terça-feira, 18 de agosto de 2009



Raul Seixas

Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador BA em 28 de Junho de 1945. Sua grande influência foi o rock-and-roll da década de 1950, que ouviu muito nos discos emprestados pelos vizinhos, funcionários do consulado norte-americano em Salvador. Aos 12 anos fundou o conjunto The Panthers (mais tarde Os Panteras), primeiro grupo de rock de Salvador a usar instrumentos elétricos, passando a tocar em cidades do interior baiano. Começou a estudar direito, mas abandonou o curso para se dedicar a música. Em 1967, Jerry Adriani apresentou-se ao vivo em Salvador, acompanhado pelos Panteras, e se entusiasmou com o grupo, convencendo-os a se mudarem para o Rio de Janeiro RJ, onde gravaram pela Odeon (mais tarde EMI) seu primeiro disco LP, Raulzito e os Panteras. De 1968 a 1972 trabalhou como produtor da CBS. Produziu e lançou, em 1971, o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta sessão das dez, com músicas de sua autoria e em parceria com Sérgio Sampaio, tendo ambos como interpretes ao lado de Míriam Batucada e Edy Star. Apresentou-se no VII FIC (transmitido pela TV Globo) em 1972, com duas músicas, Let Me Sing, Let Me Sing e Eu sou eu, Nicuri e o diabo. Contratado em 1972 pela Philips, gravou o LP Os 24 grandes sucessos da era do rock, no qual aparecia creditado apenas como produtor e arranjador (em 1975, com Raul já famoso, este LP seria relançado com seu nome e novo título, 20 anos de rock). Seu primeiro grande sucesso como interprete foi Ouro de tolo, em 1973, incluída em seu primeiro LP solo Krig-há, Bandolo!, do mesmo ano e que incluiu outros êxitos, como Metamorfose ambulante, Mosca na sopa e Al Capone (com Paulo Coelho). Seu sucesso se consolidou com os três LPs seguintes, Gîtâ (1974), Novo aeon (1975) e Há dez mil anos atras (1976). Mudando-se em 1977 para a Warner (que inaugurava sua filial brasileira), gravou três LPs: O dia em que a terra parou (1977), que inclui Maluco beleza (com Cláudio Roberto), que se tornaria um hino da geração hippie, Mata virgem (1978) e Por quem os sinos dobram (1979). Apesar de crescentes problemas de saúde e varias trocas de gravadoras, manteve o prestigio e o sucesso em quase todos seus LPs seguintes: Abre-te sésamo (CBS, 1980), Raul Seixas (incluindo sucessos como Capim-guiné, com Wilson Ângelo, e Carimbador maluco, este incluído no musical infantil Plunct, Plact, Zumm, da Rede Globo, Eldorado, 1983), Metrô linha 743 (Som Livre, 1984), Uah-bap-lu-bap-lah-bdim-bum! (Copacabana, 1987), A pedra do Gênesis (Copacabana, 1988) e A panela do Diabo (em dupla com Marcelo Nova, um de seus maiores discípulos e líder do Camisa de Vênus; Warner, 1989). Seus outros sucessos incluem Como vovó já dizia (com Paulo Coelho, 1975), Rock das "aranha" (1980) e Cowboy fora-da-lei (1987). Com público dos maiores e mais fiéis, foi o primeiro artista brasileiro a ter um LP organizado e lançado por um fã-clube, a coletânea de gravações raras Let Me Sing my Rock-and-roll (1985, mais tarde encampada pela Polygram com titulo Caroço de manga), e mesmo após sua morte continua exercendo influência, com músicas regravadas por artistas tão diversos quanto Caetano Veloso (Ouro de tolo), Irmãs Galvão (Tente outra vez), Margareth Meneses (Mosca na sopa), Deborah Blando (A maçã) e o grupo RPM (Gîtâ). Em 1995, varias homenagens marcaram seu aniversário – faria 50 anos. Foram lançados um livro, O trem das sete, Editora Nova Sampa, e um CD, Sociedade Grã-Kavernista apresenta sessão das dez, reedição do LP de 1971. Morreu em São Paulo em L21 de Agosto de 1989.
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira

