segunda-feira, 4 de maio de 2009
















"Na próxima encarnação/ Não quero saber de barra/ Replay de formiga não/ Eu quero nascer cigarra". Itamar Assumpção é o meu maior ídolo na música. Provavelmente o cara que mais vi shows na vida. Seu trabalho é de uma sofisticação absurda. É uma das maiores referências pra tudo que eu escrevo e faço. Um desses caras que costumamos dizer que mudaram nossas vidas. Isso pra dizer que acabo de saber de uma puta notícia: livro com poemas/letras inéditas do cabra. Já bateu uma fissura gigantesca. E porra. Com apresentação do Marião Bortolotto, que postou no atirenodramaturgo um texto que estará no livro:

Do alto dos quarenta e quatro

Do alto dos quarenta e quatro
miro meu retrato de anos atrás.
Tenho ar preocupado, um riso forçado...
num branco sem paz.

Do alto dos quarenta e quatro
tiro meus sapatos, ando pelo cais.
Mais lúcido que alucinado,
aprendi um ditado: “Prendam Barrabás!”
Vivo entre verso e prosa, ataque e defesa.
Vivo muito mais.


Itamar Assunção




Não

pude ir à estréia do Parcerias no sábado. Mas fiquei muito feliz ao ler no atirenodramaturgo e na espelunca que foi legal pra caramba. Fiquei muito feliz pelo Madan, grande figura, com quem há muito tempo não encontro. Queria tar lá pra dar um abraço no cara e, entre outras, ouvir essas duas músicas, das minhas preferidas. Uma se chama Garrafa de Náufrago e é uma parceria dele com o Nelson Capucho. Tá no disco Ópera do Rinoceronte. Um trecho:

... uma fada doidona
dessas que rondam
madrugadas

leu minha mão
e disse:
vai fundo cara

icei velas
cuspi longe

me quis tigre
me fiz monge

rezei virei mexi
náufrago
continuo aqui

(Madan/Nelson Capucho)


A outra se chama Dúvida e é do seu primeiro disco. É uma parceria com o Arnaldo Antunes. Um trecho:

Estou cego a todas as músicas,
Não ouvi mais o cantar da musa.
A dúvida cobriu a minha vida
Como o peito que me cobre a blusa.
Já a mim nenhuma cena soa
Nem o céu se me desabotoa.
A dúvida cobriu a minha vida
Como a língua cobre de saliva
Cada dente que sai da gengiva.
A dúvida cobriu a minha vida
Como o sangue cobre a carne crua,
Como a pele cobre a carne viva,
Como a roupa cobre a pele nua...

(Madan/ Arnaldo Antunes)


Marcelo Montenegro



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