segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mataram A Poesia E Mamãe Disse Que Não Foi Ela

com a foto de Tia Odete, nossa homenagem a todas as mães de Bloggueiros Desocupados.

















Mamãe, coragem
(Caetano Veloso e Torquato Neto)

Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui

Mamãe, mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance
Veja as contas do mercado, pague as prestações

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
os corações dos filhos
Seja feliz, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz,
Mamãe, seja feliz

Mamãe, mamãe não chore
Não chore nunca mais, não adianta
eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta
(Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore, não tem jeito

Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia "Elzira, a morta virgem",
"O Grande Industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem ,
de vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade na cidade
que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim,
não tem mais fim, não tem mais fim


O Mundo É Um Moinho
Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

Cartola

11/10/1908 30/11/1980

Biografia

Considerado o maior sambista da história por diversos músicos, Cartola nasceu no Rio e passou a infância no bairro de Laranjeiras. Dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa a mudar-se para o morro da Mangueira, onde então começava a despontar uma pequena favela.

Na Mangueira fez logo amizade com Carlos Cachaça e outros bambas, se iniciando no mundo da malandragem e do samba. Arranjou emprego de servente de obra, e passou a usar um chapéu para se proteger do cimento que caía de cima. Era um chapéu-coco, mas o apelido Cartola pegou assim mesmo. Com seus amigos do morro criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira, a verde-rosa, nome e cores escolhidos por Cartola, que compôs também o primeiro samba, "Chega de Demanda". Seus sambas se popularizaram nos anos 30 em vozes ilustres como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda.

Mas no início dos anos 40, Cartola desaparece do cenário. Pouco se sabe sobre essa época além de que brigou com os amigos da Mangueira e que ficou mal depois da morte de Deolinda, a mulher com quem vivia. Especulou-se até que houvesse morrido. Cartola só foi reencontrado em 1956 pelo jornalista Sérgio Porto, trabalhando como lavador de carros. Porto tratou de promover a volta de Cartola, levando-o a programas de rádio e fazendo-o compor novos sambas para serem gravados.

Em 1964 Cartola e a esposa Zica abriram um bar-restaurante-casa de espetáculos na rua da Carioca, o Zicartola, que promovia shows de samba e boa comida, reunindo no mesmo lugar a juventude bronzeada da Zona Sul carioca e os sambistas do morro. O Zicartola fechou as portas algum tempo depois, e o compositor continuou com seu emprego publico e compondo seus sambas.

Em 1974 gravou o primeiro de seus quatro discos solo, e sua carreira tomou impulso de novo com clássicos instantâneos como "As Rosas Não Falam", "O Mundo É um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço" e "Alegria". Ainda nos anos 70 mudou-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, onde morou até a morte.

centro cultural Cartola
http://www.cartola.org.br/

Blues da Piedade
Roberto Frejat/Cazuza

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza
e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Lady Gumes African´s Baby

meto meus dedos cínicos no teu corpo em fossa
proclamando o que inda possa vir a ser surpresa
porque amor não tem essa de cumer na mesa
é caçador e caça mastigando na floresta
todo tesão que resta des pátria indefesa

ponho meus dedos cínicos sobre tuas costas
lambendo bostas destas botas neoburguesas
porque meu amor não tem essa
de vir a ser surpresa

é língua suje e grossa visceral ilesa
pra lamber tudo que possa vomitar na mesa
e me livrar da míngua desta língua portuguesa

artur carNAvlha gumes
http://youtube.com/carnavalha

Procissão
Gilberto Gil


Olha lá
Vai passando
A procissão
Se arrastando
Que nem cobra
Pelo chão
As pessoas
Que nela vão passando
Acreditam nas coisas
Lá do céu
As mulheres cantando
Tiram versos
Os homens escutando
Tiram o chapéu
Eles vivem penando
Aqui na Terra
Esperando
O que Jesus prometeu

E Jesus prometeu
Coisa melhor
Prá quem vive
Nesse mundo sem amor
Só depois de entregar
O corpo ao chão
Só depois de morrer
Neste sertão

Eu também
Tô do lado de Jesus
Só que acho que ele
Se esqueceu
De dizer que na Terra
A gente tem
De arranjar um jeitinho
Pra viver

Muita gente se arvora
A ser Deus
E promete tanta coisa
Pro sertão
Que vai dar um vestido
Pra Maria
E promete um roçado
Pro João
Entra ano, sai ano
E nada vem
Meu sertão continua
Ao Deus dará
Mas se existe
Jesus
No firmamento
Cá na Terra
Isso tem que se acabar

40 anos depois esta Procissão do Gil, me parece que foi escrita ainda agora

Tutu da TROlha
http://hiena-feliz.blogspot.com/

Li no Ponto Final
Folha da Manhã

Belo gesto
Bonito o gesto do 8º Batalhão da Polícia Militar, que na véspera do Dia das Mães colocou seus soldados, em pontos diferentes da cidade, distribuindo rosas para as mulheres. Uma mulher no terminal Rodoviário chegou a colocar a rosa sobre a arma do policial, lembrando aquela antológica cena da Revolução dos Cravos, em Portugal, quando uma mulher colocou a flor, no caso, em um fuzil.

Feira
Organizada pela Revista Visão Social e seus parceiros, incluindo as prefeituras de Macaé e Quissamã, a Universidade Estadual do Norte Fluminense "Darcy Ribeiro" (Uenf), e o Sistema Firjan, a II Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos) será realizada nos dias 19, 20 e 21 de maio de 2009, no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, em Macaé.

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