domingo, 26 de julho de 2009

Depois que nos falamos pela última vez grambel calou tua boca de onde nada mais ouvia secreta mata onde Circe desnudou os dedos ainda mais que o ciúme régia de fogo no olho esquerdo de dédalus direito de beatrices agarrando os dentes com unhas da forma mais desprezível em busca do seu próprio corpo esqueleto submerso no íntimo da existência em harmonia com o gosto que o mundo assim exigia retalhos imortais do SerAfim imagens palavras cortantes mostram-se inteiramente nuas diante dos meus sexus salve-me rainha das deformações que se apresentam a esse respeito na consciência humana formada pela escravidão social temos um exemplo disso no ciúme para surpreender o íntimo na posse da solidão que alimenta carruagens de seda com cavalos noturnos durante o solar e o inverno ao sabor da convulsão das águas golpe funesto nos seios sertão de intrínsecas gaitas de esporas na garupa um punhal dentro da fruta do meu tédio mas outro tópico me parece instigante nessa relação ciúme silêncio no estágio atual das ciências eletrônicas eletro científicas palavras em tom de alerta soam como pré sentimentos do futuro ou antenas canibais da filosofia descontinuidade do apego e do rigor com que cada sentimento se instala no aparelho divisor do corpo/espada/olho/TV

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Fisco rastreia laranjas em negócios dos Sarney
fonte:
http://www.uol.com.br/

A Receita Federal começou a rastrear a movimentação financeira de pessoas apontadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como laranjas usados pela família Sarney para ocultar a propriedade de empresas e praticar lavagem de dinheiro, de acordo com dados do fisco aos quais a reportagem teve acesso. A matéria de Leonardo Souza, Maria Clara Cabral e Hudson Corrêa está disponível para assinantes da Folha e do UOL.

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Fernando Sarney omite centro de futebol em IR

O presidente do Senado, senador José Sarney (PMBD-AP), cujas empresas têm sido alvo de investigações da Receita Federal

A Folha informou na edição deste sábado que após uma investigação sem precedentes nas empresas da família Sarney, a Receita Federal indicou a prática de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro, entre outras ilegalidades, informou a Folha na edição deste sábado.
São 17 ações fiscais em curso, que atingem 24 pessoas e empresas relacionadas direta e indiretamente aos Sarney, incluindo sete contribuintes do Rio de Janeiro e São Paulo.

O caso se estende até a Usimar Componentes Automotivos, empresa que deu nome ao escândalo da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) no final da década de 1990 no Maranhão, no governo da então e atual governadora Roseana Sarney (PMDB).

O aperto da fiscalização sobre pessoas físicas e jurídicas da família Sarney somou-se a uma série de outros fatores que levaram o governo federal a demitir a secretária da Receita Lina Maria Vieira, segundo a Folha apurou.

Por meio de nota, Fernando Sarney afirmou que a fiscalização da Receita é de rotina e nada tem a ver com câmbio e lavagem de dinheiro. Ele negou qualquer ligação com a Usimar.

O empresário disse ainda que a fiscalização não tem relação com a saída de Lina Vieira do comando da Receita porque foi iniciada antes da nomeação dela para o cargo. No entanto, foi na gestão de Lina que a Justiça Federal expediu um ofício determinando celeridade na investigação.

A receita constituiu então um grupo especial de fiscalização com auditores de fora do Maranhão.
Entre os alvos do fisco estão Dulce de Britto Freire, Walfredo Dantas de Araújo e Thucydides Barbosa Frota, que constam como sócios do grupo Marafolia, especializado em shows e eventos. Segundo a PF, Fernando Sarney e sua mulher, Teresa Murad, "são os donos de fato" do negócio.

Demissão
A secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, foi demitida no último dia 15 após menos de um ano no cargo.

O argumento oficial foi a queda na arrecadação, mas acredita-se que um dos motivos tenha sido a disputa entre a Receita e a Petrobras, em relação a uma mudança contábil feita pela estatal no final de 2008 e que permitiu uma redução de R$ 4 bilhões no recolhimento de impostos. Essa questão foi um dos motivos usados pela oposição para a criação da CPI da Petrobras.
Durante sua administração, Lina também concentrou a fiscalização sobre grandes contribuintes, aplicando autuações bilionárias em bancos e empresas de diversos setores.
Os atingidos, incluindo o grupo de Sarney, pressionaram pela sua demissão.

