segunda-feira, 4 de maio de 2009



Pontal.Foto.Grafia

Aqui
redes em pânico
pescam
esqueletos no mar
esguadas
descobritmento
escamas de peixe
convento
cabrálias esperas
relento
espinhas secas no prato
e um cheiro podre
no
AR

arturgomes



Editorial:
A Poesia é a última das inocências, aliciar palavras e construir mundos onde até quando elas se engalfinham há mais paz e esperança do que quando se abre o jornal ou se liga a TV ou se olha a nossa própria volta. Então deixemos o jornal na porta tomando a garoa da manhã e a TV refletindo as flores sobre a mesa de centro e abramos um livro, mesmo o do poeta mais ferino, que nos enfia a faca ou aquele mais romântico falando do ridículo do amor perfeito, vale tudo, menos colocar o coração acomodado na gaveta do criado mudo.
Jurema Barreto de Souza -
poeta de Santo André-SP

Tecidos sobre a pele
Terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida
entre/abertoem teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha
amadade muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói
é ter-tedevorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade
ó terra
incestuosa de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante
minha terraé de senzalas tantas
entrerra em timilhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
plantada em ti como canavial
que a foice corta
mas cravado em ti me ponho a luta
mesmo sabendo - o vão
- estreito em cada porta
Usina mói a cana
o caldo e o bagaço
Usina mói o braço
a carne o osso
Usina mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
- o saldo e o lucro.

Artur Gomes
In Fulinaíma Sax Blues Poesia

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