quarta-feira, 20 de maio de 2009







parana
piacaba:
de onde se
avista
o mar




Debates esquentaram as sessões ontem na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes aqui
e Graciete Santana PCB contesta aqui leitor reclama do Grupo Othon aqui nesse caso é muito bom lembrar o que num passado bem recente aconteceu com a Usina do Outeiro.


usina

mói a cana
o caldo
e o bagaço


usina
mói o braço
a carne
o osso


usina
mói o sangue
a fruta
e o caroço


tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:

- o sald0 e o lucro.



Artur Gomes





Estão abertas as inscrições para o 3º Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo, promovido pelo Instituto Maximiano Campos (IMC). O Prêmio será concedido dentro da V Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), que acontecerá entre os dias 5 e 8 de novembro de 2009. A iniciativa tem como objetivo estimular a produção e interpretação de poemas, inéditos ou não, utilizando o vídeo como plataforma, estabelecendo um diálogo entre a literatura e mídias digitais. As inscrições devem ser feitas até o dia 1 de outubro no site http://www.fliporto.net/.

No total, serão distribuídos R$ 9.000,00 em premiação para os três primeiros colocados.


Cordel para Lima Barreto

Lima Barreto está vivo
Deve ser recuperado
Combateu a tirania
Imposta pelo Estado
Por isso por muito tempo:
Mantiveram-no ocultado...

Registrou a opressão
Que esmaga o ser humano
Sua obra foi bloqueada
Por um poder tão insano
Que esconde o que é bom:
Lima resurge Oceano...

Foi um marginalizado
Pelo sistema opressor
Que tiraniza a arte
E provoca muita dor

Mas não se pode matar:
A alma de um mestre escritor...
Mostrou a hipocrisia
O mundo da falsa aparência
Semelhante a Machado:
Tem obra de consistência...
Só que Lima foi além:
No limiar da consciência.. .


Retratou o subúrbio
O morro e a favela
Praças e botequins
Nos abriu uma janela
Mostrou a realidade
E a dureza nada bela...
Reportagem e testemunho
Na crítica do cotidiano...
Igualdade para todos
Era sonho, meta e plano...


Um cronista social...
Pra ser lido todo ano...
Teve a palavra cassada
O pensamento reprimido
A expressão violentada
Mas sempre foi atrevido
Lima Barreto merece
Por nosso povo ser lido...

Lima Barreto é exemplo
De coragem e ação...
Um herói da resistência
Contra a espoliação...
É um dos nossos pilares
Da grande Revôolução...


Gustavo Dourado



Encontros de Interrogação

Evento no Itaú Cultural convida escritores e especialistas para discutir os espaços da literatura Qual o espaço da literatura fantástica na produção brasileira? Um poema pode ser feito de imagens? O tradutor também é criador? Qual o papel do leitor na criação? Essas são algumas das perguntas levantadas pela quarta edição do Encontros de Interrogação, que desde 2004 realiza debates entre importantes nomes da literatura. Nos dias 21 e 22 de maio, escritores, críticos, pesquisadores e tradutores se encontram para discutir temas da produção literária brasileira.

No sábado, 23, o poeta Carlito Azevedo, autor de Collapsus Linguae (vencedor do Prêmio Jabuti em 1991) ministra uma oficina de poesia, em que serão lidas obras de Ted Hughes e Zbigniew Herbert, entre outros. A entrada é gratuita em todos os eventos. Essa edição tem curadoria do escritor e professor Flávio Carneiro e do jornalista e ensaísta Manuel da Costa Pinto. Conta com a participação dos escritores Luiz Ruffato, Cintia Moscovich e João Gilberto Noll e da web-artista Giselle Beiguelman.