Art Editora e PubliFolha


Ouro de Tolo
Raul Seixas

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmoDo meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Livro promete novidades sobre Raul Seixas

O livro Raul Seixas - Metamorfose Ambulante, escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, com coordenação de Sylvio Passos, presidente do fã-clube que conviveu nove anos com o músico. A publicação é uma das homenagens aos 20 anos da morte do cantor e compositor, e será lançada até o final do mês. Conforme o material de divulgação (ainda não li o livro), Raul Seixas - Metamorfose Ambulante aborda o fascínio do baiano por filosofia e comenta as várias inspirações para suas músicas.

De acordo com Passos, Raul conseguiu “passar’ conceitos de filósofos como Platão e Sartre e tinha obsessão por Schopenhauer e Crowley. Além disso, o livro enfoca a relação de Raul com seus parceiros musicais (como Paulo Coelho e Marcelo Motta), os assuntos polêmicos que moveram a imprensa (discos voadores, drogas, Jerry Lee, John Lennon, etc), a ligação com a família e até com o Capeta... O livro terá como brinde o CD Alquimia, com 14 músicas da cantora portuguesa Carina Freitas, um psiquiatra de adolescentes que se apaixonou pelas letras e pelo som de Raul. Ela gravou Canção para minha morte e escreveu Alquimia, segredo guardado em homenagem a Raulzito. O livro sairá pela editora B&A, terá 260 páginas e também será vendido em bancas de jornal por RS 29,90.
Vida de Raul Seixas vira documentário

Raul Seixas permanece atual

Foi há 20 anos atrás. Poucos ídolos da indústria cultural e de massas conseguem sobreviver por tanto tempo. A sociedade de consumo torna a maior parte descartável rapidamente. Por isso mesmo o caso do compositor e cantor Raul Seixas, morto em 1989, pode ser considerado um fenômeno de popularidade. O seu legado – músicas, histórias, tiradas, símbolos e modismos – ganhou força nos últimos 20 anos, manteve fiel o fã clube dos anos 80 e se reproduziu nas novas gerações. Recentemente, na Virada Cultural de São Paulo, um espaço de apresentações dedicado ao Maluco Beleza bateu recorde de público embalado no grito de guerra “TOCA RAUL!”.

Qual o segredo? Evidentemente as músicas do roqueiro brasileiro estão recheadas de ideias e sacadas sintonizadas com o gosto popular; avançam pelos costumes com debochada irreverência; tratam dos lugares comuns com a devida atemporalidade – e, com frequência, insinuam a contestação e a rebeldia juvenil, embora não se possa inscrever o autor e seus parceiros no rol dos músicos engajados que se opuseram à ditadura militar e ou se opõem ao sistema político econômico dominante. A sua arte, no entanto, permanece encantando.

A revista Caros Amigos, que já fez uma edição especial por ocasião dos 10 anos da morte de Raulzito, rende agora nova homenagem ao numeroso público de fãs e admiradores do cantor. Com reportagens sobre o mito, os seus amigos, a mercantilização de sua imagem e as influências da sua produção musical, procuramos refletir um pouco mais sobre esse fenômeno da resistência nos tempos do sucesso online.

O Especial Caros Amigos Raul Seixas já está nas bancas.


Duas décadas da morte de Raul
Seixas não apagaram seu legado

A sua música continua encantando milhões de pessoas, embora em agosto se completem 20 anos desde que ele pisou num palco pela última vez. São poucos os ídolos que conseguem sobreviver por tanto tempo, pois a sociedade torna aquilo que está ‘bombando’ nas paradas de sucesso hoje, música ultrapassada e antiquada amanhã. Mas como Raul Seixas é um fenômeno de popularidade mesmo duas décadas depois de ter morrido?

