quinta-feira, 2 de julho de 2009




































Urbanidades
Mostra de Cine Vídeo Poesia
Curtas produzidos e dirigidos por Artur Gomes
Dia 4 julho das 14 às 15:00h
Local: Espaço Multimídia – Sesc Campos

LeminskiArte da Palavra Em Cena


Artur Gomes performance multimídia
Dia 10 julho 21:00h Belo Horizonte
Belô Poético veja programação aqui:
http://www.belopoetico.com/



Lady Gumes African´s Baby

meto meus dedos cínicos
no teu corpo em fossa
proclamando o que ainda possa
vir a ser surpresa
porque amor não tem essa
de cumer na mesa
é caçador e caça mastigando na floresta
todo tesão que resta
desta pátria indefesa

ponho meus dedos cínicos
sobre tuas costas
vou lambendo bostas
desta botas neoBurguesas
porque meu amor não tem essa
de vir a ser surpresa
é língua suja & grossa
visceral ilesa
pra lamber tudo que possa
vomitar na mesa
e me livrar da míngua
desta língua portuguesa.

Artur Gomes



A LIRA NO LIXO

para cazuza


pensam o poeta
um ente otário doente,
sem dinheiro
um falsário profeta
picareta
um prego enferrujado
espalmado na mão direita
pensam o poeta um junkie
solitário
trama o poeta
em seu nicho
palavras mágicas
sendas ocultas
senhas surdas
risca um risco
no disco
cisca um cisco
preto
no mármore preto
e cata iguarias no lixo


