sábado, 18 de julho de 2009






O Maior Poeta do Brasil


Reedição da obra e novos lançamentos preparam as comemorações dos 80 anos de Ferreira Gullar, um autor que atravessou todos os momentos da poesia brasileira e assegurou seu lugar entre os grandes do século 20 Por Almir de Freitas •


Sobre Ferreira Gullar, ninguém menos que Vinicius de Moraes escreveu, em 1976, que se tratava do "último grande poeta brasileiro". Na época, o maranhense estava exilado em Buenos Aires, depois de cumprir um longo périplo — Moscou, Santiago, Lima — fugindo da mão pesada da ditadura militar. Ali, um ano antes, espremido entre os golpes no Chile e na Argentina, temendo "desaparecer" em meio à proliferação de ditaduras latino-americanas, Gullar tinha escrito a sua obra-prima, Poema Sujo (1975).
Poema-limite, vertiginoso na evocação da São Luís da infância do poeta, das histórias, personagens e sensações prestes a mergulhar no esquecimento da morte, Poema Sujo levaria o nome de Ferreira Gullar, de fato, ao panteão mítico dos grandes nomes da poesia brasileira, ao lado de Murilo Mendes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e — à parte a modéstia do próprio — Vinicius de Moraes. Se ele não era exatamente o "último" naquela época, hoje não são poucos os que o consideram o maior poeta vivo do Brasil — e não apenas pelo impacto de Poema Sujo. Nascido José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930, o também dramaturgo, ficcionista e crítico se aproxima das comemorações de seus 80 anos de idade não como mero sobrevivente de uma era que passou.
Ferreira Gullar é, antes, um intelectual e um escritor a quem não falta o gosto pelo estudo, pelo debate e, sobretudo, pela poesia. Só neste ano, a editora José Olympio prepara a edição de dois volumes: uma reunião dos poemas de cordel escritos pelo autor nos anos 70, ilustrados pelo artista paraibano Ciro Fernandes; e Em Alguma Parte Alguma, seu novo livro de poemas, o primeiro desde Muitas Vozes (1999). Além disso, a Nova Aguilar acaba de lançar Ferreira Gullar — Poesia Completa, Teatro e Prosa, um volume de mais de mil páginas que traz, além da obra poética completa acompanhada de farta bibliografia, a reunião de textos antes esparsos, duas peças de teatro e um ensaio inéditos. São 60 anos de carreira, período em que ele atravessou, ativamente, todos os episódios decisivos da moderna poesia brasileira. Da mesma maneira que sua obra se localizou em algum ponto entre dois extremos — o lirismo e a sordidez, o local e o universal, a multidão de vozes e a solidão —, sua trajetória revela um poeta que oscilou entre a ousadia aberta e a prevenção contra os formalismos ocos.
Parafraseando Caetano Veloso, pode-se dizer que Ferreira Gullar "entrou em todas as estruturas e saiu de todas", num movimento contínuo de experimentação de sintaxes em busca do aperfeiçoamento da própria voz — uma busca pelo novo em que ele nunca perdeu de vista suas origens. Foi assim desde quando, ainda no Maranhão e incrivelmente atrasado em relação aos modernistas, Ferreira Gullar estreou na literatura, em 1949, com as redondilhas, decassílabos e alexandrinos de Um Pouco Acima do Chão, livro de lustroso sotaque parnasiano.
"Talvez eu nasça amanhã", diz o último verso do último poema desse livro que ele, mais tarde, renegaria. Como se cumprisse uma profecia, o poeta, já vivendo no Rio de Janeiro, abandonou a régua e a rima no livro A Luta Corporal (1954). E o fez com autoridade e desassombro: na concepção de uma poesia visual, formada por estilhaços de palavras que exploravam novas possibilidades sonoras, Gullar não apenas superava certo prosaísmo que rondava a poesia do modernismo da época, como também antecipava os procedimentos do concretismo.
Poeta visceral, ele, contudo, desembarcou do movimento atirando contra a racionalização "matemática" promovida pelo grupo paulista — Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos à frente. O racha provocou uma das cizânias mais persistentes e ferozes da literatura brasileira, até hoje responsável por uma resistência a Gullar em certos círculos de São Paulo. O ciclo, poém, estava estabelecido. Inovador mas avesso ao dogma, Gullar deu prosseguimento, na prática, à profunda reflexão sobre o papel da poesia. Em 1959, lançou as bases do movimento neoconcreto, a partir do qual construiu o corpo principal de sua (polêmica) abordagem das artes plásticas. Já nos anos 60, ingressou no Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes, iniciando uma fase "popular" e engajada politicamente, cujas ramificações se estenderam ao teatro. Mas, se as frias ortodoxias estéticas não serviam a Gullar, o mesmo se aplicaria às normatizações de uma arte concebida como assessório da revolução social. Na soma dessas idas e vindas, forjou a poesia que conquistaria Vinicius de Moraes.
Naquele ano de 1976, foi Vinicius quem trouxe ao Brasil a fita cassete gravada pelo próprio Ferreira Gullar com Poema Sujo, promovendo "sessões" no Rio de Janeiro para exibir a todos a poesia "orgânica, crua, fecunda, emocionante" daquele intelectual maranhense que, no exílio, procurava traduzir a totalidade de sua própria existência. O curioso é que a crueza de Poema Sujo — e também de Dentro da Noite Veloz (1975) — teve a capacidade tanto de elevar Ferreira Gullar àquele panteão mítico de poetas quanto de aproximá-lo (por conta das circunstâncias, inclusive) da "poética deliberadamente impura da poesia marginal", na expressão do crítico José Guilherme Merquior. Nesse momento, Ferreira Gullar, que voltaria ao Brasil em 1977, ainda trafegava naquele território entre os extremos. Viveu os movimentos do seu tempo, apontou caminhos, experimentou. Mas sempre, ontem como hoje, desempenhando o papel de tradutor de sua própria história, a de um homem que — como todos — está num ponto difuso entre a infância e a morte.