Talvez a resposta esteja nas letras que criticavam o período político que o Brasil passava, na sua maneira de cantar a vida das classes média e alta (quem não se lembra do sucesso “Ouro de Tolo”), ou até mesmo a sua maneira mística de previsão - a letra da música “O Dia Em Que a Terra Parou”, para muitos, é a antevisão do momento que estamos vivendo agora, com todo mundo com medo da gripe suína.

O fenômeno do “Toca Raul” embala muitas boates e casas de shows e dificilmente o DJ ou a banda se nega a tirar do fundo do baú clássicos do rock como “Gîta”, “Rock das Aranhas”, “Sociedade Alternativa” e tantos outros. E os maiores fãs de Raulzito não são apenas os que o viram cantar em vida, as novas gerações, mesmo que apenas através de antigas gravações, CDs, MP4s e tantos outros aparelhos também se renderam ao saudoso rockeiro, embora só as gerações passadas podem se gabar de tê-lo visto em ação.

O empresário e diretor da TV Beltrão, Rui Machado, é uma destas pessoas. Ele esteve no último show de Raul, em 1989. “Ele morreu numa terça-feira e, dois fins de semana antes, estive no Olímpia assistindo ele e o Marcelo Nova”, lembrou Rui, que na época morava em São Paulo. “O Raul pouco se apresentou, ele começava a cantar uma música, mas logo depois já tinha que entrar os enfermeiros para atendê-lo. Ele estava muito debilitado”, descreveu.

O rockeiro nunca se apresentou em Francisco Beltrão. Nas duas vezes em que o radialista Nediro Modanese, na época promovedor de eventos, tentou o contrato não pôde ser fechado. “Ele estava num estágio muito avançado com relação ao uso de entorpecentes”, disse Nediro. “Cada vez que acertávamos todos os detalhes, o empresário tinha que cancelar tudo por que o Raul não tinha condições de viajar”. Durante 25 anos o radialista, conhecido como Peninha promoveu eventos em Francisco Beltrão. Alguns ele cita com certa nostalgia, como o show do “Roupa Nova”, que “nem guarda-costas tinham” – “eles davam muita atenção a todos os fãs que se aproximavam”, descreveu - enquanto outros só de lembrar já dão dor de cabeça, tais como o show do Grupo Dominó e de Lobão, em “que deram muito trabalho e pouco espetáculo”.

Mas uma das grandes frustrações do radialista foi não ter trazido Raul Seixas para Francisco Beltrão. “Particularmente eu gostaria de estar ao lado deste ícone. Nunca fui tiete de ninguém, mas com o Raul Seixas eu, particularmente, gostaria de ter uma foto como recordação. Sem sombra de duvidas ele foi e ainda é atual em suas canções. As letras das músicas do Raul o tornam imortal”.

Por várias oportunidades Peninha interpretou canções de Raul em festivais realizados na microrregião de Beltrão conquistando muitos. Além disso, o radialista mantém uma respeitável coleção de discos de vinil que jamais saíram da embalagem. “Emprestá-los, nem pensar”, apressou-se em dizer.

Diversos cover’s fazem sucesso continuando com a filosofia e as letras do baiano. Um deles é João Elias da Silva, melhor, Raulzito, que em 22 de agosto se apresentará mais uma vez em Francisco Beltrão. “Esse show vai ser muito bom, como foi o do ano passado”, enfatizou Rui Machado, destacando que o cover fará uma turnê pelos Estados Unidos logo após o show em Beltrão. “Já estou entrando em contato com colegas da ABII (Associação Brasileira de Imprensa Internacional), do qual sou membro, para fazerem divulgação do show de Raulzito”. Peninha foi enfático ao frisar que vai ao show do cantor nem que para isso tenha que “enfrentar a gripe suína. Estou até com o ingresso garantido”.

