar uma lagoa marginal, separando apenas resíduos sólidos e lançando no rio água verde de cianobactérias.
Esse é o retrato da revitalização do São Francisco, para alegria das oligarquias nordestinas, das empreiteiras, dos políticos corruptos, e para felicidade geral dos reis do agro e do hidronegócio.
Insisto: estão cometendo um crime hediondo contra as populações ribeirinhas.

Dom Tomás
O honrado e combativo bispo Dom Tomás Balduíno (que foi presidente da Comissão Pastoral da Terra) também manifestou-se contra a transposição, num artigo publicado na Folha, em 25 de outubro de 2009, domingo passado, intitulado “Réquiem para a transposição do São Francisco”
Réquiem? Sim.
O heróico bispo de Barra, na Bahia, Dom Luiz Cappio (que fez longa greve de fome contra a transposição) ordenou o dobre de finados na catedral enquanto Lula perambulava por aquela cidade.
Como diz Dom Tomás, “os sinos são a secular e inconfundível marca da cultura cristã nos tempos das grandes metrópoles e nas pequenas capelas do interior.”
Esse gesto, segundo o grande bispo, (o dobre de finados) tem o peso de uma profecia.
“Esses símbolos querem dizer que a transposição do São Francisco não se concluirá, Morrerá. Descansará em paz. Réquiem, então, para ela.”.
Conheci Dom Tomas em 1980, quando ele era bispo de Goiás Velho, uma das cidades históricas mais belas do Brasil.
Viajei várias vezes para lá, e ficava contemplando o rio ao entardecer.
A cidade foi capital de Goiás, e tem um tradição de excelentes doces.
Tomamos suco de limão e comemos biscoito..
Dom Tomás Balduíno é um das figuras mais dignas e heróicas da igreja católica brasileira.
Sua teologia é da libertação pelo amor e pelo combate.
Não é a teologia carnavalesca da prosperidade de um padre Marcelo Rossi (que uns consideram uma espécie de “Xuxa da Igreja Católica”) ou dos bispos das universais da vida, verdadeiros super-mercados da fé que existem para manipular as populações mais carentes e desinformadas.
Na época, Dom Tomás sofria constantes ameaças de morte por parte de latifundiários, de grileiros e de coiteiros e de pistoleiros de aluguel.
Lá era também a terra de Cora Coralina, grande poeta e grande doceira, muito amada e conhecida aqui no Centro-Oeste.
MEMÓRIA
“Se a memória se dissolve, o homem se dissolve.”(Octávio Paz)
MÁGOA
“A mágoa é um veneno que você toma achando que o outro vai morrer”.(William Shakespeare).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ibirapitanga

hoje vi na rua a palavra
ibirapitanga
que eu não conhecia
e mesmo não a conhecendo
já sabia que existia

como ibiratininga
ibirapitininga
ipiranga
pacaembu
ibirapuera
anhangabaú
anhangüera
araraquara
jabaquara
itaquera

não sei se é tupy
não sei se guarani
guarani tupy
tupy guarani
cangaíba
cambaíba
tupinambá
guriri
puri
guaicurus
guarulhos
guaianases
goytacá

palavra mansa
ou besta fera
piracicaba
pirapitanga
pirapora
abatimirim
amendoim
araçá
araçatuba
aymorés
guaporé
ibiraçu
araguaia araguari
arara
araruama
avaré
barueri
boitatá
butantã
ou boissucanga


assim como tamoio
tapajós
carijós
taubaté
tupiniquim
tremembé
votuporanga

embu guaçu
grumari
guaçutinga
guaiapá
guaiaruna
guapimirim
guará
guarabira
guaraci
guaraciaba
guarapiranga
guararema
guaratinga
guaratinguetá
guaraná
guarapari
guauarujá


ibiraci
ibirapiroca
ibirataíba
ibiratinga
ibiri
ibitiba
ibitinga
ibituruna
imbé
imburi
ingá
inhambu
ipanema
ipatinga
ibiporanga
ibitioca

iriri
itaberaba
itabira
itaboraí
itacolomi
itacolomi
itacuã
itajaí
itanhaém
itapecerica
itapema
itapevi
itapoá – itapuã
itaquaquecetuba
itabapuana
itereré
itu
ituberaba
ituverava

Japira
Jabuti
jabuticaba
jacareí
Jaci
jacira
jaçanã
jacutinga
japi
jararaca
jatobá
juá
juciara
jundiaí
Jupiá
Jupira
jequié
juquiá
juréia
jurema
jurupi
jussara

mandioca
macunaíma
sagaranagem fulinaíma
maniçoba
mairiporã
manga
mangaba
maracanã
marajó marajoara
moema
mogi
monguaguá
muiraquitã
muriaé
itaocara
maniçoba

paçoca
paquetá
paraguassu
paraitinga
paraná
paranapanema
paranapiacaba
parati
parnaíba
peruíbe
pindaíba
pindamonhangaba
piracaá
piracajara
piracanjuba
piracatinga
piranga
pirassununga
pitinga
piriri
piririca
pirigua
Purus
peri
pracará
quipari
roraima

saci
sapucaia
saracura
saracutinga
siri
sorocaba
sucuri
surubim
surucucu
suruí-aiqueuara

tabatinga
taguatinga
tapera
tararaca
tarumã
tatuí
tocantins
tucunaré

ubatuba
ubirajara
urubu
urutu
ururaí
utinga
xavante
xingu
aymorés
tumiaru
tibiriçá

aracatu
aracati
araquari
araçá araci

bertioga
bariri
bicuibaçu
biguá
birigui
biriba
boiçununga
boiutuçu
surucucu
cacomanga

caingangue
caipira
sucupira
caipora
capixaba
cambuci
cairu
caraguatatuba
carajás
carapicuíba
caratinga
carangola

congonhas
carioca
cubatão
copacabana
cumbica
curitiba
cururu
caatingacaicanga
caipóou mar de angra
cariri caicócaramuru
cajurus e
cataguases

eu sei que sou das minas
como sou dos goytacazes.

