sexta-feira, 15 de maio de 2009


Que Maldição É Essa Mister Jones?

Hoje dia 15 de Maio, faz 15 anos que Sérgio Sampaio morreu. Um gênio da música brasileira. Da estirpe de Itamar Assumpção, Luiz Melodia, Raul Seixas, Tim Maia. Músico e poeta sofisticado. Como poucos. Fama de maldito (ô, saco). Só porque se recusava a ser medíocre e vender sua arte e vida a prestações.

Lembro bem: quando eu tinha uns 12 anos, as emissoras de rádio tocavam sem parar “Eu quero é botar meu bloco na rua”. Caramba, aquilo era diferente de tudo. E olha que naqueles anos o rádio tocava coisa boa o tempo todo. Foi o maior sucesso de Sérgio Sampaio. E por isso muita gente diz que ele é compositor de uma só canção. Ignorância pura. Sampaio gravou Bloco na Rua (1973), Tem que Acontecer (1976), Sinceramente (1982) e deixou um outro, que foi lançado recentemente por Zeca Baleiro: Cruel (2006). E alguns compactos, além de Sociedade da Gran Orden Kavernista apresenta Sessão das Dez, com Raul, Miriam Batucada e Edy Star. Gravou poucos discos. Mas todos bons de ponta a ponta. Não tem uma música mais ou menos.

Jotabê Medeiros publicou ontem uma matéria no Caderno 2 do Estadão (link aqui). Ele esteve em Cachoeiro do Itapemirim, cidade natal de Sampaio. E também de Roberto Carlos, que nunca gravou uma única canção de seu conterrâneo.

Na matéria do Jotabê saiu um box, disponível apenas para assinantes do jornal. Jota conta uma história bizarra (ou escabrosa?). Sampaio morreu aos 47 anos. Cirrose. Foi enterrado provisoriamente no cemitério São João Batista, no Rio. Três anos depois, os ossos foram desalojados. João Moraes, seu primo, leu uma nota em um jornal dizendo que se a família não fosse buscá-los, os restos mortais seriam enterrados numa vala comum. O primo foi lá. Aí, não tinha túmulo em Cachoeiro de Itapemirim para enterrá-los. Guardou os ossos do grande Sampaio durante um ano dentro de um guarda-roupas. Até conseguir um túmulo. Que hoje virou local quase mítico para as gerações mais jovens que estão descobrindo sua música.

Muita gente não conhece Sampaio. Meu amigo Fábio Henriques (que saca muito da vida e obra do cara) fez um projeto para marcar os 15 anos de seu desaparecimento e ajudar a recolocar sua música em circulação. Até agora ninguém se interessou.

Tempos caretas. Tempos estranhos. Tristes tempos.
Ademir Assunção

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