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Jura secreta 81

ainda a tarde
onde tudo no teu corpo arde
e entro
porta entre mar de pêlo
se dentro
a sílaba da palavra
grita
o canto
explode como gozo intenso
e suspenso o grito
que sustenta a fala
vaza
pelos teus cabelos
pelas tuas coxas
pelas tuas costas
e nas encostas
litoral que estamos
salvador
não fica mais ali
defronte o farol
é barra
o mar já engole os peixes
e peixes
não moram mais no mar
eu grito
porque tenho fome
e canto porque tenho sede
de amor de fogo e sexo
escrevo porque não me calo
e falo que calar não posso
só dia em que este mar for nosso
descanso
minha escridura
na carne crua do teu colo

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

O homem e a lua

Comemora-se hoje (20;7) 40 anos da chegada do primeiro homem à lua. Eu que já naqueles tempos raramente assistia TV, lembro-me de ter ficado colada a um aparelho (e n o r m e...) e, fascinada, assistir às borradas imagens em branco e preto, hoje famosas, de Neil Armstrong passeando em solo lunar, com a Apollo 11 ao fundo.

A romântica aspirante a cronista de então, escrevia no jornalzinho “Roosevelt News” (publicado pela escola de idiomas Instituto Roosevelt” em São Paulo, da qual era aluna), em dezembro de 1969:

“O homem já conhece outras galáxias e ainda não conhece a si próprio. Já sentiu a sensação do infinito e não descobriu o infinito de sua alma. Já sorveu a liberdade sideral e ainda não bebeu de sua liberdade terrestre. Já pisou em outros solos e não soube cultivar ainda o seu”.

Eu acreditei, mas cética e melancólica, não vi ali nenhuma grande vantagem. Meu pai não acreditou, como ainda hoje não acredita que o homem pisou na lua, mesmo sem ter lido tudo o que foi escrito posteriormente sobre evidências de fraude nas inúmeras imagens divulgadas do homem em solo lunar. (como não leu e não se interessou pelo assunto, e, agora, aos quase 90 anos só assiste TV, acaba de me comunicar, eufórico, que o Jornal da Madeira, transmitido pela RTPI no Brasil, “acaba de confirmar que o homem não esteve na lua. Isso é que é gente valente, tinha que ser madeirense mesmo!” completa ele.

Algumas dessas teorias sustentam que o homem jamais esteve na lua, outras admitem que o homem esteve, sim, na lua, mas pela quantidade de erros detectados nas fotografias divulgadas (um deles aponta a bandeira americana “tremulando” num solo sem gravidade), tudo leva a crer que essas imagens teriam sido feitas em estúdio.

Verdade ou não (a polêmica está há anos no ar e pode ser pesquisada na web), se a possível “encenação” teria sido armada para impressionar o arquiinimigo dos EUA a ex-União Soviética, em plena Guerra Fria, o certo é que o simbolismo do fato marcou a maioria dos jovens de minha geração, como a chegada à América deve ter marcado a geração do final do Século XV.

Estávamos prontos para receber “uma nova era”, o futuro ali estava.
A tal colonização de outros planetas prevista na época para um curto espaço de tempo, não aconteceu, o entusiasmo dos EUA em relação à lua, após o fracasso da Apollo 13, arrefeceu bem como o de toda a humanidade que ainda se reserva o direito de olhar romântica e misticamente para a lua em dias de “lua cheia”.

Verdade ou não, a cronista não mais acredita em muitas das coisas em que então acreditava e pensando bem, continua a não ver grande vantagem em tudo isso.

Dalila Teles Veras
http://dalilatelesveras.zip.net/


NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,

tenho razão de te acusar.

Houve um pacto implícito que rompeste

e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência

de viver e explorar os rumos de obscuridade

sem prazo sem consulta sem provocação

até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.

Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.

Que poderias ter feito de mais grave

do que o ato sem continuação, o ato em si,

o ato que não ousamos nem sabemos ousar

porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,

de nossa convivência em falas camaradas,

simples apertar de mãos, nem isso, voz

modulando sílabas conhecidas e banais

que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.

