segunda-feira, 8 de junho de 2009


MACAQUICES, MACACADAS , MACACÕES E MACACADAS DA CULTURA ELEITOREIRA CARIOCA

Macaco, no sentido lato, é a designação comum a todas as espécies de símios ou primatas antropóides , Kafka, Em um de seus contos “Um relatório para uma academia”, de 1919, um macaco narra as transformações que ocorreram em seu processo de humanização, a única saída para uma vida condenada à jaula.
O que me parece, fazendo um paralelo entre o macaco de Kafka e a macaquice na da secretária de cultura da cidade na virada cultural carioca, é que a nossa secretária entende que temos que ser humanizados e que a cultura carioca é primitiva desprovida de criatividade e de capacidade de produzir seus próprios códigos e dinâmicas culturais.
Para as elites culturais da cidade e gestores( OFICIAIS) da cultura da cidade do Rio de Janeiro, nosso modo de vida , nossas características e nossa história são incultas, e precisam ser humanizadas elevada ao status civilizatório, pelo menos é o que parece quando de forma vergonhosa e estranha simplesmente copia uma modelo que deu certo em são Paulo por conta de uma questão histórica coerente e relativa a cidade de São Paulo , empurra goela abaixo dos carioca esta tal virada cultural, como se nos fôssemos desprovidos de inteligência e fôssemos meros macacos de imitação.
Esta virada que a prefeitura do Rio copiou de são Paulo nos deixou envergonhados , intrigados e com uma pergunta que não cala, de como pode uma cidade que tem na cultura sua maior riqueza, ver tudo isto ser jogado no lixo, desprezando pessoas comunidades, artistas, trabalhadores, intelectuais e gente que se orgulha do modo de vida carioca, da natureza de nossa cultura?
É bom avisar para nossos gestores públicos que não precisamos ser humanizados, existe na cidade do Rio de Janeiro, gente que pensa, que trabalha , que pesquisa, que entende profundamente o que é esta cidade e os muitos tipos de gentes que vivem nela, e que ajudaram e ajudam a construir, mesmo que invisível para a secretária de cultura da cidade , a nossa alma cultural e que é a maior riqueza desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e que não estamos condenados à jaula.


O que nós cariocas temos haver com isso?
O virado à paulista, tem esse nome porque era uma das refeições utilizadas pelos bandeirantes paulistas desbravadores dos sertões, tendo como ponto de partida São Paulo. Nas bandeiras e nas monções, entre os séculos XVIII e XIX, utilizar alimentos como: a carne de porco frita e conservada em banha, acompanhada de feijão misturado com farinha era um habito comum entre os bandeirantes. Muitas vezes essa era única refeição do dia, consumida fria e comida com a mão. É até comum hoje , aliás, encontrar o virado à paulista com variações consideráveis na fórmula. Se existe uma comida que caracteriza São Paulo ela é o virado paulista .
Hoje a cidade de São Paulo é um grande centro gastronômico e cultural e é muito oportuno que o símbolo desta vida cultural e gastronômica seja o virado paulista e que parece fundamentou a interessante proposta cultural, que é de misturar diversas manifestações culturais com a gastronomia criando um ambiente interessante e bem característico de são Paulo , movimentando tanto á vida cultural da cidade e sedimentando o já respeitado o circuito gastronômico paulistano..
Portanto o projeto virada cultural tem sua natureza na história e na identidade cultural de São Paulo, uma incrível cidade e importante pólo cultural e econômico do Brasil . Neste sentido vai aí uma pergunta para a secretária de cultura da cidade do Rio de Janeiro e para o prefeito Eduardo Paes, o que nós cariocas temos a ver com isto?
MARKO ANDRADE
músico compositor cantor
criador dos projeto: Recitando Samba, Aldeia AfroTupy e Poesia no Poste
foi coordenador de implantação da Animação Cultural dos CIEPS no RJ

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