Por Lucas Carniel
http://www.aquisudoeste.com.br/


Ivan Cardoso retrata em fotos amizade com Raul Seixas
Ivan Dias Marques

O primeiro encontro de Raul Seixas (1945-1989) e Ivan Cardoso aconteceu em 1977. Os dois trabalhavam para a mesma empresa, a Warner Music. O Maluco Beleza era um dos artistas da recém- inaugurada filial brasileira da major americana e Ivan, misto de fotógrafo e cineasta, era diretor de arte das capas dos discos.
Confira uma galeria com mais fotos que farão parte da exposição

O motivo do encontro era a foto do novo álbum do roqueiro, O dia em que a Terra parou. “Fiquei super impressionado com a ingenuidade dele. Vestia-se de popstar, tinha um Ford Galaxy preto e era quase um metacantor: ‘Eu gosto mesmo é quando me chamam de Elvis!’, dizia”, conta o carioca Ivan Cardoso, 57 anos. “E vivia intensamente essa realidade. Parecia um roqueiro californiano, com cabelos negros e a incrível barba ruiva”, lembra.

Da sessão de fotos para a capa do disco, surgiu uma amizade que perdurou até a morte de Raul, há 20 anos. “Existia uma empatia, uma sintonia muito grande entre eu e ele”, garante Ivan. Em uma das sessões, o roqueiro baiano chegou a ficar de cueca, sempre mostrando a personalidade irônica, forte e característica.

Foram mais de 400 fotos durante esses anos e 30 delas estarão na exposição O prisioneiro do rock, em cartaz a partir do dia 21 de agosto (data do falecimento de Raulzito), no Museu AfroBrasil, em São Paulo. A mostra passará depois pelo Rio e, segundo Ivan, deve chegar a Salvador em outubro. “Ela só será apresentada graças a Emanoel Araujo (baiano que é diretor e curador do museu) que, percebendo sua importância e oportunidade única, resolveu bancar todos os custos”, revela o cineasta.

Se as imagens pudessem falar, contariam histórias nem sempre felizes de Raul. Antes mesmo de relatar algumas dessas histórias, por telefone, Ivan se emociona muito. “Em 1984, quando estava selecionando o elenco para As sete vampiras, procurei novamente Raulzito. O papel do roqueiro Bob Rider (que acabou com Léo Jaime) fora escrito especialmente para ele. Raul ficou eufórico com a possibilidade de realizar seu velho sonho: se tornar um ator de cinema”. No entanto, a fase decadente do roqueiro (faltava a shows com frequência) não permitia a sua presença nas filmagens.

Durante as gravações de O escorpião escarlate, lançado em 90, Ivan reencontrou Raul. Fez fotos da volta aos palcos do cantor e pediu que ele fizesse a trilha do filme. O Maluco Beleza concordou. O tempo passou e nada. O cineasta fez novos contatos, até que um dia, Raul (“totalmente debilitado, o álcool e as drogas tinham aniquilado sua saúde”) murmurou: “Nego.. tô sem inspiração”.

A prova de admiração mútua viria após o falecimento. “Depois que ele morreu, a Kika (Seixas) me disse que Raul falou que se algum dia ele se tornasse um diretor de cinema queria ser o Ivan Cardoso”, diz.

A ex-esposa de Raulzito entregou ao diretor uma das últimas letras escritas pelo compositor. Era para O escorpião escarlate. “Fez isso para nos provar que ainda podia fazer música”, encerra.

Cineasta critica escolha de diretor para o documentário sobre Raulzito.
O documentário O início, o fim e o meio, que vai recontar a história de vida e obra de Raul Seixas, deve chegar aos cinemas até o fim do ano. As filmagens vão de vento em popa. Entretanto, contam com a desconfiança de Ivan Cardoso. “Não entendo a contratação de Walter Carvalho. Não sei se um cara que filmou Chico Buarque vai conseguir falar de Raul Seixas”, critica.

