terça-feira, 27 de outubro de 2009

ENTREVISTA CURTA COM ARTUR GOMES - CAMPOS DOS GOYTACAZES / RJ



Publicada no Blog - http://cinemosquito.blogspot.com/ por Jiddu Saldanha

Ele é compulsivo e explosivo, uma usina atômica de produção. Vamos conhecer mais sobre o fundador da Fulinaíma Filmes e o mentor espiritual e intelectual do projeto Cinema Possível. O poeta Artur Gomes.

CM – Como foi que você se interessou pelo audiovisual?

AG - Desde a década de 80 quando ainda coordenador da Oficina de Artes Cênicas do Cefet Campos, todas as encenações que executava com os alunos da Oficina eram filmadas pelo setor de Áudio Visual da Escola, e isso de uma certa forma foi aguçando o meu olhar para essa linguagem, e de outra eu já procurava produzir as montagens com os elementos multimídia que a infra-estrutura da Escola oferecia na época.

CM – A proposta de juntar o audiovisual com a poesia já era um desejo ou aconteceu naturalmente?

AG - A poesia escrita sempre esteve presente em todas as linguagens que até aqui experimentei, e em todos os projetos multimídia que criei, tais como: Mostra Visual de Poesia Brasileira, Retalhos Imortais do SerAfim, FestCampos de Poesia Falada, bem como em todas as minhas performances fossem elas teatrais ou simplesmente poéticas. Chegar a produção do áudio visual, de uma certa forma não foi uma coisa planejada, mas quando começou a acontecer, trazer a poesia para esta linguagem foi e continua sendo o mais natural possível, mesmo que em alguns filmes que tenha produzido, a poesia esteja ali enquanto essência estética. Mas a minha intenção com o áudio visual, é basicamante essa: colocar a poesia para circular numa mídia onde ela tem a possibilidade de ser vista, lida, ouvida e sentida por todos os sentidos do corpo humano.

CM – Fale um pouco da Fulinaíma Filmes.

AG - A Fulinaíma Filmes nasceu graças ao Jiddu Saldanha, e o seu projeto Cinema Possível, nossos primeiros filmes nasceram de uma parceria que está chegando há duas décadas, e acredito que conseguimos alimentar de uma certa forma a Arte do outro, sem interferir na produção pessoal de cada um. Queremos produzir o possível cinema que não necessita de grandes aparatos, ou grandes produções. Continuo a ser essencialmente um poeta que aprendeu a lidar com outras linguagens e aproveitar de uma tecnologia barata a nossa disposição hoje, e daí aproveitar cada vez mais os espaços não convencionais para a criação e apresentação do seu produto poético.

CM –O que você gosta de assistir? Quais os filmes que te influenciaram?

AG - Em cinema gosto dos Dramas, e das grandes Comédias, quanto a influências com certeza toda a obra do Glauber Rocha, sem descartar os filmes de Arte propriamente ditos. Sou um discípulo confesso do Oswald de Andrade, por isso a sátira o humor o escracho sempre me atraem também da mesma forma que os filmes mais sérios e voltados para os grandes temas da humanidade.

CM – O que você acha que pode melhorar, no panorama do cinema brasileiro?

AG - Olha, não sou muito preocupado com esta questão de Mercado, é uma coisa que para mim passa muito distante como uma Escola de Samba que atravessa literalmente na Avenida. Acho que a preocupação deveria estar mais focada na Arte e menos nas bilheterias.

CM – Quais os filmes que te influenciaram?

AG - Para citar apenas 2, fico com Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol, duas obras primas do Glauber.

CM - Quem é Artur Gomes, por Artur Gomes?

AG - Um poeta sem papas na língua, que chegou onde chegou pela ousadia da sua linguagem, que com lirismo e sagaranagens consegue desafinar o coro dos contentes, para concretizar a profecia do Torquato Neto, poeta entre os meus de cabeceira, e que ainda insiste em ter o prazer de escrever, falar, produzir poesia simplesmente pelo prazer de ser o que é: um bardo do caos urbano sem nenhuma palavra bíblica e muito menos avaria. Desde que aprendeu a arrancar do gesto a palavra chave da palavra a imagem xis tudo por um risco tudo por triz.

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