sábado, 11 de julho de 2009










Cine Vídeo Urbanidades & Outros Baratos Afins

Hoje passei este vídeo: Trilhos Urbanos


http://www.youtube.com/user/oficinavideo#play/uploads/10/gASgVQScsDk
no Sesc Campos, na Mostra Cine Vídeo Urbanidades, ele foi produzido durante a Oficina Cine Vídeo Fotografia, nos meses de abril e maio, tendo como câmeras, e ao mesmo tempo atores, Dan Saramago, Diogo Falquer e Luana Nascimento, além dos skatistas que aparecem nele com suas manobras radicais. Antes da sua exibição vários outros vídeo, com as mesmas características dele, já haviam sido exibidos, focando cenários urbanos dentro e fora do Sesc. A minha grande surpresa, foi o frisson que ele provocou em uma galera em sua faixa etária entre 10 a 12 anos no máximo. Fiquei ali mesmo querendo entender a reação daquela gurizada. Seria a música do Cazuza na pungente interpretação da Cássia Eller? Ou as manobras de Jonny Nunes filmando com a câmera no skate? Ou a beleza da atriz Luana Nascimento? Pensei também na reação deles ao verem as lindas imagens que conseguimos que conseguimos ali nos trilhos abandonados da antiga estação ferroviária. Mas não só a voz da Cássia Eller, como também outras magníficas imagens urbanas, e também abandonas, eles já haviam visto nos vídeos anteriores. Seria o ritmo, a pulsação das imagens em corte/crose, a super posição delas em alguns momentos ou seria mesmo a beleza de Luana Nascimento? Sei lá, mas isso agora não importa, porque hoje é Domingo, e daqui há pouco teremos a Virada Cultural Solidária em homenagem ao nosso grande irmão Luiz Ribeiro. Um bom Domingo a todos com muita luz e poesia, e mais uma vez lembrando o meu amigo poeta e filósofo Eliakin Rufino em seu poema Luta e Prazer: “o que importa agora é o que vamos fazer daqui pra frente, com o que fizeram do mundo, com o que fizeram da gente. Por isso eu vou dizer o que é que eu acho, ou a gente parte pra cima, ou a gente fica por baixo”.


Carne Proibida

o preço atual
proíbes que me coma
mas pra ti
estou de graça
pra ti
não tenho preço

sou eu quem me ofereço
a ti:
músculo & osso
leva-me à boca
e completa o teu almoço

não sou tigresa
em tua cama
nem caviar em tua mesa
não sou mulher de fama
muito embora sempre tesa

não vim da boca do lixo
saí da pele do ovo
meu coração de galinha
virou orgasmo do povo


Virgi niana

ave palavra cio
na porcelana ou na lata
lua de carne na boca
deusa em brasa na cama
tecendo vergonha alguma
fruta do amor que se ama
chupada dentro da mata
lírio se abrindo
na lama
se assim não for
a vida é pouca

ave palavra erótica
dos atos a mais sagrada
se eu queimar teu recato
com os meus dedos em fogo
incendiar tua fogueira
é quem em todo altar a primeira
vez que se é consagrada
em vai e vem gera três
a carne em riste tarada
esperma o que nunca fez


Rio em Pele Feminina

o rio com seus mistérios
molha meu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos

você me diz não ter pressa
teus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
não beije assim meus segredos

meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo no rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora

o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos

quando mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas

lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o sol é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada


por tudo quanto o mais sagrado

escrevo este poema
para te Le var à boca
como mais profundo beijo

mesmo assim
não mato teu desejo
não sacio tua fome

porque neste poema
não está a minha língua
nem a carne do meu nome

SagaraNAgens Fulinaímicas

guima meu mestre guima
em mil perdões eu voz peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que voz fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande sertão vou comer

nem joão cabral Severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra – o fazer

a ferramenta que afino
roubei do mestre drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu ser.

Artur Gomes
Nação Goytacá
http://goytacity.blogspot.com



Estilhaços no lago de púrpura
Uma leitura teriomórfica

Feliz posfácio de Ronald Polito para o poema de um só fôlego de Wilmar Silva intitulado Estilhaços no lago de púrpura. Além de motivar a recepção pelo leitor mediante focos eivados de surrealismo, contra-cultura beatnik, hiper-realismo ou laivos hodiernos de um neo-barroco, o crítico detém-se na vertente que aponta para uma “tentativa de organização de uma para-realidade”, a qual, por sua vez, “pressupõe uma organicidade primeira, anterior ao “eu” e seus “objetos”, que talvez a poesia possa reencontrar reencantando o mundo e a si mesma.”