Ademir Assunção



Cachaprego

e meu sangue a eiva da seiva e todoomoinhoquevem de algumvitral que me olha de longe e mais andino que meu proprioandado eue eu farejo aformiga que sangra asruas sempre a caça de verde eu mesmo doído sou cravo meu deusvaneio em ladrar asviasvaiasdasvitrenes e mais fogo que provar aaave estiolada em frente a cadela que me cvocifera e você que diz esconder milmedusasnapele sequer um halo cabeçad e medusa traz no pescoço para ficar doidivana essa vertigemaragem sem meu destino eu sem fado o que faço agora nesse cerrado que perde as árvores e se acasala ao mundo dservos e cervos que passam jutas nops lábios apenas para coloriris as dores amargas de todsos os sóis que amedrontam o raiar das alvoradas que alvo nenhum ara nem com pontacegadepunhal e mais ponho e mais pus para purgar oque visluzmbra a guelra em guizos de quem aguarda na grotagruta rodas e aros forjados que param e levam oviolado que violava agora eu translúcido em meu viço laço sou lasso e lascivo igual nóscivo que lança espinho lanço meu poema com mil lanças amais nesse estábulo de retos e tortos sou a faísca fugidia que vemb ramir em meupapel de casa onde abroos braços e encontro esporasnos pés e mesmo quando abroosbracos e abraço onada eestico osdedos ecresem as unhas em busca de um sol em naco e nesgas de febre para adormieser oinvernoqueiberna umloboervalumcoiotesolto umalontranapuberdade que me anoitece no seio nop ólen que étodo grude parauma noitada na calada da noite eu escuso no escuro sou o espantalho que espantava pássaros e arribados e agora sou espanto na sombra de um espantalho e mesmo que eu evaporasse em húmus as caorrentes aramadas que me armam para a próxima noite eu com um cachororo que engendra e resfolega na língua depois da arcada um rioafluenbte que exaure minha caorstaa pudenta cáeu nessa crosta sem folhaesem colcha me ardo no ardil da chácara de mil e um pavios e gemidos que roem teteatete olhoaolho gatoagato eu ocaoçador que cisma de pegar uns archotes e umas tochas para que peguem meu rastro de fumo que foge para onde espiuam meufarolete de feleu que tive uma palhoça para esparramar meu corpoimaginado soulevado para o farol para o sinal onde meçopeço a os olhos que só meolharm de esguelha e me deixam nalama de repente uma cara de lobo que é a minha própria cara de lobo eu que espero o cão sardento para a sarjeta de sarnas sou as juncas de vespas noumbigo e cogumelos nos ouvidos e os pés que ardiam na vaula da neve jutados entre os dedos em crosta arrefecemsim febris e enfermos adoecidos e doidos e doídos e condoidos e condoídos pés de pedras de nhambu preto cravado de fungo efumoefumaça aoredor e adentro a vértebra de umbarulhoarulho de tremferradode memória e um todomilharal com balaios de milho para esta renque de aves pombos que me vaazm asaguleras na lísngua opaco e alagado mais que caobater a fome nanoitenamadrugada é que sou suçuarana e opala e afagado abvro meu zíper e deságuo meu joelho de tanto mescxlar alingua natarde de calor com águaxocaemplásticoe poças e quie poça dearzulprofundo a feno fenece na estrrada do gogó e dizsolvias canibais na barroigaantes a briga de galo a brida de cavalo eu que embalo e empalho meu fêmuur e minha costela emeus rins agaudos em inhas tíbiasanfíbias e maisumpercevejo só eu vejodelonge naviagem de tifo abdominal emaistifosepragas que mepregam os pregos nesse campovia de vais e vens e vaias que dobram maisainda os osos atrás de carnes que faltam que medram que soçobram para o fogo escaldante de meus lençóis freáticos com fraturasfatais e que fome sem fundo e que lanças sem alças para o alcance do sustento e espasntosusto mais árido quemamona nocalor mais tór rido e meu galo cantasse para bvifurcar meuslábaios e minhaboca fosseso rriso e osorriso risovasto maisvastoqueovasto emaism devassso que a vsastidao acesasd afonte de ondevenho vem um rio com os alfuaentestodos e todooceano onde desabridodesabriga a corrented’água vem osumosumarentodamina e vem agoraminha solmbra ficapara traás emulas que petrificam em meus passosde meeiro que medem agora a distância o estrume e a lama que fede silvando a jaula onde dedilho meus quadrisláteriosmeu destino é ser um animal felino e provocar a fagulha de olhos que me olhem antes que os olhos virem gralhas longe das folhas que folham os bicos de minhas botas que farfalham atrás de linces a cego faro olho o próprio olho da fome onde sou arrefecido no cardume do escuro e mais que a fome do mundo e mais que aboca famélica sou vadio que ninguém olha e quando olha é só assombro e mais nada que me faça verter o azul profundo de meus olhos e mais que a fome e mais que o assombro sou espanto e sombra sou espantado e sou o espantalho na casa de lona onde sou vira-lata e meu latido fosse uma fala e minha fome tivesse uma bandeja e minha sede uma talha eu caço meu semblante na poça d’água e um fogo para afogar a sede que racha a boca onde procuro um açude piscoso na lâmpada que me enxerga de longe através de árvores as sombras de minhas pálpebras ondemoinhos de sobrancelhas arremessam eu todo calado e meu mundo mudo eu com minha lanterna presa dentro de meus olhos e dentro de minha boca uma palavra impronunciável como o amor


Wilmar Silva



UMA ALEGRIA


jamais minas gerais
vibrou dentro de mim
o rumor de seu invisível mar
e o ouro puro de seu tambor
transatlântico negro
como naquele breve maio
ensolarado de alegrias
quando eu deambulava
pelos becos e ladeiras
de Coimbra e descobri
em meio aos graves portugais
os timbres de pequenas
áfricas utópicas
ali em meio aos portugais



Ricardo Aleixo



Quanto

quanto, entre noites
melancólicas, ruas sem saída,

dia após dia piorando a ferida
aberta,
custou-me,
nuvens perdidas, passeios só,
suor a contra gosto, frio,
no fundo do poço,
na vida, catarata cobrindo o corpo
todo, contas sem pagar, falta de ar,
febre amarela, febre do rato, tifóide,
deixando de lado o amor, sopro
cosmo humano, disenteria,
erros calculados, a poesia?
Fabiano Calixto



a vinda

dos clamores do mundo submerso
disparo contra a lua
sou por acaso
excentricidade em vida
que sai do mundo externo
emergindo num mundo interno
de dores
lágrimase até avessas
recuo e sigo
pensando sempre da onde vim
e para onde estou indo
num exílio antiqüíssimo
em busca do instinto nato
de ser mulher
e percorro e corro
na busca
como um ser que não encontra os afins
e permanece em silêncio

