terça-feira, 25 de agosto de 2009







fotos: wellington cordeiro e ingrid monteiro







Urbanidades
Dia 27 agosto 19:horas
Eixo Nacional Skate Rock
Participação Especial: Artur Gomes
Local – Sesc Campos

Jura secreta 84

não estando aqui
mas como se estivesse
e esse poema fosse fruto
uva manga pêra pêssego
em tua pele de seda
fosse setembro já vindo
outubro que nos espera
palavra espora ou espuma
em tuas mãos como plumas
em tua língua de púrpuras
quando me fala do agora
do corpo que treme de febre
ou grita paixão entre os poros
e salta saudade entre os pêlos
como se fosse esta tarde
o dia em que conhecemos
um outro outubro lá dentro
das veias e vivas memórias
de azul vestida de rendas
na sala eu te olhava de longe
depois te peguei pelos braços
e poemas falei bem de perto
na tua boca me via
dentro os teus olhos pulsavam
peguei tuas mãos que tremiam
e o pulso já pela garganta
este poema uma planta
em tua carne sedenta
de águas cervejas de vinhos
e nestas linhas te bebo
como voraz passarinho

arturgomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

Boi Pintadinho
ArturGomes/Paulo Ciranda

Levanta meu Boi levanta
Que é hora de viajar
Acorda Boi povo todo
Povo e Boi tem que lutar... (refrão)

Levanta meu Boi Bahia
Cantador dos alagados
Das províncias das cancelas
Das filhas de Santo Amaro
Dos modelos do mercado
E da lavagem do Bonfim

Levanta meu boi levanta...

Levanta meu Boi menino
De tantos anos de história
Tua carne não foi santa
Nem santa a carne será
Cataram teu ouro todo
E secarão teu Paraná

Levanta meu Boi levanta...
Levanta meu Boi mineiro
Pintadinho e brasileiro
Ninguém quer que o ferro em brasa
Enterre vivo em seu traseiro
Boi animal de minha casa
Mugindo em berro e desespero

Levanta meu Boi levanta...

Levanta que há tempo ainda
Boi do frevo de Olinda
Pois as tardes que eram mansas
Estão caiadas de suor
Mas teu passo é uma dança
Vem trazer coisa melhor

arturgomes/naiman
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia
fulinaíma produções - 2002

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de Vênus
onde me perco mais
me encontro menos
visto uma vaca triste
como a tua cara
estrela cão gatilho morro:
a poesia é o salto de um vara

disse-me uma vez só quem não me disse
ferve o olho do tigre enquanto plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina
meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de Eros
onde minto mais
porque não veros
fisto uma festa mais que tua Vera:
cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos
quem incesta?
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:
panela estrada grão socorro
a poesia é o fausto de uma farra


guima meu mestre guima
em mil perdões eu voz peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta
ave palavra profana
cabala que voz fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande sertão vou comer
nem joão cabral Severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra – o fazer
a ferramenta que afino
roubei do mestre drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu ser.
Artur Gomes
o rio com seus mistérios
molha meu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa
teus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
que sou um anjo de fadas
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo no rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos
quando mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o sol é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada
arturgomes

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