A leitura crítica é também esclarecedora ao assinalar, no livro, um posicionamento “para além da natureza porque um “eu” precisa devorar mitologias, reproduzi-las ou fundar outras, investindo com faunos e curupiras ao sair para a guerra que é a vida.”

É esse foco que sobremaneira interessa-me esclarecer, consciente de haver em Estilhaços no lago de púrpura umas tantas outras incursões igualmente merecedoras de olhares verticais. Essa visão abrangente agrega desde a purgação telúrica a uma sertanização da experiência subjetiva de um poeta devoto às raízes dos cerrados de Rio Paranaíba, região agreste compósita de uma mineiridade incomum na poesia.

Como incorpora uma estética da repetição que trabalha palavras-situações freqüentes em um memorialismo da terra de origem e, ainda, uma aventura narcísico-erótica que torna a alteridade procurada o êxtase de si mesma.

Ao eleger “afetividades seletivas”, Wilmar Silva está inteirado de que pós-moderno é o que tem raiz e de que essa é a conditio da fragmentação epistêmico-poética a exigir do autor, hoje, a neuedichte – nova densidade na produção do estranhamento. É aí que o poeta esperneia para (se) dizer, donde justificar-se, na produção contemporânea, a pluralidade de diretrizes norteadoras de escolhas também múltiplas.

Os desdobramentos neo-barrocos de Wilmar Silva expõem descrições fraturadas oriundas de muitas tradições, desde cânones que inclusive evocam para si cantares medievais, a rupturas imprescindíveis com as vanguardas históricas, em função da sobrevivência da própria poesia.
O autor se coloca, como indica Perloff, como “o falante isolado numa paisagem específica [diante/dentro/a favor/contra] a qual medita ou rumina sobre algum aspecto de sua relação exterior, chegando por fim a alguma sorte de epifania, um momento de percepção em que o poema se encerra.”

Nesse sentido, Estilhaços no lago de púrpura inclui-se entre as publicações recentes que intentam (e conseguem) trabalhar uma linguagem revitalizada de sentido. E cabe a ela, para justificar sua raridade, apud Rodrigo Garcia Lopes, “ser crítica, exploratória, surpreendente, revelatória, celebratória.”

O homem bicho do homem

O reencantamento do mundo almejado por Wilmar Silva pressupõe assumir o poeta os riscos de elaborar um imaginário complexo.
Observe-se os fragmentos seguintes: “sou este cavalo com escamas nas crinas” (1) – “coiote eu/eu hiena” (2) – “sonho caçar as mulas que habitam pântanos nas orelhas” – “um lobo eu faminto” – “sou este que brame no desespero de cigarra – um grilo com aquele cricri” (3) – “eu gambá” (4) – “eu murmuro salmos para suspender as jias” (5) – “sou eu as barbatanas que cingem minhas pálpebras de algas e arcos” (7) – “eu disse serpentes com a voz contida” (10) – “sou esta tarântula aninhada nas axilas” – “sou esta mula que debate bestas nos olhos” – “sou este mulo que apenas você há de desvendar” (11) – “eu/uma semente que tem cabeça e faz dormir uma onça com um leão e uma jandaia em meu ventre” (14) – “sou esta novilha com êxtase de égua no curral” (17) – “sou este corcel/eu um corço entre avestruz e seriemas – sou esta ema com onze penas de pavão – (...) – eu e minha fazenda de poemas” (19) – “um animal com rimas que dizem líricas” (24) – “sou esta represa onde peixes nascem da terra” – “eu este wilmar silva que vira cavala” (28).

O bestiário constitui sobremaneira a intentio auctoris de Wilmar Silva e da poesia de Estilhaços. Trata-se de procedimento usual na literatura do mundo, cujo primeiro livro em verso de caráter religioso é o de título homônimo, de Philippe de Thaon (século XII); em nível profano é apontado também o homônimo de Richard de Fournival. Há considerável bibliografia referente ao tema, caso de Manoel de Barros, o Borges de “O livro dos seres imaginários”; Júlio Cortazar em “Bestiário”; do poeta paraguaio radicado no México, Victor Sosa, autor, entre outros, de “Los animales furiosos”; do mexicano Juan José Arreola, autor de “Bestiário”; do carioca Marco Luchesi de “Meridiano celeste & bestiário”, do Augusto de Campos também de “Bestiário em poesia é risco”; de Astrid Cabral em “Jaula”, a prosa do mineiro Abelardo de Carvalho, também em “Bestiário”; na tradição surrealista “O bestiário ou cortejo de Orfeu”, de Apollinaire; de algumas parábolas de Kafka.