Adriana Zapparoli



Esta cidade é um esgoto só

grito berro escrevo escarro cuspo jogo fora tudo aquilo que me dá indgestão e tudo aqui é indgesto nojo náuseas canal esgoto fezes cidade de merdas voando pelos ares urubus morcegos vampiros fantasmas nos telhados laranjas nos palácios corruptos pelos becos políticos amebas rataria subindo dos bueiros onde tudo escorre para além dos cofres furados barras mares onde tudo dá em nada meu amor é o caralho esta cidade é um esgoto só



Leonardo Da Vinci é um homem do Renascimento. Pelo menos é o que geralmente repetem os livros especializados. Mas o que significa ser um homem do Renascimento?
A resposta não é tão simples. O Renascimento foi um processo cultural que se estendeu pelo menos por dois séculos (XV e XVI), abarcou expressões distintas nos países onde se implantou e não teve contornos nítidos em relação aos momentos culturais anteriores. As dificuldades aumentam ainda mais cm as distorções que muitos historiadores acrescentam a esse quadro. Aqueles que, como os românticos, partiram de uma revalorização do espírito da Idade Média, dissolvera as características inovadoras do Renascimento nos velhos moldes medievais. Os iluministas e liberais - autores da lenda de uma Idade Média homogeneamente bárbara e obscura - fizeram o Renascimento surgir do nada, numa súbita e miraculosa eclosão.
Afastando esses pressupostos e partindo da ideia de que o Renascimento se situou numa continuidade histórica, mas, ao mesmo tempo, foi dotado de características próprias , podem-se perceber alguns de seus traços específicos.
O Renascimento aparece como um correlamento cultural de um processo social que, por sua vez, não teve limites cronológicos estabelecidos com precisão absoluta: o surgimento do capitalismo comercial. Ou seja: o começo da dissolução das formas de produção feudais e o surgimento de novas formas de acumulação econômica conduziu à concentração de enormes riquezas em poucas e novas mãos. Isso gerou a necessidade de uma nova moral baseada na noção de domínio, tanto na realidade material como da social. Por outro lado, suscitou a contraposição à velha concepção de mundo encarnada na Igreja - e que servira de base ideológica para o feudalismo -, de uma outra visão de mundo que desse conta das novas relações sócio-econômicas que se firmavam.
Surgem assim um novo público e um novo gosto, embebidos na nova ideologia, apressados em se diferenciar das antigas elites e em conquistar os símbolos eloquentes da posição social recém conquistada.
E foi também uma época em que o elitismo atingiu radicalismo poucas vezes igualado. A cultura em geral, sobretudo as artes plásticas, se voltou para uma produção dirigida fundamentalmente às minorias. Assim, durante o Renascimento acabou de se delinear a diferença, vigente até hoje, entre o gosto popular e o gosto nobre, entre dois tipos de arte diferenciados e mesmo excludentes.
A partir dessa nova característica da cultura e que se pode entender a situação e o papel do artista do Renascimento. tanto em sua forma de trabalho quanto no padrão de vida que alcança, o artista do Renascimento se diferencia muito doa artistas que compunham as corporações de artesãos do medievo.
Outra característica importante é a especialização, que modificou a tradição da oficina feudal. E se Leonardo foi um homem extremamente versátil, que abarcou múltiplas atividades, isso não o caracterizava como um protótipo da nova sociedade, mas como um vestígio da antiga. O ideal renascentista do "homem integral" não visava a que um pintor fosse simultaneamente - e com o mesmo grau de eficácia - arquiteto, escritor, músico, etc. Pretendia, ao contrário, que, com uma especialidade bem definida, ele pudesse desfrutar ou falar de qualquer outra.

cantata

cavo entre-lodos
(o meu fundo)sua tonitruada
entre cores tantas, caos
encontro canto
: cavalo-do
rio
escrevo-o
porque te amo
suores pelos-
nada que-sei.
bateu asas


nina rizzi




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