segunda-feira, 8 de junho de 2009




érica ferri -
minha musa
é fogo


Isso é Um Poema Ou É Uma Navalha?

Overdose NU Vermelho

retesar as cores
& os músculos
com os dedos
agarrados no pincel
se faltar carne

pra roçar os óvulos
a gente jorra tinta
no papel


Um Poeminha Meu Amor


meto meus dedos cínicos
no teu corpo em fossa
proclamando o que inda possa
vir a ser surpresa
porque amor não tem essa
de cumer na mesa
é caçador e caça
mastigando na floresta
todo tesão que resta
desta pátria indefesa


ponho meus dedos cínicos
sobre tuas costas
e vou lambendo bostas
destas botas neoburguesas
porque Meu Amor não tem essa
de vir a ser surpresa
é língua suja e grossa visceral ilesa
pra lamber tudo que possa
vomitar na mesa
e me livrar da míngua
desta língua portuguesa.


Pátria A(r)mada

só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o teu destino
só me queira enfeitiçado
veloz macio felino
em pêlo NU depravado
em tua cama sol a pino


só me queira encapetado
profanando aqueles hinos
malandro moleque safado
depravando os teus meninos


só me queira desalmado
cão algoz e assassino
dupramente descarado
quando esccrevo e não assino


Tropicana


vendo a lua leviana
no império das bananas
papagaios perequito graviolas
a fruta eu chupo morena
semente eu planto cigana
na selva pernambucana
nossa língua deita e rola


Tropicalirismo


gira
sóis pousando
no teu corpo em festa
beija flor
seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce


O Baile


o império está em festa
vai ter baile na ilha
encontro de rei e imperador
quem quiser que leve a filha
para os súditos
só farinha só farofa
cultos de sonsolação
aos miseráveis das senzalas
aos indegentes das favelas
se cumer desta comida
resultado: indigestão
coloquem o real na sacola
ou a bunda na janela
que a corôa diz que é dela
e o bispo passa a mão


Retórica

salve lindo
pendão qee balança
entre as pernas abertas
da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rende-vouz
de impérios atrás


Trova


meu coração
é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil
que ainda canta
ou
viram
no ipiranga
às margens
plácidas
uma bandeira arriada
num país
que não elvanta


Terceiro Mundo

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank


Geléia Geral

ó baby a coisa por aqui
não mudou nada
embora sejam outras
siglas no emblema

espada continua a ser espada
poema continua a ser poema


Artur Gomes
In Couro Cru & Carne Viva

obs.: este poemas foram escritos na década de 80, publicados em 1987, para desespero de alguns e delírios de outros. e se eles ainda incomodam, se as condições no país, e na cidade, continuam as mesmas ou em condições até piores, o que vamos fazer senão continuar a escrever escrever que é o que sabemos de melhor para desespero de muitos. . E quem quiser ouví-los está lá ao som de blues no CD fulinaíma sax blues poesia, não inventei navalha agora carNAvalho há muito tempo Jesus Cristo Cortador de Cana ou quem sabe Boi-Pintadinho muito Além da Mesa Posta, nunca fui de cumer Bosta pensando ser Caviar, poesia é faca afiada ou cega tanto corta quanto fura tanto fura quanto corta cada lugar em sua coisa cada coisa em seu lugar.







2 comentários:

  1. Precisamos do seu talento como escritora para nos ajudar na luta contra a corrupção, a falta de ética e a falta de moral no Brasil.

    Precisamos conscientizar os cidadãos brasileiros que só vamos conseguir um Brasil com justiça social e com políticos honestos e éticos quando o governo do PT deixar o poder.

    Todos nós devemos estar comprometidos nesta luta, e principalmente vocês que tem o dom de escrever e de transmitir idéias de forma clara e convincente.

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  2. está a disposição, mas talento custa caro, tem seu preço.

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