artur gomes

nação goytacá
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

domingo, 1 de novembro de 2009

O Desabafo de Luiz Fernando Prôa

Caros amigos, os antigos e os que chegaram agora,

Gostaria de agradecer o apoio de todos numa hora tão difícil como esta. Precisou acontecer um fato chocante, um abalo que não atingiu apenas as famílias envolvidas, para que a sociedade se mostrasse perplexa e comovida perante a tragédia diária que vivemos em todos os cantos do país. Não tive tempo para acompanhar nada do que saiu nos noticiários, mas, segundo ouço falar, há um clima de indignação generalizado. O acontecimento lamentável do sábado, dia 24 de outubro (quando meu filho viciado em crack matou a amiga que tentava ajudá-lo a largar as drogas), fez emergir questões difíceis do dia-a-dia, que todos nós enfrentamos e já não aguentamos. Vocês não me verão mais lamentando os eventos que passaram, isso agora fica na minha esfera pessoal. Só me interessa olhar para frente e fazer alguma coisa.

Dentro dessas questões, o crack é um deles. De uma cracolândia em São Paulo se multiplicaram centenas pelo país. Daqui a um ano serão milhares! A cola de sapateiro foi substituída pela pedra maldita, o consumo disseminado entre todas as classes e o combate intensificado contra o crime organizado transformou o Rio de Janeiro num teatro de guerra, perdida, e que será maquiado para as Olimpíadas de 2016. Mas essa guerra não é só aqui, está espalhada e em expansão por todas as capitais, periferias e áreas pobres principalmente, no interior e nas cidades de fronteira.

O poder público, apesar da boa vontade de alguns setores, se mostra incapaz de deter a marcha vertiginosa das coisas. Há dinheiro para o FMI, para submarino nuclear, para aviões militares sofisticados, para Angra 3 e até para o Haiti, mas o que vemos aqui é a estrutura complementamete falida, seja na área da saúde, da segurança pública, na defesa do meio ambiente, apesar dos esforços valorosos do ministro Carlos Minc, e em outras áreas.

Não podemos continuar a ser esmagados e acuados pela falta de recursos, pelo poderio de grandes grupos econômicos, como o setor privado de saúde e a poderosa indústria da bebida, que sabemos ser uma droga pesada, apesar de lícita. Dois exemplos são emblemáticos. O primeiro é a aliciação através da propaganda de cervejas e similares sem nenhum controle, em nome da democracia – a deles, é claro – e do direito de informação. Chega a me doer ver atletas se prestando a isso, por dinheiro. A segunda é pessoal. Passando mal na sexta, final da tarde, fui até uma clínica em Laranjeiras, a mesma em que morreu a Cássia Eller, e que agora mudou de nome.

Com a emergência aparentemente vazia, duas pessoas apenas na minha frente, esperei no mínimo uma hora e quarenta para ser atendido, ainda tendo que aturar a cara de nojo que a médica plantonista me lançou, quando com educação reclamei com a enfermeira sobre a demora.
Mas meu caso não era de emergência, apenas uma dor profunda no coração, um possível enfartezinho qualquer. Saí de lá indignado e me dirigi a outra clínica, com um pique de pressão que poderia ter consequências graves. Por sorte fui atendido prontamente por lá. Isso em plena zona sul do Rio e com um cidadão comum que, naquela semana, havia se tornado assunto corriqueiro até no exterior.

Esta semana foi a pior que já tive na vida! Contudo, houve fatos positivos e que me surpreenderam. A imprensa, muitas vezes criticada, teve um papel importantíssimo neste debate que se desenrolou, cobrando das autoridades ação. A população a “cada esquina” debateu entre si a sua indignação. Os que têm alguma voz na mídia se pronunciaram. E até um pai ousou falar em humanidade.

Por isso me dirijo aos amigos e aos inconformados com este estado de coisas, para agradecer e alertar.

A imprensa e as pessoas comuns seguraram em minhas mãos nestes dias, mas nenhuma autoridade se dirigiu a mim nem me ofereceu qualquer apoio, não sei se por falta de jeito ou com o intuito de não querer ouvir alguém que grita em seu ouvido.

Não posso gritar sozinho. É muito fácil tirar de cena quem aponta o dedo para setores tão poderosos. Mas se formos milhões a gritar, a apontar o dedo, a coisa fica bem diferente.
Alguns gestos que tenho recebido – centenas de e-mails, scraps e depoimentos pelo orkut – têm me comovido: relatos de famílias desesperadas e até uma comunidade no referido orkut chamada Poemas à Flor da Pele, que criou um movimento em apoio a meu grito.

No domingo que vem, dia 8 de novembro, às 14 horas, mesmo que não apareça ninguém, irei caminhar na praia de Copacabana dizendo não à hipocrisia, à falta de ética, ao descaso e à propaganda de bebidas na tevê. O convite está feito, gostaria muito de ver por lá cidadãos decentes e entidades como o Viva Rio, o grupo Basta, membros do Crack Nem Pensar, Movimento pela Ética na Política, ecologistas e quem mais quiser aderir.

Não pretendo me promover nem me candidatar a nada. Estou muito feliz sendo escritor e promotor de cultura na Internet. Tenho certeza de que ninguém gostaria de estar na minha pele neste momento. Mas não vou me omitir. Saí do armário e espero que outros façam o mesmo.
Chega de hipocrisia! Precisamos de ação, paz e um pouco de HUMANIDADE!

Obrigado!
Luiz Fernando Prôa