O poema de um só fôlego de Wilmar Silva inscreve-se entre os que têm “algo em sua imagem que se harmoniza com a imaginação dos homens”, como afirma Borges.
Esse bestiário reflete a (convivência do poeta com a dura vida rural, que é, em contrapartida, encantatória e esterco do imaginário. Parece ele querer “resgatar o pertencimento humano à natureza”, como opor-se ao “recalcamento progressivo do sentido das metáforas.” Por sua linguagem surrealírica, o livro é um libelo crítico à razão aristotélica, questiona a si mesma e propõe uma nomeação que se não é inusitada em nível semântico-lingüístico, surpreende pela contingência do pensar.

Poder-se-ia até admitir Estilhaços como de tendência a um darwinismo cultural, no stricto sensu de traduzir a evolução da vida poética através de nomes e conceitos genéticos da linguagem, ou da luta pela vida, como em Euclides da Cunha.

Animais são componentes do imaginário real transposto à poética por uma dinâmica organizadora de mitologemas, que cria um plano locutório o qual, diz Durand, “assegura uma certa universalidade nas intenções da linguagem e coloca a estruturação simbólica na raiz de qualquer pensamento.”

Nesse sentido, o que a priori resultaria apenas surrealismo (e não seria pouco) em ser “esta lontra com pele de cigarra” (5), “este corpo que segrega mil canários de pedra no azul” (10), “um cavalo indomável” (16) – “este pomar de relevos (...) que alimentem um fauno, uma fauna, um camaleão” (22) etc, evoca a “potência fundamental dos símbolos que é a de ligarem, para lá das contradições naturais, os elementos inconciliáveis, as compartimentações sociais e as segregações dos períodos da história (...), categorias motivantes dos símbolos nos comportamentos elementares do psiquismo humano” (Durand:1977:38). Donde a imaginação ser, no imaginário poético, originária de libertação (défoulement).

A assertiva ressoa em Bachelard quando o mestre fenomenológico assevera serem os eixos das intensões (com S) fundamentais da imaginação os trajetos dos gestos principais do animal humano em direção ao seu meio natural, prolongado pelas instituições primitivas tecnológicas e sociais do homo faber.

Estilhaços seria um longopoema de mitologia pessoal? Exercício de isomorfismo com polarização de imagens? Uma leitura pertinente do livro de Wilmar Silva está em tomar suas metáforas como símbolos teriomórficos. “São as imagens animais as mais freqüentes e comuns”, diz Durand, que acrescenta: “Podemos dizer que nada nos é mais familiar, desde a infância, que as representações animais. O bestiário parece, portanto, solidamente instalado na língua, na mentalidade coletiva e na fantasia individual.”

Por sua vez, Krappe reconhece que “o homem tem assim tendência para a animalização do seu pensamento e uma troca constante faz-se por essa assimilação entre os sentimentos humanos e a animação do animal.”
Pela análise antropológica das estruturas imaginárias de Gilbert Durand, esses símbolos teriomórficos remetem a mitos emblemáticos. E uma razão para isso existir está no fato de que “a imaginação mascara tudo que não a serve.” “O animal, diz Durand, apresenta-se, portanto, como um abstrato espontâneo, o objeto de uma assimilação simbólica, como mostra a universalidade e a pluralidade da sua presença tanto numa consciência civilizada como na mentalidade primitiva. (...) O bestiário parece, portanto, solidamente instalado na língua, na mentalidade coletiva e na fantasia individual.”

Texto ferótico, Estilhaços elenca animais que, pela ótica junguiana, são antigos símbolos fálicos, caso do pássaro, peixe, serpente, burro, touro e cavalo. E Durand adverte: “É por isso necessário ligar a imaginação teriomórfica a uma camada ontogenética mais primitiva que o Édipo, e sobretudo a uma motivação mais universalizável.”

