segunda-feira, 11 de maio de 2009




Entre o mundo público e o mundo privado, entre a casa e a rua, há uma fatia de indefinição que se chama calçada. Claro que ela é pública, com acesso para todos e zelo regulamentado por lei municipal. Mas sua manutenção é particular, e reflete em boa medida o quanto os cidadãos cuidam ou deixam de cuidar da sua cidade.Se fosse avaliada pelos seus passeios públicos, como se dizia antigamente, Campos seria reprovada no quesito civilidade. A maioria dos seus munícipes cuida mal da própria calçada, enquanto não se dá conta de que sofre para atravessar as calçadas alheias. Cuida ainda pior, provavelmente, quem menos as utiliza, entrando e deixando suas residências apenas de carro.E a falta de zelo é igualmente disseminada por bairros e pela região central. Pobres, ricos e intermediários, quase todos, priorizam o que está do muro para dentro, e condenam a todos a qualquer improviso no espaço público.O governo municipal não faz a sua parte de agente fiscalizador. Provavelmente porque não tem autoridade para tal, já que em muitas calçadas dos prédios públicos, a começar pela que circunda a própria sede da Prefeitura, ou a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (Palácio da Cultura), não é difícil encontrar buracos e desníveis.Diante de problemas tão maiores quanto a queda na receita em royalties e o seu futuro incerto, a baixa qualidade do Legislativo municipal, a manutenção da farra dos cargos comissionados na Prefeitura, o não esclarecido submundo da compra de votos, a precariedade da saúde e da educação, parece até frescura de classe média reclamar das calçadas.Mas, além de ser um sinal de como o município é tratado por todos, com consequências para todas as demais áreas, trata-se de uma mazela que atinge especialmente a população que mais se desloca a pé – a grande maioria, portanto.Se tivesse uma política pública eficiente voltada para a conservação das calçadas, Campos poderia até mesmo desenvolver campanhas para estimular o cidadão a andar mais a pé, dado o seu favorável terreno plano – o que também deveria ocorrer com bicicletas.Uma cidade de calçadas largas, bem cuidadas e sem obstáculos, refletiria na prática o tal amor que enxertaram no slogan da atual gestão municipal. Mas, para que isso aconteça, é preciso que todos revejam o modo como se relacionam com o mundo público. A começar pelos que são eleitos para tal.

Artigo publicado na edição de Domingo do Monitor Campista
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Postado por Vitor Menezes
Transparência de verdade
A Prefeitura de Campos recebeu, só em 2009, R$ 196.225.239,41 de transferências de recursos da União.Os dados, detalhadamente, estão no Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (aqui).Enquanto isso 1 - A Prefeitura de Campos ainda não liberou (até hoje, 10/05, às 18h36), nem aquele balancete genérico com as receitas/despesas referente ao mês de abril. (aqui).
Enquanto isso 2 - A Prefeitura de São Carlos (SP), que mantém um Portal da Transparência desde 2005, consegue disponibilizar na Internet, boletins de caixa com receitas e despesas detalhadas todos os dias. Hoje, por exemplo, já está disponível o movimento de caixa da última quinta-feira (07/05), com as receitas (aqui) e despesas (aqui), discriminadas por serviço, fornecedor e número do processo.
Ricardo André Vasconcelos
Vira Espírito de Porco.
artur gomes

Um comentário:

  1. Oba! Agora nós temos uma Associação...
    Agradeço ao Nahim,kkkkkk

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