IMPORTANTE: As inscrições para a oficina Espaço para uma Oficina de Poesia (ou O que Fazemos Quando Fazemos Poesia?), com Carlito Azevedo, devem ser feitas com antecipação pelo telefone 2168 1777 (certificado para participantes com presença de 75% da carga horária)

PROGRAMAÇÃO
quinta 21 10h palestra Originais Literários na Era Virtual. O Fim da Crítica Genética?
com Verónica Galíndez-Jorge

Essa interrogação faz pensar nas relações entre as novas práticas de escrita e as propostas de leitura dos processos criativos oferecidas pela crítica genética. Como ler e analisar obras que têm como suporte e ferramenta de criação as práticas contemporâneas, em meio eletrônico, hipertextual ou ciber-híbrido?
Sala Vermelha (75 lugares)


16h debate
O Espaço da Imaginação ou Qual o Lugar Ocupado pelo Fantástico e pelas Ficções Científica e Infanto-Juvenil em Nossa Literatura? com Bráulio Tavares, Max Mallmann e Ricardo Azevedo – mediação de Ronaldo Correia de Brito
Numa ficção tradicionalmente arraigada ao relato documental – desde o romance urbano no século XIX, passando por vários momentos do século XX, em especial o do segundo modernismo –, como lidar com uma narrativa que se assume como fantasia?
Sala Vermelha (75 lugares)

17h debate

O Espaço entre Palavra e Imagem ou Como É o Percurso que Vai da Linguagem Escrita à Linguagem Visual? com André Vallias, Celso Borges e Ricardo Aleixo – mediação de Giselle Beiguelman
Qual o percurso da palavra à imagem? Como andar por esse caminho? Adaptar é transcriar (termo usado por Haroldo de Campos para definir o exercício de traduzir poesia e ficção)? Poesia se faz com palavras, como dizia Mallarmé, ou também se constrói com imagens?
Sala Vermelha (75 lugares)


18h debate
O Espaço da Tradução ou Como o Ofício de Traduzir Irrompe na Criação e como a Criação se Insinua no Ato de Traduzir? com Aileen El-Kadi, Alison Entrekin e Paulo Henriques Britto – mediação de Walter Costa
Qual o conceito de fidelidade ao original quando se traduz literatura? Qual o espaço do tradutor na criação do autor? Qual sua contribuição para o desenho final, o livro? Qual o espaço da criação dentro do ofício do tradutor? Traduzir também é criar?
Sala Vermelha (75 lugares)


20h debate
O Espaço Geográfico ou Como Falar do Enraizamento para Além do Regionalismo? com João Gilberto Noll, Luiz Ruffato e Ronaldo Cagiano – mediação de Flávio Carneiro
De que lugar se escreve? Onde fica Pasárgada? Quando exatamente Itabira se transforma em apenas um retrato na parede? Que cidade o escritor habita quando escreve? O regionalismo existiu de fato ou foi apenas uma lenda que deu certo? Como falar de regional num mundo globalizado?
Sala Itaú Cultural (247 lugares)


sexta 22 10h debate
O Espaço Fora das Fronteiras ou Qual o Espaço da Literatura Brasileira no Cenário Internacional? com Claudiney Ferreira e Felipe Lindoso A literatura brasileira, principalmente a sua produção contemporânea, existe fora das fronteiras nacionais? Para responder a essa pergunta são apresentados os primeiros resultados do projeto Conexões – Mapeamento da Literatura Brasileira no Exterior (conexoesitaucultural.org.br).
Sala Vermelha (75 lugares)


14h debate
O Espaço da Experimentação ou Oficina Literária Forma um Escritor? com Luiz Antonio de Assis Brasil e Raimundo Carrero – mediação de Claudiney Ferreira. Nos últimos 20 anos, cresceu o número de oficinas literárias no país. Quais as funções, a eficiência e o perfil do público desses espaços de formação literária?
Sala Vermelha (75 lugares)