O livro de Wilmar Silva tem uma capacidade envolvente do leitor, que se torna o “eu”-bicho do narrador-poeta e que faz na alteridade o seu igual em todo ser humano que pensa, poeticamente, no zoológico das palavras.

Márcio Almeida é mestre em Literatura, jornalista, poeta, criador do Movimento de Resgate do Autor Inédito e Anônimo de Oliveira. marcioal@vertentes.com.br



MISSA DAS 10

Frei Jácomo prega e ninguém entende.
Mas fala com piedade, para ele mesmo
e tem mania de orar pelos paroquianos.
As mulheres que depois vão aos clubes,
os mocos ricos de costumes piedosos,
os homens que prevaricam um pouco em seus negócios
gostam todos de assistir a missa de frei Jácomo,
povoada de exemplos, de vida de santos,
da certeza marota de que ao final de tudo
urna confissão "in extremis" garantirá o paraíso.
Ninguém vê o Cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito,
ninguém.
Nem frei Jácomo.

(De O Pelicano, 1987)



COM LICENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado para mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
Já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

De Bagagem (1976)



VITRAL


Uma igreja voltada para o norte.
À sua esquerda um barranco, a estrada de ferro.
O sol, a mais de meio caminho para oeste.
Tem uns meninos na sombra.
Eu estou lá com um pé apoiado sobre o dedo grande,
a mão que passei no cabelo,
a um quarto de seu caminho até a coxa,
onde vai bater e voltar, envergonhado passo de balé.
Tudo pulsando à revelia de mim,
bom como um ingurgitamento não-provocado do sexo.
A pura existência.

(De O coração disparado,1987


Adélia Prado


A GRANDE FALA DO ÍNDIO GUARANI (1978)
(fragmento)

3
E a pergunta martela e pousa
como um corvo
no desespero aberto da janela.

- Quem escreveria o poema de meu tempo?
- Eu próprio? Mas, com que mãos, arroubos, insânias?
com que vaidades, prêmios, vexames?

Fala alguém por alguém
- com alheio coração?
Vive alguém por alguém
- ou morre sempre aquém da própria mão?

Não seriam a fala
o amor
a vida
a metafórica versão do exílio
o brilho da apagada estrela
ausência e concreção do nada?

Sim, é verdade que cada dia sei mais do que se compõem a poesia e o nada.

Debulho poemas e milharais
como o camponês aduba estrofes e mulheres.
Mas me sinto maduro e inútil. Como ontem:
- imaturo e fútil.

Não acordo mais às cinco
não selo mais o animal
desesperam-me os vegetais. Do pomar
olho minha inútil biblioteca. Doirados
frutos na estante..

Inutilíssima sapiência. Sabíamos tudo.
Merecíamos tudo. Tínhamos até fé.

Outrora eu passeava entre canteiros de enciclopédias
limpando pulgões podando ervas e páginas. Perdia-me
na contemplação da abelha sobre as letras:
- favos de mel derramavam-se da estante.

Todos nós líamos os poetas
mas não lavramos um mundo mais justo,
E enquanto soturnos decifrávamos as tabuinhas dos
caldeus os mais astutos e modernos
empolgavam o poder e o generais
marcando em nossas testas anátemas fatais.

E líamos grossos romancistas
exalando suor vermelho e revoltas sobre a praça.
Povo era a palavra
e o amanhã era a palavra
da palavra povo.

Mas porque estava tudo escrito
nosso futuro
petrificado
de nós se alienou.
Ontem soltávamos pombas nos estádios
éramos livres, juvenis e a paz um poster de Picasso.
Mas foram-se os posters e Picasso
- e as pombas não voltaram nunca mais.

Nossos pais também liam os poetas
citavam os clássicos
e pelas noites com seus robes tomavam chávenas
e liam dourados tomos sem ver as traças
- que nos comem.

Mas os acontecimentos desviaram-se dos livros
e por mais que entulhássemos os cursos de história
de novo a história
desviava-nos seus rios
e os livros
nem sempre férteis
aprodreciam no Nilo.
E sobrevieram borrascas e explodindo códigos e leis
que eram logo dissolvidos e refeitos em novas leis
e códigos. E erguíamos diques e parágrafos murando o mar
e a ressaca dos fatos
- a tudo rebentar.
A vida, a vida é mais que profecias e algemas
a vida é irrefreável
não se contém nas lâminas
partidos
nem nos fichários
e antenas
a vida
- é o impoemável poema.

Afonso Romano de Santanna

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