Sim, acuso-te porque fizeste

o não previsto nas leis da amizade e da natureza

nem nos deixaste sequer o direito de indagar

porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

Estás desempregado? Teu amor sumiu? Calma: sempre pode pintar uma jamanta na esquina.Tenho um amigo, cujo nome, por muitas razões, não posso dizer, conhecido como o mais dark. Dark no visual, dark nas emoções, dark nas palavras: darkésimo. Não nos conhecemos a muito tempo, mas imagino que, quando ainda não havia darks, ele já era dark. Do alto de sua darkice futurista, devia olhar com soberano desprezo para aquela extensa legião de paz e amor, trocando flores, vestida de branco e cheia de esperança.Pode parecer ilógico, mas o mais dark dos meus amigos é também uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Rio sem parar do humor dele- humor dark, claro. Outro dia esperávamos um elevador, exaustos no fim da tarde, quando de repente ele revirou os olhos, encostou a cabeça na parede, suspirou bem fundo e soltou essa: -"Ai, meu Deus, minha única esperança é que uma jamanta passe por cima de mim..." Descemos o elevador rindo feito hienas. Devíamos ter ido embora, mas foi num daqueles dias gelados, propícios aos conhaques e às abobrinhas.Tomamos um conhaque no bar. E imaginamos uma história assim: você anda só, cheio de tristeza, desamado, duro, sem fé nem futuro. Aí você liga para o Jamanta Express e pede: -"Por favor, preciso de uma jamanta às 30h15, na esquina da rua tal com tal. O cheque estará no bolso esquerdo da calça". Às 20h14, na tal esquina (uma ótima esquina é a Franca com Haddock Lobo, que tem aquela descidona) , você olha para esquina de cima. E lá está- maravilha!- parada uma enorme jamanta reluzente, soltando fogo pelas ventas que nem um dragão de história infantil. O motorista espia pela janela, olha para você e levanta o polegar. Você levanta o polegar: tudo bem. E começa a atravessar a rua. A jamanta arranca a mil, pneus guinchando no asfalto. Pronto: acabou. Um fio de sangue escorrendo pelo queixo, a vítima geme suas últimas palavras: -"Morro feliz. Era tudo que eu queria..."Dia seguinte, meu amigo dark contou: - "Tive um sonho lindo. Imagina só, uma jamanta toda dourada..." Rimos até ficar com dor na barriga. E eu lembrei dum poema antigo de Drummond. Aquele Consolo na Praia, sabe qual? "Vamos não chores / A infância está perdida/ A mocidade está perdida/ Mas a vida não se perdeu" – ele começa, antes de enumerar as perdas irreparáveis: perdeste o amigo, perdeste o amor, não tens nada além da mágoa e solidão. E quando o desejo da jamanta ameaça invadir o poema – Drummond, o Carlos, pergunta: "Mas, e o humour?" Porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada. Dark, qual o problema?Deus é naja - descobrimos outro dia.O mais dark dos meus amigos tem esse poder, esse condão. E isso que ele anda numa fase problemática. Problemas darks, evidentemente. Naja ou não, Deus (ou Diabo?) guarde sua capacidade de rir descontroladamente de tudo. Eu, às vezes, só às vezes, também consigo. Ultimamente, quase não. Porque também me acontece – como pode estar acontecendo a você que quem sabe me lê agora - de achar que tudo isso talvez não tenha a menor graça. Pode ser: Deus é naja, nunca esqueça, baby.Segure seu humor. Seguro o meu, mesmo dark: vou dormir profundamente e sonhar com uma jamanta. A mil por hora.

Caio Fernando Abreu

Quando entrei no cineclube as 19h e alguns minutos ao me deparar com meia dúzia de gatos pingados para prestigiar estes mestres do cinema nacional, tive certeza que ao chegar em casa ia escrever um texto bem provacativo contra tudo e todos, que em números com 4 ou 5 dígitos estariam e ainda estarão prestigiando aquele humor babaca de Danilo Gentili ao invés de lotar os oitocentos e tantos acentos do cineclube Cauim.Porém, depois de uma bate-papo fantástico com eles e o dono do cineclube, Cachaça. Essa vontade passou. E no final, esses 4 ou 5 dígitos não tem culpa de nada.Agora, pra quem quiser, um conto do Marçal:

Sete Epitáfios para uma Dama Branca (Que, descalça, media 1,65m e, nua, pesava 54 quilos)

Epitáfio V

Nunca dei presentes a ela, nunca recebi nada. Não conheci a letra dela, nunca a vi escrevendo. Não sei se sua caligrafia era redonda ou inclinada, legível ou feia, ou se ela colocava bolinhas em lugar dos pingos nas letras. Eu nunca disse que a amava nem a ouvi dizer isso pra mim. Nunca falamos de amor, de filhos, de amantes, de passado. Do futuro. Fodíamos apenas.Nunca soube seu signo nem ela o meu. Ela não me falou sobre sua flor favorita ou sua cor predileta. Sua primeira vez. Ela não perguntou sobre a minha. Não sei se ela possuía todos os dentes. Nunca conversamos sobre religião, não sei se ela acreditava em Deus. Em reencarnação ou em horóscopo. Não sei se ela gostava de gatos ou se pensou em colecionar selos. Nunca perguntei se ela se interessava por política, futebol ou mesmo se tinha o costume de se masturbar. Não sei se ela cozinhava bem ou o prato de que gostava mais. O que achava da moda, ela jamais me falou. Curtia samba? E caipirinha? Como foi quando criança, ela não me contou. Qual seu número de sorte? Eu pagava pra saber se alguma vez aconteceu de ela olhar com desejo para outra mulher. O nome de seus pais, o que ela achava de homens de barba, das loiras, de armas e tatuagens - são coisas que nunca vou saber. Não descobri se em alguma ocasião ela passou fome na vida. Se teve uma tia epilética. O Que achava dos pretos? E Dos cavalos? Gostava de novelas? O que pensava de garotas que pedem a sujeitos que batam nelas na hora de trepar? Achava o que do dinheiro, essa mulher? Que número calçava? Tinha medo de baratas. Terá algum dia o pai espancado a mãe na frente dela (e, diante de seu protesto, mandado que calasse a boca pra não tomar uns sopapos também)? Será que, como eu, ela achava que a felicidade é um negócio que inventaram para enganar os pobres, os feios e os esperançosos? Não sei se tomou drogas um dia ou se era bamba em matemática no tempo da escola. Se gostava de resolver as palavras cruzadas do jornal. Será que ela sabia jogar truco? Teve todas as doenças da infância? Tinha idéia de como é que os caras matam os cavalos para fazer mortadela no sul da Bahia? Foi assaltada alguma vez? Transou quando na verdade estava a fim de dormir e esquecer? Nunca soube se ela viajou de trem ou de navio. Se teve vontade de matar alguémm que um dia amou. Se cortou os cabelos só para agradar a algum homem. Se cortou o pé em caco de vidro quando mais nova. Se em algum momento humilhou alguém e se arrependeu depois. Se gostava de brócolis. Se pensou em sexo com animais. Se alguma noite perde o sono por causa de dívidas. Se pensou em fugir. Se lembrava dos sonhos depois que acordava. Se sonhava. Se tinha medo de doar sangue. Se sorriu para pessoas pensando em mandá-las à merda. Se bolou preversões com integrantes da família. Se sentiu saudade. Eu nunca soube o que essa mulher achava do papa. E de velhas que ainda usam laquê. Eu não sei onde ela estava quando a Seleção ganhou a Copa de 94. Se ela tomou um porro de vinho. Terá ela fingido alguma vez que a coisa estava muito boa quando estava apenas morna? Compreendeu o significado da palavra "sacrifício" a tempo? Será que ela se orgulhou de algo de que deveria se envergonhar? Será que se lembrava da primeira vez que viu o mar? Do primeiro beijo? Será que ela se sentiu digna em alguma oportunidade? E suja? Eu nunca soube o que ela achava de salário-mínimo. Da Ioga. Das surubas. E das coisas que assustam quando pensamos nelas. De gente que tem medo de escuro. E de quem sabe que temos escuros dentro da gente. Eu não soube nada disso. Apenas fodíamos. E era bom.No entanto, eu sabia sua altura. Porque ela precisava ficar na ponta dos pés toda vez que nos beijávamos. E Sabia seu peso: ela me falou um dia, na cama, quando quis ficar por cima.::

Marçal Aquino.

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