continua, desta vez em Travessão

A Operação realizada pela força-tarefa do Ministério do Trabalho para verificar se existem irregularidades nos canaviais da região, que na quinta-feira notificou a Usina Sapucaia por manter trabalhadores sem as mínimas condições de exercer suas funções, como falta de água e contrato empregatício, nesta sexta-feira tem continuidade, só que desta vez a fiscalização está acontecendo em Travessão e sem o apoio da equipe de Brasília, apenas com o contingente local.

Na ação de ontem, foi constatado trabalho escravo em uma fazenda chamada Itaquaraçu, na localidade de Outeiro, que está arrendada à Usina Sapucaia. A força-tarefa contou com apoio de viaturas da Polícia Federal. A empresa responsável foi notificada para prestar esclarecimentos ao MP.

Políticos em sintonia no campo de futebol

Agora aqui no detrito federal de brazílica da sacanagens passeio minha farda de gala azul pelas arqubancada do senado e a gerais do congresso nacional nesta tarde de gala embaixo do sol da alegria o que é que a rosinha fazia no campo do goytacaz para assistir futebol com certeza é que não foi naturalmente como em tantos otros escusos negócios ela estava lá pra mais um.


Dizem que política, futebol e religião são assuntos que não devem ser discutidos, pois corre o risco do papo acabar em confusão. Porém, ontem, no estádio Ary de Oliveira e Souza, representantes das três classes se uniram para apoiar o Goytacaz, que estreou com vitória na segunda divisão do campeonato estadual.
A prefeita Rosinha Garotinho (PMDB), que se vestiu de azul e chegou no intervalo, quando o jogo ainda estava 0x0, disse que havia chegado para dar sorte ao clube. “Temos que apoiar os clubes de Campos e não poderia deixar de acompanhar de perto este primeiro jogo do Goytacaz. Espero ver o gol da vitória”, disse Rosinha, que vibrou, ao lado de seus assessores, com o gol de Leandro Leite, único da partida.


Poema sujo
(trecho inicial)