Para o cineasta, a admiração mútua entre ele e o roqueiro baiano seria motivo para que fosse o mais indicado a documentar a história de Raul. “Se me chamassem, eu faria de graça”.

O comprometimento de Ivan com a memória de Raulzito é tão grande que ele nunca pensou em inscrever a exposição em nenhum edital de captação de recursos. “Meu projeto, por ser uma homenagem ao meu saudoso amigo, não poderia ter nenhum patrocinador, porque neste caso seria ele quem estaria homenageando o Raul”, defende.

Com cerca de 30 filmes no currículo, entre longas e curtas- metragens de ficcção e documentários, Ivan é pioneiro - e maior expoente - no gênero terrir, uma cômica mistura entre a chanchada brasileira dos anos 70/80 e os filmes B ou trash americanos. Seu último trabalho do gênero, Um lobisomem na Amazônia (2008), encontrou pouco espaço comercial. O diretor comercializa seus filmes por meio do perfil no Orkut e pelo e-mail mestredoterrir@yahoo.com.br
(notícia publicada na edição impressa do dia 23/07/2009 do CORREIO)

Espetáculo em homenagem a
Raul Seixas estreia em São Paulo

Após passar por Pernambuco e Paraíba, chega a São Paulo o espetáculo À Espera do Trem das Onze, em homenagem a Raul Seixas, que estreia no Teatro Commune nesta quarta-feira (19). A peça, em curta temporada, ficará em cartaz até o próximo domingo (23).

À Espera do Trem das 7 é um espetáculo que descreve a trajetória do cantor e compositor Raul Seixas. Com poesia e muita música, o público consegue acompanhar a carreira conturbada do cantor que acabou perdendo a briga para o alcoolismo, morrendo aos 44 anos, sozinho em seu apartamento. O espetáculo traz 16 músicas do cantor baiano em suas diversas fases musicais.
Na próxima sexta-feira (21), completa-se 20 anos sem Raul Seixas. O cantor ficou conhecido por sucessos como Ouro de Tolo, Maluco Beleza, Mosca na Sopa, Tente Outra Vez, entre outros, nos anos 70 e 80.

Serviço:
À Espera do Trem das 7
Teatro Commune - Rua da Consolação, 1218
Tel.(11) 3476-0792De 19 a 23 de agosto -
De quarta a sexta-feira: 21h,
Sábado 18h e Domingo: 16h
Ingressos: R$ 30

O Trem Das 7
Raul Seixas


Ói, ói o trem, vem surgindo
de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem,
vem trazendo de longe as cinzas do velho éon
Ói, já é vem, fumegando, apitando,
chamando os que sabem do trem

Ói, é o trem, não precisa passagem
nem mesmo bagagem no trem
Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?

Pois o trem está chegando,
tá chegando na estação
É o trem das sete horas,
é o último do sertão, do sertão
Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu
que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado
e rajado, suspenso no ar
Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas,
dos anjos e dos guardiões

Ói, lá vem Deus, deslizando no céu
entre brumas de mil megatons
Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços
com o bem num romance astral
Amém.
Tente Outra Vez
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas / Marcelo Motta
Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha em fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!...
Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!...
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!...
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!...
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!...
Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas
"Eu que já andei
Pelos quatro cantos do mundo
Procurando
Foi justamente num sonho
Que Ele me falou"
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado...
Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar...
Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o mêdo de amar...
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou..
Gita! Gita! Gita!Gita! Gita!
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição...
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada...
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar...
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim...
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra "A" tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor...
Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo...
Gita! Gita! Gita!Gita! Gita!
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão...
Euuuuuu!
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio
Euuuuu sou o início
O fim e o meio...

Um comentário:

  1. O tempo passa mas o que é bom sempre é atual! Belo blog! Semana iluminada pra você!

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