16h debate
O Espaço da Crítica ou Toda Literatura Traz Implícito um Ato de Reflexão Crítica? com Claudio Daniel, Francisco Bosco e Mário Hélio Gomes – mediação de Leda Tenório da Motta “Cada poema por si se constitui uma poética”, como declarou Waly Salomão? A crítica é um gênero literário? Qual a origem da crítica? Qual a diferença entre as poéticas antigas, a estética como ramo da filosofia e as correntes modernas da teoria literária? Como se posicionar diante da querela entre crítica jornalística e crítica universitária?
Sala Vermelha (75 lugares)


17h debate
O Espaço da Leitura na Criação ou Que Livros e Personagens o Escritor Carrega para a Criação?com Alberto Mussa, Adriana Lunardi e Gustavo Bernardo – mediação de Antonio Carlos Viana De que modo o escritor carrega, para o espaço da criação, as leituras que fez? Todo escritor é resultado de suas leituras? Como lidar com personagens-leitores? Qual o espaço do leitor imaginário na criação do escritor? É possível escrever sem ler, quer dizer, sem ter lido?
Sala Itaú Cultural (247 lugares)


18h debate
O Espaço Público ou A Profissionalização da Escrita Cancela o Poder Contestador da Linguagem Ficcional? com Fernando Bonassi, Guiomar de Grammont e Sebastião Nunes – mediação de Nelson de Oliveira. Se publicar é tornar público, é sair de si mesmo e fazer parte do todo, visível a qualquer um, qual o lugar ocupado pelo escritor no espaço público? É possível ser escritor profissional no Brasil? O escritor é um trabalhador como qualquer outro?
Sala Vermelha (75 lugares)


20h debate
O Espaço do Leitor na Ficção ou Qual o Lugar do Leitor Real no Processo de Invenção? com Bernardo Carvalho, Cintia Moscovich e Cristovão Tezza – mediação de Manuel da Costa Pinto. Qual o espaço ocupado pelo leitor real no processo de criação do escritor? Quem escreve conhece seu leitor real? Para quem se cria? Que tipo de público (faixa etária, classe social etc.)? Como lidar com três leitores bastante reais: o editor, o tradutor e o crítico literário? Se você é escritor, costuma mostrar seus originais a alguém antes de enviá-los para a editora – um leitor antes do leitor? O que você pretende que o leitor sinta ao ler um livro seu? Que tipo de leitor você acha que está representado nos seus livros? Quais leitores da chamada vida real você transforma em personagens?
Sala Itaú Cultural (247 lugares) ingressos distribuídos com meia hora de antecedência


sábado 23 - 10h às 17h
(intervalo das 12h30 às 14h)

oficina Espaço para uma Oficina de Poesia ou O que Fazemos Quando Fazemos Poesia? com Carlito Azevedo. O poema hoje é feito de versos ou de linhas? De determinação ou de indeterminação? De forma ou não conformação? O poema em prosa sugere que poesia não tem nada a ver com o lugar onde interrompemos a linha? Esqueçam isso tudo, vamos apenas ler juntos alguns poemas de Ted Hughes, Zbigniew Herbert, C. Tarkos, Adília Lopes, Joseph Brodsky, Cesare Pavese, Anne Stevenson, Michael Palmer, ou outros, e tentar ver como eles e cada um de nós colocam no poema a respiração, as montanhas, o vento, as pessoas, a história, o viável e o inviável, a vida e a invenção da vida. E vamos escrever os poemas que não estavam lá antes.

Sala Vermelha (30 vagas) inscrições antecipadas pelo telefone 2168 1777 (certificado para participantes com presença de 75% da carga horária) atendimento@itaucultural.org.br
SampleAndo

o poema pode ser
um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sob o céu aberto
estrelas de neon em vênus
refletindo pregos
no meu peito em cruz

na paulista consolação
na água branca barra funda
metal de prata
desta lua que me inunda
num beijo sujo
com a Estação da Luz

nos vídeos/filmes de TV
eu quero um clipe
nos teus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha
em tuas costas índia
ninja gueixa
eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio
e me esquecer da lapa.

Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

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