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro:
menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo(ou quase)um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia
sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco
aberta como uma boca do corpo (não como a tua boca
de palavras) como uma entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela mais que bela mas como era o nome dela?
Não era Helena
nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza
nem Maria
Seu nome seu nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos
mudou de olhos e risos
mudou de casa e de tempo:
mas está comigo está perdido
comigo teu nome em alguma gaveta
Que importa um nome a esta hora do anoitecer
em São Luísdo Maranhão à mesa do jantar
sob uma luz de febre entre irmãos
e pais dentro de um enigma?
mas que importa um nome
debaixo deste teto de telhas encardidas
vigas à mostra entre
cadeiras e mesa entre uma cristaleira
e um armário diante de
garfos e facas e pratos de louças que
se quebraram já
um prato de louça ordinária
não dura tanto
e as facas se perdem e
os garfos se perdem pela vida
caem pelas falhas do assoalho
e vão conviver com ratos
e baratas ou enferrujam no quintal
esquecidos entre os pés de erva-cidreira
e as grossas orelhas de hortelã
quanta coisa se perde
nesta vida
Como se perdeu o que eles falavam ali
mastigando
misturando feijão com farinha
e nacos de carne assada
e diziam coisas tão reais como a toalha bordada
ou a tosse da tia no quarto
e o clarão do sol morrendo na platibanda
em frente à nossa
janela
tão reais que
se apagaram para sempre
Ou não?
Não sei de que tecido é feita minha carne
e essa vertigem
que me arrasta por avenidas
e vaginas entre cheiros de gás e mijo
a me consumir como um facho-corpo
sem chama, ou dentro de um ônibus
ou no bojo de um Boeing 707
acima do Atlântico
acima do arco-íris perfeitamente fora
do rigor cronológico sonhando
Garfos enferrujados facas cegas
cadeiras furadas mesas gastas
balcões de quitanda pedras da Rua da Alegria
beirais de casas
cobertos de limo muros de musgos
palavras ditas à mesa do
jantar, voais comigo sobre continentes e mares
E também rastejais comigo pelos túneis
das noites clandestinas
sob o céu constelado do país entre fulgor
e lepra
debaixo de lençóis de lama
e de terror vos esgueirais comigo,
mesas velhas, armários obsoletos
gavetas perfumadas de passado,
dobrais comigo as esquinas do susto
e esperais esperais
que o dia venha
E depois de tanto que importa um nome?
Te cubro de flor, menina,
e te dou todos os nomes do mundo:
te chamo aurora te chamo água
te descubro nas pedras
coloridas nas artistas de cinema
nas aparições do sonho - E esta mulher
a tossir dentro de casa!
Como se não bastasse o pouco dinheiro,
a lâmpada fraca,
O perfume ordinário, o amor escasso,
as goteiras no inverno.
E as formigas brotando aos milhões
negras como golfadas de
dentro da parede (como se aquilo fosse
a essência da casa)
E todos buscavam
num sorriso num gesto nas conversas
da esquina no coito em pé na calçada
escura do Quartel
no adultério no roubo
a decifração do enigma
- Que faço entre coisas? -
De que me defendo?
Num cofo de quintal na terra
preta cresciam plantas e rosas
(como pode o perfume
nascer assim?)
Da lama à beira das calçadas,
da água dos esgotos cresciam
pés de tomate
Nos beirais das casas sobre
as telhas cresciam capins
mais verdes que a esperança
(ou o fogode teus olhos)
Era a vida a explodir
por todas as fendas da cidade
sob as sombras da guerra:
a gestapo a wehrmacht a raf a feb a blitz
krieg catalinas torpedeamentos
a quinta-coulna os fascistas os nazistas os
comunistas o repórter Esso a discussão
na quitanda a querosene o sabão de andiroba
o mercado negro o racionamento o
blackout as montanhas de metais velhos
o italiano assassinado na Praça JoãoLisboa
o cheiro de pólvora os canhões
alemães troando nas noites de tempestade
por cima da nossa casa.
Stalingrado resiste.
Por meu pai que contrabandeava cigarros,
por meu primo que passava rifa,
pelo tio que roubava estanho
à Estrada de Ferro, por seu Neco
que fazia charutos ordinários,
pelo sargento Gonzaga que tomava
tiquira com mel de abelha
e trepava com a janela aberta,
pelo meu carneiro manso
por minha cidade azul
pelo Brasil salve salve,
Stalingrado resiste.
A cada nova manhã nas janelas
nas esquinas nas manchetes dos jornais
Mas a poesia não existia ainda.
Plantas. Bichos, Cheiros. Roupas.
Olhos. Braços. Seios. Bocas.Vidraça verde,
jasmim. Bicicleta no domingo.
Papagaios de papel.
Retreta na praça. Luto.
Homem morto no mercado
sangue humano nos legumes.
Mundo sem voz, coisa opaca.
Nem Bilac nem Raimundo.
Tuba de alto clangor, lira singela?
Nem tuba nem lira grega.
Soube depois: fala humana,
voz degente, barulho escuro do corpo,
intercortado de relâmpagos
Do corpo. Mas que é o corpo?
Meu corpo feito de carne e de osso.
Esse osso que não vejo, maxilares, costelas
flexível armação que me sustenta no espaço
que não me deixa desabar como um saco
vazio que guarda as vísceras todas
funcionando como retortas e tubos
fazendo o sangue que faz a carne e o pensamento
e as palavrase as mentiras
e os carinhos mais doces mais sacanas
mais sentidos
para explodir uma galáxia
de leite no centro de tuas coxas
no fundo
de tua noite ávida cheiros de umbigo
e de vagina
graves cheiros indecifráveis
como símbolos
do corpo
do teu corpo do meu corpo
corpo
que pode um sabre rasgar um caco de vidro uma navalha
meu corpo cheio de sangue
que o irriga como a um continente
ou um jardim
circulando por meus braços
por meus dedos enquanto discuto
caminho lembro relembro
meu sangue feito de gases que aspiro dos céus
da cidade estrangeira com a ajuda dos plátanos
e que pode - por um descuido - esvair-se por meu
pulso
aberto
Meu corpo que deitado na cama
vejo como um objeto no espaço que mede 1,70m
e que sou eu: essa coisa deitada
barriga pernas e pés
com cinco dedos cada um
(por que não seis?)
joelhos e tornozelos
para mover-sesentar-selevantar-se
meu corpo de 1,70m que é meu tamanho
no mundo meu corpo feito de água
e cinzaque me faz olhar Andrômeda,
Sírius, Mercúrio e me sentir misturado
a toda essa massa de hidrogênio e hélio
que se desintegra e reintegra
sem se saber pra quê
Corpo meu corpo corpo
que tem um nariz assim uma boca
dois olhos
e um certo jeito de sorrir
de falar
que minha mãe identifica como sendo de seu filho
que meu filho identifica
como sendo de seu pai
corpo que se pára de funcionar provoca
um grave acontecimento na família:
sem ele não há José Ribamar Ferreira
não há Ferreira Gullar
e muitas pequenas coisas acontecidas no planeta
estarão esquecidas para sempre
corpo-facho corpo-fátuo
corpo-fato
atravessados de cheiros de galinheiros e rato
na quitanda ninho
de rato
cocô de gato
sal azinhavre sapato
brilhantina anel barato
língua no cu na boceta cavalo-de-crista chato
nos pentelhos
com meu corpo-falo
insondável incompreendido
meu cão doméstico meu dono
cheio de flor e de sono
meu corpo-galáxia aberto a tudo cheio
de tudo como um monturo
de trapos sujos latas velhas colchões usados sinfonias
sambas e frevos azuis
de Fra Angelico verdes
de Cézanne
matéria-sonho de Volpi
Mas sobretudo meu
corpo
nordestino
Mais que isso
maranhense
mais que isso
sanluisense
mais que isso
ferreirense
newtoniense
alzirense
meu corpo nascido numa porta-e-janela
da Rua dos Prazeres
ao lado de uma padaria sob o signo de Virgo
sob as balas do 24º BC
na revolução de 30
e que desde então segue pulsando como um relógio
num tic tac que não se ouve
(senão quando se cola o ouvido
à altura do meu coração) tic tac tic tac
enquanto vou entre automóveis
e ônibus entre vitrinas de roupas
nas livrarias nos bares tic tac tic tac
pulsando há 45 anos esse coração
oculto pulsando no meio da noite,
da neve, da chuva debaixo da capa,
do paletó, da camisa debaixo da pele,
da carne,
combatente clandestino a
liado da classe operária
meu coração de menino

Ferreira Gullar
ONG de filho de Sarney
recebeu financiamento
da Eletrobrás
O Instituto Mirante, criado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu R$ 250 mil da Eletrobrás entre 2006 e 2007, informa reportagem de Hudson Corrêa e Leonardo Souza, publicada neste sábado pela Folha íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL). De acordo com a Polícia Federal, Fernando beneficiava empresas privadas em contratos com o governo no setor elétrico, politicamente comandado por seu pai. Ele nega a acusação. Conforme matéria publicada ontem pela Folha, a secretária do Conselho de Administração do Instituto Mirante Luzia Campos de Sousa, única funcionária da São Luís Factoring, é apontada pela Polícia Federal como agente financeira de Fernando. Na última quinta-feira, ela foi indiciada por gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha. O tesoureiro do Instituto Mirante, João Odilon Soares Filho, também foi indiciado. Soares Filho é sócio minoritário da São Luís Factoring, cuja proprietária é a mulher de Fernando Sarney, Teresa Murad, igualmente indiciada por gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O Instituto Mirante foi criado em 2004 como entidade sem fins lucrativos. Funciona no mesmo endereço do Sistema Mirante em São Luís (MA), grupo de comunicação que controla uma afiliada da TV Globo, rádios e um jornal. O principal dirigente do conglomerado é Fernando Sarney. De acordo com o Ministério da Cultura, o instituto recebeu pela Lei Rouanet R$ 150 mil da Eletrobrás em janeiro de 2007. A soma foi destinada à realização de festas. Em abril de 2006, a estatal já havia patrocinado com R$ 100 mil uma festa do Carnaval maranhense. O contrato desta festa com a Eletrobrás foi assinado por Fernando Sarney. Há uma ligação entre o Instituto Mirante e o suposto desvio de dinheiro da Petrobras pela Fundação José Sarney. Entre 2005 e 2008, a empresa repassou R$ 1,34 milhão para a recuperação de um acervo de livros e de um museu pela fundação. Outro lado Fernando Sarney afirmou não ter nada a declarar sobre o Instituto Mirante. A reportagem da Folha não conseguiu localizar ontem Luzia Campos de Sousa e João Odilon Soares Filho. Em relação à Eletrobrás, sua assessoria de imprensa não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.


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